Opa, agora bombou! Sendo assim, já vou lançar o próximo capítulo! Obrigado pela assiduidade de quem está presente, agradeço de coração pelos comentários!

Talvez este tenha ficado mais extenso mas, by the way...

Vamos lá!

CAPÍTULO 7 – Ninguém está a salvo

A tribo de Pajé espremeu-se contra as rochas e os arvoredos no canto oposto da clareira. A entrada estreita na rocha estava sendo esfacelada por garras muito grandes. Jacob e Jack estavam estagnados no meio caminho entre o povo indígena e o Leviatã, sem saber o que fazer, as espadas, parecendo, agora, meros pedaços de graveto, pendiam molemente nas mãos dos dois rapazes.

Outro uivo enregelante varreu a clareira e rasgou o ar noturno. Jacob e Jack recuaram, incertos. A criatura parecia não estar conseguindo romper a rocha o suficiente para empurrar seu corpo para dentro.

- Jack, não podemos enfrentar isso – Jake falou, sua voz sendo atropelada por si própria. Foi um alívio que o amigo tenha entendido.
- Você é o inteligente – disse Jack, a voz trêmula. – O que sugere?
- Venha!

Jacob saltou pela fogueira e avançou correndo para onde os indígenas aguardavam, aterrorizados.

- Com licença, com licença, saiam, saiam, preciso passar!
- Vai fugir? – acusou Pajé. – Covarde!
- Vou salvá-los, velho estúpido – retrucou Jake, ao que o velho se calou.

Com agilidade, Jacob saltou para o primeiro galho de uma árvore muito grossa e grande. Alçou-se para cima vagarosa e precisamente, de forma a ter aderência em todos os galhos nos quais pisava. Lá em cima, quase na copa das árvores que ali cresciam juntas, encontrou o que precisava: um cipó de ramo de cidreira, extremamente resistente, tanto quanto o aço, todo trançado.

Jacob amarrou-o firmemente, com nós de marinheiro, como havia aprendido com o pai de Jack há muito tempo, no topo do galho mais resistente, na copa. Soltou-o, trançando-o através dos galhos e desceu, devagar.

- Uma rocha. Não precisa ser grande, por favor, rápido!

Os índios arrancaram um pedaço de pedra do chão e amarraram à ponta do cipó. O Leviatã ainda forçava a entrada pela rocha, e quase a estava vencendo.

Certo da firmeza da amarra, Jacob subiu novamente, repousando a rocha no topo da árvore. Desceu em seguida.

- Jack, olhe, consegui encontrar uma boa passagem pelo penhasco lá em cima. Mas preciso de mais uma rocha, e há uma fissura na pedra atrás deste carvalho – ele bateu com o cabo da espada na árvore que lhe servia de apoio. – Guie os índios para dentro da fissura, vou armar a outra rocha lá em cima. Preciso que você volte, e, então, fugimos por sobre o penhasco, se necessário.

Jack assentiu, e dois índios puseram-se a auxiliar Jacob a alçar a rocha posteriormente necessária. Depois, ambos desceram e passaram pela fissura conforme indicação de Jack.

Entretanto, passos lentos e cansados que fizeram a campina se sacudir enregelaram os ossos dos dois resistentes.

- Rápido, Jack, vamos, suba! Não temos mais tempo, ele entrou!

Jack pulou por entre os galhos e chegou à copa rapidamente. Não teve coragem de olhar nos olhos da criatura, ou de vislumbrar seu rosto.

- O que precisamos fazer?
- É bastante simples de pensar, mas a execução pode nos custar um braço ou uma perna – Jake sorriu de esgar. – Consegue enxergar aquela estreita passarela? A que liga o penhasco dos dois lados.

Jack observou. Havia, de fato, uma passarela estreita demais, a menos de dois metros de distância dos dois, o suficiente para uma pessoa pequena atravessar. Não tinha cordas, apenas tábuas e cordas que as ligavam de fora a fora. Parecia mais um varal.

- A ponte está bem próxima. Não podemos falhar. Se atirarmos a rocha de um lado e soltarmos do outro, ambas vão se chocar no mesmo ponto, lá embaixo.
- E como vamos atraí-lo?
- Eu vou – Jacob sorriu. – Você vai executar a parte da rocha.
- Mas...
- Não falhe.

Jacob soltou-se galho por galho para a parte de baixo da árvore, chegando ao solo rapidamente. Desembainhou a espada e esperou. Estava exatamente a um passo de onde havia programado o lançamento da rocha.

E então, ele viu.

A criatura era gigantesca. Três ou quatro metros de altura, longo focinho, negro como a noite, dentes pontiagudos como punhais muito afiados. Seus olhos eram muito amarelos. O corpo era coberto por pelos negros, e, de forma meio deslocada, ele trajava uma armadura completa, exceto pelo capacete.

Ao notar a presença de Jacob, a criatura sorriu, triunfante.

- Derradeira falta de sorte – grunhiu, e sua voz parecia a voz do próprio Hades. – Encontrei-os rapidamente! Não representou nenhum desafio.
- É... reconfortante – disse Jake, a voz falhando, e ele engoliu em seco. Sua espada pendeu de sua mão, mas ele a tentou firmar.
- O Arrebatador os quer de volta, e ele pediu para que eu os levasse. Não devia matá-los agora, mas não posso perder a oportunidade de derramar sangue.

