Fala pessoal!
Hoje decidi escrever um conto pra descontrair. Vocês vão achar meio estranho, mas... É o que veio na minha cabeça, né.
Boa leitura.
A Melodia do Demônio.
Noite de lua cheia. Ruas vazias, as esquinas com postes quase apagados, algumas tochas acesas em algumas casas. Contos e boatos pulavam de boca em boca de um lobisomem perto das planícies da cidade que matava quem entrava em seu campo de visão e de audição. Mas isto não assustava um jovem de olhos azuis e cabelos loiros, frente a um edifício médio, sentado em uma cadeira de madeira. Cheio de inspiração, deixava seus dedos tomarem conta de sua mão, enquanto segurava um instrumento que deixava no ar um doce som calmo. Seus dedos habilidosos e sua melodia acalmavam qualquer um que passasse por perto dele.
A frente dele, estava a casa de um ignorante, que acreditava na força física e no que os olhos vêem. Enquanto seus vizinhos dizem que aquele jovem das melodias era um anjo que desceu ao mundo para acalmar os humanos, este homem enchia-se de raiva do que contavam sobre o garoto. Chegava a xingar as pessoas. Mas o jovem não se importava com nada, apenas deixava seus dedos falarem... Por longas horas.
Então chega a hora que o ignorante não agüentava mais. Saiu de sua casa e encarou o jovem, de olhos fechados, segurando aquela lira dourada. Anda rápido até ele, e retira o instrumento da mão do jovem, fazendo-o abrir seus olhos angelicais e mostrar uma cara feia.
— Senhor... Pode devolver minha lira? — Perguntou, em tom calmo. — Ela tem um valor sentimental para mim.
— Então quer dizer que além de conquistar os outros com seu som irritante, ainda se faz de bobo?
— Mas... Senhor, não estou me fazendo de bobo. Estou em paz com minha música, e pedindo educadamente para devolver o que me pertence. Por favor. — Coloca a mão no meio de seu tórax, tentando mostrar algum significado, enquanto sua camiseta branca balançava quase sem ser percebida devido a mão do jovem.
— Dane-se. Largue dessa idiotice e vire alguém na vida.
— Não preciso. Por que eu preciso me parecer às outras pessoas ignorantes como você?
— Ei! Me xingue mais uma vez e eu quebro essa coisa! — Aumenta o tom da sua voz enquanto balança a lira dourada, de tamanho médio, na sua mão esquerda.
O jovem solta uma risada meio disfarçada. Olha normalmente para o homem, parecia não temer nada do que o sujeito ia fazer.
— Você acha legal fazer isso... Né? Se parecer superior aos outros... — Pergunta, com um ar irônico.
— O... O que?
— Sim, exatamente. Sentir-se superior aos outros, como está fazendo agora. Quer preencher algum vazio mostrando sua raiva sobre quem não tem nada a ver com sua vida.
— Garoto, você quer se parecer experiente com alguma coisa, mas ainda é um Zé-ninguém. — Abre um sorriso — Tem que fazer muito ainda na sua vida para se parecer tal.
— Hum... Cadê sua ignorância agora? Você não engana ninguém. — Sorri também, convertendo o sorriso idiota do sujeito em uma cara ainda mais feia.
— Cala sua boca!
— Você diz ser experiente, mas não crê em nada. Não possui fé. É um idiota... Por que não se mata?
— Já chega! — Grita enquanto segura com suas duas mãos o instrumento, que em seguida leva-o de encontro ao joelho levantado, para destruí-lo. Isso não ocorre, parecendo danificar mais o joelho do homem do que a lira.
— Mas de que droga isso é feito?! AI! — Larga a lira no chão, segurando com as duas mãos o joelho, dando saltos baixos enquanto reclamava de dor.
— De algo que não vejo o porquê de falar para você. — Abaixa-se um pouco para pegar a lira, pega-a e leva a frente de seu abdômen — Sua força física não o levará a nada...
