Não descarto a eficácia da doutrina. Mas na minha opinião, isto é se enganar. Os doentes terminais usam a morfina para aplacar seu sofrimento e os doentes da "alma" usam filosofias como esta para escamotear seus descontentamentos. Não é muito diferente de uma droga.
Já foi comprovado cientificamente que podemos alterar nossos padrões neurais de forma a suprimir o sofrimento e exarcebar a felicidade. Quando eu estou triste, por exemplo, eu jogava. Era uma ótima forma de esquecer as agruras. O problema é que você passa a ficar dependente, vez que você saberá que todas as vezes que estiver sofrendo, lá estará o tal Seicho-No-Ie para por fim a ele. Você prefere viver em função da mentira (atalho mais fácil), a ter que viver em função da verdade (o atalho mais difícil), se é que esta dita filosofia tem esse dom milagroso de suprimir, sem deixar vestígios, a verdade.
Seicho-No-Ie pode cumprir com maestria o papel a que veio desempenhar, mas será que não vale mais a pena viver em função da verdade? Quando você aceita a verdade, por mais cruel que ela seja, você assume o controle da sua vida. Não será dependente destas muletas religiosas, filosóficas ou seja lá o que for. Conforme eu disse, o caminho da verdade é o atalho mais difícil, mas em contrapartida é recompensador ao final. Já o caminho da mentira é o mais fácil, mas em contrapartida não é tão recompensador quanto o caminho da verdade.
Dois pesos, duas medidas. O catolicismo poderia muito bem me confortar diante dos infortúnios da vida, eu poderia aceitar, resignado, as provações a mim impostas como uma prova de fé ao Pai. Poderia negligenciar a razão e simplesmente seguir os ditames religiosos por pouparem-me do trabalho de pensar.
Contudo, uma pergunta, singela, é verdade, fez toda a diferença em minha vida. E essa pergunta foi: Por que? Mas não basta perguntar, você precisa render-se à epistemologia afim de encontrar respostas. E aí o nevoeiro que me impedia de enchergar a verdade foi dissipado.
Dois pesos, duas medidas. O caminho da verdade me pareceu mais atraente, embora o caminho da mentira fosse o mais sedutor. Escolhi o caminho da verdade.
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Cara, hoje eu poderia estar jogando Tibia, Ragnarök, Combat Arms e tantas outros jogos que a mim foram um verdadeiro atraso de vida, ou melhor, o caminho da mentira. Esse meu comportamento de suprimir a verdade, tornando-me vassalo da virtualidade, foi uma forma de suprimir a dor. E é por isso que algumas pessoas caem no mundo das drogas e das bebidas, para suprimir sua dor. A diferença é que render-se a drogas e bebidas piora a situação do indivíduo, o "barato" é só fachada. Do que adianta se viciar se depois você terá que submeter-se a furtos, homicídios e latrocínios para no fim acabar em uma cadeia ou em um "centro de reabilitação"? É uma viagem só de ida ao Inferno.
Minha doutrina de vida? A verdade. Hoje eu estudo praticamente tudo: de Matemática a Psicologia. Mas dou ênfase ao Direito, que é minha área de concentração. Mas eu não exercito a mente, mas o corpo também. O desenvolvimento intelectual automaticamente lhe indica que o desenvolvimento corporal é um dos requisitos para a felicidade, se você busca "amor". E porque tudo isso? O conhecimento é o instrumento teórico para a consolidação da prática. Vertendo a teoria à prática, você galga em direção à tal coisa que chamam de felicidade. Verdade, ficar disperto para a verdade é um impacto colossal na tua vida, afinal de contas, você passa a ver o quão imperfeito e degenerada é a criação humana. Não me espanta, vez que deus nos fez sua imagem e semelhança. Concordo em grau, número e gênero.
E é aí que começa a luta contra a sua parte emocional contra a sua parte racional. O lado da emoção lhe diz que as pessoas ainda são dignas de confiança, que elas só precisam de um empurrãozinho para largarem a mão de serem tapadas. O lado da razão lhe diz que essa confiança será sua ruína. E com a vivência você tira a prova dos nove e constata que a razão tinha toda a razão (com o perdão do trocadilho).
É quando você aceita o seu sofrimento e busca tipificar-se aos padrões sociais. E o que são os padrões sociais? É grana, é moral, é respeito, é impor medo, é ter poder, é ser narcisista, belo, egoísta, frio, racional. Foi-se o tempo do sujeito com um florim encarapitado no artelho superior, com uma caixa de bombons sob os nefastos efeitos da osmose axilar e uma legião de mancebos a arranhar uma sereneta de amor ao pé da janela da amada. Algumas vezes você tem tudo isso de mão beijada, outras, você tem que ralar. Quando você obtem isso, você terá obtido a felicidade.
Leirbag, uma cena do filme "Matrix" cai como uma luva neste tópico. O Morfeu oferece ao Neo duas pílulas: uma azul e uma vermelha. A azul, lhe mostra o mundo da verdade. A vermelha, lhe mostra o mundo da mentira.
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Temo que você tenha optado pela vermelha.