Opa Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.
Trabalhar esse capítulo e fazê-lo chegar numa boa conclusão foi um pouquinho difícil. No fim, eu consegui fazê-lo de uma forma peculiar: Foi como se eu estivesse conversando comigo mesmo. Além disso, era realmente necessário um capítulo assim, pois eu não só quero que compreendam as mudanças que Dartaul está sofrendo, como também quero que o Nightcrawler não pareça um simples detetive genial inalcançável que irá sempre resolver os problemas. Também posso dizer que você adivinhou bem minha intenção.
Esse arco pode ser um tanto curto, mas o farei o melhor possível. Espero que goste!
Eu demorei duas semanas pra fazer esse capítulo pois estive não só ocupado com um projeto, como também não estava conseguindo escrever muito bem. Foi um tanto difícil escrevê-lo e deixá-lo fluir. Acho que ainda lidarei com esse problema mais vezes, pois é o final da história. Já faz quase um ano que estou escrevendo ela, e preciso terminá-la. Não estava nos meus planos alongá-la tanto.
Bem, espero que tudo esteja correndo bem e que a história finalize deixando a sensação de que vocês leram uma bela obra tibiana.
No capítulo anterior:
Nightcrawler tem uma conversa franca com Dartaul, expondo quem realmente é. Entretanto, isso não parece significar muito para o jovem investigador, que não gosta muito do detetive. E ele continua não gostando.
Capítulo 28 – O Antigo Lar
Suzio se despede uma última vez de Harlow, o capitão do navio. Chegaram na ilha Calcanea há pouco, durante uma madrugada nevoenta. O homem, junto dos marujos, não fez questão de tardar muito naquele lugar; nada de bom era dito sobre a ilha.
Apesar dos mitos a respeito do lugar, não havia nada de grande destaque ali senão uma casa abandonada e várias árvores espalhadas pelo lugar. A ilha é inacessível, mas existe um acesso até Fibula. Nightcrawler guia o grupo até a casa, enquanto o navio do seu amigo se distancia. Tudo em um perfeito silêncio.
A casa, feita de madeira pintada de bege, com vigas já um tanto enfraquecidas sustentando o teto cheio de folhas, não possui aspecto chamativo. Tanto que as janelas estão fechadas por algo irreconhecível e manchadas por fora. Com cuidado, eles entram naquele lugar. Dentro dali, encontram um local escuro, onde há pelo menos dois cômodos.
— O acesso está por aqui. Alguém faça luz pra eu procurar. — Disse Nightcrawler, sem conseguir ver o que tem ali dentro.
— Utevo Gran Lux — Pronuncia Alayen, iluminando toda a casa.
O mascarado sente um breve arrependimento.
No cômodo correspondente a sala, há um grande corpo de uma aranha gigante. Ela não exala cheiro, mas também não parece ter sido morta há pouco tempo. Ela possui olhos vivos, mas seu corpo não demonstra vida. O chão tem vários corpos decompostos de aranhas e as janelas estão cobertas por seu sangue já escurecido pelo tempo, bem como as paredes. Sua presença assusta todo o grupo, que fica hesitante de dar algum passo.
— Necromancia. — Disse Aika, um pouco sombria — Quem fez isso sabia bem o que estava fazendo.
— Sim. Caso tenha notado, a aranha é o acesso a Fibula. Não há como entrar nessa ilha, mas esse é o único modo de sair. — Disse Nightcrawler.
— E o que temos que fazer? — Questiona Trevor, intrigado.
— Nada demais.
Nightcrawler se ajoelha em frente ao rosto da aranha. Ele pega uma faca dentro de seu sobretudo e, com ela, faz um corte numa de suas presas. Isso deixa o resto do grupo curioso, afinal, a próxima parte é puro mistério.
O detetive retira sua máscara e coloca uma mão abaixo da presa cortada, enchendo-a de veneno. Depois, leva-o a boca, assustando mais uma vez seus companheiros.
— Imbecil! O que você tá fazendo? — Grita Alayen, irritado.
Mas antes que os outros pudessem protestar, eles já estão em Fibula, ao norte.
— Nos tirando daquele cubículo. Exana Pox. — Disse o detetive, indiferente.
Ele coloca sua máscara de volta e se levanta. Não demonstra sinais de que o veneno agia em seu corpo. Ou melhor: O veneno realmente parecia não ser nada para ele.
— Ok, se alguém gritar agora, eu mato. Precisamos sair de Fibula com cuidado, evitando patrulhas ou qualquer outra coisa. A ilha pode estar sendo vigiada.
