
Postado originalmente por
Amell
Continua, djow, gostei da sua história e vou acompanhar a partir de agora.
Valeu amigo! Tá aí a continuação, espero que goste!
Demorou, mas saiu! Capítulo 3 da história de Rocky.
Capítulo III – Um Último Adeus
.......O mundo ainda estava coberto pelas sombras quando Rocky despertou. Seu sono havia sido interrompido por gritos trazidos pelo vento que soprava para o leste. Levou os olhos para a direção oeste, e viu ao longe um pedaço de terra flutuando no mar sereno. Era Calcanea. A tradicional harmonia que reinava na ilha parecia para Rocky distante, perdida há tempos. Um novo grito despertou o ferreiro de seus pensamentos, e ele percebeu que algo estava acontecendo em sua ilha. Levantou-se rapidamente, pegou sua mochila e com passos largos dirigiu-se à entrada do túnel que o levaria para Fíbula.
.......Cerca de uma hora havia passado quando o jovem finalmente atingiu o pequeno monte de pedras que escondia a entrada para o túnel. Atravessou-o rapidamente e chegou a Fíbula. A ilha era bela, com grandes casas. Uma espécie de refúgio dos ricos moradores de Thais que buscavam mais segurança e tranqüilidade, duas qualidades improváveis de se conseguir na capital.
.......Os gritos que despertaram Rocky agora estavam muito mais próximos. Ia entrando no túnel que o levaria à Calcanea quando viu saindo dele Bella, a única garota da ilha. Era jovem ainda, possuía dezessete anos. Ela era baixa para os padrões de Rocky, seu rosto era considerado bonito pelos outros garotos da ilha, porém o ferreiro nunca se encantou com ele. Seus cabelos eram loiros, assim como os cabelos de sua avó Suzy costumavam ser. O ferreiro não era muito chegado à família, porém sempre simpatizou com a menina. Naquele momento, porém, seu semblante era dominado pelo desespero. Gotas de suor caiam de sua fronte, e seus belos cabelos dourados estavam desarrumados. Vestia o que para Rocky pareciam roupas de dormir, que estavam manchadas de barro fresco em vários pontos, denunciando que a jovem havia ido ao chão na última hora. Seu corpo inteiro tremia, e seus olhos a todo o momento se voltavam para a escuridão da passagem subterrânea. Quando reconheceu o ferreiro, um misto de surpresa e alegria apareceu em sua face.
.......― Rocky, você... O que... Como você... Está vivo? ― Balbuciou Bella.
.......― Vivo? Acalme-se. Do que você está falando? ― Indagou Rocky, sem entender o que a garota dizia.
.......― Calcanea... Um monstro... Matou minha avó.
.......Um arrepio correu pela espinha de Rocky ao ouvir essas palavras.
.......― Um monstro em Calcanea? Como?
.......― Ele surgiu... Durante a madrugada. Eu acordei... Gritos. Minha avó correu comigo... O monstro a alcançou. Caí no chão. Dollerius chegou e atacou a criatura. Eu fugi ― narrou a garota, já recuperando seu fôlego.
.......Sem dizer mais nenhuma palavra, o ferreiro agarrou sua espada e seguiu pelo caminho escuro.
.......O ar estava impregnado com o cheiro de sangue. Rocky se aproximava rapidamente da saída do túnel. Sua espada tremia em sua mão. O sangue circulava rapidamente pelo seu corpo. Imagens de diferentes tipos de demônios passavam por sua cabeça. Pensou no que seu pai faria. Será que Alan fugiria, largando todos para trás? Será que o condenaria se largasse seus amigos ali, para a morte certa?
.......Rocky sempre havia tido facilidade no manuseio de espadas, mas nunca combatera nada que apresentasse perigo maior do que um urso. Imaginando o que poderia encontrar na ilha, saiu do túnel.
.......O sol já se aproximava do ponto mais alto no céu. Levando sua espada sempre a frente de seu rosto, Rocky caminhou lentamente para o centro da ilha. Algo grande havia acontecido ali. O rapaz nunca havia visto sua terra natal tão desorganizada. Mesas que eram usadas nos grandes banquetes e festas estavam caídas. Grandes manchas de sangue estavam maculavam as pedras do calçamento. Uma tocha apagada repousava ao lado de um escudo de madeira destruído. A grande porta da entrada da casa de Ardock, que ficava próxima ao centro, estava destruída, assim como uma parte da parede adjacente, denunciando que uma criatura de força e dimensões colossais havia forçado sua entrada.
