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Tópico: Bloodtrip

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  1. #1
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    Ufa, finalmente consegui ler tudo! Fiquei atarefado no final de janeiro, pisquei o olho, e você postou uns 6-7 capítulos! hahahahah

    Acho que a pausa na ação foi fundamental para dar mais fôlego para a história. Eles pararem para pesquisar, descansar e se recuperar encaixa muito bem na historia. Acho que você pode dar mais peso nas personagens, ir com mais calma ainda, para a gente sentir mais empatia por elas e chorar quando você matá-las de forma violenta e cruel, hehehe. O número de personagens é bem grande, o que faz com que um leitor possa se perder entre elas, e não relacionar as descrições aos nomes. Além do mais, quanto mais personagem, mais conteúdo e peso o texto deve ter, para a personagem ser relevante a trama. Gostei do romance entre os dois pombinhos no final desse capítulo, embora me pareça pueril demais, algo meio anime japonês. Amor é uma palavra muito forte, talvez você tenha corrido com a relação entre os dois. Ou vai ver eles são dois adolescente bobos apaixonados? Não sei se sou eu que estou virando um velho cético :O

    Fiquei bem curioso sobre o Dartaul e seu passado, assim como sobre Rookgaard. Nightcrawler me pareceu um personagem melhor, com os flashbacks do passado e como caiu na pegadinha do Trevor. Ele cair na pegadinha significa que ele REALMENTE acha que ser preso seria algo possível, o que me faz pensar sobre seus possíveis crimes. Uma coisa que me deixou encucado, porém, é um trecho sobre as patentes thaisenses: você diz que o tenente virou capitão pulando o posto de sargento. Mas, ao menos nos postos militares do mundo real (nos quais você parece ter se inspirado com os nomes), sargento é uma das patentes mais baixas, sendo inclusive NCO (Oficial não comissionado, ou seja, não precisa nem ter feito curso de oficialato). Fiquei confuso.

    Uma coisa que me incomoda, porém, é o exagero no poder da Irmandade. Quero dizer: se eles tão matando todo mundo em todos os lugares, a população tibiana deveria estar se reduzindo drasticamente. E, acredito eu, que mais gente iria estar interessada no desenrolar da brincadeira sangrenta, tanto em oposição quanto favorável. Não sei. Essa irmandade me parece muito onipotente.


    Desculpa se o comentário ficou confuso, é que eu li muitos capítulos ao mesmo tempo. Continue postando, vou continuar acompanhando!

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  2. #2
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    E aí, Carlos. Foi mal pela demora, só parei pra ler o capítulo novo agora.

    Um capítulo inteiro com o Dartaul (melhor personagem), aí sim

    Gostei bastante do capítulo, você não estava exagerando quando disse que ficou foda. A narração do sonho (?) ficou interessante, principalmente por causa da intercalação entre os acontecimentos e a som do rádio. Outra coisa que achei bacana foi o duplo sentido da palavra "monte" ali, foi uma boa sacada.

    Fiquei ainda mais curioso com a Aika e o pulsante. Parece que ela já era meio estranha antes mesmo do ataque da irmandade. Agora que ela e Dartaul aparentemente ficarão juntos será interessante acompanhar como essa história vai se desenrolar.

    E esse Dartaul safadão aí no final? Imagino o Nightcrawler chegando lá de surpresa e vendo essa cena kkkkk.

    Parabéns pelo capítulo, ficou muito bom. Aguardo a sequência.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  3. #3
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    Padrão Capítulo 17 - Promessa

    Citação Postado originalmente por Thomazml Ver Post
    Ufa, finalmente consegui ler tudo! Fiquei atarefado no final de janeiro, pisquei o olho, e você postou uns 6-7 capítulos! hahahahah

    Acho que a pausa na ação foi fundamental para dar mais fôlego para a história. Eles pararem para pesquisar, descansar e se recuperar encaixa muito bem na historia. Acho que você pode dar mais peso nas personagens, ir com mais calma ainda, para a gente sentir mais empatia por elas e chorar quando você matá-las de forma violenta e cruel, hehehe. O número de personagens é bem grande, o que faz com que um leitor possa se perder entre elas, e não relacionar as descrições aos nomes. Além do mais, quanto mais personagem, mais conteúdo e peso o texto deve ter, para a personagem ser relevante a trama. Gostei do romance entre os dois pombinhos no final desse capítulo, embora me pareça pueril demais, algo meio anime japonês. Amor é uma palavra muito forte, talvez você tenha corrido com a relação entre os dois. Ou vai ver eles são dois adolescente bobos apaixonados? Não sei se sou eu que estou virando um velho cético :O

    Fiquei bem curioso sobre o Dartaul e seu passado, assim como sobre Rookgaard. Nightcrawler me pareceu um personagem melhor, com os flashbacks do passado e como caiu na pegadinha do Trevor. Ele cair na pegadinha significa que ele REALMENTE acha que ser preso seria algo possível, o que me faz pensar sobre seus possíveis crimes. Uma coisa que me deixou encucado, porém, é um trecho sobre as patentes thaisenses: você diz que o tenente virou capitão pulando o posto de sargento. Mas, ao menos nos postos militares do mundo real (nos quais você parece ter se inspirado com os nomes), sargento é uma das patentes mais baixas, sendo inclusive NCO (Oficial não comissionado, ou seja, não precisa nem ter feito curso de oficialato). Fiquei confuso.

    Uma coisa que me incomoda, porém, é o exagero no poder da Irmandade. Quero dizer: se eles tão matando todo mundo em todos os lugares, a população tibiana deveria estar se reduzindo drasticamente. E, acredito eu, que mais gente iria estar interessada no desenrolar da brincadeira sangrenta, tanto em oposição quanto favorável. Não sei. Essa irmandade me parece muito onipotente.


    Desculpa se o comentário ficou confuso, é que eu li muitos capítulos ao mesmo tempo. Continue postando, vou continuar acompanhando!
    Grande Thomaz, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Gosto de quem fica atento sobre as coisas nas minhas histórias, então vou te explicar algumas coisas.

    Bem, eu planejo estender por vários capítulos ainda essa parte tranquila até chegar na hora certa. O plano já está sendo armado, então, por hora, me atentarei a dar utilidades e fundos diferentes para cada personagem, para que assim o leitor fique atento sobre quem cada um deles é.

    Sobre o romance, devo dizer: Nunca escrevi cenas do tipo. Eu sou um escritor dinâmico, curto mais a ação e a aventura, mas nos últimos tempos estive com uma forte vibe para o drama e gêneros ao redor, isso me ajudou a fazer essa história e deixá-la boa. Essa cena teve realmente a intenção de mostrar que temos um casalzinho aí, mas ao mesmo tempo, queria saber se sou capaz de escrever uma. E pra me inspirar, cheguei até a assistir um pouco um anime de romance que consegue mergulhar mais intensamente no assunto; Isso me deixou mais confiante na hora de escrever. Mas não consegui disfarçar a semelhança com a obra, então, perdão.(O anime em questão é Kuzu no Honkai)
    E não dá pra dizer que são adolescentes bobos apaixonados, eu meio que corri as coisas, mas de fato durante essas semanas em que eles ficaram próximos foi formando uma relação. Creio que não ia dar tempo de desenvolver isso direito.

    Essa cena do Nightcrawler teve a intenção de mostrar que todos estão em perigo nessa história, não importa quem seja. Eu não tenho muita pena com protagonistas e posso fazer eles se ferrarem sem aviso prévio, como foi o caso desse capítulo. Então, já espere algo acontecendo com os personagens do nada.

    E sobre as patentes: Eu recriei elas para o mundo tibiano, por isso tenente de guarda está abaixo de sargento. O sargento é um estrategista com experiência em campo e em escritório, então eles tem mais importância, digamos assim. Eu formei um rank de como funciona a hierarquia lá:

    Recruta
    Soldado
    Cabo
    Tenente
    Tenente de Guarda
    Sargento
    Capitão de Guarda
    Comandante
    Major
    Comandante-em-Chefe
    General
    Marechal

    Espero que assim tenha ficado melhor pra entender como funciona as Guarnições e a hierarquia do exército em si. Este rank vale tanto pras guarnições quanto pro exército, na falta de uma força aérea para equilibrar; Há também a hierarquia dentro da marinha tibiana, mas isso não vai ter importância na história, então deixo de lado.

    Por fim, a Irmandade não é onipotente. Ela apenas trabalha em intervalos e mata um número calculado de pessoas. Se elas realmente acabassem com com tudo, Carlin inteira teria, de fato, morrido, o que não foi o caso. Lá no capítulo 5 eu mostrei como esses membros podem ser derrotados, mas o motivo deles serem "imortais" assim eu explicarei mais pra frente conforme a história caminha. Mas, de fato, tem várias pessoas que conhecem a Irmandade, elas apenas tem medo de ir contra ela. E acredite, muuuita gente já tentou.

    Enfim, espero que continue acompanhando, Thomaz, e que eu tenha explicado direito. Se não entendeu algo, só comentar.

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí, Carlos. Foi mal pela demora, só parei pra ler o capítulo novo agora.

    Um capítulo inteiro com o Dartaul (melhor personagem), aí sim

    Gostei bastante do capítulo, você não estava exagerando quando disse que ficou foda. A narração do sonho (?) ficou interessante, principalmente por causa da intercalação entre os acontecimentos e a som do rádio. Outra coisa que achei bacana foi o duplo sentido da palavra "monte" ali, foi uma boa sacada.

    Fiquei ainda mais curioso com a Aika e o pulsante. Parece que ela já era meio estranha antes mesmo do ataque da irmandade. Agora que ela e Dartaul aparentemente ficarão juntos será interessante acompanhar como essa história vai se desenrolar.

    E esse Dartaul safadão aí no final? Imagino o Nightcrawler chegando lá de surpresa e vendo essa cena kkkkk.

    Parabéns pelo capítulo, ficou muito bom. Aguardo a sequência.

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    É, não foi um sonho, foi um pesadelo, hehe. Essa é uma cena que achei que só daria certo na minha cabeça, acabei conseguindo executá-la bem.

    Aika era só um pouco estranha mesmo, tem coisas que ela conhece que ninguém mais conhece e tal. Mas no geral acho ela normal, só é quieta. E, bom, os dois são um casal agora, e com tempo isso irá se desenvolver como possível. E eu realmente pensei em fazer o Nightcrawler aparecer ali no final, mas deixei pra lá. Ele tem outros assuntos a tratar.

    E bom, você curtiu esse capítulo com o Dartaul, então, irá gostar desse também.










