Curtir Curtir:  0
Resultados 1 a 10 de 47

Tópico: GRIM

Visão do Encadeamento

Post Anterior Post Anterior   Próximo Post Próximo Post
  1. #22
    Avatar de Scholles
    Registro
    31-08-2007
    Localização
    Porto Alegre
    Posts
    499
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    CAPÍTULO 3:
    SUBMUNDO


    Um lúgubre tom arroxeado tomava conta do céu daquele lugar. Era um vasto campo de grama amarelada e sem vida, onde uma criatura asquerosa segurava um machado, ao lado de um objeto similar a uma guilhotina. Tinha o rosto inchado, a língua afobada pendendo da boca estraçalhada. Usava uma roupa que sugeria luto, apesar de os olhos azuis e o sorriso mostrarem sarcasmo profundo.

    Com as duas mãos, o ser colocou o machado sob a lâmina do instrumento. Deixou a esquerda segurando a arma e com a mão direita apanhou uma pequena manivela, que girou com velocidade surpreendente, fazendo o instrumento rodar, afiando sua arma.

    Após alguns instantes fazendo o trabalho manualmente, a criatura pareceu relaxar os músculos e deixou de lado os instrumentos que estava usando, e começou a observar um corte irregular surgir no céu, manchando de preto a coloração roxa. Dois dedos ossudos passaram pela pequena fissura e esgarçaram-na, revelando duas mangas espaçosas caindo e deixando a mão à vista. O resto do corpo estava coberto por vestes pretas e o rosto, por um capuz.

    - Tenho ordens diretas. - falou o ceifador, pousando com incrível facilidade no solo, a voz sibilante se arrastando de dentro dele - O Plano Superior quer que tu executes ainda hoje, Carrasco.

    - Hoje? - o carrasco pareceu achar aquilo muito divertido. - Não. Preciso de pelo menos um dia.

    - Tudo bem, posso pedir para outro. - falou. Estendeu as mãos em um gesto tentador, pegando um frasco da cintura. O frasco estava cheio de uma coisa branca, meio esfumaçada. A criatura respondeu com um rápido movimentar de língua em volta de seu beiço, escondido pelo inchaço da cara.

    - Eu preciso de pagamento adiantado.

    - É uma operação difícil. Você pode fracassar.

    - Eu sou o melhor, não sou? É por isso que me procuraram. Quem é? Um demônio? Sabe que meu machado tem tantos limites quanto sua foice.

    - Vox acha que é um dos servos dos Procurados. Ele se rebelou e conseguiu matar dois guardas e quase levou um ceifador.

    - Puta que pariu. Ele não é do Plano Inferior, é? - ao ceifador assentir, o ser soltou um grunhido. - Não, não posso. Eu não vou arriscar.

    - Mas e daí? A maioria dos executados é do Plano Inferior.

    - Mas aqueles lá não são perigosos! - o carrasco blefou.

    - Com pagamento adiantado?

    O carrasco, então, balançou a cabeça positivamente. A tampa foi aberta, e então a fumaça fantasmagórica deslizou até a criatura, que abriu a boca e soltou um inspiro rápido, sugando o material. A névoa, mais ou menos do tamanho e largura de uma criança, preencheu espaço na garganta do carrasco, enquanto ele fechava os lábios, com uma leve exclamação de prazer.

    ***

    A cabeleira preta cobrindo parcialmente o rosto, os olhos com profundas marcas envoltas (que pareciam assustadoramente com maquiagem), a pele marcada - como um surfista que passou tempo demais no sol -, os olhos ameaçadores, o corpo nu e forte. Duas pesadas correntes de metal pendiam de seus braços, presas nas mãos de um homem, que com a ajuda de outro companheiro, cuidavam do prisioneiro.

    Sob o olhar autoritário dos guardas, caminhou até sua cela. Estaria sorrindo, não fosse o terrível mal-estar que estava sofrendo. Era uma solitária. Foi jogado sem nenhum cuidado para o lugar que o aguardava, em uma rápida manobra em que as correntes foram retiradas.