.......Sem relutar, Rocky correu em direção à casa. Deveria ajudar aquele que o tomara sob seus cuidados desde que seu pai fora embora. Ao entrar na casa, lágrimas escaparam de seus olhos. Ardock estava deitado no chão de sua sala, e sua espada repousava ao seu lado. Uma grande poça de sangue se acumulara em baixo do corpo do idoso, provavelmente originado de um ferimento profundo em seu ombro esquerdo. O ferreiro chegou mais perto do corpo inanimado que ali jazia. Olhou para a espada, e se lembrou de todas as aventuras que já ouvira o idoso narrar. Pensou em quantas outras ele havia vivido, mas que ainda não contara ao rapaz. Agora ninguém mais as ouviria. O contador de histórias havia se calado para sempre.
.......Lágrimas escorriam pela face de Rocky. Seu melhor amigo agora estava morto. Um grito de desespero vindo de longe não foi suficiente para tirar o ferreiro de seu lamurio. Sua terra natal estava sendo destruída por um ser desconhecido. Um novo grito foi trazido pelo vento. Com sua mão esquerda retirou a espada de Ardock do chão. Parecia ser a voz de Eddy. Rocky deixou o corpo de seu tutor ali, e foi ajudar seus amigos.
.......Com passos apressados, Rocky foi em direção dos gritos, que pareciam ter vindo de sua forja. Não fazia a menor ideia de o que faria quando encontrasse a besta. Sabia apenas que teria que fazer algo.
.......Quando chegou à sua forja, não acreditou no que seus olhos viam. Era uma criatura gigante, com pêlos escuros cobrindo todo seu tronco. Quatro pares de patas rajadas em tons de amarelo e vermelho deixavam o enorme corpo do animal suspenso no ar. A besta estava de costas para Rocky, guerreando contra alguém que estava em sua frente. Enquanto o ferreiro ainda pensava em o que faria, a invasora conseguiu arremessar o corpo daquele que se opunha a ela pelos ares. Um grito escapou da garganta de Rocky ao reconhecer que aquele era Eddy. Seu corpo já sem vida caiu do lado da fornalha dos anões.
.......Ao ouvir o grito de Rocky, a fera se virou para o ferreiro. Quatro olhos que ardiam em uma chama amarelada encararam de maneira assustadora o jovem. De sua boca saiam duas presas, que estavam encharcadas com uma mistura de veneno e sangue. Rocky não teve dúvidas de que se tratava de uma aranha. Ardock já havia contado para Rocky histórias dessas criaturas de tamanho colossal, de como elas tornavam as Planícies da Destruição um perigo mortal para aventureiros. O que essa aranha fazia em Calcanea, porém, Rocky não fazia ideia.
.......Lembrou-se então da aranha que havia matado no dia anterior. Ela havia saído do buraco que conectava diretamente o continente a Calcanea. Provavelmente as aranhas haviam feito um ninho naquele local, e crescido até proporções absurdas.
.......A aranha gigante soltou um som assustador. Rocky recuou um passo ― já pensando em correr ―, mas a imagem de Ardock morto no chão veio novamente à sua cabeça. A ideia de deixar esta criatura assassina impune perturbou profundamente o ferreiro. Ela iria pagar por toda a destruição que havia feito ali.
.......Segurando a espada de Ardock em sua mão esquerda e a sua lâmina na mão direita, colocou-se em posição de combate. Um novo grito desafiador foi proferido pela aranha, mas Rocky não se deixou intimidar. Permaneceu parado, com as duas espadas em punho, só esperando o primeiro movimento da aranha.
.......A postura de seu desafiante deixou a aranha atordoada. O medo que sua aparência causava no coração dos homens era uma de suas armas mais poderosas. Aquele pequeno humano, porém, não se deixou abalar. Nunca havia enfrentado um humano que fosse capaz de combatê-la sem temor no coração, e isso assustava a aranha. Soltou então uma porção de veneno na direção do jovem. Ele rapidamente rolou para o lado, desviando da ameaça. Enfurecida com a atitude do humano, partiu com todas suas forças para cima dele.