Jacob cuspiu no chão.

- Mostre-me seus atributos, cão!

O Leviatã parou de sorrir. Aproximou-se devagar, calculando, aparentemente sem notar a presença de Jack lá em cima.

Da copa da árvore, Jack observava. Apenas observava.

- Mais um passo – sussurrou, amparando uma das rochas com as mãos. A corda estava toda enrolada embaixo de si, e ele tinha a nítida sensação de que aquilo jamais daria certo. – Vamos... mais um pouco...

A dois passos do ponto específico, Rangel parou. Alguma conversa se desenrolava lá embaixo, mas Jack não conseguia ouvi-lo.

Então, sem aviso, o Leviatã rugiu e atacou. Com destreza, Jack segurou a rocha e atirou.

Como Jacob calculara, a rocha mais pesada puxou a mais leve e a corda enrolou-se na ponte exatamente em seu centro de gravidade, sem oscilar.

Jacob olhou para a confusão de Rangel, satisfeito.

O movimento pendular, então, começou.

Uma das rochas, a mais pesada, iniciou seu derradeiro movimento, puxando a outra para si. Então, de forma esmagadora, as duas pedras chocaram-se contra o corpo do lobo enorme, uma de cada lado da cabeça, esfacelando-se e arrancando dele um uivo de se gelar o coração.

O golpe o havia atingido direto na cabeça.

Jack saltou os galhos um por um, com a maior destreza que pode, e chegou lá embaixo ainda a tempo de ver o animal enorme se contorcendo.

Jacob firmou a espada e virou o corpo de Rangel para o lado com o pé. Firmou o pé sobre seu peito e apontou a espada direto para sua garganta.

O lobo arquejou, sem forças, a cabeça amassada num ponto específico.

- O que você faz aqui? – perguntou, com ódio.
- Fui enviado por Dreader – grunhiu ele, a voz quase num sussurro, sem forças.
- Por quê? E por que ele queria que você esperasse para nos atacar?
- Ele... não me mate!
- Fale – Jacob ordenou, espetando sua garganta.
- Sim, sim! Ele quer as Relíquias do Olimpo! Queria que a pegassem e que eu matasse vocês na sequência, levando as relíquias para ele!

Jack e Jacob trocaram um olhar desconfiado.

- Como ele sabia qual era nossa pretensão?
- Um espião... um espião contou! Ele sabe de tudo sobre você!
- E como ele é? Quem é?
- Não consegui ver, escondeu-se demais nas sombras.

Jack assentiu.

- Isso é tudo, Jake.

Jacob enfiou-lhe a espada na garganta, travando seu uivo final de morte. O corpo de Rangel jazeu, inerte, no solo da campina.

* * *

Dreader desceu as escadas do castelo com agilidade, deixando para trás uma fina nuvem de poeira. Seu coração estava descompassado.

Rangel estava morto.

O Imperador não podia acreditar que o monstro que havia dizimado um exército inteiro havia falhado diante de dois meros combatentes.

Uma coisa apenas era certa, agora: não havia mais como levar a coisa na brincadeira.

- Travers – gritou, invadindo o campo de descanso do Quartel General e acordando vários soldados que repousavam com sua voz que, agora, via-se ser potente. – Levante-se e suba à minha sala. Você tem cinco minutos.

Deixou o aposento na sequência.

Desgraçados, pensou. Eu os subestimei e agora vocês vão pagar o preço pela morte de meu leviatã. É hora de me envolver nesta caçada.

* * *

Pajé, petrificado, encarava o corpo morto daquela criatura monstruosa, avultada ali, chapinhada no gramado, no chão. As moscas começavam a se juntar sobre a carne morta e os abutres e urubus rondavam o céu, esperançosos.

Desprendia um cheiro horrível.

Mais do que isso, o índio ficou imaginando o tamanho do talento dos dois jovens que, agora, haviam partido, seguindo sua trilha para as Planícies Fantasma.

Selena, uma índia da tribo, aproximou-se, cautelosa, de seu cacique.

- Cacique – murmurou ela, mas ele a dispensou com um gesto com as mãos.
- Dreader vai nos caçar, Selena. Eis um fato. A presença dos rapazes aqui, embora revigorante, condenou-nos à morte. Precisamos sair desta campina o mais depressa que for possível.
- Cacique, não podemos abandonar a trilha pelas Relíquias do Olimpo – argumentou ela, de forma incisiva. – Zeus nos deu essa notória tarefa, não podemos nos afastar dela, sob pena de recebermos seu catigo divino!

Pajé respirou fundo, cansado.

- Prefiro receber o Raio-Mestre de Zeus direto na cabeça a enfrentar a fúria de um Dreader descontrolado com suas mais de cem mil cabeças, querida.

Selena observou o cacique andar pelo acampamento, agora destruído. Silenciosamente, esgueirou-se para dentro da tenda do cacique, que abrigava seis camas de palha e vários instrumentos de guerra pendurados no teto.

Tomou um arco, uma aljava de flechas e algumas armaduras díspares.

Na sequência, esgueirou-se por dentro da rocha por onde a dupla de encrenqueiros havia passado, há alguns minutos.