    E aí pessoal, venho trazer-lhes mais um capítulo. Eu bem que estava esperando mais comentários para dar uma avaliada no último capítulo, mas não faz mal. Vamos continuar seguindo o trem.

    A propósito, há várias dicas sobre algumas coisas nesses últimos capítulos(Mais especificamente 15, 16 e 17) com relação ao mundo onde se passa a história e também à história. Não sei se vocês vão perceber, mas espero que consigam.



    No capítulo anterior:
    Dartaul tem um pesadelo envolvendo um ataque da Irmandade à Meriana. Após isso, Aika surge no quarto, e revela ter colocado o pesadelo nele pois ela estava sofrendo com aquilo. Um breve romance acontece entre eles, bem como para salvar Dartaul de uma ilusão que poderia ser uma sequela do pesadelo anterior.




    Capítulo 17 – Promessa



    Sentado sobre uma rocha, um jovem loiro observa algo ao longe. A chuva castiga a grama ao redor, assim como a terra daquele lugar, que parece não ver água a dias. Ela molha todo o seu corpo, mas ele não se importa. Está esperando algo, alguém.

    Seu corpo está coberto de sangue, bem como alguns locais ao redor dele. Talvez ele tenha combatido alguém antes de chegar ali, talvez estivesse ferido, mas ele não se importa.

    O jovem não sairá de lá. Ele continuará esperando.


    ~*~


    Numa loja de armas, alguns rapazes vendem algumas que acham em suas jornadas por alguma quantia de ouro. Eles são recebidos por Obi, um homem de cabelos grisalhos e sempre vestido de sua armadura conseguida em Thais em tempos longínquos.

    Dois desses rapazes se destacam levemente dentre os demais da ilha de Rookgaard. Dentre eles está Dartaul, vestido com uma camisa longa e negra com uma armadura de couro por cima e lanças numa aljava personalizada nas costas. Usa uma calça de correntes, além de dois equipamentos raros na ilha: Um elmo da legião e um escudo de cobre.

    Seu amigo é um rapaz mais alto que ele, usa uma katana e possui equipamentos de bronze, como a armadura, a calça, o capacete e o escudo. Suas botas são amarelas para combinar com o restante. Ele possui cabelos ruivo-escuros e um porte físico levemente maior que o de Dartaul.

    Por onde passam, atraem atenção. Cochichos, olhares admirados ou invejosos, elogios. A verdade é que os dois rapazes eram insanos e buscam o perigo a qualquer custo. Atualmente, eles, junto de outros rapazes, ajudam os necessitados de apoio em Rookgaard, mas antes, eles caçavam todos os mistérios da ilha, uma vez que tinham uma rincha com um grupo rival de aventureiros. Eles eram capazes de virar a ilha de cabeça pra baixo apenas para encontrar seus mistérios, mas não fazem mais isso.

    Dessa vez, os dois rapazes estão determinados a resolver uma das maiores lendas de Rookgaard: A Espada da Fúria. Soluções foram encontradas, e, logo ao saírem da loja de Obi, foram recebidos por uma multidão enaltecida. O vilarejo, nesta época, é muito bem habitado, e ali há pelo menos cem pessoas esperando com que a dupla se reúna com seu grupo para começar a operação: Precisam matar o Minotauro Vigia, mais conhecido como Minwatcher, a criatura que fica numa torre de pedra no norte da ilha.

    Todos elogiam e clamam por uma boa missão para os rapazes. Entretanto, a maioria dessa admiração vai para o rapaz ruivo, que é conhecido por ser um dos melhores guerreiros da ilha e estando pronto pra sair dela. Entretanto, quer resolver aquilo antes de ir consultar o Oráculo. Já Dartaul tinha certa relevância, mas não tanto quanto seu amigo.

    A multidão abre passagem para a dupla passar. Eles chegam até a escadaria ao norte e sobem retribuindo toda a afeição do público. Ao atravessar a ponte, notam que seu grupo, composto por quatro pessoas, está presente logo abaixo. Os rapazes descem as escadas para se encontrar com seus parceiros e os cumprimentar.

    Dartaul parece sorridente. Neste período, ele possui apenas dezesseis anos. Os outros rapazes possuem de dezesseis a dezoito anos. A maioria está equipada de equipamentos de couro, alguns cravejados com metais*.

    — Muito bem, pessoal. — Começa o ruivo, postando-se a frente do grupo — Fizemos o que era necessário para a ilhota parar de pegar fogo e as pedras voltarem pro chão, dessa forma, podemos pegar a espada. Mas para que ela não derreta nossas mãos, precisamos matar o Minwatcher antes.
    — Então está tudo pronto, Charlew? — Questiona um dos rapazes. Ele usa uma armadura, calças e botas de couro, mas possui também um elmo da legião e lanças nas costas.
    — Sim. O Minwatcher está na torre, mas descerá assim que chegarmos perto. Vamos lá, antes que os Baltas tentem algo. Avante, Grimuar!

    O grupo concorda e saúda o seu nome, levantando os braços. Com sorrisos e muito animo, eles caminham alegremente até o norte da ilha, visando chegar num monte próximo. Em seu caminho, eles lidam apenas com algumas cobras ou aranhas, algo irrelevante para aventureiros como aqueles. O céu está claro e limpo e a brisa de verão acalma seus espíritos e revigora seus corpos. Seus olhares parecem indicar que estão preparados para tudo, mesmo que um demônio surgisse do chão para pará-los.

    Após pelo menos vinte minutos de caminhada, eles chegam ao monte em questão. O grupo sobe uma escadaria de pedra artesanal até chegar no topo do monte, onde veem a grande torre de pedra onde Minwatcher fica. Ao olhar pra cima, o grupo nota a criatura observando-os logo abaixo, com seu machado comum em mãos. Ele salta dali, indo direto ao chão, pousando com uma perna ajoelhada. Ao se levantar, consegue intimidar o grupo mais do que eles imaginavam.

    O minotauro vigia é igual aos outros minotauros comuns, mas ele possui pelos mais grossos e escuros, chegando a um vermelho escuro. Possui muitas cicatrizes pelo corpo, além de ser musculoso e ter um olhar imponente. Seus olhos parecem poder ver tudo, assim como diz seu nome. Entretanto, acredita-se que ele tenha mudado muito devido aos atos dos aventureiros para permitir que a espada possa ser pega.

    — É a última vez que digo. Voltem pras suas casas. Deixem a espada onde ela está. Se tomarem ela, esta ilha estará perdida. — Disse o minotauro, com uma voz grossa e rígida.
    — Hã? O que quer dizer? — Questiona um dos membros do grupo, um rapaz encapuzado.
    — Se me matarem e pegarem a espada, vocês quebrarão o equilíbrio deste lugar. Logo ele não poderá mais servir para treinar jovens como vocês. Por favor, entendam. Deixem a Espada da Fúria onde ela sempre esteve, em nome dos deuses.
    — Desculpe, mas não. — Disse Charlew, desembainhando sua espada — Eu quero chegar ao continente com todas as glórias possíveis. Eu serei uma lenda de Tibia. Eu desbravarei tudo que existir nesse mundo. E meu próximo passo é tomar aquela espada para mim.
    — Se é assim... — Balbucia a criatura, girando o machado e tomando posição de luta — Terei que te impedir.
    — Grimuaras! Em posição!

    Charlew e outro rapaz, vestido de uma armadura e capacete de correntes, correm pra frente, atraindo a atenção do minotauro. Os outros quatro se espalham, colocando lanças em mãos. O encapuzado está com um arco e flechas, mas a estratégia consiste em utilizar lanças; Dessa forma, todos estão prontos para atirar quantas for preciso.

    Charlew dá o primeiro golpe de cima pra baixo, mas a criatura defende o golpe aparando-o na superfície da arma. O outro espadachim dá um golpe vertical, mas o monstro se abaixa, avança e dá uma cotovelada em seu peito. Os atiradores lançam suas lanças, mas o minotauro dá um giro completo com o machado levantado e rebate todos os projéteis.

    O outro rapaz tenta um golpe vertical, mas ele é defendido com facilidade. O ruivo golpeia ao mesmo tempo, mas o minotauro consegue segurar sua mão. Ele gira e afasta os rapazes, enquanto mais lanças são lançadas. Ele defende a primeira girando o machado, desvia da segunda saltando, rebate a terceira no ar com um golpe horizontal e caiu no chão para a quarta passar direto, quase acertando um dos atiradores. Minwatcher levanta rapidamente e atropela Charlew antes dele dar um golpe e acerta seu machado na coxa do outro, em seguida socando o seu rosto. Lanças são jogadas novamente, mas o monstro defende-as girando e fazendo fogo com as mãos, transformando-as em pó instantaneamente.

    A criatura para, assim como os aventureiros. Não imaginavam que seria tão difícil derrotá-lo. Felizmente, o rapaz espadachim não foi ferido, apenas foi um golpe para aturdi-lo.

    — É isso. Vocês não podem me derrotar, não importa o que façam. Esqueçam a maldita Espada da Fúria!

    Antes que um dos rapazes pudesse respondê-lo, uma flecha é disparada e atinge a região próxima de seu olho esquerdo, derrubando-o. A flecha em questão foi disparada pelo encapuzado, que simplesmente conseguira sair do monte sem ninguém notá-lo. Minwatcher cai no chão, derrotado, deixando seu machado alcançar o chão, bem como seu orgulho como protetor daquela espada lendária.

    O arqueiro abaixa o capuz e revela-se uma garota de cabelos loiros e curtos. Ela usa uma armadura de couro e calças de metal cravejado, além de botas e luvas de couro. Há um símbolo na parte superior direita de seu rosto, em sua testa, que foi tatuado: Um pequeno olho semelhante ao de um cavalo.

    — Símbolo dos Baltas... Maldição, uma espiã? — Vocifera Charlew, enquanto vê a garota sorrir e começar a correr — Vamos! Eles tentarão pegar a espada!

    Começa uma perseguição desenfreada para capturar a garota. Na frente, está Dartaul e um rapaz de cabelos longos e negros, ambos aspirantes a paladinos. Eles jogam algumas lanças com o puro objetivo de acertá-la ou atrasá-la, e ela cada vez mais toma um caminho diferente do da espada, atravessando a ponte e se dirigindo ao sudoeste ao invés do noroeste.

    Ao chegarem num monte nas proximidades próximo de um lar de ursos, a garota sobe-o e desaparece em seguida. O grupo continua seguindo-a, mas Charlew manda eles se separarem e cercarem o monte enquanto ele, Dartaul e o espadachim sobem. Eles encontram uma escadaria para o lar dos ursos, porém, ao descer, são cercados de todos os lados por outros aventureiros encapuzados com arcos. Alguém surge descendo o monte pelo outro lado junto da garota.

