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Tópico: A Guerra por Tibia

  1. #41
    Avatar de Carlitos Zebra
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    Bom dia Enriador! Fico feliz que esteja determinado a continuar sua história. E já noto uma diferença grande entre seus textos de anos atras para este de agora.

    O de agora, está muito bom!

    Seu vocabulário evoluiu bem!!! A história, os diálogos e a narrativa, estão num ritmo muito gostoso de ler. E nota-se quase que instantaneamente que realmente você evoluiu muito desde o ultimo capítulo de anos atras kk.

    Quem será que atacou northport? será que foram os orcs mesmo? heheheeh!

    Continue, pois certamente acompanharei. Não desanime em ter poucos leitores, e gogogogo que está muito bom!!!! Vamos movimentar esse "troço" aqui !!!! kkkk

    =)

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  2. #42
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    Capítulo 5: Fogo e Fúria, Parte Dois


    Enriador não conseguia acreditar na imagem que tinha na sua frente. Onde quer que olhasse havia fogo, labaredas subindo bem alto no céu. A fumaça tóxica, que começava a entrar no quarto pelo janela, era terrivelmente sufocante. Devido a ela, nada na rua era visível, apenas vultos. Rudolfo tossiu atrás de si, aparentemente ainda dormindo. O som de aço contra aço estalava na noite.

    Saindo do seu momento de choque, Enriador virou-se para seu amigo, sacudindo-o desesperado. Quando Rudolfo abriu os olhos, zonzo, Enriador foi curto e claro:

    - Acorde logo! Northport está sob ataque! Precisamos acordar Elofor!

    - Mas o que? Calma Enr- Rudolfo tossiu com força, a fumaça já tomando todo o quarto.

    - Vamos logo! - Ainda tossindo, tudo o que Rudolfo pode fazer era anuir.

    Os dois jovens recolheram suas trouxas e cajados rapidamente, deixando o quarto em direção aos aposentos de Elofor.

    - Elofor, corre! Precisamos de você! - Enriador gritou, enquanto abria a porta e tentava enxergar em meio a fumaça.

    - Utevo Lux! - gritou.

    O quarto se iluminou. A janela estava aberta, a cama desarrumada... mas não havia nenhum druida ancião ali. Ele aparentemente descobrira que havia algo errado tempos atrás, recolhera suas coisas e estava lá fora, ainda lutando...

    "Ou pior" - pensou Enriador, assustado. "Precisamos correr!"

    Levando o tonto Rudolfo pelas escadas, chegou ao átrio da taverna. Não havia ninguém, porta escancarada, luz dourada entrando como se o próprio inferno quisesse entrar no Salmão Voador. Sem sinal de Barn, ou de outros hóspedes.

    Quando estava quase passando pela porta, sentiu o coração acelerar. Ouvira passos atrás deles.

    Virando-se, viu um homem - ou pelo menos pensava que fosse um homem - monstruosamente grande. Uma grande espada em sua mão esquerda, elmo com viseira fechada, virando-se ameaçadoramente na direção deles. Deixando Rudolfo de lado, Enriador não esperou: avançando contra o guerreiro com o cajado em punho, desferiu golpes rápidos contra ele, madeira mágica batendo na grande espada. Enquanto dançavam, Enriador notava que as mesas e cadeiras estavam em destroços, e havia sangue no chão.

    O guerreiro era forte, mas lento e aparentemente bastante burro, perdendo diversas chances de contra-atacar. Após sentir que havia tomado uma vantagem, Enriador tomou distancia, virou a palma de sua mão para ele, e gritou: - EXORI MIN FLAM!

    Chamas irromperam de sua mão, envolvendo o guerreiro, que berrava desesperado enquanto o fogo fritava-o dentro de sua armadura. Tentando se despir, espada jogada no chão, Rudolfo se aproximou rápido e, com seu próprio cajado, acertou-o na descoberta nuca.

    O gigante tombou no chão, imóvel. Tremendo, Enriador virou o soldado com seu cajado, procurando enxergar seu rosto, apesar da fumaça.

    Era um orc. Rosto verde-negro, dentes afiados, olhos pequenos, vermelhos, cruéis.

    "Ah, não diga que são orcs!" - pensou Enriador, com ironia - "quase esperei que fossem minotauros!".

    Rudolfo disse, mais alerta: - Vamos achar Elofor e dar o fora!

    Concordando com a cabeça, Enriador saiu pela porta. Para sua tristeza, viu o corpo de Barn em frente a taverna que ele lutou a vida inteira para manter, uma longa lança negra atravessada em seu coração, e um orc morto do seu lado - pescoço quebrado, uma das mãos do estalajadeiro ainda em volta dele. O vasto calor ardia, a dupla tentando enxergar alguma coisa. Os sons de aço tinindo estavam mais próximos - em toda parte.

    Logo na sua frente, viu uma amazona lutar sozinha contra uma dupla de orcs, armados com espadas. A garota lutava bem, até que, numa esquiva, perdeu um dos orcs de vista, e ser atingida com força total no ombro esquerdo. O golpe do segundo orc foi brutal, perfurando seu estômago e levando-a para os frios braços da morte.

