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Tópico: As Aventuras de Desossa (remake)

  1. #21
    Avatar de Pedrinhospf
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    Adorei os dois capítulos. Só achei meio estranho que no começo o Desossa era fraquinho, não conseguia combater direito, e depois de soltar aquela bola de fogo ele virou um Chuck Norris.
    Ficou bem misterioso essa parte, aguardo a sequencia.

    Abraços.

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  2. #22
    Avatar de Mano Mendigo
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    Citação Postado originalmente por Dark Black Magician Ver Post
    Os Minotauros fortinhos não foram páreos para o Desossa

    E agora ele vai ficar todo forte com uma carlin sword, auhehaue


    Tenso o João desaparecer assim. Vai ver fugiu de medo pelo que aconteceu quando o desossa 'dormiu', ou foi raptado!

    A história está ficando boa, parabéns =D
    Opa, valeu por comentar aqui e gostar! xD

    E sobre João, ao longo dos caps mais pistas sobre este incidente! Oo


    Citação Postado originalmente por Pedrinhospf Ver Post
    Adorei os dois capítulos. Só achei meio estranho que no começo o Desossa era fraquinho, não conseguia combater direito, e depois de soltar aquela bola de fogo ele virou um Chuck Norris.
    Ficou bem misterioso essa parte, aguardo a sequencia.

    Abraços.

    Opa, valeu! E já parou para pensar que ele estava morrendo, não podia soltar aquele bola de fogo... Será que foi ele mesmo?


    Abraços!

  3. #23
    Avatar de Death Killer
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    Ta mt boa a história, MAS se para analisar perdeu parte da graça que tinha.
    As circunstâncias do nascimento de alguém são irrelevantes; é o que você faz com o dom da vida que determina quem você é. (Pokémon - O Filme).

  4. #24
    Avatar de Sombra de Izan
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    Nossa fazia tempo que não lia sua história, bom ri bastante e reparei que nosso herói tem muita sorte, mas não perde a capacidade de nos fazer rir, principalmente quando o Richard é agarrado por trás ,mas ele também ta virado num macaco gordo, fica quebrando galho dos outros ops chifre dos outros, to acompanhando viu.

  5. #25
    Avatar de Swettie
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    Haha, muito boa a história mesmo!
    Porque parou de escrever? Continua aí, certeza que estarei acompanhando!




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  6. #26
    Avatar de Mano Mendigo
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    Citação Postado originalmente por Swettie Ver Post
    Haha, muito boa a história mesmo!
    Porque parou de escrever? Continua aí, certeza que estarei acompanhando!
    Edit:

    Bom pessoal, depois de muito tempo, vou postar um cap, lembrando que já tem outro pronto para ser solto amanhã! ^^

    Segue aí:

    Capítulo 7 - A ardilosa armadilha


    Mesmo cansados, corremos para a saída gritando por João, mas no fundo sabíamos que não iríamos encontrá-lo, não naquele dia. Quando saímos da caverna, o sol dava lugar a uma linda noite estrelada, alguns aventureiros voltavam para o centro da ilha. Eu não conseguia decifrar o ocorrido, tanto a explosão quanto o sumiço do meu único amigo neste lugar, João. Talvez não o único, pois o homem que andava cabisbaixo e visivelmente abatido ao meu lado nos ajudou e muito, contou sua triste história e se mostrou um ótimo e leal companheiro na missão.

    Apenas os passos abafados pela terra macia e algumas vozes empolgadas ao fundo se entonavam com a forte ventania que fazia, e vendo a tristeza do meu novo amigo, resolvi quebrar um pouco o silêncio:

    – Está pensando em quê? – Tentando impor uma voz alegre, consegui dizer.

    Richard me fitou, abrindo um sorriso muxoxo.

    – Aquela explosão... Nunca vi algo igual! Talvez fora uma alucinação, afinal estávamos muito cansados, né? - Seu tom implorava por uma concordância, ele queria se sentir seguro com a ideia.

    Mas aconteceu de verdade. Eu não morri por causa daquela explosão, oras. Resolvi mudar de assunto, algo ainda sério, mas não tão “surreal”:

    – Eu estive pensando, seu amigo desapareceu também, e na última vez em que vocês se viram ele disse sobre um local...

    – Sim, a caverna de lobos, sempre procurei por ela. - Seu ânimo se esvaía cada vez mais - Mas não acho que ela tenha a ver com o sumiço do seu amigo.

    – Ei... Nosso amigo!

    – Você está certo, nosso amigo.

    Terminamos nossa caminhada em silêncio, adentrando ao centro e depois de alguns passos finalmente chegando na casa de Richard. Eu não conseguia parar de me admirar com a decoração feita por itens pontiagudos e afiados e pelo ouro saltando aos olhos, mas por um momento me peguei pensando se Richard trocaria tudo aquilo pelos seus companheiros de volta.

    – Lá em cima há uma cama quente te esperando, e é melhor descansar, pois amanha a minha busca continua, mas a sua busca começa. – Richard dizia enquanto derramava algumas poções em seu machucado no braço, sentado em sua cama.

    Concordei sem muito entusiasmo, o cansaço já estava me apagando automaticamente. Mas algo me despertou assim que subi as escadas: Na parede lateral havia riscos... Muitos riscos, chegando a cobrir toda a superfície. Eles eram idênticos, e eram perfeitamente enfileirados, linha por linha. Mais abaixo, no chão, várias pedras gastas e fiapos de madeira cobriam o local, o aparente descuido por não tirar os dejetos parecia até intencional. Estes riscos formavam um calendário, ou um contador de dias, talvez os dias que se passaram desde o sumiço de Derp. De alguma forma aquilo me afetou, pois eram tantos riscos, tantos dias... O sentimento de dó foi inevitável, mas mesmo com o coração pesado, o cansaço finalmente venceu, e no instante em que deitei na cama, dormi profundamente.

    – Desossa, acorda! Já está ficando tarde! Desossa, Desossa!?!

    A voz ganhava profundidade em minha mente, até que acordei, depois de muitos gritos consecutivos. Richard me ajudou a levantar, tentando visivelmente evitar ao máximo olhar para a parede riscada:

    – Dormiu como um bebê, quem dera eu fosse assim! – Dizia ele às gargalhadas – Vamos, temos um longo dia pela frente!

    Resmunguei algo como “longo dia, hmpf”, e vesti minha armadura de couro por cima de minhas vestes de dormir, logo depois pegando minha mais nova aquisição: A espada da missão do Minotauro. Descendo as escadas, Richard começou:

    – Você deve estar se perguntando aonde vamos, não? Claro que sim! Pois bem, hoje vamos ao nordeste da ilha, o único lugar que ainda não vaguei por completo, pois é o mais perigoso.

    – Mas você é um ótimo guerreiro, suas lanças são afiadas, com certeza você aguenta seja lá o que estiver habitando lá!

    Richard riu discretamente:

    – Eu confesso que não tenho coragem de ir sozinho, mas agora tenho você para me acompanhar. E outra coisa, eu andei pensando sobre a explosão, e cheguei a uma conclusão... – Ele prendeu o ar para falar, resolvi não interrompê-lo – Você é estranho!

    Você é estranho? O que ele quis dizer com “você é estranho”? Eu esperava alguma revelação ou algo do tipo, mas essa frase foi tão absurda que resolvi retrucar:

    – Eu sinceramente nem sei o que aconteceu, pra falar a verdade não faço a mínima ideia do que aconteceu, eu apenas sobrevivi! Mas enfim, aquela escada deve ser o nosso destino, não? – Minha cabeça esquentou rapidamente.

    Richard balançou a cabeça, e em instantes passamos pela escada que dava acesso ao lado selvagem da ilha. Um pensamento imediatamente transpareceu em minha mente:

    – Por que esse lado ainda não foi dominado pelos guerreiros que ficam no centro da ilha?

