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Tópico: Aladfar

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  1. #1
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    Procurei sair um pouco do clichê. Não sei se causei a impressão que queria. Não estava muito inspirado...

    Capítulo II

    O luar pálido banhava as planícies outrora cheias de vidas com a sua opulência lânguida. Os gramados amarelados e secos estavam em tons de branco fantasmagóricos, as árvores projetavam sombras hediondas e qualquer coisa que ousasse se mexer seria imediatamente denunciada pela claridade excessiva. Apesar disto, espessas nuvens arroxeadas cobriam os demais astros do céu, deixando apenas uma abertura para que a lua reinasse absoluta, como deveria fazer sempre. Os ventos que vinham do norte uivavam ao colidirem com as paredes cinzentas e altíssimas do Castelo de Zamoht, deixando aquela noite do mês chuvoso ainda mais assustadora. Dentro da gloriosa edificação que situava-se sobre um morro há alguns metros da cidade em si, o silêncio prevalecia. Todos pareciam estar dormindo. Pareciam.

    Na Torre Oeste, a mais alta e notável de todas elas, havia uma janela hexagonal que deixava clara a vista para o sul, em direção à cidade. A torre, construída em forma de cilindro e terminada em uma ponta abrupta vermelha, era considerada o símbolo máximo do reino de Zamoht. Isso se devia ao ocupante principal daquela torre. Este agora conversava com seu fiel amigo, que observava o mundo que dominava através da janela.
    - Suas ambições perturbam-me. – Disse o ser reptiliano oculto nas sombras do ambiente interno do último andar. Aparentava ser imenso, com garras afiadas e uma pele escamosa. A única coisa certa em suas feições eram dois pontos vermelhos faiscantes: os seus olhos. Ele falava com uma lentidão nefasta, pronunciando cada palavra com um sibilo cortante. Sua voz provocava arrepios. – Sempre soubemos que fazíamos o correto, caríssimo, mas creio que seu último movimento foi tenebroso demais. Temo que a derrocada dos Dyton não seja o suficiente para pagar pelo mórbido sacrifício que tivemos de fazer.
    - A queda dos traidores foi apenas o princípio, Aranak. A verdadeira batalha chegará quando expandirmos nossos domínios. – Hitreak falou sem encarar o outro. Seus olhos amarelados estavam fixados em um determinado ponto no horizonte, aparentemente invisível naquele momento. – Iremos subjugar as terras que vão além do oceano infinito, e depois ainda todas as que estiverem mais longe. Teremos todos os solos tocados pelos sóis sob o nosso domínio.
    - Falas com uma convicção tão indubitável que quase acredito que possa ser verdade. – O ser misterioso não piscava. – As terras que existem além do oceano, se é que existem de fato, são enigmáticas demais para termos qualquer certeza. Aqueles que as buscaram nunca tiveram êxito. Não sabemos o que pode-se achar lá.

    - Meu bom amigo... – Hitreak virou-se para encarar o interlocutor, esvoaçando o longo manto vermelho-sangue que usava. Sua armadura de prata tilintou quando moveu-se. – Há de convir que minhas razões são suficientes. Meu povo sofreu nas mãos daqueles de Dyton durante incontáveis gerações, desde que esta terra é organizada e comandada pelos homens! Nossa glória foi jogada ao chão, nosso nome foi motivo de piadas. Nosso comércio não bastou para eles, nossa guerra não lhes provocou o medo. Não havia outra saída. Cedo ou tarde seriam eles que bateriam em nossas portas com lanças e espadas nas mãos. Apenas adiantei o inevitável. A talvez tivéssemos falhado se não fosse assim.
    - Sim, sim... Tudo que disseste faz um certo sentido, caríssimo. – Aranak falava sem mover um músculo, parecendo uma estátua draconiana. Mal parecia respirar. – Vós humanos tendem ao erro. Era de se esperar que a cobiça fosse surgir um dia. Aliás, deveriam vós ter preparado-vos para esta possibilidade mais cedo. De qualquer forma, está correto quando diz que seria inevitável. O desejo de ampliar suas terras seria mais forte do que a própria razão, do que os valores cultuados pelos deuses. Mas sabes tu que iniciou um movimento perigoso nesse interessantíssimo jogo.
    - Tudo que fiz e faço é em nome de meu povo. – Ele virou-se mais uma vez, indicando a nem tão distante cidade de Zamoht. O que outrora fora uma vila sem poder era agora um suntuoso reino que espalhava-se pelo vale. Os campos de cereais eram notáveis, os pastos para o gado idem. A área urbana era a maior que já se vira em Aladfar. Quem via Zamoht não imaginava o sangue que fora derramado para deixá-la daquela forma. – Nós merecíamos essa terra. E merecemos mais. Nós somos a verdadeira essência dos homens. Os que nasceram aqui são os herdeiros do legado de Fänar, e não aqueles que pisaram em Dyton. Aqueles traíram nossa índole quando idolatraram outros deuses. Aqueles cuspiram em nossa fé quando ergueram suas bandeiras em nome de Woso.

