O que é isso? O cafetão chegou e queria colocar a Aruda pra trabalhar?
Como é que pode um negócio desse, fera? Que baixaria. Que barraco.
Sensacional hauihauhauhauhauah
Barraco = treta. E se treta is all então barraco Tb is all 0/
Muito bom, champz. Então nessa fic se a Aruda conseguir o trampo ela não vai mais precisar ficar andando ali pelas esquinas de Thais afanando a grana dos noob
So na expectativa dos próximos. Essa fic tem tantas possibilidades que cada capitulo é uma historia em si
Flws fera tamo na área 0/
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o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo
_qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?
Segue mais um capítulo desta narrativa, com as desculpas de praxe pelos longos intervalos de tempo entre uma postagem e outra.
Aos que se aventurarem a ler, espero sinceramente que gostem.
Spoiler: Respostas aos comentários
Postado originalmente por Sombra de Izan
Tava rindo aqui, enquanto lia os capítulos fiquei pensando, que é essa raio de Ducado? fui obrigado a ver no wiki, é um tipo de feudo, bem massa.
A perspectiva de soberano de gerenciar tantos domínios não é nada fácil, li sobre a ilha grimvale, realmente essa atualização do tibia perdi, bem massa colocar na história.
Achei massa que ficou bem sistemático a história, bem fácil de compreender os acontecimentos, está de parabéns.
Bom aguardo novos capítulos
Foi muito bom constatar a presença de um novo comentarista. Muito obrigado por comentar, Sombra de Izan.
E você tem plena razão quando usa em seu comentário o título “Mal se levanta”, hehe. De fato os hiatos entre os capítulos são muito longos, alguns longuíssimos, como este ultimo. Gostaria de ter a capacidade de redigir e preparar os textos com mais rapidez, mas as circunstâncias da vida muitas vezes nos impedem de dedicar às atividades lúdicas e divertidas o tempo que gostaríamos. De qualquer modo não pretendo abandonar esta narrativa.
Fico feliz que tenha gostado do texto.
Sobre a “divisão administrativa” do Reino Thaiano, me baseei, em parte, mas não de modo totalmente fiel, na divisão interna dos reinos da Europa Medieval. Um ducado, nesta narrativa, equivale a um estado; um condado, a um município; e um baronato, a um distrito, se considerarmos a divisão político-administrativa do Brasil. Mas sei que isto não corresponde ao que acontecia no Medievo, na Europa. Apenas usei os títulos de nobreza e os nomes dos feudos, mais do que qualquer outra coisa. Mas a divisão e hierarquia dos territórios e títulos é algo construído para esta narrativa, em particular.
Apesar da enorme demora, espero poder encontrar novos comentários seus, por aqui.
Um grande abraço
Postado originalmente por Shirion
Aa ate que enfim essa historia continua. Ja tinha lido tudo mais de uma vez e estava ansioso para ler material novo dela. É gostoso e divertido ler essa historia por causa das historias envolvendo os personagens mais os npcs
O cadi é um fdp kkkkkkkkkkkk
E que incrivel o desempenho da aruda na historia parabens vc aproveita miuto bem essa npc grande luta no apartamento contra o soros
Entao faltam poucos dias dentro da cronologia da histpria para o addae e os outros irem para Rookgaard. Quando os escritores usam Rookgaard como cenario geralmente sai coisa boa. Quero muito ver isso ai
Estou aguardando mais capitulos.
Oi Shirion, tudo bem? Obrigado por mais um comentário.
Desculpe por alimentar sua ansiedade demorando tanto a postar um novo capítulo. Mais eis que chega, finalmente
Cadi é um típico cara de pau, com a capacidade de dizer as coisas mais inadequadas nos momentos menos oportunos. É baseado em uma pessoa que conheci na vida real.
A Aruda é um npc cujas circunstâncias e características permitem gerar boas histórias.
Quanto ao momento da viagem, é como se a narrativa estivesse no domingo, e a partida programada para quinta-feira. Não sei se reparou, mas cada capitulo ou arco de capítulos abrange o tempo de um dia. Eu também quero fazer a narrativa chegar logo a Rook, um local do jogo ainda querido e mesmo cultuado por boa parte dos jogadores, ainda mais os da “velha escola”.
Espero pode ler mais comentários seus no futuro. Um abração
Postado originalmente por Lipe Tenebroso
finalmente capitulo novo
eh fodz esperar capitulo novo mas qdo chega eu acabo esquecendo que demorou tanto pq os capitulos novos sao sempre muito fodz eu sempre acabo lendo umas 3 vezez cada capitulo pq eh muito boa essa fic
pow a aruda ta tendo uma participacao surpreendente pra mim nao sei se vc ainda vai colocar ela com mais importancia pela frente mas eh incrivel como vc conseguiu dar relevancia pra ela alias todo npc que aparece na fic vc consegue dar um destaque bom e criar uma personalidade interessante pra eles ate mesmo uma historia de vida
ri muito quando o strugle disse que queria casar com a aruda a reacao do addae
quero ver como vai ser a visita do pessoal do addae na guilda do mestre arturus que muvuca vai sair disso ai
nao vou nem ficar cobrando rapidez mas acelera isso ai
Oi Lipe Tenebroso, tudo bem?
Eu já não tenho nem mais cara para pedir desculpas pelas demoras, nem creio que você e os outros poucos comentaristas acreditem que eu consiga diminuir o intervalo entre os capítulos.
De qualquer forma, muitíssimo obrigado por mais um comentário.
A Aruda, como eu referi em uma resposta acima, é um npc que permite a construção de histórias interessantes, por todas as circunstâncias que a cercam no jogo. Mas há muitos outros npcs fascinantes no jogo, como plataformas ou inspirações para histórias.
Sobre a visita à guilda este capítulo novo será praticamente apenas sobre isso.
Pode cobrar, Lipe. É seu direito, como leitor e comentarista. Quem sabe proximamente eu consiga efetivamente diminuir os intervalos.
Aquele abraço.
Postado originalmente por Kerrod
Champz
O que é isso? O cafetão chegou e queria colocar a Aruda pra trabalhar?
Como é que pode um negócio desse, fera? Que baixaria. Que barraco.
Sensacional hauihauhauhauhauah
Barraco = treta. E se treta is all então barraco Tb is all 0/
Muito bom, champz. Então nessa fic se a Aruda conseguir o trampo ela não vai mais precisar ficar andando ali pelas esquinas de Thais afanando a grana dos noob
So na expectativa dos próximos. Essa fic tem tantas possibilidades que cada capitulo é uma historia em si
Flws fera tamo na área 0/
Oi, Kerrod. Prazer em rever seus comentários, sempre bem-humorados e pertinentes.
Pois é, estabeleceu-se um barraco no apartamento da Aruda. Hehe. A vida dela, nesta narrativa, deve mesmo tomar um rumo inusitado.
Espero poder contar ainda com sua presença nos comentários. Não desista, apesar dos longos intervalos.
Capítulo 15 - O Assalto - Sexta parte
Uma leve precipitação de neve deposita pequenos flocos nos casacos dos transeuntes.
—Mestre Arturos... Diz Addae, enquanto o grupo avança na direção da esquina com a Royal. —Os alunos da Adaga também assistem a aulas e a palestras, por esses dias, antes da partida?
—Sim, Addae. Responde o guildano. —Desde que chegaram já tiveram duas aulas e duas palestras. Inclusive eles tem que entregar uma espécie de monografia, até hoje à noite, a respeito da última aula ministrada.
—E quem está dando as aulas? Indaga, curiosa, Genevieve.
—Eu mesmo, hehe. Responde, bem-humorado, Arturos. —As aulas versam a respeito da História do Reino Thaiano, da guilda, como também alguns aspectos teóricos sobre a manipulação do mana e o manuseio de armas...
—Isso é legal... Diz Cadi. —Os Cavaleiros de Banor também estão dando aulas e palestras para seus alunos, antes do embarque.
—Mesmo? Indaga, curioso, Arturos. —Vocês tiveram recentemente contato com algum membro da guilda?
—Dois ex-colegas nossos da escola, quer dizer, meus e do Cadi, vão para Rook pelos Cavaleiros e nos disseram isso hoje mais cedo, no Templo. Responde Addae.
—Hum... entendo. Os Cavaleiros são uma guilda bem influente e detentora de muitos recursos... Diz Arturos. —Seu Grande Mestre foi um notório guerreiro. Ajudou sobremaneira os esforços do Reino na guerra contra Ferumbras.
—Mestre Jansen, né? Indaga Cadi.
—Sim... Telonius Jansen. Continua Arturos. —Como muitos guildanos mais destacados, serviu no Exército durante um tempo; acho que chegou ao posto de major, mas quando a guerra contra Ferumbras estourou, ele já tinha dado baixa da Guarda e já havia ingressado nos Cavaleiros. Os Cavaleiros invadiram e estouraram muitas cavernas e comunidades de criaturas sob o comando de Ferumbras, causando-lhes numerosas baixas e exaurindo muitos de seus recursos. Tem fama de serem muito ricos...
—Lá em Fibula tem uma guilda. Diz Tatius. —Chamada os Lobos de Fibula. Tem esse nome por causa do grande número de lobos existentes na ilha...
—Sim... Complementa Arturos. —Tradicionalmente o Conde de Fibula é o Grande Mestre da Guilda. Mas como o atual Conde é casado com a Princesa Sasha e reside em Thais, se não me engano o irmão mais novo do Conde assumiu a função de Grande Mestre... eles não estão enviando aluno algum a Rook este semestre...
—Isso mesmo, Mestre Arturos. Emenda Tatius. —O atual Grande Mestre é o Mestre Percival, irmão mais novo do Conde... ele tem um castelo enorme situado na parte norte da ilha...
—Nossa, Mestre Arturos, como o senhor sabe coisas a respeito das guildas... Exclama Genevieve.
—Minha cara... Diz Arturos, piscando um olho. —Uma guilda bem informada é uma guilda com clara vantagem sobre as que não têm determinadas informações...
Os jovens riem da resposta e do gesto de Arturos.
O grupo passa pela esquina com a Royal, observando o intenso movimento do Portão Norte e das imediações do Palácio. Logo depois alcança a esquina com a Mill, seguindo na direção leste, para o apartamento onde se hospedam os alunos da Adaga.
As imagens da captura dos dois assaltantes vêm à mente de Addae enquanto percorrem a Mill: —Mestre Arturos... o senhor soube do assalto que aconteceu hoje de manhã, não?
—Sim, eu soube... o Senhor Frodo me disse, mais cedo, na estalagem... parece que eram quatro e que dois conseguiram escapar da cidade...
Arturos e os jovens chegam na altura da filial em Thais da Armearia Ironeye. —Deixem-me ver se Turvy e Topsy ainda estão trabalhando. Elas costumam abrir a loja nos Die Eru, mas só na parte da manhã... vou só conferir...
Arturos entra na loja, seguido pelos adolescentes. Mas constata que os balcões onde trabalham as duas guildanas estão desativados e fechados. Apenas o terceiro balcão, onde Gammy comercializa móveis, encontra-se aberto. —Olá, Gammy... as meninas já fecharam, pelo que posso ver...
—Oh... olá Mestre Arturos. Sim, já encerraram por hoje. Elas estavam um pouco chateadas, sabe? Parece que uns amigos delas se meteram um uma baita encrenca...
—Mesmo? Sabe dizer o que aconteceu?
—Bem... o senhor deve estar a par do assalto que aconteceu hoje de manhã...
—Sim...
—Bem... parece que os dois assaltantes que foram capturados eram amigos delas e também do Senhor René... guildanos de Venore, sabe? Inclusive elas e o Senhor René ajudaram a capturá-los... mas só perceberam quem eram depois de já imobilizados e presos pela Guarda...
Ao ouvirem isso, Addae, Cadi e Struggle se entreolham.
—Que coisa lamentável... bem, devem estar em casa ou no apartamento dos alunos da guilda... Diz Arturos.
—Aproveitando o ensejo... não gostaria de dar uma olhada nas novidades? Tenho uma escrivaninha que é “a cara” do senhor, Mestre Arturos... madeira de lei das selvas dos arredores de Port Hope...
—Err... agora não, Gammy... depois, quem sabe... Arturos se direciona para a saída da loja.
Genevieve, espiando através do balcão, admira o mobiliário posto à venda por Gammy: — Nossa... que cadeirinhas lindas aquelas ali, pequeninas... ficariam bem no meu quarto, em Greenshore...
Gammy não perde a oportunidade e diz: —Minha cara... posso fazer em suaves prestações, especialmente para você. 10 prestações, sem juros...