    Enriador e Rudolfo atacaram ao mesmo tempo. O treinamento que recebiam desde crianças finalmente posto em uso prático. Orcs eram vigorosos, mas invariavelmente lentos. Cajados de magos eram encantados para causarem dor quando usados para combate. A cota de malha da dupla de monstros não resistia ao avanço inexorável dos carlinienses. Logo, desistiram de lutar, e fugiram. Naquele breu anormal, segui-los não era uma opção.

    - Exiva Elofor! - disse Rudolfo. Mas ele pronunciou as palavras, uma seta branca, brilhante, surgiu na palma de sua mão, indicando o caminho para das docas.

    Passando pelas ruas de Northport, era dificil encontrar uma casa que não estivesse em chamas, ou um caminho que não tivesse corpos, seja de orcs, seja de locais. Enriador e Rudolfo sequer olhavam duas vezes, pois sabiam que Elofor não cairia perante orcs... embora o pensamento de que alguns dos que morreram eram seus conhecidos doesse.

    Nas docas de Northport estava o âmago do conflito. Meia dúzia de guardas restava, cercados por quase o dobro de orcs. Entre os gritos de dor dos feridos e os xingamentos mútuos, o urro de Sven se sobrepunha.

    Enriador e Rudolfo observavam, fascinados, o guerreiro nórdico traçar grandes arcos sangrentos com seu imenso machado entre os orcs. Seus olhos denunciavam uma fúria colossal, própria dos combatentes das Ilhas de Gelo. Próximo a ele, murmurando encantamentos, estava Elofor, cajado em mãos.

    Enriador e Rudolfo se juntaram à luta, ajudando os soldados de Carlin a combater as bestas. O conflito pareceu durar horas, mas em apenas dois minutos todos os orcs estavam mortos no chão, alguns dilacerados, outros congelados pela magia de Elofor, outros caídos sem nenhum dano aparente. Os barcos que outrora davam vida ao vilarejo eram cinzas no Oceano Nórdico.

    - Elofor!

    - Garotos! Que benção vocês estarem vivos. - Elofor virou-se para um dos guardas sobreviventes - Precisamos reagrupar os soldados restantes.

    O guarda com quem Elofor falava era Tobias. Estava com o olho esquerdo roxo e inchado, e para o horror dos jovens, nada restava de sua orelha direita. Ninguém sangrava, graças aos feitiços de Elofor. O rosto do experiente soldado estava sombrio.

    - Orcs... em Northport. Deviam ser uma vintena deles. Nunca, desde as antigas invasões, esses bastardos amaldiçoados atacaram em tal número, tão perto da capital... - Tobias estava incrédulo.

    Tobias foi interrompido por outro urro gutural de Sven, que agora estava de joelhos, rugindo para os céus. O rosto de Tobias ficou mais fechado ainda.

    - Tobias, não foi sua culpa. Sua primeira preocupação foi checar o alarme. Não tinha como saber do que se tratava. Não há sangue em suas mãos. - disse Elofor, mais sério do que Enriador jamais havia visto na vida.

    Tobias olhou para suas mãos, empapadas de sangue negro de orc. - É, velho mestre. Não há sangue algum - Tobias deu uma risadinha fraca e forçada, antes de suspirar e encarar seus pés. - Ajax não teve muita chance. Trancado, acorrentado... ainda posso ouvir seus gritos, quando os orcs incendiaram a prisão.

    - Elofor está certo. A culpa não é sua Tobias. Tanto como sabemos, o alarme podia ser um ladrão de galinhas apanhado no meio da noite. Como saberia que se tratava de um grupo de pilhagem orc? - disse Enriador, enfático.

    Tobias pareceu pensar um pouco antes de responder, seus olhos indo dos corpos no chão diante de si para sua vila natal, em chamas - Northport está destruída. Não há nada que podemos fazer agora por ela. Falhamos em sua defesa. Só nos resta ir para a capital, pedir perdão à Rainha por nosso erro, e clamar por uma força de ataque, e fazer esses orcs pagarem por sua ofensa contra o Reino. - Os olhos do capitão estavam fixos na sua frente, determinados, como se conseguissem distinguir um futuro de glória no meio do fogo. - Então, voltaremos, e iremos reconstruir Northport das cinzas, maior e mais magnífica do que jamais foi!

    Os soldados deram gritos de vivas. Elofor parecia preocupado e exausto. Rudolfo não parava de olhar para os muitos corpos no chão. Sven encarava as estrelas, murmurando o nome de seu irmão.

    Tobias ergueu a voz, de maneira firme e clara. - Vamos, heróis de Carlin. Façamos uma rápida ronda pela vila, em busca de sobreviventes. Feito isso, vamos nos encontrar na estrada para o sul. De lá, iremos - a voz de Tobias vacilou e morreu. Quando todos se viraram para ver o que acontecera, viram, para seu horror, um dardo cravado no pescoço do velho guarda. Tobias estava morto antes mesmo de chegar ao chão.

    Antes que qualquer um tivesse tempo de respirar, o uivo de um berrante de guerra foi ouvido, longo e agourento. Berros em uma língua estranha eram ouvidos, e para terror geral, os vultos de dezenas de orcs eram visíveis por trás das chamas.

    Os guardas de Carlin quebraram. Cada um correu em uma direção diferente. Sven, por outro lado, se ergueu e gritou - AJAX! - antes de correr rumo ao inimigo, em uma ira suicida, machado pingando sangue.

