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Tópico: Bloodtrip

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    Padrão Capítulo 29 - Junketsu

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí!

    Muito bom o capítulo, Carlos. Você caprichou bastante nas descrições aqui, além dos diálogos - que são um dos pontos mais fortes da sua escrita; destaque, como sempre, pro jeito sarcástico do Nightcrawler, que foi muito bem acompanhado pelo Trevor nesse capítulo kkkkk. Vi poucos erros de revisão no texto, e só uma parte no comecinho que me incomodou um pouco:



    Eu até entendi o que você quis dizer, mas fica estranho deixar duas expressões opostas dessa forma. Talvez a frase ficaria melhor com algo similar a isso: "A ilha é praticamente inacessível, apesar de existir uma forma de alcançá-la através de Fibula". Tirando esse detalhe, sua escrita seguiu a tendência dos últimos capítulos, ou seja, ficou bem bacana.

    Quanto ao finalzinho ali, na discussão do Crawler com Dartaul, foi um momento tenso e, de certa forma, surpreendente; o Dartaul do começo da história de jeito nenhum ficaria tão calmo assim diante da ameaça do detetive. Ta aí mais uma mostra de como ele evoluiu. Pode ser também a influência da demônia, o que pode acabar transformando o garoto em algo similar ao que aconteceu com Crawler; talvez venha daí todo o nervosismo do mascarado.

    Vamo que vamo, cara. Deve ser uma sensação estranha chegar perto do final da história, ainda mais de uma que se estendeu mais do que o planejado. Mas tá ficando muito bom, de verdade. Aguardo pela sequência!

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Quanto ao erro, foi um vacilo mesmo que dei, achei que tava de boa na revisão. Tentarei não repeti-lo.

    E sim, Dartaul realmente cresceu como personagem, mas certas coisas não são exatamente ele quem está falando ou reagindo. O capítulo abaixo explicará isso melhor.

    Terminar a história não dá uma sensação tão estranha, pra mim, chega até a ser um alívio, apenas porque eu estou conseguindo terminá-la. O que eu espero é terminar ela exatamente como defini, e que eu não me distancie muito na hora de escrever. No mais, muito está planejado pra esse final. Você irá gostar, certamente.








    Pessoal, demorei mais uma vez pra fazer o novo capítulo, perdão. Eu empaquei com ele por causa do seu clímax, que inclusive eu peço muito que digam o que acharam. Eu tive mais dificuldade pra escrever isso do que em qualquer outra cena que eu já tenha feito na minha jornada como escritor.

    Espero que gostem do capítulo!






    No capítulo anterior:
    O grupo chega na casa de Trevor. Após algumas conversas, eles se retiram e começam a se entocar na cidade. Dartaul e Nightcrawler acabam tendo um sério desentendimento que pode causar consequências no futuro.




    Capitulo 29 – Junketsu
    Parte 1




    O dia seguinte surge nublado. O sol, mais tímido que o normal, esconde-se boa parte do tempo atrás das nuvens grossas, indicando que a chuva pode não demorar mais a vir.

    A casa de Trevor está silenciosa como sempre, no entanto, ela mais lembra um túmulo do que uma habitação. Afinal, mesmo que haja pessoas ali, elas não dão sinais de presença. Inclusive, algumas delas se encontram na sala daquela casa, silenciosas desde que Fafnar se levantou acima das nuvens.

    — Ei, Dartaul. Tem algo a dizer? — Questiona Trevor, enquanto está sentado no mesmo sofá que Alayen. Dartaul está na mesa de jantar de antes, em outra cadeira.
    — Sobre o quê?
    — Sobre Nightcrawler. Desde que ele conversou contigo ontem, ele não saiu mais do quarto. Nem pra tomar um café ou fazer comentários sarcásticos sobre como ele parece estar preso numa toca novamente pros lobos não pegarem ele.
    — Talvez ele não tenha comentários a fazer.
    — Aquele cuzão sempre tem comentários a fazer, Dartaul. — Disse Alayen, entrando na conversa. — Algo deve estar incomodando ele, com certeza.
    — Bem, de qualquer maneira, ele tem seus assuntos. E eu não me interesso por eles.

    Os olhos de Dartaul saltam por um momento. É como se ele tivesse falado ao mesmo tempo que outra pessoa. Ou melhor, como se ele não tivesse dito nada desde que aquele assunto se iniciou. Como se ele não passasse de um observador.

