O Renascer - História (Novidades...)
Boa tarde amigos do TibiaBr,
Há muito tempo venho acompanhando o forúm e também as histórias criadas pelos nossos companheiros, pois bem, decidi criar coragem e começar uma história que se passou pela minha cabeça há um tempo atrás... O Renascer. Utilizando-me de personagens reais e também alguns fictícios, algumas lendas e também NPC's. Lanço agora o Prólogo da história, e conforme as críticas e conselhos, espero construir uma história que realmente gostem e que possamos ressuscitar um pouco do Roleplaying esquecido pela maioria dos players em busca da Fama (e de uma entrevista no TibiaBr).
Prologo
Capítulo 1 - Escamas de Dragão
Capítulo 2 - O Exilado
Capítulo 3 - A Família Martinez
Capítulo 4 - Zoia significa Vida
Capítulo 5 - Em Breve
O Renascer
~~Prólogo~~
Eram tempos de paz na cidade mais antiga do continente, Thais vivia seus tempos de ouro, as pessoas voltaram a caminhar pelas ruas principais de noite e de dia, sem qualquer preocupação, gastando dinheiro na Main Street e saindo para os campos para brincar com os coelho e caçar borboletas, finalmente a cidade respirava paz, após tantos anos assombrados pelo temido Ferumbras. Demônio de aspecto mortal, pele vermelha, rígida e escamada; com seus poderes sobrenaturais esse monstro encheu o coração dos habitantes com medo. Ouviam-se histórias que o demônio estava vingando a morte de sua filha que fora assassinada, e ainda, que os Deuses o haviam enviado a Terra para punir os mortais.
Noodles, talvez o mais antigo morador da cidade, é a prova viva dos poderes de Ferumbras. Segundo a história, ele se encontrava andando pela Royal Avenue, quando viu um pequeno gato bebendo água em cima da fonte do rei Tibianus III. Noodles, como um verdadeiro protetor de todo reino, achou aquilo inadequado, mas quando se deteve em frente ao gato para espantá-lo percebeu algo diferente em seus olhos, pareciam vazios, sem vida. Mas, de repente, tornaram-se chamas vermelhas e alaranjadas. Noodles desembainhou a espada, porém não a tempo, o pequeno gato havia se transformado em uma forma humana, de capa longa preta, com um capuz que lhe cobria a face, e então, num grito que ecoou pela cidade juntamente de uma luz branca que explodiu, na Royal Avenue e alcançou até as proximidades do banco, transformou o guerreiro em um cachorro falante. O defensor do rei não se lembra de nada após o grito, as únicas palavras que o guerreiro lembra são “Utevo Humane Res Dog!”. Muriel e Marvik após aquele dia deixaram suas diferenças de lado, eram grandes magos e grandes mestres, mas nunca haviam visto nada parecido, os livros que sempre serviram de referência pareciam pequenos perto da magnitude de tal magia, e então começaram os experimentos para tentar descobrir tal feitiço e talvez uma maneira de desfazê-lo.
Domiinik estava treinando na Knights Guild, na Main Street, em frente a joalheria da Hanna, da loja de itens mágicos do louco Xodet e do vendedor de instrumentos musicais Quero, com seu mentor Gregor. Um verdadeiro Knight, com habilidades adquiridas com muitos anos de treinamento, mas já castigado pelos anos. Com as faces enrugadas, certa dificuldade em caminhar, ainda era forte e ágil, e tinha ensinamentos preciosos para aqueles dispostos a aprender. Dotado de uma personalidade única, o velho guerreiro era silencioso, apreciava boa música e jamais deixava de orar aos Deuses antes das refeições, e apesar de ser visto como uma pessoa calma e sábia, era uma verdadeira máquina em batalha. Ao longo dos anos, Gregor e Domiinik criaram uma amizade fraternal, haviam preparado juntos os mais fortes Knights para a famosa Armadilha de Ferumbras, e desde então criaram laços eternos de lealdade. Estavam bebendo rum após os treinos, quando ouviram os gritos que vinham ao longe, ainda inaudíveis.
Domiinik – O que está acontecendo, Gregor?
Gregor – Ah meu caro amigo, estás perguntando para o homem errado, os anos tiraram boa parte da minha audição, mas parece que alguém... Está nascendo!
Domiinik – Nascendo? Oh, Gregor...
E então ouve-se a voz de uma jovem gritar “Dom! Dom! Seu filho está nascendo, Dom!”
Gregor – Seu filho, Dom! Corra seu bastardo, corra!