    Enriador e Rudolfo olharam para Elofor. O druida disse, com a voz cheia de pesar:

    - Esta batalha está perdida. Os guardas não tem muita chance contra a horda, mas um trio de magos pode cobrir uma longa distância sem serem seguidos. Vamos.

    - Mas e Sven? - disse Rudolfo - Não podemos deixa-lo morrer!

    - Ele está em busca de vingança... e a terá, antes de cair. Não podemos fazer nada por ele. Vamos logo, se quiserem voltar vivos para casa.

    Com um último olhar para a vila em destroços, Enriador seguiu Elofor e Rudolfo para as trevas da floresta.
    Última edição por Enriador; 29-07-2014 às 18:37.

    Uma trilogia épica com a própria Tibia em disputa!


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  3. #43
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    Muito bom o capítulo Enriador!

    Pena que ainda não teve comentários. Mas aí vai o meu, para que você continue escrevendo e não desista. E agora oque acontecerá em northport? será que os orcs vieram atrás de algo?

    E os aventureiros? ajudaram a reconstruir northport, ou partiram atrás dos orcs? A história está num bom ritmo, e a sua escrita melhorou mesmo drásticamente nos últimos anos (que bom! rsrsrs).

    Prometo que continuarei acompanhando!!!

    Gogogo próximo cap. kkkk

    =)

  4. #44
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    Me preocupo mais com comentários não mano. Só to de olho nas visualizações! kkkkkkk

    Muito obrigado pela força! Espero melhorar!

    - - - Atualizado - - -

    Capítulo 6: A História de Mestre Norea



    Enriador estava cansado, mas seus olhos permaneciam bem abertos e alertas no escuro da noite. Sua sobrevivência dependia disso. Logo atrás, arfando por ar, Elofor e Rudolfo seguiam-o na penosa caminhada.

    Northport havia sido destruída, esmagada sob a fúria dos orcs, seu povo massacrado sem piedade. Apenas no terceiro dia a fumaça negra que subia da vila em destroços deixou de ser vista.

    Rudolfo quebrou o silêncio: - Mestre Elofor, porque não descansamos, hein? Já andamos por cinco horas seguidas, sem parar!

    O tom do druida foi sério: - Porque estamos a pé, enquanto os orcs possuem grandes lobos de guerra. Faz apenas meio dia desde que deixamos de ouvir os uivos. Meu encantamento deu certo até agora, criando trilhas falsas para eles irem atrás, mas isso só servirá se criarmos uma boa distância.

    Foi a vez de Enriador questionar: - Porque não tomamos logo a Estrada do Norte, de volta para Carlin? Já passamos por dois rios, e se não me engano estamos bem perto de um terceiro. Não há rios no caminho para a capital!

    - Eu sei, Enriador. Porém, precisamos ter em mente que orcs irão nos procurar justamente naquela direção. Não duvide por um único instante que antes de matar os guardas eles os interrogaram duramente. Eles sabem que há três magos carlinienses que sobreviveram ao ataque, e eles sabem que sua própria sobrevivência depende da Coroa ficar ignorante por tempo suficiente, para que eles possam terminar o saque da área e poderem retornar para sua fortaleza negra. É vital que demos uma longa volta, para então seguir para Carlin. - Elofor disse.

    Desanimados, Enriador e Rudolfo interromperam os questionamentos.

    Quando a manhã veio e eles ergueram o acampamento, Enriador parou por um momento para apreciar a beleza do Oceano Nórdico. A luz do sol caía sobre as águas geladas da Baía dos Elfos. Muitas horas de caminhada depois, o trio parou, mudo.

    Uma voz, bela e jovial, era ouvida por entre as árvores. Os jovens não entendiam a língua, mas Elofor parecia particularmente encantado com a letra. Cautelosamente seguindo a música, Enriador viu uma grande clareira na floresta. No meio dela, sentando-se graciosamente em cima de um tronco, estava uma bela elfa de cabelos dourados, a cantar distraída com sua harpa.

    Elofor se aproximou, saudando-a na mesma língua estranha do canto.

    A elfa encerrou a música imediatamente, trazendo todos para a realidade. Se erguendo, respondeu de acordo. Trocaram umas palavras, antes da elfa dizer em alto e bom som, na língua comum:

    -Prazer em conhece-los, humanos. Sou Norea de Ab'Dendriel, mestre de harmonia do Quadrante Sudoeste do Sublime Reino dos Elfos. O que fazem tão longe de suas terras?

    -O prazer é nosso, Mestre Norea. Sou Elofor, membro honorário do Alto Conselho dos Magos de Edron. Estes são Enriador e Rudolfo, jovens magos em treinamento. Nascidos e criados na bela cidade de Carlin.

    Enriador e Rudolfo a saudaram, notando seus olhos límpidos e espertos. Parecia ter chegado a meia-idade, mas com elfos sempre era difícil dizer, dado o fato de que viviam o dobro do tempo normal dos humanos.

    Elofor retomou o discurso: - Estávamos em Northport, viajando... porém, um grande batalhão de orcs invadiu a vila e queimou tudo que encontrou. Somos os poucos sobreviventes do ataque. Ouvimos dizer, pouco antes da invasão, que orcs vagavam por essas terras. Sabe de algo, Mestre Norea?