— Ai! Desgraçado! Isso não fica assim! — Disse resmungando, enquanto vira-se e anda mancando até sua casa. O garoto sorri, e continua fazendo a mesma coisa que sempre fez: Tocar.
No dia seguinte, a tarde era um tanto sombria. A cidade não estava tão cheia como antes. As pessoas se perguntavam onde o jovem que mais se parece um anjo está. Mas o homem não queria saber disso, queria era tratar do que lhe ocorreu na noite passada. Ele ia encontrar aquele garoto de novo, para fazer algo que ninguém esquecerá. E ao mesmo tempo, sujar sua alma... Pelo orgulho.
O inicio da noite que começava a mostrar a bela, porém sombria lua cheia mostrava também o som que deixava a noite tranqüila. O som daquele jovem de cabelos loiros. Passando seus dedos suavemente sobre as linhas do instrumento. Continuava de olhos fechados, uma posição normal na cadeira. Assim se passa por horas, enquanto muita gente passava por perto dele e se sentiam bem, determinadas, porém pensativas.
O homem ignorante olhava-o por um canto da janela, escondido pela cortina do andar de cima da casa. Via o menino, sentia raiva, mas ainda não podia fazer aquilo. Tinha que esperar o tempo passar, e ninguém estar na rua.
Passava da meia-noite. O garoto então decidiu ir embora, deixando sua lira por baixo de seu braço direito, caminhando devagar. O homem decide segui-lo, tentando ser mais silencioso possível. Não dava. Aquele garoto percebia o que estava a seu redor, não importava donde vinha. Nem que fosse uma flecha vinda da direção mais impossível de se ver, ele perceberia. Afinal, o que era ele?
Desconhecia-se a origem do jovem. Ele apareceu à civilização, sem se importar com as impressões que teriam dele. Não se sabia se tinha casa, ou se tinha mãe ou pai. E ninguém tentava resolver o mistério, o que era mais engraçado e estranho. Esta noite, o homem ignorante tentaria usar suas habilidades para tentar descobrir.
O caminho levava ao noroeste da cidade. O homem sentia adrenalina, misturada de medo. O garoto andava com tanta tranqüilidade que era algo indescritível de se falar. Sua delicadeza em seus movimentos era irritante e comovente ao sujeito, que seguia o menino sempre com sua mão direita segurando o cabo de sua espada, guardada em uma bainha de cor vermelha. Talvez fosse vermelha por possuir manchas de sangue em várias partes, misturando-se ao marrom gasto.
Finalmente o garoto para. Ele encara uma pequena montanha, possuindo uma escadaria esculpida em pedras, para que as pessoas terem acesso ao outro lado do rio, levando a outra cidade. O jovem decide então subir a escadaria, um pouco rápido, enquanto o guerreiro o espiava escondido sobre pedras. Com ele longe, o homem salta as pedras e continua a segui-lo até ao pequeno vilarejo adiante.
Ao descer o pequeno monte, se surpreende, misturando a raiva com o medo, um tentando preencher o outro enquanto fita a situação a sua frente: O garoto desapareceu. O frio na barriga era extenso, sua existência jamais fora atingida por um sentimento tão forte assim, nem quando viu seu primeiro trasgo, ou quando ficou sem sua corda para sair de um buraco.
— Eu sei... Suspeita de mim. — Uma voz, familiar, doce e sombria, cortava o silêncio da noite, ocultando os poucos ruídos de criaturas a repousar ou caçar. O homem está paralisado, muito assustado, não sabia o que fazer. Era demais para sua mente egoísta. Tenta se virar, devagar. E vê acima da ponte de pedra, o garoto do qual tanto odeia. Seus olhos brilhantes a luz da lua eram o único destaque a sua cara fechada. — Não há o que temer. Longe da civilização, vivemos de nossas próprias regras. Não é mesmo?
— Como... Você foi parar aí? Quem é você?