Mais seguros, o grupo decide acatar o que o homem disse. Talvez não houvesse problemas para ele beber aquele veneno. Entretanto, naquele momento, a máscara está sendo conveniente para Nightcrawler, que está com uma expressão de dor e com lágrimas saindo dos olhos. A magia não foi o suficiente.
Eles seguem ao sul pela estrada de terra, alheios às árvores sombrias nos arredores. Ao longe, veem o grande vilarejo de Fibula, parte das vastas terras thaianas. Conforme se aproximam, notam a ausência de luzes, sendo vistas apenas de alguns guardas, que portam tochas. Os muros do vilarejo foram reforçados nos últimos dias, e há guardas em cima deles também, além do portão estar fechado. Entrar lá será impossível.
Ao longe, conforme descem a pequena colina do norte, notam a Universidade de Fibula. O local é um edifício grande, porém, simples, com um teto triangular e portando uma estátua de mármore no topo, representando Banor, o primeiro humano, significado de conhecimento para a humanidade. A construção é feita de muitos tijolos marrons e possui colunas de ferro visíveis ao longe. É uma estrutura forte. Por fim, seu campus, que pega parte do vilarejo e parte do sul, traz lembranças.
Dartaul e Nightcrawler estudaram ali. Sentem-se nostálgicos, mas não sentem arrependimento por terem se metido naquela situação. Afinal, eles estudaram e se formaram para estar naquela situação.
Eles conseguem passar despercebidos pelos guardas e seguem pelo caminho comum até o buraco ao leste. Deram a volta nas árvores, pois, aparentemente, havia guardas dentro dela para surpreendê-los. Há luzes fracas ali e elas são o suficiente para fazer seus capacetes reluzirem no meio da noite.
Um a um, o grupo desce o buraco e vai embora da ilha. Os investigadores não se sentiam confortáveis em continuar ali.
~*~
A saída sudeste de Thais está sendo vigiada. Para tirar os guardas dali, Alayen faz uma pequena explosão ocorrer no porto, mas com um barulho forte o suficiente para chamar a atenção dos homens. Eles correm até lá e deixam apenas quatro guardas pra trás. Esses são nocauteados por Trevor. Após isso, todos eles correm para a área residencial da cidade, sem olhar pra trás.
O local, que fica no sul da cidade, é iluminado por vários postes. Naquela hora da madrugada, ninguém mais decide andar por ali.
— E então, o que faremos? — Questiona Alayen, de braços cruzados, porém, atento.
— Agora é hora de sumirmos das ruas. Minha casa não fica longe, podemos ficar por lá. — Disse Trevor, mais atento ainda, olhando pros lados.
— Na sua casa? Sinceramente, isso não parece nem um pouco seguro.
— Ninguém está mais vigiando minha casa por ordens minhas. Há quatro quartos lá, vocês podem escolher entre três.
— Uma casa com quatro quartos é um belo de um privilégio, Trevor. — Disse Nightcrawler, brincalhão — O que você fez para consegui-la? Arrombou a porta dela e botou os riquinhos que moravam nela pra rua ou os matou e queimou os corpos?
— Não. Era o puteiro onde a sua mãe trabalhava, tomei para mim e mandei todas as mulheres e os donos pra fora. Sua mãe deve estar trabalhando pros venorianos agora. — Disse Trevor, com um meio sorriso.
— Heh, mas que filho da puta. — Disse o detetive, rindo baixo. — Leve-nos pro seu puteiro então, cafetão.
Trevor riu e tomou o caminho para a sua casa, seguido dos restantes. Dartaul e Aika estão logo atrás deles, e não parecem estar a vontade o suficiente para se meter nas gracinhas deles. Ao invés disso, Aika está usando seus olhos especiais para tentar ver perturbações nos arredores, mas tudo está tranquilo. Até demais.
A casa de Trevor realmente não era longe, entretanto, está um tanto perto da saída leste de Thais, o que talvez signifique perigo. Como imaginado, sua casa não está sendo vigiada, então Trevor consegue achar uma chave oculta debaixo da janela à direita da casa para abri-la. O grupo entra rápido e o guarda fecha a porta. Alayen ilumina o lugar e ajuda a cobrir as janelas com panos simples.
Trevor acende duas lamparinas, uma dentro da cozinha e outra na sala. A cozinha está dentro de um cômodo pequeno que, ao invés de ser cercado por paredes, é cercado por dois balcões, por onde ele pode colocar os pratos que prepara, como num restaurante. Entretanto, vendo do ponto de vista da entrada do local, há balcões à esquerda, e paredes cinzentas à direita. A sala possui dois sofás verdes, cada um de um lado, e uma mesinha de madeira em cima de um tapete verde. A casa possui dois quartos no andar térreo e um banheiro, e outros dois acima.
