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Tópico: Bloodtrip

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    Padrão Capítulo 31 - Resmonogatari V

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Li e inclusive deu like no capítulo... Mas não deixei o mais importante, que é o capítulo. Enfim, vamos lá.


    Meio que já comentamos de fora isso, mas... Sinto um cheirinho de briga feia, e creio que será Senzo x Nuito. Eu já meio que aguardo o resultado, já que se Soulslayer e Redchain aparecem no futuro (vulgo período presente em que a história ocorre), logo concluí-se que Senzo ganhou a possível batalha... E já que não é o líder, possivelmente obterá a maior das perfeições através do líder da Irmandade.

    Enfim, creio que você está trabalhando o passado de Senzo por ele ser MUITO importante na história (e aparentemente é, pela invenção que somada ao sangue deve criar coisas... Cabulosas, rs). No aguardo do próximo capítulo, e minhas desculpas por não comentar imediatamente, Carlos senpai.
    Diga aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Certamente virá uma briga daquelas por aí, a história está caminhando a passos lentos (eu diria rápidos, mas tanto faz) pra isso e também para o presente. Eu já tenho sentindo a necessidade de avançar logo as coisas, pois acabei fazendo o capítulo mais longo da história meio que sem querer. Mas acredito que no final tudo estará devidamente explicado e assim poderei avançar para o final de Bloodtrip.

    E sim, ele é muito importante pra história, mais do que você imagina. Por isso parei para descrever direitinho a origem de tudo.

    Obrigado pelo comentário mais uma vez, tava pensando que ia fazer double post. Agradeço a presença constante e espero que minha história continue te ajudando a continuar escrevendo!







    Muito bem, vamos continuando com o passado de Senzo. No próximo capítulo já chegaremos no ponto crítico da história. Fiquem ligados!





    No capítulo anterior:

    Senzo descobre como evoluir o Nancore e começa a produzir algo diferente: O Akonancore. Mas isso acaba o deixando com uma forte febre, e para se curar, ele se aproveita da visita de Nuito para que um de seus amigos que não o conhecia direito lhe trazer o que ele acredita ser a cura: O próprio Akonancore.





    Capítulo 31 – Resmonogatari
    Parte 5




    Dor.

    Que dor.


    Que dor lancinante.

    Sinto centenas de facadas no meu estômago. Tenho a sensação que algo deseja sair. Um pequeno monstro. Ele irá rasgar minha barriga e sair triunfante coberto pelo meu sangue e tripas, e gritará o canto dos livres.

    Mas não irei deixar que isso aconteça. Pois tem alguém assistindo. Alguém com olhos prateados e linhas com bolas vermelhas na ponta, de formato perfeito, todas onde acredito ser o seu rosto. Não sei o que é. Talvez seja um demônio. Talvez seja um deus.

    Ele duvida de mim. Acha que irei morrer, vítima da minha própria criação, como um alquimista estúpido e irresponsável. Pois eu tenho uma mensagem para você.

    Me assista.



    ~*~



    O ano é 341. Já fazem dez anos desde o fatídico dia onde foi criado o Akonancore.

    Senzo está recluso num vilarejo ao nordeste de Darashia. Ele se destaca devido a uma torre que serve de farol. O local é um porto que recebe gente de fora, mas frequentemente sofre ataques de minotauros piratas. Parece até piada. Touros marinheiros.

    O local é levemente gramíneo e recebe estações generosas de chuvas e belas safras das mais variadas frutas e legumes que se desenvolvem em ambientes complicados como esse. É possível criar cabras e galinhas, e desenvolver certo foco pecuário. Tudo é vendido para comerciantes de navios vindos do continente principal, de Ankrahmun e também vai para caravanas com destino a Darashia. Enquanto aquele lugar desenvolve coisas básicas como essas, Darashia cria os mais variados tapetes e joias, e seu foco em tapeçaria o destaca, mesmo com o poderoso oponente ao sul.

    Essa indústria funciona normalmente todos os anos, e mesmo quando o alquimista louco veio para aquelas bandas, nada mudou.

    Isso porque ele está sendo caçado por crimes hediondos.

    Senzo está recluso em uma casa que ele mesmo criou, nos ermos daquela região, próximo do mar. Sua esposa vive normalmente na casa, embora sinta saudades da pirâmide que possuíam em Ankrahmun. Apesar dela ter descoberto como ele criou aquela evolução do Nancore, ela simplesmente olhou no fundo dos seus olhos e disse a frase mais sincera que Senzo ouvira em sua vida.

    — Tudo bem. Não vou te abandonar, pois meus votos de casamento foram os mais sinceros desse mundo. E me envergonharia em trai-los.

    Senzo, enquanto está no pequeno laboratório que construiu embaixo da casa, salvo do calor por um dispositivo reprodutor de frio que criou, pensa nessa frase pela milésima vez após ter escutado ela oito anos atrás.

    Ela é realmente muito boa pra mim. Nem parece que existe.

    Ele se lembra dos muitos eventos desse período em que fugiu de Ankrahmun e ficou um tempo em Yalahar de novo. Nuito foi atrás dele há seis anos atrás, pois descobriu também sobre como o Akonancore é feito. Rapidamente o assunto virou rumor dentro de Yalahar, e era questão de tempo até ir para toda a sociedade mágica e inventora de Tibia. Ainda assim, o que causa mais choque é o fato de Senzo ter criado um item que cria outros itens, e não dele estar usando sangue humano para enriquecê-lo e desenvolver vida.

    Os rumores sobre o Akonancore eram exagerados, como de costume. Diziam que ele criava inúmeros dragões para segui-lo e os destruía sempre que quisesse. Que ele criava os melhores equipamentos que existem em Tibia para enfrentar quem ousasse ameaçá-lo. Que ele podia criar asteroides e jogá-los em cima de exércitos para poder escapar.

    Mas, de fato, Senzo já criou um dragão com o Akonancore. Assim como ressuscitou os dois ladrões que acabou matando depois que Miraya o descobriu. E os transformou em seus lacaios para conseguir os itens para a criação do Nancore em massa.

    Senzo planejou muitas coisas. Queria mostrar sua criação para o mundo. Desenvolver o Akonancore de forma que não precisasse roubar sangue inocente. Naquela altura, ele já ganhou a fama de ghoul. E não falava mais com seus amigos há um bom tempo. Vive apenas com Miraya, sério e concentrado em seus objetivos, tentando fazer o Akonancore não depender de sangue e criar uma evolução útil pro Nancore.

    Mas depois de tantas falhas, ele só pôde olhar para o caixote feito de porcelana combinado com alumínio na parede, com várias entradas finas na frente, por onde um ar frio sai, gerado a partir de um bloco de gelo que sempre se recria de novo. Um gelo com uma alma real presa dentro dele, gerada a partir do Akonancore. Pensa que foi uma invenção criativa e útil.

    — Será que eu posso vender isso? — Sussurra para si mesmo, pensando. Nem mesmo deu um nome para aquilo. Só usa para resistir ao calor infernal do subterrâneo de Darashia.

    Em meio a devaneios, nem mesmo notou que Miraya desceu para seu laboratório com uma bandeja de chá gelado. E que ela está agora na sua frente, servindo em copos para ele e para ela.

    — Miraya... Nem reparei em você.
    — Está no mundo da lua mesmo. Como esperado de um alquimista.

    Senzo sente-se culpado, quase sentindo dores na barriga.

    — Me desculpe por te arrastar por aí. Não te dei a vida que lhe prometi e ainda te dei o status de procurada. Sou um péssimo homem, um covarde. Correndo, fugindo, fazendo coisas erradas aqui e ali. Sinto-me muito mal por isso, de verdade. Comparado ao tanto que você me apoia e me ajuda, eu deveria ser capaz de fazer algo melhor por você, mas nem mesmo isso eu consigo fazer. Sou uma falha.

    Miraya escuta-o enquanto bebe o chá. Deixa-o entre suas mãos e fita Senzo, despreocupada.

    — Ah, Senzo. Por isso eu me casei com você. É uma pessoa que não importa quanto tempo passe, continua sempre a mesma.

    O homem a encara com surpresa no olhar.

    — Eu nunca busquei vantagens ao me casar contigo, seu palmito ambulante. Tudo que eu sempre quis é viver ao seu lado, não importa aonde ou como. Tampouco importa os fardos que eu tiver que segurar, nem os altos e baixos. Desde que eu esteja contigo, até o inferno será um paraíso.

    Miraya aproxima-se de Senzo, passando por sua mesa. Ela põe seu copo nela, bem como o de Senzo, e senta em seu colo, abraçando-o.

    — Tudo isso pois eu me apaixonei pela pessoa que está aí, dentro de você. Sua alma, sua personalidade, seu caráter. Não importa se você estiver matando ou salvando, você sempre será o mesmo esquisitão da academia que inventou o autômato mais lindo que eu já vi.

    Senzo quase sente lágrimas chegarem aos seus olhos. Nem mesmo sua mãe fora tão amorosa.

    Na verdade, ele nem se lembra mais do rosto de seus pais, tampouco de sua irmã. Nem dos amigos que tinha antes de entrar no Centro das Almas de Ferro. Para ele, tudo que restou foi Miraya.

    Apenas Miraya.

    Mas então, ele lembra-se do homem que o inspirou a ser como ele é. Ele se chama Nuito, e ele ainda está em Porto Esperança, lançando as mais variadas pesquisas e artigos sobre Tiquanda, estudando sobre Chor, Banuta e até sobre os misteriosos dworcs. Dizem que ele já até montou um Terror Bird.

    Enquanto isso, Senzo criou a ferramenta que provavelmente Uman possui em seu trono, junto de Fardos, mas ela foi exposta ao mundo da forma mais incorreta possível, tornando Senzo como numa espécie de Ferumbras. Ele pode até pensar que ultrapassou seu amigo, mas ele está vivendo melhor do que ele.

    Ou não. Afinal, ele não tinha alguém como Miraya ao seu lado. No entanto, isso realmente supera receber todos os prestígios de pesquisadores, exploradores e até governantes do mundo todo?

    Miraya solta-o e fica encarando por algum tempo, com um sorriso no rosto, segurando seus ombros. Seus olhos esverdeados pareciam vidrados e apaixonados pelo rosto do alquimista, e seu corpo manifesta uma respiração forte, de alguém que está de frente com a coisa que mais ama.

    Parece que a sua pergunta está respondida.



    ~*~



    342 anos depois da vitória de Uman. Noite de primavera.

    Miraya está deitada em sua cama, soando, respirando forte, contorcendo-se. Senzo está sentado ao seu lado, parecendo se arrepender de sua decisão. Dentes cerrados, olhos focados no pote que está em suas mãos. No fundo, há uma pequena quantidade de um líquido avermelhado, escurecido no centro. É possível ver desenhos de veias humanas nele.

    Senzo está profundamente arrependido. E com razão.



    ~*~



    Ainda em 342, Senzo concentra-se com a energia emanada do Akonancore, transformando-o aos poucos em dardos finos e afiados. Ele os dispara contra um alvo vinte metros a frente.

    Miraya faz o mesmo. Ambos acertam quase toda a área próxima do centro do alvo. Eles sorriem um para o outro.

    Agora, eles geram mais desse Akonancore a partir do nada e dão a ele a forma de lanças afiadas. Há runas inscritas nelas. Ao acertar o alvo, ela explode, liberando espaço para continuar o treino. Entretanto, isso suja o chão de sangue.

    Isso porque os alvos são minotauros que eles capturaram no solstício de verão.



    ~*~



    Nuito está reunido com Ember e um grande grupo de exploradores de Tiquanda na taverna na região norte de Porto Esperança. É noite, todos estão bebendo, mas com certa tensão devido ao assunto da vez.

    — É possível que Edron decida agir sobre Darashia. E se for o caso...
    — Com certeza haverá guerra. — Disse Stevan, seguindo o raciocínio da maioria dos exploradores. — Se Venore decidir apoiar Edron, Thais vai acabar botando os olhos nessa guerra. Vai envolver Porto Esperança, também.
    — Isso é exagero! Por que Thais se envolveria nesse assunto? — Pergunta um dos exploradores, tenso.
    — Tem coisa envolvida que é de interesse dos thaianos, Braghen. O que Senzo criou pode mudar Tibia radicalmente. — Disse outro explorador.
    — E os thaianos vão realmente guerrear com Venore pra por as mãos no Akonancore?
    — E você acha que não?
    — Pois eu acho que Carlin vai se envolver nessa merda e aí que vai explodir tudo. Uma guerra mundial! Já pensou?
    — Só terão a perder! Como se Carlin e Thais tivessem navios rápidos e fortes como os de Venore! Vai ficar entre Venore e Edron pela hegemonia do mar local e das relações com Darashia! Eles fabricam as melhores riquezas de Tibia!