    A elfa pareceu pensar um pouco antes de responder. - Sim, Mestre Elofor. A informação era verdadeira. Orcs tem vagado por aqui nas últimas semanas. Em duplas, ou trios, assaltando qualquer pobre viajante que encontrassem. Isso, no entanto, não vai durar muito. O Conselho já está reunido para discutir uma maneira de encerrar esses ataques. - Norea mais uma vez fez uma pausa, antes de dizer: - Se o senhor diz que a animada vila de Northport foi atacada, acreditarei. Porém, deixo claro que nenhum grande grupo de orcs foi visto atravessando nossas terras. Eles sempre andam em pequenos grupos, e acredite, cinco orcs fazem o barulho de uma multidão de tropas. Creio que teríamos percebido se uma força de invasão tivesse deixado a fortaleza negra...

    Enriador interrompeu: - Não era bem uma força de invasão. Deviam ser uns cinquenta orcs... - Enriador parou ao sentir o olhar de reprovação de Elofor sobre si.

    - É claro, Mestre Norea. Talvez houvessem alguns humanos disfarçados entre os orcs. Isso seria mais lógico, pois acredite, eu conheço bem o sentinelas de Ab'Dendriel. Vocês tem olhos de águia. - Enriador e Rudolfo conheciam Elofor há tempo suficiente para reconhecer a ironia em sua voz - Agora, o tempo urge. Precisamos avisar a Rainha de Carlin sobre este ataque, o mais rápido possível!

    - Carlin? Carlin está muito distante... mas Ab'Dendriel está a apenas trinta horas de viagem. Lá, podem alugar corcéis que os levarão rapidinho de volta para sua cidade florida... O que acham?

    Elofor refletiu por alguns segundos, antes de responder: - Parece mesmo uma boa ideia.

    Norea continuou seu discurso: - Serão bem recebidos lá. Providenciarei para que tenham descanso, comida, e transporte! Por ora, falta pouco para o por do sol. Porque não descansamos, e trocamos boas histórias?

    O trio concordou. Depois de levantarem acampamento - à exceção da elfa, pois parecia que esta não se incomodava de deitar sobre a relva - o quarteto se sentou ao redor de uma fogueira, magicamente criada por Elofor.

    Norea sacou sua harpa, e, enquanto tocava uma música lenta e triste, começou sua história.

    - Há muitas gerações - recitou Norea, com uma voz bonita e melancólica - as estruturas do Mundo foram abaladas de forma assustadora. Eras depois da Guerra da Criação, nasceu, na pequena cidade de Fibula, primeira das colônias do único reino humano em toda Tibia, um jovem mago. Ainda em tenra idade, ele demonstrou possuir grande habilidade com a magia. Porém, a evolução do seu caráter não acompanhou a evolução de seu poder, até que a cobiça e ambição começaram a atormentar sua alma. Nascido em uma família de humildes, mas honestos pescadores, o jovem mago começou a usar seus poderes para angariar força. Através do medo e da ira, ele reuniu vários seguidores, até que belo dia se declarou rei do mundo - pois era o mais poderoso ser dos seres vivos, logo, tinha o direito de comanda-los. Da capital, vieram tropas para levar o pretendente à justiça, mas exército após exército tombou perante seu poder. Disposto a retaliar, o mago se envolveu com a necromancia e com demônios, erguendo hordas de bestas por todo o continente de Main - naquela era, o limite do mundo conhecido. Grandes batalhas foram travadas contra o mestre feiticeiro, mas os que se proclamavam Livres da mão de ferro do autocrata perdiam a maioria. Vila após vila tombou, e então apenas as três grandes cidades do mundo continuavam livres de sua ambição: Thais dos humanos, Ab'Dendriel dos elfos e Kazordoon dos anões. Finalmente, quando o jovem mago, enlouquecido por seu orgulho, desafiou todos os Reinos Livres para um confronto final, a Última Batalha ocorreu. Humanos, elfos e anões mataram e morreram lado a lado, enquanto os exércitos de orcs, minotauros, ciclopes e mortos-vivos retribuíam em fúria. A batalha - e o destino de Tibia - pareciam perdidos, até que um jovem paladino acertou uma flecha dourada no peito do feiticeiro. Era o fim. A Aliança dos Livres venceu o dia, com a tropas de bestas perdidas, sem seu líder cruel. Porém, a habilidade do feiticeiro com a magia era poderosa, e ele conseguiu se sustentar vivo... embora muito fraco. - Norea parecia sussurrar - Sabendo disso, os Livres decidiram não mata-lo, mas em sua misericórdia prende-lo para todo o sempre. Numa ilhota recém-descoberta no Sul, uma imensa fortaleza foi construída, o senhor das trevas ali selado, para todo o sempre.

    "Porém, haviam aqueles que lamentavam a misericórdia de seus líderes, prevendo que, em sua ira, o feiticeiro se ergueria novamente, mais terrível do que nunca, disposto a executar sua vingança... e quando isso ocorresse, um outro herói anônimo deveria aparecer, para destruir o mago negro para a eternidade".

    Norea terminou o conto. Rudolfo roncava no canto, Elofor e Enriador maravilhados com a história - muito conhecida em Carlin, mas que recitada por aquela elfa pareceu quase viva, se desenrolando bem na frente de seus olhos.