    O local é uma clareira dentro do monte, cercada por grama e arbustos. Pelo menos quatro ursos viviam ali, mas eles não se encontram mais lá. Ao invés disso, há seis humanos, Baltas, inimigos do trio.

    — Tsc. Emboscada... — Disse Charlew, enquanto passa os olhos pelas pessoas ali.
    — Não me diga, gênio. — Caçoa o rapaz no centro com a garota. Ele também possui todos os equipamentos de bronze e uma katana. É um pouco mais baixo que Charlew, mas é mais forte e careca — Foi fácil colocar a Alina entre vocês. Bem, que eu saiba, vocês adoram sangue novo, não importa de onde venha, não é mesmo?
    — Costumamos ser mais confiáveis do que ratos como vocês.
    — É exatamente por isso que somos mais fortes. Grimuar não tem poder suficiente em Rookgaard. Aqui é o ponto de partida para os Baltas se tornarem a guilda mais poderosa de Tibia, lembre-se disso. Isso é um espetáculo, e nós somos os atores.
    — Força não significa nada frente a inteligência. Lembre-se disso também, cabeça de laranja.
    — O que você disse, seu-
    — Dartaul!

    O rapaz entende e joga uma lança com agilidade contra o rapaz na direita. Logo em seguida, eles se abaixam e as flechas dos restantes por pouco não os alcançam. Dartaul corre até o arqueiro abatido enquanto Charlew avança contra os dois logo a frente e o espadachim joga sua espada contra o arqueiro na esquerda.

    — Por um momento eu esqueci porque vocês são tão conhecidos...

    Alina desembainha uma espada curta, mas Charlew desarma-a rapidamente. O suposto líder dá alguns passos pra trás enquanto assiste sua companheira ser abatida, mas não morta, recebendo um poderoso golpe do cabo da espada na testa. Entretanto, outros inimigos aparecem armados com lanças, enquanto nada de aparecer seus companheiros de guilda.

    Charlew teme pelo pior e recua, enquanto algumas lanças quase o alcançam. Dartaul e o outro espadachim também notam o perigo e recuam para a subida do monte enquanto recuperam algumas coisas. Ao chegarem no topo, o loiro é atingido por uma lança no ombro, mas eles não param de correr. O espadachim decide não continuar a segui-los e fica para segurá-los.

    — Ei, Baldt! Vem logo! — Grita Charlew, enquanto ainda correm. O rapaz não fala nada, apenas sorri para eles e se coloca ao lado do monte.

    Dartaul consegue ver o rapaz desferir um golpe fatal no pescoço de um dos lanceiros e um corte letal no braço de outro. Porém, ele recebe uma lança no braço esquerdo de raspão e por pouco uma no rosto, defendida por seu escudo. O rapaz continua lutando enquanto eles correm.

    A dupla segue ao norte, em direção da ilhota da espada. Ao menos sete dos Baltas seguem eles em alta velocidade. Os Grimuar, seus companheiros, desapareceram; Pareciam já terem sido capturados. O céu começa a ficar nublado quando eles passaram pela montanha onde há trasgos comandados por um único orc, onde memórias pareciam voltar por um instante para a mente dos dois.

    Eles já derrotaram aqueles seres em combate, mas eles sempre retornam, quase que por mágica. As aranhas que tinham no caminho para a ilhota sempre reapareciam também, assim como os lobos. Na mente de Dartaul, uma das frases de Minwatcher martela em sua mente, a respeito do equilíbrio da ilha. O fato de alguns monstros retornarem após sua morte teria algo a ver com isso, talvez.

    Mais três inimigos surgem na frente da dupla. Todos eles usam armaduras de bronze, porém, vestem calças de metal cravejado, não usam capacetes e portam espadas comuns. Para Dartaul, aquilo parece o fim, mas para Charlew, não.

    Um trovão dificulta por alguns instantes a visão deles. Um segundo após ele sumir, Charlew aparece na frente do trio num arriscado salto adiante, com a katana preparada e com uma estranha aura azulada e fraca. Ele facilmente localiza um ponto fraco em seus pescoços e corta cada um, jorrando muito sangue. Quando termina, ele está atrás dos três, que caem ao mesmo tempo, enquanto ele limpa a espada lançando-a para o lado e espirrando o sangue na grama.

    — Dartaul, vá embora. Não vai ser mais necessário que você me siga.
    — Mas... E a espada? Nós devíamos pegá-la juntos, não é?
    — Não mais. Agora estamos em um jogo de sobrevivência. Ou melhor, eu estou. Mas você não estará se fugir.
    — Está me chamando de fraco, por acaso?
    — Estou! — Grita Charlew, com um olhar irritado — Mas você pode ser forte. Não precisa morrer aqui, nessa ilha. Apenas vá embora e consiga o tempo necessário para você se tornar forte. Sei que é capaz.
    — Não. Isso se chama covardia, Charlew, e eu não aceito isso!

    Charlew aproxima-se do rapaz. Seus olhos que antes eram castanho-escuros estavam azuis. Ele suspira e tenta ficar mais calmo.

    — Veja bem. Tenho alguns truques na manga, que nem antigamente. Uma estratégia, pois os Grimuar são os melhores estrategistas do Tibia. Por que eu quero que você fuja? Para flanquear o outro lado da ilha. Eu e você somos fortes, isso é verdade, mas se você ficar aqui, só vai atrapalhar a estratégia! Entendeu?

    Dartaul fica em silencio por alguns instantes. Ele duvida um pouco do amigo.

    — Você quer que eu fique na ponte, então?
    — Exato. Vai logo, eles estão vindo. Prometo que logo estarei lá te ajudando com a espada.
    — Certo... Mas promessa é dívida!

    Charlew sorri e dá alguns tapas amigáveis no amigo.

    — Com certeza. E irei cumprir essa, bem como as outras quando eu aparecer com a espada.
    — Sim! Seremos os maiores de Grimuar! E de Tibia!
    — Esse é o espírito! Te vejo em breve!

    Ele corre até a ilhota, enquanto Dartaul vai à direção oposta, em direção da ponte, enquanto uma chuva forte se inicia. Ele contorna a região onde os Baltas podem estar presentes, conseguindo chegar na ponte por cima. Estranhamente, não encontra oposição no lugar.

    O rapaz senta numa pedra próxima, enquanto deixa uma lança de prontidão e usa o escudo para proteger a cabeça da chuva. Ele permanece ali por minutos, esperando o rapaz voltar e observando os arredores.

    A chuva continua forte e extensa por pelo menos uma hora. Dartaul começa a ficar preocupado. O vilarejo esteve silencioso até aquele minuto, quando um grito é ouvido de dentro dele. Os próximos minutos são seguidos de muita gritaria, golpes de espadas e sons estranhos. O lanceiro consegue notar uma pessoa tentando fugir de lá, mas em resposta, seu peito explode e ela cai sobre a mureta da ponte, numa cena grotesca e sangrenta.

    Dartaul não sai do lugar. Ele precisa continuar esperando pelo amigo, mesmo que isso custasse a vida do vilarejo de Rookgaard. Outras pessoas tentaram escapar, mas tiveram destinos parecidos, seja com regiões dos seus corpos explodindo, seja por facas lançadas contra elas. O sangue parece já dominar as áreas mais altas da cidade, além de tingir regiões da ponte de saída de vermelho.

    Passam-se duas horas. O vilarejo volta a ficar em silêncio. Seu amigo não retornou. Ninguém nas redondezas. A chuva continua.

    Três horas. A chuva mudou. Ao invés de cair água, está caindo sangue. Ele está sujo de sangue, tremendo de frio e com um mínimo de esperança. Sua lança está no chão, seu escudo também, assim como sua coragem. Ninguém mais apareceu durante todo aquele tempo. Dartaul possui a sensação de que era o único vivo naquela ilha.

    Sete horas. A noite assola aquelas terras, mas a chuva já havia passado. Dartaul está caído no chão, coberto de sangue que não é seu. Alguém com uma capa longa cobrindo o corpo, e encapuzado, se aproxima dele. Então, num instante, ele nota o que está acontecendo.

    Ele está sonhando.

    Dartaul abre os olhos. Ele vê que está dentro de seu quarto, no Arsenal dos Ratos, deitado de lado. Junto a ele, está Aika, que se encontra adormecida.

    — De novo esse sonho... — Sussurra Dartaul, voltando a fechar os olhos para tentar adormecer novamente.


    ~*~


    Já havia se passado pelo menos uma hora desde que todos debandaram e foram para seus quartos, com exceção da jornalista Zoe, que voltou para sua casa escoltada por alguns soldados. Na cozinha, em frente ao balcão, estão sentados Nightcrawler e Borges, bebendo. O lugar possui um balcão branco, onde por trás dele há vários armários pequenos na parede. Do outro lado, há algumas mesas com cadeiras, e na direita de onde estavam, estava dois fogões, uma pia com uma torneira e mais armários de madeira guardando comida.

    O detetive está usando bandagens pelo rosto, elas estão levemente sujas de sangue. Há apenas uma abertura para a região ao redor da sua boca até o pescoço, onde sua pele parece um pouco queimada e escura. Sua barba rala não foi feita ainda. Borges não parece curioso sobre isso, apenas está bebendo sua cerveja enquanto observa o prato onde comeu tempos atrás com o mascarado.

    — Ei, descobri umas coisas sobre o rapazinho que te acompanha. — Comenta Nightcrawler, quebrando o silêncio — Estou impressionado, de verdade.
    — Hm? Tipo o quê?
    — Tipo que ele era de uma guilda famosa quando esteve em Rookgaard e saiu nove anos atrás. O nome dela é Grimuar.

    Borges toma um semblante sério.

    — Grimuar não foi a guilda que virou Thais de cabeça pra baixo quando entrou em guerra com a Rosa Vermelha?
    — Essa mesma. Depois disso, eles venceram e a guilda perdedora se dividiu em várias. Uma delas era a Baltas, que causou problemas pros representantes de Grimuar em Rookgaard.
    — Porra... Pra ele ter sido parte dessa guilda, quer dizer que é verdade que ele é um paladino de mão cheia.
    — E se é. Ele lutou ao lado de Charlew Iyark Frotesis, que é conhecido por ser um dos mais habilidosos tibianos que já passou em Rookgaard. Eles eram amigos, creio eu. Mas essa briguinha entre grupos acabou quando alguém pegou a Espada da Fúria e 202 pessoas morreram no vilarejo. Isso seria 95% da população da ilha na época.

