
Postado originalmente por
GrYllO
- A escola de Paulo Freire, criou gerações de inaptos.
- A falta de competitividade no meio escolar. Algo que acontece naturalmente no meio privado (afinal, se você não oferecer excelência, vai ficar sem clientes).
Apesar de ter pouco tempo de experiência como professor (apenas 4 anos), por tudo que vi e aprendi até agora, esses dois pontos que você citou me parecem totalmente irrelevantes na prática. Inclusive queria entender em que pontos do dia-a-dia da prática didática essas coisas citadas criam obstáculos, porque não é isso que vi, ouvi ou presenciei até agora. Vou discorrer sobre a minha opinião acerca dos dois pontos:
A escola de Paulo Freire, criou gerações de inaptos.
Pelo que aprendi e estudei para passar em concurso, Paulo Freire não é o único autor de pedagogia. Existem vários teóricos e várias escolas, opostas ou complementares, que são pedidas em concursos ou estudadas em licenciaturas. Inclusive, acho que vai ser difícil você achar professor que dá realmente aula usando QUALQUER método de ensino. Na vida real, na sala de aula, o professor, no geral, parece mal ter preparo para lidar com o próprio planejamento e ferramentas pedagógicas (quando elas existem). Por falta de capacitação, por falta de material e por uma carga horária que na educação básica chega a ser imoral (sério, um professor dar 40h de aula em uma semana para crianças e adolescentes é bizarro e impossível de exigir qualquer tipo de qualidade).
Em toda reunião de professores, seja no ensino básico, seja no médio ou superior, nunca ouvi alguém citar Paulo Freire para embasar qualquer coisa. O que eu vejo é professor lidando com o dia-a-dia do colégio: reclamando de aluno, buscando formas de recuperar conteúdo, combatendo a evasão e o desinteresse pelo estudo que, em grande parte, é culpa dos pais, trazendo para escola alunos que tem situação social e familiar totalmente conturbada.
A real é acho que Paulo Freire é coisa de pesquisador de humanas e intelectual de esquerda, não da Tia Neivinha que lida diariamente com a alfabetização e não tem nem lápis de cor pra emprestar para os alunos vulneráveis. Alguém aqui conversa com a Tia Neivinha, que ganha 1600 pau tem que lidar com 300 alunos por semana, antes de cravar que a dificuldade dela é uma teoria de educação de esquerda?
Acho até possível criticar a aprovação automática, por exemplo, como "problema ideológico do modelo teórico de educação". Mas isso aí é fichinha perto dos problemas reais de estrutura e qualificação das escolas. Eu sou totalmente contra ideologizar um problema que, ao meu ver, na maioria das vezes, é totalmente pragmático.
A falta de competitividade no meio escolar. Algo que acontece naturalmente no meio privado (afinal, se você não oferecer excelência, vai ficar sem clientes).
Na verdade o que vejo faltando aos alunos não é só competitividade, faltam competências sócio-emocionais aos alunos, como resiliência e flexibilidade, por exemplo. O estudo nem sempre é uma competição de quem tira mais nota. E existem diversos métodos de avaliação de conhecimento que não necessariamente escalonam os alunos. Algumas habilidades, inclusive, não tem nem como serem pontuadas, no máximo estabelecidos conceitos. E isso acontece até no ensino tecnológico, que seria o mais próximo do mercado de trabalho. No fim das contas, quem tem mais sucesso profissional é quem é mais flexível, tem melhor capacidade de comunicação, aprende mais fácil e gera mais valor, não o nota 10 da sala, que as vezes é só bom em fazer provas mesmo. Nesse pouco tempo, cansei de ver os meus alunos medianos sendo contratados e meus melhores alunos perdendo oportunidades. Isso em TI, onde o patrão quer quem resolve os problemas.
E, de novo, muitas dessas características tem a necessidade fundamental da participação dos pais. Em reunião dos pais com meus alunos adolescentes do técnico, vem metade. Sendo que parte deles ou não liga muito, ou delega à escola toda a tarefa de educar.
Outro ponto é que escola não pode ser vista apenas como fábrica de peão, de um ponto de vista totalmente utilitário. Escola se propõe a ajudar na formação seres humanos, já que você vai fazer seres humanos permanecerem naquele espaço durante o período mais importante da formação deles. E a gente vê que, além de maus alunos, estão sendo formados maus seres humanos. Nem sempre a competitividade apenas vai revelar os melhores seres humanos (geralmente é o contrário).
Lembrando que eu nem vou discutir as questões de como financiar e/ou gerenciar o ensino público (apesar de pensar que ele deve ser gratuito e deve ter qualidade garantida para quem é socialmente vulnerável). Seja lá quem o fizer, se realmente quiser resolver e gerar educação como valor, tem que se ater aos pontos que coloquei. Focar em ideologia e achar que isso é o que resolve é o maior erro que alguém pode cometer. E é um erro de quem não conversa com professor.