Boa tarde, pessoal!
Fiquei um bom tempo sem mexer os dedos para escrever, mas hoje, como estou com uma boa vontade de escrever, acabei fazendo este texto, que surgiu de uma ideia de quando eu pesquisava sobre Bog Raiders, pois eu ia lidar com eles com meu personagem.
Espero que gostem.
Andarilho
Os não tão expansivos pântanos ao norte da cidade de Edron abrigam lendas de elementares de terra. As terras verdes do pequeno pântano guardam segredos tão abomináveis quanto aterrorizantes. E aqui, conta-se um destes segredos...
Ele caminhava tranquilamente, sem preocupar-se com nada além de lobos durante o caminho. Atravessando a montanha de Wiverns, encontra somente morcegos, nada de mais para ele, que se julgava forte. Descendo as escadas próximas e caminhando ao norte, tudo o que ele enfrenta são larápios, ursos e lobos. Eles, caindo rapidamente sob a espada ágil do aventureiro, nada podiam fazer senão correr ou lutar até a morte, dignamente. Então, ele avança para o oeste, mesmo uma parte do seu corpo pedindo para que ele não faça isso. Eram os pântanos onde viviam elementares de terra. Acreditando ser apenas uma lenda, entrou nos refúgios.
Ao descer as escadas próximas, nada viu senão a escuridão. Ao acender uma tocha, encontra uma nova escada, e sem hesitar, anda até ela e desce. Encontra, dessa vez, um corredor, observa plantas ao redor, mas nada perigoso. Continua caminhando, com a tocha em uma mão e sua espada brilhante na outra. Após poucos momentos andando, ele encontra uma escada que vai para o andar acima. Dessa vez, o aventureiro está um pouco relutante, o instinto de perigo parecia aumentar. Porém, estava ali com um objetivo, que era desbravar as cavernas e não achar nada mais além de rotworms. Com isso, sobe as escadas.
Logo quando chega, ele não encontra nada, apenas uma nova escuridão, entretanto, um ambiente amplo, mas que cheirava muito a terra seca. Andando pra frente, nada via, compreendia que estava sozinho. Mas não estava.
Ao ouvir novos sons do fundo da caverna, ele percebe que as paredes são desproporcionais, possuem aberturas esquisitas e está distribuída de uma forma nunca vista antes. É aí que ele percebe que entrou na toca do lobo, e não podia voltar atrás.
Ao sentir o cheiro de terra invadir seu nariz e tornar-se mais forte, ele percebe que está sendo pego por algo que não compreendia o que era, mas algo dizia que era algo que ele devia ter evitado. Ao ser erguido para cima por mãos fortes, ele é jogado contra uma parede próxima e bate o rosto fortemente nela, perdendo de suas mãos sua tocha e sua espada. Com uma ferida aberta na têmpora direita, ele vê um grande perigo a sua frente. Sua tocha no chão, logo apagada, havia revelado um gigante feito de terra andando até ele, pronto para matar. Ele entra em desespero e se levanta rapidamente e corre formando um circulo para confundir e despistar a criatura.
Em seguida, ele recebe um soco fatal no rosto e é brutalmente lançado ao chão. Percebe que o som vem em sintonia dupla, e percebe que há duas daquelas criaturas andando até ele. Provavelmente foi envenenado, já que seu corpo demorava em responder e muitas partes doíam. Quando as criaturas já pareciam muito próximas, ele se levanta e corre um pouco abaixado, conseguindo driblar os dois gigantes. Sem diminuir o ritmo, lança-se a escada, mas parece preso por vinhas criadas pelos elementares. Vendo que sua espada estava distante, percebe que aquele seria seu provável fim. No entanto, as vinhas somem tão rápido quando apareceram, e ele rola as escadas até o final.
Bastante ferido e cansado, ele corre sem paradas para a escada próxima, olhando eventualmente para trás. Subindo-as, ele alcança em um instante a próxima, mas acaba tropeçando no último degrau. Ele cai e rola no chão, parando de braços abertos e de costas pra grama. Mas o perigo não tinha acabado ainda.
Uivos sucessivos são ouvidos e ele percebe que pode estar próximo de uma alcateia. Tenta levantar, mas seu corpo insiste em não responder. Até que ele percebe que vários lobos se aproximam dele, e desarmado, entra em desespero. Nada mais pode fazer além de gritar e implorar por sua vida quando a alcateia o alcança e começa a atacá-lo furiosamente.
Horas se passam. Agonia e dor sucessivos são ouvidos por um longo tempo. O aventureiro, sem movimentos, fora cruelmente atacado pela alcateia, tendo perdido uma alta quantidade de sangue e tendo inúmeras feridas grandes por todo o corpo. No entanto, ele só foi abandonado pelos lobos quando descobriram que ele estava com veneno pelo corpo – e em suas veias. Por algum milagre, o aventureiro ainda estava vivo.
O pântano, como sempre, atua neste caso. No entanto, este humano invadiu o território de criaturas criadas por Crunor, e terá que pagar. Com isso, o pântano age sem piedade alguma sobre o aventureiro.
Gritos de dor, gemidos, suplicas de piedade, nada adiantava para que a tortura parasse. Gosmas vivas espalharam-se pelo corpo do homem, que parecia ter entre 20 ou 25 anos. Mesmo tão jovem, sua divida enorme deveria ser paga. Por dias, aquelas gosmas foram se espalhando e devorando parte da carne do humano, que por algum motivo inexplicável, não partia dessa para outra. Seu corpo estava dividido entre gosmas pantanosas, conhecidas apenas como “lodo” e sangue. Os ossos estavam mais fracos, decompositores não encontravam uma boa região para fazer seu trabalho, e o aventureiro apenas sofria.
Por longos e longos dias, a tortura não cessava. Plantas secas ou mortas se misturavam no que antes fora um jovem guerreiro, agora transformado em um corpo apoderado pelo pântano. Seu corpo era movido para mais adentro do pântano, próximo da montanha inúmeras vezes, onde mais plantas, vinhas e cipós se misturavam no aventureiro. Deu-se a entender de que ele estava preso entre o mundo dos vivos e dos mortos. Até que o espírito do pântano compreendeu que, para continuar, ele precisava deixar seu corpo. E assim fez, rápido e assustadoramente silencioso. O coração do aventureiro parou de bater, e assim, o pântano espalhou-se por todo o seu corpo, livrando-lhe das peças que vestia, de sua armadura, de suas caneleiras, de suas botas... Tudo.
Meses se passaram e o aventureiro jamais foi encontrado. A essa altura, ele já tinha perdido todos os cabelos, estava branco como um cogumelo semelhante, imóvel, quase todo coberto por lodo e plantas, junto de outras matérias do pântano. Seu processo de transformação estava no final.
Seus cabelos foram substituídos aos poucos por vinhas e cipós, as partes livres do corpo eram cercadas por matérias pantanosas, plantas prendiam-se e cobriam aqui e ali e formavam uma nova criatura, que estava próxima de se levantar. Até que chegou a hora.
Passaram-se dois anos e aquilo que antes era um humano, agora era uma arma pronta. O processo foi devagar, mas acabou dando certo. Estava na hora de testá-lo.
Enquanto isso, ele era procurado por parentes e amigos. Um guerreiro forte e bem treinado, contratado pelos mais próximos do aventureiro, foi encarregado de procurá-lo – mais uma vez, após dezenas de tentativas falhas. A ordem foi expressa e correta.
— Procure por Tobias, e traga-o para casa em segurança. Mas antes, leve-o a um curandeiro para certificar de que ele continue bom o suficiente para continuar se recuperando.
O guerreiro sabia que não daria certo, mas sabia que muitos guerreiros procurados evitaram o pântano. Com isso, ele foi para lá. Passando ao redor da caverna de elementares, ele viu alta quantidade de lodo em volta do mesmo, junto de plantas mortas e cipós de árvores próximas. Continuou seguindo caminho, agora para o sul, com sua lâmina mística levantada para combate. Então, ele o encontra.
Mortal e cruelmente perigoso, ele se levantou. Uma criatura desprovida de qualquer ato normal, consumida pela loucura, estava de pé logo adiante do guerreiro. Este fitava-o em seus orifícios que ele acreditava ser seus olhos, tomado pelo medo. Então, a criatura começa a andar. Anda mais rápido. E mais rápido.
O guerreiro começa a correr, mas é inútil. Cipós envolvem seus tornozelos e veneno espalha-se pelo seu corpo. Ele é puxado para trás, aos berros, enquanto a criatura mostrava-se feliz pela captura da vítima. Então, berros maiores que os outros começam quando ele alcança a aberração. Após uma longa sessão de dor e agonia, o silêncio predomina o pântano. Acabou.
O guerreiro estava morto, mas não totalmente, seu desespero deixou com que os espíritos do pântano o prendesse entre os vivos e os mortos. Talvez dali surgiria um novo semelhante. Mas agora, só havia um.
Este era um Bog Raider.
~Carlos
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