    Borges toma uma expressão de horror, mas a desfaz rapidamente e toma um gole longo de sua bebida.

    — Dartaul estava lá? Como ele sobreviveu?
    — Não faço ideia. Mas só o fato dele ter sobrevivido trouxe reputação forte para ele. Mas ele recusou a proposta de se tornar um paladino em serviço de Thais e se graduou na universidade de Fibula para entrar na perícia anos depois... Como investigador.
    — Entendo... Como descobriu essas coisas?
    — Tsc. Eu sou a noite, e ela é cheia de mistérios. — Disse o detetive, sorrindo.
    — Arrogante de merda.
    — Só não achei muita coisa sobre você, Borges. Está ocultando identidade também?
    — Lógico que não, senão eu nem seria chefe de escritório.

    O homem termina de beber sua cerveja e coloca-a no balcão. Então, cruza os braços sobre ele.

    — Mas se quiser, eu conto um pouco pra você.







    Próximo: Capítulo 18 – Pecado



    Notas:
    * Tradução livre para Studded Legs, bem como os outros itens mencionados da mesma forma.
    Última edição por CarlosLendario; 15-02-2017 às 12:13.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  4. #4
    Avatar de Senhor das Botas
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    Excelentes capítulos estes últimos, Carlão.


    Enfim, vou me atentar ao ultimo, que foi o capítulo do Richard, já que o pessoal já fez uma análise mais profunda do que eu faria neste post; foi um ótimo capítulo no geral, contando toda a história e passado de Richard, e pelo visto, Borges será o próximo. O que esse gordo terá de interessante a nos mostrar? xD


    Btw, só fique atento aos tempos verbais. Há orações com verbos no presente e passado(?). Embora não mais tão recorrentes quanto antes, que era mais perceptível, ainda sim da para se notar em uma leitura superficial, sem buscar os mais ínfimos detalhes e erros para apontar no post.

    Enfim, saiba que eu ainda acompanho, mas anda dificil comentar ultimamente devido a escola. E é isso aí, é nóis carlão.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  5. #5
    Avatar de Edge Fencer
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    Opa! Dartaul, Rookgaard e Espada da Fúria? Não poderia pedir um capítulo melhor xD

    Interessante demais essas guildas em Rook, Carlos. O Dartaul então esteve próximo de conseguir a sword of fury, além de ter pertencido a uma guild famosa... As palavras do minotauro tbm me deixaram curioso, esse equilíbrio teria a ver com as ações atuais da irmandade?

    No próximo então vem mais coisa sobre o Borges... Não acho q ele tem um passado tão intrigante como o Dartaul, mas sua historia ja provou ser muito imprevisível! Kkkk.

    Como o Senhor das Botas pontuou, vc tem q tomar um pouco mais de cuidado com os tempos verbais mesmo. Eu acho bacana essa narração usando o presente, mas ela precisa ser bem cuidadosa. Em certas partes do texto fiquei confuso com os verbos variando de tempo constantemente, e isso acaba quebrando um pouco o ritmo da leitura. Fora isso sua escrita é muito boa, por isso aconselho q você capriche um pouco mais nesse ponto

    É isso aí. Aguardo pelo próximo capítulo!

    Abraço!




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  6. #6
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    Saudações!

    Primeiramente, mil perdões pela ausência!

    Agora, vão se foderem.

    Brincadeira.


    Li tudo e gostei bastante, sério mesmo! Acho que tirei um pouco de "férias" da sua história por conta do ritmo frenético em que você está; queria ter um pouco mais de "pausa" para digerir cada capítulo com mais tranquilidade. A Viagem de Sangue continua muito boa! Atente-se apenas à revisão e a tudo que foi falado acima que estará perfeito. Continue



    Abraço,
    Iridium.

  7. #7
    Avatar de Skirt Underdome
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    Ó eu vou continuar comentando nesse tópico mas vou logo avisando.

    Esse negócio de negão prá cá, negão prá lá, merecer um negão, ó quero saber dessas coisas não, hein. Minha fruta é outra.

    E sobre os ultimos capítulos de Carlos El lendario me gustaria mucho de hablar unas cositas.

    Carlão tu gostas muito de cenas de ação eu também. Aquela coisa naruteira, ninja, rápida, impactante, como o sonho do Dartaul.

    Mas olha só, procura se colocar no lugar do leitor. Leia e releia os seus textos como se fosse um leitor seu. A rapidez e a afobação ao colocar na tela uma idéia e uma cena de ação podem comprometer a clareza. Se indague: se eu fosse uma pessoa lendo um texto meu pela primeira vez, eu compreenderia perfeitamente o que está sendo descrito ?

    Sobre usar o tempo presente eu acho que dá profundidade psicológica ao texto. Gosto disso embora eu não saiba utilizar bem esse recurso, talvez um dia eu tente. Mas é o que alguns dos ilustres comentaristas que me sucederam disseram. Cuidado ao misturar tempos diferentes nas orações e períodos.

    No mais fiquem vocês aí com seus negões e sejam felizes porque eu ó, vou procurar uma colombina no carnaval.


  8. #8
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Padrão Capítulo 18 - Pecado

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Impressionante, mais um spoiler. Quando lancei o capítulo, senti falta de comentários por dois dias, e de repente vem vários. Continuem assim




    Bem galera, este capítulo é longo, porém, serve para anunciar que o clímax da história está bem próximo e que Bloodtrip não é e jamais será leve! Preparem-se e boa leitura!




    No capítulo anterior:
    Dartaul sonha com algo do seu passado, quando fazia parte de uma poderosa guilda de aventureiros e caçava aventuras com seu amigo, Charlew. Sua guilda ia atrás da Espada da Fúria quando uma guilda rival complica seus planos e os força a lutar, resultando em vários mortos. No final, Dartaul acaba sozinho numa parte da ilha enquanto dezenas de pessoas são mortas dentro da vila e ao redor da ilha. Após o sonho, Borges decide relembrar seu passado.




    Capítulo 18 – Pecado



    A Guarnição Thaiana possui vários setores no subsolo, inacessíveis para civis ou até mesmo pros tibianos mais poderosos. Existem quatro deles para a perícia, um deles analisa as armas de um crime de forma minuciosa e atenta, utilizando de artifícios diversos para tal.

    O setor é dividido em oito salas ao longo do corredor, além de uma sala no fundo, com um número de vinte mesas com funcionários recebendo Mensagens Rápidas Mentalizadas, ou MRM. É um dispositivo cujo lembra um rádio, porém mais largo, além de possuir fones para eles ouvirem. Os ouvintes, como são chamados, escrevem sobre livros o que ouviram, sempre no lado esquerdo. Em seguida, eles escrevem no lado direito o que precisam falar, e a mensagem vai para quem está no outro lado, que também possui um dispositivo do tipo. Apesar de complexo, é rápido, e para pessoas como os peritos da guarnição, é preciso agilidade.

    Há cinco escritórios no fundo da sala, são os chefes das mesas, bem como dos peritos analisadores dos crimes. Essas pessoas também podem ajudar os peritos com alguns dos casos, como o rapaz que está na terceira sala analisando a arma de um crime um tanto complicado.

    — Vocês falam desse caso como se fosse o do Eclipse Solar. Mostrem a arma do crime, se não me impressionar, boto um de vocês na rua. — Disse o rapaz, sério e de braços cruzados. De casaco marrom, camisa branca e gravata escura, calças e sapatos sociais e marrons, além de uma faca longa embainhada na cintura, Borges chefia o caso e ajuda-os como possível.

    Um rapaz de cabelos longos presos num rabo de cavalo, com uma barba rala e aparência jovial, chama alguém do lado de fora da sala. Este traz algo com certa dificuldade, ocultado por um pano. Ele coloca-o sobre a mesa no centro, iluminada por uma bola de cristal com uma magia de iluminação dentro, suspendida e presa por cabos de ferro nos cantos da sala.

    Borges retira o pano e se surpreende. É um escudo de aparência complexa, preto e branco.

    — Representações de caveiras... Um monstro no centro... — Disse Borges, enquanto pega duas luvas de pano num balcão logo atrás dele. Há dois balcões, um atrás dele e um atrás dos quatro rapazes na sala. Ao colocar, ele tenta analisar a superfície do objeto — Isso no centro é realmente um monstro, e isso são presas... Uma boca aberta, feita de ossos, uma superfície feita de um minério escuro... Espera, espera! Isso é um escudo! Como alguém mata outro com um escudo?
    — Bem, você mencionou aquele caso, então não deveria se surpreender. — Disse o rapaz de rabo de cavalo. — Além disso, tem essas pontas nas bordas, note que estão sujas de sangue.
    — Não me diga, Bert. — Caçoa Borges, levantando uma sobrancelha. Bert sorri de canto, mas mantém a atenção — Esse escudo é um Escudo de Necromante, prêmio para quem fecha o Desafio dos Sonhos e se junta a Irmandade dos Ossos. É um item raríssimo, devo dizer. É bem feito, apesar do gosto peculiar.

    Minutos de silêncio seguem enquanto Borges analisa a estrutura e faz algumas anotações num bloco de notas. Um dos peritos também faz anotações sobre o que está acontecendo em outro bloco. Este perito, assim como os outros, veste-se de uma camisa vermelho-escuro e calças cinza-escuras.

    — Bem, como eu disse, é um item raro da Irmandade dos Ossos. Essa irmandade mal existe mais, apenas alguns aventureiros malucos aceitam se juntar a ela. Como dá pra ver, as presas, bem como a estrutura do centro foi usada para acertar a vítima. A julgar pelo modo que o sangue foi espirrado, foram golpes no pescoço, fatais para qualquer pessoa. O mais impressionante é que este item segue intocável, provavelmente ele não é feito de ossos de fato.

    Um dos peritos, um homem com cabelo ralo, já na casa dos trinta anos, analisa com luvas a estrutura. Ele vira para a luz as regiões cobertas por sangue.

    — Este sangue indica que o assassinato foi cometido há alguns dias, talvez três ou quatro. O objeto foi coletado da cena do crime no mesmo dia que este ocorreu. — Disse Bert, sério — Além disso, nenhum corpo foi encontrado, o que torna tudo pior.

    O escuro é virado de lado devagar. Borges pega um frasco pequeno com um pó semelhante a enxofre, porém, bem mais claro. Ele pega um pouco e espalha levemente por trás do item. Após alguns instantes, marcas são reveladas em uma cor levemente azulada.

