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Tópico: GRIM

  1. #21
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    Valeu pelo comentário e pelo elogio, Manteiga.

    Gente, segunda passada eu tava mal pacas... Terça e quarta tive que até faltar a aula, 39.5° de febre, puta dor de garganta, etc. Fiquei um tempão sem nem abrir o Word, e por isso não espero terminar o capítulo muito cedo, não. Como já falaram pelo fórum, postar sem terminar as histórias faz com que tu te apresse para não decepcionar os leitores e a qualidade cai... Vou decepcionar vocês mesmo =P
    Uma semana pra mais até o capítulo sair, se eu estiver com inspiração.

    Como o Stephen King diz, existe o escritor popular e o escritor pessoal. O escritor popular escreve para as pessoas, e o pessoal escreve para ele próprio. Eu escrevo para mim mesmo. O que não muda nada do que eu disse até agora, só acrescenta alguns pontos a mais...

    Abraços e desculpem-me.

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  2. #22
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    CAPÍTULO 3:
    SUBMUNDO


    Um lúgubre tom arroxeado tomava conta do céu daquele lugar. Era um vasto campo de grama amarelada e sem vida, onde uma criatura asquerosa segurava um machado, ao lado de um objeto similar a uma guilhotina. Tinha o rosto inchado, a língua afobada pendendo da boca estraçalhada. Usava uma roupa que sugeria luto, apesar de os olhos azuis e o sorriso mostrarem sarcasmo profundo.

    Com as duas mãos, o ser colocou o machado sob a lâmina do instrumento. Deixou a esquerda segurando a arma e com a mão direita apanhou uma pequena manivela, que girou com velocidade surpreendente, fazendo o instrumento rodar, afiando sua arma.

    Após alguns instantes fazendo o trabalho manualmente, a criatura pareceu relaxar os músculos e deixou de lado os instrumentos que estava usando, e começou a observar um corte irregular surgir no céu, manchando de preto a coloração roxa. Dois dedos ossudos passaram pela pequena fissura e esgarçaram-na, revelando duas mangas espaçosas caindo e deixando a mão à vista. O resto do corpo estava coberto por vestes pretas e o rosto, por um capuz.

    - Tenho ordens diretas. - falou o ceifador, pousando com incrível facilidade no solo, a voz sibilante se arrastando de dentro dele - O Plano Superior quer que tu executes ainda hoje, Carrasco.

    - Hoje? - o carrasco pareceu achar aquilo muito divertido. - Não. Preciso de pelo menos um dia.

    - Tudo bem, posso pedir para outro. - falou. Estendeu as mãos em um gesto tentador, pegando um frasco da cintura. O frasco estava cheio de uma coisa branca, meio esfumaçada. A criatura respondeu com um rápido movimentar de língua em volta de seu beiço, escondido pelo inchaço da cara.

    - Eu preciso de pagamento adiantado.

    - É uma operação difícil. Você pode fracassar.

    - Eu sou o melhor, não sou? É por isso que me procuraram. Quem é? Um demônio? Sabe que meu machado tem tantos limites quanto sua foice.

    - Vox acha que é um dos servos dos Procurados. Ele se rebelou e conseguiu matar dois guardas e quase levou um ceifador.

    - Puta que pariu. Ele não é do Plano Inferior, é? - ao ceifador assentir, o ser soltou um grunhido. - Não, não posso. Eu não vou arriscar.

    - Mas e daí? A maioria dos executados é do Plano Inferior.

    - Mas aqueles lá não são perigosos! - o carrasco blefou.

    - Com pagamento adiantado?

    O carrasco, então, balançou a cabeça positivamente. A tampa foi aberta, e então a fumaça fantasmagórica deslizou até a criatura, que abriu a boca e soltou um inspiro rápido, sugando o material. A névoa, mais ou menos do tamanho e largura de uma criança, preencheu espaço na garganta do carrasco, enquanto ele fechava os lábios, com uma leve exclamação de prazer.

    ***

    A cabeleira preta cobrindo parcialmente o rosto, os olhos com profundas marcas envoltas (que pareciam assustadoramente com maquiagem), a pele marcada - como um surfista que passou tempo demais no sol -, os olhos ameaçadores, o corpo nu e forte. Duas pesadas correntes de metal pendiam de seus braços, presas nas mãos de um homem, que com a ajuda de outro companheiro, cuidavam do prisioneiro.

    Sob o olhar autoritário dos guardas, caminhou até sua cela. Estaria sorrindo, não fosse o terrível mal-estar que estava sofrendo. Era uma solitária. Foi jogado sem nenhum cuidado para o lugar que o aguardava, em uma rápida manobra em que as correntes foram retiradas.

