Capítulo I
A muito se previra o destino daquela jovem criança. Nome ainda não possuía, apenas um destino envolto por profecias e escuridão, nevoado pelos inimigos ocultos e iluminado pelos seus acompanhantes eternos. De suas origens poucos tinham conhecimento, e, de seu futuro, exceto a mesma. Passara muito do seu tempo desolada e esquecida nos vales próximos à sua morada, e, desde cedo, conheceu muitos seres e aprendeu com eles o que nenhum homem poderá sequer te ensinar. Seus mistérios deram a ela uma fama doentia, e, no vilarejo mais próximo, era temida e tida como a projeção da desgraça e da morte.
Alguém adentrava na floresta escura durante um fim de tarde de flores secas caídas ao chão e banhadas pelas lágrimas da sinistra garotinha, que, distraída, nada percebera. Mas, o farfalhar das árvores esguias e das plantas pisadas na relva, sensíveis aos sentidos apurados da anfitriã, revelaram a presença de um ser diferente, talvez, jamais visto por aquelas planícies de escuridão. Levantou-se silenciosamente e seguiu rumo a sua caverna para esperar o visitante se distanciar sem vê-la. Por que fazia isso? Nem ela mesma sabia, talvez pelo medo de ser um dos bárbaros a sua procura, ou talvez por medo do medo que sentiriam ao vê-la ali. Mas surpreendera-se ao perceber que os ruídos haviam cerrado, e a curiosidade foi maior, aterradora, e ela saiu em busca do novo, e, para aquele local, nunca mais voltaria.
Por incontáveis momentos esteve caminhando, até mesmo por lugares onde nunca havia ido, completamente desconhecidos, e acabou se perdendo. Embaixo de uma grande raiz saltada de das imensas árvores que jaziam ali, achou um lugar para passar a noite.
Após o inicio do sereno, lá ela foi se refugiar, e barulhos medonhos encobriam seus pensamentos, mas, com a cabeça pesada e depois de muito refletir, conseguiu sossegar e dormir por algumas horas.
Seus sonhos sempre foram muito distorcidos, e interpreta-los era impossível, mas, o desta noite obscura lhe envolveu em terror e agonia. Ela ouvia passos, via vultos e não havia mais som algum. Uma mulher corria em direção a um abismo e um homem em direção a esta, tentava segura-la, mas em vão.
Acordou de um só sobressalto e grossas lágrimas escorriam pela sua face. Ela sempre chorava, mas, nunca, por um sonho. E que sonho? Ela já não lembrava mais. Levantou-se e foi procurar frutas silvestres para se alimentar. Também era um mistério como uma criança conseguira sobreviver nas mesmas condições, mas fora possível. Nada ainda será revelado.
Continuou sua jornada por entre as margens do bosque. Já cansada, resolveu procurar água, há dias que não via sequer uma gota, apenas o suco do orvalho e dos frutos. Seus instintos cegos novamente levaram-na ao leito de um rio, onde pode descansar seus pés, sua mente e se banhar, deixando a correnteza levar todos seus medos e preocupações. Jamais pudera estar tão calma e relaxada. Saiu da água e se deleitou do seu suave sabor. Cochilou sob as árvores iluminadas pelo sol alto do começo da tarde e pode seguir seu caminho por entre as pedras cheias de musgos e liquens que apontavam na água. Após atravessá-las e caminhar pelas trilhas próximas ao local, sentiu as primeiras gotas de chuva que caíam das altas e escuras nuvens que chegaram junto ao entardecer do dia. Procurou um novo refúgio, mas, pela falta deste, acabou dormindo ao relento, numa clareira encontrada mais ao centro do vale. Desconhecendo todos os novos perigos, adormeceu inocentemente, esperando poder acordar algum dia.
Capítulo II
Seus olhos se abriram lentamente, e ela presenciou o que mais temia. As árvores haviam desaparecido, e o descampado que vira pela última vez em que esteve consciente escoou junto a nevoa da manhã escura de mais um novo lugar. Muitos vultos de pessoas passavam por ali, e o chão ao qual seu corpo tocava era sólido e rude. O frio congelava seus ossos, e os movimentos de suas juntas pareciam perdidos junto com sua ciência. Quando conseguiu acordar e enxergar melhor, avistou um jovem alto curvado ao seu lado, envolto por uma capa negra, e seu rosto era guardado por um capuz enorme. Ao avistá-la acordada, o capuz foi jogado para trás, e um belo semblante denunciava a alma inocente do jovem desconhecido. Sua face era extremamente branca, seus cabelos negros como sua própria capa, e, seus olhos, como duas esmeraldas enegrecidas e esquecidas pelo tempo.