    — As digitais do assassino. — Disse o rapaz de rabo de cavalo, coçando o queixo.
    — Não, Bert. Se eu fosse o assassino e tivesse uma coisa dessas pra matar um cara indefeso no chão, eu o mataria segurando de outra forma. — Disse Borges, pegando do pó e jogando sobre os lados do item. Digitais são reveladas, em cor mais escura.
    — Oh... Desculpe, falha minha.
    — Você se concentra demais no lógico. E veja só, digitais mais recentes. Temos duas teorias aí: A que o dono do escudo teve ele roubado pelo assassino e que o assassino usou-o para matá-lo, ou que este escudo foi roubado e usado para um assassinato.
    — Bons palpites. — Disse um dos peritos, o que trouxe o objeto. Ele possui cabelos bem baixos, mas possui uma espessa barba ruivo-escura. — Alguns dos peritos acreditaram mais no primeiro palpite logo no dia do crime. Mas agora que você disse Borges, provavelmente é isso aí mesmo.
    — Tô te falando, Alfonso. Sei das coisas. Porém, ainda temos que investigar. Registrem as digitais e guardem o item, preciso ir.
    — Ah, a festa, né?
    — Isso aí.

    Borges sai da sala enquanto os peritos desejam-lhe uma boa festa. Ele sai do setor rapidamente, usando as escadarias até o andar térreo. Ele chega um tanto cansado, mas continua andando. Ele se despede de Gregor e alguns cavaleiros que estavam por ali e segue para fora, em direção do sul de Thais.

    Borges já possuía trinta e cinco anos. Sua vida adulta começou cedo, casando-se com dezenove anos e cuidando de sua esposa como pôde. Naquela época, ele ainda não era muito gordo, apenas um pouco cheio, dispensando a barriga cheia e sem calvície.

    Ele segue normalmente, passando por diversos aventureiros, civis e soldados em seu caminho. O centro do continente, Thais, é um local diversificado, de muitas pessoas, muitas culturas, muitos povos, todos almejando dinheiro e um lugar bom para viver. Naquela noite, o movimento é maior, com pessoas voltando para suas casas aos montes.

    O rapaz chega em sua casa num dos vários bairros residenciais da capital. Ela possui um andar, bem como as outras da rua, e cores bege-claras em suas paredes. Ele abre a porta de madeira e já nota seus dois filhos se preparando para a festa de aniversário.

    — Papai! — Grita os dois, correndo até o homem. — Feliz aniversário!

    Os dois o abraçam e ele retribui. Ele vai entrando e fecha a porta de casa, e logo é puxado pelos filhos para a mesa na sala, onde está um bolo relativamente grande com uma vela e algumas garrafas de suco ou cerveja.

    Seus dois filhos possuem mais de dez anos. O mais velho é um rapaz de quatorze anos, magro, mas possui marcas de trabalho nas mãos e braços, indicando que não é fraco. Tem cabelos castanho-escuros e baixos, olhos verdes e pele branca, um pouco escurecida pelo sol. A mais nova é uma garota de doze anos, igualmente magra, possui cabelos castanho-claros presos num rabo de cavalo, além de também possuir olhos verdes e nariz e boca finos.

    Juntos, eles cantam feliz aniversário para Borges, que assiste sorrindo. O estresse do trabalho raramente permitia que ele visse cenas assim. Seus dois filhos eram alegres e, enquanto o rapaz trabalha nos campos no leste, a filha estuda numa escola em Greenshore. Borges preferia trabalhar sozinho e deixar seus dois filhos na escola, mas como sua esposa morreu anos atrás, não podia mais se dar a esse luxo.

    — Faça um pedido, papai! — Disse sua filha, com um largo sorriso no rosto.

    Borges sorri e aproxima-se da mesa, em seguida soprando a vela.

    — Você não pediu nada!
    — Já tenho tudo o que preciso, Tessa. Não preciso de mais nada.
    — E o que é?
    — Ora, tá na cara! Meus filhos, minha casa, meu trabalho, dinheiro para alimentá-los e dar o que vocês precisam. Claro que gostaria que o Teo não precisasse mais trabalhar, mas eu apoio que ele continue por hora. É sua preparação como homem, filho.
    — Que papo estranho... — Balbucia Teo, um pouco cabisbaixo.
    — Com o tempo você entende. Agora, vamos comer. — Disse Borges, pegando um dos pratos da mesa e uma faca para cortar o bolo.

    Após algum tempo, Borges está com seus filhos na sala, num sofá azul, contando histórias que ouve na guarnição. Os dois se interessam muito sobre os casos que a perícia precisa resolver, e se interessam bastante por investigação policial, chegando até a tentar sugerir algumas coisas para Borges, algo que ele vez ou outra leva em consideração.

    — E o caso de hoje, bem, papai não achou muita coisa. Apenas um escudo feito de ossos usado para matar alguém. — Disse Borges. Seus filhos não se importam com palavras como “matar”, “homicídio” ou “suicídio”, dentre tantas outras. Eles lidam bem com a realidade.
    — Um escudo de osso? Eu nunca vi um... — Disse Teo, um tanto avoado.
    — Quando der, eu levo vocês lá para que vejam esses itens. São bem legais.
    — Sério? — Gritam as crianças, em uníssono.
    — Claro! Apenas verei um dia em que dê para levar vocês.

    Alguém bate na porta. Borges se levanta num instante e vai prontamente até ela, abrindo-a lentamente. Do lado de fora está Bert, com um fichário entre o braço direito. Lá fora, a noite cobre a capital, mas ela resiste com seus muitos postes de luz.

    — Bert? O que foi?
    — Boa noite, chefe. Desculpe te incomodar no seu aniversário, mas gostaria que visse algo. É rápido.
    — Pois fale, então.
    — Tenho plenas suspeitas a respeito do escudo. Um homem estranho vive numa cabana ao norte do Monte Sternum, e é amigo de Lubo, o rapaz que fica na estrada para a Ponte dos Reis. Parece que ele era o dono e foi roubado por alguém nas redondezas. Mas, sabe como é, não encontramos nem corpo nem responsável, então...
    — Entendo. — Disse Borges, pedindo o fichário com a mão estendida e recebendo-o. Ele começa a ler atentamente.
    — As características do escudo e a perícia chegaram num possível resultado, que pode ser do dono da cabana ao norte. O que sugere?

    No fichário, há um desenho do possível dono, um homem que vive de capuz e possui detalhes comuns de um cidadão.

    — Guarde isso, por enquanto. Quando os superiores permitirem, iremos fazer uma investigação no local e questionar o suspeito.
    — Não entendo, Borges... Você tem poder para isso, basta conversar com os outros chefes de escritório para tocar esse caso pra frente. Está tudo muito suspeito para demorarmos tanto...
    — E é justamente por estar muito suspeito que agiremos com cautela. Agora, vá para casa, Bert. Tenho certeza que Abigail está sentindo sua falta.
    — Não tenho tanta certeza disso...
    — Ah, garoto. Pare de ser tão frustrado. Apesar do ocorrido, tenho certeza que ela ainda está bem e te vendo com os mesmos olhos de sempre.
    — Gostaria que meu filho tivesse nascido... Eu estaria melhor do que agora, Borges. Muito melhor. Mais disposto. Mas esse caso está reacendendo minha chama, por isso, peço que você dê prioridade a ele, por favor!

    Borges sente uma pontada de pena e culpa. Não se sentiria tão bem fazendo o rapaz parar de se dedicar ao caso, mas ao mesmo tempo, sentia que deveria dar um limite para que não ocorresse outra fatalidade.

    — Pois bem, pode reunir três investigadores para o caso. Mas faça-o amanhã! Hoje você precisa finalizar alguns serviços e então ir até a sua esposa.
    — Certo, chefe. Obrigado!
    — De nada. Agora, até mais.
    — Até mais! Traz uns pedaços do bolo amanhã!

    Borges se despede do rapaz com um aperto de mão e um sorriso, e devolve o fichário. Ele fecha a porta e volta para os seus filhos.

    — Muito bem! Vão dormir, que amanhã há coisas para se fazer.
    — Ahh! Achei que íamos ficar até mais tarde hoje!
    — Não, sem exceções. Quem dorme cedo garante um futuro brilhante. Vamos lá!

    Apesar de decepcionadas, as crianças seguem para o andar acima, indo para o quarto deles. Lá, Borges cobre-os com cobertas em suas camas, ambas de madeira e bem resistentes e cuidadas. Ambas cobertas são brancas.

    — Boa noite, rapazinhos. Obrigado por hoje. — Disse Borges, com um sorriso no rosto.
    — Boa noite, pai! — Disse ambos, também alegres e sorridentes.

    Borges sai e fecha a porta, dirigindo-se para o banheiro ao lado do seu quarto, visando pegar um balde para um banho. Enquanto isso, os dois jovens dentro do quarto acendem uma vela, aparentemente querendo ficar mais tempo acordados.

    — Ei, Tessa. — Sussurra Teo, de olhos fixos na menina.
    — O que foi?
    — Podemos continuar aquela brincadeira?
    — Claro! Estava esperando... — Murmura a garota, sorrindo timidamente.


    ~*~


    Três dias se passam. Borges está em seu escritório, cujo possui paredes e teto de madeira maciça, uma mesa na ponta feita do mesmo material, piso de pedras laminadas, além de ser iluminado por uma lâmpada no teto com uma magia de iluminação dentro. O homem escreve relatórios apressadamente, com certa preocupação.

    Alguém abre a porta da sala. O mesmo homem de cabelo ralo de antes surge na sala, perplexo.

    — Senhor!
    — O quê? Acharam Bert?
    — Parece que sim! Venha comigo, tem cavalos a nossa espera!

    Borges parece bastante perplexo. Quando há cavalos esperando por investigadores, nunca é algo bom. Mesmo intimidado, ele se levanta e segue o rapaz até o lado de fora da guarnição, onde, de fato, há dois cavalos esperando-os.

    Em plena velocidade, a dupla passa a ser escoltada por alguns soldados thaianos. Eles seguem para o norte da capital, onde está o Monte Sternum. Borges começa a se lembrar de como Bert sempre foi esforçado e que certamente não descansaria sem conseguir descobrir mais sobre um caso em que ele está envolvido. O rapaz é um grande companheiro de Borges e o homem o conhece bem, inclusive sobre seu passado. E há três dias, o rapaz acabou sumido.

    Finalmente, após meia hora, eles chegam até o local. O que veem muda suas vidas para sempre.

    Dezenas de guardas estão em volta de uma cena brutal. Dez ciclopes estão empalados com lanças de corais vermelhos ao redor da cabana do antigo suspeito. Suas costelas foram arrancadas fora pelos lados, que estão abertos e com vermes alimentando-se da carne já um tanto podre. Os três primeiros, na entrada, possuem três cabeças presas com estacas abaixo da cintura, que pertenciam aos mesmos peritos que estavam naquela sala com Borges. Seus rostos horrorizados e mortos dão uma característica de terror muito mais viva a cena.