    Bateu na parede, fazendo um corte no ombro; um pouco de sangue escorreu do machucado, mas nem ao menos percebeu. A porta foi fechada, extinguindo a luz que ainda vinha. Havia agora apenas a escuridão. Fechou os olhos e esperou.

    Sua visão estava falha, porém melhor do que na penumbra. Via tudo em um tom surreal, um verde-limão. Um cheiro muito forte vinha de um lugar que estava perto, mas parecia distante, impossível de ser alcançado. Ele repudiava o cheiro, porém um fio de baba escorreu dos seus lábios, tanta sua fome. Seu estômago parecia estar remexendo, quase dançando ao som de um barulho irritante, que vinha de sua própria boca; o corpo estava pesado demais para se levantar. Uma dor irritante, pontiaguda, não o perdoava, pinicando constantemente em suas paletas.

    Percebeu que seu corpo havia se arrastado para a porta, que obviamente estava trancada. Uma das paletas emitiu um som de rasgo, e então o homem gritou desesperadamente, com todas suas forças, quando ambos os ossos pareceram se deformar e crescer para fora do corpo. O sangue quente escorreu por suas costas, enquanto ele se debatia, gritava, esperneava, soltando guinchos de terror. Seus ombros ardiam, mas ele não podia se virar e olhar para ver o que tinha acontecido. Exigia força demais, coisa que ele não podia abusar no momento. Absurdamente, sua respiração estava leve, mostrando que apesar do corpo mutilado, ainda estava bem.

    Uma nítida e assustadora palavra ecoou pela sua mente: echo. Lembrou-se do antigo cântico de ninar que seu pai o contara uma vez, em um tempo longínquo:

    Voe, pequeno sanguinário, voe pelo céu, voe como se tivesse que ecoar, como que tudo fosse acabar, voe, voe demônio!
    Pelas terras distantes, o eco irá se espalhar. Voe, demônio, pois o tempo há de se acabar!


    Na época ele não poderia entender, mas mesmo hoje, sabendo seu terrível destino, aquelas frases pareciam velhas besteiras. Seu pai havia tentado o prevenir, tentara até criar um portal para Terra. Mas os malditos ceifadores o impediram de lhe salvar. Disseram que o que tinha que acontecer iria acontecer.

    O homem começou a chorar, pois sabia que, sim, o tempo se acabaria. E sabendo isso, não havia como não ficar triste. Porém, com lágrimas escorrendo, ele sorria. Sua pele começara a sangrar, dando a sensação de incômodas agulhadas perfurando cada centímetro do seu corpo. Sua mão começou a formigar e as unhas tiveram um início de crescimento. O processo seria longo e doloroso.


    ---
    Por favor, não tirem conclusões precipitadas sobre os Planos. O próximo capítulo será bem diferente da temática que eu já abordei - se eu conseguir fazer o que pretendo.
    Espero que gostem. Abraços.
    Última edição por Scholles; 14-09-2008 às 01:00.

  3. #23
    Avatar de Manteiga
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    A primeira parte foi bem legal. Bem descrita, deu pra imaginar um campo no meio do nada com o céu roxo... Seria mais ou menos assim? O ceifador saindo da fenda foi realmente bem clichê com os ceifadores que a gente vê da TV, mas não dá pra evitar usar portais e fissuras como transporte. É bem tentador XD Afinal, o que tinha no frasco? Maconha em vapor? XD Todo caso, esta parte me deixou curioso.

    A segunda eu não entendi quase nada ;-;' Espero que seja melhor explicada futuramente, porque sério, não processei nada que se deu lá na solitária. Fora que o cara tava.. Sei lá virando um negócio o0

    Lamentando a demora e esperando o próximo.
    Manteiga.
    Dezesseis anos depois, estamos em paz.

  4. #24
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    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    A primeira parte foi bem legal. Bem descrita, deu pra imaginar um campo no meio do nada com o céu roxo... Seria mais ou menos assim? O ceifador saindo da fenda foi realmente bem clichê com os ceifadores que a gente vê da TV, mas não dá pra evitar usar portais e fissuras como transporte. É bem tentador XD Afinal, o que tinha no frasco? Maconha em vapor? XD Todo caso, esta parte me deixou curioso.
    Whoopie! Resultado alcançado o/!
    A segunda eu não entendi quase nada ;-;' Espero que seja melhor explicada futuramente, porque sério, não processei nada que se deu lá na solitária. Fora que o cara tava.. Sei lá virando um negócio o0
    Foi mais ou menos o que eu quis passar, porém não achei que ficou tão confuso... Mas a tua conclusão está certa :riso:
    Lamentando a demora e esperando o próximo.
    Manteiga.
    Agradeço pelo comentário.


