Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.
Dartaul já estava perturbado com muitas coisas desde o começo da história, ter esse sonho no começo daquele capítulo foi a melhor coisa que pude fazer para continuar seguindo com esse foco nele. Eu também queria contar mais a respeito dele e do porque ele ter mudado como personagem ao longo da história. Ainda continuarei fazendo isso, afinal, já dei muito foco no detetive mascarado, acho que agora ele também tá precisando. Os outros, bem... Quem sabe um dia.
A parte que inclui na história a respeito de Carlin é parte das tretas dessa versão de Tibia que eu criei, então acredito que não haja espaço para introduzir isso aqui, por hora. Mas, claro, não vai terminar assim.
Por fim, creio que os últimos capítulos terão esse foco mais psicológico para então voltar a porradaria. Eu venho planejando tudo há um bom tempo, então escreverei cada coisa com o melhor que tenho em escrita. Eu espero que goste!
Espero que goste desse capítulo também. Escrevi ele pensando em cada pessoa aqui que curte o Dartaul e o Nightcrawler.
Esse capítulo, originalmente, não existe. Decidi escrevê-lo pois achei necessário uma introdução para o próximo arco. Não quero que nada pareça seco demais agora, tudo passará a ter seus motivos e seu sentimento por trás, seja drama, suspense, ou até terror. E, claro, espero passar todos esses sentimentos para vocês sem problemas.
Espero que gostem do capítulo!
No capítulo anterior:
O grupo leva o corpo da Rainha Eloise para a nova rainha de Carlin, Elisângela, apenas para descobrir que ela abomina Eloise e sua linhagem, e deseja deixar Carlin para o povo élfico com ela no comando. Mas Dartaul lhe dá um senso de realidade, juntamente de Nightcrawler. E enquanto saem dali, o mascarado reencontra Lea, mas a deixa para trás, não prometendo voltar.
Capítulo 27 – Divergentes
O navio segue numa viagem quieta pelo golfo dos reis. Não demorará mais do que um dia para chegarem ao seu destino.
Dartaul está quieto em sua cabine. O olhar de Lea direcionado a ele, como se o próprio fosse sua última esperança, parece ter martelado fortemente dentro da sua cabeça, uma vez que, por mais que ele tente, o rapaz não consegue esquecer o que viu. Enquanto deitado, ele tenta organizar seus pensamentos, ao mesmo tempo que lida com os roncos baixos de Aika, que dorme abraçada a ele, com a cabeça em seu peito. Ele não chegou nem perto de pensar o suficiente sobre ela, principalmente sobre o seu retorno misterioso.
E agora, o maior mistério naquela história toda é sobre o próximo passo de Nightcrawler. Afinal, o detetive é totalmente imprevisível.
Dartaul vira o rosto para o lado, ainda pensativo, enquanto o navio balança calmamente. E ao olhar para a porta, nota ela entreaberta e com um rosto sorridente por trás dela.
— Feliz natal. — Disse Nightcrawler.
A respiração de Dartaul volta devagar.
— Filho da puta. Quase morro de susto. — Murmura Dartaul, tentando não acordar a feiticeira com a sua voz.
— Preciso que venha comigo. Vamos conversar.
— Conversar sobre o quê?
— Sobre a economia dos dworcs. É algo realmente interessante, pra não dizer complexo.
O investigador bufa.
— Vamos só conversar. Não há mal algum nisso. Anda, sai daí.
O rapaz decide se levantar, tomando cuidado com Aika. Ele puxa o travesseiro e coloca-o debaixo da cabeça da garota, na tentativa de enganar sua mente e dizer que ele ainda está ali.
Dartaul segue o detetive até a sua cabine. E ao entrar, mal repara em diferenças para a sua. Apenas há mais prateleiras com vários livros em ao menos três paredes do quarto. O rapaz fecha a porta e Nightcrawler dirige-se para uma mesa próxima, tomando para si dois copos cheios de uísque.