— Hahaha. O garoto que você tanto odeia? — Levanta sua lira, e deixa-a frente ao peito, e começa a tocá-la de novo. Seus olhos se fecham, e uma sombra negra começa a sair dos seus dedos habilidosos que deixava o som marcado no ar. Ela cobria seus dedos, cobria a mão, e tentava pegar todo o braço, enquanto esta chega a sua mão esquerda, também cobrindo todo o seu braço. Esta fumaça dá espaço a uma espécie de lança suja no lugar da mão, que aumentava devido a fumaça desaparecendo e se espalhando pelo corpo. Logo uma lâmina suja de sangue e de terra surge da mão até a metade do braço do garoto, enquanto uma pele marrom escura tomava conta do resto do braço, e toda esta fumaça negra aproveita para se espalhar por todo o corpo do jovem, revelando as partes “prontas”. Era a imagem mais aterrorizante que aquele pobre homem presencia. Aquilo se formando a sua frente, era nada mais nada menos que o causador das partes negras da mente humana, trazendo os piores pensamentos das piores formas a mente dos mortais durante seu descanso.
Olhos brancos como o luar, e um rosto negro e destruído. Nada dá mais medo que a forma daquela criatura, que se mantém de pé, tendo a postura de um humano, mas o corpo de uma criatura que todos evitam: Um pesadelo.
A lira que antes era dourada aumentou de tamanho para se tornar uma lira negra e também um pouco suja de sangue.
— É. Estava certo. — Dizia com uma voz sombria, aterrorizante. Era grossa, diferente da voz de sua forma humana — Não sou quem todos pensavam... Sou poderoso, capaz de trazer seus piores pensamentos a sua cabeça. E sei que tem muitos, Hansun.
O homem, que se chama Hansun, continua paralisado. Mas logo consegue um pouco de coragem e revida:
— Saia da minha mente, demônio!
— Não. Venha me OBRIGAR. — Mais uma vez, Hansun fica paralisado. Não sabia se aquilo que fez foi um erro. — Era de se esperar. Você é ignorante, mas é como todos os outros humanos. Tem medo. Muito, muito medo. Devia sentir vergonha do que é, nem um dragão tem coragem de matar. Mas tudo bem, meu objetivo não é te manipular.
Hansun alivia-se, só que ainda mantém seu medo, principalmente por causa da última frase do demônio.
— E... O que vai fazer?
— O que vier na minha cabeça... Que não for besteira, e que não seja algo idiota vindo da mente de outro humano. — Aproxima-se de Hansun, que continua parado, cheio de medo. — Recomendo a você a parar de ser ignorante. Eu sou a prova de que você tem que acreditar em algo. Como Fardos... Ou nosso grande mestre, Zathroth.
— O que? Aff, claro que não!
— Tanto faz... Agora, eu vou ir embora. Mas não irá esquecer de mim. Nunca. — Vira-se, e anda devagar para a ponte de pedra, enquanto sua forma humana volta devido a fumaça negra que se mistura ao seu corpo e desaparecendo com o vento da noite.
— Talvez eu esqueça quando eu enfrentar meu primeiro dragão...!
O demônio vira-se, agora com sua forma humana. Fita o humano, com um sorriso.
— Não, não vai esquecer... Se você conhece a lenda do demônio da melodia branca... Ele está na sua frente.
— O que? Impossível!
— Nada é impossível. O que é impossível é o que humanos pensam que não dará certo. Enfim... Esse é o motivo.
— Que motivo?
— Menos perguntas, Hansun. Ou você deixa de ser ignorante, ou eu aparecerei a você de novo... — Sombras negras tomam o corpo do jovem demônio, que deixa uma melodia estranha no ar. Ao se espalhar e sumir com o vento, aquele garoto não estava mais ali. Assim aquele monstro estranho deixa uma questão no ar... Por que apareceu para aquele homem infeliz, e por que não o matou.
A mente de Hansun se abre. Ele parecia querer ser o mesmo ignorante de antes, mas o demônio deixou para ele um objetivo de acreditar em algo. Não, não estava sendo forçado por causa do que o demônio disse. Estava fazendo isso, pois o demônio tinha razão. E assim, ele conheceu o demônio da melodia branca... Um mistério das terras de Tibia.
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