    No fundo da sua mente, ele consegue ver um sorriso maligno. Ele entende.

    Outra coisa conduz seus pensamentos agora.

    — Bem, já almoçamos, não tem muito o que fazer. Os próximos passos de Nightcrawler não nos foram passados também. Devemos ter um tempo limite para ficar aqui. — Disse Trevor, despertando Dartaul novamente de seus devaneios. O homem está sem sua armadura de costume, usando apenas uma camisa cinza e calças brancas no momento. Seus cabelos, agora visíveis, são negros, e um pouco grisalhos.
    — É, e eu não quero ficar mofando nessa casa. Não sou um sujeito que gosta de ficar no mesmo lugar por muito tempo, ainda mais enquanto estou sendo caçado por aqueles caras. — Disse Alayen. Este está sem seu colete e espadas, usando apenas sua camisa laranja e calças brancas, que talvez pertençam à Trevor.

    Dartaul, no entanto, não responde. Trevor e Alayen ficam conversando aleatoriamente por um bom tempo, e o capitão até parou eventualmente para preparar café. Após duas horas, a chuva finalmente começa, silenciando as ruas e tornando o clima do local mais sombrio, bem como escuro.

    — Chuva, hein... Melhor tomarem uma xícara de café e se recolherem. Vigiarei a casa. — Disse Trevor, indo em direção da cozinha.
    — Ué, pra quê? Ainda está claro. — Questiona Alayen, preguiçoso.
    — Bem, não existe tempo certo pra um militar dormir.

    Alayen fez um resmungo qualquer e foi pegar uma xícara de café. Dartaul não disse nada, somente foi direto da sala para as escadarias, sem olhar para os lados. A atitude incomum chamou o olhar de Trevor, mas ele pensa que é só coisa da sua cabeça.

    O rapaz não consegue ouvir nada do quarto de Nightcrawler ao passar por ele. Então, ele somente segue normalmente até o seu quarto, onde está Aika, deitada. Parece cansada.

    Desde que ela voltou, ela parece bem mais cansada que o normal. É como se a maga estivesse carregando um fardo pesado, e estivesse perdendo. A garota também permanece um pouco calada, conversando apenas com Dartaul, e tentando evitar os outros. O rapaz não sabe o que ela pensou ao ter que falar pessoalmente com a nova rainha de Carlin, e nem sabe como ela reagirá futuramente quando, talvez, precisarem tirar Elisângela do trono da cidade das amazonas.

    A garota está acordada e repara quando Dartaul junta-se a ela na cama. Ela não diz nada, simplesmente rola até ele e o abraça, aconchegando a cabeça em seu peito. O rapaz também decidiu ficar calado. Nada pode ser ouvido mais naquela casa senão o som da chuva caindo. Essa paz rara, acompanhada de um sentimento que o investigador jamais sentira, o faz se acalmar, afastando quaisquer maldades de sua mente.

    Ele põe o rosto sobre os cabelos negros e lisos de Aika, fecha os olhos e reflete sobre todo o tempo que compartilharam juntos. Em muitos momentos, ela parecia ser uma pessoa pura e inocente, além de calma e bondosa, e depois outra bem diferente, mais séria, ávida e experiente. Acreditava que era algo normal, como se ela tivesse dois estados de espírito. Mas agora, ele a vê usar apenas uma dessas personalidades, e sente como se a outra tivesse ido embora para sempre.

    No fim, Aika estava realmente sobre o domínio de sua irmã para servir de bode expiatório.

    Dartaul simplesmente decidiu que eram coisas demais para se pensar, e que não tinham importância naquele momento. Aika está viva e bem, e é o que importa para o rapaz, uma vez que ele já perdeu tudo. E com isso em mente, ele adormece.

    Por um breve momento, mesmo adormecido, ele sente estar flutuando. Que um grande vazio cerca-o, tirando-lhe a visão, o tato, a voz. Apenas pode ouvir. É uma sensação realmente agoniante, que Dartaul não consegue se livrar. Ela se agrava, conforme algo brilhante surge adiante. Ele custa em tentar abrir os olhos, pois sente algo perigoso vindo.

    Lhe é permitido abri-los. Ele vê uma luz, e em seguida, uma forma. Um corpo feminino a sua frente, nu, porém, parece ter uma grande fonte de luz dentro, como um abajur. A pele, os cabelos, todos brancos, todos brilhantes, é uma visão realmente surreal. Este ser abre seus olhos e fita Dartaul, com preocupação.

    — Liberte-se dela.

    Dartaul abre os olhos e se senta rapidamente. Sua respiração está acelerada e tensa, seu rosto suado.

    Já é de noite, mas ele parece ter dormido algo como dois minutos. Aika está ao seu lado ainda, mas está dormindo. Ele percebe que a chuva parou e que há movimentação na cozinha, junto de um cheiro gostoso de comida. Intrigado, decide levantar e olhar o que está acontecendo, mas chama Aika antes para ir com ele. Com alguma insistência, ela decide acompanhá-lo.

    Jantar. A mesa está calada, apenas os talheres são ouvidos. Na verdade, a própria casa está calada boa parte do tempo. Isso ajuda a disfarçar as atenções na área, mas deixa o local mais sombrio e vazio. Talvez os moradores tenham isso em mente.

    Nightcrawler ainda não saiu de seu quarto. O quarteto come um ensopado de galinha, sem comentar sobre a ausência da principal figura da casa. Dartaul está distraído e mergulhado em pensamentos, uma vez que aquele sonho lúcido bagunçou tudo. Não sabia quem era aquela mulher, nem o que queria dizer. Ela mandou o investigador largar ela. Mas quem?

    Seria Aika, a garota que retornou da morte sem explicação alguma?

    Ou seria Varmuda, a demônio que tem assombrado ele desde o hakugai?

    Pensando em possibilidades, o rapaz terminou sua sopa rapidamente. Aika e os outros ainda comiam, devagar e levemente tensos, então ele preferiu permanecer na mesa. Enquanto pensa, algo vem na sua mente. A mesma imagem do sonho.

    Por um momento, ele se lembra de Zoe, a jornalista cruelmente morta pela Sangue conhecida por Bryca. Suas relações com a mulher eram pouquíssimas, mas ele nunca entendeu de onde vinha a inocência e pureza que ela costumava demonstrar. Ele se pergunta como ela tem se virado dentro do ambiente hostil que é uma agência jornalística, mas talvez seu próprio jeito tenha encantado tanto os homens – e se duvidar, até algumas mulheres – que eles tinham medo de cometer qualquer mal a ela.

    Lembrar da mulher albina faz ele se lembrar da própria Aika. Ela não é tão diferente, somente é quieta e tímida. Dartaul se impressiona sempre com o modo que ela parece responder algumas coisas e parece se calar para outras, por vergonha. Encontrar pureza dentro do terrível mundo tibiano é algo raríssimo para Dartaul, um dos motivos dele a amar. Entretanto, o próprio jamais comentou sobre isso para ela.

    Ao termino do jantar, Trevor e Alayen trocaram palavras rápidas, mas apenas algo como “eu lavo isso depois” e coisa do tipo. Não demorou muito para todos se recolherem novamente em seus quartos, evitando fazer movimento demais lá dentro.

    Dartaul deitou-se novamente com Aika. Não está mais tranquilo como quando a chuva começara. Está tenso, nervoso e pensativo, tanto que está chamando a atenção da maga. Mas ela não parece saber o que fazer.

    O rapaz se vira para o lado onde não há nada senão um guarda-roupa e um tapete pequeno entre eles. Ele respira fundo e se arruma um pouco na sua cama, apenas para notar algo estranho próximo da porta.

    Outro corpo feminino o observa, mas esse parece mais bizarro. Vestido de um vestido longo e branco, sua aparência é totalmente fantasmagórica. Sua própria imagem treme e parece ameaçar se desfazer. Ela olha e sorri da forma mais assustadora que o rapaz já viu em sua vida. A pele pálida e suas órbitas aparentemente vazias fazem o corpo de Dartaul se arrepiar e tremer. A área ao redor parece estar ficando vermelha, as paredes derretendo, o ar sumindo.

    — Dartaul.

    Aika livra-o de seu devaneio sombrio. O fantasma não está mais lá e tudo voltou ao normal. Ele respira fundo mais uma vez e vira-se para Aika, que fita-o com preocupação.

    — O que foi?
    — Você está pálido e tremendo. Além de estar nervoso. O que está acontecendo?
    — Espera, estou? Não está vendo coisas, Aika?
    — Você não é tão bom para esconder coisas assim.

    O investigador engole em seco. Ela está certa.