    Na porta da cabana, está Bert, também morto. Ele parece empalado, e seu corpo não possui os braços, possui uma perna e ela está ajudando-o a se empalar. Ele parece um espeto, sustentado por uma lança fina de pedras de coral ensanguentadas. A cabana está cheia de sangue e possui os corações dos peritos pregados em locais aleatórios com lanças de coral.

    Ao ver aquela cena, Borges desce de seu cavalo e se senta numa pedra próxima. Horrorizado, ele afunda o rosto em suas mãos, enquanto o rapaz que o acompanha se afasta da cena e evita olhar algo. Um soldado, aparentemente um tenente, aproxima-se de Borges.

    — Você é o investigador-chefe e chefe de escritório Borges Suzano, estou certo?
    — S-Sim...
    — Sou Aegherlaf Tios, Tenente de Guarda da 2º Guarnição Thaiana. O caso foi pior do que imaginamos. Não sei todos os detalhes, mas peço que me acompanhe até a entrada do Monte Sternum. Uma base foi formada ali para investigar o caso.

    Borges se levanta e segue até o local determinado, sem olhar para trás. O tenente o acompanha com uma mão em suas costas, incentivando-o a continuar andando. Ao chegar lá, encontram uma mesa de madeira com três cadeiras, contendo três sargentos, vestidos com casacos vermelhos e calças negras. Um detetive de sobretudo verde-claro e cabelos ruivos e longos, um tanto jovem, lê um pergaminho escrito por um dos sargentos sobre o caso, e nota a aproximação do tenente e do investigador-chefe, fechando o arquivo em seguida.

    — Borges, meu nome é Duzes Limorty, um detetive da 3º Guarnição. As duas guarnições estão unidas aqui para investigar o caso. Você conhecia os indivíduos mortos, não é?

    Borges assente com a cabeça, sem falar nada.

    — Pois bem. O caso não está plenamente resolvido, mas descobrimos algumas coisas que parecem ser parte da investigação da sua guarnição. Parece que Lubo e Lionel, o rapaz que morava naquela cabana, estão desaparecidos. Uma figura desconhecida confrontou os dois, e Lubo atraiu os ciclopes para cá para tentar matá-lo ao mesmo tempo em que os investigadores estavam aqui. Todos foram mortos, com exceção destes dois. A maior probabilidade é de sequestro.

    O homem coloca uma mão na testa, ainda horrorizado. Duzes parece notar que o rapaz não está bem.

    — Bem... Queríamos um testemunho seu, mas acho melhor você voltar pra casa. Está entardecendo, é livre para voltar. Deixarei o caso nas mãos de Orann, segundo investigador-chefe da sua unidade, mas apenas por enquanto.
    — Bert... Alfonso... Pedro... Todos eles eram valorosos peritos e investigadores...
    — Eu entendo. Reconheço a habilidade deles.
    — Você não entende, rapaz. Eles eram meus amigos. Depois do expediente, tínhamos o costume de ir tomar umas geladas, esfriar a cabeça. Aí agora os caras estão ali, mortos, servindo de arte pra sociopatas. — Balbucia Borges, com voz de choro. Estava no seu limite. O detetive se mantém quieto, bem como os sargentos. — E além de tudo, vocês me dizem que não sabem nem quem foi o filho da puta que os matou... Aqueles caras tinham um futuro brilhante, porra! Tinham esposa, filhos! Família! Eles sumiram por três dias e finalmente depois de tanta burocracia, vocês decidem procurar por eles e ainda me dizem que não sabem quem foi o responsável?
    — Sr. Borges, é de suma importância que você entenda que...
    — Entender o quê? — Gagueja Borges, já chorando — Entender o quê, seu cuzão do caralho? Que seu pai é chifrado todo santo dia quando sai pra trabalhar pela puta da sua mãe? Olha pra você! Um moleque prodígio que já é detetive, sendo que mal viveu a vida, tentando me fazer entender alguma coisa?

    O detetive fica calado novamente, assim como os sargentos. Eles entendiam o estado de Borges e não queriam impedi-lo.

    — Vivi e sofri muito nessa vida pra chegar onde estou! Perdi minha esposa, quase fui morto pelo meu irmão, tentei dar inúmeras lições pros meus colegas de trabalho para não serem que nem eu! E olha lá, olha lá, seu arrombado! Olha pra aquela cabana, para aqueles ciclopes! Pros meus companheiros mortos cobrindo o pau daqueles gigantes com o que restou do corpo deles e do meu amigo parecendo um espetinho de carne! Quer dizer que, depois de tudo isso, ainda tenho que entender que vocês são incompetentes demais pra resolver um crime em aberto já tem uma semana?

    Alguns oficiais e investigadores se reúnem ao redor deles para ouvir o desabafo profundo de Borges. Ele continua chorando e tentando segurar o choro, em vão.

    — Foda-se essa merda... Tô de saco cheio. — Murmura Borges, dando as costas para eles e indo embora dali. Ele abre caminho pelos oficiais aos empurrões e segue até o cavalo que deixaram para ele, monta-o e vai para Thais. O tenente tentou pará-lo, mas foi em vão.

    Ele segue até a guarnição, no leste da cidade. Lá, ele deixa o cavalo aos cuidados de um cabo e alguns recrutas nas proximidades e segue caminho para a sua casa, sem olhar para trás. Em passos largos, ele segue até a sua casa, e ao chegar nela, sente o cansaço e nota como está horrível. Ele limpa suas lágrimas usando sua camisa e tenta não parecer triste, para não preocupar seus filhos, que já haviam chegado em casa.

    O investigador pega sua chave e abre a porta. Ao entrar, ele não encontra seus filhos, e decide surpreendê-los, para não parecer que está abalado, por mais que esteja. Um sentimento ruim cobre seu coração e o aperta, mas ele luta contra isso para não demonstrar aos seus filhos. Borges fecha devagar a porta e sobe com calma as escadas, indo até o quarto deles. Ao entrar, ele nota que seu dia não acabou ainda.

    Borges encontra-os abraçados por debaixo das cobertas, se beijando. Eles param subitamente ao notar seu pai na porta, ainda com a chave na mão, deixando-a a cair. Naquela altura, ele já não sentia mais nada. Apenas fita-os com um olhar sombrio e aterrorizante.

    — O... Q-Que vocês... Estão fazendo... — Tartamudeia Borges, sem conseguir terminar direito a frase.
    — O que sempre quisemos, pai! — Disse Teo, determinado, afastando-se para o lado. O investigador repara que ambos estão nus.
    — O que vocês sempre quiseram... Timóteo?
    — Ficarmos juntos! — Responde rispidamente Tessa, também determinada, ficando mais próxima do rapaz — Somos namorados, papai! E nada do que você disser irá mudar isso!

    O mundo de Borges desaba. Mais uma vez uma sequência de eventos destrutivos se inicia em sua vida. Sem conseguir resistir, ele ajoelha-se e abaixa a cabeça. As lágrimas caem de seu rosto involuntariamente, enquanto seu coração se aperta e bate rápido, e seu estomago se revira. Seus olhos estão bem abertos e fixos no chão, enquanto ele desembainha uma faca na sua cintura, característica dos investigadores thaianos.

    Mas ele não conseguiu fazer nada, senão assistir seus filhos pegarem duas malas prontas há tempos e fugirem daquela casa, deixando-o sozinho.

    ~*~


    —... E foi isso. O pior dia da minha vida resumido para você, Nightcrawler.

    O detetive fica quieto por uns instantes. E então, puxa um copo do seu lado do balcão, a garrafa de uísque que tinha pegado enquanto ouvia a história, e enche o copo novamente. Ele toma um gole rápido e coloca o copo de volta no balcão, suspirando forte.

    — Caralho. Digno de um best-seller de drama.
    — Concordo. Hoje em dia já não ligo mais pra isso.
    — Tá, mas e aí? O que você fez depois que pegou a faca?
    — Só peguei e fiquei olhando para ela. Me mataria? Mataria meus filhos? Eu não sabia o que fazer. Eu estava destruído, em choque. Sei é que os dois pegaram duas malas que tinham preparado antes e fugiram. Eu fiquei duas horas pensando no que ia fazer enquanto estava no escuro do quarto dos meus filhos. Eu nunca mais os vi.

    Nightcrawler se levanta com o copo de uísque e liga um rádio no armário atrás dele. O dispositivo é mediano, parecido com o que se encontra no quarto de Dartaul.

    — Porra... Que diabo, hein, Borges Suzano. Eu soube desse caso dos ciclopes empalados. O responsável é provavelmente um membro da Irmandade do Caminho de Sangue. Parece que esse Lionel tentou matá-lo e ele fez sua provação pra se juntar a eles fazendo aquilo. Não sei quem é, mas é um dos melhores. E não me leve tão a sério, é um palpite.

    Borges parece surpreso, mas não demonstra isso direito.

    — De qualquer forma, deixe que eu mate esse filho da puta quando ele aparecer.
    — Com certeza. Tenho uma suspeita, no dia do plano provavelmente veremos ele.

    O rádio é sincronizado numa estação de notícias. Uma delas parece roubar a atenção de ambos.

    Atenção! Movimento forte da Guarnição Thaiana no Monte Sternum! Exército mobilizado! O monte está sendo pintado de sangue, ciclopes mortos como se fossem insetos! O que será que está acontecendo?

    Nightcrawler abaixa o volume do rádio e olha para Borges. Os dois pensam a mesma coisa.

    — Mudança de planos. Começaremos amanhã.





    Próximo: Capítulo 19 – Ratos Relutantes
    Última edição por CarlosLendario; 16-02-2017 às 02:29.



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    Eita.

    Coitado do Borges, Carlos. Sem dúvidas um dos personagens com a vida mais merda que ja vi na vida. Você se superou agora, já não me surpreendo com qualquer tragédia que acontecer na história daqui pra frente kkkkk

    A cena do massacre foi bem brutal, inclusive pro seu padrão. Admito que não me atrai muito esse tipo de leitura, mas devo dizer que ficou bem feito: deu pra imaginar a cena e a reação do Borges com clareza. Espero que ele consiga encontrar esse tal Lionel e o faça pagar.

    A parte dos filhos dele eu achei um pouco... Estranha. Tá certo que os moleques podem ser só uns fdp mesmo, mas não consigo enxergar duas crianças fazendo uma festa pro pai todos fofinhos e felizes e depois de alguns dias abandonarem o cara pra viverem sozinhos. Entendo qual foi sua intenção, mas realmente eu achei meio forçado.

