Como prometido: breve e maior do que o prólogo xDD Só espero que não tenha ficado grande demais ._.
Anyway, eu me inspiro em coisas que acontecem no jogo para escrever, posso demorar um pouco as vezes para escrever. Como ja passei de Rookgaard, esses cap que se passam antes de virar Knight eu sei como são. Ainda posso precisar estudar um pouco o jogo xD
Anyway, boa leitura =3
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Memórias de uma Knight
Capitulo I – Rookgaard
Quando cheguei no porto de Rookgaard, as gaivotas estavam na costa se alimentando de alguns peixes. Estava um pouco acuada sobre o que me aguardaria mais a frente, mesmo estando equipada com alguns equipamentos básicos que meu pai conseguiu comprar.
Meus cabelos loiros balançavam ao vento que vinha do oeste, numa passada até um pouco hesitante, olhei para o mapa e rumei para onde deveria ser Rookgaard.
Bem, não posso dizer que Rookgaard é realmente uma cidade interessante hoje em dia, mas, para mim, uma garota que cresceu e viveu numa ilha afastada das terras no além-mar, era um lugar incrível.
Ao atravessar a ponte, fiquei maravilhada com aqueles prédios feitos de pedras planas, com todas aquelas pessoas que caminhavam em busca de mais e mais treinos, algumas até gritavam que estavam vendendo itens ou comprando. Bem, sinceramente, comparando ao que me aguardava Rookgaard era um lugar extremamente parado, mas para mim naquela época era um lugar incrível.
Um garoto que parecia apressado esbarrou em mim, se virando rapidamente para pedir desculpas, eu apenas acenei positivamente com a cabeça em sinal de que estava tudo bem, simplesmente ajeitei minha armadura feita com pele endurecida que estava sobre minha roupa normal ainda, ajeitei a minha bolsa na cintura e verifiquei minha faca de combate, presente do meu pai também, junto com um pequeno escudo de madeira que estava preso nas minhas costas.
Continuou andando por Rookgaard, ainda encantada com as coisas por ali, quando escutei dois aventureiros conversando:
- Então, acho que poderíamos matar ratos hoje não
? – Disse um para o companheiro, que fez uma cara de nojo.
- Ratos? Mas o que ganharemos com eles
?
- Ah, desencana, cara
! – O companheiro deu uma risada de deboche e passou a mão por trás dos ombros dele, colocando a mão sobre seu ombro e falou baixo, apesar de ter sido próximo o suficiente para eu escutar. – E também, podemos pegar itens com eles e vender. Ouvi dizer que dentro da barriga desses ratos tem até dinheiro dos corpos que eles roeram
!
Claro que aquilo pareceu extremamente mórbido para mim, apesar de estar acostumada com muitas coisas, imaginar ratos roendo ossos humanos era algo macabro para mim. Segui meu caminho e fui até uma taverna, onde eu deveria descansar e comer.
Ao chegar ao bar, notei o quanto havia de poucas pessoas por ali, finalmente dando-me conta que apesar de Rookgaard ser uma cidade “grande” comparada a minha ilha, não era nada movimentada. Dei de ombros e segui até o balcão, o taverneiro pareceu intrigado com uma jovem de cabelos loiros e olhos cintilantes vezes, meio baixinha e de jeito delicado, apesar de ter um pouco de músculo.
- Por favor, serve-me um bife
. – Pedi, tentando mostrar alguma autoridade, apesar de não me sentir segura ao nível, minha voz insegura resultou no riso do taverneiro.
- Claro, mocinha
! – O taverneiro se virou e bateu a mão num pequeno buraco que tinha na parede. – Um bife
!
Eu, sem jeito com tudo aquilo, me remexi e encolhi um pouco perante aos modos do homem, sem compreender ao certo se aquilo era um hábito comum. Apesar de tudo, os cidadãos da minha ilha eram recatados e comportados, talvez por isso eu fosse daquele jeito.
O taverneiro se virou divertido para mim.
-Daqui a pouco já sai
. – Acenei positivamente com a cabeça em sinal de que havia entendido, um curto silêncio se seguiu até o taverneiro pigarrear. – Então, vai virar uma mage
?
Provavelmente minha expressão confusa sobre aquilo foi o que fez o taverneiro suspirar de forma exasperada, imagino que ele deve ter pensado “Outro aventureiro desinformado...”.
- Mage é a classe mágica...
