Boa tarde!
Infelizmente, o participante @Nedless decidiu não enviar seu texto devido a alguns problemas relacionados ao fórum. Apesar disso, nós entendemos sua escolha de não participar. Por esse motivo, vocês poderão conferir abaixo somente um conto — escrito pelo @Edge Fencer, o ganhador dessa disputa — sobre a Fury Dungeon, o tema escolhido para o embate.
Mesmo que não haja votação, espero que vocês se disponham a discutir e analisar o texto apresentado. Boa leitura!
Spoiler: TextoA Fúria de Zathroth
A lua se exibia majestosa no alto de um céu sem estrelas, quando o jovem e talentoso Druida Cloud finalmente chegou ao seu destino. Uma brisa gélida e persistente era soprada através das copas das suntuosas árvores de Ab’Dendriel, criando um contraste perfeito com o ambiente no qual o rapaz estava prestes a adentrar. O Portão da Fúria, como era comumente conhecido o portal dimensional que Cloud deveria transpor para chegar ao seu destino, guardava a entrada para um dos lugares mais demoníacos e degenerados já conhecidos pela humanidade: a Masmorra da Fúria. Era naquele lugar infernalmente quente e perigoso que o mentor do rapaz, Falonzo, conduzia pesquisas sobre a origem daquela “anomalia”, como ele costumava chamar o local.
Tendo em vista que a Masmorra da Fúria não permanece sempre conectada ao Tibia — o portal aparece de forma aleatória, sem ter um local definido para se instalar —, cada minuto no qual a dimensão pode ser acessada é extremamente precioso, não só para os pesquisadores, mas também para aventureiros e guerreiros com sede de glórias e batalhas. Desde Lordes Dragões, e até mesmo feiticeiros corrompidos por Zathroth — Fúrias e Infernalists —, inúmeras criaturas demoníacas e que possuem afinidade com o fogo habitavam a fenda dimensional. E era lá que Falonzo esperava por seu jovem aprendiz.
Cloud fechou seus olhos e respirou fundo. Ainda não conseguia ficar calmo enquanto atravessava aquele portal, já que todo o calor e a perversidade presente no ar da masmorra afetavam bastante seu emocional. Ignorando todos seus instintos, que diziam para o rapaz ficar o mais longe possível do local, ele adentrou o portão e, quando abriu os olhos, já não estava mais na mesma dimensão.
Como de costume, a primeira impressão que se tem do lugar é sua temperatura altíssima; caso algum desavisado acabasse entrando lá por engano, não teria dúvidas de que se encontrava nas profundezas do enorme vulcão de Goroma, devido à quantidade colossal de lava que percorria todos os lados do piso rochoso da masmorra. Como se o magma já não bastasse, os paredões de terra que envolviam todo o local eram tão rubros quanto as labaredas de chamas que subiam constantemente da lava, aumentando ainda mais a sensação de calor e crueldade daquela dimensão.
Depois de alguns instantes contemplando o local — que, apesar de aterrorizante, também possuía uma beleza única e indescritível —, Cloud organizou seus pensamentos, e notou que algo estava errado ali: Falonzo não estava onde costumava esperar pelo rapaz. Naquele primeiro nível da masmorra não havia criaturas hostis, sendo, por isso, o lugar ideal para estabelecer a base para as pesquisas. E era lá que o mestre de Cloud costumava esperá-lo, sempre inquieto e andando de um lado para o outro, enquanto lia intermináveis relatórios e observações sobre suas descobertas sobre o local. Imediatamente após notar a ausência de Falonzo, uma onda de medo percorreu o corpo do Druida. Abaixo da única escada presente nessa sala já existiam dezenas de criaturas perigosas e impiedosas, e o velho feiticeiro já não estava mais no auge de sua forma física; ele não conseguia imaginar uma razão pela qual Falonzo tenha descido por conta própria. Ao se aproximar da escada, Cloud notou que a mochila do mago, na qual ele guardava seus suprimentos, estava jogada ao lado dos primeiros degraus da descida, e havia uma pequena folha de papel, aparentemente arrancada de algum livro, dobrada ao meio e cuidadosamente colocada na alça da mochila. O rapaz, já muito desconfiado de toda essa situação, abriu a folha de forma nervosa, notando que ela já estava amarelada pela ação do tempo. Com as mãos trêmulas, ele começou a ler as palavras escritas no papel:
A História de Brand, a Nômade
(E a sagacidade de Zathroth)
"Décadas atrás, quando a grande cidade de Thais ainda era apenas um modesto posto comercial, existiu uma notável feiticeira nas terras do continente. Dotada de uma inteligência acima da média e poderes mágicos invejáveis, a jovem — que era conhecida apenas como Brand — vivia de forma nômade, tendo já passado algum tempo em diversos lugares e cidades pelo mundo, onde ela, geralmente, era convidada por outros magos para participar de variadas pesquisas. Como forma de retribuição pela estadia e experiência adquirida, Brand auxiliava a população local de várias maneiras, normalmente afugentando pequenos bandos de ladrões das redondezas; porém, poucos sabiam do verdadeiro objetivo da feiticeira: destruir demônios..."
Sentindo mais medo a cada segundo, Cloud se agachou acima da escadaria que levava ao segundo nível da masmorra, a fim de conseguir enxergar — ou, no mínimo, ouvir — alguma coisa. Devido à angulação dos degraus, o Druida não conseguia ver muita coisa do piso logo abaixo, e o único barulho que se ouvia de lá era o mesmo que preenchia o primeiro nível: a lava fervente e borbulhante se movimentando entre as placas de pedra no chão. Mesmo não estando seguro das suas chances de sobrevivência, Cloud decidiu seguir em frente e explorar o próximo nível, afinal, seu estimado mestre e amigo poderia ainda estar vivo em algum lugar próximo dali. O garoto se agarrou ao pensamento de que muitos outros aventureiros poderiam ter passado por lá mais cedo e derrotado as criaturas hostis, e, finalmente, desceu.
Enquanto descia lentamente pela escada, Cloud ia se lembrando de que não havia trazido quase nenhum tipo de suprimento para a masmorra; nem mesmo seu cajado mágico estava ali, e ele levava consigo apenas poucas poções de mana, encontradas na mochila de Falonzo. Definitivamente ele não poderia se envolver em muitas batalhas. Assim que chegou aos últimos degraus da escadaria, o Druida conseguiu enxergar amplamente o andar inferior, e essa visão o fez prender a respiração por alguns instantes. O segundo nível parecia uma cópia do primeiro, com a diferença de ser muito maior e possuir vários caminhos distintos — no primeiro nível havia apenas o portal para sair e a escada para descer ainda mais. Mas o que chamava mesmo a atenção no local era a enorme quantidade de corpos espalhados pelo chão: Lordes Dragões, Elementares de Fogo, Infernalists, e mais uma dúzia de criaturas que o Druida nem mesmo sonhara que existiam estavam logo a sua frente, todos mortos. A previsão do garoto sobre outros aventureiros terem “limpado” o caminho se mostrava correta, e isso representou um grande alívio, já que ele não sobreviveria mais do que alguns segundos diante de todos aqueles inimigos.
Enquanto ainda estava espantado e paralisado pela cena de carnificina, Cloud ouviu um som diferente, parecido com um grito sufocado, vindo de uma das extremidades da sala. Primeiramente, o Druida pensou se tratar de alguma das criaturas do local que ainda estava viva, porém, ao se aproximar mais da origem do som, ele percebeu que estava tristemente enganado: era seu mentor, Falonzo, que estava ali, caído logo atrás de uma pilha de corpos.
— MESTRE! — Gritou o Druida, já com lágrimas nos olhos, enquanto corria para perto do pesquisador — O que aconteceu por aqui? Por que o senhor desceu?
No momento em que Falonzo tentou dizer alguma coisa, ele soltou mais um grito angustiado, e cuspiu uma grande quantidade de sangue. A situação do mago era crítica, com feridas abertas na altura dos pulmões e queimaduras por tudo o corpo; estava claro que ele não duraria muito mais tempo naquela situação.
— Exura Sio “Falonzo”! — Pronunciou Cloud, numa tentativa desesperada de salvar seu mestre.