    Todos os exploradores discutem acalorados a situação atual. Mas parece que Nuito está bem distante dessa atmosfera.

    Ele está no balcão da taverna, onde apenas Ember e um caçador estão sentados com ele. Nuito não consegue entrar na conversa simplesmente por estarem discutindo sobre o seu melhor amigo. Ele mal pode dizer se Senzo de fato é seu amigo ou não, já que faz anos desde uma péssima discussão que tiveram – e foi a última, também. Eles não se falaram mais, e Senzo parece ter se escondido em algum lugar de Darashia, embora os habitantes da cidade digam que não viram ninguém parecido com ele por lá. Então, não há como contatá-lo.

    Faz cinco anos desde que o Akonancore foi revelado para o mundo. Senzo já era chamado de “O Neto de Ferumbras” em Yalahar e em Edron, principais núcleos de magia de Tibia. No continente principal, Thais e Venore expressam um interesse disfarçado no que Senzo criou. Embora ele use sangue humano, poucos comentam a respeito disso.

    É quase como se todos pensassem como Senzo.

    — Nuito.

    Ember acorda-o de seus devaneios. Ele vira-se para trás e nota na elfa fitando-o.

    Olhar para ela não parecia mais a mesma coisa que antes.

    Ela está sempre usando regatas e blusas finas quando não está na selva. Seu cabelo cresceu de novo, está preso numa caprichada trança, e ela não usa mais a trança para tirar a atenção dos eventuais decotes que ela usa. Ela também está usando uma tiara florida, feita de algum material leve que lembra porcelana. Entretanto, aquilo não parece ser o maior destaque.

    Ember está usando saia. Uma saia florida.

    Por mais que elas não sejam pequenas, é realmente estranho alguém como ela usar esse tipo de peça de roupa. Mais que isso, ela sempre usa roupas finas e soltas quando está próxima de Nuito, e sempre o olha fundo nos olhos, não escondendo nada de seu corpo com os braços. É quase como se ela estivesse gritando por dentro “Ande, rasgue tudo isso de uma vez, estou cansada de dar sinais!” ou algo assim. Obviamente é um pensamento indecente, mas não há como não pensar nisso. Além disso, ela praticamente não mudou nada desde quando ele tinha 15 anos. Elfos demoram muito a envelhecer.

    Nuito tem dado muita atenção as suas pesquisas, mas talvez ele devesse dar uma chance para coisas assim, como Senzo fez há mais de dez anos. Mas, como previu, não é sobre isso que Ember quer falar.

    — Sim?
    — Esse papo todo sobre o Senzo te aborrece bastante, não é? Pode falar.
    — Bem...

    Nuito olha para os dezessete exploradores reunidos em duas mesas de madeira, conversando ativamente sobre Senzo e sua criação.

    — Incomoda mesmo, mas o que posso fazer? A culpa é dele, afinal de contas.
    — A culpa provavelmente não é dele.
    — E de quem seria?
    — Sua.

    Nuito sente um calafrio correr pelo seu corpo.

    — Nuito, você sempre incentivou o Senzo a ir longe e eu sempre achei isso errado. Ele tem potencial para fazer maravilhas, assim como tem o potencial de fazer catástrofes. É a balança da vida, como diria os arcanistas de Ab’Dendriel. Se ele está escondido em Darashia, fazendo sabe-se lá o quê com o Akonancore, e ainda por cima envolvendo Miraya nesses experimentos, a culpa não é só dele.
    — Isso não tem nada a ver, Ember. Senzo sempre teve essas ideias, o que eu fiz foi encorajá-lo, como um bom amigo faria. Mesmo sem saber o que ele realmente queria fazer.
    — E não acha isso um erro terrível? Se sabia que Senzo podia causar essas coisas, por que nunca reconsiderou sobre apoiá-lo?
    — Quem faz as escolhas é ele, não eu!
    — Acorde, Nuito! Senzo era um rapaz solitário que mesmo tendo amigos, nenhum deles o compreendeu, apenas você! Pois ele sempre te admirou! E nunca foi difícil notar isso, mesmo com Miraya me dizendo!

    Miraya e Ember eram amigas próximas. Talvez por isso que Ember está dando essa bronca nele.

    — Eu não entendo. Ele me pedia opiniões, eu as dava. Ele queria fazer algo bom, um projeto interessante, e eu o ajudava, pois eu era o melhor amigo dele! O que fiz de errado?
    — E se ele tivesse a ideia de engolir o Nancore, mesmo correndo o risco de morrer, mas falando que as probabilidades disso acontecer eram nulas, você o apoiaria mesmo assim?
    — Mas o que é isso que você tá me dizendo, Ember?
    — Eu estou seguindo a porra do seu raciocínio!

    Nuito já está notavelmente irritado.

    — Vai pra casa, Ember. Já estou farto desse assunto.

    Ember pensa em responder, mas vê que aquilo não iria mudar nada. Já estava feito. E se tinha algo que a longevidade élfica lhe deu, é não criticar alguém por erros do passado. Afinal, é o passado.

    — Que seja. Mas se um dia você decidir ir atrás dele, não irei te ajudar. Sabe bem do que fez.

    A elfa sai do banco e vai a passos largos para fora do estabelecimento. Nuito respira fundo e vai até os exploradores pra tentar mudar o assunto.

    — Eu conheci o cara, mas ele não era muito gentil, era meio estranho, na verdade. — Disse Stevan, lembrando-se de quando interagia com Senzo, dez anos atrás. Nuito lembra-se bem disso.
    — Ele já quis seu sangue ou algo assim? Tinha a aparência de um ghoul, ou de um vampiro? — Questiona um dos exploradores, curioso.
    — Tinha mais a aparência de um vampiro. Mas tinha uma esposa linda. O problema é que quando eu o conheci, ele já era envolvido com o Akonancore.
    — É? Viu ele fazendo algo estranho?
    — Vi. Uma vez ele me mandou pegar um pote com um negócio vermelho esquisito no laboratório dele. Ele disse que era remédio, mas tinha mais cara de... Akonancore.
    — Espera. — Disse Nuito, chamando a atenção de todos. — Você deu Akonancore pra ele beber?
    — Ele me pediu, ué. Virou tudo de uma vez, mas isso o salvou de uma febre. Não se lembra que quando o conheci, ele estava de cama?

    Nuito sente seu coração bater mais rápido e o sangue ferver com força, avançando pelas suas veias como cavalos furiosos na chuva. Senzo já o disse no passado que beber aquilo era ficar a um fio da morte. Mas que o fez se tornar justamente o que ele era agora. Ele tinha o poder da criação na palma das mãos, e essa foi a principal razão deles terem brigado. Agora, ele sabe quem começou tudo, e quem foi o responsável por afastá-los.

    Não foi ele, tampouco Senzo. Foi seu próprio amigo.

    Nuito pula em cima da mesa e salta pro outro lado apenas pra pegar Stevan pela gola da camisa e levantá-lo.

    — E VOCÊ ACEITOU?
    — Ei, Nuito! — Protesta um dos exploradores. Mas ele não dá ouvidos. Stevan parece bem assustado, como os outros.
    — Espera aí, cara! Eu não sabia que o Akonancore era aquilo! Nem você sabia da existência daquela merda, não é?

    Nuito solta-o, mas soca seu rosto logo em seguida. Os exploradores se levantam rápido e o afastam de Stevan, mas ele não resiste. Ele simplesmente dá as costas para todos e vai até a saída, sobre o silêncio e olhar dos seus amigos e parceiros de exploração.

    Antes de sair, ele olha para Stevan, que se levantou e agora passa a mão pela boca, onde levou o soco.

    — Espero que esteja feliz. Você condenou o meu amigo.

    Ele fecha a porta de madeira com um estrondo. Sem opções, se dirige até a sua casa.

    Sabe que a hora de abrir aquele quarto chegou.





    Próximo: Capítulo 31 – Resmonogatari VI

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  2. #2
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    Padrão Capítulo 31 - Resmonogatari VI

    Não irei esperar comentários dessa vez. Como disse, estou me esforçando para terminar logo essa história, então assim o farei.





    No capítulo anterior:
    Senzo passou os últimos anos fugindo de pessoas que o queriam vivo devido a revelação do Akonancore. Seu único apoio é Miraya. Já foi revelado ao mundo que a criação dele existe, e Nuito busca solucionar isso para dar paz ao seu amigo.





    Capítulo 31 – Resmonogatari
    Parte 6





    Nuito surpreendeu a todos em Porto Esperança quando disse que iria se aposentar da sua vida de biólogo e explorador. Mas é mais fácil dizer que ele chocou muito mais pessoas do que as daquela colônia.

    Embora um de seus melhores amigos, Stevan, tenha ido tentar se desculpar com ele, isso não surtiu efeito, tampouco mudou seus planos. Senzo era mais importante no momento. Nesses momentos, certamente Agalberan derrubaria todas as árvores de Tiquanda se fosse possível apenas para que os dois se reconciliassem e tudo voltasse a ser como antes.

    O problema é que mortos não podem fazer nada senão continuarem mortos.

    Agalberan morreu há quatro anos, vítima do veneno de um inseto da selva, e desde então, a vida de explorador não tem sido mais a mesma para aquele grupo. E agora que Nuito está indo, é possível que a maioria deles deserte e volte para as suas casas. Embora eles já tenham feito um mapa enorme de Tiquanda e conseguido definir uma rota entre Porto Esperança e Ankrahmun, ainda há muito naquela selva que não foi descoberto ainda. Mas Nuito não está mais interessado nisso.

    A partir do navio que zarpará para Edron, ele fita todos os seus companheiros e alguns habitantes da cidade despedindo-se dele. Vê que o tempo que passou lá foi ótimo, e que lhe deu muitas amizades valiosas, além de muito conhecimento. E de canto, ele percebe Ember fitando-o com um rosto triste. Seus olhos pareciam mostrar que ela queria dizer muita coisa. Muita coisa mesmo.

    Mas ela não queria partir de Porto Esperança e provavelmente comandaria os exploradores até que todos eles desertassem. Além disso, também sente que não conseguirá ajudar Nuito, até porque ele não explicou direito o que queria fazer em Edron e o que faria com Senzo após tantas notícias negativas a seu respeito. Dessa forma, ela simplesmente o vê partir, acreditando que não o verá mais.

    Ember sente que se Senzo não existisse, tudo seria melhor. Mas não há nada que ela possa fazer a respeito, já que ela não é uma assassina.



    ~*~



    Nuito chegou em Edron depois de semanas de viagem, durante uma manhã. O local é realmente distante, mas chegar lá acabou valendo a pena. Vestido de um Parka* verde escuro com uma única camisa vermelha por trás e com calças largas, além de possuir uma mochila verde com uma bolsa laranja logo acima, sua bagagem é leve, mas importante.

    Ele atravessou a cidade interna e externa e se dirigiu rapidamente para o norte da ilha. Não conhecia ninguém lá, embora já tenha visitado o local, assim, sabendo aonde ir e aonde não ir. Ele passa pelo monte de wyverns, evita o bosque à direita para não ser atacado por bandidos e segue um caminho reto e direto até uma grande clareira exatamente no norte da ilha. Está entardecendo, e percebe que perdeu o dia todo somente para encontrar aquela região.

    Ali, podia-se encontrar um lago sagrado, cujo acredita-se purificar a região e permite que os animais cresçam mais rápido e não fiquem doentes com facilidade. Humanos que tomam dela também ficam imunes a doenças por um tempo.

    Infelizmente, aquele lago é o seu alvo.

    Nuito pega uma pá pequena da sua mochila e também coloca ao seu lado um machado de lenhador e uma bolsa laranja. Ele cria um buraco relativamente fundo, onde ele acredita que possa estar correndo a água do lago para o subterrâneo. Em seguida, o biólogo pega um frasco, com um conteúdo que ele guardou no tal quarto por anos, com uma restrita magia de selamento. Ele tinha medo do que aquilo podia fazer, por isso tomou várias medidas para guardá-lo. Mas parece que chegou a hora de dar uso para aquilo.