.......Com a espada de Ardock, Rocky impediu que uma das presas da criatura perfurasse seu peito, e, usando a sua criação, fez um corte profundo na perna da criatura. A aranha soltou um novo grito, dessa vez de dor, mas logo atacou o jovem novamente. Acertou a coxa do ferreiro com uma de suas pernas, derrubando-o, e com outra perna tentou atingir o rosto de Rocky. O garoto foi mais ágil, e conseguiu esquivar-se desse último ataque. Pôs-se de pé novamente, e com a espada de Ardock tentou perfurar o tórax da aranha. Deparou-se, porém, com uma carapaça resistente, e sua investida causou apenas um corte superficial na invasora, mas que foi suficiente para causar um sangramento na aranha. O cheiro do sangue esverdeado da aranha deixou Rocky nauseado por um período de tempo curto, mas que foi suficiente para a aranha acertar suas presas no ombro esquerdo de Rocky, inoculando veneno na circulação do ferreiro.
.......A dor causada pelo ataque da aranha foi enorme, e Rocky desabou no chão. Pensou que a luta estava perdida, conforme a aranha preparava um novo ataque, mas então se lembrou de algo. Rapidamente pegou em sua mochila uma daquelas pedras brancas que carregava consigo, e segurando-a em sua mão direita, focou seu pensamento na runa. Um pequeno brilho surgiu do desenho da gota de sangue que estava encravada na pedra, e este envolveu o ferreiro em faíscas azuis.
.......Todo o cansaço e dor abandonaram o corpo de Rocky, que se sentiu completamente renovado. Viu as presas de sua oponente indo novamente em sua direção, e sem pestanejar rolou para de baixo do abdômen da criatura, cravando a espada de sua criação com toda força. Dessa vez, sua força foi suficiente para romper a dura camada de quitina do animal, abrindo um corte profundo e extenso.
.......Uma dor lancinante percorreu o corpo da criatura. Nunca havia sido ferida de tal maneira. Aquele pequeno humano era muito mais forte e valoroso do que aparentava. Deixando todo seu orgulho e dignidade para traz, saiu correndo de volta para a escuridão do túnel do qual ela havia saído.
.......Muitos anos se passaram até que a aranha ousasse sair das trevas e andar no dia claro novamente. Seu abdômen ficou até o fim de seus tempos marcado pela espada de Rocky, uma das poucas que já haviam perfurado o duro exoesqueleto de uma aranha gigante.
.......Vendo a aranha recuar, uma sensação de alívio tomou conta de Rocky. Havia feito-a pagar pelos seus crimes com uma derrota que ela jamais haveria de esquecer.
.......Colocou as espadas em sua cintura, e começou a recolher os corpos dos habitantes de Calcanea. Todos estavam mortos, com exceção dele e de Bella, que havia conseguido fugir.
.......Passou o resto do dia cavando as covas para a velha Suzy, para o lavrador Joey e para seus dois filhos, Eddy e Dollerius. Os habitantes de Fíbula vieram, chamados por Bella, após Rocky ter terminado com os túmulos.
.......Ardock, no entanto, nunca foi enterrado. Seu corpo foi queimado em uma pira, e sua espada Rocky carregaria para sempre consigo, como uma forma de se lembrar de seu tutor.
.......Já era noite quando Rocky acabou de se despedir do velho amigo. O que seria de seu destino, nem ele sabia. Pensou em se juntar ao seu pai na guerra contra os orcs. Considerou também a possibilidade de ir para Kazordoon se tornar um mestre na forja. Não decidiu nada, porém. Sem se preocupar em fazer planos, pegou todos seus pertences e abandonou a ilha para sempre.
.......Nenhum outro humano ousou morar na ilha de Calcanea novamente. A entrada do túnel que a conectava a Fíbula foi aos poucos sendo esquecida. Após alguns anos ninguém, exceto o ferreiro Rocky Steelsoul, se lembrava mais da existência de Calcanea.
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Obrigado a todos que leram meu conto, e já pensei em um novo tema para começar a escrever. Em breve vocês verão mais histórias minhas por aqui.
Forte abraço!