—Ah... quem dera. Meu pai não deixaria... Suspira Genevieve. —Mas talvez se eu o trouxer aqui, antes da partida...
—Gê... vamos. Diz Tatius. —Mestre Arturos está indo.
Antes que genevieve saia, Gammy lhe passa um pequeno pedaço de papel. —Leve isso, senhorita. Se retornar à loja trazendo este papel, terá direito a um bom desconto em qualquer dos móveis expostos...
—Obrigada, senhor. Diz Genevieve, pegando o papel e saindo apressada, atrás do grupo que deixa a loja.
Arturos e os jovens atravessam a rua, indo na direção de um belo prédio de dois andares, em estilo enxaimel.
Arturos se aproxima da porta do primeiro andar e bate delicadamente com a ponta do cachimbo: Toc... toc... —Turvy? Está em casa?
Alguns segundos depois, a porta é entreaberta e Turvy surge, com seus cabelos um pouco despenteados e cara de sono, como se estivesse cochilando: —Oh... olá Mestre Arturos... eu estava descansando um pouco... Turvy percebe a presença dos jovens, atrás de Arturos, reconhecendo Addae, Cadi e Genevieve. —Olá crianças...
—Olá senhorita... Responde, por todos, Genevieve.
—Desculpe, Turvy. Não sabia que estava dormindo... Diz Arturos.
—Tudo bem, Mestre Arturos... não querem entrar um pouco? Eu sirvo uma limonada para as crianças...
—Não, não, querida... não se incomode. Volte a descansar. Apenas diga-me... René e Topsy estão lá em cima com os novatos?
—Sim... Topsy inclusive já providenciou o almoço deles.
—Ótimo. Descanse um pouco, então. Depois falamos.
Turvy se despede e fecha suavemente a porta.
Arturos e os jovens sobem as escadas, localizadas na lateral do prédio, para uma grande varanda no segundo andar. Ali, Arturos bate suavemente na porta do apartamento de cima.
É Victor quem vem abrir a porta: —Oi pai... já ia lá na estalagem trazer o senhor.
—Hehe... Reage Arturos, desmanchando o cabelo de seu filho. —É... atrasei-me um pouco. Estava entretido com um pequeno mas interessante libreto. Bem, trouxe visitas...
Victor cumprimenta Addae e seus amigos com muita simpatia e receptividade: —Oi pessoal... está chegando o dia da viagem, hein...
—Oi Victor. Responde Addae. —É... o grande dia está próximo. Addae, devido ao fato de Tatius não ter estado no Porto, no dia da chegada dos alunos de outras cidades, apresenta o sobrinho de Frodo a Victor. —Este é o Tatius, vai pelo Exército também. É sobrinho do Senhor Frodo, dono da estalagem.
—Prazer, Tatius... Diz Victor, estendendo a mão para o jovem de Fibula.
—O prazer é meu. Responde Tatius, demonstrando empatia em relação ao filho de Arturos.
Victor convida todos a entrarem.
Na sala de estar, mobiliada elegantemente, uma jovem lê um texto sentada confortavelmente em uma cadeira, diante de uma mesa. A adolescente, vestindo uma calça comprida de cor marrom, tem os pés colocados sobre a mesma mesa. Ao notar a presença de Arturos, se recompõe, um pouco sem graça, e retira os pés da mesa.
Em uma outra mesinha, um tabuleiro de xadrez indica uma partida em desenvolvimento. Um jovem louro, sentado em uma das cadeiras dispostas em dois lados opostos da mesinha, aguarda o retorno de seu adversário, que os visitantes concluem ser Victor.
Junto a uma das janelas que dão para a Mill, René e Topsy conversam em um tom de voz baixo, com expressões um pouco pesarosas.
Victor apresenta Addae e seus amigos, primeiramente, à jovem leitora: —Pessoal... essa é a Diana... fora o Tatius aqui, acho que vocês se lembram dela no dia que chegamos, no cais...
—Oiii... diz a jovem, mantendo-se sentada, mordendo a ponta seca da caneta-tinteiro que porta. Ela exibe um sorriso e um olhar quase sedutores, examinando os visitantes, como se os instigasse ou desafiasse de maneira amistosa.
Addae se dirige a Diana, meio que respondendo à afirmação de Victor: —Claro que me lembro... tudo bem?
—Tudo ótimo... Responde Diana. Olhando então para Genevieve, indaga: —Maga ou druidesa?
—Acho que druidesa. Responde a jovem de Greenshore.
—Acha? Ainda não decidiu? Pergunta a aluna da Adaga.
—Bem... é que algumas pessoas disseram que eu poderia, se quisesse, obter o grau de maga... mas acho que vou mesmo treinar e estudar para conseguir o grau druidico... Responde Genevieve.
—E você? No quê vai se especializar? Intervém Cadi, perguntando a Diana.
Diana, sem dizer nada e esboçando um sorriso um pouco enigmático, aponta para um arco apoiado na parede atrás da jovem.
—Uau... Exclama Cadi, observando os detalhes do arco. —Que arco maneiro... posso... err... examiná-lo?
—Uhum… Responde Diana, mordendo mais uma vez a ponta da caneta e demonstrando gostar do interesse de Cadi.
—Caramba… olha esses entalhes. Que envergadura... seria um arco élfico? Pergunta, deslumbrado, Cadi, enquanto tateia os detalhes do arco e tensiona sua corda.
É Arturos quem responde: —Este é um genuíno arco feito pelas mãos de Linus Palaio.
—Sério??? Um palaio original??? Deve custar uma fortuna. Diz Cadi, entusiasmado com a peça.
—Uhum… Diz Diana. —Mas para mim saiu de graça... foi presente de minha irmã.
Arturos esclarece para Cadi: —A irmã mais velha de Diana é guildana da Adaga. Aprendeu a arte da arquearia do mesmo modo que o René ali. Diretamente com Linus Palaio... não foi a Rookgaard. Linus a presenteou com três belos arcos, feitos por ele. Um deles ela deu a Diana.
Struggle pede a Cadi para também segurar o arco e examiná-lo mais detidamente.
Nisso Victor se aproxima da mesinha do tabuleiro de xadrez, onde o outro jovem o aguarda, enquanto observa o diálogo dos visitantes com Diana.
—Pessoal... esse aqui é o Ivan... Diz Victor. —Vocês certamente se lembram dele, também, do dia da chegada no cais.
—Claro que sim... tudo bem, Ivan? Indaga Addae.
—Tudo bem, pessoal. Responde, de modo simpático, o jovem louro sentado diante do tabuleiro. Em seguida pergunta, meio em tom de brincadeira: —Milicos, né? Todos vocês...
—É... vamos pela Coroa. Responde Addae. —O Tatius aqui também, embora não estivesse no Porto, naquele dia...
Struggle recoloca o arco encostado na parede próxima a Diana e agradece à jovem guildana.
Diana se levanta e, junto a Struggle, se aproxima do grupo que cerca a mesinha com o tabuleiro.
Arturos, junto aos jovens, observa por alguns segundos o tabuleiro de xadrez e diz, em seguida, coçando o queixo: —Hum... o xeque-mate já está bem encaminhado...
Ivan fica um pouco perturbado com a afirmação de Arturos e, uma vez que Victor, seu adversário, leva nítida vantagem no jogo, o jovem tenta enxergar, na disposição das peças, a iminência do xeque-mate, declarada pelo mestre da Adaga.
—Poxa, pai... não entrega. Protesta Victor.
Todos ao redor riem da situação. Menos Ivan, que continua tentando enxergar de que modo Victor poderia liquidar a partida; e o próprio Victor, que passa a se preocupar com a possibilidade de Ivan, alertado por Arturos, conseguir neutralizar ou fugir do xeque-mate planejado.
—Opa... não está mais aqui quem falou. Reage Arturos, em tom de brincadeira, se afastando em seguida na direção de René e de Topsy, que conversam na outra extremidade da sala, junto à janela.
Os demais jovens permanecem ao redor do tabuleiro de xadrez, observando o desenrolar da partida entre Victor e Ivan.
—Eu soube que dois dos assaltantes de hoje de manhã eram amigos seus... Diz Arturos para o casal de guildanos.
—Sim, Mestre Arturos... Responde Topsy. —Eles são membros da Crimson e grandes amigos nossos de Venore… estavam sempre conosco na Grande Taverna. Um deles já foi namorado de Turvy... err, antes dela namorar o René... Diz a jovem, um pouco sem graça, ante a presença de René, ali.
René coça a nunca e olha pela janela, um pouco desconsertado.
—Estão falando do Pierre Laderry? Indaga Arturos.
—Sim, Mestre... o Pierre, sim... Responde Topsy. —O outro é o Willborn. Também, como disse, um grande amigo nosso, de tempos idos, em Venore.
—Bem... a informação que eu vou dar talvez não tenha chegado a vocês... Diz Arturos. —É algo que geralmente fica circunscrito ao Conselho de Mestres... Pierre, Willborn e mais dois guildanos da Crimson pediram, há uns meses, ingresso na Adaga. Seus pedidos foram recusados, após apurarmos o porquê de quererem trocar de guilda. Na verdade os quatro tinham sido expulsos da Crimson... por violarem algumas regras básicas e graves, adotadas por praticamente toda guilda...
—Pierre e Willborn expulsos da Crimson? Céus, Mestre Arturos... c-como foi isso? Por quê? Indaga Topsy.
René fixa o olhar em Arturos, também curioso para saber a resposta.
Arturos prossegue: —Infringiram uma regra básica: nunca se deve omitir do governo da guilda os valores e bens apurados em invasões e estouros de comunidades e esconderijos de determinadas criaturas. Pierre, Wilborn e mais dois da Crimson se juntaram a um grupo grande de membros de outras guildas, entre elas a Adaga, e um destacamento militar, para atacarem e destruírem um acampamento orc que fora montado a nordeste de Venore. O ataque foi bem sucedido, mas os quatro membros da Crimson deram declarações falsas ao Conselho de Mestres da guilda sobre o que conseguiram pegar dos despojos. Tentaram se apossar de alguns bens sem que o Conselho tivesse conhecimento. Só que a Crimson acabou sabendo de tudo, através de membros de outras guildas e de informantes do Exército. Acabaram sendo expulsos de maneira desonrosa.
—Que coisa triste... Diz, cabisbaixa, Topsy. —Como eu e Turvy já devíamos estar aqui em Thais... não víamos Pierre e Willborn já há algum tempo... não ficamos sabendo de nada.
—Eu passei um tempo em Edron, a serviço da Adaga. Deve ter sido por essa época... mas quando retornei a Venore bem que estranhei o fato de não mais encontrar Pierre ou Willborn na taverna... deviam estar mal com a expulsão e talvez não quisessem ver outras pessoas ou se divertir, sei lá... Diz René.
—Eu soube, também, que havia mais dois assaltantes... posso apostar que sei quem são esses outros dois... Cardomius Markov e Tomazzo Vincevic. São justamente os que foram expulsos da Crimson e pediram admissão na Adaga, juntamente com Pierre e Willborn... Diz Arturos.
—Cardomius e Tomazzo... conheço esses dois. Diz René. —Não são flor que se cheire. Me surpreende que Pierre e Willborn tenham algum tipo de relação ou parceria com eles. Provavelmente foram os mentores da ocultação de parte dos despojos dos orcs e nisso devem ter arrastado Pierre e Willborn para a expulsão, envolvendo-os também nessa história de assalto... caramba, que tragédia... não paro de pensar na pena que a justiça do Rei imporá a Pierre e a Will...
—É... Complementa Arturos. —Ou serão condenados à forca ou a trabalhos forçados em alguma das minas do Rei. Para alguns, a segunda possibilidade chega a ser pior do que a primeira...
—E nós de alguma forma ajudamos a prendê-los. Isso me faz sentir péssima. Diz Topsy
—Não se culpe, minha cara. Diz Arturos. —Gammy contou-me a respeito; ele me disse que vocês não sabiam que os fugitivos eram seus amigos, antes de intervirem.
—Obrigada pela tentativa, Mestre Arturos. Responde Topsy. —Mas eu, Turvy e mesmo René não conseguiremos absorver ou assimilar o que aconteceu, de maneira tranquila... pelo menos por um bom tempo...
—Por que “mesmo René”? Protesta, em voz baixa, René. —Vocês acham que sou um cara insensível? Acham que não fiquei triste ao constatar que o sujeito que eu preguei contra a parede era o Will?
—D-desculpe, René. Eu não quis...