    Norea completou: - Acho melhor irmos dormir. Amanhã estaremos na Cidade das Árvores.
    .
    Os dois magos obedeceram ao comando. Enriador dormiu rapidamente, sonhando com profecias esquecidas, elfos de harpas, facas no escuro e altas árvores, a alcançar o céu...
    Última edição por Enriador; 29-07-2014 às 18:45.

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  5. #45

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    Caraca supimpa!
    Li tudo de uma vez acompanhando os comentários também e gostei pra caramba de tu ter retornado depois de vários anos, você aprimorou bastante a escrita, texto bem gostoso de ler e muito envolvente, o mistério do prólogo pairando e dando seus sinais nesses sonhos, Elofor contando histórias muito bacanas e agora a Norea, achei demais, quero mais!

    Uma dúvida, o pai do Enderion não ia junto com eles?




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  6. #46
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    Citação Postado originalmente por Dayuky Ver Post
    Caraca supimpa!
    Li tudo de uma vez acompanhando os comentários também e gostei pra caramba de tu ter retornado depois de vários anos, você aprimorou bastante a escrita, texto bem gostoso de ler e muito envolvente, o mistério do prólogo pairando e dando seus sinais nesses sonhos, Elofor contando histórias muito bacanas e agora a Norea, achei demais, quero mais!

    Uma dúvida, o pai do Enderion não ia junto com eles?
    Espero que esteja gostando! Agradeço os elogios!

    Agora, respondendo sua pergunta:

    >>>>>>>>SPOILERS <<<<<<<<<<<menores sobre "A Guerra por Tibia - Parte Dois" a seguir:

    O pai de Enriador, como você pode ver no primeiro capítulo, não é uma figura paterna muito presente. Ele é um mago poderoso e excêntrico, e tem a distinção de ser um "narrador indigno de confiança". Ou seja, o relato de Lewis Amatix em sua carta ao seu primogênito em "Frutos de Carlin" não é A Verdade, mas o que Lewis Amatix crê que seja verdade, baseado na sua visão de mundo particular. A Verdade é que o pai de Enriador não realiza "viagens semestrais"; na verdade, suas viagens de Edron para Carlin são bastante raras, mas ele, conhecendo muito pouco sua própria prole, e ocupado com suas responsabilidades diárias no Alto Conselho, simplesmente presta pouquíssima atenção a alguns detalhes. Também é muito comum ele simplesmente mudar de ideia e não viajar mais, ou trocar sua rota parando numa cidade no meio do caminho, seja porque viu algo "interessante" e que demanda sua atenção, ou devido a alguma reviravolta nas políticas internas do Alto Conselho. O ocupado Lewis Amatix não se preocupa em escrever cartas justificando suas mudanças de planos! Com os anos, Enriador e seus irmãos, assim como Elofor, se acostumaram com o temperamento aleatório de Lewis. Sendo este um mago muito poderoso, somado ao fato de também terem suas distrações na capital carliniense, Enriador, Elofor e os outros não dão muita bola pra as ausências de Lewis. Por isso a falta de preocupação quando ele não apareceu às 6h, como combinado. Provavelmente, era apenas mais uma "mudança de planos" nas viagens de Mestre Amatix...
    Última edição por Enriador; 28-07-2014 às 03:26.

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  7. #47

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    Caraca que resposta mais completa e atenciosa !
    Espero que isso também vá se revelando mais pra frente na história, porque caramba foi um trechinho a parte a mais pra me envolver e me ganhar, muito bom Enriador, boa empreitada e reforçando (só pra não ficar na expectativa e levar anos pra ver ou nem ver a continuação), quero mais!

  8. #48
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    Capítulo 7: Uma Fria Recepção



    O dia chegou rápido, raios dourados iluminando as planícies das terras élficas. Enriador, Elofor, Rudolfo e Mestre Norea seguiam seu caminho, em busca do abrigo da grande cidade de Ab'Dendriel.

    - Nós, elfos, somos um povo antigo, orgulhoso, e receptivo. - tudo que saía da boca da elfa parecia ser cantado - Somos a primeira raça verdadeiramente inteligente a povoar o continente. Por séculos vagamos por Main, antes de decidirmos habitar um verdejante pedaço de terra no Norte. Após um breve conflito com lobos e espíritos, emergimos vitoriosos, e começamos a construir nossas casas. Eventualmente, os ataques das grandes matilhas de lobos nos obrigaram a escalar as imensas árvores da região, e, apesar de alguns grupos que preferem o chão ou mesmo o subsolo, a maioria do nosso povo habita as alturas, a quase cem metros do chão. Então, depois dos lobos vieram os orcs, e depois os anões, e muitas guerras foram travadas entre as três raças. Os elfos eram - e são - guerreiros poderosos, exímios arqueiros e magos de poder. Porém, os anões tinham sua montanha, e os orcs sua fortaleza sombria na costa. Por isso, construímos uma imensa muralha, que se tornou verde devido as trepadeiras. Feita de madeira encantada, é a mais alta muralha de todo o mundo, embora nem de longe a mais extensa ou mais espessa. Ab'Dendriel resistiu a todas as tentativas de conquista-la... nem a Grande Sombra, nem a Legião Vermelha de Tibianus I conseguiram chegar perto de dominar a Cidade dos Cânticos! Assim foi, e assim será, até o fim dos tempos. - Norea concluiu sua história, satisfeita.