    Ele derrama o líquido vermelho no buraco e enche-o daquilo. Fecha o frasco e coloca-o na bolsa.

    — Espero que dê certo. — Murmura para si mesmo Nuito, enquanto bastante tenso.

    O Akonancore tem inúmeros efeitos, e pode ser usado para criar qualquer coisa. Qualquer coisa, pois nem mesmo Senzo sabe os limites daquilo. E para usá-lo e dar utilidade ao líquido, basta tocá-lo e dar a ele o seu desejo. Mas no momento, Nuito não quer nem se imaginar tocando naquilo, e deixará ele ali para cumprir um simples experimento.

    Após isso, ele vira-se para as árvores próximas dali, e em seguida, olha para a clareira.

    — Ao trabalho.



    ~*~



    Nuito está ali há pouco mais de cinco meses. Construiu uma cabana próximo da floresta mais ao norte, mas que ainda está bem distante do oceano, no extremo norte. Não está tão longe do lago, e sabe que aquilo pode ser perigoso. Por precaução, ele iniciou, há um mês, a construção dum pequeno posto avançado acima de um monte não tão longe dali.

    Há tempos ele escuta rumores sobre lobisomens, mas sempre saiu de noite sem dar de cara com nada. Alguns diriam que ele está brincando com a sorte, mas ele simplesmente está sendo lógico, como todos os cientistas são. Mesmo que ele esteja num mundo de fantasia.

    Ele regularmente vai a Stonehome, ao leste, para comprar comida. Por ser um vilarejo simples, há várias pessoas que o conhecem. O inverno já começou e a região está coberta de neve, mas ele não se deixa intimidar. Está bem protegido do frio e seus pensamentos técnicos evitam que ele se preocupe com coisas banais como a temperatura.

    Quando ele observa o buraco, ele nota que a temperatura não faz diferença para o Akonancore também. Ele sumiu do buraco, mas parece estar, de alguma forma, impregnando-o. Recentemente, ele começou a fazer alguns buracos próximos do primeiro, e acabou de notar que a terra está ficando viscosa e avermelhada. Nota também a estranha presença de pequenos vermes avermelhados correndo por debaixo da terra.


    Mais meses se passam, e ele nota, a partir do seu diário, em sua cabana de madeira não tão bem protegida de criaturas da noite, que ele está há um ano e três meses ali. Na sua última ida para Edron, conseguiu a notícia de que Senzo fora visto fora de Darashia, em algum lugar de Venore. Nenhuma guerra se iniciou entre as nações. Aparentemente, ele fez isso para evitar conflitos inúteis, mas em compensação, ele e Miraya estão sendo caçados como demônios por todas as autoridades do continente. Nuito não consegue deixar de ficar triste, mas não pode sair dali para ajudá-los. Afinal, o que está fazendo ali é justamente para ajudá-los.

    Ao olhar o lago, nota que ele já perdeu sua coloração. Está cinzento e não há como ver o fundo dele. A região em volta dele está com uma grama avermelhada. Vermes estão andando sobre a terra. Há pouco, viu algo parecido com um fantasma dentre as árvores.

    — Parece que está tudo indo bem.

    É esquisito dizer isso para si mesmo após destruir um lago considerado sagrado, mas ele não teve escolha. “Tudo pela ciência” é o que ele normalmente vem pensando ao ver o que está fazendo.

    Mais tempo se passa, e agora ele está no segundo ano de pesquisa, em 344. Ele terminou a pequena torre emergencial acima do monte próximo de sua casa. Em sua cabana, ele possui aljavas cheias de flechas com pontas explosivas, bem como uma Lança de Dragão, que ele comprou recentemente em sua ida para a cidade. A situação a sua volta começou a ficar complicada.

    O Akonancore, de fato, é destrutivo e corrosivo quando não é usado e tampouco selado corretamente. Agora, toda a área ao redor daquele lago está com uma grama vermelha crescendo; As pedras e rochas ao redor mais lembram um cérebro cortado ao meio, com centenas de aberturas no formato de uma bola. Mesmo com esse visual, não passam de minérios duros e sem vida. Ao menos é o que Nuito espera que seja.

    As árvores também foram vitimas. O tronco perdeu as cores e as folhas ficaram vermelhas. Os passarinhos que sempre ficam nessas arvores agora tinham um ou outro olho crescendo na barriga. Cipós que as vezes podiam ser encontrados naquelas árvores por elas serem muito antigas, agora mais lembram um intestino jogado em cima delas. A quantidade de vermes abaixo de pedras e dentro dos buracos quadruplicou, e agora eles estão bem maiores. Eventualmente ele sente a terra tremer, como se algo estivesse correndo logo abaixo.

    A água está avermelhada e lembra sangue. Agora, é possível encontrar peixes esquisitos com placas avermelhadas pelo corpo, com presas enormes na boca. Há outros peixes maiores que eram inofensivos, mas a textura de seu corpo lembrava a de um coração.

    Nuito olha para o céu acima dele. Ele está cinzento, mas as nuvens pareciam levemente avermelhadas.

    Ele está ainda um pouco chocado.

    O efeito corrosivo daquilo era surreal. Agora mesmo ele está criando um bioma próprio, com sua própria flora e fauna. Aparentemente, aquilo era só o começo, e o bioma ainda não se desenvolveu totalmente. Além disso, ele ainda não conseguiu o que queria ali, mas sente que em breve conseguirá.

    Com lança em mãos e arco e aljava nas costas, ele continua observando os arredores. Está frequentemente vendo fantasmas com formas nem um pouco humanas próximo das árvores. Sente que não demorará mais do que alguns meses para eles começarem a atacá-lo, bem como os peixes do lago.

    Como não encontrou grandes perigos na região, ele decide voltar para sua cabana, principalmente porque já estava anoitecendo. Ele deixa o arco e a aljava ao lado da porta e se dirige a sala. Nota uma presença nela assim que põe o pé nela. Felizmente, ele ainda não guardou sua lança, da qual coloca em suas mãos.

    Algo que mais lembra um fantasma está parado próximo da porta que leva ao pequeno depósito que construiu para pesquisar o bioma. Não consegue ver direito a figura, que está encapuzada. Ele aponta a lança, sem dizer nada. Pensa que é um dos larápios que vivem atacando aventureiros nos bosques do leste, mas a figura é sombria demais para ser um simples bandido de floresta.

    Ela vira-se para Nuito e seus olhos são visíveis, apesar da escuridão na cabana. Cor de âmbar, vorazes e furiosos, eles despem Nuito de sua firmeza e coragem, e o banha com o medo e o terror. Algo assim não pertence a aquele lugar.

    — Cure a terra antes que seja tarde demais.

    Num piscar de olhos, a figura desaparece. A lança de Nuito cai no chão e ele não consegue tirar de seu rosto a expressão de horror que formou quando seus olhos encontraram os daquela figura. E o aviso que lhe foi dado parece ainda pior.

    Ele não tinha pensado em como curaria aquele lago antes. E isso foi um grave erro.



    Em seu diário, ele já está marcando quatro anos. Mesmo que o tédio tenha quase lhe tirado a determinação no início, desde que a grama começou a ficar vermelha e desde que os habitantes de Edron começaram a criar suspeitas em cima dele, as coisas deixaram de ficar tediosas, e cada dia tinha a cara de ser um novo dia de vida.

    Ele criou uma ponte entre o teto de sua casa e a pequena torre acima do monte e fez estacas longas de quase dois metros para segurar a ponte de um lado a outro, além de ter conseguido criar calhas para as chuvas, colocando espinhos ao lado delas por questões de segurança. Boa parte do seu tempo na cabana é ficando no teto, que ele planificou, com o objetivo de ficar ali sem cair e sem ser pego pelas criaturas que o bioma do Akonancore criou.

    Agora mesmo, ele está acima do teto, e sua aljava leva flechas flamejantes mágicas. Está fitando o comportamento de uma das criaturas que surgiram no local do lago, cuja está há noventa metros de sua casa.

    Ela tem uma aparência humanoide. Embora tenha um corpo normal de um homem, seu rosto é bem maior. Ele parece ter cabelo, mas este é feito de carne. E ele não possui rosto.

    Onde deveria estar o seu rosto, está apenas a forma vaga de um. Há uma cor carmesim muito clara sobre o que deveria ser seu rosto. O resto de seu corpo leva uma cor avermelhada e estranha, e ele se move devagar. É inofensivo, embora Nuito tenha seus motivos para acreditar que aquela criatura logo surgirá em bandos e começará a atacar sua cabana.

    Mais adiante, próximo de uma colina que existe ao lado do lago, está algumas criaturas diferentes, que lembram fantasmas. Elas flutuam, não possuem pernas e o formato de seu corpo mais lembra um cogumelo. A parte inferior é redonda, o meio possui um tronco levemente humano com braços e a superior lembra a da criatura sem rosto, com uma parte de sua cabeça sendo feita de carne fresca.

    Nuito deu nomes para as criaturas, como normalmente fazia em Tiquanda. A primeira se chama de Inexpressivo ou de Homem Sem Rosto, e a segunda de Ordinário. Não conseguiu tirar informações dos vermes porque eles são estranhamente agressivos e Nuito não faz ideia de como capturá-los. Conseguiu apenas coletar um que lembra uma lesma com um olho vagamente humano saltando por um fino tentáculo da parte superior de seu corpo. Ele apelidou a criatura de Olheiro.

    A grama está com uma cor mais intensa de sangue. Todas as formações rochosas lembram carne fresca e órgãos cortados ao meio, embora estejam fortemente endurecidas. As folhas nas árvores lembram plantas carnívoras, com bocas cheias de dentes de cor semelhante ao carmesim. As árvores parecem ter rostos. As plantas e flores conseguem andar sozinhas, possuem presas e espalham poros no ar de cor quase alaranjada. O lago é praticamente sangue fresco. Os peixes estão conseguindo saltar pra fora do lago e criar pernas e braços, eventualmente virando os Inexpressivos que ele viu antes ou algo pior que Nuito ainda não encontrou na superfície.

    De cima do telhado, ele lê um dos sete livros que ele usou para escrever durante o tempo que esteve ali. Três deles servem para ele escrever suas memórias e conhecimento, caso ele morra lá e alguém tenha curiosidade de saber quem foi o biólogo que se arriscou naquele lugar – E isso também para caso ele não consiga curar aquela terra. Um deles destaca memórias sobre sua temporada de exploração e pesquisa em Tiquanda. Fala sobre Agalberan.

    “Já faz anos desde que ouvi a trágica história que marcou a adolescência de Agal. Ele possuía dois irmãos, e o mais velho tinha ido morar com sua esposa em Venore, enquanto ele, seus pais e seu irmão continuaram vivendo em Thais. É num período antes dele decidir pegar suas coisas e abandonar seus pais para ir para Rookgaard e de lá partir pra Porto Esperança. Mais exatamente, o caso que o levou a Rookgaard.

    Seu irmão era estranho. Seu pai, seus tios e até sua avó diziam que ele era afeminado, e provavelmente gostava de outros homens. Ele sempre achou aquilo uma completa bobagem e achava que apenas faltava umas boas seções de treino pro rapaz. Ele só tirou a prova disso quando entrou no quarto do irmão um dia e encontrou uma cena que ele mal conseguiu descrever direito pra mim. Ele estava com roupas femininas, mas parecia estar fazendo alguma coisa que o chocou. Tanto que ele espancou o próprio irmão por cinco minutos, arrastou ele pra fora de casa inconsciente e o jogou perto do rio ao sul da cidade. Ele ficou irritado não só porque seu irmão era, segundo ele, um garoto problemático que gostava de outros homens, como também porque ele iria atrair mais problemas pros seus pais, que já estavam cheios de problemas para resolver. Ele quis apenas tornar a vida de seus pais mais fácil.

    Ele disse pros pais mais tarde que ele foi sequestrado e o próprio não sabia quem o fez. Mas com o tempo, ele se sentiu culpado e correu pra Rookgaard. Nunca mais olhou pros pais. Ele não sente muita coisa contando isso, mas eu mesmo não fazia ideia de como respondê-lo. Acho que essa questão de homens que gostam de outros homens ainda é algo que não consigo formular uma opinião concreta. Talvez seja bom aproveitar meus dias de pesquisa em Edron pra tentar concluir alguma coisa.”

    No fim, Nuito decidiu que não se importa com essa questão, apesar das opiniões que já recolheu de habitantes de Edron e Stonehome. A maioria contra, pois eles queriam que filhos fossem gerados, mas ao mesmo tempo, que compromissos não fossem quebrados em prol do prazer masculino. Certamente algo complicado demais pra se pensar enquanto a terra próxima dele parece um humano tirando suas tripas pra fora.

    Ele fecha o livro, pega sua lança, seu arco e sua aljava e pula do telhado direto para o chão. Mesmo dentro da cabana boa parte do tempo, ele tem se exercitado bastante indo e vindo com pedaços de madeira aqui e ali. Isso o ajuda a continuar se aventurando naquele lugar. Mesmo que não esteja se cuidando como deveria – Sua barba cresceu e já enche seu rosto de fios escuros.

    Ao entrar, ele engole em seco. Vários vermes enormes correm pelo chão, há besouros enormes vermelhos voando, Inexpressivos perambulando, Ordinários vigiando. Há também criaturas que mais lembram bolas de carne com olhos no centro flutuando próximas do lago.

    Conforme ele se aproxima do lago, as criaturas parecem mais vigilantes a seu respeito. Isso tem acontecido com certa frequência, embora ele não tenha sido atacado ainda. Ele reforça seu arsenal por conta própria, pois está começando a ficar assustado com a forma ágil que aquele bioma tem se desenvolvido. Sabe que uma hora será atacado.

    Ele ajoelha-se em frente ao lago e começa a analisar as criaturas dentro dele. Os peixes cresceram, mas ficaram mais estranhos. Eles parecem estar desenvolvendo mais olhos, mais nadadeiras, cristas, até mesmo asas, o que os fazem pular pra fora da água e planar em volta dela de vez em quando. Mas, no meio de tantas coisas estranhas, algo lhe chama a atenção.

    É um peixe negro, com dois olhos totalmente brancos, que possui um tamanho semelhante ao de um bagre. Sua textura visualmente lembra metal.

    — Encontrei.

    Nuito veio esperando aquilo desde o inicio, o que o faz se encher de satisfação e abrir um largo sorriso. Ele pega seu arco e uma flecha comum do meio das encantadas, e a amarra sua ponta inferior num pedaço de corda. Coloca no arco e puxa o fio.

    Subitamente, ele é puxado para trás, deixando o arco cair por acidente.

    Ele tenta pegar sua lança com uma mão, e com a outra, tenta manter longe um Inexpressivo inesperadamente agressivo. Acaba de notar que ele tem uma boca cheia de dentes, embora não tenha nariz ou olhos. Aparentemente, ele está agindo por instinto, bem como os outros Inexpressivos ao redor dele.

    Sem conseguir força o suficiente para superar a criatura de dois metros, ele cede aos poucos. Mas antes que ele tentasse mordê-lo, algo explode contra suas costas, lançando-o para frente e permitindo que Nuito levantasse de novo. Ele se senta, pega sua lança e levanta rapidamente, tentando saber de onde aquilo veio.

    Adiante, os Inexpressivos começam a correr de várias flechas explosivas. As criaturas começam a ficar assustadas e correm sem parar de um lado para o outro, berrando e grunhindo. O responsável por salvar sua vida é ninguém mais que Ember.

    — Deuses... Finalmente te encontrei.






    Próximo: Capítulo 31 – Resmonogatari VII



    Nota:

    *: É um tipo de casaco que é muito utilizado pelos povos Inuítes. São uma população indígena do norte do Canadá, parte das tribos esquimós.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  3. #3
    Avatar de Senhor das Botas
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    Bom, lá vamos nós comentar os próximos capítulos.

    Ler sua história por si só é uma grande inspiração. Mas não uma "inspiração" geral, mas uma deveras "melancólica". Desespero, medo, melancolia, tristeza... Sério, o tanto de depressão que você consegue colocar nas personagens, mesmo em "partes filler", pra desenvolver a personalidade de algumas personagens, como Nuito, quando descreveu a história de Agal. É legal que não só com o Borges e o Richard, que presenciaram incesto/estupro/abusos, mas esse tema voltou, mesmo que sucintamente. E pelo visto isso é o suficiente pra causar muita, mas muita m*rda ;x

    No mais, que capítulo. O poder do Akanancore, p*ta merda HUEHUEUE. Criou um bioma digno de Roshamul, e o que mais me surpreende... O FUCKIN NUITO FICOU TODO ESSE TEMPO LÁ. Sério, o cara viu o que parecia ser um vampiro, e mesmo assim prosseguiu. Se Redchain chamou o Nightcrawler de Nuito, com toda certeza é porquê o Nightcrawler no mínimo tem toda essa determinação do Nuito, embora seja mais poderoso e tenha o demonho do lado.

    De resto, que desenvolvimento. Estou curioso para saber da forma que o Akanancore criou... E o que está para ocorrer. Ainda acho que Ember se envolverá de um jeito, e te conhecendo, todos terão uma morte terrível...


    E por fim, encerro dizendo o seguinte: não desista! Por mais desanimador que seja ter poucos comentários, o número de visitantes no tópico não mente, e se há uma brava alma que conseguirá ler e acompanhar tudo até o final, como eu, com toda certeza esta alma sentir-se-há lisonjeada por ler algo tão delicioso, e por conhecer um pouco desse íntimo mal humorado, mas com uma vontade ferrenha, desse Carlos... Lendário.

    Deveras Lendário.

    Ok, desativei o meu modo gay.
    Última edição por Senhor das Botas; 16-01-2018 às 21:23.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  4. #4
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    Bom lá venho eu para um comentário gigantesco: Tá ótima a história. Pensou que era só isso???????



































    kkkkkkkkk
    Lá vai um trolar a história, poxa a história é muito interessante, no geral assim, especificar um ponto ou outro fica complicado que seria mais fácil comentar capítulo a capítulo como nosso amigos botas ali, mas cada capítulo vale como se fosse uma história roleplaying das competições de tão grande e tão complexa, Vamos ao princípio; guerras e mortes, tem coisa mais misteriosa que um assassino desconhecido? Claro que tem, a forma com que encontram ele, a morte de uma rainha, como pode, será verdade?

    Vou indo devagar até atualizar na história, mas só uma questão, joguei a muitos séculos atrás um jogo chamado Brigantine de PS1, nele uma das evoluções do ghoul é vampire e depois lord vampire pelo que me recordo, bom jogo pra quem gosta de rpg por turno e pode encaixar na citação dele em seu capítulo. Sucesso e acompanho na medida do possível.

  5. #5
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    Padrão Capítulo 31 - Resmonogatari VII

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Bom, lá vamos nós comentar os próximos capítulos.

    Ler sua história por si só é uma grande inspiração. Mas não uma "inspiração" geral, mas uma deveras "melancólica". Desespero, medo, melancolia, tristeza... Sério, o tanto de depressão que você consegue colocar nas personagens, mesmo em "partes filler", pra desenvolver a personalidade de algumas personagens, como Nuito, quando descreveu a história de Agal. É legal que não só com o Borges e o Richard, que presenciaram incesto/estupro/abusos, mas esse tema voltou, mesmo que sucintamente. E pelo visto isso é o suficiente pra causar muita, mas muita m*rda ;x

    No mais, que capítulo. O poder do Akanancore, p*ta merda HUEHUEUE. Criou um bioma digno de Roshamul, e o que mais me surpreende... O FUCKIN NUITO FICOU TODO ESSE TEMPO LÁ. Sério, o cara viu o que parecia ser um vampiro, e mesmo assim prosseguiu. Se Redchain chamou o Nightcrawler de Nuito, com toda certeza é porquê o Nightcrawler no mínimo tem toda essa determinação do Nuito, embora seja mais poderoso e tenha o demonho do lado.

    De resto, que desenvolvimento. Estou curioso para saber da forma que o Akanancore criou... E o que está para ocorrer. Ainda acho que Ember se envolverá de um jeito, e te conhecendo, todos terão uma morte terrível...


    E por fim, encerro dizendo o seguinte: não desista! Por mais desanimador que seja ter poucos comentários, o número de visitantes no tópico não mente, e se há uma brava alma que conseguirá ler e acompanhar tudo até o final, como eu, com toda certeza esta alma sentir-se-há lisonjeada por ler algo tão delicioso, e por conhecer um pouco desse íntimo mal humorado, mas com uma vontade ferrenha, desse Carlos... Lendário.

    Deveras Lendário.

    Ok, desativei o meu modo gay.
    Fala Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios e PARA DE CHAMAR O DARTAUL DE RICHARD PORRA


    Cara, já ouviu falar que, as vezes, o clima de uma história depende do ponto de vista que um autor tem sobre a vida? É mais ou menos assim que lido com Bloodtrip. O Mundo Perdido é bem diferente, é um clima mais épico e heroico, não há tantas reproduções de dificuldades que as pessoas tenham que lidar, mas essa história foi ótima pra eu me arriscar a fazer isso. De certa forma, Bloodtrip foi uma saída da minha zona de conforto, e acabou dando certo (Pois essa virou minha nova zona de conforto ). É legal que você veja tudo isso e capte como uma inspiração, só não vá ter a mesma visão da vida que a minha. Ser pessimista não é saudável.

    Devo dizer, o poder do Akonancore não tá 100% demonstrado ainda, mas isso porque não estamos no tempo atual da história ainda. Logo você entenderá. E Nuito é bem corajoso mesmo, mas se levar em conta que ele ficou matutando Tiquanda por 10-11 anos sem cansar, e levando em conta o quão chato é andar por lá mesmo no Tibia (Caralho, eu tenho um ódio COLOSSAL pelas Carniphilas, bicho chato da porra), ficar perto desse bioma nem é algo tão grande. E isso que ele tá crescendo ainda hein, não tá 100% também não. Btw, nem só de mortes terríveis eu vivo, então fica tranquilo.


    Obrigado pelas suas palavras encorajadoras cara, eu passei a ver que nem todo mundo tem paciência pra ler todos os dias (Eu tinha começado a ler de novo O Hobbit já tem mais de um ano e não terminei até hoje, pra você ter uma noção) e isso é compreensível levando em conta o que precisam lidar diariamente. As pessoas que leem minha história são adultas e tem responsabilidades. Mas Bloodtrip é uma responsabilidade minha. Então, não posso mais esperar alguém comentar pra postar um capítulo. Eu preciso terminar essa história, sério. Eu já planejei tanta coisa pra esse universo novo tibiano que criei, mas ainda não tive a chance de botar tudo no papel. E pra tal, eu preciso terminar Bloodtrip.

    Já não sou mais lendário, então me chame de Cavaleiro Carlos.
    seu viadinho

    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Bom lá venho eu para um comentário gigantesco: Tá ótima a história. Pensou que era só isso???????























    kkkkkkkkk
    Lá vai um trolar a história, poxa a história é muito interessante, no geral assim, especificar um ponto ou outro fica complicado que seria mais fácil comentar capítulo a capítulo como nosso amigos botas ali, mas cada capítulo vale como se fosse uma história roleplaying das competições de tão grande e tão complexa, Vamos ao princípio; guerras e mortes, tem coisa mais misteriosa que um assassino desconhecido? Claro que tem, a forma com que encontram ele, a morte de uma rainha, como pode, será verdade?

    Vou indo devagar até atualizar na história, mas só uma questão, joguei a muitos séculos atrás um jogo chamado Brigantine de PS1, nele uma das evoluções do ghoul é vampire e depois lord vampire pelo que me recordo, bom jogo pra quem gosta de rpg por turno e pode encaixar na citação dele em seu capítulo. Sucesso e acompanho na medida do possível.
    Caralho, olha só quem veio ler minha história, bicho.

    Grande Sombra de Izan, muito grato pela sua presença aqui. Não imaginei que Bloodtrip estivesse sendo tão complicado pra você, eu mesmo imagino que não seja lá tão fácil ler cada capítulo, visto que eles cresceram muito desde a época em que você estava na seção. Tornar as coisas mais complexas, mais misteriosas e estranhas é uma tendência que tenho tido, e essa história tem muito disso, como pode ver.