Arturos interrompe Topsy e diz: —Bem, meus jovens, o que aconteceu, aconteceu. Não podemos mudar isso. Vamos nos concentrar nos preparativos dos novatos para a viagem. Fora Diana, todos já terminaram o trabalho?
—Err... não, Mestre Arturos... Diz Topsy. —Apenas Victor e Ivan terminaram e foram jogar xadrez. Arsenio e Laeticia estão concluindo seus trabalhos nos respectivos quartos.
Nem bem Topsy termina de falar e um casal de jovens vem para a sala, através de um corredor que conduz aos quartos do apartamento. Ambos seguram alguns papéis e canetas-tinteiro. O rapaz é alto e magro, cabelos castanhos com dois finos topetes pendendo-lhe diante dos olhos. A moça tem cabelos ruivos, longos e lisos. Sardas se destacam em seu rosto bronzeado pelo sol, emoldurando dois belos olhos negros.
Os dois jovens recém-chegados à sala se surpreendem com a presença de Addae e seus amigos ao redor do tabuleiro de xadrez, observando a partida. Se lembram dos visitantes, exceto Tatius, do dia da chegada no cais e os cumprimentam de um modo um pouco retraído, sorrindo e acenando levemente com as mãos.
Addae, Cadi e os outros devolvem o cumprimento. Victor e Ivan praticamente os ignoram, absortos que estão tentando concluir a partida de xadrez.
Os dois jovens recém-chegados se dirigem então na direção de Arturos e do casal de guildanos, que conversam na janela localizada no outro lado da sala.
Diana, que junto ao grupo de visitantes observa o jogo de xadrez, se junta aos dois aspirantes e também vai na direção do local onde se encontra Arturos, não sem antes pegar alguns papéis que estavam sobre a mesa onde se sentava minutos antes.
—Terminei, Mestre Arturos. Diz o jovem, entregando os papéis para o mestre da Adaga.
—Eu também, Mestre. Diz, por sua vez, a jovem ruiva que viera de um dos quartos.
—Olha o meu aqui, Mestre Arturos. Diz Diana, entregando seu trabalho.
—Muito bem... dataram e colocaram os nomes? Indaga Arturos. —Aqui estão... Arsenio, Laeticia e Diana... ótimo. Arturos então se dirige a Topsy. —Onde estão os trabalhos de Victor e de Ivan?
—Naquela mesinha ao lado da porta, Mestre Arturos... na primeira gaveta. Responde Topsy.
Arturos pega os trabalhos na gaveta e os organiza junto aos três que acabara de receber.
René brinca com Arsenio e com Laeticia, perguntando: —Ficaram nos respectivos quartos, lá atrás? Não colaram, né?
—Não, Senhor René. De jeito algum. Responde, sem graça e com um sorriso amarelo, Arsenio.
—Colar? Eu? Ih... impossível. Me garanto. Responde, também em um tom jocoso, Laeticia.
No tabuleiro de xadrez, Ivan derruba seu rei, após tomar um xeque-mate de Victor: —Como é que eu não consegui enxergar antes esse xeque-mate que estava a caminho... vacilei... Diz Ivan, meio chateado.
—Eu jogo muito com meu pai. Diz Victor. —Nunca consegui vencê-lo, pelo menos não até hoje. Mas tanta derrota acabou me ensinando algumas táticas interessantes...
—Gostaria de jogar um dia com você, Victor. Diz Cadi. — Eu também nunca consegui vencer o meu pai, mas não joguei com ele muitas vezes. Você pelo jeito joga muito bem. Meu xadrez evoluiria bem enfrentando você, ainda que eu tomasse uns xeques-mates cavernosos como este que você acabou de dar...
—Claro, claro... Responde Victor. —Em Rook, nas horas vagas, a gente pode jogar umas partidas...
Nisso, alguém bate à porta do apartamento. René atende e Igor, o informante da Adaga que colocara Arturos a par da chegada iminente das delegações estrangeiras, no dia em que, junto a Addae, Cadi e Genevieve, conversava com Gregor na Arena dos Cavaleiros, adentra a sala.
—Ora, ora, ora, se não é o nosso “espião”. Brinca René.
—É… alguém tem que fazer o trabalho “sorrateiro”. Devolve Igor, também em tom de brincadeira.
—Igor... alguma novidade para mim? Indaga Arturos.
—Sim, Mestre Arturos. As coisas parecem estar tomando um novo rumo no Palácio. Responde Igor.
—Certo... venha comigo, Igor. Com licença, meus caros. Diz Arturos se dirigindo aos demais presentes e conduzindo Igor para um pequeno escritório, contíguo à sala.
—O que será que Igor descobriu? Indaga Arsenio.
—A curiosidade matou um gato. Topsy repreende Arsenio em tom de brincadeira. —Depois Mestre Arturos nos contará alguma coisa, após filtrar o que só deve chegar ao conhecimento do Conselho.
Addae, ao ouvir o pequeno diálogo entre Topsy e Arsenio, diz: —Este cavaleiro aí foi quem informou Mestre Arturos da chegada das delegações estrangeiras e do navio do Fearless, com os alunos de outras cidades... e também sobre o fato do senhor estar na Arena dos Paladinos naquele dia, Senhor René...
—Hum... foi esse fofoqueiro quem me entregou... eu devia saber... Devolve René, de maneira jocosa. —Eu disse que ele é um espião, mas na verdade ele atua aqui mais como um informante... os verdadeiros espiões da Adaga vocês nunca saberiam quem são nem os veriam publicamente... como veem o Igor...
Arsenio diz a Addae, olhando também para Cadi e os demais visitantes: —Vocês vão a Rook pela Coroa, não? Me lembro de vocês no cais, no dia da chegada a Thais...
—Sim. Responde Addae. —Eu sou Addae... E apontando para cada um de seus amigos, Addae vai dizendo: —Esse é o Cadi, esse o Struggle... Genevieve e Tatius.
—Oi.. oi...oi...oi. Responde Arsenio para os jovens aspirantes do Exército Real.
—Oi, gente. Diz, por sua vez, Laeticia.
Cadi e os demais devolvem os simpáticos e receptivos cumprimentos de Arsenio e Laeticia.
Diana se dirige a Genevie e diz, apontando para Laeticia: —Ó... “druidesa”, também.
—Ah... tá. Que bom... Reage Genevieve, com seu jeito contido de camponesa, mas exibindo um bonito sorriso para Laeticia.
—Sempre é bom conhecer mais uma componente da elite dos guerreiros e dos sábios... os druidas. Brinca Laeticia.
—Pffff... fala sério. Responde, de modo provocador, Arsenio. —Algum “mago” entre vocês?
—Não... Responde, rindo, Addae. —Fora a Genevieve aqui, são dois “kinas” e dois “pallies”, a princípio... se ninguém mudar de ideia em Rook...
—Pô... que falta de imaginação... Protesta Arsenio. —Ninguém quer se aventurar a manipular o mana e seu maravilhoso poder sobre os elementos???
—É isso aí. Rebate Ivan, demonstrando gostar das escolhas dos aspirantes ao Exército. —No fundo no fundo quem resolve as “paradas” são músculos e boa pontaria. Ao dizer isso, Ivan dá uns leves tapas no braço esquerdo de Tatius. —Caramba... forte, hein?
—É... Responde, meio encabulado, Tatius. —Anos de “roça”, carpindo, me deram alguns músculos... hehe.
Victor ri da pequena “polêmica”.
—Todas as “especializações” tem seu lugar no campo de batalha. Intervém Topsy, tentando amenizar a “polêmica”.
Antes que os jovens pudessem rebater a afirmação da guerreira, Arturos e Igor retornam à sala.
—Muito bom, Igor... são boas notícias... mantenha-me a par de qualquer novidade... Diz Arturos
—Pode deixar, Mestre... qualquer coisa venho fazer novo relato... Responde Igor
René se antecipa e abre a porta para Igor sair: —Tchau, fofoqueiro... Brinca o paladino.
Igor entende e “pesca” a menção a respeito da Arena dos Paladinos. E reage: —É... não vacila não, René... eu entrego mesmo... Diz Igor de maneira provocadora, ainda que bem humorada.
René fuzila Igor com o olhar, enquanto o cavaleiro sai.
Addae e Cadi percebem o entrevero amistoso entre os dois guildanos, entreolham-se e riem discretamente.
Arturos diz a todos: —Organizem as cadeiras e os sofás para que possamos fazer uma breve tertúlia aqui na sala, em homenagem a nossos visitantes...
Topsy diz, por sua vez: —Vou fazer um chá de maçã e trazer uns pãezinhos.
—Boa ideia, Minha cara. Responde Arturos. E se volta para os jovens, mais uma vez: —Vamos, todos, façam um círculo com as cadeiras e os sofás, em torno da mesinha de centro.
Os adolescentes, ajudados por René, dispõem os assentos ao redor da mesinha, como pedira Arturos.
Arturos senta-se na mais confortável poltrona da sala, colocada em lugar de destaque no círculo formado pelos demais assentos.
Somados os visitantes e mais os inquilinos, não há assentos para todos, de modo que Victor e Ivan sentam-se em dois baús e deixam uma cadeira reservada para Topsy, para quando a guildana retornar da cozinha.
—Bem, “senhores”... Diz Arturos. —Trouxe hoje, para nos visitarem, como podem ver, alguns aspirantes ao Exército Real... fora o Tatius aqui, que não esteve presente à chegada dos alunos de outras localidades, acredito que vocês se recordam de todos... Arturos se dirige especialmente aos alunos da Adaga.
—É... os” milicos”... me lembro bem. Diz Arsenio, em tom de brincadeira.
Victor toma a palavra. —Fora a... a... desculpe, qual seu nome, mesmo? Victor indaga a Genevieve.
—Genevieve. Responde a jovem.
—Então... Genevieve. Continua o filho de Arturos. —Fora a Genevieve, que disse a Diana que provavelmente tentará obter o grau druídico, eu ainda não sei especificamente que rumo o restante de vocês tomará em Rookgaard. Completa Victor, se dirigindo a Addae e seus amigos. —Vocês disseram há pouco que seriam dois “kinas” e dois “pallies”. Mas quem será o quê?
—Eu quero me tornar cavaleiro. Diz Addae, assumindo a palavra e respondendo pelos demais. —O Tatius aqui também. Cadi quer ser um paladino, como também o Struggle. Finaliza Addae apontando para cada um de seus amigos.
—Pena que não tem um sequer querendo obter o grau de mago. Lamenta, mais uma vez, Arsenio.
—E você, Victor? Indaga Cadi. —Me lembro que você disse no cais que ainda não se decidira entre se especializar em combate físico direto ou à distância...
—Cara... Responde Victor. —Acho que hoje, agora, se eu tivesse que fazer uma escolha, me inclinaria mais para obter o grau de cavaleiro... mas vou decidir mesmo em Rook...
—Isso é influência desse topetudo aí. Brinca Diana, apontando para Ivan. —Quando a gente zarpou de Venore para Thais o Victor estava convicto de que seria um paladino...
—Eu só fiz ver ao Victor que as habilidades e o poder de um cavaleiro são bem superiores ao de um paladino... Defende-se, em tom jocoso, Ivan.
—Ééé... são mesmo. Rebate Diana. —É o mesmo que dizer que é melhor ser uma tartaruga protegida por uma carapaça do que um falcão que enxerga sua presa de longe e mergulha do alto sobre ela...
Todos riem da resposta dada por Diana.
—Taí, gostei. Diz René. —Uma comparação poética bem inspirada e que serve adequadamente para ilustrar a diferença entre um cavaleiro e um paladino.
Addae e Ivan protestam contra a intervenção de René enquanto os demais riem.
—Além de tudo... Continua Ivan. —O pai do Victor, Mestre Arturos aqui, é um cavaleiro... o Victor deve seguir uma certa tradição familiar...
Arturos levanta os braços, como a se insentar da questão: —Eu deixo o Victor livre para escolher a especialização que ele quiser. Quanto à tradição familiar... bem, meu pai morreu defendendo Port Hope contra os piratas, mas ele na verdade era um marceneiro, não um cavaleiro... então digamos que não há algo como uma tradição familiar, propriamente...
Arsenio indaga aos jovens aspirantes ao Exército: —Vocês têm ancestrais ou ascendentes que serviram ao Exército Real?
—Meu pai é Capitão da Guarda... aqui na 1ª Legião, na capital... Responde Cadi. —E praticamente em todas as gerações passadas da minha família houve um ou mais oficiais no Exército... então acho que no meu caso, há de fato uma tradição militar.
—Hum, que interessante... Intervém Ivan. —Também sou filho de militar. Meu pai é o Capitão Ilich Trabbit, lotado na 2ª Legião, em Venore...
