Como a maioria dos brasileiros, cresci numa família católica-apostólica-romana-não-praticante que frequentava a missa de vez em quando. Quando era pequeno não existia palavra mais irritante de se ouvir do que "pecado" e tinha a idéia de Deus como um pai chato que da castigo a criançinhas que brincam com a comida e que se ofende quando se zoa as musiquinhas do padre marcelo. Durante a adolescência fui cético, e Jesus Cristo para mim era só um homem digno de pena que morreu dizendo que ia salvar o mundo o qual nunca encherguei salvação nenhuma. Era, como alguns chamam, "ateu fraco", ou agnóstico, não sei bem.
O que posso me lembrar daquela vida de 2 anos para atrás é algo muito nebuloso, eu tinha em mim um vazio interior muito grande, uma espécie de fome que eu jamais pude alimentar, sempre na esperança de que seu alimento se encontrava em algum lugar desse mundo. Olhando hoje, pela rebeldia e pelas influencias ideológicas que eu tinha, não demoraria muito para eu mergulhar nas drogas, pois chegaria num ponto em que elas estariam muito próximas de mim, como estão hoje. Tenho exemplos vivos para uma derrota desse tipo que não me deixar dúvidas de que aquilo não me alimentaria também, não preencheria meu vazio incessante.
Por sorte fui "resgatado" bem cedo. Foi numa tarde tediosa em 2007, enquanto meu tempo finito nesse mundo ia diminuindo, jogava tempo fora com algum joguinho imbecil que poderia "acabar" com o meu dia se eu não fosse mais bem sucedido do que na vida real. Eu sabia que há algum tempo minha irmã mais velha e o namorado dela frequentavam um grupo cristão que as vezes fazia suas reuniões aqui em casa. Foi quando ela me chamou para percorrer absurdos 15 passos até o quintal para conhecer o que era aquilo. Lembro-me que nas duas primeiras reuniões, a distância do computador ao quintal era muito grande, e maior ainda meu preconceito. Mas um dia fui. Eu, minha cara de sono, e meu cabelo despenteado.
Trombei com um bando de jovens tão alegres a ponto de me sentir ofendido, mas aquilo de certa forma foi me chamando a atenção, e conversando com algumas pessoas descobri que eram bem legais, e que me tratavam como se eu valesse alguma coisa. Além de tudo o líder da bagaça curtia um bom rock'n roll, o que prendeu meu interesse e me fez dar créditos áquelas pessoas. Esse foi meu primeiro contato com as pessoas que verdadeiramente viviam com Cristo. Esses caras me chamaram para um acampamento cristão para não-cristãos, em julho de 2008, onde eu vivi a melhor semana da minha vida, e pude entender a mensagem. Depois de 1 ano de questionamento profundo, eu tomaria a decisão racional mais importante da minha vida. Trata-se de um Deus vivo que se prova no meu dia-a-dia, e mostra efeitos. A maior prova de sua existência são as milhares de vidas transformadas de quem o segue de coração. Não expliquei nesse post que história é essa da salvação, mas estou bem disposto a explicar a qualquer um o motivo da esperança que há em mim.
Aberto para troca de idéias :thumb: