Segue o capítulo III, galera. Aproveitem e comentem.
Capítulo III: Surpresas no Porto da Esperança (Parte 3)
Fazia algum tempo que eu vagava pelas desabitadas ruas do centro da cidade e não encontrava ninguém. Pensei em ir até a taverna de Clyde e pedir hospedagem para mais um dia. Um sentimento estranho me tomou e preferi desistir da ideia. Pensei também em Angus, certamente o mesmo me acolheria, porém, após o ocorrido com aquele sujeito, fiquei com vergonha de me aproximar. Eu estava pensando em ingressar na Sociedade de Exploradores, mas vendo como são os homens daquela sociedade, me desanimei um pouco. Também, Angus e os demais devem ter ficado surpreendidos com minha irritação e ignorância.
Sem opção do que fazer e muito cansada, encostei-me na parede de uma pequena casa, aparentemente desabitada. Uma senhora apareceu.
—Ei, menina! Ei! — Ela me chamou energeticamente.
— Boa noite, senhora.
A senhora me avaliou alguns instantes, então enxerguei em seu rosto um profundo corte e me assustei um pouco. Além disso, a senhora vestia-se de maneira muito parecida comigo. Seus cabelos eram longos e loiros e logo me desanimei: druidas, geralmente, são morenas.
— Você está sozinha? Tem lugar para passar a noite? — Perguntou friamente.
— Sim, estou sozinha. Infelizmente, não tenho onde ficar. Eu estava encostada na parede de sua casa e, se não se importar, gostaria de saber se pos...
— Não tem problema. Vamos, entre — disse me interrompendo.
Entrei no pequeno casebre da senhora, que não parecia tão velha para ser chamada assim, e notei muitas coisas ali que me deixaram, digamos, à vontade. Cabeças de ursos e lobos entaladas, um pequeno, porém macio e original tapete de urso branco e muitos, muitos livros. A casa era muito simples, havia apenas um fogareiro em um canto junto com alguns utensílios de cozinha e duas redes. O fato de haverem duas redes me incomodou um pouco, mas não estava em condição de negar hospedagem, não naquele momento. Percebi, ainda, que interrompi a leitura da senhora: um pequeno livro na mesa de madeira denunciava que a dona do casebre estava lendo.
— Er... Desculpe se interrompi sua leitura.
— Tudo bem, não se sinta mal por isso. Eu não estava com sono mesmo — nesse instante, notei um breve olhar de preocupação daquela mulher, que quando mirou em meus olhos, sorriu: — Como se chama?
— Eu me chamo Swettie. E você?
— Meu nome é Kea. Prazer em conhecê-la! Aceitaria um chá?
— Claro. Estou com muito frio.
Não sei o porquê, mas algo naquela mulher me chamou atenção e de forma muito rápida gostei dela — coisa nada comum.
— Então... Swettie. Percebo que é uma druida, ahn? Nada mal. Mas você nem se parece uma! Demorei a perceber.
Aquelas palavras me deixaram em alerta, apesar de mal conhecer Kea, a mesma já disse as palavras certas no momento errado e passei a ficar na defensiva:
— Também imaginei você como uma druida, mas ora, druidas loiras? Então voltei a realidade — falei sendo um pouco irônica.
— Existem muitas druidas loiras sim, jovem. Você se engana achando existem apenas druidas morenas. Mas não quero falar sobre isso agora — percebi um olhar duro — Você se importa em dormir nessa rede?
Olhei para aquela rede, que parecia já ter sido usada por outrem. Tomei coragem e perguntei:
— M... Mas essa rede não é de ou... outra pessoa?
— Não — seu tom falhou e olhei-a longamente — Pode ficar tranquila. Eu moro sozinha.
Desconfortável, fui me deitar naquela rede. Porém, devido ao cansaço, não hesitei e dormi, até alguns feixes da luz do sol me acordarem.
Ao abrir os olhos, lentamente, me encontrei em um lugar desconhecido. Demorei a me acostumar com o lugar onde estava, até que ouvi uma voz feminina:
— Olá. Bom dia, jovem druida — era Kea, que com um sorriso maternal veio me acordar. — Está na hora. Preciso caçar. Você vai ficar aqui?
— Você se importaria, senhora?
— Não, fique o quanto quiser. Adeus.
A mulher abanou com a cabeça e saiu. Consegui ver Kea se retirando e então me surpreendi: em suas mãos, haviam enormes lanças encantadas. Ainda consegui ver um arco dourado e algumas flechas também encantadas que a mesma levava na mochila. Descobri que Kea era paladina.
Aquela descoberta teve um grande efeito em mim e lembrei-me do bilhete que havia encontrado em minha mochila, ocasionalmente, dias atrás, no bar de Clyde: “Vá ver as Amazonas. Elas vão lhe ensinar a ser uma grande paladina. Assinado: alguém que se preocupa com você.” Lembro-me ainda de procurar alguma coisa dentro da mochila que pudesse completar a informação. Ora, eu já era uma Druida. Como tornar-me uma paladina? Fiquei confusa com a situação e preocupada com o bilhete.
— Espero encontrar uma resposta para isso — pensei alto.
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
https://taleon.online







Curtir: 




Responder com Citação