    Eu mudei o prólogo para capítulo 1. Não tive um motivo muito forte e não foi pela discussão que fizeram aqui. É mais por uma questão de que... Well, descobrirão no próximo capítulo!

  5. #25
    Banido Avatar de Hovelst
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    Bem, cara...

    Eu não te prometo acompanhar a história mais, pois na situação em que a seção está, acabei me desanimando, como alguns outros. A seção está no verdadeiro fundo do poço, e acho que ela nunca passou por um momento tão critico assim. Eu duvido que ela volte a se reerguer - sem querer matar as esperanças de alguns.
    É um beco sem saída que não tem mais volta, e é até por isso que parei de freqüentá-la.

    Ainda visito-a esporadicamente. E nessas visitas, eu aparecerei por aqui. É até por isso que vou te passar meu MSN por MP. Apesar de não entrar muito freqüentemente nele, deixo a seu cargo para você mandar mensagens offlines, quando postar o próximo capítulo, se é que vai fazê-lo...

    Carambola. Falei mais ali do que vou falar sobre o capítulo.

    A história surgiu do clichê que parecia existir. Surgiu uma trama intrigante e que me deixou bem curioso quanto ao fato desses planos, e de como funciona isso. Ao que parece existem vários ceifadores e eles devem executar algum papel nesse lugar.
    O capítulo está muito bom e mudo novamente minha opinião. A melhor coisa que já apresentou até agora. Só faltou talvez, trabalhar mais no conflito pessoal da segunda parte, de seja lá o que fosse aquilo.

    Creio que seja isso.
    Hovelst




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    Última edição por Hovelst; 19-09-2008 às 17:42.

  6. #26
    Avatar de Drasty
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    Tardo, mas não falho.

    No capítulo dois, tive a mesma sensação de muitos, a existencia de clichê. Isso porque você deu indícios de se tratar de uma história de zumbis (O que na hora me lembrou Resident Evil ou O Extermínio), entretanto gostei da idéia. Se bem trabalhada pode render uma boa trama.

    Peço que tome cuidado com as personagens e que trabalhe mais o psicológico. Você passa muito rápida pelas impressões que as pessoas sentem ao ver/ouvir/sentir coisas.

    O capítulo três me lembrou vagamente Death Note e o mundo dos Shinigamis (Que são nada mais nada menos que Os Deuses da Morte ou Ceifadores). Gostei como você trabalhou a cena, ficou bem curiosa e deixou várias perguntas no ar. A cena do homem também foi bem descrita e a confusão passada acho que deve ter sido proposital.

    A única coisa que não gostei foi a perda daquela dose sarcástica que aparecia no primeiro capítulo. Acho que se você tivesse trabalhado em cima disso teria uma história ainda mais encorpada.

    Abraços, continue!

  7. #27
    Avatar de Morozesk
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    Citação Postado originalmente por Drasty Ver Post
    [O capítulo três me lembrou vagamente Death Note e o mundo dos Shinigamis (Que são nada mais nada menos que Os Deuses da Morte ou Ceifadores). Gostei como você trabalhou a cena, ficou bem curiosa e deixou várias perguntas no ar. A cena do homem também foi bem descrita e a confusão passada acho que deve ter sido proposital.
    E põe perguntas no ar nisso.

    Está bem confuso, mas acho que é proposital...

    Não tenho muito a dizer, tudo que eu queria falar já foi dito.
    Apenas continue.

  8. #28
    Avatar de Scholles
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    Citação Postado originalmente por Drasty Ver Post

    O capítulo três me lembrou vagamente Death Note e o mundo dos Shinigamis (Que são nada mais nada menos que Os Deuses da Morte ou Ceifadores). Gostei como você trabalhou a cena, ficou bem curiosa e deixou várias perguntas no ar. A cena do homem também foi bem descrita e a confusão passada acho que deve ter sido proposital.
    A confusão (aproveito pra responder para o Morozesk também) não foi totalmente proposital, porque ao menos grande parte do capítulo 3 é 'entendível', mas em partes eu queria deixar essa cena bem obscura.
    A única coisa que não gostei foi a perda daquela dose sarcástica que aparecia no primeiro capítulo. Acho que se você tivesse trabalhado em cima disso teria uma história ainda mais encorpada.
    As duas histórias apresentadas nos dois capítulos anteriores é mais séria, portanto reservei exclusivamente o sarcasmo para Kurt, que é bem mais leve que as duas anteriores.