— Aceita? — Disse o mascarado, oferecendo um dos copos para o rapaz.
— Uísque? Num navio desses?
— O quê? Não estamos num navio pirata para bebermos rum. E eu não gosto de rum, também.
O rapaz aceita, e Nightcrawler se senta na outra ponta da mesa. Dartaul senta na cadeira mais próxima, ficando frente a frente com o mascarado.
Surpreendentemente, ele retira sua máscara e deixa-a sobre a mesa. Seu rosto quase coberto por queimaduras, além da estranha cicatriz no olho esquerdo, parecem ser o destaque central da sala. Afinal, não é todo dia que se vê algo assim.
— E então, rapaz, me diga: O que tem achado dessa missão toda?
O investigador se surpreende. Não havia pensado em algo assim até o momento.
— Bom... Não sei. Pra falar a verdade, não passou pela minha cabeça pensar sobre algo assim.
— Imagino. Tanta merda acontecendo ao mesmo tempo não nos dá o luxo de refletir sobre nossas vidas.
— Talvez eu possa dizer que foi uma experiência e tanto. Mas está longe de ser positiva.
O detetive parece intrigado. Entretanto, ele finge não estar, afinal, sem a máscara, outros podem ver suas expressões e se divertir com isso. E talvez seja um dos motivos do mesmo utilizar aquela máscara.
— E por que diz isso?
— Preciso explicar ainda, Suzio?
Dezenas de cenas onde Dartaul passara por problemas na missão chegam a sua mente, mas ele continua indiferente enquanto fita o rapaz.
— Bem, acho que não. Mas é sempre bom botar as coisas pra fora, não é?
— Justamente pra quem causou todas elas? Acho que ainda não é o momento.
— Ora, rapaz. Não me olhe como se eu fosse o diabo em pessoa. Sei que não sou nenhum santo e nem fui a melhor coisa para essa companhia, mas provavelmente você tem em mente que eu nem esperava que metade das coisas que aconteceram virassem realidade. Estou errado?
— Então você é um péssimo líder.
Suzio dá um riso abafado e triste.
— É, talvez eu seja. Mas, sabe, há uma razão. Não sou nenhum gênio, sou apenas um detetive com uma mente aberta. E antes disso, eu não era um gênio também. Quando eu estudei para ser um alquimista ao lado de um velho amigo, eu reparei que eu tinha a tendência de ser deixado para trás. Como durante o período que vivi com meus pais, que sempre me deixavam sozinho em casa para ir trabalhar e pouco se fodiam pras minhas condições. Deixavam que um vizinho ficasse de olho em mim e cuidasse de mim quando eu ficasse doente. Acho que, no fim, essa impressão nunca foi deixada para trás.
Dartaul fita-o seriamente, sem responder.
— Mesmo liderando essa companhia, eu não sentia que estava totalmente apto a guiá-la. Sentia sempre que estava faltando alguma coisa na minha conduta, que eu estava cometendo erros atrás de erros. Então, mesmo quando eu calava a minha boca frente as merdas que aconteciam com a gente, eu estava pensando... Porra, eu sou um retardado mesmo, um animal. Garanto que se fosse ele, algo diferente ocorreria. Algo melhor.
Suzio dá uma golada rápida em seu uísque.
— Então você sempre esteve se culpando pelo que fez?
— É por aí. É bem estúpido ao olhar dessa forma. Eu estou aqui, pensando que não sou capaz de liderar ninguém, ansiando por alguém para carregar por mim meu fardo. Mas veja por um lado: Todos alguma vez já pensaram assim, frente a alguma dificuldade.
— Eu nunca pensei.
Suzio engole em seco frente a Dartaul pela primeira vez desde que tudo aquilo começou.