As feridas no corpo do velho não se fecharam como o garoto esperava que acontecesse; já era tarde demais para salvá-lo. O único efeito visível da magia foi permitir ao mago balbuciar algumas palavras.
— M-Meu F... Filho — Murmurou Falonzo, com dificuldade. — J-Já é tarde p... para mim. Vo... cê precisa v-voltar!
— Não diga nada, Mestre! O senhor precisa poupar suas energias — Disse o Druida, enquanto tentava desesperadamente estancar o sangramento de uma das feridas do velho.
— N-Nada es..capa da i.. ira de Z-Zathroth! — Disse Falonzo, num último esforço antes de fechar os olhos para sempre.
Cloud ainda tentou por alguns minutos usar magias de cura e poções, mas não adiantava mais: seu amado mentor estava morto. O garoto se lembrou de todas as vezes em que o pesquisador se entusiasmava com uma descoberta nova em seus experimentos, como ele sorria e ficava com as mãos trêmulas de tanta empolgação... Também pensou em quantas vezes ele dormiu debruçado nas anotações do mago, exausto de tanto tentar compreender a mente brilhante de seu mestre, e acordou na manhã seguinte confortavelmente deitado em sua cama, enquanto Falonzo continuava acordado e sempre animado... Tudo agora se foi, e um terrível sentimento de vazio preenchia as lágrimas e a alma do Druida. Foi em meio a essa situação desesperadora que ele notou uma folha de papel, muito similar àquela que ele encontrou minutos antes, dobrada e escondida em meio as vestes do pesquisador. Com a vista ainda muito embaçada pelas lágrimas, Cloud abriu lentamente a página, e começou a ler seu conteúdo.
"(...) As pesquisas feitas pela jovem acabaram revelando a presença de atividades demoníacas preocupantes em vários locais ao redor do continente, e ela sabia que não podia deixar de lado uma ameaça tão grande para os humanos. Desde então, ela entrava em contato com os mais notáveis magos do mundo para auxiliá-la nessa tarefa, enquanto fingiam estar realizando outras pesquisas — como forma de não alarmar a população próxima ao covil dos demônios. Brand, durante vários anos, foi muito bem sucedida em sua missão. O número de relatos sobre ataques feitos por demônios diminuiu drasticamente, e a atividade das criaturas, antes em ritmo acelerado, era rara naquele momento. O sucesso da feiticeira começou a interferir nos planos de Zathroth, que não poderia ficar inerte diante dessa situação. O deus da destruição, sabendo que não conseguiria lidar com Brand usando apenas a força bruta de seus demônios, decidiu criar uma forma da jovem se transformar em sua serva; para tanto, era necessário tempo e muita paciência. Infelizmente, esses requisitos não eram problema para Zathroth. Diante de sua ira e inveja, muitos anos passavam em um piscar de olhos..."
Cloud não esperava encontrar a continuação daquela história ali, mas esse fato comprovava que Falonzo realmente estava interessado nela. Talvez a sequência do conto tivesse alguma relação com a decisão do mago de descer até o segundo nível, e ter sido morto por isso. Todo medo que o Druida tinha quando chegou naquele local havia se transformado em ódio e angústia após a morte de seu mestre, e ele resolveu continuar seguindo nas profundezas da masmorra, planejando encontrar as páginas restantes do livro e vingar Falonzo, de alguma forma.
Havia vários caminhos em diversas direções nas quais o Druida poderia seguir. Sem pensar muito, ele resolveu continuar pelo sul, por um motivo simples: naquela direção a quantidade de corpos era muito maior do que nas outras. Andando durante alguns minutos, Cloud conseguia sentir o clima se tornando mais quente e pesado a cada metro percorrido, mas continuava seguindo em frente, sem pensar em nada além do rosto angustiado de Falonzo enquanto dizia suas últimas palavras.
Nada escapa da ira de Zathroth...
A essa altura, o Druida já tinha certeza de que seu mestre estava se referindo à história escrita naquelas páginas separadas; o que estivesse escrito nas páginas seguintes deveria ter algo a ver com esse local, muito provavelmente. Restava ao garoto encontrá-las, mesmo que tivesse de enfrentar criaturas poderosas para tal... E não demorou muito para que a primeira delas aparecesse.