    Muito obrigado pelos comentários.

  9. #29
    Avatar de Scholles
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    CAPÍTULO 4:
    HISTÓRIA, CONFUSÃO E CIRCO

    A propriedade dos Vertell era uma grande e espaçosa casa colonial. Naquele tempo, Kurt tinha dezessete anos, e sua mãe passava as tardes cosendo junto com a própria irmã. Seus dois irmãos mais velhos - um com dois anos a mais e outro com cinco - e ele faziam trabalhos pesados na plantação, carregando sacos de sementes, cavando e plantando. O marido da tia costureira arava e irrigava a fazenda, tendo ajuda de mais dois homens, antigos amigos que foram despedidos da fábrica têxtil em que trabalhavam e que foram convidados a morar junto com a família.

    Cinco outros homens que ali trabalhavam eram ex-mendigos. De boa-fé, a mãe de Kurt havia aceitado que eles viessem para lá, ganhando comida e moradia em troca de produzir. Apesar de desconfiados no início, os Vertell tiveram que admitir que dera certo. Outra mulher que ali morava era a cozinheira. Era uma ex-escrava negra, que apesar de liberta, não fora muito bem aceita nos EUA. A família a acolheu quando ela pediu emprego.

    Todos sempre acharam engraçado em que a casa ficava no Texas, mas a fazenda ficava em Louisiana, apesar de estarem, literalmente, grudadas. O clima seco e quente de lá era confortável, e por estarem na divisa dos dois estados, aproveitavam o melhor dos dois mundos. Há três anos seu pai morrera com os pulmões em frangalhos e totalmente bêbado (ironicamente, ele era especialista em problemas com o alcoolismo).

    Todo final de semana um caminhão de uma fábrica passava na fazenda Vertell e comprava quase todo o estoque. O dinheiro era administrado por um mexicano que havia cruzado a fronteira ilegalmente, que se mostrara muito competente para o assunto. Antigamente, a grande fazenda era muito rica. Porém, quando o caçula era apenas um bebê, pela tamanha boa-fé da família, fora feito um roubo que arrancara todo seu dinheiro. Os Vertell passaram por maus bocados até que a idéia dos mendigos surgira. Mesmo assim, nunca tinham um negócio estável.

    Todo esse tempo, Kurt estudou em uma escola pública no Texas. Logo após completar dezoito anos, entrou na universidade de Louisiana, por jogar em um time de futebol da escola, ganhando uma bolsa. Cursou Artes. Sua família arranjou um substituto para as tarefas do rapaz enquanto ele morava no centro, dividindo a casa com Kevin, um colega e amigo.

    O fazendeiro fazia desenhos. Um dia, Kevin viu um dos desenhos - uma caricatura de um político - e gostou. Como seu pai trabalhava em um jornal local, conseguiu arranjar um emprego para Kurt como cartunista. E ele se estabilizou nos quatro anos que se passaram, fazendo cartuns para revistas e jornais famosos, tirinhas, escrevendo matérias (acabou ganhando uma coluna própria em um jornal local), etc. Até que sua mãe foi diagnosticada como tendo um tumor no estômago... E daí coisas estranhas começaram a acontecer.

    ***
    Kurt estava abismado. Com o colarinho aberto, suava muito. Os olhos arregaçados, a respiração pesada; tinha à sua frente um ser que tirava a vida das pessoas. Ou melhor, como o próprio dissera, coletava almas. E ele também dissera que, como ele havia perdido o jogo, ficaria na Terra com o homem até que fosse realmente necessário partir.

    Vertell não sabia se realmente queria que o ceifador ficasse com ele (e nem pensava em como seria). Enojado, cuspiu um catarro para fora da janela do hospital. Soltou um suspiro.

    O coração do homem bateu mais forte quando viu a maçaneta se abrir (é a polícia que veio prender essa coisa?, chegou a pensar em um momento).

    A porta parecia se arrastar lentamente, dando uma ânsia terrível em Kurt(que neste momento estava em um estado de cagaço total). Um pé avançou...

    Era uma enfermeira.

    - Senhor, está tudo em ordem? Pensei ter escutado algum barulho aqui.

    Ah, sim. Tudo está em ordem, menos o fato de que tem uma porra de um esqueleto vestindo preto e com uma foice na mão do meu lado! (e também não se esqueça do horário, menina! Já são 5:30!)