    Btw, é boa sua referência a esse jogo, mas a questão de ghouls e vampiros vai mais de área e cultura dentro de Tibia, como não é comum encontrar clãs de vampiros no deserto, também não é fácil achar famílias de ghouls em Edron, por exemplo. Basicamente, nenhum é evolução do outro.

    Espero que a história continue sendo do seu agrado, Izan. Grande consideração por ti, mano.










    Teve um dia que eu falei "O capitulo 20 de Bloodtrip foi feito para ser o maior capítulo da história".

    Jokes on you, Carlinhos do passado. Sabe de nada.



    O capítulo 31 acabou ultrapassando minhas expectativas, e a história das origens de Senzo acabou sendo a maior da história. Encerro esse capítulo com sete partes e parto para outro. Com isso, acredito que o fim será alcançado no capítulo 35.

    Enfim, vamos continuando!





    No capítulo anterior:
    Nuito se aposenta da vida de biólogo e explorador e viaja para Edron para testar o que o Akonancore pode fazer na terra. No fim, ele gerou um bioma extremamente perigoso e desconhecido do qual ele tenta desbravar. Mas uma de suas tentativas dá errado e ele é salvo por Ember.




    Capítulo 31 – Resmonogatari
    Parte 7





    — Ember!

    Nuito está feliz em vê-la. Ela está usando uma armadura, calças e capa élficas e esverdeadas, além de um cachecol púrpuro no pescoço, que antes protegia sua boca e seu nariz, mas ela o abaixou para ser reconhecida. Embora faça um tempo que eles não se veem, ela não sorri. Sua seriedade dá um banho de água fria em Nuito.

    — Há muito que preciso te perguntar, mas é melhor sairmos daqui primeiro.
    — Concordo plenamente. Mas antes...

    Nuito pega seu arco, a flecha e a corda e dispara em pouquíssimo tempo contra a água. Ele puxa a flecha de volta e revela o peixe de antes, debatendo-se, mas parando de se mover seis segundos após ser retirado da água. Mais ou menos o tempo que levou para ele conseguir pegá-lo em suas mãos. Ember impressiona-se com o quanto ele melhorou com o arco, mas não comenta nada.

    Os dois saem da área e correm para a cabana de madeira. Nuito fecha a porta e coloca vários reforços de madeira nela. Ele entra na sala com a moça, e põe o arco e a aljava ao lado do único sofá do recinto, levando o peixe agora com as duas mãos. Ele aproxima-se do pequeno quarto onde guarda várias coisas que recolheu na área do Akonancore para guardá-lo, enquanto Ember observa um pouco a casa.

    Não há realmente nada demais ali. Nuito a construiu sozinho, e ela é pequena, acomodando um pequeno quarto onde há apenas uma cama de solteiro e uma cômoda pequena para algumas roupas. No quarto ao lado, ele mantém um pouco de comida em potes no lado direito e tudo relacionado a área infectada fica bem trancada e selada com magia no lado esquerdo. Provavelmente ele cozinha tudo no lado de trás e traz para a casa para comer no sofá. Os móveis obviamente foram conseguidos em Stonehome e trazidos para lá com a ajuda de alguém.

    Ember normalmente ficaria tímida sozinha numa casa com Nuito, mas dadas as circunstancias, não sente mais nada. Somente mantém-se preocupada com o estado que aquela terra encontrava-se. Elfos são muito conectados a terra, então ver algo daquele nível acontecendo com parte do corpo de Tibiasula toma-lhe mais a preocupação do que um amor a confessar.

    — Comece a me explicar. Do começo. — Cobra Ember, de braços cruzados.

    Ao invés de Nuito abrir o jogo, ele simplesmente chama-a para o local onde guarda amostras da área infectada. Ele põe a mão sobre um dos armários por algum tempo, até que ele trema levemente. Em seguida, abre-o, recolhe um dos potes de vidro e mostra para ela um dos vermes que recolheu. Ele ainda está vivo, mesmo sem comer, sem beber, sem ver a luz do dia. Ele parece uma lagarta na parte inferior, mas a superior lembra mais um olho enorme. Ele tem uma coloração de tons de amarelo para o laranja, parecendo um dos destaques daquela área. Além disso, ele tem inúmeros olhos pequenos na região inferior.

    — Isso é uma das coisas que surgiram ali?
    — Exatamente. Batizei ele de Oliphila. Encontrei um monte de outras coisas esquisitas lá, mas isso tudo é parte do motivo do qual vim aqui.

    Ele encosta a porta do armário e abre o do lado, recolhendo um outro pote com água normal. Seria a água purificada do lago quando ele não foi alterado.

    — Vim aqui há quatro anos pois recebi uma carta de um pesquisador que a área estava sendo alterada por algo artificial. Quando cheguei aqui, só notei a diferença escavando a terra, e ainda conseguia recolher água do lago onde estava há pouco. A terra estava viscosa, demorava pra sair das mãos, diferente do barro. Com o tempo, as alterações foram surgindo, e comecei a minha pesquisa. Mas logo percebi que esse lugar estava ficando hostil e precisei me armar. Foi estranhamente rápido. Um dia, eu estava começando a pegar grama vermelha no meio da verde, no outro eu já via aqueles humanoides andando sobre a terra.
    — Isso é horrível.
    — Recolhi essa água antes de tudo acontecer. Ela não foi alterada, porém. Parece que foi algo realmente plantado lá.
    — Uma planta?
    — Não faço ideia. Talvez uma poção que deu errado.

    Nuito não queria dizer a verdade. Seria problemático demais se o fizesse. Como Ember o olharia depois de saber que foi ele quem destruiu aquela área ao redor do lago? Se ela realmente gostasse dele tanto quanto ele pensava, esse amor todo desapareceria e seus instintos élficos agiriam em alta velocidade. Ela começaria xingando-o, e logo estaria enterrando uma adaga em seu peito. Por isso, não quer arriscar.

    — Eu aproveitei e tomei a liberdade de dar um nome para o bioma: Muzonsentouki. Retirado do hanrajiinês.
    — O idioma dos lagartos de Chor?
    — Exatamente. Mas nas últimas semanas, simplifiquei a palavra para Musenki. A tradução literal é Carmesim Lutador. Não sei se preciso explicar melhor isso, mas...
    — Tudo bem, entendi sua intenção. O nome não ficou ruim. — Disse Ember, descruzando os braços — Então... Musenki é algo artificial. Bom, é o que eu esperava, após ouvir os rumores.
    — Rumores?
    — Nuito, você está começando a se tornar suspeito em Edron. O povo já notou essa coisa vermelha crescendo, a terra mudando. Você deve estar afastando todos e contando o que tem visto, mas é mais que natural que o que você conte acabe se espalhando, não acha?
    — Bem... Isso é inevitável. É melhor um rumor bobo do que uma pessoa morta.
    — Ainda assim Nuito, as pessoas suspeitam que você tenha algo a ver com o que está acontecendo naquela região. As mais inteligentes sabem que você é um biólogo e está pesquisando e tentando descobrir o que tem causado aquela mutação, mas sabe que inteligência não é um primor de todo humano comum, não é?
    — Até concordo, mas não vou me intimidar com isso.
    — Pois deveria. O povo é uma arma poderosa. De greve a guerra, o governo perceberá em breve que a hora de intervir nessa região chegou, graças a população. Quando isso acontecer, você terá de ir embora. Ou melhor, seria melhor se você já fosse, pois não demorará mais que um ano para aventureiros e exploradores chegarem aqui para ver com os próprios olhos o que está acontecendo com esta terra. E esse é o pior cenário possível.
    — Sim. Se houver doenças lá...
    — Se espalharão para outras partes de Tibia e ninguém saberá como curá-las. Fora as pessoas que morrerão para aqueles monstros.

    Nuito sente-se horrível. Apesar de ter conseguido o que queria, sua atitude não fora louvável. Ele destruiu aquela região e aquilo pode muito bem se espalhar para o resto de Edron em algumas décadas. Tudo por causa dele. Mas se o peixe que ele conseguiu lhe der o que precisa, a cura para aquele lugar virá em breve.

    — Bem, de qualquer maneira, aquela região me deu algo que eu realmente estava precisando. E isso ajudará a parar Senzo.
    — Como?
    — Olhe. — Nuito coloca o peixe negro que pegou sobre um balcão. Ele pega uma das lamparinas do quarto e a coloca perto do peixe, mostrando a camada dura que possui sobre o corpo, bem como as placas visivelmente duras próximas da cabeça — Não dei um nome para isso ainda, mas o fenômeno se chama Alterorganis. Trata-se da teoria que todo bioma possui um organismo vivo totalmente diferente do clima onde ele se encontra. Em Tiquanda, no passado, encontramos a Pantera da Meia-Noite, mas mesmo que rapidamente, notamos que ela possuía uma pelagem muito semelhante a de animais que vivem em locais frios, contrariando o clima tropical daquele lugar. Ela é um Alterorganis. E esse peixe é o Alterorganis daquele lugar.
    — A Teoria do Organismo Alternativo que você criou, não é?
    — É, mas eu simplifiquei o nome.
    — Ficou uma bosta.
    — Enfim... — Nuito pigarreia e volta a falar — Essa Alterorganis pode, de alguma maneira, parar o Akonancore que Senzo desenvolveu. Recolhi outro material semelhante à natureza do Alterorganis a partir de uma lula que cresceu naquele lago, então acredito que posso desenvolver o que chamo de Aço Negro.
    — Aço? Bem, esse peixe parece bem duro olhando de perto... — Disse Ember, enquanto toca o peixe. Mas ao sentir sua textura, acaba tirando o dedo rapidamente — Credo! L-Lembra mais a textura do cérebro de algum animal!
    — As aparências confundem — Ri Nuito, mais uma vez achando graça de certas bobagens pouco inteligentes que Ember faz, irritando-a no processo. Ember fica um tanto envergonhada, não só por isso lembrar as aventuras dos dois em Tiquanda como por também lembrar o tempo que tiveram na academia.

    Isso ajuda Ember a se lembrar de algo importante. E, abruptamente, as peças se encaixam.

    — Disse que servirá para parar o Akonancore de Senzo, não é? Mas como isso funcionará?
    — Irei desenvolver algum corpo resistente que leve o Aço Negro de forma que me permita despejar sobre a criação dele, ou lutar contra. Pode ser uma espada mesmo. Embora eu acredite que esse aço não será melhor que o que já conhecemos, será extremamente eficiente contra o Akonancore.
    — E como você tem certeza disso?
    — Pois o Aço Negro é o Alterorganis do Ak-

    Nuito para de falar, e no exato momento em que ele se interrompe, Ember muda sua expressão. Não era necessário falar mais nada.

    Com isso, Ember sai andando rapidamente do quarto, levando Nuito a perceber que deixou seu segredo escapar graças a lábia quase invisível da elfa, algo natural de um elfo tibiano. Ele mal percebeu que estava contando, pouco a pouco, que ele foi o responsável por destruir aquela terra.

    Ele vai atrás da elfa apenas para perceber que ela parou a sete passos da porta. Adiante, uma figura encapuzada está no caminho para a porta.

    — É, concordo contigo, Ember. Como alguém como Nuito, tão apaixonado pela natureza, teria coragem de destruí-la?

    É a voz de Senzo.

    Em instantes, as lamparinas posicionadas em alguns locais da casa acendem sozinhas. Algumas nem mesmo tinham óleo, mas ainda assim estão acesas naquele momento, e com óleo. Nuito deixou sua lança e seu arco e flechas próximo da porta. Só Ember tem armas em mãos. Sente-se azarado por isso, afinal, Senzo aparecer na sua casa daquele jeito é a última coisa da qual ele esperava.

    — Como você veio parar aqui, Senzo?
    — Sou o papai noel. Estava de férias e voltando para Vega.
    — Esses tipos de piada não caem bem em você.
    — Mas estou falando a verdade. Quem disse que vocês terão natal esse ano?

    Senzo está realmente de vermelho. Ele está usando um gibão um pouco grosso de mangas longas de cor vermelha, calças vermelhas e botas vermelho-escuras. Está com uma ombreira de aço no ombro esquerdo. Ember recua para perto da porta do quarto, com arco em mãos.

    — Brincadeira. Vim apenas parabenizá-lo, Nuito. Você fez algo genial, como sempre. Nem eu havia pensado nisso ainda.
    — Do que está falando?
    — Lançar Akonancore sobre a terra sem nenhum desejo. Cara, sério? Nem eu sei direito do que o Akonancore é feito, afinal, sempre uso muitos materiais diferentes para alcançar a forma original do primeiro Nancore, então nem sempre sei no que aquilo pode terminar, mas você... Você simplesmente ignorou tudo isso e jogou sobre a terra para ver o que aquilo ia fazer por conta própria. E veja só, você criou algo novo. Um lugar novo, um bioma novo! E então, como é a sensação de ser um deus?

    Nuito engole em seco e não responde. Sabia que, um dia ou outro, Senzo acabaria referindo-se ao uso do Akonancore como algo divino.

    — No mais, eu tenho focado demais em quaisquer outras coisas além do Akonancore. Vamos lá, eu já atingi a perfeição. Quero que as outras coisas que possuo tenham a mesma perfeição. Por exemplo...

    A manga direita de seu gibão, mesmo sendo grossa, desaparece em instantes, virando pó. No lugar, surge um braço mecânico, com uma textura lembrando prata. Há uma corrente ao redor dele, e no seu pulso, logo abaixo da palma de sua mão, está uma ponta de lança, igual as que ele usava na Célula de Ferro.

    — Incrível, não é? E nem precisei perder o braço para cobri-lo com isso!
    — Senzo... — Murmura Ember, um pouco irritada.
    — Cala a boca, Ember.
    — Cale você a sua boca! — Disse Ember, colocando uma flecha em seu arco em menos de um segundo. Ela dispara rapidamente, mas ao invés dele desviar, ele simplesmente estala os dedos. A flecha para em alguma coisa criada na sua frente.

    Era a cabeça de um Ordinário. Ela cai no chão logo atrás de Senzo.

    — Há mais um motivo para eu querer parabenizá-lo, Nuito. Você criou o ambiente perfeito pra mim! Ora, para eu conseguir criar coisas simples, tive que literalmente engolir minha criação. Mas agora você jogou minha criação sobre a terra, justamente quando eu lhe dei buscando ajudá-lo. E no fim, você foi quem acabou me ajudando! Sempre pensando nos outros no fim, não é mesmo, Nuito?
    — O que, por todos os deuses, você está falando? Eu não consigo mais te entender, Senzo. Você nem parece mais... Você. O que aconteceu?
    — Eu finalmente encontrei o caminho. Agora, eu tenho uma razão para viver. E eu quero que você me ajude, Nuito. Você também pode, Ember. Como nos velhos tempos! Talvez eu até consiga trazer Norbron de volta, e faremos tudo como antigamente. Experimentos são divertidos, não é?
    — Inferno! Senzo, cala a boca! Você é inacreditavelmente irritante agora, céus! Não consigo sentir nada senão ódio de você! Por mim, você poderia morrer! — Vocifera Ember, apertando bastante seu arco.
    — Ah, nesse caso, vamos exclui-la. Ela não é tão importante assim, não é? Qual é, Nuito. Vamos! Me ajude, como sempre me ajudou. Você sempre me apoiou! E eu fui muito, muito longe, graças a você. Se eu não tivesse um amigo como você, eu estaria em apuros.

    Nuito entende bem agora o que Ember quis dizer, no passado. Mas não entende porque Senzo o admirava tanto, considerando que ambos são inteligentes ao mesmo nível. Ao menos no seu ponto de vista.

    — Eu não te entendo... O que você quer?
    — Quero mudar o mundo com o Akonancore. Posso criar coisas melhores que aquilo que você fez, mudar Tibia. Desafiar os deuses e mostrar que os humanos também são capazes de milagres. Que tal? Preciso de seu altíssimo conhecimento sobre geografia e biologia. Você é um gênio sobre a natureza tibiana. Você me seria útil de tal maneira que-
    — Senzo, pelo amor dos deuses, cala a boca.

    O alquimista está chocado.

    Nunca antes Nuito mandou ele se calar de forma séria. E ele parecia bem sério, além de perplexo.

    — Eu disse antes, você não parece com você mesmo. O que está dizendo? Desafiar os deuses? Está doente? Darashia queimou seus miolos?
    — Como eu disse... Eu encontrei meu caminho. E tudo bem se não quiser me ajudar. Você já me foi de grande ajuda.

    Senzo bate palmas duas vezes e no instante seguinte, vários Ordinários preenchem a sala. As mesmas criaturas que lembram cogumelos, mas dessa vez, eles pareciam ter vários olhos na parte inferior, além de tentáculos curtos nos braços. Evoluíram mais uma vez.

    — Eu sou o deus dessa terra, e dela tomo posse. Desapareçam.
    — Corre, Nuito! — Grita Ember, enquanto coloca duas flechas explosivas sobre seu arco e as dispara contra os seres fantasmagóricos, criando uma forte área de efeito sobre eles e dando tempo para escapar.

    Nuito pega o peixe negro e arromba uma porta do armário a direita. Ele pega dois potes com um liquido laranja-claro e coloca sobre os braços. Em seguida, ele pula e soca o teto, fazendo uma portinhola se abrir e uma escada cair. Ele começa a subi-la, enquanto Ember lhe dá cobertura. Ela o leva até o teto, e lá em cima, no telhado, ele acha uma bolsa laranja no chão e coloca os frascos e o peixe lá dentro. Acha outro arco, outra aljava com flechas explosivas, pega-as e corre para a ponte. Ember aparece logo depois ali, disparando uma flecha explosiva contra a escada, fazendo-a cair. Ambos correm até o monte.

    Após descerem o monte, ambos passaram horas correndo pelo bosque até chegarem na montanha dos wyverns, e só param de noite no outro lado, em Stonehome. Cansados e frustrados, eles caminham vila adentro, buscando abrigo.

    Mal perceberam que ela está sem um resquício de luz sequer.

    Nuito acaba parando antes de Ember, e ela sem querer tropeça em alguma coisa e cai no chão. Seria motivo para ele dar risada se não fosse a situação em que se encontram.

    — Merda! O que foi isso?
    — Não sei, não vejo nada, esse lugar está um breu. Consegue iluminar o lugar?
    — Sim... Utevo Gran Lux.

    Com a iluminação, Ember assusta-se com o que tropeçou, principalmente com os arredores. Pois, na sua frente, está um corpo de um habitante do vilarejo. E há vários outros corpos ao redor. Feridos por lanças e facas, todas de cor carmesim, geradas do Akonancore.

    Nuito ajoelha-se e soca o chão. Criou uma conexão com os habitantes dali, pois eles sempre o ajudaram. Na visão deles, ele estava evitando que uma praga se espalhasse. No fim, acabou dando a eles sua ruína. Por isso, ele está quase chorando, enquanto continua socando o chão. Ember senta-se e olha para o horizonte, evitando olhar para os cadáveres. E especialmente para Nuito.

    — Nuito, não importa o que você diga. Não é culpa sua. É daquele miserável do Senzo. Ele nos traiu. E acabaremos com ele.
    — Você não entende... Fui eu quem começou essa ideia. Se essas pessoas estão aqui, mortas, a culpa é minha. Você sabe disso. Além disso, eu maculei um lago e a região ao redor dele... Eu sou horrível.
    — Chega, Nuito... — Ember pede, mas não consegue nem mesmo manter sua firmeza e seriedade frente a um Nuito tão desabado. — Por favor, pare. Eu entendo o que você fez agora. Você queria evitar que Senzo destruísse Tibia do jeito do que aconteceu no lago. Seu plano foi muito bem pensado, e agora temos uma chance de pará-lo. Por que está assim?
    — Isso não os trará de volta, Ember. Eu trai o povo de Stonehome. Os edronianos estavam certos. Eu traria ruína para eles.

    Ember respira fundo. Ela levanta-se e vai até Nuito, ajoelha-se na sua frente e levanta seu rosto. Ao encará-lo tão de perto pela primeira vez, sente uma enorme vontade de recuar, mas ao invés disso, ela lhe dá o mais honesto dos beijos. Um que durou pouco mais de dez segundos.

    Ao deixá-lo, Nuito parece melhor, mas bem surpreso.

    — Mesmo que eles tenham morrido por causa daquele lugar infectado e da obsessão de Senzo, você pode vingá-los e fazer com que a morte deles não tenha sido em vão! Você tem o necessário para anular os poderes do Akonancore, não é? Então pare de choramingar e comece a trabalhar! — Disse Ember, puxando-o para mais perto ainda de seu rosto. Ela pousa sua testa sobre a dele, enquanto uma solitária lágrima cai do olho de um Nuito incrédulo. — Salve Tibia, Nuito. Lute. Por mim. Por Tibiasula. Por todos os deuses. Pelos mortais que caminham por esse mundo.

    O homem respira fundo e tenta se acalmar.

    — Tudo bem. Irei lutar.

    Ember sorri e o abraça. Mesmo cercada pela morte e pelo horror, ela ainda conseguiu a chance que tanto esperou de poder mostrar ao menos um pouco do que sentia pelo rapaz. Depois de vinte e dois anos.

    Ainda assim, a espera valeu a pena.








    Próximo: Capítulo 32 – Re:Bloodtrip




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  6. #6
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    Bom, vamos ao capítulo.

    Não há muito o que acrescentar. Ok, p*tas revelações, Senzo aparecendo maluco querendo o Nuito( provavelmente foi a figura sombria que brincou com o nosso biólogo). Ember firme e forte com o Nuito, e incrivelmente, você não matou nenhum dos dois, lol. Matou uma vila inteira no lugar, mas o que é uma vila perto desse casal que daria inveja até no Ratinho

    No mais, estou MUITO ansioso pelo que vai ocorrer. Provavelmente os dois morrerão, mas deixarão um p*ta legado que permitirá certas pessoas, no futuro, combater o Akanancore... E a Irmandade.

    E na boa, mal vejo a hora de voltar pro presente. Não que esteja ruim o passado do Senzo, muito longe disso( foi a personagem na qual você mais trabalhou e encaixou o passado e background). Mas simplesmente eu quero ver a mente por trás de tudo, que aproveitou-se do Akanancore...

    Sério, te conhecendo, vou tomar um verdadeiro Mindblast em breve.

    EDIT

    O próximo capítulo tem o nome da história. Naun faz içu comigo não, nem JoJo nem One Punch Man conseguem criar tanto hype assim.
    Última edição por Senhor das Botas; 26-01-2018 às 00:29.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  7. #7
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    Missão dada é missão cumprida, parceiro.

    Concordo em partes com a opinião do @Senhor das Botas. Com um quê de apreensão, estava aguardando pela morte de Ember no decorrer do capítulo, e acho engraçado que tenha não somente poupado o personagem, como tenha decidido criar tanta destruição neste capítulo. Esses flashbacks são interessantes pra qualquer história, também. Já disse isso em outras oportunidades, mas não custa reforçar: o personagem de Senzo é peculiar, e até agradável, mesmo que seja meio mal educado. Me lembra um pouco de Leonard, se quer saber.

    Pegando o gancho no comentário do colega: causa-me certa apreensão o fato de que o próximo capítulo tenha o nome da história. Espero que você não seja um vacilão de encerrá-la agora, sob pena de ter seu rosto desfigurado. Não me importa onde você mora. Eu farei esse deslocamento.

    No mais, Carlos, peço perdão pela ausência constante. Se pá que você percebeu os problemas recentes que enfrentei aqui, mas isso fica no passado. Aproveitei a oportunidade pra colocar em dia a leitura de Bloodtrip e não me arrependi; os últimos episódios foram cintilantes, e gosto muito dessa viagem para trás e para frente na história. Não deixa de ser um primor, como sempre foi.

    Um abraço!
    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  8. #8
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    Padrão Capítulo 32 - Re:Bloodtrip

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Bom, vamos ao capítulo.

    Não há muito o que acrescentar. Ok, p*tas revelações, Senzo aparecendo maluco querendo o Nuito( provavelmente foi a figura sombria que brincou com o nosso biólogo). Ember firme e forte com o Nuito, e incrivelmente, você não matou nenhum dos dois, lol. Matou uma vila inteira no lugar, mas o que é uma vila perto desse casal que daria inveja até no Ratinho

    No mais, estou MUITO ansioso pelo que vai ocorrer. Provavelmente os dois morrerão, mas deixarão um p*ta legado que permitirá certas pessoas, no futuro, combater o Akanancore... E a Irmandade.

    E na boa, mal vejo a hora de voltar pro presente. Não que esteja ruim o passado do Senzo, muito longe disso( foi a personagem na qual você mais trabalhou e encaixou o passado e background). Mas simplesmente eu quero ver a mente por trás de tudo, que aproveitou-se do Akanancore...

    Sério, te conhecendo, vou tomar um verdadeiro Mindblast em breve.

    EDIT

    O próximo capítulo tem o nome da história. Naun faz içu comigo não, nem JoJo nem One Punch Man conseguem criar tanto hype assim.
    Opa Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Cara, não matei a Ember pois não vi necessidade, juro mesmo. Todas as mortes até então tiveram um motivo e elas influenciaram diretamente na história e nos personagens. Por exemplo, a morte de Borges tornou Dartaul mais maduro e sério, a da Zoe (Que nem chegou a ser uma morte mesmo, futuramente vou explicar o que aconteceu com ela) também chocou o time todo e os desanimou mais, já que né, é a Zoe. Eu queria poder ilustrá-la, ela foi criada pra ser aquele tipo de pessoa que você olha quando tá frustrado e toda a sua frustração vai embora, só de ver ela sendo ela mesma. Enfim, todas as mortes tiveram algum sentido nessa história, logo, nem só de mortes vive sr. carlos.

    Há diversas coisas a se explicar sobre como esse poder caiu nas mãos da Irmandade, mas já estamos chegando lá; Logo as explicações serão postas na mesa. Acredito que depois do 32 já chegaremos no presente de novo, para dar resumo a história. E provavelmente te dar um mindblast, mesmo. Ao menos, é o que eu espero.


    Agradeço a presença frequente, Botas.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Missão dada é missão cumprida, parceiro.

    Concordo em partes com a opinião do @Senhor das Botas. Com um quê de apreensão, estava aguardando pela morte de Ember no decorrer do capítulo, e acho engraçado que tenha não somente poupado o personagem, como tenha decidido criar tanta destruição neste capítulo. Esses flashbacks são interessantes pra qualquer história, também. Já disse isso em outras oportunidades, mas não custa reforçar: o personagem de Senzo é peculiar, e até agradável, mesmo que seja meio mal educado. Me lembra um pouco de Leonard, se quer saber.

    Pegando o gancho no comentário do colega: causa-me certa apreensão o fato de que o próximo capítulo tenha o nome da história. Espero que você não seja um vacilão de encerrá-la agora, sob pena de ter seu rosto desfigurado. Não me importa onde você mora. Eu farei esse deslocamento.

    No mais, Carlos, peço perdão pela ausência constante. Se pá que você percebeu os problemas recentes que enfrentei aqui, mas isso fica no passado. Aproveitei a oportunidade pra colocar em dia a leitura de Bloodtrip e não me arrependi; os últimos episódios foram cintilantes, e gosto muito dessa viagem para trás e para frente na história. Não deixa de ser um primor, como sempre foi.

    Um abraço!
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Mas e aí, vocês pensam que eu só mato meus personagens a toa? Como eu disse pro Botas, todas as mortes tem sentido, e mesmo que eu ache interessante me comportar como um Martin da vida de vez em quando, não posso ser assim o tempo todo, até porque não escrevo nada semelhante a um Game of Thrones. Mas, como eu disse, é interessante me comportar como ele, então se não matei nenhum deles agora, não significa que eles não vão se fuder gostoso no futuro, né?

    Sobre o título desse capítulo, não é nada tão grandioso assim. Conforme o capítulo avança, vocês vão entender a escolha desse título.

    E sim, percebi os problemas e já comentei sobre lá na sua história. Novamente, cuidado na próxima.


    E agradeço a presença, Neal!













    Esse capítulo servirá para finalmente entendermos melhor a Irmandade. Esse primeiro aqui é meio grande, mas o próximo será bem maior, com o objetivo de conseguir chegar logo no presente. Estive planejando a sequência de Bloodtrip há tempos e estou ansioso para começar a escrevê-la logo. Planejei inúmeras coisas boas que espero que vocês gostem! Por enquanto, vamos continuar desvendando o passado de Senzo.





    No capítulo anterior:
    Nuito encontra Ember e explica o que o levou para Edron e o que estava acontecendo com aquele lugar infectado, mas sem querer acaba revelando que foi ele que infectou aquele lugar com o Akonancore que Senzo lhe deu no passado. Ember ia se preparar para deixá-lo para sempre, quando Senzo surge e tenta atrair ambos para seu plano insano. Sem sucesso, ele tenta matá-los, mas ambos fogem para Stonehome, onde encontram todos os aldeões mortos.






    Capítulo 32 – Re: Bloodtrip
    Parte 1






    Não há lugar em Edron para alguém que cometeu crimes contra a segurança da ilha. Por isso, Nuito e Ember foram para Cormaya.

    Uma ilha pequena, mas nem um pouco pacata; Assim era o lar dos anões, que possivelmente vieram do continente principal, sendo descendentes de uma das famílias da época de Durin. Trabalhando ativamente nas minas do sul, a aldeia na ponta do norte serve mais como um local para os anões dormirem e se alimentarem, já que eles não possuíam tantas noções de higiene, e consideravam as minas os seus lares. Dessa forma, as tardes naquele lugar eram tranquilas o suficiente para Nuito se concentrar.

    Os dois conseguiram uma casa razoável, no oeste da aldeia, onde não há tantos anões. Ainda assim, Ember ocupa suas tardes vigiando acima do telhado qualquer atividade suspeita. Isso porque ela não consegue ficar muito tempo dentro de uma habitação, devido aos seus instintos élficos que buscam liberdade a todo custo; e aos seus instintos femininos, que sentem constrangimento quando ela pensa em ficar sobre o mesmo teto que Nuito.

    Bobagens a parte, Nuito concentrou-se na sua pesquisa sobre o peixe Alterorganis que encontrou no lago do terreno Musenki. O peixe negro possui também um sangue negro, e de forma chocante, ele notou que o peixe possuía escamas feitas do próprio sangue, e que o resto do corpo era formado pelo seu próprio sangue endurecido de alguma forma pelo lago. O peixe parece estar lá há menos de um ano, alimentando-se de larvas, afastado dos outros e da luz. Ele não parecia ser rápido, mas não havia necessidade para ser, já que ele vivia em um lago. Além disso, mesmo que ele tenha sido criado dentro do Musenki em pouquíssimo tempo, seus órgãos são bem desenvolvidos. Ele parece ter nascido de outro peixe, porém, algum que por algum milagre não foi atingido pela maldição do Akonancore.

    Nuito passou seis meses fazendo testes com seus órgãos ou ao menos tentando reproduzir o que o peixe fez para transformar seu sangue em sua pele e escamas. Seu objetivo era criar uma mistura que tivesse uma leitura semelhante a um Alteroganis artificial, algo totalmente oposto a um Akonancore. E que conseguisse espalhar suas células pelo elemento oposto, com o objetivo de destruí-lo. Ele só conseguiu um resultado satisfatório após esses exatos seis meses.

    No fim, lá estava, na sua frente, uma caixa contendo vários blocos diferentes com um líquido misturado a um líquido que ele recolheu de uma lula mutante do Musenki, que mais parecia um polvo. O líquido é absolutamente escuro. Nada que ele tentou misturar, sendo água ou tinta, conseguiu mudar a cor. Simplesmente o fazia aumentar sua massa.

    É quase como o Nancore, mas a única coisa que aquilo faz é destruir o Nancore.

    Ember está ao seu lado, impressionada. A caixa de madeira pintada de azul e branco parece ter um objetivo claro.

    — Eu irei levar isso para um lugar bem frio. E sei de alguém que pode me ajudar com isso.
    — Planeja congelar o que criou?
    — É. Deixarei ela lá por um ano. É minha melhor previsão para que todos os blocos com o líquido Alterorganis sejam congelados com sucesso.
    — E se não congelar?

    A expressão de Nuito muda um pouco por um tempo.

    — Vai congelar, não se preocupe. O lugar que levarei é bem frio.
    — Certo... E quem irá levar?
    — Uma amiga minha que está em Edron.

    As palavras “Edron” e “amiga” incomodam Ember, quase trazendo calafrios para ela.

    — Eu irei com você. E não adianta protestar.
    — Tudo bem. Estava esperando te chamar, de qualquer maneira.

    A elfa fica mais tranquila ao ouvir isso.


    ~*~


    Nuito e Ember entram disfarçados em Edron. Nuito mais parece um mercante gordo e moribundo e Ember parece exatamente o que deve parecer: Um guarda-costas. Está usando uma armadura para paladinos e um capacete de aço, bem como um arco diferente nas costas, e lutando tanto para se acostumar tanto com aquela armadura quanto com o fato de que ela precisa parecer um homem. Um mudo, por sinal.

    O disfarce recebeu ajuda de alguns anões de Cormaya para ser realizado, inclusive a barriga parece perfeitamente real, bem como a aparência gorda dele.

    A dupla entra na Academia Noodles de Magia de Edron, já que é o ponto de encontro deles. Ember leva a caixa com os blocos – só para piorar sua situação. E enquanto avançam pelas pontes das torres de mármore brancas, esforçando-se em seus papéis, observam diversos magos diferentes andando aqui e ali, eventualmente pousando seus olhares nos dois. Mas Ember não responde a nenhum dos olhares, e Nuito parece perfeitamente normal, eventualmente cumprimentando as pessoas que passam por ele, tentando ser mais simpático do que costuma ser.

    Ao chegarem ao seu destino, a torre central, notam um mago iniciante, um possível aspirante a bibliotecário, conversando com uma mulher mais velha, que já parece estar na casa dos quarenta anos. O rapaz de cabelos negros tem três livros debaixo do braço e usa um longo robe azul claro com losangos cinza próximo do pescoço e nos braços. A mulher está com um vestido branco, com um grosso cinto vermelho. Usa um chapéu pontudo de mago de cor roxa, com alguns rubis presos nele, e seus cabelos são negros como os do rapaz.

    Ao notar Nuito aproximando-se com o desconhecido guarda-costas logo atrás, ela cessa a conversa e coloca sua atenção nos dois.

    — Bem vindos. Precisam de alguma coisa?

    Nuito prepara-se para a voz mais ridícula que usará na sua vida.

    — Negócios com a Academia, madame. Gostaria de conversar a sós, já que é a mestra desta associação, presumo? — Responde Nuito, com uma voz mais parecida com a de alguém inchado, com um forte sotaque darashiano.
    — Ora, entendo. Imagino que trouxe algo do nosso interesse. — Disse a moça, virando-se para o rapaz ao seu lado e pondo a mão em seu ombro — Wyrdin, poderia vir mais tarde? Isso me manterá ocupada por algum tempo.
    — Se assim quiser, senhora. Tenham uma boa tarde!
    — Igualmente.

    O jovem Wyrdin sai de cena alegremente, indo para a ponte branca à direita. Aquela parece ter sido uma das únicas vezes que a mulher o tocou, o que o deixou bem feliz.

    De volta aos assuntos principais, a mulher fita Nuito sabendo perfeitamente de quem se trata. Mas não consegue identificar o guarda-costas.

    — Sigam-me.

    Os três se dirigem até a escada de mármore que leva ao andar superior, onde se localiza a biblioteca do mestre da Academia. Ember demora um pouco para subir devido ao peso da armadura e da caixa. Ao chegar lá, ela deixa a caixa sobre a mesa do centro da sala e fica próxima dela, fitando com olhos ativos Nuito e a tal mestra da Academia.

    — Você realmente merece meus parabéns por vir com um disfarce mágico de baixo nível para a Academia e ainda conseguir enganar todos que passaram por você.
    — E como anda, Morgana? — Pergunta Nuito, com um sorriso.
    — Com os pés. Mas se pergunta se estou bem, sim, estou.

    Morgana aproxima-se da caixa que fora trazida por Nuito, na tentativa de tentar identificar a figura que está com ele, mas sem sucesso.