Alguns minutos após começar a andar pelo caminho ao sul da sala em que Falonzo morreu, Cloud notou que as criaturas mortas pelo chão haviam mudado. Além daquelas que já estavam por toda a extensão da masmorra, se destacavam alguns corpos com forma feminina, lembrando vagamente algumas feiticeiras que habitavam o Tibia, com a diferença de vestirem roupas vermelhas como a lava que fluía pelo local e possuírem cabelos que eram como chamas vivas. Logo a frente desses corpos peculiares, uma das criaturas estava lá, viva e irradiando ferocidade. Apesar de nunca ter visto nenhuma antes, Cloud tinha certeza que se trava de uma Fúria — um grupo de feiticeiras corrompidas por demônios e que habitavam alguns dos locais mais perigosos do mundo.
Apesar de ainda estar de pé, a Fúria estava em péssimas condições. Metade do volume de seus cabelos ardentes não existia mais, e o lado esquerdo de seu corpo estava em ruínas. Mesmo diante desses danos, ela se moveu com uma velocidade absurda, chegando à frente de Cloud num piscar de olhos, enquanto soltava uma seta flamejante das suas mãos, que haviam se tornado garras incandescentes de aparência grotesca. O Druida, pego de surpresa, não conseguiu desviar completamente do ataque, sendo atingido de raspão nas costas. O impacto do dano fez com que o corpo do garoto se contorcesse, deixando uma abertura enorme para mais um ataque da Fúria; dessa vez, ela ajeitou suas garras em forma de funil, e atingiu com violência a perna direita de Cloud, perfurando e queimando sua carne ao mesmo tempo. O Druida gritou de dor com o ataque, mas conseguiu se colocar em uma posição favorável; ignorando as pequenas chamas que surgiam da pele da adversária, ele segurou com firmeza o braço da Fúria antes que ela terminasse o ataque anterior, e, usando a outra mão, preparou uma magia para contra-atacar.
— EXORI GRAN FRIGO! — Conjurou Cloud, gritando as palavras mágicas com todo ódio acumulado desde a morte de Falonzo.
Uma longa e afiadíssima haste de gelo se formou nas mãos do Druida, e ele a atirou com violência na Fúria que, sem conseguir se mexer, teve a cabeça atravessada pelo golpe. Após o ataque, ela ainda cambaleou por alguns segundos pela sala, antes de tropeçar no corpo de uma de suas companheiras e cair, para nunca mais se levantar.
— Exura Vita! — Conjurou o garoto, curando parte dos danos recebidos na breve batalha e aliviando a dor intensa provocada pela queimadura na perna.
Após parar para respirar alguns instantes, Cloud bebeu duas das poções que encontrou nos suprimentos de Falonzo, e já se preparava para seguir em frente, ignorando o ferimento na perna, que não havia se curado completamente. Quando se virou para a direção na qual a Fúria apareceu, ele notou que alguma coisa havia caído do corpo dela; ao se aproximar mais, o Druida notou que se tratava de mais uma das folhas amareladas, que quase havia sido chamuscada pelas chamas da feiticeira. Com o coração disparado, ele leu o conteúdo do papel.
"(...) Uma década mais tarde, Zathroth finalmente conseguiu projetar um ritual para corromper a mente e o corpo de Brand, e enviou um de seus mais astutos demônios para atrair a mulher até o local da cerimônia. O demônio conseguiu deturpar a moral de um poderoso mago, chamado Feuer, usando toda sua sagacidade e dissimulação, além de promessas de poder e riquezas. Feuer, que também era um dos maiores colaboradores de Brand, acabou seduzido pelas palavras do demônio, e a criatura não teve dificuldades para se apossar do corpo do homem. Tendo o controle de alguém em que Brand confiava, não foi difícil para o demônio concluir seu objetivo. Na primeira oportunidade que teve de se encontrar com a feiticeira — nas florestas ao sul da cidade dos elfos, Ab’Dendriel —, a besta de Zathroth conseguiu convencê-la de que um poderoso demônio se escondia em uma caverna a sudeste da cidade. O local, na verdade, guardava um portal para outra dimensão, um plano paralelo que se localizava no vácuo e que Zathroth ligou temporariamente com o Tibia; era ali que o ritual aconteceria..."
