Prólogo
O ventou soprou impiedosamente por sobre a relva, levando consigo várias das folhas secas que cobriam o solo verdejante. Um relâmpago clareou o céu enegrecido, arauto da tempestade que estava por vir.
O cavaleiro acariciou sua montaria, intimidada, tentando acalmá-la para que seguissem em frente. Guiava a caravana pela estrada rudimentar que cortava a pradaria, serpenteando através da orla do bosque em direção à capital do reino, Thais. Um dia de viagem separava-os de seu destino, mas precisavam, naquele momento, encontrar um local no qual pudessem se esconder da chuva e, quem sabe, passar a noite.
Era atormentado pela constante sensação de estarem sendo observados, e duas vezes pensara ter visto algo se movimentando na mata, há alguns metros da estrada.
Talvez a tempestade não fosse o real motivo da inquietação de seu cavalo. Aquela região era o lar de lobos e ursos. Mas seus temores iam bem além dos animais selvagens. Sim, através das árvores erguia-se o temído Monte Esterno, lançando sua sombra em direção aos viajantes, carregada de temores e receios. Segundo diziam, terríveis criaturas habitavam o interior da montanha, extendendo sua morada através de galerias e corredores subterrâneos, alimentando seus objetivos profanos para com os habitantes da superfície.
Lembrar-se daquelas histórias fez com que o céu parecesse, de repente, ainda mais escuro do que realmente estava. Sentiu-se envolver pelo aperto frio do medo. Mas não podia vacilar, fora-lhe confiada a responsabilidade de guiar a caravana em segurança, e era o que pretendia fazer.
Mas seu cavalo relinchou mais uma vez, inquieto, recusando-se a seguir em frente. Sentiu o solo estremecer, e então os viu, deslizando de entre as árvores para dentro da estrada. Enormes silhuetas ergueram-se contra o céu, e um novo relâmpago concedeu-lhe um rápido vislumbre de seus inimigos. O cavalo ergueu-se nas patas traseiras, e o velho cavaleiro sentiu o peso do corpo contra o solo quando a montaria correu para longe dali, desesperada.
Então, um trovão e, em seguida, a chuva.
Levou uma das mãos à bainha, fechando os dedos com força ao redor do punho de sua espada. A lâmina deslizou contra as bordas de aço que sustentavam-na junto do cinto, emitindo o rangido metálico que, por um momento, sobressaiu-se ao som da tempestade.
Jurara proteger aquelas pessoas, e faria aquilo. Ou morreria tentando. Sabia que a segunda opção era a mais provável, mas não se importava. Preferia morrer com a honra que lhe restava, a viver o resto de sua vida condenando-se sob o peso de uma covardia.
Avançou. E assim que sua lâmina cortou o ar, desferindo o primeiro golpe, teve certeza quanto a algo que lhe custara a admitir: as histórias eram reais.
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Assim que tiver tempo, continuo a história. Espero que gostem.![]()
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