    - Tomas cuidado com tuas palavras, Hitreak. – A voz de Aranak assumiu um caráter mais obscuro do que de costume. – Tudo que sais de tua boca voa pelos céus. E pode chegar aos ouvidos errados. As más mentes podem entender-te errado.
    - Que importância isso tem? O que realmente interessa-me é que meu povo crê no que digo. E meu povo irá apoiar-me até o fim, se tivermos um dia de chegar a um.
    - Tua ambição ainda será tua derrota. Como teu conselheiro, devo alertar-te disso. Começaste a cavar a tua cova quando, mais de uma década e meia atrás, mandaste aquele cavaleiro naquele cavalo atrás dos fugitivos de Dyton. E aprofundaste ainda mais teu descanso eterno quando não os mataste, mas sim os capturaste e deixaste como escravos.
    - O sangue deles não era digno o suficiente de manchar a espada do Cavaleiro Negro. De qualquer forma, consegui o que queria, não? Todos aqueles que sobreviveram ao Cerco de Dyton voltaram, e todos eles foram presos em nossos domínios. Muitos morreram desde então, mas os que ainda restam trabalham como podem para pagar a dívida que seus antepassados devem. Mas isto foi há muito tempo. Desde então, nunca mais ouvi nada do Cavaleiro. Deixe esta história morrer.

    Aranak emitiu um grunhido baixinho, um sinal de desolação.
    - Tu devias saber melhor do que ninguém, Hitreak... Que o Cavaleiro Negro sempre retorna para cobrar sua recompensa. E sabes tu que não é com o teu ouro que pagarás.
    O Grande Rei de Zamoht assentiu brevemente, encarando a cidade com mais força do que nunca. Era seu maior orgulho e ele sabia que todos os pecados que cometera seriam perdoados pelos verdadeiros deuses quando ele morresse, pois tudo o que fazia era em nome dos humanos fiéis. Foi arrancado de seu curto devaneio quando a pálida luz da rainha dos céus sumiu, mergulhando as terras de Aladfar no escuro. Hitreak ergueu os olhos para o alto, sentindo um longo calafrio dançar pela sua espinha quando seus olhos pousaram no disco lunar.

    Estava vermelho.
    Apreciem (ou não).
    Manteiga.

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  2. #2
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    Essa brincadeira tá parecendo batata-quente AHAUHAUHAUHUHAUHA dels...

    Por Woso, você conseguiu escapar da batata que o Thomazml deixou...
    Capítulo muito bem escrito, mas ainda não consegui entender o personagem Aranak. Ele é o que?

    Bom, o próximo é o (procura tópico com a lista) Jack Irgul!
    Vamos ver com se sai... (H)
    A batata tá passando de mão em mão muito rápido o_o

    ..:: Lorofous ::..


    “I'm a traveler of both: time and space."

    Extenção
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  3. #3
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    Pois é, não é? xD

    Em meu imaginário eu sei bem o que Aranak é :rolleyes: Se alguém quiser falar dele, fale, e veremos se seguirá meu pensamento. Mas enfim, quis manter em segredo. Se alguém optar por usá-lo, basta ler sua descrição vaga e imaginar o que pode ser. Ou me pedir, se quiser u-u

    Manteiga.
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  4. #4
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    Wow, totalmente diferente do que eu esperava xD

    Ainda não teve sangue, mas há vários elementos novos na história...Gostei bastante do capítulo, amei o Hitreak. E gostei do "Cavaleiro Negro" (em minha mente, tinha imaginado algo totalmente diferente).

    Agora, a batata ta com o Jack!
    Quer participar de uma alta aventura com essa turma do barulho? Quer escrever sobre Tibia, ser enganado por um monge pra lá de pestinha? Achas que tens o que é preciso para esma... digo, para entrar no Hall da fama? Passa lá na Biblioteca-imensa-cheia-de-coisa-e-mundialmente-conhecida!

    Escritos no TebeaBeerre

    -=R.I.P =-
    Aqui já Lucius Cath
    Eterno troll

  5. #5
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    Olá, nobres escritores.

    Bom, o prólogo não me agradou; parece que foi tudo jogado sem o menor planejamento, de modo que o leitor sente-se perdido em meio à tantos nomes impronunciáveis e um enredo que não foi bem firmado. Pareceu que o autor quis abrir um leque maior de possibilidades para que fosse trabalhado, mas com uma execução que não me agradou.