—E por que você decidiu ir a Rook por uma guilda? Pergunta Cadi.
—Culpa dele. Diz Ivan, apontando para Victor. —Sempre fomos da mesma turma na Escola, em Venore. Encheu minha cabeça com histórias das guildas. Depois conheci o Mestre Arturos, aqui, visitei algumas vezes a sede da Adaga, em Venore. Conheci Mestre Abran e outros mestres da guilda. Gostei muito do que vi e ouvi e então decidi ir pela Adaga. Meu pai ficou meio amuado, queria que eu fosse pela Coroa, mas me vejo mais feliz e realizado como guildano da Adaga.
Victor abaixa a cabeça e ri.
—Sabe... Devolve Cadi. —Tenho um ex-colega de escola, de nome Felix, que também vai a Rook por uma guilda daqui de Thais. O pai dele foi capitão do Exército. A história dele não é exatamente igual à sua, mas é parecida... e o pai do Addae aqui também já foi oficial do Exército, mas saiu e agora é armeiro...
—Esse negócio de você gostar da guilda após os primeiros contatos e impressões não quer dizer que você vai ter vida fácil após voltar de Rook, meu caro “noob”. Assim que você retornar vão tirar seu couro. Vai ter que ter uma certa produtividade. Brinca René, com Ivan.
—René... também não é assim, Não assusta o rapaz. Rebate, também em tom de brincadeira, Arturos.
Os jovens riem, embora Ivan e Laeticia demonstrem expressões de preocupação.
—O senhor não estudou em Rook, não foi, Senhor René? Indaga Addae ao paladino da Adaga.
—Verdade... Responde René. —Me surpreende que detalhes de minha vida já sejam do conhecimento “geral”.
Arturos levanta o dedo, com um sorriso no canto da boca, como a indicar que fora ele quem dissera a respeito do treinamento pregresso de René.
—E como foi ser discípulo do grande Linus Palaio? Pergunta, curioso, Cadi.
—Olha... Respira fundo René, olhos fixos em um horizonte imaginário. —Mestre Linus era aquele tipo de pessoa que às vezes a gente pensa estar em uma dimensão ou em um patamar acima das pessoas comuns... Eu às vezes o odiava por me acordar às três da matina para sair em uma nova missão, para logo depois admirá-lo por sua inteligência e perspicácia ao traçar um plano ou estratégia. Me fazia xingá-lo mentalmente ao submeter-me aos treinamentos obsessivos, tanto puramente físicos como os com disparos à distância, tanto com a lança como com o arco. Em seguida me fazia ficar extasiado ao testemunhar sua destreza com as técnicas de combate à distância... disparava com uma frequência vertiginosa e mesmo assim sua precisão não diminuía. Uma vez caminhávamos pelos pântanos ao sul de Venore quando um grupo de orcs passou a nos rastrear e perseguir. Em dado momento, em uma clareira, Mestre Linus simplesmente parou, preparou seu arco calmamente e ficou aguardando os orcs chegarem. Eu literalmente me “mijei” de medo, achando que chegara nosso fim. À medida que os orcs iam aparecendo na clareira, flechas penetravam suas gargantas e os monstros iam caindo ao chão, tendo convulsões e tentando respirar... nunca vi alguém disparar com tamanha rapidez e precisão... aliás, minto... Mestre Linus tinha como amigo, um elfo natural de Shadowtorn... de nome... de nome... acho que Nordrael... esse elfo creio que era tipo um renegado, não sei... parece que se exilou e vivia meio solitário nos pântanos... esse arqueiro elfo tinha uma habilidade comparável à de Mestre Linus... mas fora ele, se há alguém com habilidade parecida, eu ignoro a existência...
—O Palaio era realmente impressionante. Tanto no Exército como na vida guildana, eu também nunca conheci um paladino que se comparasse... Complementa Arturos.
—E como ele morreu? Indaga, mais uma vez, Cadi.
—Bem... Retoma René. —Ele foi designado para uma missão muito arriscada. O Comando da 2º Legião solicitou o auxílio de algumas guildas de Venore, para tentarem, juntamente com um destacamento do Exército, resgatar um grupo de exploradores enviados pelo Comando em uma missão de reconhecimento ao norte de uma ilha conhecida como... Roshamuul, localizada a leste do Continente de Darama.
—Roshamuul... caramba... já li e ouvi coisas horripilantes sobre esse lugar... Diz Arsenio.
—Sim... Continua René. —Roshamuul abrigou no passado uma civilização que cultuava Zarthroth... esses cultistas descobriram o acesso a uma, digamos, dimensão diferente da realidade... e acabaram se envolvendo com demônios...
—Que coisa horrível... Diz Laeticia.
—Os demônios passaram a manipular essa dimensão em detrimento dos cultistas, que então começaram a perseguir e a combater os seres malignos... nesse embate a antiga civilização restou destruída... bem, é mais ou menos isso, por alto... Complementa René. E prossegue: —Há alguns anos, em 2185, logo após o conflito contra Ferumbras, a Coroa Thaiana redescobriu a ilha e estabeleceu um pequeno povoado ou acampamento, como queiram, no extremo sul da mesma ilha, com vistas a uma futura colonização efetiva do lugar... mas a ilha se mostrou infestada de energias negativas, como também de criaturas malignas e extremamente perigosas. A Coroa manteve apenas o povoado ao sul, para estudos e para futuras tentativas de colonização. E para reivindicar a posse sobre Roshamuul, caso houvesse tentativas Daramianas ou de outro reino no sentido de efetivarem também uma ocupação do lugar... bem, mas como eu disse, o Comando da 2ª Legião, a pedido da Coroa, enviou um destacamento para explorar e verificar se haveria condições para novas tentativas de ocupação e colonização no centro e no norte da ilha... Isso foi há seis anos... em 2192... o destacamento recebeu apoio e ajuda dos responsáveis pelo povoado no sul e partiram para o centro da ilha... só que se passou um ano e componente algum do destacamento retornou ao povoado... nada. Em 2194, foi enviado pelo Comando da 2º Legião um novo contingente para tentar descobrir o que acontecera...
—E desse segundo destacamento Mestre Linus fez parte... Disse Ivan.
—Exato... Completou René. —Do primeiro grupo, o que sumira, faziam parte apenas militares. Parece que alguns colonos do povoado se juntaram a eles na expedição... e com eles sumiram. Bem... para a segunda expedição o Comando da Legião solicitou ajuda de algumas guildas de Venore. A Adaga, a Sombra e a Crimson forneceram alguns guerreiros. Cinco cada uma. Mestre Abran designou Mestre Palaio, o melhor paladino da guilda, para compor o grupo da Adaga...
—Eu me ofereci como voluntário, mas Mestre Abran não me permitiu ir, sob o pretexto de que uma série de reuniões importantes do Conselho de Mestres iria acontecer nas próximas semanas e ele não queria nenhuma ausência nessas reuniões... e como eu já fazia parte do Conselho... Diz Arturos.
Neste instante Topsy retorna da cozinha trazendo uma bandeja cheia de pequenas canecas e um prato contendo um pão grande e redondo, que exala um agradável cheiro de ervas variadas, já cortado em fatias.
—Peguem as canecas, crianças. Diz Topsy se dirigindo principalmente aos adolescentes presentes e colocando a bandeja e o prato na mesinha de centro, sentando, em seguida, na cadeira para ela reservada. —Vocês vão gostar desse chá de maçã. E provem o meu pão com ervas aromáticas. Eu adoro e espero que gostem também.
Cadi diz discretamente a Struggle, sentado ao seu lado: —Hoje a coisa foi boa. Depois daqueles pãezinhos com queijo no apê da Aruda, agora esse pão de ervas...
—Pode crer... Responde, também discretamente, Struggle. —”Tiramo” a barriga da miséria hoje...
Diana, após sorver um pouco do chá e mastigar alguns nacos do pão, diz a Topsy: —Nossa, senhorita Topsy... precisa me ensinar a receita desse pão...
Genevieve concorda e diz, discretamente: —Que delícia...
—Depois passo a receita para vocês, meus anjos. Responde Topsy, piscando um olho para Diana e para Genevieve. Em seguida diz a René: —Eu ouvi você falar sobre a derradeira missão de Mestre Linus, René... acabei interrompendo...
—Então... prossegue René, enquanto sorve o chá. —Foram quinze guerreiros das três guildas... mais 20 milicos; 15 soldados e cinco oficiais... se não me engano um major, um capitão e três tenentes... 35 homens no total...
—Exato... Complementa Arturos, sorvendo também seu chá.
—Que eu me lembre, além de Mestre Linus, Mestre Abran designou o Athos, a Mara, o Formidius e a Agata para integrarem o time da Adaga... Diz Topsy.
—Isso mesmo. Responde René. —Bem... Crunch... era um time sinistro... todos guildanos habilidosos e experientes à época... o Comando da 2ª Legião preparou um veleiro especialmente para a missão. Zarparam de Venore no mês de Crunor e chegaram, após 5 semanas, em Roshamuul, já no mês de Nornur... foram muito bem recebidos pelos colonos do povoado e especialmente pelo governador, um tal de... de...
—Sandomo. Complementa Arturos. —Esse “tal de” Sandomo, quando no Exército, chegou a ser um dos melhores generais do Rei, comandou a 4ª Legião, em Port Hope e atualmente, além de governador da pequena colônia thaiana em Roshamuul, é alto membro da Inquisição Real. Posso, pessoalmente, não concordar com alguns métodos da Inquisição do Rei, mas Port Hope deve a Sandomo, e a sua coragem e liderança, mais de três vitórias sobre os piratas sanguinários de Brutus Bloodbeard em suas frustradas tentativas de tomar a cidade. Infelizmente, em um desses ataques, perdi meu saudoso pai... não me surpreende que o Rei tenha escolhido Sandomo para administrar sua “cabeça de ponte” em Roshamuul. Aquela ilha inóspita e assustadora não é lugar para amadores ou principiantes.
—Err... bem... realmente eu não sabia desses detalhes a respeito do Governador... Sandomo... Reage, um pouco sem graça, René.
Os jovens, que escutam atentamente a narração de René, tentam conter o riso diante do pequeno constrangimento do paladino, ao ver exposta sua ignorância a respeito de Sandomo.
—Mas você está indo bem, René. Por favor, prossiga. Diz Arturos, tentado reanimar o arqueiro.
—Err... certo... bom... Crunch... Prossegue René. —Bem, tendo sido bem recebida pelo governador, pela pequena guarnição militar e pelos colonos do povoado, a missão de resgate demorou-se por uns três dias no povoado, antes de embrenhar-se no interior da assustadora ilha. Se não me engano recebeu o reforço de uns cinco soldados da guarnição local e de um mesmo número de colonos. Mais dez homens, portanto... tudo o que vou narrar a partir de agora foi relatado ao Conselho da Adaga por Athos, ao retornar a Venore...
—Pobre Athos... Interrompe Topsy. —A experiência por que passou em Roshamuul o deixou um pouco perturbado, eu acho. Passou a falar sozinho, a ter “tiques” nervosos... e sempre foi um cavaleiro muito habilidoso e equilibrado...
—Há algo realmente maligno em Roshamuul. Difícil alguém se aventurar por aquelas plagas e continuar sendo a mesma pessoa de antes... Completa Arturos.
—Da Adaga... apenas o Mestre Linus não retornou? Indaga, curioso, Tatius.
—Da Adaga, apenas Athos retornou... Responde René.
Os jovens presentes, principalmente os visitantes, fazem um silêncio pesaroso e seus semblantes assumem expressões de espanto e de perplexidade.
—Foram perdas terríveis para a guilda. Diz Arturos. —Mara... Formidius... Agata... todos guerreiros de altíssimo nível...
—Das outras guildas, alguém voltou? Indaga Struggle.
—Bem... dois da Sombra retornaram... Responde René.
—Valério Maack e Angus Rindroff... Emenda Arturos. —Valério é um grande paladino, quase da envergadura do Palaio... Angus é daquele tipo de Mago que, ao se testemunhar a manifestação de seu poder, pensa-se que é capaz de desafiar o próprio Ferumbras...
—Nossa... surpreende-se Genevieve.
—Mas conta, senhor René... o que Athos viu em Roshamuul? Pede, impaciente, Laeticia.
—E da Crimson? Voltou alguém? Pergunta, antes que René possa retomar a narração, Arsenio.
—Não... da Crimson todos pereceram... aparentemente. Responde René. —Nem todos dos que não retornaram, Athos e os demais conseguiram precisar se de fato morreram; pelo menos eles não testemunharam diretamente suas mortes...