Domiinik derruba a cadeira, apanha a espada em cima da mesa e começa a correr em direção a porta, mas se detem e pergunta ao amigo:
– Gregor, meu velho, você não vem?
O amigo, levantando a taça e a levando a boca diz, calmamente, como um verdadeiro sábio:
- Queria ter as pernas velozes, os braços fortes, dois pulmões cheios de vida como você meu jovem, mas infelizmente não posso acompanhá-lo agora, porém prometo que vou lhe visitar ao anoitecer, afinal és meu irmão e preciso me certificar que meu sobrinho não puxe a você...
O velho amigo sorri e Domiinik retribui, concordando com a cabeça, entendendo que a condição de Gregor o impede de correr até o Sul da cidade, e então abandona o aposento e começa a correr...
Capítulo 1 - Escamas de Dragão
Capítulo 1 - Escamas de Dragão
Dom começa a correr em direção ao sul da cidade, nunca na vida havia sentido tamanha dose de adrenalina percorrendo-lhe as veias. Após tantos anos enfrentando as mais diversas criaturas fortes e macabras que, geralmente, preencheriam de medo qualquer outro ser humano, não atingia esse Knight de nervos de aço. Pulou as cercas do velho MacDonald na Farme Lane e quase atropelou algumas galinhas, mas alguns ovos não escaparam das botas de aço!
- Domiinik! Pelo amor dos Deuses! CUIDADO ONDE PISA! Parece que vai tirar alguém da forca... – grita o fazendeiro, levantando os braços e abraçando as galinhas assustadas.
O guerreiro o ignora, mas não por maldade, está ansioso com a chegada do seu herdeiro a esse mundo e continua a passos largos. Ao virar a esquina da sua casa, ele esbarra em uma linda jovem e logo o cavalheiro que existe diz:
- Perdoe-me Senhorita, estava desatento...
- Não se preocupe... Qual seu nome? – responde e pergunta a belíssima mulher
- Domiinik, da casa dos Knights dos Gregory’s – responde, enquanto se ajoelha e espera a mão da donzela.
- Baronesa Alicia Martinez – responde estendendo a mão.
- Oh! Um imenso prazer... – diz o guerreiro, olhando-a fixamente. Completamente perdido em pensamentos.
- Perdoe-me senhor, mas não estavas com pressa – interrompeu a baronesa.
- Ah sim, devo continuar minha corrida – deu um sorriso sem jeito, fez um leve aceno com o elmo e partiu a passos largos. A donzela apenas esticou os lábios e seguiu.
Por um breve momento, Dom se sentiu culpado. Nunca havia visto uma mulher tão bela em toda sua vida. Olhos azuis como os mares que banhavam o continente, cabelos loiros como o deserto de Darashia. Lábios que pareciam desenhados, assim como um corpo belissimamente esculpido pelos Deuses. Nunca havia visto outra mulher, ainda mais bela que sua amada esposa, Zoia. Tentou afastar esse sentimento de culpa, e foi quando finalmente chegou a porta da frente. Ao abrir a porta, foi recebido por seu pai. Kronos era um Mago de poderes extraordinários, especificamente aqueles ligados ao fogo.
- Por onde você andava, diabos! – gritou Kronos
- Diferente de vocês que brincam com o fogo, nós, Knights, treinamos todos os dias – respondeu secamente o guerreiro.
- Insolente...
- Como meu velho pai – respondeu sorrindo – onde está meu filho?
- Temo que tenhamos que conversar... – tentou calmamente responder ao filho, mas foi interrompido
- Ele está bem? Ou ela... E Zoia? Oh pelo Deuses, não faça essa cara!
Domiinik estava agitado e quando foi correr escada a cima, foi paralisado.
- Oh não me venha com esses truques, deixe-me subir! – gritou tentando sem sucesso se mover
- Repito, temo que tenhamos que conversar. Vais se sentar ou não?
Sabia que ninguém podia contrariar Kronos, pois sabia que ele possuía poderes que poderiam desintegrar uma espada feita com o melhor aço. Então, entregou-se:
- Tudo bem, tudo bem! Agora, baixe o dedinho e fale as palavrinhas mágicas para que eu possa me sentar.
- Que seja vossa vontade, alteza. – respondeu sarcasticamente o mago
Mal terminou a fase, apontou o dedo para seu filho e disse palavras sem sentido. E o guerreiro sentou ao sofá.
- Não seja cruel comigo...
- Muita calma meu rapaz, não ouse levantar essa voz para mim ou se calará para sempre! Se não lhe dei motivos para me respeitar quando você era jovem, saiba que nunca é tarde para desentortá-lo!