    — Desde que saímos do esconderijo de Nightcrawler você tem estado assim, estranho... Veja, eu não sou ninguém para dizer como você deve se sentir, eu não me sinto a vontade pra fazer algo assim, mas... Dartaul, meus olhos não deixaram até agora de apontar que você não está bem. Sei que não sou a razão, mas há algo que você não quer falar nem pra mim. Eu sinto-me triste por isso, de não ser totalmente confiável pra você. Mas eu quero ser, e muito. Quero te ajudar, te proteger, te seguir até o fim do mundo, pois eu te amo, Dartaul. Eu quero que me conte, por favor... Tente fazer isso pra mim.

    Ele a olha em silêncio. Não quer envolvê-la nem colocá-la em perigo, mas nem mesmo ele sabe o que está acontecendo. Além disso, eles já estão em perigo. Estão na toca do lobo, se passando por lobos. E aquela declaração de Aika só o deixa mais acuado ainda.

    — Não é tão simples, Aika. Eu não sei nem por onde começar...
    — Diga, eu irei entender. Eu juro.
    — Eu não sei nem explicar que coisas estão me seguindo. Não sei explicar porque mudei tanto. Nem porque eu pareço ser mais hostil com todos quando se trata de você... Aika, não sei como te dizer nada do que está acontecendo. Mas posso dizer que talvez Varmuda tenha colocado seus olhos em mim.

    Aika sente-se triste em ouvir isso. Dartaul vira-se e se deita de peito para cima, sem conseguir encará-la.

    — Talvez você só esteja sobrecarregado demais para combater essas coisas, Dartaul. Você pode vencê-las. Todos podem... Não é?
    — Não sei. Mas você não pode resolver esse problema agora.
    — Eu entendo. — Disse Aika, aproximando-se devagar e colocando-se em cima dele. — Mas posso ao menos aliviar isso.

    A maga desce e beija-o, mas não é uma simples junção de lábios como ambos tem feito. É algo mais longo e intenso. Ele sente isso conforme suas línguas se tocam, com um pouco de mau jeito. Aika nunca tinha feito isso, então eventualmente ela quase morde com força o seu lábio inferior, parando no último instante. O rapaz sinaliza pra que ela faça mais devagar, sem pressa. Ela concorda, parecendo se sentir aliviada com esse pedido.

    Conforme se beijam, Dartaul parece reparar em algo. Aquele beijo esconde algo no fundo. Algo notável pela velocidade crescente, pela respiração pesada, pelas vezes em que Aika aperta seu braço ou seu ombro. Ele identifica como desejo, como outra personalidade subindo. Ele mal podia acreditar no que sente nela, considerando como a moça reage frente a alguns comentários vulgares de Nightcrawler ou Alayen enquanto estiveram no Arsenal de Ratos ou viajando para Thais. Sempre envergonhada, virando um pouco o rosto, fazendo uma expressão irritada, porém, adorável. É totalmente diferente da Aika que ele sente o beijando.

    Isso fica ainda mais notável quando ela tira sua camisa. Na sua cabeça, Aika sempre foi inocente e não sabia como seguir, assim como ele. Seu conhecimento sobre o assunto é tão raso quanto uma calçada. Mas talvez não fosse o caso da garota. Ou simplesmente o desejo a guia sem que ela perceba. O desejo de beijá-lo, de tocá-lo, de devorá-lo.

    Tudo parece acontecer rápido, por mais devagar que seja, por mais que pareça estar sempre dividido em etapas. A cada peça de roupa retirada, o pensamento da pureza da garota parece subir mais a cabeça do rapaz. Ele odeia e tem nojo da corrupção. Ele gosta da honestidade, da sinceridade e da pureza que está sempre por trás dessas coisas. Talvez seja a única coisa que o incomoda naquele momento, onde ambos se exploram pela primeira vez.

    Ele se coloca acima dela. A garota dá um pequeno sorriso e fecha seus olhos, esperando e permitindo qualquer coisa que Dartaul queira fazer. Quando ele fita-a, sua vida decide travar por um instante. Isso porque, em segundos, ele repara nos mínimos detalhes da cena em que ele se encontra.

    Seus olhos fechados incitam que ela esteja preparada e que sabe o que virá. Seu pequeno sorriso esboça felicidade. Sua respiração ainda é forte, e a área próxima do seu olho direito parece tremer um pouco de nervoso. Ele repara também em si mesmo. Sua experiência se limita as poucas explicações que Borges o deu enquanto adolescente e ao que ouviu dos seus colegas na universidade. Por isso, ele também repara que está mais nervoso do que ela.