— Certo, Dartaul. Então, de fato, você é forte, e eu, fraco e mesquinho. Mas é como eu te disse quando estávamos no hakugai: Eu nunca pedi por isso. Nós um dia desejamos crescer, e quando crescemos, queremos voltar de onde começamos. Afinal, um joelho ralado dói muito menos que um coração partido. Perder o dia de brincadeiras com os amigos por causa da chuva é menos doloroso do que ver suas expectativas para o futuro destruídas diante dos seus olhos. A inocência e ignorância da infância é mais confortável do que o conhecimento adulto sobre o mundo.
Dartaul permanece indiferente, mas Suzio não se incomoda com isso.
— Até hoje não sei o destino dos meus pais, nem do vizinho que cuidava de mim, nem dos meus amigos. Não sei o que aconteceu com meu velho amigo Senzo, nem com os amigos que consegui enquanto trabalhei em Yalahar. Acho que nem saberei. Me resta continuar trabalhando e cumprindo meu papel enquanto ainda estou vivo. Meu papel de detetive.
Finalmente o investigador parece entendê-lo melhor, e então, toma um golpe do uísque, em resposta.
— Você é bem emotivo pra alguém tão frio e babaca.
— Talvez.
— Além disso, você expressa coisas que eu mal cheguei a sentir. Afinal, eu não quero voltar pro meu início. Mal tinha amigos, tampouco tive tempo para ser inocente. Agora, eu não sinto que estou cumprindo algum papel. Na verdade, pareço mais um zumbi procurando cérebros. Esses cérebros talvez sejam o fim dessa missão, onde depois disso, continuarei andando por aí, sem rumo. Afinal, você fodeu comigo.
— Pensei em algo para ajudá-lo, nesse caso.
Suzio se levanta e pega uma pasta, cuja capa é feita de madeira e é bem escura. Ele coloca na mesa e deixa ela a disposição do rapaz, que abre com curiosidade. Vê relatórios que tinham sua letra, mas ele sabia que não tinha sido ele quem escreveu aquilo.
— Uma das minhas habilidades é copiar caligrafias. Fiz para você esse relato que você poderá entregar para a sua guarnição daqui um mês.
— E o que tem aqui para me ajudar? — Questiona Dartaul, alheio ao fato dele nunca ter mostrado sua caligrafia para Nightcrawler.
— Provas de que você me matou após a Arapuca de Yalahar. Que você tinha começado uma investigação independente para me capturar. Sei que Harkath mandou Trevor para cá justamente pra me capturar caso eu fizesse merda e botasse autoridades em risco. Deve lembrar que, para a chefe dos inquisidores thaianos, eu te capturei junto de Trevor. O relatório estava sendo escrito desde aquilo, e eu decidi ir até lá justamente para o fato de você ter me matado fazer sentido.
— Sempre sendo um detetive sem noção, não é?
— É o meu trabalho.
Dartaul sorri e bebe um pouco mais do uísque, e fecha a pasta. Suzio senta-se na cadeira próxima, e fita o rapaz.
— Ainda podemos conversar mais um pouco.
— O navio deve estar chegando ao nosso destino. Ilha Calcanea, não é?
— Isso. Depois iremos para Fibula e por fim chegaremos no continente para entrar em Thais pelo sul.
Ambos tomam um pouco mais da bebida em suas mãos e praticamente finalizam seus copos.
— Bem, vou voltar pro meu quarto. Quero descansar antes dessa jornada.
— Ah, tudo bem. Depois continuaremos nossa conversa de detetive maluco e investigador recruta.
Dartaul se levanta e pega a pasta que Suzio lhe entregou. E então, olha para o homem.
— Que bom que você consegue enxergar diferenças entre nós, Suzio. Pois você deve se lembrar que eu nunca serei como você.
— Perfeitamente.
Dartaul dá meia volta e sai do quarto, rumando até o seu, sem dizer uma palavra. Ainda há um resto de bebida no copo do detetive, do qual ele termina de beber. Ao deixar o copo na mesa, ele começa a fitar o nada.
— De preferência, não seja. Odeio imitadores. — Murmura para si mesmo, enquanto afunda-se em sua própria cadeira, cansado.
Próximo: Capítulo 28 – O Antigo Lar
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