- Perdão meu pai, é que apenas...
- Eu sei, eu sei... Desgraçado. Enfim – fez uma pequena pausa e disse – parabéns é um Herdeiro. Mas, ele é diferente dos outros.
- O que quer dizer? Ele não tem uma perna, os braços?
- Não, não. Meu filho, seu herdeiro possui uma característica peculiar. E por isso vou lhe contar uma história...
- Ah não! Isso não é hora para histórias! Quero ver Zoia e meu filho – interrompeu levantando-se
- Não me faça paralisá-lo de novo. Sente-se e ouça.
Domiinik controlou seu nervos, baixou os olhos que anteriormente encaravam o pai. Sentou-se de novo e fez um leve aceno, permitindo que Kronos começasse:
Séculos atrás houve um Alquimista que gozava dos Deuses. Detinha um conhecimento excepcional sobre os quatro elementos: Água, Terra, Fogo e Ar. Gerar grandes explosões, tempestades de areia e terra, entre outras coisas que desafiavam as crenças religiosas do nosso povo. Mas, esse mago buscava algo ainda maior: a quinta-essência ou o elemento perfeito. Para ele o cosmos era feito dessa matéria, formadora dos céus, estrelas e até mesmo do Sol. Durante boa parte de sua vida, esse magnífico alquimista gozou dos nossos Deuses tentando encontrá-lo através de diversos experimentos com os quatro elementos, porém, cansou-se das vãs tentativas. E então resolveu definitivamente desafiar os Deuses com uma idéia macabra: misturar humanos a criaturas e gerar super-humanos ou aberrações, como eu chamo. Segundo reza a lenda, os Minotauros são frutos dessa experiência. Assim como os Rotworms que infestam o subsolo de muitos reinos...
- Pai, perdoe-me, mas ainda não consigo entender a onde o senhor quer chegar, seja breve! – interrompe irritado Dominik, não agüentando mais em si, e não ouvindo mais nenhum choro de criança ou sua mulher.
- Pois bem, seu filho nasceu com Escamas de Dragão.
Capítulo 3 - A Família Martinez
Capítulo 3 – A Família Martinez
As tapeçarias elegantes nas imensas paredes do castelo não apenas decoravam o ambiente como também o aqueciam. O mármore era do mais elegante, branco e estava por toda parte. As colunas que sustentavam majestosa construção eram trabalho não apenas de um grande engenheiro, mas de um artista. Em cada coluna havia um pouco da história da família, esculpidas por um gênio. Localizado na Floresta a Sudoeste de Thais, era uma grande fortificação. Sua planta era quadrada com quatro torres, aliando a arte militar e a necessidade de defesa com a procura de conforto. Um verdadeiro palácio-castelo. Palco das maiores vitórias dessa família de grandes navegadores, e agora de sua ruína.
Alícia estava chegando ao salão principal quando ouviu seu irmão gritar:
- Pelos Deuses! Continuas gastando todo tostão que encontra mulher!
- Sou uma pessoa muito visada! Não posso ser vista nos bailes com os mesmos vestidos... Não posso! – exclamou Catarina Martinez, mãe do barão e da baronesa – Onde está a fortuna que seu pai deixou?
- Mamãe... – falou baixando a voz o barão – sabe que estamos em uma situação difícil, preciso que a senhora se controle.
- Não me respondeu onde está enfiando todo ouro que seu pai nos deixou, Salazar – retrucou a senhora
Quando o pai de Salazar morreu deixou uma fortuna em ouro puro, fruto das grandes expedições pelos mares mais turbulentos, onde encontrava embarcações naufragadas perto da costa ou de uma ilha desconhecida. Ainda, há quem diga que era um pirata da pior espécie. Que suas tripulações eram de estupradores, gatunos e todo homem foragido que quisesse se esconder em alto mar. Porém, eram imbatíveis com suas embarcações velozes e bem armadas. Os Martinez eram respeitados e temidos pelos sete mares.
Salazar ao contrário do pai resolverá se instruir e não ser apenas um marinheiro como ele costumava dizer. Durante toda sua infância havia estudado em casa com padres e cientistas de todos os lugares do mundo, entretanto os odiava. Dizia que o olhavam com superioridade. O único que o cativou foi Norberto “O Louco” como era conhecido, fora ele quem despertara seu interesse em busca de relíquias.
- Estou no meio de uma busca mamãe, em breve seremos mais ricos do que...
- NUNCA! – interrompeu Catarina – ouço isso há muitas luas meu filho, abandone esse sonho e concentre-se no que essa família faz melhor, navios!