    Richard parou para pensar, ficara surpreso com a pergunta. Logo depois, riu e balançou a cabeça:

    – Quer a verdade? Não sei. Algumas partes desta ilha, como ali – João apontou para um vasto campo à nossa esquerda – Poderiam ser perfeitamente domadas e habitáveis... Mas talvez as pessoas mais velhas daqui, os vendedores, queiram deixar intacto o lugar para jovens aventureiros como você desbravarem e descobrirem suas forças.

    – Boa explic.... – Richard interrompeu sacando suas lanças e me empurrando para trás:

    – CUIDADO, LOBOS!

    Saquei imediatamente minha espada, e com um desajeitado golpe (me atrapalhei, pois estava acostumado com um peso menor) consegui cortar a orelha de um dos cinco lobos que nos cercavam naquele instante.

    – Pelos sóis da manhã, como você traz tanto azar contigo? Alguém tramou uma armadilha para quem viesse para cá! Tome cuidado! – Richard falava enquanto acertava lanças em qualquer lobo que se dispunha em sua frente, uma destas pontiagudas foram para longe.

    Uivando de dor, mas ainda com raiva e mostrando seus dentes amarelos e pontiagudos, o Lobo tentou pular em mim, mas consegui evitar a mordida gingando minha espada para o lado, o que causou sua queda. Aproveitando a situação, tentei fincar minha espada contra ele, mas por algum milagre o selvagem se colocou para o lado, deixando minha espada rente ao chão. Totalmente desprotegido, dei alguns passos para trás, até chegar perto de Richard, que estava de costas para mim, cuidando de parte da alcateia. Com um rápido movimento, me virei para ele e roubei uma de suas lanças, e quando me virei de volta, o lobo já estava aos meus pés, pronto para dar o bote. Consegui me aprontar e por fim cravar a lança no pescoço do bicho, que caiu morto. Mais a frente, mais dois lobos vinham sedentos por sangue, de cara percebi que não íamos dar conta:

    – Richard, mais lobos! Vamos fugir, senão morreremos! – Minha voz saiu mais amedrontada do que eu queria.

    – Vamos, por ali! – Ele apontou para uma pequena mata, um pouco a frente.

    Em seguida, corremos na direção dela, os lobos logo atrás. Aos poucos árvores de outono despejavam folhas secas por cima de nossas cabeças, o vento ficou mais frio, mas o sangue corria quente por entre a mata. Os barulhos diminuíram, mas não cessaram, e por um momento vi algo verde se mexendo entre algumas folhas. Richard percebeu o mesmo, recuando o mais longe possível do barulho. Eu ia indagar minha opinião sobre o vulto, mas logo as mãos ásperas do meu amigo encobriram minha boca, os olhos arregalados queriam dizer algo. Pouco depois, ele soltou a mão, e sorrateiramente disse:

    – Aranhas... Por aqui.

    Agachados entre o plantio seco, adentramos mais pela mata, tomando cuidado extremo para não fazermos barulho. Outro campo já estava visível, já estávamos saindo da pequena gruta, quando um esguicho de uma aranha me assustou, e involuntariamente pisei em uma grossa folha quebrada. O barulho percorreu pelo mórbido silêncio do local, e lentamente várias aranhas verdes saíram de seus esconderijos, nos observando com seus vários olhos. Richard engoliu em seco e se levantou, me puxando para eu fazer o mesmo:

    – VAMOS!

    Corremos para o campo aberto, e novamente o céu limpo apareceu, a ventania morna de uma tarde perfeita de outono nos acobertava. Uma grande pedra foi nossa bênção para nos escondermos, o que aconteceu com êxito, depois de uma correria desenfreada:

    – Este dia está sendo mais longo do que o imaginado, não? – Desabei enquanto limpava meu suor.

    Richard fungou algumas vezes, parecia sentir um cheiro esquisito. Logo depois se levantou, e colocou a mão no chão, cheirando-a depois. Sua feição foi para assustada em pouco, e logo se virou para mim:

    – Desossa, olhe para o chão na sua frente...

