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Tópico: A Voz do Vento

Visão do Encadeamento

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  1. #11
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Segundo Pergaminho, Capítulo 39

    Saudações, leitores!

    Essa história andou um pouco mais parada... Assim como a Seção em um geral. Galerinha deu uma sumida

    Mas, o show não pode parar... Aos visitantes desse tópico e da Seção como um todo, incentivem a galera; caso tenham uma crônica ou uma história curta sobre o Tibia e queiram compartilhar aqui, não se acanhem e criem um tópico. Sangue novo na Seção faz bem, o que não pode acontecer é ficar parado xD

    Antes de mais nada, vou responder ao único Comentário da vez, que foi do @CarlosLendario


    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!


    -----


    Capítulo 39 — Esquecimento, a Eterna: Ramoa, Submundo em Tibia

    E quando passarmos para o outro mundo... Quem estará à nossa espera?


    (Narrado por Sírio Snow)



    É o fim do mundo. Desolação para todos os lados. Uma terra de solo seco e infértil, que se mantém viva por meio de necromancia e do ciclo interminável de sacrifício e reanimação de feras antigas. Não sei como chegamos aqui tão rápido...

    — Argh... Minha cabeça...

    Só lembro de ter transportado meu irmão às pressas até Goroma; lembro de termos ouvido a erupção à distância, vendo o feixe de lava quente e brilhante ascender aos céus. Eu recuei; mesmo distante da cadeia montanhosa e flamejante, pude sentir o calor irradiar pela areia, ainda mais quente que o habitual. O portal mágico que eu abri nos deixou na areia fervente, e o barco de Jack Fate não estava nas proximidades da costa.

    Na realidade, foi a primeira vez que eu vi Goroma totalmente deserta... Os trolls nativos encontraram uma forma de se esconder ilha abaixo, e os outros animais acabaram perecendo diante do calor súbito. Só houve um momento em que a ilha começou a arder dessa maneira...

    Quando Morgaroth ainda estava vivo.

    Olhei para Morzan, e vi nos olhos de meu irmão um brilho fantasmagórico; assim como eu, ele não esperava por aquilo. Nós dois respiramos e nos dirigimos à gruta inóspita no meio do primeiro cinturão de rochas de Goroma. De lá, seguiríamos adiante por um caminho mágico e sinistro em direção ao fim do mundo.

    — Droga... — Resmunguei.

    Eu consegui me levantar com dificuldade; minhas pernas estavam muito doloridas, e eu sentia o gosto de meu próprio sangue em minha boca.

    — Morzan?! — Indaguei com a voz rouca, contaminada pelo meu próprio sangue. — Morzan!

    Comecei a ouvir o som de estalidos muito altos e graves; minha visão ainda estava embaçada, mas pude distinguir as feições de meu irmão em meio a uma massa branca e fétida. Tentei alcançar um Anel de Invisibilidade que estava guardado em meu bolso. Assim que o coloquei, minha visão melhorou e me deparei com meu irmão enfrentando pelo menos três Bestas Ósseas*; ao seu lado, haviam nacos de carne em decomposição — certamente eram Bamboleantes de Criptas** que foram rendidos por sua espada.

    Levantei-me; precisava ser útil naquela ilha se quiséssemos ter chance de retornar ao Continente.

    Exura Gran! — Conjurei, sentindo minha voz voltar aos poucos.

    As feras estavam castigando meu irmão; sua espada não era forte o bastante para danificar as criaturas como ele desejava. Respirei fundo e conjurei bolas de fogo em direção àqueles seres, na esperança de derrubá-los mais rápido.

    Felizmente, meu plano começou a surtir efeito; vi meu irmão acertar as partes mais chamuscadas das feras e separar seus membros até as criaturas enfim tombarem diante dele. Estávamos exauridos, e o cheiro de morte daquele local não nos ajudava em nada. Removi o Anel assim que o perigo passou.

    Exura Ico... — Meu irmão conjurou após dar um grande gole em uma Grande Poção de Cura. — Foi mais difícil do que achei que seria... Estou bem enferrujado...

    — Irmão... Como chegamos aqui? — Indaguei, ainda tossindo sangue.

    Morzan me olhou com surpresa e preocupação em seu semblante.