— É uma bela casa, Sr. Trevor. Mostrando o que tem pra oferecer, realmente. — Disse Nightcrawler, de braços cruzados.
— É, foi me dado quando virei tenente. Alguns outros moravam aqui, mas foram deixando a casa conforme iam sendo promovidos.
Trevor vai até a cozinha e começa a organizar as coisas dali.
— Está tarde pra comer, mas farei alguma coisinha pra quem quiser. Podem ir pegar seus quartos. O do final do corredor de cima é o meu.
— Calma aí, guardinha. Tem três quartos pra nós, e somos quatro sem contar você. — Disse Alayen, com as mãos na cintura e um olhar inquisitivo.
— É só uma dupla dormir no mesmo quarto. Pode ser no meu, que tem uma cama de casal. — Disse Trevor, olhando para todos reunidos em frente a cozinha. Ele, então, põe o olho no casal logo atrás. — Já tem uma dupla logo atrás de vocês.
Os olhares se voltam para Dartaul e Aika. A garota fica envergonhada com a situação.
— Hah. Sério? Tem certeza de que é bom deixar os dois no mesmo quarto?
— Algo me diz que eles precisam de um tempo maior. — Disse Trevor, com um sorriso de canto.
— Ah, caguei. Vou pro meu quarto.
— É... Acho que vou pro meu também. Preciso preparar meu santuário particular antes que alguém venha perturbar meu espírito. — Disse Nightcrawler, seguindo Alayen.
— Não sabia que você era dessas, tio.
— Estou sendo irônico, animal.
O detetive sobe as escadas e Alayen vai pro primeiro quarto do corredor. Um silêncio curto se estabelece.
— Pode ir, vocês dois. Eu me viro aqui.
— Eu te ajudo. — Disse Dartaul, sério como de costume.
— Posso ajudar também... — Balbucia Aika, ainda envergonhada com a situação que foi colocada.
— Não, Aika. Melhor ir pro quarto, você deve estar cansada de tudo isso. Na verdade, você anda cansada desde que voltou.
— Não exatamente, mas... Tudo bem.
Aika dirige-se até a escada e sobe-a devagar. Trevor volta as suas tarefas ali e Dartaul ajuda como pode. No fim, eles fizeram alguns pedaços de carne de galinha e pães com presunto dentro, e pegaram café para ambos. Há uma mesa com cadeiras no lado esquerdo da cozinha, onde se sentam.
Dartaul não deixa de ter suas dúvidas em sua mente, enquanto Trevor parece estranhamente tranquilo.
— Ei, Trevor. Não é totalmente arriscado pra você nos deixar aqui?
— Bem... Sim. — Disse Trevor, com uma voz baixa — Mas veja só. Estamos no olho do tornado. Ninguém pensará em procurar o que perdeu dentro do tornado, mas sim fora. É o senso comum.
Trevor toma um gole de café e reflete um pouco.
— Na cabeça dos inimigos, estamos bem longe de Thais e das cidades aliadas. Estamos bem escondidos, tentando não se manter expostos o tempo todo. Ainda assim, eles não baixaram a guarda totalmente. A prova é a vigia que encontramos em Fibula e aqui no sul da capital. Essa tática do tornado é bem conhecida, então talvez algum aliado do Harkath esteja pensando assim. Talvez o Harsky. Ele é bem inteligente.
— Pensei que todos os cães do rei eram imbecis.
— Não todos. Mas olha só, Dartaul. Tenho certeza que, quando terminarmos essa palhaçada toda, você receberá seu cargo de volta. Talvez será até promovido. Eu mesmo posso te recomendar para o cargo de investigador de primeira classe.
— Por que tudo isso?
— Pois você evoluiu bastante nessa missão. Está mais sério e focado. Sua mente está afiada e preparada. Eu diria que foi pouco tempo para isso acontecer, mas você deve ter seus segredos a respeito disso.
— Eu me forcei a ser. Só isso.
— Borges teve alguma contribuição com isso, não é?
Um flash tenta destruir as estruturas da mente já frágil de Dartaul. Ele relembra os últimos momentos de Borges. E o terror que passou nos esgotos de Yalahar.
— Talvez. — Disse Dartaul, voltando a comer em silêncio.
Passam-se pelo menos dez minutos com eles comendo em silêncio. Ao terminar, Trevor recolhe os pratos e copos e leva-os a cozinha. Alguém desce as escadas enquanto isso, e aparece logo ao lado de Trevor, assustando-o.
— Seu retardado. Pare de fazer isso.