    Realmente, um rastro dava a volta na grande pedra em que estávamos apoiados:

    – Agora olhe para o local onde estamos.

    Levantei-me, apoiando na pedra, mas minha mão deslizou e eu caí, batendo o maxilar contra a grama. Virei-me, com muita dor, e observei a mão que escorregou, e logo depois para o rastro deixado:

    – Richard... Isto é sangue!

    Minha observação soou alta demais, e de prontidão um grito sofrido cortou o céu: Alguém nos ouviu, e esse alguém precisava de ajuda urgentemente.




    Última edição por Mano Mendigo; 02-08-2013 às 15:38. Razão: novo capitulo

  7. #27
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    Ei, Mendigo! Ótimo capítulo! Quem será esse 'alguém' que precisa de ajuda? Será João?
    Bem, espero ansiosa pelos próximos! Não deixe de escrever!

  8. #28
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    E aí, bro!


    Fiz um comentário ontem, mas não funcionou, culpa desse cel troll.

    Gostei do capítulo e da narrativa. Apesar de eu achar que nele está tendo pouco humor e mais drama, tal como os riscos no quarto de cima da casa do Richard, acho que se mantém como o de antes, só com uma boa diferença na escrita.

    Fiquei curioso com quem está precisando de ajuda. Quem será? Será o Derp?

    Continue aí, aguardo o próximo capítulo!

    ~Carlos



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  9. #29
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    Citação Postado originalmente por Swettie Ver Post
    Ei, Mendigo! Ótimo capítulo! Quem será esse 'alguém' que precisa de ajuda? Será João?
    Bem, espero ansiosa pelos próximos! Não deixe de escrever!
    Bom, isso você verá no próximo capítulo... E não vou deixar, não!

    Citação Postado originalmente por CarlosLendario Ver Post
    E aí, bro!


    Fiz um comentário ontem, mas não funcionou, culpa desse cel troll.

    Gostei do capítulo e da narrativa. Apesar de eu achar que nele está tendo pouco humor e mais drama, tal como os riscos no quarto de cima da casa do Richard, acho que se mantém como o de antes, só com uma boa diferença na escrita.

    Fiquei curioso com quem está precisando de ajuda. Quem será? Será o Derp?

    Continue aí, aguardo o próximo capítulo!

    ~Carlos
    Você, que leu a outra história, vai ficar mais espantado ao ver quem é, hehe. E obrigado pelos elogios, creio que o humor agora só será colocado em momentos oportunos!


    E agora, vamos ao cap!


    Capítulo 8 - Para onde o rastro nos levou


    Richard estava tão focado em seguir o rastro de sangue que acabou por não ouvir o grito, que parecia vir de trás da rocha. Felizmente (ou não) a grande mancha que contornavam a pedra ia diretamente ao local, e meio que involuntariamente meu amigo a seguia. Sem pestanejar, fui atrás, atento a qualquer barulho. Resolvi por não atrapalhar a concentração de Richard, e só fui o seguindo, o dando cobertura, afinal as aranhas poderiam estar ali ainda. Depois de alguns passos rentes ao rio que cerca a ilha, o rastro foi sumindo, até desaparecer completamente. A pedra ainda encobria boa parte da vista, só conseguíamos ver parte do vasto campo que jazia em nossas frentes. Richard parou, parecia decepcionado, e começou:

    – Se há algo que aprendi durante minhas buscas, é que esses tipos de caminhos não nos levam a lugar algum. – Richard pestanejou, seu tom era amargurado.

    – Olha, pode haver exceções – Estava prestes a contar sobre a voz misteriosa – Quando ainda est...

    Um grito, de timbre idêntico ao primeiro, novamente percorreu por toda a extensão de onde estávamos. Dessa vez ele ouviu com clareza, e prontamente sacou uma de suas lanças. Sua reação exasperada fora justificada instantes depois do choque:

    – Essa voz... Ela é familiar!