– Ele olhou para mim esperando que eu tivesse entendido, como ainda existia incompreensão no meu olhar, ele revirou os olhos e relaxou os ombros. – Sabe... As classes: Mage, Druid, Hunter... Por Deus, você vem para Rookgaard sem saber a classe que quer seguir
?
Enfim entendi o que ele queria dizer, e sorri calmamente para ele.
- Vou ser Knight
. – O taverneiro soltou um riso estridente, levantando a cabeça pro alto como se tivesse ouvido uma ótima piada, em resultado eu olhei pro lados e me encolhi, com minhas bochechas pegando fogo.
- Você uma Knight? Perdão minha jovem, mas acho que você está mais para uma Mage do que para uma Knight
.
O som suave de um prato sendo colocado sobre uma pedra calou um pouco o taverneiro, que provavelmente estava rindo da minha cara vermelha. Sério, que graça tem ver uma garota com o rosto vermelho de vergonha?
- Aqui está, mocinha
. – O prato de bife soltava vapor devido ao calor foi posto a minha frente, junto com um par de talheres, me ajeitei na cadeira para comer. – Vai querer beber o que, “Knight”
?
Fiz uma careta naquela hora sobre a ironia que havia na voz dele. Sério mesmo, que graça é essa que todos vêem? O taverneiro segurou o riso sobre a careta que fiz.
- Suco de ameixa...
– Sabia que ameixa era uma das frutas que mais existia em Rookgaard, então, achei que seria mais fácil pedir aquilo do que pedir água de coco, algo que estou mais acostumada a beber.
O sorriso do taverneiro confirmou que meu pensamento estava certo. Ele virou as costas para mim e começou a fazer o dito suco enquanto eu começava a comer. Na minha frente foi colocado um copo de madeira esculpido, dentro dele estava o liquido do meu suco, acenei com a cabeça agradecendo e tomei um gole, o taverneiro recostou-se no balcão e ficou olhando o movimento fraco do bar.
- Mas é bom ver jovens que buscam seus sonhos, não importando seu físico
. – Com um suspiro e um aceno negativo com a cabeça, ficou mais do que claro que o taverneiro se lamentava de algo. – Hoje em dia os jovens cada vez mais são previsíveis... Normalmente são garotas que querem ser mages, garotos geralmente escolhem o caminho da espada ou virão druidas... Sinto falta das pessoas que seguem algo que realmente gostam. Uma boa parte dos aventureiros que chegam a Rookgaard cresceram em meio ao que pretendem seguir..
.
Fiquei um pouco confusa sobre o que ele disse, ele notou meu olhar e apenas riu, passando a mão na minha cabeça. Ok, aquela mãe era ENORME e pesada, abaixei um pouco minha cabeça ao sentir o peso, o taverneiro riu novamente.
- Relaxa garota, sou apenas um camponês que um dia sonhou em ser Knight também, mas que teve que trabalhar para o pai...
– Enfim ele tirou a mão da minha cabeça e voltou a olhar o bar com um olhar distante, mas logo sorriu, vendo aquilo, imaginei quantas memórias boas ele tinha. – Bem, por que quer virar Knight
?
- Uma promessa... Foi uma promessa que eu e meu amigo fizemos
. – O taverneiro me olhou pensativo, eu dei de ombros e terminei de beber o suco. – Quanto custou
?
- Ah, claro...
– Ele pegou uma nota e escreveu sobre ela as quantias. – 18 gp
.
Eu fui olhar na minha bolsa, procurando o meu dinheiro, que eu não achava. Comecei a ficar desesperada sobre o sumiço do meu dinheiro, o taverneiro notou aquilo e suspirou.
- Você foi roubada...
– Acredito que meu olhar aflito foi o que causou compaixão no taverneiro, que suspirou e passou a mão na minha cabeça. – Relaxa, isso acontece. Você pode me pagar outra hora
.
Eu não sabia como pagar. Passei a mão no rosto aflita, até que me lembrei de algo, olhei para ele.
- Onde ficam os ratos
?
-x-
Claro, tudo o que eu precisava: ser roubada, ficar com uma divida e ainda por cima entrar numa caverna muito estranha recheada de ratos.
Terminei de descer as escadas e olhei para aquela imensidão escura. Senti até um calafrio cruzar meu corpo ao pensar em um rato no meio daquilo.
- Ah...
– Após esse murmúrio de lamento, peguei meu óculos da bolsa e a tocha, acendendo-a, soltei um suspiro aliviado por minha visão ter melhorado, ajeitei o óculos e fiquei com a minha faca na minha mão direita.
Um guincho na escuridão me fez dar um pulo de susto. Estava tensa e era a primeira vez que enfrentaria algo no escuro. Estava com medo. A minha frente tinha dois caminhos, fui até lá e olhei pros lados, levantando a tocha um pouco para tentar enxergar mais a frente. Avancei um pouco e olhei para os lados, tentando escolher o melhor caminho. Um gotejar distante deu uma sensação de frio cortante, me fazendo arrepiar e me encolher.
- Que lugar desagradável...
Após meu comentário, senti algo pular atrás de mim junto com um guincho. Soltei um grito de susto e joguei a tocha no chão, levando as minhas duas mãos para minha nuca, peguei algo peludo e grande que se retorcia, assim que toquei nele, tive a mão mordida. Soltei outro grito e o joguei no chão.
Peguei a faca e o escudo, olhando para minha mão esquerda que descia um pouco de sangue da ferida. Atordoada, vi um rato gordo e grande que parecia ter os olhos vermelhos e guinchava abominavelmente.
- Rato?! Isso daí é uma ratazana
! – Como se tivesse escutado meu comentário, o rato avançou para cima de mim, aterrorizada, sai correndo pela caverna, meus gritos chamaram mais ratos para perto e que também me perseguiram. – Socorro
!
Acabei tropeçando numa pedra por causa da escuridão, a luz bruxuleante do fogo tinha ficado para trás. Ao cair no chão, ralei as minhas mãos, soltando um gemido dolorido da minha boca, tentei me levantar, mas ao escutar os guinchos cada vez mais perto, rolei no chão, pegando meu escudo e minha faca – que haviam caído quando eu cai -, ergui o escudo de madeira frente ao meu busto e me encolhi para tentar proteger meu rosto também.
Um baque seco soou no escudo e ao sentir o peso percebi que havia me defendido de um ataque, impulsionei o escudo para frente e joguei o rato que ficou atordoado com o impacto para longe de mim. Aproveitando a chance, me levantei e andei alguns passos para trás, esperando minha visão me acostumar com o escuro, e mesmo assim, podia ver uns cinco pares de olhos vermelhos querendo minha carne.
Meu corpo inteiro tremia, a tensão e o medo fizeram meus sentidos ficarem ainda mais apurados do que o normal, e talvez por isso eu conseguia até escutar a respiração daqueles ratos. Engoli seco ao me lembrar daqueles dois aventureiros comentando sobre o dinheiro dentro da barriga dos ratos. Meu terror aumentou ao imaginar aqueles seres devorando minha pele, roendo minhas roupas e comendo tudo o que via pela frente.
- Eu não quero morrer...
– Murmurei hesitante e com a voz tremula, apertando o punho da faca. – Eu não quero morrer
!
Após a minha segunda fala, um dos ratos se adiantou, eu recuei e senti uma parede nas minhas costas e percebi que estava acuada. Bem, eu não tinha muito tempo para pensar. Fechei os olhos e movimentei minha faca em diagonal. Senti um pequeno peso sobre a faca e algo quente atingir minha mão, seguido de um guincho alto e dolorido. Entreabri os olhos e joguei o rato que jazia no gume da minha faca para o lado, ele se remexeu no chão apesar do corte profundo e longo feito em sua barriga, demonstrando vontade de viver e ao mesmo tempo a raiva brilhou nos seus olhos vermelhos. As suas entranhas saíram por aquele corte e ele guinchou para mim.
Naquela altura, eu já havia me acostumado com a escuridão e conseguia distinguir perfeitamente os contornos daquelas criaturas, talvez meus sentidos tivessem ficado muito mais apurados devido o meu medo. Mas, apesar disso, acho que foi meu medo que salvou minha vida.
Assim que aquele rato foi jogado para longe de mim, outros dois se adiantaram, tentando atingir as minhas pernas. Pulei pro lado e chutei ambos. Meu coração batia acelerado e o suor descia pelo meu rosto. Antes de dar chance para aqueles dois ratos se recuperarem, avancei sobre eles e pisei em seus corpos, com uma estranha sensação de alivio e de até certo prazer senti aqueles corpos diminuírem sobre meus pés enquanto seus guinchos sumiam na escuridão.
