Tive bastante tempo para conhecer os locais de caça da cidade, e não são poucos. Outro bilhete foi deixado para mim, dizendo que Spectulus e Charles viajaram, e que eu me encontraria com o autor dos bilhetes quando fosse dez horas da noite. Então, não me restara nada a fazer, senão explorar a cidade.
Por causa da letra ilegível de meu mapa, fui explorar uma pequena ilha atrás das montanhas sem saber que era uma base dos Orcs. Lutei bastante, mas tive de retornar. Eu não estava preparado o bastante para caçá-los. Conheci Jorn, um dos Cavaleiros da tropa de Edron. Ele me indicou um lugar repleto de Goblins, no qual fiquei bastante tempo caçando. Somente quando meus suprimentos estavam acabando, percebi que já eram nove horas, e voltei correndo para a cidade. Guardei tudo em minha casa, e fui esperar no local indicado, até que um vulto escuro me chama.
Capítulo 2: A Guerra Esquecida - Parte I: Descobertas
— Rápido, quer que ele nos encontre? — Dizia o homem, com uma voz rouca. Enquanto eu me aproximava dele, percebi que era um velho, com seus sessenta anos, mais ou menos. Ele parecia estar com medo, mas de quê?
— Acalme-se, senhor! Diga-me, de que está com medo? — Perguntei-lhe calmamente, e ele pareceu querer me dar uma bengalada na cabeça, se tivesse uma.
— Jovem tolo! Fale baixo e entre logo! — Reclamou ele, abrindo a porta dos fundos da casa ao lado da ponte. Ele olhava de um lado para o outro assustado, como se estivesse com medo de alguma coisa.
Entrei então, e ele acendeu a luz e fechou a porta, ainda tentando ver algo na escura rua.. Era uma casa bonita. As paredes tinham um tom azulado, com algumas gravuras brancas em outra língua. Um sofá verde e enorme, com um uma das almofadas em cima de uma cadeira para repousar os pés.
No meio do cômodo, havia um tapete com uma gravura do King Tibianus III, e em cima dele havia uma mesa de mármore. Um livro velho e uma pena estavam em cima da mesa, e também uma xícara, cheia até a boca de um líquido verde, parecido com o chá que meus pais preparavam quando estavam doentes, ou precisavam de um calmante.
O chão era todo feito de pedras, todas pintadas de amarelo. Parecia ser uma casa grande, mas só havia mais dois cômodos; a cozinha e o quarto. Ele foi sentar-se no sofá, repolsando suas pernas na cadeira.
— Agora estamos salvos. Que idéia é essa a sua de andar sozinho nesta hora da noite, principalmente hoje? Não sabe que todo domingo, o assassino das montanhas vem para a cidade, e quase sempre consegue raptar uma pessoa? — Dizia o velho, olhando para a janela fechada. — Aposto que não. Parece ser novo por aqui.
— Sim, eu cheguei nas cidades faz poucos dias. Agora, conte-me mais sobre esse tal assassino. — Eu tentava disfarçar o meu espanto, pois eu ainda não acreditava que o dono dos bilhetes queria que eu ficasse lá fora, enquanto havia um assassino por aí. Agora eu duvidava de suas intenções.
Tivemos uma longa conversa, e o velho quase dormirá umas cinco vezes. Ele me contou que, há algum tempo, as pessoas começaram a desaparecer nos domingos. Muitos saíam para passear, caçar, e poucos voltavam. Algumas semanas depois, dois guardas conseguiram ver uma pessoa levando um casal para cima da montanha. Os guardas não conseguiram seguir a pessoa, mas conseguiram escutar os gritos do casal. Uma gota de sangue tinha caído na face de um dos guardas, e isso era o bastante para o governador proibir que qualquer pessoa andasse pelas ruas nas noites de domingo.
Desde então, muitos guardas foram postos nas saidas e entradas da cidade. O velho me dissera que os desaparecimentos tinham parado faz algumas semanas. Mas no domingo passado, quatro guardas haviam sumido, e o local que eles patrulhavam era bem ali, onde eu estava! Nesse ponto, o velho finalmente dormiu.
— Agora eu não sei se posso confiar nessa pessoa, eu poderia ter sido raptado por esse assassino hoje mesmo, e tudo por causa dessa maldita pessoa. Queria ter uma conversinha com o "bilheteiro", e esclarecer algumas coisas. — Murmurei para mim mesmo. Eu não sabia se ficava com raiva ou com medo, pois meus pensamentos iam de uma história para outra.
No final, eu resolvi abrir a janela e olhar para a rua. Puxei lentamente um lado da janela e dei uma olhada na rua. Nada vi. Eu ia fechar a janela, quando vi duas figuras negras indo na direção da Ivory Tower. Naquele momento, pensei que eram Spectulus e Charles, então saí da casa sem acordar o velho, e segui os dois vultos.