Alícia tenta passar despercebida pelo grande salão, mas quando está no segundo degrau da grande escada de mármore é reconhecida:
- Alícia! Minha querida irmã, não nos viu por aqui? – pergunta Salazar com ironia
- Salazar, não apenas os vi como ouvi seus devaneios – responde secamente
- Oh, minha adorável irmã... Não sabes o que dizes, não sabes.
- Salazar, conheço nossa situação! Conversei com nosso conselheiro e ele disse que o melhor a fazermos é pararmos com essa busca interminável que não nos rende um tostão! – esbraveja a baronesa
- Alberto? É um tolo, sem visão...
- Tolo? – interrompe a jovem - Quando não tivermos mais o que colocar em cima da mesa, tivermos que vender nossas embarcações, só os Deuses sabem o futuro dessa família...
- Não percamos nossas esperanças minhas rainhas – disse o barão no seu tom mais cínico, procurando confortá-las e acabar com toda aquela discussão – precisamos ficar juntos, sabem o quanto as amam e não deixarei que falte nada a vocês.
Quando eles se abraçam mutuamente, entra um marinheiro malcheiroso e completamente sujo. Com as botas encharcadas e sem camisa, dizendo:
- Senhor... – começa o homem
- Ah pelos Deuses Salazar! Meu tapete, meu tapete! – exclama Catarina
- Se acalme! Prossiga imundo – ditou o barão
- Notícias do Louco, perdão senhor, do historiador Norberto – se encaminha para entregar ao nobre o pergaminho – pediu para que fosse entregue em mãos imediatamente e que eu o defendesse com unhas e dentes.
O pergaminho tinha uma pequena mancha de sangue em cada ponta, um código criado por eles quando o assunto fosse ultrassecreto.
Capítulo 4 - Zoia significa Vida
Capítulo 4 - Zoia Significa Vida
Dom ficara paralisado ao ouvir “Seu filho nasceu com Escamas de Dragão”. Sentado, imóvel, mergulhado em pensamentos não viu a parteira descer. A senhora Ailina era famosa em todo continente, havia feito milhares de partos ao longo dos seus cento e dois anos de idade e continuava forte e lúcida. Demonstrava um ar preocupado e fez com que o guerreiro despertasse dos seus devaneios:
- Domiinik, meu querido amigo, preciso de sua atenção – disse calmamente a senhora
- Ailina, já soube sobre meu filho...
- Não é sobre ele – interrompeu a parteira – é sobre Zoia.
- O que tem Zoia?
- Ela ainda não despertou...
- Como assim ela não despertou? – perguntou exaltado o guerreiro e levantando-se do pequeno sofá
- Sente-se Domiinik, ambos sabemos que seu pai não deixará você sair daqui sem a minha permissão – olhou para Kronos que sorria com a menção do seu poder – não é mesmo?
- É claro Ailina, o que a senhora desejar – disse o mago encarando Dom
- Certo, mas estou cansado desse joguinho. Quero vê-la, quero ver meu filho...
- Está bem, imagino sua ansiedade e acho que deve vê-los... Vou deixá-los a sós e em breve subirei – sabiamente disse a velha
Dom pulou o sofá como um gato e subiu três degraus de cada vez. As botas de aço e o peso do guerreiro fizeram a escada de madeira tremer. Chegou ao andar superior em questão de segundos, e logo encarava a porta do seu quarto. Parado, hesitando por um momento, respirou fundo e entrou. Zoia estava deitada na grande cama, com os braços ao lado do corpo, mais branca do que o normal e completamente imóvel. Ele sentou ao seu lado e pegou a mão da sua esposa, e se não fosse pelo seu calor podia dizer que estava morta. Beijou levemente sua testa e sussurrou:
- Que os Deuses não a tirem de mim, minha Zoia.
Zoia e Domiinik haviam se conhecido num baile em Venore, oferecido pelo pai dela, Sir Alexvich II, em homenagem as vitórias do Capitão Fearless contra os piratas. Alexvich II era um diplomata do grande escalão, fazia parte dos círculos mais nobres e influentes do continente. Caminhava com dificuldade por causa de uma facada que tomara na perna direita, por isso não largava sua bengala incrustada de diamantes. E fora ele quem apresentara sua filha ao nobre guerreiro que ajudara Fearless a planejar o ataque contra a pirataria.
- Domiinik, Domiinik! – disse com alegria ao cumprimentá-lo – Como está meu caro amigo?