—Por isso uns e outros... Diz Arturos, olhando para René. —Uns e outros ainda alimentam a esperança de que o Palaio ainda esteja vivo... que tenha, de algum modo, sobrevivido... e mesmo alguns dos outros dados como mortos...
—Mas como alguém teria sobrevivido e não retornado, ainda que mais tarde? Se pode conceber que algum ou alguns membros da expedição estejam vivos e ainda em Roshamuul? Indaga, curiosa, Topsy.
—Bem... Responde Arturos. —Levando-se em conta o grau de mistério que envolve aquele lugar, pode-se indagar ou especular se não ficaram presos em algum abrigo ou até mesmo em alguma dimensão... algo do tipo, não sei...
—Por favor, Senhor René, conte logo o que o Athos relatou. Pede, mais uma vez, e mais ansiosa, Laeticia.
Todos riem da insistência da jovem e curiosa aluna.
—Hehe, está bem... Reage René. —Bom... como eu dissera, a expedição de resgate foi bem recebida pelo governador e pela população do vilarejo. Afinal era mais uma esperança de encontrar sobreviventes da expedição anterior, a qual levara também alguns habitantes e soldados da guarnição do povoado.
—Quantos habitantes tem este povoado, Senhor René? Pergunta Addae.
Laeticia fuzila Addae com olhar, pelo fato do jovem thaiano ter causado mais uma interrupção na narração de René.
—Hum... acho que uns 3.000 habitantes... se tanto... Responde René.
—Não chega a isso... há cerca de 2300 colonos, incluídos aí os soldados e oficiais da guarnição. Responde Arturos. —A Coroa encontra muita dificuldade para arregimentar interessados em emigrar para Roshamuul. Fora a terrível fama de abrigar muitos mistérios e perigos, o solo é considerado difícil e ingrato para a agricultura e mesmo para a pecuária. Até que os colonizadores tem feito um trabalho razoável, mesmo em condições difíceis, segundo as informações que tem chegado ao Conselho da Adaga. Transformaram o pequeno acampamento inicial em um verdadeiro vilarejo, ruas bem traçadas, lojas... o Correio Real instalou uma agência, já há um pequeno escritório do Banco de Thais... o porto tem recebido melhorias... o problema é que é complicado para os esforços de ocupação se expandirem para além do povoado localizado ao sul...Mestre Abran tem inclusive examinado a possibilidade de estabelecer uma representação da Adaga em Roshamuul... mas prossiga, René, não vamos deixar nossa curiosa ouvinte mais ansiosa do que já está. Diz Arturos em tom de brincadeira, olhando e se referindo a Laeticia.
A jovem olha para o teto e bufa um pouco, inchando as bochechas, provocando o riso dos demais.
—Bom... Continua René... — Como eu disse, a expedição permaneceu por três dias no povoado até que finalmente tomou o rumo norte, em busca de indícios a respeito do que poderia ter acontecido com a expedição anterior. A pequena península onde se situa o povoado é naturalmente protegida por uma barreira rochosa. Isso é bom, confere uma certa segurança ao vilarejo. Para que se possa alcançar as porções de terra mais ao centro e ao norte da ilha é necessário transpor esse “paredão”. Há lances de escadas esculpidos na rocha... com o acréscimo de mais cinco soldados da guarnição local e de cinco colonos voluntários, a expedição, composta finalmente por 45 homens...
—Mas “peraí”... não havia mulheres, também? Pelo menos nas guildas? Pergunta, intrigada, Diana. —A Adaga não mandou a Mara e a Agata?
—É verdade... Intervém Topsy. —Havia pelo menos duas mulheres. Então não foram 45 homens...
Laeticia desta vez não demonstra impaciência com a interrupção, pois fica também curiosa a respeito da explicação de René sobre não ter feito menção às mulheres que compunham a expedição.
—Não... claro... havia mulheres. Responde René, surpreso com a reação das moças no recinto. —É que eu quis dizer, na verdade, 45 almas... isso, 45 almas, apesar de ter usado o termo homens. Nas verdade havia quatro mulheres na expedição. Além de Mara e Agata, a Sombra e a Crimson levaram uma guerreira cada uma.
—Quais eram as especializações de Mara e de Agata?Indaga, curiosa, Genevieve.
É Topsy quem responde: —Mara era maga; Agata, druidesa... muito habilidosas; muito poderosas, na verdade... se de fato morreram posso imaginar o quão fortes e perigosas são as criaturas que habitam aquela ilha.
—Minha irmã era muito amiga de Mara. Sentiu muito sua morte... ou desaparecimento... Diz Diana. E continua, indagando a René: —E as guerreiras da Sombra e da Crimson? Sabe dizer alguma coisa sobre elas?
—Bem... se não me engano uma era maga e a outra druidesa... não sei bem ao certo quem era o quê... nem seus nomes... Responde René.
—A guildana da Sombra chamava-se Lindsay e era uma maga. A da Crimson, se não me falha a memória, chamava-se... hum... começava com “a”... Arieta. Isso, chamava-se Arieta e era uma druidesa. Complementa Arturos.
—A Sombra então levou dois magos na expedição, não? Pergunta Ivan.
—Sim. Responde Arturos. —Embora a Adaga e a Crimson tenham enviado dois cavaleiros em suas respectivas equipes, e um representante de cada uma das outras especializações, a Sombra optou por designar dois magos, deixando um representante para as outras especializações, especificamente...
—Essa Sombra até que parece ter umas atitudes sensatas e inteligentes. Levou dois magos. Boa guilda. Diz Arsenius.
Os jovens riem com a provocação de Arsenius.
—Graaande Mestre Arturos. Quer saber alguma informação ou tirar alguma dúvida? Pergunte ao Mestre Arturos que ele sabe. Brinca Ivan, com o pai de Victor.
Arsenius completa, também brincando. —Mestre Arturos é um cara “sabão”. Sabe tudo...
Todos na sala riem.
Arturos pisca um olho para Ivan, e em seguida exibe um pequeno sorriso maroto para Arsenius. Depois diz a René: —Prossiga, René.
René, que estava rindo das últimas intervenções dos jovens guildanos, se recompõe e retoma a narração: — Então... a expedição venceu a encosta rochosa e alcançou uma espécie de platô, ou poder-se-ia dizer, um planalto rochoso, segundo as palavras de Athos. O solo deste planalto é de um tom próximo do ocre. Praticamente não há vegetação, apenas rochas e uma espécie de arenito. O grupo avançou por quase uma hora sem nada encontrar. Nenhum vestígio, nem uma ossada... nada. Ao longe puderam divisar outra encosta rochosa, que conduzia a um planalto mais alto. Segundo Athos, foi nesse momento, quando avistaram o segundo paredão, que começaram a ouvir um tipo de som peculiar, como também perturbador. Era uma mistura de grunhidos guturais e sibilos...
Os jovens presentes tem a atenção fixa em René, neste momento.
—Então, apareceram, vindas da direção leste, umas como que esferas ambulantes, de cor avermelhada, com pequenas pernas, apesar de, ainda assim, se moverem em grande velocidade... Athos relatou não haver olhos, nariz e ouvidos naquelas criaturas, apenas uma enorme... boca... com ameaçadores dentes. Diz René.
—Esferas “bocudas” ambulantes??? Parecem bichos de pesadelos... Diz Cadi.
—Precisamente. Diz Arturos. —São produtos de verdadeiros pesadelos, segundo alguns sábios que tem pesquisado a respeito do que ocorre em Roshamuul... mas, prossiga René.
—Então... segundo Athos, o primeiro ataque foi devastador. As esferas investiram contra duas fileiras de soldados que iam mais à direita do grupo. Os guardas posicionaram seus escudos para se protegerem, mas as criaturas destroçaram a proteção e mutilaram terrivelmente quatro soldados. Cada vez que as esferas abocanhavam um guerreiro, arrancavam partes enormes e mesmo membros de seus corpos... braços, pernas... até mesmo partes do tronco...
—Por Tibiasula... que coisa horrível. Diz, perplexa, Laeticia.
—Os guardas mantiveram corajosamente suas posições tentando fazer um cerco de proteção aos demais membros da expedição. Continuou René. —Mestre Palaio, então, subiu em uma pequena elevação rochosa, para poder ter uma visão ampla sobre o que acontecia diante da formação dos soldados e a refrega começou a mudar de direção. Mestre Palaio, segurando uma besta em cada mão, conseguiu acertar dentro das bocas das esferas, que eram em número de três. Os vários disparos foram fatais e as horríveis criaturas restaram mortas no solo, com as bocarras abertas e as línguas para fora. Athos cortou uma das línguas e a acondicionou em um pedaço de pele, para posterior estudo por parte de sábios estudiosos a respeito de Roshamuul... infelizmente quatro soldados morreram neste primeiro embate e um ficou muito ferido... foram cavadas covas nas cercanias para os soldados mortos e o comandante da expedição, o major do Exército, determinou que dois dos colonos que tinham se juntado à expedição no vilarejo retornassem ao povoado, conduzindo o soldado ferido... houve, portanto, contando com os dois colonos, sete baixas neste entrevero inicial... segundo o relato de Athos.
—A expedição continuou mesmo depois desse acontecimento horrível? Pergunta Genevieve.
—Sim... Emenda René. —A expedição prosseguiu rumo ao norte pelo grande planalto rochoso. Os exploradores conseguiram divisar, ao longe, em uma grande planície para o norte, uma espécie de muralha. Não conseguiam ter certeza, naquele momento, se era uma barreira natural ou feita por mãos humanas ou de outras criaturas inteligentes. Tentavam encontrar um atalho para a planície quando perceberam movimentos próximos, entre as formações rochosas menores, ao redor...
—Mais esferas “bocudas”??? Indaga Struggle.
—Não desta vez. Responde René. —Athos disse que naquele momento podiam ser percebidos vultos de uma coloração verde escura, se deslocando rapidamente, paralelamente à expedição... como se fossem predadores aguardando o momento de atacar...
Genevieve, ansiosa e assustada com o relato, segura a mão de Tatius, que procura acalmá-la, discretamente.
—Então se precipitaram sobre o grupo criaturas que pareciam um misto de répteis com morcegos, ou algo parecido, bípedes, de cerca de dois metros de altura... mas extremamente rápidas. Continua René. —Mais uma vez os soldados remanescentes da expedição tentaram formar uma barreira entre as criaturas e os demais componentes do grupo, posicionando adequadamente seus escudos e lanças... mas os monstros pulavam por cima da formação e conseguiam também introduzir suas poderosas mandíbulas entre os escudos...
—Outra carnificina, como no caso das esferas? Pergunta Laeticia. —Que lugar amaldiçoado!
—Sim. Desta vez três soldados foram estraçalhados pelas mandíbulas poderosas dos monstros esverdeados. Mas os guildanos também sofreram baixas. O cavaleiro da Sombra se jogou em cima das duas bestas que atacavam a formação dos soldados, golpeando-as com vigor e tentando ajudar os guardas. Juntamente com a intervenção dos dois magos da guilda, as criaturas acabaram tombando. Mas infelizmente os três soldados sob ataque ficaram gravemente feridos e morreram minutos depois. No entanto, o embate não terminara exatamente naquele momento; o cavaleiro da Sombra, julgando que os dois monstros estivessem mortos, voltou-se para os outros dois que haviam pulado a formação dos guardas e atacado os guildanos e oficiais, postados um pouco atrás... mas um dos monstros caídos não tinha morrido ainda e, em um último esforço, abocanhou a garganta do cavaleiro, dilacerando-lhe a jugular... ele morreu segundos depois, esvaindo-se em sangue... os druidas presentes não puderam ajudá-lo, nem aos soldados atacados, dada a gravidade dos ferimentos... após este derradeiro ataque, a besta expirou sob o poder do mana dos magos da Sombra.
—Qual era o nome do cavaleiro da Sombra que foi morto? Indaga Addae.
—Philon Menardius. É Arturos quem responde. —Conheci-o durante a guerra contra Ferumbras. Ele era um jovem tenente naquela ocasião e comandava uma das centúrias sob minha responsabilidade, na 2º Legião. Mais tarde, depois da guerra, deu baixa da Guarda e após alguns anos, ingressou na Sombra. Lamentei muito sua morte. Foi não apenas um ótimo oficial e um destacado guildano, mas uma excelente pessoa também... essa expedição a Roshamuul foi realmente trágica...
—Trágica, realmente. Complementa René. —Havia, como referi, mais dois daqueles monstros... os que haviam saltado por sobre a formação dos guardas e atacado os guildanos, oficiais e colonos, posicionados um pouco mais atrás... Formidius saltou sobre as costas de uma das bestas e conseguiu cravar sua espada no crânio do monstro, mas isso não foi suficiente para que a criatura tombasse... A criatura ainda assim logrou abocanhar um dos tenentes na região da clavícula, sacudindo o pobre militar e infligindo-lhe ferimentos profundos... Mestre Linus matou a besta acertando-lhe vários disparos no pescoço, mas o tenente ficou muito machucado, tendo, mais tarde, convulsões com muita febre e dor... e a refrega não terminara aí; havia mais um monstro investindo contra o grupo e que atacou especificamente a druidesa da Crimson... Arieta, segundo Mestre Arturos. A fera tentou abocanhar a guerreira, mas não conseguir firmar os dentes e acabou empurrando a druidesa contra uma rocha próxima, fazendo a sábia perder os sentidos. Neste momento, Mestre Linus utilizou-se de uma técnica de manipulação do mana, na qual são tradicionalmente treinados os paladinos: a energia sagrada...
—A energia sagrada... ah, já li a respeito e meu pai também me falou sobre isso... criaturas que tenham algum tipo de origem sobrenatural são especialmente vulneráveis a ela... Diz, entusiasmado, Cadi. —Mal posso esperar para aprender a manipular essa forma de manifestação do mana...
—Diz a tradição que essa técnica foi passada ao próprio Banor pelos valar... Complementa Diana. —Depois Banor a ensinou para sua filha, a primeira Elane; que também foi a primeira paladina humana da história...
—Sim, é isso mesmo o que reza a tradição... Diz René. —Mas continuando... Mestre Linus tentou um ataque com a energia sobrenatural e percebeu que o monstro, que estava a ponto de abocanhar a druid... quer dizer... Arieta... emitiu enormes urros de dor e de incômodo, demonstrando ter uma origem, ainda que em parte, sobrenatural. A besta ainda contra-atacou criando pequenas explosões que pareciam minar o nível de mana de Mestre Linus e dos sábios presentes, mas um novo ataque com a energia sagrada, acompanhado de disparos precisos feitos por Valério e pelo paladino da Crimson...
—Martinho Antronessus... o paladino da Crimson... Intervém Arturos. —Era um paladino muito experiente, conhecido por ter um olho clínico quanto ao real poderio do adversário e uma intuição apurada quanto ao momento oportuno de disparar. Um pouco avançado em idade... alguns anos mais velho do que eu... chegou ao posto de major na Guarda Real e, após a guerra contra Ferumbras, também pediu baixa, ingressando na Crimson alguns anos depois...
—Caramba, Mestre Arturos sabe tanta coisa... Diz Diana, discretamente, para Topsy.
—É um verdadeiro arquivo vivo... Responde, também discretamente, a guildana.
René, também espantado com a quantidade de informações prestadas por Arturos, complementando a narração, se recompõe e prossegue: —C-certo... Martinho, o paladino da Crimson... perfeito... bem, então, como eu dizia, um ataque conjunto de Mestre Linus, de Valério e de... Martinho, acabou por “deitar” a última fera definitivamente... mas este último embate acabara por custar a vida de mais três soldados... a druidesa Arieta recobrou os sentidos e insistiu em continuar fazendo parte da expedição, uma vez que o major recomendara que ela retornasse ao vilarejo. Foram cavadas mais quatro covas para Philon e os soldados mortos e o comandante determinou que outros dois colonos retornassem ao povoado conduzindo o tenente ferido, que apresentava graves sequelas devidas ao ataque de uma das bestas.
—Então esse segundo ataque teve como consequência sete baixas, reduzindo o número de expedicionários a 31... Diz Ivan.
—Sim… Continua René. —Com a morte de Philon e de mais três soldados, o tenente ferido e os dois colonos que conduziram o oficial de volta ao povoado, menos sete componentes seguiam com a expedição a partir de então. Mas os exploradores prosseguiram em busca de um caminho que os conduzisse à planície e consequentemente à muralha avistada ao longe... depois de algumas horas encontraram um caminho entrecortado por degraus esculpidos na rocha, provavelmente resquícios da antiga civilização que existia em Roshamuul.
—Eu acho que eles deveriam ter voltado. Se encontraram aquelas criaturas horríveis no planalto mais ao sul, imagina na planície o que não deveria ter... Diz Laeticia.
—Verdade... Concorda Genevieve.
—Bem, você deduziu corretamente, Laeticia. Responde René. —Não andaram sequer por uma hora e foram atacados por mais daquelas esferas mordedoras... mas não havia, dessa vez, apenas esferas com um metro e meio de diâmetro, mas também esferas enormes,com diâmetros que variavam de dois a três metros...
—Fala sério... Reage Cadi. —Três metros de diâmetro??? Uma bocarra dessas deve engolir umas cinco pessoas de uma vez só!
—Não duvide disso... Complementa René, continuando, após. — A primeira esfera “gigante” abocanhou e engoliu três soldados logo na primeira investida... uma outra esfera gigante abocanhou dois dos três tenentes que restaram após o ataque anterior... a mordida dividiu o corpo de um dos tenentes ao meio, e a besta conseguiu engolir inteiramente o outro oficial...
—Os militares da expedição sofreram muito e tiveram muitas baixas... Diz, melancólico, Addae.
—Sim. Intervém Arturos. —Os militares tem a tendência de se colocarem em uma posição adiantada para tentar defender os demais componentes de uma expedição ou caravana... tendem assim a receber o impacto inicial dos ataques, principalmente se forem treinados em combates físicos diretos, como parecia ser o caso dos membros da Guarda envolvidos nessa expedição a Roshamuul...
—Os guildanos que se especializam nos combates físicos diretos também recebem, geralmente, os primeiros ataques... Complemente Ivan.
—Sim, de fato. Responde Arturos. —Mas parece que, havendo militares na expedição, eles tentam formar uma barreira de defesa dos demais e acabam recebendo os primeiros impactos, antes mesmo dos cavaleiros pertencentes a guildas... mas, e vocês perceberão isso na narração de René, a expedição se mostrará trágica tanto para os militares como para os guildanos... por favor, prossiga, René. Diz Arturos, finalmente, ao paladino da Adaga.
—Certo... Continua René. —Bem, segundo o relato de Athos, neste último ataque surgiram muitas criaturas... além das esferas gigantes apareceram mais das esferas menores... vários daqueles seres bípedes do segundo ataque, os tais “híbridos” de morcego e réptil... e além disso, criaturas, até aquele momento, ainda não vistas pela expedição; seres de forma humanoide, sem cabeça aparente e com braços e pernas muito compridos... todas essas criaturas vieram em grande número... investiram com tamanha rapidez e violência sobre os expedicionários que acabaram por dividir o grupo humano, que tentava se defender como podia, em três grupos menores... eram mais de 50 criaturas...
—Céus... impossível enfrentar seres tão fortes e em tão grande quantidade... Balbucia Laeticia.
—O grupo localizado mais à esquerda, em relação ao grupo maior e postado mais ao centro, era composto pelos quatro membros sobreviventes da Sombra, além de um tenente e quatro soldados... Prossegue René. —O grupo mais à direita em relação ao grupo central era constituído pelos guildanos da Crimson que se somavam ao outro tenente restante e mais cinco soldados... remanescia no centro, portanto, um grupo formado pelos guildanos da Adaga, complementados pelo major, o comandante da expedição, pelo capitão, por três soldados e pelo colono que ainda integrava a missão...
—Deveriam ter ficado todos juntos, em um grupo só... Diz Ivan.
—Como eu disse, não foi escolha deles. Rebate René; —O último ataque foi tão avassalador que separou a expedição, espontaneamente, nesses três grupos citados... e como os membros de cada guilda já andavam fisicamente próximos uns dos outros, acabaram por ficar juntos a seus camaradas de guilda, após a dispersão do grupo original...
—Já posso imaginar o desfecho desse último ataque. Diz desolada, Laeticia...
—No grupo, digamos assim, da Crimson, logo na primeira investida duas esferas gigantes abocanharam três dos soldados, engolindo-os inteiros... Martinho disparava desesperadamente sua besta, enquanto produzia ataques com a energia sagrada, tanto através de runas como da pronúncia das palavras que manipulam o mana... era, naquele momento, o guerreiro que mais infringia danos aos monstros... Arieta se esforçava por aliviar os ferimentos e o esgotamento dos demais combatentes; ao seu lado, o mago da guilda atacava as criaturas em um nível frenético, com seus poderes, mas os ataques se mostravam pouco efetivos... O tenente e os dois soldados remanescentes do grupo, juntos aos dois cavaleiros da guilda, tentavam, com golpes vigorosos, abater ou afastar os monstros... mas esses seres de Roshamuul se mostravam muito, mas muito fortes...
—Deixe-me dizer algumas palavras a respeito do mago e dos cavaleiros da Crimson que compuseram a expedição, René... Interrompe Arturos. —O mago era Roverius Singlaris, um sábio relativamente jovem mas com um altíssimo nível de poder. Estudou em Rookgaard às expensas dos Leões de Thais. Natural de Thais, portanto. Mais tarde, após terminar os estudos complementares na Academia de Edron, ganhou fama entre as guildas como um mago muito habilidoso. Se destacou em algumas missões pelos Leões e acabou recebendo uma oferta da Crimson para trocar de guilda. Aceitou e isso causou muito desgosto em Mestre Greggor... um dos cavaleiros era Rigorius Singlaris, irmão gêmeo de Roverius. Foi da mesma turma de seu irmão em Rook, mas fez o curso pela Coroa e tornou-se um tenente da Guarda Real. Era um espadachim fenomenal. Quando Roverius trocou os Leões pela Crimson, Rigorius pediu baixa do Exército e se integrou à guilda de Venore, junto com seu irmão. O outro cavaleiro era Ragnar Torkild, o gigante, como era conhecido. Era um homem com mais de dois metros de altura e detentor de uma força física extraordinária. Costumava treinar nos arredores de Venore, entre as missões da guilda, abatendo búfalos com apenas um murro desferido na cabeça dos animais... nasceu no seio de uma tribo bárbara de Hrodmir. Parece que seu clã foi dizimado por um clã rival da mesma tribo, quando Ragnar era ainda uma criança, Os agressores o venderam como escravo para um bando de piratas. Não foi uma ideia feliz para os piratas. Quando Ragnar alcançou a idade de 17 anos, praticamente um jovem adulto possuidor já de uma força física descomunal, liderou um motim contra os piratas que o mantiveram cativo por tantos anos... parece que os piratas e seu capitão temiam que, caso efetivassem Ragnar como um de seus camaradas, o norsir pudesse galgar rapidamente ao posto de capitão... então o mantiveram acorrentado e o utilizavam para trabalhos penosos e degradantes...
—Como um cara como esse tal de Ragnar conseguiu ser aceito em uma guilda normal?? Indaga, curioso, Ivan.
—Então... Continua Arturos. —O motim liderado por Ragnar trouxe o fim para o capitão dos piratas. O próprio Ragnar o matou e foi aclamado como o novo líder do bando, pelos demais amotinados... mas o norsir não quis se tornar o novo capitão... ao invés disso rumou para Hrodmir... para levar a cabo uma nova vingança...
—Contra aqueles que massacraram o seu clã e o venderam como escravo, ainda criança... Interrompe Struggle.
—Exato... Responde Arturos. —Ragnar levou consigo alguns dos amotinados, especificamente alguns ex-prisioneiros dos piratas, para Hrodmir... Em uma madrugada, quando praticamente todos dormiam em sua tribo natal, Ragnar e seus companheiros foram de tenda em tenda, das pertencentes ao clã agressor, e mataram todos os responsáveis pelo massacre de sua família e de seu clã, poupando, no entanto, as mulheres e as crianças... os ataques foram tão rápidos e tão fulminantes que quando os demais habitantes da tribo e as sentinelas noturnas se deram conta do que acontecia, Ragnar e seus companheiros já iam longe nas vastas planícies geladas de Hrodmir, conduzidos por seus huskies...
—Tá... mas a Crimson aceitou um cara desses como cavaleiro? A história é bem interessante mas o sujeito era um bárbaro assassino... Rebate Ivan.