Os outros dois ratos restantes guincharam e foram para cima de mim, eu me abaixei, fazendo com que eles passassem por cima de mim, em seguida movimentei meu braço para cima, num corte em horizontal nos ratos, passando pelos dois. O sangue dos ratos escorreu para o meu braço e eu virei o rosto. Ambos os ratos atingiram a parede de terra e caíram desfalecidos no chão.
Olhei em volta procurando o primeiro rato que me atacou, mas ao ver o rastro de sangue sumir na escuridão, percebi que ele havia fugido.
Agora que a minha razão voltava, meu corpo inteiro começou a tremer e soltei minha faca e meu escudo, dei alguns passos para trás e me encostei-me à parede de terra atrás de mim. Em minha cabeça, os acontecimentos passavam como em flashback, como se aquela que tivesse matado aqueles ratos não fosse eu mesma, pousei a mão na boca ao sentir uma sensação desagradável subindo para minha boca. Ajoelhei-me e vomitei.
-x-
Após horas naquele lugar escuro, lutando contra ratos, me acostumei com aquela minha nova vida, apesar de que a maneira com que me deparei com a minha nova vida ter sido realmente brusca.
Abrindo o bueiro que dava para aquela caverna, a luz da lua minguante me recebeu com alegria, apesar de que meus olhos arderam com aquela luz. Abaixei a cabeça e aguardei um pouco para enfim sair do bueiro.
Aproximei-me da taverna e o taverneiro me olhou abismado e assustado, deixou o copo que limpava sobre a mesa e correu até a mim.
- Menina, você está bem? Que sangue todo é esse
?
Era claro que parte do sangue que estava em meu corpo era devido a pequenos cortes e mordidas dos ratos, mas, parte também era dos próprios atacantes. Com um olhar atordoado e perdido, sorri para o taverneiro, estendendo uma sacola para ele. Minha mão tremia ainda.
- Aqui está o dinheiro, senhor...
-x-
Foi uma longa noite. Em meu sono vi ratos me cercando e formando um cerco ao meu redor. Remexi-me muito na cama e acordei num susto.
A mulher do taverneiro cuidou de fazer curativos nos meus ferimentos, o sol da manhã entrava por entre as persianas junto com uma suave brisa. Ao me deparar naquele ambiente confortável, suspirei aliviada e cai exausta na cama, deixando meu punho direito sobre minha testa.
Três batidas seguidas na porta chamou minha atenção, suspirei e me perguntei quem poderia ser, ajeitei-me um pouco na cama de maneira que pudesse ficar sentada.
- Entre
. – Disse.
A mulher do taverneiro entrou no quarto. Roliça, de ombros largos, seus cabelos crespos castanhos estavam amarrados numa trança muito bem feita, usava um vestido de uma cor rosa e um avental na frente, sujo de gordura. Seu rosto alegre e corado, junto com seus olhos claros me animou um pouco. Junto com ela veio uma bandeja de um caldo de galinha, senti minha barriga se revirar de fome.
- Bom dia, querida
. – Ela se aproximou de mim e sentou na cama, na bandeja havia o caldo de galinha e um copo de suco de ameixa, ela colocou sobre meu colo e sorriu docemente para mim. – Dormiu bem
?
- Sim, obrigada por ter feito essa comida...
– A mulher deu um riso calmo e agradável, eu sorri, ela realmente era uma companhia muito agradável.
- Você tem que se alimentar para ficar forte de novo, não é mesmo
? – Ela sorriu calma e olhou para os curativos. – Estão doendo
?
- Um pouco...
– Respondi depois de engolir uma colherada do caldo que acabou queimando um pouco minha língua.
- Uhm... Foi a primeira vez que lutou de verdade, não é?
– Eu olhei surpresa para ela, ela simplesmente deu de ombro e sorriu. – Deu para notar pelo jeito que chegou ferida, aventureiros experientes costumam se ferir menos
.
- Ah...
– Abaixei o olhar, mesmo sabendo que era verdade, de alguma forma foi frustrante escutar aquilo, ela riu.
- Calma querida, é normal. Com o tempo você vai melhorar
. – Ela se levantou e esticou os braços. – Coma tudinho e descanse. Daqui a pouco eu volto; alguém tem que cuidar daquela cozinha, não é
?
Eu acenei positivamente e sorri, a mulher beijou a minha testa e saiu do quarto. Assim que a porta se fechou, eu suspirei e afundei um pouco na cama, olhei para a janela e me perguntei que tipo de coisas me aguardavam naquela terra.