    Após várias horas de viagem, no décimo quinto dia depois de deixarem seus lares, o trio de humanos parou, sem fôlego, admirando a visão que tinham no horizonte.

    A luz do sol se derramava sobre as copas de centenas, milhares de árvores. Não se via mais nada da cidade, a não ser o grande borrão de verde-ouro que dominava a paisagem. Ab'Dendriel estava ali, tão perto! O destino final de sua viagem se tornou um lugar muito mais interessante.

    Se lembrando da risada de Barn e do rosto duro, mas sincero de Tobias, Enriador se perguntou se o preço de conhecer aquele lugar maravilhoso tinha que ser tão caro.

    - Crianças, jamais se esqueçam - disse Elofor, quando Norea se afastou para cheirar uma flor particularmente estranha - Quando um elfo falar com você, encare-o nos olhos. É sinal de respeito. E, por nada, se envolvam em confusão. Elfos são rápidos na ira, e lentos no perdão. Não tomem Norea como exemplo da raça dela. Ela é considerada diferente e pouco ortodoxa, mesmo entre os elfos.

    A Muralha Verde estava mais perto. Já podiam distinguir os sentinelas nas ameias, pequenos pontinhos se movendo devagar. Antes que alguém pudesse fazer algum comentário adicional, o quarteto se virou, muito alertas com o que acabaram de ouvir.

    Um uivo, horrível, ressoara pelos campos. Parecia um animal grande em terrível sofrimento. Ao mesmo tempo, não era um som nada animalesco.

    - Orcs? - disse Rudolfo, levemente animado com a perspectiva de enfrentar alguns para quebrar o tédio das histórias da elfa.

    Elofor ergueu sua mão esquerda, pedindo silêncio. Ele e Norea murmuraram "Adeta Sio!" em uníssono.

    Silêncio.

    Elofor parecia intrigado. O rosto da elfa permanecia impassível.

    Então, o inconfundível som de ganido canino foi ouvido por todos. Ninguém parecia entender o que estava acontecendo.

    Finalmente, uma sombra emergiu do meio das árvores. Carregando um grande lobo de guerra nos ombros, encharcado de sangue, vinha Sven.

    O bárbaro parou. Apertando os olhos, tentou distinguir quem estava na sua frente. Elofor disse algumas poucas palavras, nas quais Enriador não prestou muita atenção devido ao choque.

    Sven, então, jogou a carcaça do lobo no chão. Todos repararam em seu imenso machado, e nas crostas de sangue negro que estavam nele. Parecia mais magro, cansado e pálido, quase um cadáver. Seu corpo estava coberto de cicatrizes novas e rubras. Aproximando-se, a voz que ouviram era rouca e gutural:

    - Mestre Elofor - Mais de perto, Enriador chegou à conclusão irredutível que Sven parecia um morto-vivo. - Bom ver que você e os garotos sobreviveram ao massacre em Northport. - Seu olhar frio e morto se fixou em Norea - O que fazem com uma elfa?

    - Sven! Que benção ver você vivo! - Elofor disse, visivelmente surpreso - Esta é Mestre Norea, uma Mestre de Harmonia de Ab'Dendriel. Ela concordou em nos dar refúgio na cidade.

    Sven a olhou de cima a baixo. Norea parecia se divertir.

    - É para lá que estão indo? - disse Sven, com aquela horrível voz rouca - Para a toca do leão?

    - Ab'Dendriel é um lugar seguro para ficarmos, Sven, até estarmos plenamente recuperados. Todos nós - enfatizou -, incluindo você. Será bem-vindo para descansar. Orcs não ousarão se aproximarem da Muralha Verde. O Conselho dos Elfos permitirá a entrada de um filho de Svargrond, certo Norea?

    - É claro que sim - Norea disse, seus olhos brilhando, divertidos - Será muito bem-vindo.

    - Bah! Dane-se os orcs! Matei dezenas deles em Northport, e outros tantos que conseguiram me achar. Não, obrigado. Hoje vou rejeitar a lendária hospitalidade dos elfos - Sven cuspiu no chão.

    - Sven, seja razoável. Está muito ferido, e embora seja um guerreiro letal, não é um bom curandeiro. Precisa tratar seus ferimentos! Ab'Dendriel tem curandeiros habilidosos. Terá comida de sobra, bastante bebida, e descanso. Sven... - o tom de voz de Elofor ficou mais sério - Você sabe que não poderá lutar por muito mais tempo. Os deuses te ajudaram a viver, até agora, mas por quanto tempo mais conseguirá matar orcs descansados, montados em lobos? Está muito perto da Fortaleza dos Orcs. Morto, jamais poderá vingar seu irmão.

    Sven ficou em silêncio por alguns minutos, encarando o lobo de guerra que tinha acabado de matar, com muita dificuldade. Suspirou fundo, e por fim, anuiu com a cabeça.

    - Vou acompanha-lo, Mestre Elofor... mas não espere que eu confie nessa aí ou em seus amiguinhos. Não se confia em elfos...

    O resto do caminho foi tranquilo. O sol tinha acabado de se por, quando chegaram diante da grande muralha, o portão de madeira mágica entreaberto.