—Bem... Responde Arturos. —Deve-se levar em conta a trajetória trágica de Ragnar, desde a infância... foi jogado em um mundo violento e impiedoso; feito escravo de piratas. Mas após consumar sua vingança, Ragnar e os demais vieram para Mainland... dos seis companheiros que o norsir levara a Hrodmir, quatro eram naturais do Reino Carlinês; dois da Ilha de Senja, que retornaram para sua terra natal, e dois de Northport, cidade litorânea carlinesa situada no norte do continente de Main; estes dois vieram para Main com Ragnar e permaneceram juntos a ele... havia ainda dois yalahari... não da etnia original yalahari, mas descendentes de mainlanders que se estabeleceram em Yalahar no decorrer dos séculos passados e que, como os de Senja, retornaram para suas famílias, em Yalahar. Todos esses homens, assim como Ragnar, foram capturados e feitos escravos de piratas ainda crianças, quando de ataques perpetrados contra suas aldeias e cidades costeiras...
—Certo, certo, mas e aí, como é que a Crimson aceitou o norsir sanguinário como membro?? Insiste Ivan.
Todos riem da insistência e da impaciência de Ivan.
—Bem... Respira e continua Arturos. —Após se estabelecerem em Mainland, mais especificamente na capital do Reino de Carlin, Ragnar e seus dois companheiros remanescentes viveram algum tempo da caça e comércio de peles de animais. Parece que fizeram um bom dinheiro com isso. Um dia, no entanto, Ragnar foi protagonista de um entrevero sério em uma taverna carlinesa; como praticamente todo norsir bárbaro, nascido nas tribos do leste de Hrodmir, fora do controle de Carlin, Ragnar herdou de seus antepassados o ódio à Coroa Carlinesa e o manifesto desejo de expulsar as tropas de Carlin do continente nórdico, reconquistando Svargrond para o povo norsir... bem, depois de tomar umas e outras, bebidas alcoólicas mesmo, que Ragnar conseguira com alguns traficantes da cidade, o que já se constitui em um crime diante das leis carlinesas, o norsir começou a expor em voz alta suas... err... “opiniões” a respeito da ocupação carlinesa em Svargrond... e também sobre a Rainha... isso desagradou os súditos de Eloise presentes no recinto, como também algumas guardas que faziam uma ronda pela cidade e passavam diante da taverna, naquele instante... bem, não preciso dizer que teve início uma confusão e posteriormente uma briga dos diabos... Ragnar levou uns dez oponentes ao “knock out”, inclusive duas guerreiras da Guarda Real... destruiu praticamente toda a taverna. Na iminência da chegada de reforços da Guarda Real e de mais súditos de Eloise, o norsir e seus dois amigos montaram em seus cavalos e conseguiram, a duras penas, fugir pelo Portão Norte de Carlin, com um destacamento montado de 10 guerreiras da Guarda Real mais um número equivalente de cavaleiros das Fraternidades Reais em seu encalço...
—Posso imaginar a cena de um gigante norsir bêbado tocando o “rebu” dentro daquelas aconchegantes tavernas de Carlin... Diz René.
—Já esteve em Carlin, senhor René? Indaga Genevieve.
—Oh, sim, Genevieve... estive por lá há uns dois anos, em uma missão pela Adaga... colher informações a respeito da situação política interna do Reino Carlinês... me passei por um súdito de Eloise, pois cidadãos thaianos não tem permissão para entrar nos domínios de Carlin, a não ser que consigam uma autorização oficial, o que demanda uma burocracia demorada... tive que ter aulas e treinos a respeito do sotaque dos carlineses, seus hábitos, etc... Passei por uns apertos mas foi muito interessante... aliás, quem me designou para essa missão foi Mestre Arturos, aqui... Responde René.
—Você até que se saiu bem, René... Complementa Arturos.
—Ah, certo... “até que” me saí bem, entendi... Responde, com uma espécie de protesto amistoso, René.
Topsy e os jovens presentes riem da reação de René.
—Mas... o senhor está indo bem a respeito da história desse norsir, aí... prossiga, Mestre Arturos. Complementa René, imitando a expressão com que Arturos insta-o a continuar a narração da missão em Roshamuul.
Mais uma vez, Topsy e os jovens riem do embate retórico e bem-humorado entre Arturos e René.
—Bem... Prossegue Arturos. —Ragnar e seus companheiros conseguiram evadir-se e despistar seus perseguidores. Entraram mais tarde nas terras de domínio de Kazordoon e temendo que os anões os entregassem de alguma forma à justiça carlinesa, caso solicitados, evitaram a cidade esculpida na montanha e atravessaram o grande rio que divide o continente de Mainland em duas partes... bem, infelizmente para os fugitivos, perto do local da margem sul do rio por onde alcançaram a porção meridional de Mainland estava acampado e camuflado um destacamento da Guarda Real Thaiana, encarregado de vigiar e proteger a fronteira... pegos de surpresa, Ragnar e seus dois amigos nada puderam fazer diante de uns vinte arqueiros que apontavam suas flechas para os três “invasores”, além de um mesmo número de guardas da infantaria... renderam-se e foram trazidos para a Capital... a Justiça do Rei, diga-se o Xerife, embora não quisesse saber nada a respeito das “peripécias” vividas por Ragnar e seus amigos em territórios estrangeiros, os condenou a três anos de trabalhos forçados nas minas, por invadirem o território thaiano sem autorização...
—Caramba, o velho Wyat pegou pesado com eles... Espanta-se Cadi.
—Verdade... Concorda Ivan. —Tem gente que não sobrevive um ano sequer nas minas, segundo já ouvi falar...
—De fato, Ivan. Complementa Arturos. —Ser condenado a trabalhos forçados nas minas do Rei praticamente equivale a uma sentença de morte. Poucos conseguem cumprir a pena e voltar vivos, devido às condições de insalubridade e à carga desumana de trabalho... mas Ragnar não era um homem comum. Sobreviveu com relativa facilidade aos anos de trabalhos forçados. Parece que resolveu não criar mais problemas... conseguiu até mesmo, por bom comportamento, angariar a simpatia do administrador e do comandante do destacamento que fazia a guarda e proteção da mina... seus dois amigos chegaram a adoecer, um deles quase morreu... mas Ragnar cuidou deles e também sobreviveram ao final da pena... com a recomendação do administrador e do comandante, Ragnar e seus dois amigos conseguiram do Rei autorização para permanecerem em território thaiano já que estrangeiros quando condenados em Thais, geralmente são expulsos das terras thaianas após o cumprimento da pena, caso sobrevivam, evidentemente... se estabeleceram depois em Venore, conseguindo trabalho em um dos grandes estaleiros da cidade. Ali acabaram conhecendo um membro do conselho de mestres da Crimson, Irion Arcarin, também um dos donos do estaleiro. Arcarin ficou impressionado com o porte e as histórias vividas pelo norsir. Convidou-o e a seus amigos a se integrarem à guilda, conseguindo também, com sua influência, que os três estrangeiros conseguissem a plena cidadania thaiana. Ragnar e um de seus dois amigos foram então admitidos na Crimson. O outro companheiro do norsir preferiu continuar trabalhando no estaleiro... devia estar cansado de aventuras, hehe...
—Sabe o nome desses dois amigos do Ragnar, pai? Indaga Victor.
—Bem... Arturos coça o cavanhaque. —Se não me falha a memória, o que ficou trabalhando no estaleiro em Venore chama-se Rufus Pelledino, ou Pellettino, algo assim. O que entrou na Crimson se chama Eugène Bouc... exerce funções mais de cunho burocrático na guilda... e foi assim, portanto, que o “norsir sanguinário” entrou para a Crimson.Conclui Arturos, reproduzindo a expressão usada por Ivan, ao mesmo tempo em que olha para o jovem de forma jocosa e bem-humorada.
Ivan e os demais jovens riem.
Laeticia então intervém: —Olha, Mestre Arturos... gostei muito desse enooorme parêntesis a respeito do Ragnar... mas será que podemos concluir a narração da expedição a Roshamuul? Sei que o final foi trágico mas gostaria muito de saber como tudo terminou, de verdade...
Novamente risadas são ouvidas no recinto, em decorrência da impaciência de Laeticia.
—Claro, minha cara... me perdoe a prolixidade. Responde Arturos, estendendo a mão na direção de René, como a instá-lo a prosseguir o relato.
—Bem... René retoma a narrativa. —Como eu dissera, após o último e repentino ataque das criaturas, a expedição foi dividida em três grupos menores... e a partir deste momento, segundo o relato de Athos, tudo ficou confuso e intenso... Athos disse não ter podido ver ao certo o que acontecia nos dois grupos extremos, dado o grande número de criaturas que os cercavam e mesmo o grupo central, composto por membros da Adaga... Athos se recordava de ouvir gritos de pavor e dor dos guildanos e dos soldados, misturados aos urros e sibilos das criaturas. No grupo acuado mais à direita, Athos podia perceber, enquanto combatia em sua posição, fortes emanações de energia sagrada, produzidas por Martinho... causavam logicamente dores e incômodos às criaturas. Os paladinos eram fundamentais na refrega, pois os seres de Roshamuul parecem ter uma origem, como já dito, pelo menos em parte, sobrenatural...
A simples menção à energia sagrada fazia os olhos de Cadi brilharem.
—Athos percebia também a luta desesperada de Ragnar, tentando infringir danos físicos aos seres. Mas aos poucos o enome número de criaturas acabou por ocultar totalmente a visão dos guildanos da Crimson... Continua René. —No grupo localizado mais à esquerda, composto por guildanos da Sombra e alguns militares, a situação, segundo Athos, era semelhante. Ali, Valério também se esforçava por atingir as criaturas com sua munição e com a energia sagrada...
Laeticia interrompe a narração de René, dirigindo-se a Arturos: —Mestre Arturos... o senhor nada falou a respeito do druida da Sombra...
Os demais jovens se entreolham, com pequenos sorrisos nos cantos das bocas. Laeticia, que desde o início da narração se impacientara com as pequenas interrupções, desta vez interrompe René, recorrendo a Arturos, querendo sanar uma pequena dúvida ou curiosidade.
—Não falei??? Mesmo??? Indaga Arturos, arregalando os olhos e fazendo uma expressão que denota uma atitude de brincadeira e bom humor.
Os demais riem da reação de Arturos. Genevieve, particularmente, se diverte com o espírito irrequieto de Laeticia.
—Muito bem... Continua Arturos, agora com uma expressão mais concentrada e séria. —O druida da Sombra era Licinius Antrobarth... um jovem druida natural de Liberty Bay. De família muito rica, proprietária de vastas extensões de terras e plantações de cana-de-açúcar. Na adolescência envolveu-se em uma briga séria com um jovem nativo que trabalhava em uma das plantações de sua família. O rapaz morreu no entrevero e Licinius foi preso e julgado. Mas a riqueza e a influência de sua família certamente contribuíram para que fosse inocentado...
—Riquinhos sempre se dão bem... Murmura, em voz baixa e para si mesmo, Struggle.
—Para tirá-lo de Liberty Bay e mantê-lo longe do ambiente e das circunstâncias ligadas à briga, o pai de Licinius o enviou para Rookgaard, com a ajuda de um representante da Sombra no ducado, amigo da família... Continua Arturos. —A princípio Licinius se especializaria nas habilidades do combate físico direto, dos cavaleiros, portanto... mas segundo informações, se encantou com as habilidades e conhecimentos passados por Mestre Hyacinth e decidiu estudar as artes druídricas. Apesar do epísódio trágico em Liberty Bay, Licinius fez um curso tranquilo em Rook e após a extensão com Mestre Marvik, aqui em Thais, juntou-se à Sombra, na sede da guilda, em Venore. Como sempre demonstrasse um ótimo, digamos assim, nível de poder e habilidades como druida e se saísse bem nas missões para as quais fora designado pelo conselho da guilda, Licinius foi escolhido para integrar a expedição a Roshamuul... bem, seriam essas as informações mais relevantes a respeito do druida da Sombra. Conclui Arturos, se dirigindo a Laeticia.
—Agora sim, o senhor falou algo a respeito de praticamente todos os guildanos. Responde Laeticia. —Senhor René, pode concluir a narração...
Risos ecoam pelo recinto, devidos à aparente incoerência de Laeticia, que antes censurara as intervenções alheias e interrupções e agora fizera questão de ouvir informações a respeito do druida da Sombra e também devidos à atitude impositiva da jovem, no sentido de comandar o rumo da tertúlia.
René, contendo finalmente o riso, continua a narração a respeito da expedição. —Bem... então... todos os três grupos remanescentes se viram cercados por um grande número de criaturas. Então Mestre Linus avistou uma espécie de rochedo ou pequena elevação rochosa um pouco mais para o norte, em relação à posição do grupo central, o da Adaga... concentrando-se e elevando o nível de seu mana através da ingestão de algumas poções, Mestre Linus lançou uma série de ataques com a energia sagrada e com suas bestas, fazendo as criaturas se afastarem um pouco e assim abrindo caminho até a formação rochosa. Após instar os demais do grupo a não segui-lo, no que não foi obedecido, Mestre Linus correu até o rochedo e se posicionou no cume, passando a ter uma visão privilegiada de toda a situação, inclusive dos demais grupos, o da Crimson e o da Sombra...