    Reforço os nomes: porra, eu pelo menos não vejo graça nenhuma em criar nomes desse tipo; mas tudo bem, é medieval fantástico, então...

    Quanto ao primeiro capítulo, dou destaque para a bela continuação do Thomaz. Parece que ele pegou o fio no ar e continuou com maestria, sem deixar que o elo se rompesse. Acho que não conseguirei fazer o mesmo.

    A brincadeira com os nomes ficou engraçaduxa, e um salve para o autor que conseguiu colocar nomes bacanas (e pronunciáveis!). Porém, não sei se caiu bem; valeu mais por ser uma história informal e tal...

    O resto do capítulo decorreu bastante bem, embora você não tenha se aprofundado muito; parece ter deixado a dita "batata-quente" para o próximo.

    Achei a aparição do cavaleiro um pouco forçada, como se você tivesse que dar aquele tom de mistério ou um pouco de fantasia ao texto. Enfim, não me agradou.

    Só uma observação para todos: tomem cuidado com a inserção de personagens. Em dois capítulos, já tivemos montes e montes de personagens (e povos inteiros) mencionados, sem ter sido aprofundado qualquer coisa sobre.

    Quanto ao capítulo do Manteiga, correu bastante bem. Porém, você optou por criar mais personagens, embora já tenha sido desenvolvida uma personalidade: a do cavaleiro. Já sabemos (ou pensamos saber), por exemplo, que ele parece ser impiedoso e sanguinário, embora eu acredite ser um personagem interessante e que merece algum destaque.

    Quanto aos dois personagens descritos no capítulo, não me agradaram, embora tenham dado ao texto um novo rumo.

    Já tivemos também alguma menção ao destino dos fugitivos e do próprio contexto; o que foi bastante positivo. Pelo menos a conversa não foi tão inútil quanto pareceu (sim, a princípio achei bastante inútil, como se você quisesse apenas fugir do enredo em si, inserindo personagens adoidado).

    Parabéns pelas ótimas descrições, Manteiga. Você utiliza extremamente bem as palavras em cada cena e há uma preocupação bastante grande com a ambientação — coisa que eu acho bastante difícil fazer.

    Mas, enfim, o projeto está bastante interessante. Acredito que este choque de estilos e personalidades acentuar-se-á mais ainda até o desfecho final.

    Abraços.




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  6. #6
    Avatar de Wu Cheng
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    Prólogo - Lorofous:

    Os nomes realmente são difíceis de guardar, e não aparecem tantas vezes para que a gente consiga lembrar deles.

    Mas o que acho que ficou inconsistente foi o narrador ser um Dyton e tratar as 3 vilas como "nós". Geralmente guerras tribais colocam os rivais em lados opostos, seria o "nós" contra "eles", o "bem" contra o "mal".

    Pareceu um resumo de uma história que deveria ser mais longa para se desenvolver melhor.

    A vingança evocada ganharia força se fosse subentendida também na narrativa, e não apenas uma afirmativa no final.

    O ponto positivo é que deixou um universo pronto para ser mais elaborado.

    Só uma observação: anarquia é a opção pelo autogoverno dos indivíduos. Você descreveu sociedades tribais, com chefes, não tem nada de anarquismo aí.


    Capítulo Um - Thomazml:

    Uma coisa que gostei neste capítulo é que ele agregou detalhes, como citações de livros, que dão a impressão no leitor de estar vendo uma pequena parcela de algo maior, no estilo da Terra Média de Tolkien.

    Uma guerra também abre espaço para infinitas histórias. Um autor pode passar capítulos (ou temporadas) inteiros descrevendo os pequenos heroísmos e dramas com um pano de fundo dramático garantido.

    George Lucas está fazendo isso atualmente com a sequência animada da Guerra dos Clones.

    Páris, Príamo, Hector, Helena??? Estes devem ser os que tinham nomes estranhos em Dyon.

    Uma coisa que reparei é que a morte mudou de sexo entre a profecia do livro negro de Aladfar e a aparição para a mãe do heroi (ele será o heroi, imagino).


    Capítulo II - Manteiga:

    Este capítulo tratou de apresentar as forças do mal e o terrível desafio que representam para o heroi. Com sucesso.

    Vilões sempre têm mais sutilezas a serem exploradas, como "fazer o mal querendo o bem", e o fiel amigo reptiliano também garantiu um interlocutor interessante.

    Fechar este capítulo da mesma maneira do anterior, com a lua vermelha surgindo no céu, foi uma boa forma de dar unidade às partes.

    Pra falar a verdade, até agora parece mais a fase de apresentação dos personagens do que a descrição do motivo principal da narrativa.

    Alguém terá coragem de abandonar as preliminares e ir direto ao cerne da história?