    — Caramba, você não lembra? — Ele indagou. — Nós fomos pelo Templo Sagrado... Passamos pelos campos de força... Ah! — Ele bateu a palma da mão contra sua testa. — A pancada que você levou... Assim que chegamos, você esqueceu de colocar o Anel de Invisibilidade e uma das Bestas te acertou em cheio antes que eu pudesse fazer algo...

    Dito isso, ele me ajudou a me manter de pé, passando um de meus braços por cima de seus ombros.

    — Devo ter conseguido afastar a maior parte das criaturas, mas logo elas virão em peso para cá. — Falou Morzan, olhando para os céus. — Entretanto, está claro, e isso faz com que elas fiquem mais... Tímidas.

    Ele olhou para seu lado direito, e seus olhos se arregalaram; virei minha cabeça para a mesma direção e deparei-me com a visão da única Aranha Gigante de Ramoa. Seria uma Aranha Gigante como qualquer outra, exceto por um pequeno detalhe.

    — Vê aquilo atado à perna dela? — Indagou meu irmão, sussurrando.

    Franzi meu cenho e tentei me concentrar na fera à frente; em uma das pernas dela, eu vi uma estranha atadura e o que parecia ser a capa de um livro pendendo para fora dela.

    Um dos Tomos de Esquecimento Eterno estava ali.


    ****


    (Narrado por Icel Emonebrin)


    Eu não deveria tê-lo deixado para trás. Foi uma das piores decisões que tomei na vida.

    Fui até o barco para sair de Edron, mas não fui para Thais; depois dos últimos eventos, não queria voltar para lá. Não me parecia certo, e foi com esse pensamento em mente que pedi ao capitão que me levasse a Venore o mais depressa possível. Quando o barco desancorou e içou velas, desejei não ter pagado aquele cidadão. Queria ter voltado para lutar ao lado de Liive uma última vez...

    Naquele dia, senti-me o mais covarde dos Paladinos... Estava deixando um dos meus melhores amigos para morrer enquanto eu continuaria a viver para passar um recado... O qual não tinha certeza se chegaria.

    A sensação piorou no ápice da madrugada, quando olhei para o céu estrelado e vi feixes de sombra rasgarem os céus enquanto voavam rapidamente em direção a Edron. Suspirei, ajoelhei e comecei a rezar. Rezava para que Liive e os demais habitantes da cidade pudessem sair daquela situação incólumes. Rezei a noite toda, e devo ter continuado a rezar em meus sonhos.

    No fim das contas, de pouco ou nada adiantaria. E eu só saberia disso quando enfim pisasse em Venore.


    ****


    (Narrado por Morzan Snow)

    Aquela aranha solitária... Me parecia fácil demais. Não podia ser tão fácil assim. Sinalizei para Sírio não ficar a mais de cinco metros de distância de mim. Aproveitaria o calor e a luz do sol para chamar a atenção da aranha e distanciá-la dos outros mortos-vivos. Respirei fundo, desembainhei minha espada e preparei o arremesso.

    Exori Hur!

    A mana fluiu do meu braço para minha espada; renovado por aquela energia, usei minha força e velocidade para fazer o melhor arremesso que eu podia. A espada zuniu em direção à Aranha, cujo silvo de dor fora o sucifiente para fazê-la vir em minha direção: bem a tempo da espada magicamente voltar para as minhas mãos.

    Exeta Res! — Conjurei em alto e bom tom.

    Minha mana fez minha voz projetar-se mais e modificou minha aparência de forma tal que aparentei ser bem maior do que de eu de fato era; com isso, a Aranha não teve outra opção senão voltar suas atenções para mim. Dessa forma, Sírio estava livre para atacá-la sem sofrer um arranhão sequer.

    Exori Gran Flam! — Ouvi Sírio conjurar a alguns metros de distância.

    A bola de fogo veio rápida e mordaz, atingindo a aranha em sua face; a fera recuou e se enfureceu, dando uma cusparada de veneno em direção ao meu irmão.

    Exeta Res! — Insisti para que a Aranha Gigante me enfrentasse diretamente.

    A besta ficou furiosa; ela tentava me ferir com suas pernas finas, porém fortes, as quais rasgavam minha pele no mais breve e veloz contato que obtinham; com minha espada, tentava impedir que suas quelíceras gigantes fossem enterradas em meu peito. Limitei-me à curar minhas feridas e manter a atenção da Aranha somente em meus movimentos enquanto meu irmãozinho se encarregava de derrubá-la.