Cloud não queria tirar conclusões precipitadamente, mas aquela parte da história o deixou muito certo de que ela contava sobre o local em que estava agora, a Masmorra da Fúria. Diante disso, ele conseguiu imaginar como Falonzo reagiu após ler essa passagem, e que ele poderia realmente ter descido no meio das criaturas do segundo nível para buscar o restante das páginas, afinal, ele era um pesquisador: seus experimentos e pesquisas eram muito mais importantes que a própria vida. Restava a seu aprendiz completar o que o velho mestre não conseguiu, e recuperar as folhas restantes daquele livro.
Poucos metros ao sul de onde lutou contra a Fúria, Cloud notou que os corpos haviam subitamente deixado de aparecer — apesar do piso de rocha ainda estar salpicado de sangue, o que o levou a pensar que alguém os tirou dali de propósito. Logo à frente, estava uma escadaria que levava ao nível inferior. Naquele lugar, o clima estava ainda mais quente, num ponto em que o calor parecia sugar as forças do corpo do Druida; porém, ele não poderia parar ali. Não depois de ver seu mentor morrer na sua frente... De conseguir derrotar uma criatura que ele só conhecia de seus mais terríveis pesadelos... De estar próximo de descobrir sobre a origem daquele lugar demoníaco... Cloud precisava continuar, não importando o que o aguardaria no terceiro nível da masmorra.
Após respirar fundo por alguns segundos, o Druida finalmente decidiu descer pela escada, porém, antes de alcançar os primeiros degraus, ele notou algo no chão próximo a borda do piso de rocha: era outra folha idêntica as outras, apesar de estar muito manchada por sangue. Cloud correu até onde o papel estava, preocupado se ele estaria avariado demais; para alívio do garoto, as palavras escritas na página ainda eram legíveis.
"(...) Sem desconfiar de Feuer, seu amigo, Brand seguiu inocentemente para o lugar indicado por ele. Ao atravessar o portal, a feiticeira não se importou por ele a levar para outro plano, já que não era novidade para ela atravessar portais dimensionais — a maioria dos demônios estabelecia seus covis em lugares assim. Após prosseguirem por alguns minutos no local sem encontrarem nenhum sinal de resistência, a mulher começou a estranhar a ausência de criaturas; era comum nesses covis a existência de dezenas de seres corrompidos guardando o caminho. O demônio, muito esperto, continuava convencendo Brand a seguir caminhando. Após chegarem à sala do ritual, a besta pôde, finalmente, voltar a sua forma original, enquanto a feiticeira percebia, tarde demais, o grande erro que havia cometido..."
Cloud, apesar de ainda estar arrasado pela perda de Falonzo, não conseguiu conter a animação pela descoberta de mais uma parte da história; ele sentia que faltava pouco para descobrir o final daquele relato, e desceu a escada mais depressa do que planejara, ávido para encontrar as outras páginas.
Entretanto, toda a animação do Druida desapareceu no segundo em que ele vislumbrou o terceiro nível da masmorra. A sala lembrava muito aquela do primeiro nível, com a diferença de possuir apenas uma saída — a escada pela qual ele desceu para chegar lá. Começando da frente do último degrau e percorrendo quase toda a extensão da sala, Cloud estava diante da cena mais horrível e violenta que já presenciara na vida: um tapete de corpos humanos cobria o chão rochoso do lugar. Pessoas vestidas com armaduras pesadas de cavaleiros, paladinos ainda com seus arcos nas mãos, magos com suas túnicas e livros de feitiços... Todos estavam ali, caídos igualmente diante dos olhos do garoto. No centro daquela cena grotesca estavam os responsáveis por tudo aquilo: meia dúzia de Fúrias, acompanhadas de mais alguns Demônios estavam enfileirados horizontalmente, porém, Cloud nem mesmo prestou atenção neles. O que prendeu o olhar e os pensamentos do garoto foi a figura que se colocava no centro daqueles seres. Com a aparência de uma Fúria comum, mas com o olhar fulminante e a aura mais terrível do que todas as outras criaturas juntas, aquela que com certeza era a líder daquele lugar olhava nos olhos do Druida, enquanto esboçava um sorriso cruel.