- Sir Alexvich! – retribuiu a alegria ao cumprimentá-lo – Estou muitíssimo bem e o senhor?
- Não poderia estar melhor, meu caro. A paz que reina sobre nosso continente me alegra imensamente. E agora além mar também. Ah! Os Deuses nos deram uma trégua, não acha? – perguntou Alexvich e parecia querer compartilhar certa dúvida
- Espero que sim, senhor. Mas, como o senhor bem sabe, meus fantasmas ainda me assombram a noite – respondeu com um olhar perdido.
- Entendo... – ficou em silêncio por um breve momento e continuou – Todavia, hoje é dia de comemoração e quero que conheça uma pessoa.
Domiinik queria estar surpreso com o fato de Alexvich querer apresentá-lo para mais algum figurão, mas não estava porque sabia como ele funcionava. Porém, dessa vez, foi pego desprevenido.
- Domiinik, quero que conheça minha filha, Zoia – disse o nobre com certa ansiedade em saber como esse encontro seria.
Zoia vestia-se como uma verdadeira dama. Um vestido longo vermelho, com detalhes complexos, mas o tecido aparentava leveza. A elegância das vestes ficava ainda mais evidente com a presença de um belíssimo colar feito pelas melhores mãos da cidade de Kazordoon, e com as mais belas pedras preciosas na cor do vestido. Entretanto, o que mais chamou atenção do nosso guerreiro eram os olhos da bela dama: cinzas. Estava petrificado quando ouviu:
- Zoia, este é um grande amigo de seu pai – prosseguiu – Domiinik, este é o meu maior tesouro, minha única filha.
- É um imenso prazer conhecê-lo Domiinik – disse a jovem com certa timidez enquanto esticava a mão
- O prazer é todo meu, acredite. E por favor, chame-me de Dom – respondeu
beijando aquela mão macia.
***
Um choro perto da janela fez com que o guerreiro retornasse daquela lembrança que parecia tão recente. Levantou-se da cama, colocando a mão de sua esposa lentamente ao lado do corpo, e dando-lhe mais um beijo na testa. Caminhou calmamente, sem tirar os olhos do berço iluminado pelos raios de sol que entravam pela janela da frente. Queria estar preparado para o que seus olhos estavam prestes a testemunhar, mas não conseguia pensar nisso. Desejava apenas ter seu herdeiro nos braços. Ao chegar na beira do berço, parou e observou. E simplesmente sorriu. Era uma criança perfeita como todas as outras, exceto por ter uma pele escamada como a de um dragão. Não sabia ainda o que aquilo significava, mas tinha certeza de que conseguiria conviver com aquilo e faria de tudo para que seu filho também. Sabia que não era uma aberração, e acreditava que era uma benção dos donos do céu, da terra e dos mares. Quando tirou do berço e o aninhou em seus braços ouviu:
- Ele tem os olhos de Zoia, não é mesmo? – disse Ailina com um sorriso, apoiando-se no seu velho cajado – Domiinik...
- É uma benção, não é? – interrompeu – Diga-me a senhora o que significa essas escamas
- É uma benção, meu amigo. Os Deuses o mandaram por algum motivo que nos será revelado com o tempo – disse sabiamente Ailina – Ele precisará muito de você, e principalmente compreender sua diferença e aceitá-la. O ajudará, não é?
- Sem dúvida, Ailina. É meu filho, e só a senhora e os Deuses sabem o quanto eu e Zoia tentamos ter um – respondeu Dom com os olhos umedecidos – Farei o que for necessário.
- Sei que fará – sorriu Ailina e prosseguiu – Zoia aparenta estar bem, apesar de ainda não ter despertado. E talvez isso demore meu amigo. Será necessária muita paciência...
- Mas, não entendo... Ela está bem, não está? Por que ela não acordou ainda? O que faremos?
- Ela está bem, parece estar descansando. Foi um parto muito difícil Dom, e não nos resta nada a fazer, apenas rezar para que os Deuses a nos entreguem de novo. Mas, não se preocupe! – disse a parteira buscando acalmar o coração do guerreiro – Lembre-se: Zoia significa Vida, e ela estará em breve conosco.
Dom estava colocando calmamente seu filho no berço, quando percebeu a presença de Kronos na entrada da porta:
- Pai...
- Dom, precisa dar um nome para meu neto! – exclamou o velho mago – E percebi que ele não puxou a você, isso é ótimo!
E caíram em gargalhadas. Kronos se aproximou do filho e de seu neto, e olhando para aquele ser escamado com olhos grandes e cinzas disse:
- E então, como se chamará?
- Se chamará Draco.