    Exori Mort! — Ouvia meu irmão conjurar. — Ela não cede! Exori Mort!

    Arregalei meus olhos e movimentei rapidamente minha espada — por muito pouco a miserável não me golpeou de morte. Ela estava se inclinando cada vez mais em minha direção, determinada a sugar meu sangue e ver-se livre de mim. Com um movimento sorrateiro de suas patas, ela conseguiu me desequilibrar; foi quando vi as chagas aparecerem no corpo do grande aracnídeo, que caiu inerte pouco depois.

    — Essa... Foi por pouco. — Falei, ofegante.

    Olhei para Sírio, e vi uma runa desaparecer de suas mãos. Certamente utilizara uma runa poderosa, conferida apenas àqueles magicamente habilidosos.

    Morte súbita. — Disse meu irmãozinho, aproximando-se de mim. — Sempre ando com algumas dessas à mão.

    Ele me ofereceu uma das mãos para me ajudar a levantar. Olhei para cima e notei que, estranhamente, o céu começara a escurecer antes da hora.

    — Droga... Lá se vai nossa vantagem temporária... — Resmunguei, contrariado. — Vá para o Templo! Eu pegarei o livro e te alcanço!

    Meu irmão assentiu e saiu correndo da cena; comecei a ouvir o som de ossos estalando novamente. Aquelas bestas que eu outrora derrubei estavam começando a se reerguer. Acelerei minha busca pela perna premiada e, sem muita cerimônia, removi o Tomo de sua amarra, joguei-o dentro de minha Mochila de Pirata e saí correndo atrás de Sírio.

    Sete apressados passos foram o suficiente para eu ver um exército de mortos-vivos vindo em direção à entrada do Templo, famintos pela força vital de Sírio. Corri um pouco mais e me joguei em meu irmão, derrubando-o dentro das escadarias. A tamanho foi o impulso que dei que entramos direto no teleporte para Goroma, onde acabei perdendo os sentidos.


    ****


    (Narrado por Sírio Snow)

    Meu irmão é uma mula.

    Não havia a necessidade de ter feito o que fez...

    Consegui sair do Templo maldito com meu irmão desacordado apoiado em mim; o vulcão já estava ficando mais calmo, e não demorou muito até conseguir retornar à embarcação de Jack Fate, o qual decidiu abrir uma exceção e levar-me para outra cidade que não Liberty Bay.

    — Depois dessa brincadeira em alto-mar, não piso em Thais por um bom tempo. — Resmungou o capitão. — O mais próximo disso que posso te levar é Venore; graças à confusão toda dos últimos meses, duvido que alguma autoridade de Thais vai me deixar atracar tranquilamente no porto da cidade...

    Assenti e ajudei-o a preparar a embarcação; se eu tivesse sorte, chegaria a Venore em alguns dias. Coloquei meu irmão em um local tranquilo para descansar e sentei-me ao seu lado, olhando para o horizonte negro que se desenhava acima do vulcão de Goroma...

    O que estava acontecendo? Haveria a possibilidade da escuridão enfim tomar nosso mundo?


    ****

    Naquele dia, a corrida de Fafnar e Suon correu como qualquer outro... Exceto em uma cidade. Uma cidade que se julgava iluminada demais por trás de sua cidadela de pedras bem-polidas. Cidade essa que se julgava inestimável pelo conhecimento que exibiam em suas torres.
    Os ditos “reforços” mandados à cidade chegaram através da ilha vizinha; uma comitiva formada por Cavaleiros de Thais e Amazonas de Carlin deparou-se com um cenário de horrores concebível apenas em seus mais horrendos e selvagens sonhos.

    Aquela gente se deparou com o que viria a ser conhecido como o Silêncio dos Sábios...


    Continua...


    -----

    Glossário:

    (*) Bestas Ósseas: Tradução livre para [CRIATURA]Bonebeast[/CRIATURA].

    (**) Bamboleantes de Criptas: Tradução livre para [CRIATURA]Crypt Shambler[/CRIATURA].


    ------

    Demorou, mas chegou!

    Espero que gostem... Sugestões, reclamações, dúvidas, alegrias e tristezas são sempre muito bem-vindas aqui!

    Até a próxima, galera!


    Abraço,
    Iridium.

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    Última edição por Iridium; 16-02-2016 às 14:57.



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