— Não resisto. — Disse Nightcrawler, ainda usando sua máscara. Está sem seu chapéu e seu sobretudo, estando apenas com um casaco e calças negras, além de sapatos marrons.
— Bem, eu estou indo pro meu quarto. Recomendo irem dormir logo.
— Boa noite, Trevor. — Disse Dartaul, com um pequeno sorriso.
Trevor segue em silêncio, enquanto Dartaul volta a pensar consigo mesmo. Num instante, o detetive surge ao seu lado e senta na cadeira onde Trevor estava. Em seguida, coloca seus braços sobre a mesa, com olhos fixos no investigador.
— Você é sempre muito caladinho, mas ultimamente você anda bastante calado. Qual é a sua?
— Você sempre me ignora, mas ultimamente tem dado um foco esquisito em mim. Está planejando me violar?
O detetive não deixa de rir.
— Eu não. Mas sei que você planeja fazer isso com a mocinha ali em cima.
Dartaul permanece indiferente.
— Por falar nela, ainda não acha suspeito a forma de como ela apareceu para nós? Matei Adumo e ela apareceu do lado do buraco. É como se aquela que estava conosco nunca tivesse sido real.
— É, mas não me importo. Ela está aqui, é o que importa.
— Ela estar aqui não significa muito pra mim. Mas se você gosta dela, tudo bem.
— Então por que ainda duvida dela? Ainda quer jogá-la numa cela?
— Não posso negar esse desejo. — Disse Nightcrawler, colocando sua cabeça sobre uma das mãos. Ele finalmente consegue fazer Dartaul fitá-lo, mesmo com ódio nos olhos. — Olhe. Sua garota foi usada pela Irmandade para nos espionar. A irmã gêmea dela a usou. Ela tentou me matar por ter matado ela, e eu entendo, foi um ato precipitado. Mas ainda agora, nem mesmo eu acredito que o que eu fiz com Miraya foi o suficiente. Aika não tem mais uma energia suspeita, mas o fato dela ter retornado como era antes, com as mesmas memórias, os mesmos sentimentos... Acho que nenhum perito em espíritos ou coisa do tipo saberia explicar o que aconteceu.
— É, mas ela está aqui. Não sinto nada através dela ou dentro dela.
— Nem Varmuda.
Dartaul esboça uma rápida surpresa através dos seus olhos, mas desfaz totalmente essa expressão. Nightcrawler tira a mão da cabeça, intrigado.
— Você sabia disso, não é? Que quem sente energias desconhecidas nos outros é Varmuda. E se você sente, significa que tem uma conexão com ela.
— Não. Eu não sabia.
— Ué. Acha que eu acreditarei que toda a sua mudança súbita de personalidade e até mesmo aquela coisa que você fez na cabine do Harlow foi pura coincidência? Acha que eu não sei que você tem algo aí contigo?
— Estou agindo por minha conta, mascarado. Fique na sua.
O clima muda subitamente. As luzes quase se apagam quando Nightcrawler surge ao seu lado de repente, com o poder etéreo e alaranjado cobrindo sua mão esquerda, cuja está sobre a mesa que os separava. Ele olha com ódio para o rapaz sentado.
— Não, não está. — Vocifera Nightcrawler, irritado. — Você firmou algo com Varmuda e não quer me dizer o que é. Eu vou arrancar essa informação de você agora.
Dartaul permanece indiferente. Nem mesmo olha em seus olhos.
— É, faça isso, amigo do demônio. Assim, você destruirá todos os nossos esforços de passar despercebidos pelos thaianos e de nos reorganizar para ir contra a Irmandade novamente. Destrua tudo isso tentando tirar informações de mim, seu covarde de merda. Aja como o detetive escroto que você é, mais uma vez.
Nightcrawler parece ter sido pego de surpresa, mas não desfaz sua postura.
— Tudo bem, garoto. Mas lembre-se de uma coisa: O poder dessa vadia é uma maldição, e não um privilégio. É carregado de tudo que há de pior nesse mundo e em qualquer outro. É o poder de um demônio. Não ache que será capaz de passar por tudo porque tem uma fração desse poder no seu sangue. Pois, quando você menos esperar, ele irá te consumir, e você não será mais capaz de se reconhecer.
O poder cessa e as luzes voltam ao normal. O detetive vai embora dali, subindo as escadas com pressa. Dartaul fica no mesmo lugar, ainda refletindo sobre algum assunto aleatório.
Muito bem, muito bem. Tire-o do nosso caminho, por enquanto. Ainda temos coisas a discutir, Dartaul Aurecino.
O rosto de Dartaul se fecha mais ainda. Ele compreende que tem uma maldição o atormentando.
Próximo: Capítulo 29 – Desejo
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