    Isso parece estranho. Dartaul realmente não tem nenhuma experiência, jamais fez o que tinha feito até o momento. No entanto, Aika parece conhecer algumas coisas e por isso não se sente muito nervosa. As mãos dela estão sobre o lençol, como se dissessem que a dona delas não quer machucá-lo caso a dor seja forte demais. Além disso, ambos estão nus, ambos sentem a textura da pele um do outro em locais antes inimagináveis, mas ela não parece se importar.

    É como se ela tivesse sido aconselhada muito tempo antes. Como se os conselhos tivessem ido até longe demais. Como se ela tivesse sentido as mesmas coisas que Dartaul fez há pouco, mesmo que por um instante. Ela não reagiu com intensidade quando ele beijou seu pescoço fino, tocou seus seios quase pequenos e deslizou sua mão da barriga até ela. Ele não consegue tirar da sua cabeça, naquele instante, que ele é menos experiente do que ela sobre o assunto.

    Aika não é pura.

    Frustrado, mas sem demonstrar, ele começa. O gemido extremamente controlado, o corpo contorcendo-se numa mistura de sentimentos e as mãos segurando forte o lençol são as únicas reações intensas e reais que Dartaul conseguiu tirar dela. Ao menos isso ela não perdeu.

    Eles continuam, sem fazer muito barulho. Sabem que são os únicos acordados naquela casa.



    ~*~



    É madrugada. Dartaul está quieto e Aika dorme profundamente. Ele ainda não conseguiu dormir, apesar de tudo que acabara de fazer. Ainda assim, sente-se aliviado.

    Ele não escutou nada vindo da casa, nada vindo de fora e nada vindo da cidade. Tudo está realmente quieto, e no momento, tudo que ele ouve é a respiração dele e da sua parceira.

    Tudo está quieto demais. Até mesmo pra uma madrugada.

    Ele escuta um som parecido com líquido se mexendo de fora da casa. Ao escutar isso, o clima muda totalmente. A paz some e a tensão a substitui. A ansiedade consome seu ar e o desespero tira seu chão. Foi como o rio se mexendo, mas aquele rio parece pesado demais pra se mexer como água.

    — Sei que odeia me ouvir, Dartaul. Mas eu sinto duas coisas não tão distantes dessa casa. Tem um nível de poder forte. — Disse uma mulher dentro da sua mente, com uma voz mais grossa e sinistra. Varmuda.

    Dartaul não precisou de muito pra se levantar e olhar pela janela. Mas, como esperado, não vê nada nas redondezas, e os sons sumiram. Após andar um pouco pelo quarto, esperando ver algo diferente na janela, volta a deitar. Que tipo de coisas Varmuda tenta alertá-lo a respeito? Não consegue saber o que é.

    — Mais uma. Espera. Impossível... Que porra é essa? É totalmente diferente, é extremamente mais poderosa... Essa energia. Ela supera por milhões a de Soulslayer. Dartaul, chamarei Nightcrawler. Há algo muito ruim vindo pra cá.
    — Não! Por que vai perturbá-lo com suposições? Ele nem quer olhar na minha cara!
    — Você também não quer, mas ainda assim quero ajudar vocês dois. São o rei e rainha do meu tabuleiro. Não posso perder nenhum dos dois.

    Dartaul tenta gritar algo mais internamente, mas não consegue. Simplesmente começa a sentir algo vindo até ele. Não está em lugar nenhum, e também parece não ser dessa realidade. Logo, não consegue mais pensar. Não consegue se sentar na sua cama. Sua visão se foi, assim como o restante. A sensação da morte é tão certeira que parece uma piada.

    Ele parece estar flutuando no vazio. Quando percebe, abre os olhos. Parece estar deitado e voando no meio do nada, num escuro sem fim. Então, o mesmo corpo luminoso do seu sonho surge a sua frente. E antes que conseguisse pensar no que seria aquilo, ele recebe, de forma atrasada, a resposta de Varmuda.

    — Nightcrawler está com ambos olhos cobertos pelo meu poder. Parece que chegou a hora de enfrentar quem realmente está por trás da Irmandade.






    Próximo: Capítulo 29 – Junketsu II

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    Última edição por CarlosLendario; 09-08-2017 às 16:34.



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