    Um jovem elfo - ou pelo menos parecia jovem, com elfos era sempre difícil dizer - protegido por uma armadura, armado de lança, apareceu diante deles. Com o mesmo melodioso sotaque de Norea, perguntou:

    - Quem são vocês, de onde vem, e o que os trazem à Sublime Ab'Dendriel?

    O elfo usava um tom de voz meio insolente e arrogante. Seu olhar era gelado e cruel.

    - O meu nome é Elofor, mestre druida da cidade de Carlin, membro honorário do Alto Conselho de Edron. Estes dois jovens que me acompanham são Enriador, feiticeiro, e Rudolfo, druida, ambos em formação mágica, e da mesma cidade. E este aqui é Sven, um guerreiro de Svargrond. Viemos de uma longa e árdua viagem, que teve uma parada dramática em Northport. Estamos aqui na esperança de recebermos abrigo e ajuda.

    Todos ficaram em silêncio. O elfo não parecia impressionado com nenhum título. Sua voz fria cortou o ar da noite:

    - Permissão negada.

    Enriador e Rudolfo se entreolharam. Norea parecia estar longe dali, o rosto de Sven nas sombras.

    Elofor manteve sua postura digna. Disse:

    - Meu caro, um de nós está gravemente ferido, e precisa de cuidados. Sou um dignatário do Principado de Edron, e -

    - Não ligo para quem você é, velho - disse o guarda - Apenas elfos podem entrar em Ab'Dendriel no momento. Ordens do Conselho.

    - Devo insistir... - mas antes que Elofor pudesse dizer mais alguma coisa, o guarda ergueu sua mão direita, e doze guerreiros elfos, fortemente armados, se posicionaram atrás do guarda. Metade tinham espadas longas e sinuosas, a outra metade, arcos e flechas. Todos vestiam a mesma armadura cor de lua do guarda.

    - Devo insistir que deem meia volta, se quiserem viver. - O elfo notou Norea - É claro que a elfa pode entrar, se desejar.

    Norea se aproximou. Disse uma série de frases em élfico, e cada palavra fazia o guarda ficar mais e mais pálido. Por fim, ele disse:

    -Sob a autoridade de Mestre Norea, Mestre de Harmonia do Quadrante Sudoeste, vocês podem entrar... - O contragosto do guarda era visível, nojo no olhar. - Bem-vindos à Ab'Dendriel. O toque de recolher é às dez. Tenham uma excelente noite. - ele disse isso num tom que sugeria que a última coisa que queria era que eles tivessem uma excelente noite.

    - Acho que é isso, senhores - Norea estava sorrindo - Peço perdão pela falta de hospitalidade do nosso chefe da guarda, ele estava cumprindo o seu dever... apesar do entusiasmo... - Norea deixou de sorrir, semblante pensativo. - Adeus, Mestre Sven, filho de Svargrond. Adeus, meninos, desejo-lhes sorte em seu treinamento. E querido Elofor, sinto dizer, mas devo lhe dar adeus também. - Norea parecia definitivamente triste - Cada um de vocês tem um caminho duríssimo pela frente... espero que todos tenham coragem para enfrenta-lo, até o definitivo fim. - Mudando seu humor pela quarta vez em dois minutos, disse, com um grande sorriso: - Adeus!

    Mestre Norea retornou para suas terras. O quarteto de humanos passou pelas sentinelas, sentindo o olhar de ódio do chefe da guarda atrás deles.

    Quando passou por debaixo da muralha para a entrada da silenciosa cidade, Enriador sentiu uma sensação de alívio. Apesar da estranha falta de hospitalidade, estavam, enfim, seguros... mas por quanto tempo?
    Última edição por Enriador; 28-07-2014 às 20:36.

  9. #49

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    Insegurança, tensão, histórias dentro da história, to gostando de ver!
    Espero o próximo capítulo!

  10. #50
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    Capítulo 8: O Chamado do Conclave



    Todos os dias, quase ao anoitecer, bardos e menestréis de Carlin cantavam baladas acerca das grandes belezas do mundo: a de Ab'Dendriel, cidade de árvores, música, magia e inocência, era uma das mais citadas. Todos as noites, quase ao alvorecer, marinheiros bêbados, nas docas, voltavam trôpegos para suas casas recitando desafinados o que tinham ouvido dos bardos horas atrás, acerca da bondade, sabedoria, poder e clemência dos elfos.

    Enquanto caminhava rumo a estalagem, Enriador não parava de se questionar quantas outras mentiras tinha ouvido em sua vida. As ruas de Ab'Dendriel estavam tão silenciosas quanto escuras, a luz da lua mal chegando ao solo, devido ao teto verde que cobria a cidade. Enriador, Rudolfo e Sven olhavam, assombrados, para o alto, observando as árvores, que pareciam querer encostar nos céus.

    "Talvez as histórias não sejam totalmente falsas. As árvores são altas!" - pensou Enriador.

    Sven resmungou alguma coisa, Elofor fez um comentário, mas Enriador não os ouviu. Estava muito cansado para prestar atenção ao que o bárbaro tinha a dizer sobre a covardia dos elfos.

    Elofor parou, de repente. Coçou sua longa barba branca, olhou ao redor, e se virou para um pedaço de corda que descia do alto, próxima a uma árvore.

