Desculpem a demora. Ontem eu ia postar, mas estava de ressaca. Espero que gostem e também aguardo mais comentários e críticas bem feitas. Boa leitura!

Capítulo 2 – A invasão


A rotineira alegria e boas conversas de Rookgaard foram interrompidas. Os sons de pássaros, do vento e das folhas das árvores balançando, das risadas de crianças estavam sendo substituídos. Agora se ouvia pessoas correndo desesperadas, caixas caindo e quebrando no chão, canhões, explosões.

Bleda estava sem reações. Com o corpo estático, não sabia o que fazer. Corria para sua casa? Escondia-se? Procurava alguma ajuda? Tentava lutar? Eram perguntas que fazia a si mesmo e não sabia qual escolher. Exceto pela última, tendo em vista que nunca pegara uma arma em suas mãos e não possuía noção nenhuma de combate. Logo esquecera da idéia.

Os conflitos na mente de Bleda foram a causa de um destino que não havia escolhido. Após voltar em si, percebera pela primeira vez gritos que há tempos estavam ecoando. E todos com a mesma frase.

- Piratas! – um senhor que passou correndo atrás de Bleda berrou, com uma voz rouca e cansada.

Na dúvida do que fazer, o menino acabou não fazendo coisa alguma. Em meio aos gritos e da multidão desesperada, tudo ficou preto na visão do garoto. Acertaram-lhe uma martelada na cabeça e Bleda desmaiou.

Da visão negra em que estava anteriormente, com total falta de consciência, algumas coisas foram se clareando para o menino. Embora com a vista embaçada, enxergava não muito longe dali uma casa em chamas. Na janela, o vulto de duas pessoas. Bleda não conseguia identifica-los, mas ambos pareciam estar gritando, sufocados. Pensou ser sua mãe e seu pai, presos em seu lar que agora estava ardendo no fogo. Queria se levantar, mas não conseguia. Mais uma vez tudo se escureceu.

Ao seu redor janelas largas e paredes cinzentas. Uma sala bem iluminada e fresca. O teto possuía telhas vermelhas, reforçadas por madeiras.
- Onde estou? – Bleda se perguntou.
- Olá, meu jovem. – disse uma voz feminina, muito dócil e fina, vinda de bem perto – Você está melhor? Sua cabeça deve estar doendo muito.
- Está doendo, mas não é nada de mais. Quem é você?
- Sou Lyria, a curandeira de Rookgaard.
- O que aconteceu comigo?
- O rapaz que o trouxe para mim te encontrou no chão. Parecia ter levado uma pancada na cabeça.
Logo Bleda lembrou da visão embaçada que tinha tido quando estava no chão. Em tom de medo e ansiedade, perguntou:
- As pessoas da cidade estão bem?! E minha família?!
- Eu não sei como estão as pessoas lá fora. Não saio daqui desde o começo da invasão. Mas parece que aqueles piratas fizeram um belo estrago em nossa vila.
Antes que Bleda pudesse perguntar qualquer outra coisa, surge uma voz no fundo do estabelecimento:
- Lyria!
Olhando em direção à voz, a curandeira faz um gesto e se volta para o garoto:
- Descanse rapaz. Tenho que voltar ao trabalho. Há muitos feridos por aqui.
E deixou Bleda a sós.

Pensando em como estaria sua família, o jovem pescador refletia olhando para aquele teto avermelhado. Logo caiu novamente no sono.

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Valeu! :o