  7. #7
    Avatar de Meltoh
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    Não vou me aprofundar nos comentários por ora, deixarei que o próximo autor escreva o capítulo 5, aí eu escrevei sobre o 2, o 3 e o 5.

    Agora, ao capítulo:



    Capítulo 4 - Celebração



    Quando Hitreak anunciou que celebraria o casamento de sua filha, todo o reino de Zamoht entrou em festa. Aqui e ali, as pessoas faziam suas comemorações pessoais, como se a princesa, Lya, fizesse parte de suas próprias famílias.

    De fato, Lya, era muito querida pelo povo. Ao contrário do pai, era gentil e cativante. Dotada de uma beleza sem igual naquelas terras, inspirava os sonhos dos jovens da cidade.

    Os preparativos para a festa duraram por semanas. Os homens de Izur no norte, corriam boatos, haviam abatido três grandes Javanors, javalis do tamanho de elefantes, para presentear o rei com sua suculenta carne.

    Vinho da melhor qualidade, também havia sido providenciado e os melhores confeiteiros vieram prestigiar a festa. O rei queria do bom e do melhor. E quando ele ordenava isso, não havia quem desobedecesse

    Um grande espaço havia sido montado no centro da cidade, onde, naquela noite aconteceria a cerimônia. Havia camarotes elevados, de onde a realeza assistiria uma peça de teatro que daria início à festa. O palco, feito de mármore, estava enfeitado com cortinas, púrpuras, de seda. Muitos homens ainda estavam trabalhando, debaixo do sol forte, preparando os últimos retoques.

    Colb Carison era um deles. Ou melhor, Norlyar Dyton.

    Não fazia nem três semanas que havia escapado da prisão de Zamoht. Quando uma mulher de rosto angelical havia o tirado dali. Longos cabelos loiros, e uma face sorridente. Parecia um sonho. Uma miragem. Uma utopia em meio há tanta desolação.

    Norlyar balançou a cabeça e voltou a se concentrar no seu trabalho. Estava terminando de amarrar algumas cordas que seriam usados para efeitos de apresentação mais tarde. Após alguns segundos, não pôde deixar de ouvir uma conversa, entre outros dois trabalhadores, que estava lhe chamando a atenção.

    - É curioso... Nós trabalhamos, trabalhamos, e no final das contas, e quase sempre não podemos ver o fruto de nosso trabalho. Acabam nos privando de assistir os acontecimentos - disse o primeiro.

    - Sim. Mas dessa vez o rei foi generoso. Ele convidou à todos que podia. Temos assentos para meia-cidade. Sortudos serão os que conseguirem chegar primeiro. Está para ter uma festa tão luxuosa, e dessa vez, amigo, poderemos conferí-la! - disse o segundo, esfregando as mãos de ansiedade - Será uma festa inesquecível!

    "Com certeza..." pensou Norlyar.

    -------------------------

    A noite caiu, rápida como a estocada de uma espada. O luar banhava toda a cidade com uma luz prateada, que era refletida em enormes espelhos localizados no palco de mármore.

    O ambiente estava apinhado de pessoas. Várias vozes se misturavam ao som de alguns bardos que afinavam seus violinos. Alguns membros da realeza já haviam se acomodado nos camarotes, e tudo parecia estar pronto para as festividades.

    Norlyar estava misturado à multidão na parte baixa do lugar. Olhava à todo instante em direção aos camarotes. Estava procurando algúem em especial.

    Ele estava vestido com uma capa que cobria-lhe parte do rosto, deixando à mostra somente os olhos. Era uma roupa comum naquele inverno frio, onde quase todas as noites, a temperatura caía tanto que a água, acumulada na calha de algumas casas, acabava congelando.

    Subitamente, o som de vários tambores ressoou pelo ar, silenciando todas as pessoas. Norlyar voltou a cabeça imediatamente para os camarotes. O rei Hitreak, vestido em um longo manto vermelho, vinha acompanhado de uma dezena de outros cavalheiros muito bem vestidos. Pareciam todos contentes, menos o proprio rei, que exibia uma fisionomia bem séria.

    O momento pelo qual Norlyar havia esperado todos esses anos finalmente estava próximo de acontecer. Ele fez menção de se movimentar, mas parou de súbito. Seus olhos, ainda em direção ao camarote, agora estavam arregalados.

    Atrás de Hitreak, a princesa Lya, vinha graciosamente desfilando charme e beleza. A cauda de seu longo vestido azul, adornado de cristais, estava sendo carregada por duas damas de honra que vinham atrás com um ar bem orgulhoso. Seu longo cabelo loiro, estava agora disposto sobre os ombros dando um efeito de serenidade.

    Mas Norlyar não reconheceu Lya como princesa, mas sim como sua salvadora.
    Leia minha roleplay :Terras Distantes



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