    Acabei dando a impressão de que achei o capítulo ruim, mas não é bem assim: eu gostei. A leitura me prendeu bastante e eu pude sentir empatia pelo Borges, sinal que você relatou bem as reações dele. Só os pontos que citei acima me causaram estranheza, mas aí é questão de gosto, não é muito sua culpa.

    Enfim, foi mal pela demora pra comentar. Tentarei não voltar a fazer isso. Aguardo pelo próximo!

    Abraço!
    Son of a submariner!

  10. #10
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    Padrão Capítulo 19 - Ratos Relutantes

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    Eita.

    Coitado do Borges, Carlos. Sem dúvidas um dos personagens com a vida mais merda que ja vi na vida. Você se superou agora, já não me surpreendo com qualquer tragédia que acontecer na história daqui pra frente kkkkk

    A cena do massacre foi bem brutal, inclusive pro seu padrão. Admito que não me atrai muito esse tipo de leitura, mas devo dizer que ficou bem feito: deu pra imaginar a cena e a reação do Borges com clareza. Espero que ele consiga encontrar esse tal Lionel e o faça pagar.

    A parte dos filhos dele eu achei um pouco... Estranha. Tá certo que os moleques podem ser só uns fdp mesmo, mas não consigo enxergar duas crianças fazendo uma festa pro pai todos fofinhos e felizes e depois de alguns dias abandonarem o cara pra viverem sozinhos. Entendo qual foi sua intenção, mas realmente eu achei meio forçado.

    Acabei dando a impressão de que achei o capítulo ruim, mas não é bem assim: eu gostei. A leitura me prendeu bastante e eu pude sentir empatia pelo Borges, sinal que você relatou bem as reações dele. Só os pontos que citei acima me causaram estranheza, mas aí é questão de gosto, não é muito sua culpa.

    Enfim, foi mal pela demora pra comentar. Tentarei não voltar a fazer isso. Aguardo pelo próximo!

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado por me salvar depois de cinco dias sem comentários. Parece até que o pessoal não gostou do capítulo

    Fico feliz que tenha gostado da descrição da cena, bem como o jeito que Borges reagiu. Tentei deixar o mais real possível. E bem, a cena sofreu até mesmo uns cortes de violência, era pra ter sido ainda mais brutal, maaas lembrei que a Iridium ficaria na minha orelha falando pra baixar a bola e deixei pra lá. A verdade é que eu sou capaz de descrever cenas muito mais brutais do que essa aí, daquelas que reviram seu estômago fortemente e faz você parar de ler pra respirar um pouco. Mas eu não posso fazer isso aqui, o fórum tem regras a respeito de gore, então...

    A respeito dos filhos dele... Esqueci de algo que deixaria mais justificado o abandono deles. Mas eles sabiam que Borges não iria tolerar que os dois se relacionassem, provavelmente iam jogar eles pra fora de casa eventualmente por mais que ele os ame, então eles se adiantaram a respeito disso e fugiram de casa. Além disso, eu baseei essa cena em um caso real que li em um chan(Não lembro qual, tem diversos, já fiquei de ghost em vários então não lembro onde vi cada um) alguns anos atrás, foi algo parecido, o cara que falou sobre, que gostava da irmã e os pais eram muito cristãos, então ele decidiu fugir com a irmã a ser rechaçado por eles.

    E eu agradeço pelos elogios, principalmente. Entretanto, devo dizer que você vai se surpreender mais ainda











    Bem pessoal, trago-lhes o novo capítulo e anuncio que o clímax começa a partir do capítulo 20, então, fiquem atentos: A merda começará a feder a partir de agora.

    Espero que gostem do capítulo!



    No capítulo anterior:
    Borges narra para Nightcrawler o que ele considera o pior dia da sua vida. Ele relata a investigação de um crime que termina com seus companheiros mortos num caso fatal e seus filhos o deixando para ficarem juntos como amantes.



    Capítulo 19 – Ratos Relutantes




    É manhã. Nightcrawler avisara na última noite para todos se reunirem no centro da sala de plataformas, cujo andar se tornou o mais novo quartel-general do grupo.

    É quase meio-dia e todos estão juntos ali, exceto Dartaul e Aika.

    — Muito bem. Vejo que estão todos bem interessados no plano. — Disse Nightcrawler, de braços cruzados, observando todos ali: Borges, Alayen, Zoe e Trevor.

    Apesar da frase do detetive, eles permaneceram calados.

    — E tensos também... Mas que merda, hein. De qualquer maneira, relaxem, se não ficassem tensos, eu socaria a cara de vocês. Sem exceções. — Disse o detetive, encarando Zoe. Ela parece ficar assustada — Bem, o plano já está sendo preparado pelos meus contatos. Na hora certa, os soldados de Trevor entrarão em cena.
    — Fiz como disse, mandei eles usarem o uniforme e armaduras yalahari. Mandei uma carta para Thais pra que Muriel traga magos pra cá, também. — Disse Trevor, sério.
    — Ótimo, aos poucos o palco é montado. Gosto assim.
    — Ah, e eles responderam hoje de manhã cedo. Os magos estão a caminho junto de alguns inquisidores da Inquisição Thaiana.
    — Hã? O que diabos inquisidores querem comigo?
    — Não sei também, mas não contestei. Eles são lutadores exímios, podem nos ajudar perfeitamente.
    — Ok, ok. Espero que não atrapalhem. Enfim... Vamos continuando. Enquanto as preparações estão sendo feitas, vamos começar o plano desde já, com a primeira parte.

    O grupo parece em dúvida.

    — Mas o plano nem está pronto... — Comenta Borges, um pouco confuso.
    — Ao final dessa tarde tudo estará certo, e essa parte é tranquila. Ao menos eu acho. Bem, vamos lá.

    Nightcrawler pigarreia e estala os dedos. E então, ele tira seu chapéu, seguidamente de sua máscara, expondo seu rosto a luz do sol vinda de fora da torre, pelos espelhos. Todos se surpreendem com aquilo.

    — Meu nome é Suzio Bahrl Resgakr. Sou um originário de Darashia, e eu odeio aquele lugar. Antigamente eu era um feiticeiro mestre, mas eu larguei isso após passar pelas... Plataformas do Inferno.

    Todos, exceto Alayen, estão chocados com a revelação. Seus queixos caídos não permitem que falem alguma coisa, uma vez que é impressionante que o famoso e misterioso detetive Nightcrawler tenha nome, local de nascença e esteja revelando isso para eles. Além da parte vaga sobre seu passado.

    O rosto de Nightcrawler está como de costume. Ainda está com o olho esquerdo cego, com uma cicatriz escura e levemente vermelha. Seu rosto é um pouco moreno, mas possui diversas marcas de queimadura. Há rugas e pequenas cicatrizes em alguns locais, e o cabelo negro e desarrumado dão um bom contraste com o rosto sombrio do homem. Finalmente, ele cobre o rosto novamente com a máscara e coloca o chapéu de volta na cabeça.

    — Vocês devem revelar seus nomes completos e algo de importância sobre seus passados. Isso irá desativar o disfarce de membros da Irmandade rastreadores que se disfarçarem com suas aparências.
    — C-Certo... — Gagueja Borges, usando algum esforço para falar — Mas é pra todos saberem, não é? Onde está Dartaul?
    — Dormindo, creio eu.
    — Mas que vagabundo do caralho...
    — Pois é, ele está com a Aika. Na noite passada, fui no quarto dela para ver se estava tudo nos conformes, mas não a encontrei. Fui ao quarto de Dartaul para chamá-lo, mas encontrei ela lá, dormindo com o rapazinho. Foi por causa disso que eu não chamei nenhum dos dois.

    Alayen e Borges riem um pouco enquanto Zoe sorri.

    — Que rápido... — Disse Zoe, serena.
    — E eu digo... Que esperto aquele moleque! — Disse Borges, ainda rindo — O rapaz não perdeu tempo e já foi pra cima! Ou será que foi ela?
    — Ei, ei, seriedade, por favor. O que quero dizer aqui é que Dartaul está se envolvendo demais com Aika e eu ainda suspeito dela. Por isso, não irei falar meu nome para os dois nem revelar meu rosto, e vocês devem fazer o mesmo.
    — Depois de tudo isso, ainda suspeita dela? — Questiona Alayen, cruzando os braços.
    — É, ué. Acha que sou um detetive que pode ser convencido tão facilmente? Aquela menina não mexeu um dedo quando Trevor chegou aqui. — Disse Nightcrawler, ajeitando o chapéu — Enfim, vamos continuar com a merda do plano. Falem logo sobre vocês.

    Borges dá um passo a frente.

    — Então eu começo. Pois bem, meu nome é Borges Suzano. Nascido e criado em Thais, nunca me envolvi com essas coisas de aventureiro, sempre fui investigador e depois investigador-chefe. Estive envolvido com o caso do Eclipse Solar, um ataque repentino de cultistas na Baía da Liberdade, e sobrevivi.
    — Eclipse Solar, é? Interessante. Gosto desse caso. Continuem. — Comenta Nightcrawler, cruzando os braços.

    Alayen segue ele.

    — Sou Alayen Rias. Tive uma vida tranquila em Thais na infância, meu pai me treinava com espadas, e quando cheguei em Rookgaard crente que seria um cavaleiro, sai de lá como um feiticeiro. Eu era habilidoso com ambos estilos, algo que até impressionou meus pais. Eles então me levaram para uma amiga, no caso, Lea, em Carlin, e fui treinado por ela até três anos atrás. Nunca ocorreu nada de anormal na minha vida, então, é isso aí.

    Trevor dá um passo adiante.

    — Eu sou Trevor Van Aknimathas Sunno, filho de Granthir Aknimathas, ex-general de infantaria de Thais, e de uma condessa da Baía da Liberdade, Vanessa Van Sunno. Minha vida também foi tranquila na infância, apenas estudando. Contudo, com a morte de meu pai em batalha e de um ataque pirata e bandido à Baía, roubando a vida de minha mãe, entrei para o exército e me tornei rapidamente um cavaleiro. Participei de um cerco à colônia vinte anos atrás e tomamos de volta a cidade, além de ter me vingado dos piratas. Continuei no exército e hoje sou um Capitão de Guarda.

    Zoe é a última.