O garoto, por fim, moveu seus lábios, e parecia falar alguma coisa, mas eram como ruídos na mente da menininha, que até agora, não se lembrava de ter alguma linguagem. Então, ele tentou se comunicar por gestos. Da mesma forma, nada foi esclarecido, e vendo o temor da garotinha, abraçou-a calorosamente para mostrar suas intenções e abafar o frio intenso. E, pelo sentimento que lhe decorreu naquele mesmo instante, fora chamada de Cirnienne. Por algum motivo novo e desconhecido, sentiu por aquele rapaz, mesmo nunca ter sentido nada pro alguém, algo diferente e novo, não sabia ao certo justificar o que seria, mas um calor apossou seu corpo, e esquecera do frio e dos problemas. E seus olhos cerraram a manhã, adormecidos no tecido negro, quente e acolhedor.
Na hora que julgou certa, o jovem sacudiu delicadamente Cirnienne, e esta acordou com um rostinho ainda desconhecido, alegre, sorridente, esperançoso, e lhe foram oferecidos alimentos por ela nunca vistos. Um de forma arredondada e feito de uma massa macia, mas ao mesmo tempo suave e muito saborosa. Algumas frutinhas, a ela, já comuns, e água em abundância. Era sua primeira refeição decente há dias. Farta e satisfeita, rejeitou o ultimo pedaço daquilo chamado por ele de pão, e, como por mágica, revelou seu nome, mesmo por ela não saber que era tal, tentava falar o que sentia pelo garoto, e Cirnienne saio apressadamente dos seus lábios para os ouvidos do rapaz, que passou a chamá-la desta forma, e lhe indicou novas palavras, Cerdain, que fora como uma referência.
Trocando gestos e comentando nomes, eles foram se entrosando, tornando-se amigos, e acabaram por entender um ao outro, e um elo ali fora travado para todo o sempre. Cirnienne descobriu o que sentira por Cerdain, quando este esteve comentando o que seria o amor, e tudo ela passou a entender, como se sua sabedoria fosse a de toda a vida. Só que, os momentos de felicidade foram poucos, pois havia algum indício de preocupação no verde intenso dos olhos de Cerdain. Cirnienne resolveu tirar a limpo o que atormentava seu amado, e este se sentiu inseguro ao contar, mas tomou coragem e, por fim, discursou:
-Cirnienne, tu, que tornaste minha amiga e companheira por estes dias de tamanha felicidade... Oh, Cirnienne, não quero te infringir com meus problemas, preocupo-me com o que há de acontecer no seu futuro e com o de todos que aqui vivem, mesmo ainda impossibilitada de vê-los, mas, de alguma forma, tenho receio em te recrutar para o início da dita profecia e do seu escuro destino. - E em seu semblante o pavor era fatal. - Forjarei para ti uma espada de louvor, cuja lâmina carregará tudo o que você nunca poderá sequer desprezar, e oferecerei a ti uma leve armadura para protegeres tu dos iminentes perigos que estarão a espreita. - Começou a preparar uma pequena bolsa com algumas frutas e massas, água, e entregou-lhe, junto com uma bela, e, jamais vista por olhos comuns, espada e uma linda armadura de um branco brilhante com detalhes em prata fosca, fascinantes para os olhos sedentos de coisas novas da garotinha. - Não poderei seguir junto a ti nessa nova viagem, mas, estarei sempre próximo, para quando precisares, e será necessário muita destreza e habilidade, que você desenvolverá com o passar do tempo. - E apontou para a porta da pequena cabana onde passaram um longo tempo juntos, e o destino de Cirnienne, aos poucos, transparecia junto a relva e ao sereno do anoitecer de mais uma tarde de folhas secas no chão, desta vez, sem lágrimas, apenas o medo da desgraça e a infelicidade de uma vida solitária.
bem, cmo eu imaginava, n coube. o maximo eh d 10.000 coisinhas, e o meu deu mais d 65.000 =/ depois eu posto o restante e ja tem cap novo. vai ate o XVI pra qm tiver paciencia :p detalhe q eu tentei postar 10 caps = 40.000 huauhauha ta dificil. vai t q ser 2 por vez =/
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