    Então Vertell percebeu que ela não estava vendo aquela criatura. Ou não podia vê-la (e que provavelmente ela estava cumprindo sua função naquele horário da porra). Ela repetiu:

    - Senhor?

    - Ah, me desculpe, é que eu estou um pouco, hm... Abalado, sabe? Eu deixei cair a minha, ah... Maleta.

    Obviamente, a moça percebeu que isso não tinha acontecido. O rapaz tinha feito um péssimo trabalho com aquela mentira. Não havia maleta naquela sala, e isso qualquer um podia ver. Porém, a enfermeira ignorou. Sabia identificar uma mentira tanto quanto sabia quando uma pessoa estava mentindo por uma necessidade ou por outras intenções. Saiu silenciosamente pela porta, fechando-a (apenas mentirosos sabem identificar uma mentira, por sinal.).

    - Sabe, nos primeiros anos o trabalho até que é legal... Porém com o passar do tempo tu enjoas. Então os ceifadores fazem folgas, pertencendo á humanos. Geralmente isso acontece quando nós perdemos a aposta, como aconteceu contigo. Então, nós podemos bagunçar um pouco a Terra. - Boquiaberto, Vertell escutou as palavras da Morte, que interrompera o silêncio. - Opa. Tem algo que você gostaria de ver.

    Subitamente, a mão ossuda segurou o braço de Kurt enquanto descrevia um símbolo no ar, que ia sendo preenchido por um brilho ostro. O homem preferiu não reagir e deixou que, com a foice, a criatura fizesse um corte no ar, no centro do símbolo. O ceifador abriu o corte e entrou, junto com seu carona, para dentro dele. Kurt, ao entrar, sentia como se estivesse flutuando em um abismo sem fim (o que era verdade), e uma estranha culpa fazia com que ele se inquietasse. Estava tudo negro, porém a brancura dos ossos expostos ao seu lado era fácil de identificar. Escutou o corte apático e seco do instrumento mais uma vez. E então uma luz, fraca, porém suficiente, saiu do portal.

    O ceifador novamente segurou o braço do rapaz e o guiou até ele perceber que havia um chão sob seus pés, um céu acima dele. Era um parquezinho, com grama, fontes jorrando água e pássaros cantando. Porém um pequeníssimo detalhe passava despercebido por todas as crianças, adultos e cães do lugar: Uma imensa ruptura se abria aos poucos, como se ainda estivesse sendo escavada, ao lado de uma fonte em que um homem soltava água límpida pela boca.

    O mais estranho naquela singular cena era que mesmo com um buraco sendo feito no meio da praça, as pessoas simplesmente passavam andando pelo ar, como se não houvesse nada de errado com o chão. Várias perguntas (e várias outras que ele tinha preferido esperar para expor por causa do cansaço do dia) pipocavam em sua boca, prontas para serem entregues à Morte. Como se lendo sua mente, a resposta veio:

    - Apenas observe.

    E então Kurt se deu conta de mais uma coisa: O Sol já tinha nascido?
    Viu uma mulher com cabelos loiros crespos, estatura mediana alta, usando um vestido branco. Tinha os olhos cor de mel, o rosto delicado e bonito. Um sorriso ansioso, brincalhão, brotava do rosto dela. Os dentes bonitos, de uma brancura formidável. De alguma forma, ela parecia ser a única que olhava diretamente para o buraco.

    De repente, algo começou a sair do buraco. No início parecia apenas uma massa branca, mas foi se acomodando e formou algo parecido com um circo. E então, tomou uma forma mais exata; uma faixa Parque Circense apareceu.

    O ceifador colocou a mão na cabeça do homem. Kurt sentiu um sono inexplicável e fechou os olhos.



    ----

    Espero que tenham gostado. A primeira parte é mais explicativa, pra não deixar o passado de Kurt no mistério.
    Cya.
    Última edição por Scholles; 01-10-2008 às 15:44.

  10. #30
    Avatar de Kurama Youko Undead
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    Bem, gostei de ler, parece que subestimei um pouco a capacidade da história ao ler o primeiro capítulo. Entretanto, devo dizer que você lançou muitos capítulos desconexos, um atrás do outro. Além disso, alguns desses ficaram um tanto quanto confusos, como o final do quarto, eu não entendi o que se passou. Somando tudo, tens uma grande bola confusa no meio do texto.

    Outra coisa, os comentários entre parenteses parecem ser totalmente aleatórios. Pode ser um bom recurso para enriquecer o texto, mas tente torna-los mais focados e direcionados pra história.

    É isso, continue escrevendo!


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    Eu visito a seção de Roleplay para:
    -Eu não visito a seção de Roleplay.



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