    — Então era isso que você queria que eu cuidasse?
    — Sim. Ou melhor, é o que eu quero que você leve para Svargrond. Pro lugar mais frio que você souber de lá.
    — Eu?
    — É uma das poucas pessoas que confio agora, Morgana. Sei que tem as habilidades para isso.
    — De fato, tenho. Exceto a paciência de enfrentar o frio daquele lugar.
    — Pense, Morgana. Isso lhe livrará dos problemas e denuncias a respeito do-
    — Eu sei, eu sei. Se quer que eu leve pessoalmente, eu levarei. Mas tem certeza que conseguirá o que precisa a tempo?
    — O que quer dizer?
    — Como você ficou um bom tempo afastado da civilização, irei te informar das novidades: Edron esteve movendo tropas para um acampamento ao lado do que você nomeou como “Musenki”. Há generais e capitães do regimento Steelsoul e aventureiros nesse acampamento, tibianos de todos os níveis, interessados nas centenas de criaturas que estão andando por aquela região. Aparentemente, desde que Senzo chegou lá, quase todo o noroeste de Edron foi consumido pela maldição do Akonancore. Ouso dizer que há milhares de criaturas naquele lugar, não só na superfície, como também nas cavernas ao redor, e dentro das colinas e montes da região.

    Nuito põe a mão no rosto, incrédulo.

    — Será questão de tempo até eles começarem a invadir aquele lugar e irem atrás de Senzo, não importa quantas criaturas estiverem na frente deles. Mas, claro, Senzo também está movendo suas peças. Há urros sendo ouvidos do subterrâneo o tempo inteiro e a terra parece se mover todas as noites. O formato da terra ficou tão agressivo que até as árvores estão saindo do lugar e começando a andar sobre a terra maculada, com bocas gigantes nos troncos e milhares de insetos e vermes entre o que eram as suas folhas, provavelmente com doenças. Já tem inúmeros soldados sendo trazidos para Edron com doenças que nunca vimos antes.
    — Então a situação atual é essa?
    — É, meu caro Nuito. O que fará? Esperará um ano ou fará o possível para congelar em pouco tempo essa mistura que criou?
    — É impossível congelar ela com magia! O processo precisa ser natural!
    — Aria Ahrabaal virá para cá em dois meses.

    Nuito engole em seco.

    — Eu... Não tenho opções... — Balbucia Nuito, lutando contra a pressão e a ansiedade — Só eu posso salvar meu amigo. Eu tenho o necessário para pará-lo. Precisam deixar isso para mim!
    — Acontece que ninguém irá esperar a boa vontade da sua coisa congelar, Nuito Resgakr. É isso que precisa entender.
    — Morgana, se for preciso, eu mesmo paro Aria. Ela irá entender.

    Morgana respira fundo.

    — Tudo bem, não irei mais argumentar contigo a respeito. Levarei o Alterorganis do Akonancore para Helheim, a ilha mais gelada de Svargrond. Em um ano, recolherei eu mesma e deixarei na sua casa em Cormaya. Enquanto isso, mexa suas peças para evitar que Senzo seja morto.
    — Muito obrigado, Morgana. De verdade.
    — Irá me agradecer quando eu mesmo convencer Aria a deixar a minha ilha. Pode ser que os magos pensem que o apocalipse começou quando nós duas começarmos a discutir, mas não será nada parecido. — Disse, sorrindo e dando alguns leves tapas no braço direito de Nuito.
    — Então estou indo. Até a próxima, Morgana.
    — Fique bem, Nuito Resgakr. A Academia pode não estar de braços abertos para você, mas eu estou. Mas sem segundas intenções.

    Nuito ri e vai embora do andar. O guarda-costas segue ele, ainda sem falar uma palavra sequer. Apenas quando ele vira de costas para seguir o falso mercante que ela finalmente reconhece quem está seguindo ele.

    Guarda nenhum teria um bumbum tão redondo e feminino.



    ~*~



    A terra maculada pelo Akonancore recebe seu quarto contingente de soldados edronianos em um mês. Senzo e seus Inexpressivos e Ordinários derrotam eles em pouco tempo. Os inúmeros besouros e mariposas enormes que caçam carne humana também ajudaram bastante, mesmo que Senzo fosse capaz de cuidar sozinho com seus poderes de criação e sua Célula de Ferro que agora reforça inteiramente seu braço esquerdo.

    Há vinte Inexpressivos próximos dele e cinquenta Ordinários cercando os arredores. De cima de um monte, acompanhada de inúmeras mariposas, e usando correntes feitas de carne que ajudam a proteger seus braços e pernas, Miraya observa os movimentos das fronteiras. Desde que absorveu o Akonancore, ela focou em melhorar sua visão, com o objetivo de dar suporte ao seu marido. Suas habilidades físicas melhoraram, mas ela não é tão experiente com combates ainda.

    Ela salta de cima do monte e pousa com o auxilio das mariposas gigantes, com corpos carmesins, mas asas brancas e extremamente pálidas. Para ao lado de Senzo, que observa os inúmeros corpos ao seu redor. Mas antes que ele começasse a se incomodar, bocas monstruosas surgem do chão e tragam os corpos para dentro de sua imensidão, limpando a terra para seu mestre e deus. Ele sorri, satisfeito.

    — É uma pena que vidas que viveram tantas histórias, tiveram tantos sentimentos e ideias, que tanto lutaram e se esforçaram, tenham esse fim deplorável. — Disse Miraya, melancólica.
    — Elas automaticamente se tornam vazias quando obedecem a comandantes covardes. — Responde Senzo, sem alterar sua expressão. — Além disso, eu lhes dei o mesmo fim que teriam em circunstâncias comuns. Enterrados debaixo da terra, devorados por ela a cada ano, até não sobrar mais nada de sua carne e dos seus ossos.
    — Isso foi profundo.

    Senzo não tem tempo para elogios. Um Ordinário começou a lutar com alguém próximo de um amontoado de pedras que lembram apenas órgãos atualmente. Ele lança sua Célula de Ferro adiante, na direção da luta, e acerta aquele que tentou atacar sua criação. Ele o traz até a sua frente sem esforço, levando nada mais do que alguns segundos.

    Na sua frente, está um jovem, de talvez vinte anos. Um Cavaleiro, usando uma cota de malha escura com bordas laranja, assim como a calça. Usa um Machado Nobre como arma, e está sem capacete, o que revela seu rosto aterrorizado. Seus cabelos são ruivos e não há nada que se destaque no seu rosto, que parece normal para um edroniano.

    — Por favor, não me mate! E-Eu não tinha a intenção de vir matar você ou qualquer uma de suas criações! Me escute, por favor!

    Senzo parecia estar mais ouvindo grunhidos de dor de um porco que não foi abatido corretamente. Entretanto, para a sorte do rapaz, Miraya parece ter tido sua atenção atraída. Seu marido cria uma lança com uma ponta bem afiada para matá-lo e a joga direto para o peito do cavaleiro, mas uma mariposa gigante surge na frente e leva o golpe no lugar dele.

    — Ora ora, Senzo. Parece que você matou uma das minhas queridas. Isso certamente terá volta.
    — ...Mas o que diabo você está fazendo?
    — Pense. Com mais jovens como esse do nosso lado, contendo Akonancore em seus corpos, formaremos nosso próprio reino. Teremos gente mais que o suficiente para tomar essa ilha inteira. Nosso sonho será concluído com mais rapidez. Poucos serão os que conseguirão fazer frente contra nós.

    Por um momento, parece realmente uma boa ideia. O Akonancore que ele possui é exagerado. Há muito escondido nas profundezas de Edron, e bastante no norte de Darashia, embora a terra não tenha sido maculada ainda, e estes reservas podem ser usados. Isso inclusive traz de volta a memória de ver vários navios lotados de minotauros atacando o vilarejo no norte de Darashia, o que obrigou ambos a correrem, pois, na condição em que estavam, jamais montariam defesas rápido o suficiente para conter as criaturas, que já se apossaram do lugar, e transformaram-no em ruínas.

    Isso lembra perfeitamente de como seres vivos são. A sobrevivência sempre será seu maior objetivo, sua diretriz. Frente a perigos que consigam lhes dirigir ao fim de suas vidas, eles lutam para continuarem vivos, não importa em quem tenham que pisar para tal. Mas Senzo não era assim. Ao invés de sua diretriz ser sua sobrevivência, ela era cumprir seu objetivo. Não importava em quem tivesse que pisar para tal.

    E vendo que aquele jovem não era daquele jeito, e que eventualmente poderia desertar, trair, ou até mesmo revelar aos inimigos a sua fraqueza, apenas para continuar vivo e não ser morto pelos inimigos por algo que ele praticamente não entende, Senzo percebe que a ideia é boa apenas por um momento.

    O chão se abre, acompanhado dos numerosos dentes afiados, que devoram o pobre jovem cavaleiro. Este, que se vai berrando aos prantos, mostra a Miraya que Senzo não tinha a intenção de ter amigos ao seu lado. Afinal, os únicos que ele tinha o traíram. Quem mais entenderia seus planos senão ele mesmo e sua esposa, aquela que o entendia desde o começo? Eles estavam sozinhos. Mas, ainda assim, isso não deixa de ser atraente.

    O céu está escurecendo a cada dia que se passa. Os desafios para que seu sonho se realize estão apenas começando.



    No porto de Edron, Aria Ahrabaal acaba de chegar num navio especial, cuja madeira fora pintada com cores semelhantes ao azul e as velas com algo parecido com verde. Junto a ela, cinquenta magos thaianos e venorianos a seguem.

    Não tão longe do portão principal para dentro da cidade, Morgana, junto de cento e vinte magos edronianos, aguarda para dar as boas vindas. E, com alguma sorte, firmar um acordo.






    Próximo: Capítulo 32 – Re:Bloodtrip II



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  9. #9
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    Nightcrawler <3

    Referências a parte, gostaria de destacar esse trecho:

    — Você realmente merece meus parabéns por vir com um disfarce mágico de baixo nível para a Academia e ainda conseguir enganar todos que passaram por você.
    Rapaz, isso me lembrou alguma coisa interessante lá no fundo da minha mente, mas não consigo me recordar exatamente do quê. Li um conto aqui certa feita chamado "Como Anões e Elfos", algo do gênero, e esse foi um trecho que me fez me lembrar de algo que li nele, embora não consiga reconstruir exatamente o quê.

    O capítulo foi interessante para um capítulo de transição, e não se parece nada com um capítulo finalizador, para a sua sorte. Sua integridade física agradece.

    Sobre Ember, comecei a dar certo valor para o personagem só agora, se me permite. Gosto da forma como ela vem assumindo as rédeas de determinadas situações, ainda que pareçam maiores do que ela. Não é uma coisa que se diga "nossa, Nightcrawler", ou "nossa, Dartaul", mas o espaço dela está muito bem reservado. Provavelmente já devo ter dito isso antes.

    Aliás, excelente a sacada da Academia de Magia. Lembro-me de você ter comentado que ela assumiria um certo papel em Bloodtrip, e acho que há mais o que se extrair dela, além do que você já conseguiu fazer até agora.

    Embora seja um personagem que eu ame, devo advertir a Senzo que sua ambição pode acabar se tornando sua ruína. Espero que não seja simplesmente o caso, mas estou de olho nele (como sempre).

    No mais, excelente trabalho, como de regra, Carlos. Ansioso pela segunda parte do capítulo.

    Abraços!
    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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  10. #10
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    Novo capítulo, e boatos de um GIGANTESCO de 16 páginas... Enfim, vamos ao comentário.

    Btw, estou apreciando o desenvolvimento dos dois, Nuito e Ember. Os pequenos detalhes aqui e ali, aquele ciumezinho, e trechos como o abaixo mostram o quão bem você vem desenvolvendo as personagens.

    Guarda nenhum teria um bumbum tão redondo e feminino.
    Embora talvez haja, sim, espaço para melhora (você desenvolveu as outras personagens da história "melhor", eu diria), com o espaço que você está trabalhando, que seria alguns capítulos, você criou... Bem, meu "afeto" por Nuito e Ember. Mesmo já sabendo do que irá ocorrer, quero ver COMO você vai conduzir o desfecho e a morte d...

    Não pera, não te conheço direito. Tudo o que posso fazer é aguardar este próximo capítulo GIGANTESCO do qual você me falou sobre. Sério, o hype ta grande aqui.

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    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...



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