    Na hora só pensei em uma pessoa: Derp. Seria essa a voz dele?

    – Então só pode ser ele, só pode ser Derp! – Indaguei, cauteloso para ouvir a resposta.

    – Não, infelizmente não... Mas essa voz é completamente familiar... Ela veio por aqui, vamos.

    Saquei minha espada, e novamente segui os passos daquele que conhecia a voz, e depois de alguns metros percorridos todo o horizonte era visível, e algo rapidamente chamou nossa atenção: No centro do gramado, vários buracos decoravam a vista, um deles estava aberto, e havia muito sangue disposto entre ele. Sem dizer palavra, corremos até lá, e abruptamente descemos as escadas, caindo na terra dura e como de praxe: ensopada de um líquido espesso e vermelho. O lugar poderia ser perfeitamente um breu infinito, se não fosse pela tocha de um dos guerreiros que jazia no chão. Mais ao lado deste, havia um pequeno corredor, e lá estava o problema:

    – Ei, vocês! Ajude-me, estou cercado!

    E realmente ele estava, uma aranha desferia golpes ferozmente por trás, e pela frente, ao nosso lado, uma aranha maior e de cor alaranjada também o castigava.

    – Desossa, tome a frente, eu fico aqui atrás!

    – Tem certeza? – O medo começava a bater na porta.

    – Vá! – Richard se posicionou pronto para atacar.

    Percebi que o guerreiro estava morrendo logo à nossa frente, e de repente todo o medo expirou. Corri com a espada levantada, e o primeiro golpe deslizou lentamente por entre a carcaça do inseto, que mesmo perante a dor não sucumbiu, mas se virou contra mim. Nunca, nem mesmo na morte, vou esquecer-me daqueles olhares cintilantes e penetrantes, as presas preparando dardos venenosos lentamente como se os tricotasse. O jovem ferido lutava por sua sobrevivência, estancando um sangramento sério localizado na parte intestinal do corpo, mas a aranha menor ainda estava viva, e o atacando com mordidas que faziam o sangue esguichar para fora do corpo sujo, ensopando toda a couraça. Richard teve que pensar rapidamente em quem salvar, e sua atitude sensata em proteger quem estava mais debilitado provavelmente salvou o jovem, a lança passou rente e pontiaguda como sempre por entre o corredor pequeno e nós. Com a aranha morta, sobrou apenas uma: a maior, e a que estava prestes a me atacar.

    Prevendo o acontecimento a seguir, tentei gingar a lâmina para bloquear os dardos venenosos, mas por muito pouco errei, e este erro me condenou. Sentindo minhas pernas queimando como um ácido fulmina o ferro, caí, sentindo muita dor, mas ainda prestes a lutar. Com a sensação de queimação subindo e ficando paralisado, tentei uma última investida contra o inseto, e o resultado não foi muito desanimador: duas patas cortadas. Mesmo assim, o veneno subia cada vez mais, e por sorte Richard conseguiu finalizar a aranha antes que ela desse outro bote. Ele não tardou a se aproximar, e vendo os estragos ficou bastante preocupado, mas conseguiu disfarçar:

    – Bom, pelo menos você não foi raptado. – Consegui rir sofregamente - Vamos, se apoie na parede, vou verificar o nosso colega ali.

    – Que seja alguém conhecido, de preferência. – Consegui sussurrar, ainda sufocado pelo envenenamento.

    Ouvi os passos de Richard se afastando, a ansiedade descrevia o sentimento dele naquele momento. Não obedecendo meu amigo, me desencostei da parede para espiar pelo corredor, conseguindo pegar o momento em que Richard abraça fortemente o jovem, que muito sangrava. Habilidoso, ele empunhou sua mochila e começou a revirá-la, não achando muito além de ouro e frascos de vidro vazios. Com raiva, jogou os objetos para longe, e se virou novamente em minha direção. Retomei ao meu lugar em tempo suficiente para que ele não percebesse:

    – Precisamos de comida, para ele e para você – Arfando pela corrida, Richard desabafava.