    Bateu na parede, fazendo um corte no ombro; um pouco de sangue escorreu do machucado, mas nem ao menos percebeu. A porta foi fechada, extinguindo a luz que ainda vinha. Havia agora apenas a escuridão. Fechou os olhos e esperou.

    Sua visão estava falha, porém melhor do que na penumbra. Via tudo em um tom surreal, um verde-limão. Um cheiro muito forte vinha de um lugar que estava perto, mas parecia distante, impossível de ser alcançado. Ele repudiava o cheiro, porém um fio de baba escorreu dos seus lábios, tanta sua fome. Seu estômago parecia estar remexendo, quase dançando ao som de um barulho irritante, que vinha de sua própria boca; o corpo estava pesado demais para se levantar. Uma dor irritante, pontiaguda, não o perdoava, pinicando constantemente em suas paletas.

    Percebeu que seu corpo havia se arrastado para a porta, que obviamente estava trancada. Uma das paletas emitiu um som de rasgo, e então o homem gritou desesperadamente, com todas suas forças, quando ambos os ossos pareceram se deformar e crescer para fora do corpo. O sangue quente escorreu por suas costas, enquanto ele se debatia, gritava, esperneava, soltando guinchos de terror. Seus ombros ardiam, mas ele não podia se virar e olhar para ver o que tinha acontecido. Exigia força demais, coisa que ele não podia abusar no momento. Absurdamente, sua respiração estava leve, mostrando que apesar do corpo mutilado, ainda estava bem.

    Uma nítida e assustadora palavra ecoou pela sua mente: echo. Lembrou-se do antigo cântico de ninar que seu pai o contara uma vez, em um tempo longínquo:

    Voe, pequeno sanguinário, voe pelo céu, voe como se tivesse que ecoar, como que tudo fosse acabar, voe, voe demônio!
    Pelas terras distantes, o eco irá se espalhar. Voe, demônio, pois o tempo há de se acabar!


    Na época ele não poderia entender, mas mesmo hoje, sabendo seu terrível destino, aquelas frases pareciam velhas besteiras. Seu pai havia tentado o prevenir, tentara até criar um portal para Terra. Mas os malditos ceifadores o impediram de lhe salvar. Disseram que o que tinha que acontecer iria acontecer.

    O homem começou a chorar, pois sabia que, sim, o tempo se acabaria. E sabendo isso, não havia como não ficar triste. Porém, com lágrimas escorrendo, ele sorria. Sua pele começara a sangrar, dando a sensação de incômodas agulhadas perfurando cada centímetro do seu corpo. Sua mão começou a formigar e as unhas tiveram um início de crescimento. O processo seria longo e doloroso.


    ---
    Por favor, não tirem conclusões precipitadas sobre os Planos. O próximo capítulo será bem diferente da temática que eu já abordei - se eu conseguir fazer o que pretendo.
    Espero que gostem. Abraços.
    Última edição por Scholles; 14-09-2008 às 01:00.



Tópicos Similares

  1. Respostas: 130
    Último Post: 03-08-2008, 17:20
  2. Grim Reaper - Desenvolvimento
    Por Trans~ no fórum Tibia
    Respostas: 10
    Último Post: 22-07-2008, 20:10
  3. Royal Morfar Hunt Grim Reaper
    Por WedNesDay no fórum Tibia Videos
    Respostas: 5
    Último Post: 19-07-2008, 12:56
  4. Hunt Grim Reaper ~ 3 pessoas =x
    Por ..:: AthondoRRrr ::.. no fórum Tibia Videos
    Respostas: 2
    Último Post: 19-07-2008, 03:32
  5. Fandr, Artror - RP 226, EK 218 - Hunt Grim Reaper
    Por Fandrr no fórum Tibia Videos
    Respostas: 23
    Último Post: 05-07-2008, 18:28

Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •