Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
E aí!

Cara, que capítulo complexo. Não me surpreendo por você ter tido dificuldade em escrevê-lo, pq foi tenso do começo ao fim. Mas gostei do resultado, pode se orgulhar do que escreveu aqui!

Mais uma vez o foco esteve sobre o Dartaul, e agora deu pra entender melhor a razão da mudança de comportamento dele. Muito complicada essa história da Varmuda, Aika e ainda essa mulher dos delírios dele. Você narrou isso muito bem, conseguindo passar pro leitor o sentimento de confusão e agonia que o rapaz sentia a todo momento.

Sobre a cena da relação dele com Aika, ficou muito bem escrito, de vdd. Talvez esse tipo de coisa seja a maior barreira pra muitos escritores (amadores ou não), porque é difícil conseguir captar tudo que você pretende demonstrar em apenas algumas linhas. Acabou me lembrando um pouco (de novo e.e) o George R. R. Martin, que usa muito bem as cenas de sexo para enriquecer a trama e desenvolver seus personagens. Considere isso um grande elogio, pq sou fã da escrita do véio

Isso aí, Carlos. Tá interessante demais a história, e tô bastante curioso pra descobrir quem é esse membro misterioso da irmandade e o que raios tá acontecendo com o Nightcrawler. Aguardo pelo próximo capítulo.

Abraço!
Diga aí Edge, obrigado pelo comentário que está sempre salvando o tópico e pelos grandes elogios.


Realmente, o capítulo foi bem arrastado pra escrever e talvez pra ler. Foi difícil fazer esse capítulo focando na narração, ainda mais pra fazer essa cena de sexo, considerando que eu nunca tive essa experiência... mentira, na verdade minha primeiríssima não passou nem perto disso aí, quis dizer que nunca descabacei ninguém

A confusão entre Dartaul e essas duas serviu para adequar melhor ao leitor a mente do jovem investigador, assim como a cena principal. Fico feliz que eu não tenha feito merda, ainda mais em ser comparado com Martin. Agora que entendo um pouco mais a obra dele, percebo que estou me tornando um escritor próximo dele, alguém que provavelmente não sente nada em tirar personagens da jogada ou fazê-los sofrer. Até Trevor já passou sufoco no passado, quero retratar isso aqui em breve.

O capítulo vai responder suas dúvidas finais, mas... Vai trazer mais dúvidas ainda. Pois é o que eu gosto de fazer.









Yo galero, foi meio difícil ganhar a disposição pra escrever esse capítulo, mas terminei ele em dois dias. Espero que esteja do agrado. Apontem erros se encontrarem, como de costume. Minha revisão não é lá tão eficiente.

Espero que gostem!



No capítulo anterior:
Dartaul está sendo assombrado por Varmuda e por uma mulher misteriosa que habita o vácuo. Aika tenta aliviar sua agonia dando-lhe a sua virgindade, mas parece que isso atraiu problemas, como o responsável pela Irmandade.




Capítulo 29 – Junketsu
Parte 2




Dartaul encara aquela mulher no meio do vazio sem entender como foi parar ali. Ela podia realmente ser a responsável pela Irmandade? O investigador não duvida muito, considerando a situação em que está. Ele também nota seu poder e sua presença forte e diferente de qualquer outra.

A mulher parece fitá-lo. O rapaz percebe que sua voz voltou e agora pode tirar suas dúvidas.

— Você! Você é quem comanda os Sangues? Me diga agora!

Ela não responde. Dartaul começa a se irritar.

— Me diga! Você não é normal. Esse vazio ao redor de mim não é normal. Todo esse escuro ao redor de mim, meu corpo inerte, é tudo coisa sua! Diga, você é Sarutevo?

Dessa vez, a mulher coloca o indicador esquerdo no queixo, como se estivesse em dúvida.

— Sarutevo não era quem estávamos caçando?

O peito de Dartaul dói.

O rapaz agora é invadido por múltiplos pensamentos. Ele conhece aquela voz, aquele jeito, provavelmente sabe quem está na sua frente. Mas como? Como ela está ali, como ela tem todo esse poder? Isso pode ser possível?

— Não está me reconhecendo, Dartaul? É... Acho que estou muito brilhante ainda. Vou tentar melhorar.

Ela coloca seus braços a frente de seu busto e encolhe mais seu corpo, fazendo a luz diminuir. É possível ver melhor seus traços e curvas, bem como seu rosto. E mesmo ainda muito brilhante, Dartaul consegue reconhecê-lo.

Zoe Nubila está na sua frente.

— Impossível.
— Impossível era a chance de você me escutar, e veja só, você não me escutou!
— Porra... O que você quer dizer? Eu juro que não estou entendendo mais nada.
— Eu sei. Mas antes de tudo, preciso explicar o erro que você cometeu ao ficar junto de Aika. E de ter tirado o junketsu dela.

Dartaul não responde. Zoe é a última pessoa que ele pensaria que ficaria contra Aika.

— Junketsu é um selo poderoso de rastreamento. Foi colocado nela usando a virgindade dela como base. Isso foi feito por Miraya, num processo que durou dois anos. Em suma, desde que ela deixou Svargrond. Foi uma precaução da irmã dela para que ela pudesse chegar até Aika caso ela estivesse em perigo, e acabou sendo usado pela Irmandade como ponto de viagem. Foi assim que eles chegaram até nós em Yalahar. E agora, você quebrou o selo, e todos os membros da Irmandade sabem onde vocês estão.

O rapaz engole em seco.

— Eu ouvi Varmuda, a demônio asquerosa que deu poderes a Nightcrawler e planeja fazer o mesmo com você. Ela disse que eu poderia ser o cérebro por trás da Irmandade pois a energia deles inteira está virada para cá e se misturando com outras, como a minha. Mas, pra falar a verdade, ninguém sabe o verdadeiro cérebro por trás deles. Entretanto, não é humano.
— Então logo todos eles virão pra cá... Por causa do que eu fiz?
— Não, Dartaul. Apenas poucos virão, pois eles tem medo de sacrificar contingente importante no mesmo lugar onde Nightcrawler está.
— De qualquer maneira, a culpa é minha.

Zoe parece fazer uma expressão de pena.

— Não, não é. Você não sabia. Nenhum de nós sabia. Mas agora não é hora de chorar pelo leite derramado, vocês precisam combater o que está por vir. Além de mim, há duas figuras. Derrube-as.
— Espera... E você? O que aconteceu com você?
— Simplesmente diga a eles que eu me tornei parte do vazio do universo.

Toda a escuridão ao redor de Dartaul desapareceu. Ele está de volta ao quarto dele, em sua cama, de onde ele se levanta abruptamente. Ao pousar os olhos no chão, ouve um barulho.

Um machado levemente familiar. Tão familiar como a cena onde Zoe aparentemente havia morrido no Arsenal de Ratos.

Dartaul dispara para o quarto de Nightcrawler e bate na porta, inutilmente. Avança para as escadas, mas percebe uma quantidade ridícula de sangue no chão do andar abaixo.

— Não pode ser.

Temer o pior já é totalmente possível. Ele volta para o seu quarto, onde vê Aika acordada e confusa. Ele não está pensando muito bem e está mais confuso ainda, e vai direto até ela, assustando-a.

— O q-que foi?
— Aika. O que sua irmã fez contigo nos últimos dois anos?

A garota arregala seus olhos e cria uma crescente expressão de horror. Como se tudo que ela esqueceu um dia estivesse voltando tudo de uma vez. Dartaul nota que nada bom foi feito.

— Não... Eu não quero lembrar daquelas coisas de novo. Aquelas coisas odiosas... E vergonhosas... Não... — Disse Aika, colocando suas mãos na cabeça.
— Calma, tá tudo bem, não fique assim. — Disse Dartaul, trazendo a cabeça dela até seu peito — Sei que foi horrível, mas algo estranho está acontecendo agora. A Irmandade está atrás de nós.

Dartaul sente uma presença atrás dele. Mas ao virar para trás, não vê nada. Subitamente, essa mesma presença parece se dividir e se espalhar por vários lugares ao redor da casa onde estão. Ele ouve múltiplos passos lentos, escuta barulhos de líquido sendo derramado ou simplesmente se mexendo fora da casa e um cheiro insuportável de sangue.

Mais uma vez, o rapaz vai até a janela, mas não vê nada. Olha para o céu, mas não vê nada incomum. Não está preso em uma dimensão como antes. Ao voltar a olhar para o quarto, continua sem ver nada incomum, nem sombras grandes, fantasmas, nada. Aquilo está torturando-o. Ele não vê nada, mas sente que tudo está atrás dele. É como se ele sentisse que a qualquer momento uma faca atravessará suas costas.

Aika fita-o confusa. Também não consegue entender, mas sente como se eles fossem os únicos vivos dentro daquela casa. Assim como Dartaul.

— Varmuda. — Pensa Dartaul. Falar dentro da sua mente pode talvez chamar a atenção da demônio.
— Ora. Achei que não precisasse de mim. Agora está até me chamando. Huhu...
— Onde estão os outros dentro dessa casa?
— Você me desculpe, mas eu não sinto a presença de nenhum deles. Nem de Nightcrawler.

Dartaul engole em seco. Seus olhos estão bem abertos e fixos na porta, e seu corpo involuntariamente se move até próximo da porta.

— Bom, não sei o que está acontecendo. Mas vou te dar a chance única de reverter essa situação. Você vai lutar contra o que estiver por aí, salvar a si mesmo e Aika. Eu perdi minha rainha, e agora você é o meu rei no meio de um tabuleiro onde minhas peças já foram perdidas. Estou quebrando as regras, Dartaul. Estou pra te dar o poder da rainha.
— O que quer dizer?
— É só se lembrar daqueles olhos, Dartaul. Aqueles olhos sombrios de Suzio.

Dartaul lembra-se das inúmeras vezes em que fitou os olhos sombrios e mortos de Suzio. Ele não sabe o que fez aquele homem se tornar alguém assim, mas não quer o mesmo. Por mais que não estivesse num caminho tão distante do detetive.

— Não. Eu não quero!
— Você não tem querer, moleque. Precisa parar a Irmandade, agora que ela parece ter descoberto vocês. Aquela coisa divina está por aí, e eu te darei todo o meu poder se for preciso pra parar ela.
— Aquela coisa divina é Zoe! Ela não é nossa inimiga!

Varmuda aquieta-se por um instante.

— Ok... Não estou entendendo mais nada. Mas vamos, te darei o que precisa. Só precisa me aceitar, Dartaul. Aceite meu poder.
— Prefiro morrer.

No instante em que ele diz isso, o mesmo fantasma de antes surge no canto direito do seu quarto. Ele sorri alegremente para ele com um rosto totalmente distorcido, de olhos e boca desproporcionais e negros. O mesmo fantasma se multiplica em vários em menos de um segundo.

Dartaul finalmente entende quem está segurando a Irmandade.

— Vamos, filho da puta. Basta apenas dizer para que eu te dê poder, e eu te darei. Pense na garota do seu lado. Eu sei que você ama ela. Não entendo sentimentos mundanos, mas sei que ela é importante para você, não é? Prefere que ela morra também? Pois é o que vai acontecer se você não me aceitar.

O rapaz recua até a janela vendo os fantasmas e Aika está tentando segurar o grito, também recuando. A sensação de estar no mesmo quarto que aquelas assombrações é parecida com a de estar com uma faca colocada no pescoço. Como se a própria morte estivesse sussurrando coisas em seu ouvido.

— Demônia desgraçada. Essa é a situação perfeita pra você se apoderar de quem você quer, não é? Você colocou Suzio na mesma situação, estou enganado?
— Suzio se colocou nessa situação antes que percebesse. E você também.

Ele se irrita mais, fechando as mãos e cerrando os olhos. Sabe que a culpa é dele, mas não consegue aceitar o fato de se tornar um morto-vivo assombrado por um demônio. Mesmo que fosse por Aika.

E agora, os fantasmas se juntam. Eles estão dando forma para alguma coisa. Algo escuro, coberto por névoa. Não sabe o que é, não sabe o que está acontecendo, mas sabe o que tem que fazer. É uma situação horrível.

Um machado surge nas mãos daquela coisa e ela toma a forma de um membro da Irmandade, com uma coroa de prata com asas na cabeça. Ele avança em alta velocidade em direção de Dartaul, mas para por um breve instante pra rebater uma magia de Aika, que pensou mais rápido que o rapaz. No mesmo instante, ele gira o corpo e a arma para tentar acertar o investigador, mas outra magia é lançada por Aika, dessa vez acertando-o e fazendo-o recuar.

Mesmo com a máscara de manequim, é possível perceber que ela, Bryca, está encarando com ódio o investigador. Então, ela encara Aika, e decide avançar até ela.

— É a sua última chance, investigador de araque!

Aika chuta seu rosto e lança uma magia de fogo em resposta. Ela avança novamente e golpeia o tornozelo da garota. Está chegando ao fim.

— Tudo bem! Eu...
— Cala a boca, Dartaul. Não vai aceitar ninguém.

Inesperadamente, a porta é arrombada e Bryca é jogada para a parede da esquerda, próxima de Dartaul. Nightcrawler surge na sua roupagem padrão, com sua máscara de teatro sorridente e uma nenhuma porcentagem do poder de Varmuda acompanhando-o. Sua mão está estendida pra frente, e conforme mais ele se aproxima da membro, mais ela se sente pressionada contra a parede.

— Nightcrawler? — Murmura Aika, com a mão no tornozelo.

Um círculo surge na parede atrás de Bryca, junto de um pentagrama e um hexagrama combinados. Eles possuem coloração laranja, acompanhados de símbolos numa idioma que talvez Aika conhecesse. Todos eles significam a mesma coisa.

— Expurgo... — Murmura mais uma vez Aika, lendo os símbolos na parede. Ao ouvir isso, Dartaul finalmente entende o que está acontecendo.

Palavras da mesma língua são pronunciadas por Nightcrawler para punir a membro. De alguma forma, o homem está conseguindo exorcizá-la.

Watashi wa anata ga daredearu ka o handan shimasu. Watashi wa anata no kako no jinsei o omoiukabemasu. Anata wa hiretsudearu tame ni! — As únicas palavras que Aika e Dartaul conseguiram compreender foram essas. A maga arregala os olhos ao reconhecer aquilo.
— Isso é... Hanrajiinês*... Como é possível... — Disse a garota, recuando ainda mais para trás da cama. Parece ter mais medo ainda de Nightcrawler.

Conforme as palavras são ditas, Bryca se contorce. Sempre mais e mais. Seu machado cai da sua mão e desaparece, e uma aura de energia cobre pouco a pouco a mulher, eletrocutando-a e dando-a uma experiência cada vez mais dolorosa. O quarto começa a tremer. O rapaz mais uma vez teme o pior.

Sonogo, iku. Tochu. Kono jinsei wa mohaya anata no monode wa arimasen!

Bryca parece estar chorando enquanto seu corpo treme.

— A culpa não é minha... — Disse ela, uma voz assustadoramente doce e triste — Eu nunca pedi por isso...
Fakku. — Disse Nightcrawler, abaixando a mão e virando-se, com as mãos no bolso. — Dare mo kinishinai.

Bryca urra. Um espírito com cores semelhantes a água de esgoto sai dela e escorrega pela parede, derramando como líquido, e some. A garota perde todo o uniforme, bem como a roupagem de manequim, e desaba de cara no chão, nua. Seus cabelos loiros e pele branca parecem confundir quem uma vez pensara que ela era algo pior do que o diabo.

O homem fita Dartaul próximo da cama, e Aika, cuja perna sangra e mancha o lençol da cama de Trevor. Ele respira fundo.

— Vá olhar a porra do machucado da sua garota, Dartaul. Já está terminado.

Ele parece despertar de um devaneio. Corre para olhar o machucado da garota, e pede para que ela tire a mão para olhá-lo. Felizmente, não é profundo.

— Você pode se curar, não? E sua mana?
— N-Não sei. Acho que não consigo usar ela.
— Por causa do meu ritual. Perdão, Aika, mas vai precisar usar bandagens como uma boa pessoa normal sem poderes mágicos.

Pessoas surgem na porta. São Trevor e Alayen, e ambos estão bem, sem machucados.

— Crawler? O que aconteceu aqui? — Disse Trevor, confuso.
— Membros da Irmandade. Não sei como nos encontraram, mas dei um jeito em um deles.
— Tinha outro? — Questiona ele novamente.
— É. A sala estava cheia de sangue, mas parece que ele sumiu, né?
— Sei lá! Eu acordei com um grito vindo daqui.
— Ah, então tudo funcionou nos conformes. O outro membro era Anni’al, irmão de Stanni’al, um dos oito grandes. Bryca também é um deles, mas agora ela foi sentar no colo do capeta.
— Algo me diz que o capeta se deu bem com isso. — Disse Alayen, avaliando as curvas do corpo de Bryca.

Nightcrawler se esforça para que seus olhos voltem ao normal. Ambos estão negros, com pupilas laranjas em forma de losango. Além de sentir uma dor esquisita no corpo todo. Mas, se os olhos dele não voltam ao normal, significa que ainda há uma ameaça grande próxima dele. Grande até demais.

— Q-Que c-comentário indecente, Alayen...

Todos do quarto se assustam. Nightcrawler parece se assustar mais ainda ao perceber que isso veio do corpo no chão, e que ele está vivo.

— E-Ei... Alguém pode me arranjar uma roupa, por favor? Eu não estou em condições de levantar desse jeito...

A voz tímida é impossível de não ser reconhecida. É Zoe quem está falando.





Próximo: Capítulo 29 – Junketsu III




Notas:

*: Eu juntei as palavras japonesas Hanran e Jiin, cujas significam, respectivamente, rebeldes e templos, no plural. Aika quis dizer que Nightcrawler está falando japonês. O motivo da palavra ser assim é que ele surgiu entre os rebeldes de North Zao para se comunicarem entre si, sem ser o chinês, conhecido como idioma dos High Lizards. Ele foi para Chor e virou o idioma dos lizards bandidos e contrários a sua raça, um idioma que incita revolução, cujo Aika aprendeu sem querer e que gerou a ela medo de quem o conhece. Eu fiz isso pois o japonês é um idioma com várias semelhanças com o chinês, além de usar o kanji, algo padrão do chinês. Mas essa parada do idioma ser algo dos lizards rebeldes é uma criação minha, não existe isso no Tibia.

Eu também podia dizer o que Nightcrawler está dizendo, mas não vou, afinal eu não sou um autor de ficar falando tudo que rola no plot. Descubram sozinhos.
E fiquem a vontade para me chamar de otaco tambem por enfiar essas coisas na minha historia.