    Enriador e Rudolfo já se acostumaram a ver o velho Elofor fazer todo tipo de coisa estranha, mas puxar uma corda aleatória e berrar em uma língua estranha no meio da noite de uma cidade estrangeira era uma coisa nova.

    Elofor virou a cabeça, piscou pro grupo, e antes que alguém pudesse falar alguma coisa, uma pequena plataforma de madeira desceu da árvore para o chão. O quarteto viu que havia um grande banco, também de madeira, em cima da plataforma, que aparentemente era puxada por cordas.

    Elofor se sentou, e, sorrindo, perguntou:

    - Vamos subir?

    Enriador e Rudolfo soltaram uma risada, mas seguiram o conselho. Sven ficou longos segundos encarando o banco e as cordas, antes de decidir ir com eles.

    Elofor deu outro comando no que devia ser élfico, e a plataforma foi içada para o alto.

    - A subida vai levar alguns minutos, pessoal - disse Elofor, calmo - Aproveitem a vista.

    - Não há muito o que ver - disse Rudolfo - a cidade parece fantasma.

    - Elfos dormem cedo. De noite, não há muito o que se ver em Ab'Dendriel, se não as sombras das árvores. De dia, é um lugar muito feliz e alegre. Vocês verão. - O tom de voz de Elofor pareceu cansado.

    Logo, avistaram o nível principal. Por mais que Enriador soubesse que a maior parte dos elfos vivesse nas alturas, ele não esperava que a diferença para o chão fosse tão gritante. Havia centenas de grandes árvores em Ab'Dendriel, e em cada uma delas havia uma construção de madeira no alto. Centenas de pequenas pontes as conectavam, e haviam outros níveis mais acima, ligados entre si com as mesmas plataformas que eles usavam.

    O quarteto chegou no nível principal, a setenta metros de altura, e todos perceberam que as plataformas funcionavam com magia. Em minutos, cada um estava em sua cama, Elofor e Sven num quarto, Enriador e Rudolfo em outro. Foi o máximo que conseguiram, pois o sonolento estalajadeiro parecia ser tão xenofóbico quanto o chefe da guarda na entrada da cidade.

    Finalmente, dormiram, o cansaço da última quinzena os subjugando. Esta noite, Enriador teve outro sonho:

    Suas vestes eram grossas e resistentes, mas o frio era tão intenso que chegava aos ossos. Neve caía em seus ombros enquanto Enriador tentava enxergar além das ameias. "A nevasca não acabará tão cedo", pensou Enriador. "Temos tempo"... porém, o mago viu os vultos na distância, o grande exército se aproximando cada vez mais, como se fosse um radiante dia de sol e o gelo e a neve fossem nada para para-los. Mesmo naquela distância, ele sentia o fétido cheiro de orc. Com um aperto no peito - talvez fosse o medo - Enriador, erguendo seu tom de voz, disse: HOMENS, PREPARAR CATAPULTAS!...
    Enriador acordou, suando frio. Sentou-se na cama, pousando suas mãos entre a cabeça, pensando. Suspirando, voltou a dormir.

    - ENRIADOR! Caramba cara, acorda. Temos problemas. - A voz de Rudolfo carregava um tom preocupado.

    Enriador se levantou, com um pulo. Podia ver raios de sol invadindo o quarto pelas frestas da janela.

    - Orcs? - perguntou, sobressaltado, tentando achar seu cajado.

    - Não cara, pelos deuses! É um elfo, veio falar com o Elofor... levanta.

    Quando os dois chegaram no quarto do druida, o elfo já havia ido embora. Sven roncava alto, enquanto Elofor segurava um pedaço de pergaminho nas mãos. Elofor leu o conteúdo, e ficou em silêncio por alguns instantes. Quando falou, não parecia preocupado, mas verdadeiramente intrigado.

    - Parece, garotos, que o Conclave dos Elfos, que governa Ab'Dendriel, solicita uma audiência conosco daqui a uma hora. O assunto é urgente e confidencial.

    - Solicita? - inquiriu Rudolfo.

    - É... que modo bonito de nos intimar.

    - Porque eles fariam uma audiência conosco? O que fizemos de errado? Mesmo Sven ficou na cama a noite inteira, ou do contrário o ouviríamos, do jeito que ele pisa pesado. - disse Enriador.

    - Não pode ser porque estamos na cidade, não é? Mestre Norea nos permitiu... - argumentou Enriador.

    - Calma, garotos. Se fosse um caso mortal, não receberíamos esta manhã um mensageiro com um pedaço de papel, mas um batalhão de guardas. Deve ser sério, mas sem hipóteses. Sabemos que não fizemos nada errado... mas o fato permanece. Precisamos comparecer perante o Conclave e ouvir o que eles tem a dizer... e vice-versa. Não existe outra opção. - Elofor disse isso num tom que encerrava possíveis discussões.

    Os meninos saíram do quarto, se perguntando qual seria a causa da intimação enviada pelos grandes líderes dos elfos. Enquanto Sven dava um ronco particularmente alto ao lado, Elofor se permitiu dar um sorriso discreto.

    Ele encontraria velhos conhecidos naquele Conclave...

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    Última edição por Enriador; 31-07-2014 às 20:07.

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