—M-mas o que o senhor quis dizer sobre Mestre Linus não ter sido obedecido??? Indaga, surpreso e curioso, Arsenius.
—Bem... Prossegue René. —Apenas Athos, os três soldados e o colono que integravam o grupo central, da Adaga, mantiveram-se no mesmo local, obedecendo, portanto, ao comando de Mestre Linus... Formidius, Mara, Agata, o Major e o Capitão seguiram Mestre Linus até a formação rochosa e se postaram na base da rocha, constituindo uma linha de defesa para impedir que as criaturas chegassem até o paladino...
—Caramba... fazendo isso deixaram Athos, os soldados e o colono vulneráveis... Intervém Diana.
—Poderia até ter acontecido isso. Responde René. —Mas as criaturas, segundo a conclusão de Athos, focaram-se em Mestre Linus, por causa da energia sagrada... aparentemente os seres percebiam que os paladinos da expedição, por manipularem a energia sagrada, representavam o real perigo para eles... e foram atrás de Mestre Linus. Parece que a intenção de meu mestre era justamente atrair a atenção das criaturas, dando chance para que o restante da expedição pudesse empreender uma fuga... e uma vez no topo da formação rochosa, tendo uma visão mais ampla do que acontecia ao redor, Mestre Linus começou a disparar e produzir freneticamente ataques com a energia sagrada e com suas bestas, tanto contra as criaturas que anteriormente cercavam o grupo da Adaga, como as que cercavam os outros dois grupos; da Sombra e da Crimson... isso atraiu também os seres que cercavam os outros dois grupos para o entorno da rocha... e um pouco antes quase todos os guildanos e militares dos outros dois grupos também se juntaram a Formidius e os demais do grupo central, na base da rocha, aproveitando uma momentânea dispersão e confusão entre as criaturas, por causa dos ataques contundentes de Mestre Linus... no entanto, Valério e Angus, como também dois dos soldados que estavam juntos ao grupo da Sombra, na confusão causada pelos ataques de Mestre Linus, acabaram por se posicionarem juntos a Athos, ao invés de buscarem a formação rochosa...
—Pelo menos isso deve ter garantido um pouco de apoio e proteção a Athos e aos homens que permaneceram com ele... Diz Victor.
—Sim, mas apenas algumas criaturas ainda fustigavam Athos e os demais e eram repelidas pela energia sagrada de Valério... a esmagadora maioria dos seres cercava a formação rochosa, tentando aniquilar os guildanos e militares que estavam na base para evitar que Mestre Linus fosse alcançado. Responde René. —Era uma visão terrível, segundo Athos... era questão de tempo para que todos os que se encontravam cercados ao redor da rocha fossem mortos. Athos mal conseguia vê-los, escondidos que estavam pelos corpos dos monstros que os cercavam e atacavam. Não podia divisar quantos ainda resistiam, quantos já teriam tombado.. subitamente, do alto da rocha, Mestre Linus começou a gritar e a acenar para Athos e os outros próximos ao cavaleiro... suplicava para que fugissem, para que salvassem suas vidas, pois o que se encontravam cercados na rocha, inclusive ele, Mestre Linus, fatalmente pereceriam ali...
—Que coisa horrível... Diz Genevieve, apertando com força as mãos de Tatius.
—Athos então... ??? Indaga Ivan.
—Athos relutou em fugir. Queria, disse ele, atacar as criaturas na base da rocha e abrir caminho para que os demais membros da expedição que se encontravam cercados pudessem fugir. Diz René. —Mas Valério e Angus fizeram ver a ele que isso seria impossível. Se não aproveitassem o momento e fugissem, também pereceriam ali. Os dois guildanos da Sombra praticamente puxaram Athos pela camisa, arrastando-o para a fuga através de um estreito desfiladeiro que conduzia para o sul, para o planalto por onde tinham alcançado o vale. A última visão de Mestre Linus gravada na mente de Athos foi sua luta desesperada para evitar ser alcançado no topo da rocha pelas criaturas, que já começavam a escalar a formação... durante a fuga algumas criaturas ainda vieram no encalço de Athos e dos demais, mas os poderes de Valério conseguiram rechaçá-las... enfim, Athos, Valério e Angus conseguiram retornar, conduzindo os cinco soldados remanescentes e o colono para o vilarejo... a expedição acabou sendo um grande fracasso... não só não conseguiram localizar qualquer vestígio da expedição anterior, embora se pudesse deduzir que os membros tenham sido dizimados pelas terríveis criaturas de Roshamuul, como também perderam valorosos guerreiros...
—É... o saldo foi terrível. Diz, desconsolado, Victor. —Ao menos alguns conseguiram retornar para que pudéssemos saber o que aconteceu com a segunda expedição...
—Bem... Diz Cadi, —Como o Athos e os outros não viram propriamente a morte de Mestre Linus, e Mestre Arturos disse que alguns ainda julgam possível que ele e os demais possam, de algum modo, ter sobrevivido, fica a esperança de...
—Impossível... impossível alguém sobreviver naquelas circunstâncias... não havia saída, estavam completamente cercados... Rebate, em um tom de tristeza, Topsy.
—Bem... Diz Arturos. —Essa foi, pois, a história do fim de Linus Palaio, um dos maiores paladinos da epopeia humana em Tibia, creio eu... como também do fim de alguns outros valorosos guerreiros, guildanos e militares...
—O senhor deve sentir um aperto no coração quando relata esses acontecimentos, não, Senhor René? Indaga Addae.
—Sim, de fato, Addae. Responde René. —Não posso negar que uma melancolia e um pouco de saudosismo invadem minha alma nessas ocasiões... mas ao mesmo tempo me filio entre aqueles que ainda nutrem um fio de esperança no sentido de que meu mestre possa, de alguma maneira, ter sobrevivido...
Topsy lança um olhar de inconformismo e contrariedade sobre René, mas evita falar algo para não ferir os sentimentos do jovem paladino.
Nesse momento alguém introduz uma chave e abre a porta da sala pelo lado de fora. É Turvy que adentra o recinto, com os cabelos penteados e presos e o rosto lavado.
—Sente-se melhor agora, querida? Indaga Arturos à jovem amazona.
—Oh sim, Mestre Arturos... depois de um “soninho”, tudo melhora...
Addae, Cadi e também Struggle não conseguem se abstrair, em suas mentes, da beleza da jovem guerreira, como também de sua irmã.
—É... você teve um verdadeiro sono da beleza... está deslumbrante. Diz René, com um sorriso no canto da boca.
—”Ahahah”. Turvy força uma risada de deboche. —René Lisek e seus galanteios de taverna...
—Não, sério... foi um elogio sincero. Responde René, levantando as duas mãos e fazendo uma expressão de inocência.
—A senhorita está mesmo muito bonita, senhorita Turvy. Diz Laeticia, em apoio a René.
—Viu? Não fui apenas eu quem notou. Complementa René, tentando se sair bem na situação.
Turvy, um pouco encabulada, agradece ao comentário de Laeticia. —Obrigada, meu anjo...
Topsy se levanta, aproxima-se de Turvy e massageia o braço de sua irmã: —Está mesmo melhor?
—Acho que sim... é difícil esquecer o que se passou com Pierre e Willborn aí em frente, hoje de manhã... mas vou sobreviver. Responde Turvy. —Mas parece que interrompi alguma coisa. Diz a amazona, olhando para as pessoas sentadas em círculo.
—Não, não. Responde Arturos. —Estávamos ouvindo uma narração por parte de René. Mas a história já foi concluída.
—Era sobre Mestre Linus? Indaga Turvy.
—Sim... sobre a trágica expedição a Roshamuul. Responde Victor.
—Ainda bem que cheguei após o término. Essa história me deprime.... Complementa a amazona.
—Bom... Diz Arturos. —Tenho uma proposta a fazer aos alunos da guilda... e de certa forma aos nossos visitantes, embora eles já tenham a intenção de assim proceder... que tal uma visita ao Museu de Thais? Todos juntos... é a única oportunidade que terão para visitar o Museu, antes da partida para Rookgaard. Só abre nos Die Eru e todos provavelmente partirão para a ilha no decorrer desta semana...
—Ah eu quero, Mestre Arturos. Vamos sim! Responde, animada, Laeticia.
—Tô nessa. Complementa, também interessado, Arsenius.
Diana também demonstra interesse, no que é seguida por Victor e Ivan.
—Ótimo. Melhor assim... porque ainda que não concordassem eu estabeleceria essa visita como uma tarefa, com a obrigatoriedade de cada um redigir um relatório ao final... alias o relatório terá que ser redigido de qualquer forma... é mais um dos trabalhos sujeitos à avaliação... Diz Arturos, com um olhar e um sorriso marotos...
—Aaah... Protestam, em uníssono, os alunos da Adaga. Mas acabam absorvendo a decisão de Arturos, já que demonstram um desejo sincero de visitarem o Museu.
É René quem responde: —Vão se acostumando noobada. Em praticamente toda atividade relacionada à guilda vocês terão que redigir relatórios detalhados...
Arturos se dirige aos aspirantes da Coroa: —Espero que não se oponham a que façamos a visita juntos...
—Poxa, ao contrário, Mestre Arturos. Responde Addae. —Com o senhor e com os alunos da Adaga essa visita ficará muito mais interessante...
—Isso! Complementa Cadi. —E com a vantagem de que nós não precisamos fazer relatório algum...
Após dizer isso, Cadi é fuzilado pelos olhares dos alunos da Adaga, ainda um pouco inconformados com a obrigatoriedade de redigir relatórios.
—Pô, galera, foi mal... não tenho culpa... Procura se justificar Cadi.
Arturos, René, as guildanas gêmeas e mesmo Struggle, riem com a situação causada por Cadi.
—Quer que acompanhemos o senhor, Mestre Arturos? Para ajudar a vigiar os meninos? Indaga Topsy.
—Agradeço a sugestão, Topsy. Responde Arturos. —Mas realmente não é necessário. Tenho certeza que nossos jovens amigos se comportarão bem...
—Neste caso... Intervém René. —Eu sugiro a essas duas gatonas aqui que me acompanhem até a Arena dos Paladinos, para tomar umas e outras e ouvirmos as interessantes histórias e piadas de Elane. Após dizer isso René pousa suas mãos nos ombros de Turvy e Topsy.
Topsy ri e parece gostar da sugestão. Turvy, no entanto, com sua mão, espana e afasta discretamente a mão de René de seu ombro, fazendo um pequeno muxoxo: —Humpft... quem te conhece que te compre, René Lizek...
Os demais riem da reação de Turvy e da expressão de falsa inocência de René.
—Bem... vamos indo, meus jovens aprendizes? Indaga Arturos aos aspirantes.
—Mestre Arturos... quando o senhor vai corrigir e divulgar o resultado dos traballhos que fizemos hoje? Pergunta Leticia.
—Levarei os trabalhos comigo para a estalagem. Amanhã os trarei de volta e divulgarei o resultado. Terei uma conversa com cada um de vocês a respeito... Responde Arturos.
—E o relatório da visita ao Museu? É prá quando? Indaga Diana.
—Darei como prazo até amanhã à tarde. Diz Arturos.
Os alunos da Adaga se entreolham fazendo caretas e expressões de receio.
Arturos abre a porta da sala e insta os jovens a saírem. —Vamos, meus jovens. Vamos logo para aproveitarmos o tempo e apreciar as peças expostas no Museu...
Os dez jovens aspirantes se despedem de René e das guerreiras gêmeas e vão saindo.
Genevieve diz a Topsy: —Adorei o chá e os pãezinhos, senhorita Topsy. Obrigada.
—Foi um prazer, Genevieve. Antes de você embarcar para Rookgaard darei um jeito de te passar a receita. Vou escrevê-la em um papiro e te dar. Diz Topsy. —De druidesa para druidesa. Complementa a guidana, piscando um olho.
Genevieve exibe um sorriso radiante e acena em agradecimento, ao mesmo tempo em que deixa o recinto.
Por fim, já tendo os alunos deixado o apartamento, Arturos se despede dos três membros da Adaga e sai, fechando a porta.
Os dez jovens ganham a Mill Avenue fazendo uma pequena algazarra e chamando a atenção dos transeuntes.