    – Quem é ele? – Ainda estava curioso, queria saber se aquele garoto era confiável.

    – Ele... Lembra-se da história que te contei, sobre Derp?

    – Ora, como não lembraria algo tão sério?

    – Pois bem, eu contei que Derp tinha um irmão?

    O choque não tardou a vir: Aquele guerreiro ferido era nada menos que o irmão de Derp. Richard percebeu meu espanto, e se apressou:

    – Certamente que não contei. Pois bem, depois de tudo isso, você terá uma longa história para ouvir, mas agora vou encher essa mochila aqui com suprimentos – Richard balançava o objeto marrom que se encontrava vazio.

    Assenti, afinal não havia muito que fazer. Finalmente o efeito do veneno havia desaparecido, mas eu estava bem cansado, meus músculos ainda tremiam, minhas pálpebras se fechavam espontaneamente. Pela coloração de luz da superfície refletindo ao chão por meio do buraco, deduzi que já anoitecera.

    Com mais disposição (mas ainda assim bem pouca), consegui espiar pelo corredor, observando o guerreiro tentando se deitar lentamente, urrando de dor. Sua pele era bem clara, provavelmente mais do que o normal naquele momento, e seu cabelo era parecido com João: preto e pouco curto, ligeiramente mais encaracolado e longo que o do meu amigo. Não consegui ver muito mais que isso, e resolvi voltar ao meu lugar e tentar descansar um pouco.

    ~~

    Um foco de luz diferente literalmente queimava à minha frente, e vozes sérias conversavam, pelo jeito tentando falar baixo.

    – Ei, que isto? – Meio atordoado, tentei me levantar.

    Richard se levantou instantaneamente, e logo meu ajudou, sua feição era descontraída, parecia ter saído de uma linda tarde de piquenique com a família:

    – Enquanto você estava dormindo eu montei esta fogueira, e consegui depois de muito esforço te alimentar.

    – Mas... Uma fogueira? Em uma caverna fechada? E se alguém vier aqui? E como você enfiou comida goela abaixo em mim seu eu acordar?

    Ele riu, e fez sinal para eu sentar perto da fogueira. Meu corpo respondeu bem à minha caminhada, eu já estava melhor. O irmão de Derp estava sentando, observando toda a cena com um sorriso aberto, parecia estar se divertindo com minha demência pós-sono. Richard se apressou para sentar, e começou:

    – Muitas perguntas, em? Vou tentar responde-las. Sobre a fogueira aqui, eu não sei de que fumaça você está falando, mas eu entendo sua confusão.

    Uma luz se acendeu em minha mente: Eu não estava no mundo antigo, eu estava aqui, em Rookgaard, e as coisas aqui são diferentes, inclusive o fogo, que não solta fumaça.

    – Eu atraí aquelas aranhas que estavam nos perseguindo para a entrada, que neste momento está infestada. Nenhum aventureiro vai querer passar por todas elas, pois além de tudo o buraco está tampado, veja. – Todos os olhares se voltaram para cima – E sobre a comida, eu estava brincando! Apenas o fato de você dormir um pouco já te fez melhor... Então, ainda tem dúvidas sobre algo?

    A pergunta fora tão óbvia que tentei fazer uma careta que demonstrasse isso, e acabou dando certo: Richard se lembrou de que havia outra pessoa na caverna:

    – Ah, claro, como me esqueci de te contar sobre o irmão de Derp... Pois bem, cumprimentem-se!

    O guerreiro se levantou, estava bem melhor e mais corado que antes, e estendeu seu braço, sempre com um sorriso na cara:

    – Prazer, Dário.

  10. #30
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    Opa, li os dois capítulos agora.

    Tõ gostando bastante, e estou muito curioso pra saber o que aconteceu com o João. Sua escrita é muito boa, parabéns!

    Só sinto falta do humor que a série possuía antes, =/

    Abraços!

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