    — Bem... Sou Zoe Nubila Jkov. Sou de Svargrond, meus pais me levaram para Senja quando eu tinha três anos, pois eu sou albina e aquilo atraia a atenção de todos para nossa família. As pessoas de Nibelor espalharam rumores no passado que albinos estão conectados com a maldição de gelo de Ghazbaran, um arquidemônio do Triangulo do Terror. Dessa forma, fui conectada a Ordem dos Espíritos Claros, nascida em Senja e espalhada pelo norte desse mundo, como Carlin, Ab’Dendriel, Edron...
    — Ora. Possui habilidades, então? — Questiona Nightcrawler, curioso.
    — Sim... Habilidades visuais e controle do mundo espiritual. Posso saltar de um para o outro facilmente, mas como faz anos que não faço isso, devo estar bem enferrujada... Mas como fui criada até a vida adulta dentro da Ordem, não terei dificuldade em tentar de novo.

    O detetive junta as mãos em êxtase e leva-as ao alto. Parece estar comemorando em silencio, além de estar alegre. Eles estranham o ato estranho.

    — Excelente, excelente! A partir de hoje eu passo a acreditar em Deus! Eu estava realmente precisando de alguém assim para esse plano. Eu terei que reescrevê-lo, de qualquer maneira, mas não irá atrasar em nada. Não se preocupe com o resto.

    Zoe assente e Nightcrawler volta a posição normal.

    — Muito bem. Agora é o seguinte: Quando se encontrarem no meio de uma confusão ou até antes, falem o nome completo e algo do passado do outro. Isso pode dedurá-los facilmente.
    — E quanto aos pombinhos? — Indaga Alayen.
    — Depois eu vejo isso com eles. Por hora, preciso que vejam algo.

    Nightcrawler se dirige até a mesa de alumínio próxima de uma das celas. Lá, ele pega um bloco de notas relativamente grande e senta-se numa cadeira. O grupo se reúne próximo dele.

    — Ontem a noite, a Irmandade atacou de novo.

    O grupo parece surpreendido. Há tempos que não há mais notícias deles.

    — Alguém foi encontrado em cima da muralha próxima do nosso esconderijo, na direção do Quarteirão dos Mágicos. Esse alguém estava com toda a frente do corpo explodida, e havia sangue escorrendo pra fora da muralha, o que permitiu que ele fosse encontrado. Isso certamente foi um aviso deles de que eles já estão aqui, então, temos que agir.
    — Mas já? — Disse Trevor, perplexo.
    — Sim. O pior de tudo é que isso aconteceu ontem enquanto eu e Borges conversávamos. Talvez no tempo em que Aika levou para entrar no quarto de Dartaul. Isso fez algumas suspeitas serem levantadas, mas no momento, não passa de paranoia.
    — Porra, quem diria, hein... Essa merda de Irmandade e aquele coração já estão dando paranoia demais na gente. E aquela garota é druida e feiticeira, deveria ser capaz de curar algum dano do tipo a ela ou algo assim... — Comenta Alayen.

    Nightcrawler coloca fortemente a mão sobre a mesa, fazendo barulho e assustando os demais.

    — É isso... É ISSO! — Disse o detetive, se levantando e continuando a assustá-los — O pulsante não funciona em quem tem envolvimento com a magia!
    — Hã? Como assim? — Indaga Alayen. De alguma forma, ele sentia que o comentário dele ajudou a criar aquele pensamento.
    — E acabo de perceber mais coisas. O pulsante possui um poder de possessão, como visto no navio de Trevor, com os soldados dele se matando. Eles veem uns aos outros como inimigos e começam a se matar. É preciso explodir um desses pulsantes para isso acontecer, pois ele possui uma essência de possessão em seu interior que se espalha pelo ar e possui pelo nariz. — Disse Nightcrawler, andando de um lado para o outro — Além disso, esse pulsante nunca influenciou em nada os magos que já vi lutando com eles. Não vi isso funcionando contra demônios também, como no caso de Orshabaal anos atrás. Ele não influenciou Aika também, nem Alayen, que estava próximo dela.

    Todos ficam surpresos com as declarações. Zoe parece se animar com aquilo e também começa a pensar.

    — Aquele caso escrito num de seus documentos, ocorrido próximo de Ab’Dendriel... Nenhum elfo morreu, apesar de objetos parecidos terem sido usados e membros da Irmandade terem sido encontrados mortos! — Afirma Zoe, com um sorriso no rosto.
    — E os membros mais poderosos da Irmandade fugiram quando Muriel e seus feiticeiros apareceram em Thais. — Comenta Trevor, seguindo o ritmo.
    — E eles evitaram a cidade de Edron durante todo esse tempo por causa da Academia Noodles de Magia. Os membros da Irmandade do Caminho de Sangue são fracos a magia.

    Segue-se um momento de silencio, porém, não é ruim, pois todos ficaram empolgados e se sentindo realizados.

    — Trevor, precisaremos do máximo de magos que pudermos. Pode cuidar disso?
    — Certamente não será problema numa cidade como Yalahar. Mas também notificarei Wyrdin em Edron.
    — Tá, Suzio, Nightcrawler, sei lá. Com essas coisas, você está dizendo que Aika está segura de todas as acusações já que os poderes da Irmandade não funcionam nela? — Indaga Borges, um tanto perplexo e também curioso.
    — Ela não está segura, mas também está melhor do que antes.
    — E como explica a mudança de personalidade dela?
    — Crise de Dupla Personalidade.

    Novamente eles são pegos de surpresa.

    — Aparentemente, vez ou outra ela alterna entre personalidades, como a que usou para conversar comigo na primeira noite e a que tem usado até o momento. Então, ela não deve mais ser um problema, considerando tudo isso.
    — Claro que ela é. — Disse Trevor, colocando uma das mãos na cintura — Ela foi atacada por um membro e sobreviveu, tem algo suspeito nela ainda.
    — Isso aí. Fora aquela mancha vermelha que apareceu do lado dela outro dia. Ela não tá limpa. — Reforça Alayen, com certa seriedade.
    — Tá, tá, tanto faz! Com o tempo acharei soluções para isso. No momento, vamos seguir com o plano e deixar o casalzinho de segundo plano. Temos prioridades, pessoal. Agora, dispersar! Arrumem suas coisas, a segunda parte do plano é se hospedar nos aposentos de Yalahari para aguardar o dia do plano. Trevor, faça o que eu disse também.

    Todos concordam e partem para seus deveres. Nightcrawler fica na sala parado, por algum tempo, e então volta a sentar na cadeira de alumínio. Ele tira um lápis de dentro do seu sobretudo e começa a anotar algo em outra folha do bloco de notas com certo nervosismo.

    Um plano B.


    ~*~


    Após pelo menos dez minutos, alguém aparece: Zoe. Ela desce as escadas até o final, e ao chegar, vê Nightcrawler ocupado com suas anotações. A jornalista possui uma mala e uma mochila, ambas cinzentas, e agora está usando um casaco branco com uma camisa também branca de botões por trás, e calças verde-escuras.

    — Erm... S-Suzio? Posso te chamar assim?
    — Não. Esqueça meu nome, por enquanto. — Disse Nightcrawler, sem parar de escrever.
    — T-Tudo bem... Seu pseudônimo é um pouco complicado de se falar...
    — Pseudônimo é tão difícil quanto e você falou perfeitamente agora mesmo.

    Zoe engole em seco.

    — Bom... Estou com tudo. Eu já tinha buscado antes as coisas e trouxe pra um quarto, agora elas estão comigo. Tenho alguns equipamentos na mochila e roupas na mala, é o que eu preciso.
    — Tudo bem. Lá terá algumas armas, bem como o que eu e você precisarmos. Afinal, são os aposentos do governador.
    — S-Sim... Então, já vou indo.

    Zoe segue até a porta à esquerda em passos longos, visando sair logo dali e não incomodar mais o detetive. Entretanto, ele para de escrever por um instante e encara a mulher indo embora. De repente, um forte mau pressentimento inunda seu coração e quase tira-lhe o ar; parece estar deixando algo muito importante deixar passar.

    — Zoe.

    O corpo da jornalista paralisa de medo ao ouvir a voz sombria de Nightcrawler. Ela parece muito diferente de antes; mais pesada, mais rancorosa, mais perturbada. Zoe vira-se devagar, com um semblante de terror, vendo o detetive virado a sua direção, fitando-a profundamente.

    — Venha até aqui, por favor.

    A moça aproxima-se a passos temerosos do homem. Sobre o olhar sério e profundo dele, ela parece estar nua, sem capacidade de fazer alguma coisa. Ao chegar até ele, seu rosto levanta-se devagar para encará-la.

    — Você havia mencionado que pertencia a Ordem dos Espíritos Claros, não é?

    Zoe assente. Ela sente dificuldade em falar alguma coisa.

    — Pois bem. Se não me engano, há uma habilidade deles do qual pode proteger uma pessoa selecionada pelo espírita. Acha que poderia usá-la em mim?
    — Ah... B-Bem... Acho que s-sim. Mas para quê?
    — Segurança.

    Zoe concorda com a cabeça e vai para trás dele, deixa sua mala no chão, coloca suas duas mãos sobre os ombros do detetive e fecha os olhos. Após isso, segue-se um longo tempo de silencio, com a mulher concentrando-se ao máximo em uma conexão com o mundo espiritual. Finalmente, após pelo menos cinco minutos, uma aura com o mesmo formato do corpo de Nightcrawler forma-se nele e entra dentro do homem, deixando um vasto rastro de brilho sobre o mascarado, que vai desaparecendo.

    Zoe abre os olhos novamente e tira as mãos dele, e deixa elas juntas enquanto se afasta dele.

    — Não tenho certeza se consegui, mas acho que sim... Espero que isso o proteja durante nosso plano.

    Nightcrawler suspira fundo, parece bem mais aliviado do que antes.

    — O loop acabou.
    — O... Quê? Loop?

    O mascarado levanta o corpo e parece confuso. Zoe ainda está logo atrás dele, em dúvida. Quando ele a nota, fica um pouco assustado, mas aliviado.

    — Ora, Zoe? Não estava indo embora?
    — Er... Bem, s-sim. Até logo, Nightcrawler.
    — Até.

    Zoe vai embora novamente a passos largos, assustada e perplexa. Ela abre a porta e a fecha um pouco rápido, algo que o homem estranha. Mas ele não se importa e volta ao bloco de notas, continuando o que estava escrevendo.





    Próximo: Capítulo 20 – O Discurso I






    Pessoal, peço-lhes algo hoje: O que vocês estão achando da história? Que nota dão para ela? Mais importante, o que entenderam até agora? É importante que vocês falem, isso ajudará a história e pode até melhorá-la. Comentem!

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    Última edição por CarlosLendario; 25-02-2017 às 19:57.



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