— Bem-vindo ao meu lar, humano. MUHAHA! — Gargalhou a criatura. Suas palavras paralisaram o garoto, que não conseguiu reagir de nenhuma forma.
Após alguns instantes, Cloud conseguiu acordar do transe em que a presença da Fúria o deixou. Porém, devido ao ferimento recebido na perna durante a última luta, ele não conseguiu correr de volta para o segundo nível; quando se virou para tentar fugir, a criatura já estava na frente dele, preparando um ataque.
— Onde pensa que vai, criança? Você já estava condenado desde quando veio procurar seu mestre decrépito! MUHAHA! — Disse a Fúria, enquanto gargalhava.
— EXEVO GRAN MAS FRIGO! — Gritou Cloud, prestes a conjurar sua magia mais poderosa.
Enquanto seu corpo se preparava para soltar o ataque, o Druida foi interrompido bruscamente pela criatura. Ela usou o mesmo ataque com as garras flamejantes que a outra Fúria havia usado anteriormente, porém, esse era dezenas de vezes mais poderoso; antes que Cloud se desse conta, ela já havia atingido seus dois braços, evitando que ele terminasse a conjuração da magia, e rapidamente atacou o peito do garoto, causando um ferimento idêntico ao que Falonzo tinha quando o Druida o encontrou. O garoto não pôde fazer nada para se defender, e caiu diante da adversária, sem forças para reagir.
Nada escapa da ira de Zathroth...
Nada além desse pensamento povoava a mente do Druida. O calor impetuoso da lava, que percorria toda a extensão daquela masmorra demoníaca, aliado aos terríveis ferimentos que já cobriam a maior parte do seu corpo, não significavam nada naquele momento. O olhar frio e cruel das criaturas a frente dele pareciam sugar tudo o que restava de suas forças, e seu corpo já não respondia mais aos seus comandos. Só restava a Cloud aguardar a morte, e amaldiçoar-se por ter pisado naquele lugar infernal. Quando já iria fechar seus olhos para aguardar o golpe final da Fúria, o Druida notou que ela segurava alguma coisa nas mãos. Com a visão já um pouco turva, ele só conseguiu notar o que era quando a criatura chegou mais perto dele: se tratava de outra página amarela, igual às outras que ele já havia encontrado.
— Era isso que você estava procurando, criança? MUHAHA! — Disse a Fúria, colocando o papel no campo de visão do garoto, permitindo que ele lesse o conteúdo.
"(...) Assim que notou seu engano, Brand tentou desesperadamente lançar seus ataques contra o demônio, porém, ela já estava na zona de influência direta de Zathroth; nada mais que tentasse surtiria efeito. Enquanto a feiticeira, paralisada pelo poder do deus da destruição, gritava inutilmente suas magias, o ritual começava, rapidamente, a fazer efeito nela. Seu corpo perdeu todas as forças, e ela caiu de joelhos no chão, enquanto sua mente era tomada pela escuridão e perversidade de Zathroth. Poucos segundos depois, Brand já não era mais a mesma pessoa gentil e corajosa que lutava fervorosamente contra o mal, mas sim uma serva fiel e completamente obediente ao ser que antes ela mais detestava. Zathroth chamou sua mais nova criação de Furyosa, a primeira — e mais poderosa — de todas as Fúrias; ela vive até hoje naquela dimensão paralela, aterrorizando e destruindo qualquer ser humano que ouse entrar em seu covil, que raramente cria uma conexão com alguns dos lugares onde Brand destruiu demônios no passado."
Cloud entendeu tudo naquele momento. A razão pela qual aquela dimensão estava repleta de criaturas terríveis, o motivo dos Infernalists e Fúrias terem povoado em massa aquela masmorra e, principalmente, o que levou seu mestre Falonzo a morte. Tudo não passava de uma brincadeira de Zathroth, por meio de uma de suas mais cruéis criaturas. A Fúria, que o Druida agora sabia que se tratava de Furyosa, olhou pela última vez para o garoto, sorrindo de forma vitoriosa.
— Nada escapa da ira de Zathroth... — Disse ela, enquanto colocava um fim na existência de Cloud.
@Edge Fencer
@Nedless
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