Eles andavam depressa, e enquanto eu subia as escadas da torre, eles já estavam na sala central. Cheguei a tempo de vê-los subir as escadas, e já não tinha dúvidas de quem eram. Eu ia correr atrás deles e pedir uma explicação, quando ouvi eles conversando.
— Quando começamos, Peter? — Disse um, tentando fazer um sussurro que mais pareceu um rosnado.
— Em breve. Fique quieto, ou alguém nos escutará. Vamos esperar um pouco, Jone já deve estar chegando.
Estranhei essa conversa, então subi alguns degraus para ver quem eram esses seres. Olhei para as duas figuras, e vi dois homens vestidos de verde, cada um com um capuz marrom na cabeça. Eram os Caçadores que viviam nas florestas. Um segurava uma jarra enorme com as duas mãos, e o outro dois grandes gravetos, que mais pareciam um galho arrancado de uma árvore.
— Não podemos mais esperar, e se o mago chegar?
— Está bem, está bem. Jogue o óleo em tudo!
Rapidamente percebi suas intenções, e, com meu Cetro da Luz da Lua na minha mão esquerda, e minha adaga em minha mão direita, congelei um dos caçadores e prendi o outro, com a adaga encostada em ceu pescoço.
— Boa noite, o que faz por aqui numa hora dessas?
— Solte-me agora, ou você não vai ver o amanhecer! — Ele tentou me dar uma cotovelada na barriga, mas desviei e o congelei também. Ouvi um barulho no andar de baixo, e me escondi atrás das cadeiras.
Um homem alto, pouco maior que eu, subiu as escadas. Trajava as mesmas roupas que os outros caçadores, mas tinha um arco, pronto para desparar, mirando o primeiro caçador que congelei.
— Essa não! — Ele abaixou o arco, e olhava espantado para os dois. — Incompetentes, arruinaram o plano!
Ele andou para o meio da sala, e com um salto, me posicionei atrás dele, segurando-o e mantendo a adaga em seu pescoço.
— E que plano seria esse? — Perguntei-lhe, pronto para qualquer resposta ofensiva que ele poderia dar.
— Nós pretendíamos queimar tudo aqui. Fomos enviados para destruir o trabalho do mago chamado Spectulus.
— Quem enviou vocês? — Perguntei novamente, e ele fez uma pausa antes de falar.
— Não... Posso dizer. Ele nos fez jurar. O mago tem que morrer, ou seu trabalho tem que ser destruído. — Ele tentou se soltar, mas continuei segurando-o.
— Por quê Spectulus tem que morrer? Diga! — Apertei um pouco mais seu pescoço, e ele pareceu cooperar.
— Está bem! Há algumas décadas, ocorreu uma guerra. Da qual ninguém consegue se lembrar, pois Spectulus apagara a memória de todos os seres deste mundo. Mas nós nos escondemos, e seu feitiço não nos acertou. Tivemos uma ajuda do mago que vive no continente de Zao, o Raging Mage. Mas após ele realizar o contra-feitiço, enlouqueceu. Não sabemos mais nada dele, e desde então nós tentamos destruir os planos de Spectulus. Nosso líder tinha obtido informações sobre as intenções de Spectulus, e após o término da guerra, fomos nos preparando cada vez mais para impedir o mago. Ele diz ser um cientista, mas é só o seu disfarce. Na verdade, Spectulus não é seu nome verdadeiro, mas sim Ferumbras. — O Caçador fez uma pausa, e foi o bastante para que vários pensamentos viessem atormentar minha mente. Eu estava espantado com toda aquela história, mesmo não sabendo se acreditava ou não. Mas a cara do Caçador não me deixava dúvidas... Era a pura verdade. Ele temia a morte, então resolvi me aproveitar disso para obter mais informações.
— Continue! — Gritei, mas acho que fui um tanto exagerado, pois quase fiz um furo em seu pescoço.
— Ele fez uma réplica de si mesmo, como ele era antes da guerra terminar. O Ferumbras que conhecemos hoje é só uma parte do que ele é, e tem menos da metade do que seu verdadeiro ser possui. Ele então se transformou em um humano, adquirindo as características de um cientista que hoje tem. Todos esses anos ele vem tentando realizar seu plano: Destruir nosso mundo. — Nesse ponto eu o soltei, não aguentava mais forçá-lo falar. Ele pareceu assustado, deve ter pensado que eu iria matá-lo.
— Sente-se, e conte-me mais. — Sentei numa cadeira, e educadamente o convidei a sentar-se.
— Esse projeto em que você o está ajudando, realmente funciona. Ele mesmo foi a causa do projeto ter dado errado da última vez, pois o queria para si. Quando ele destruir esse mundo, viajará para esse outro paralelo ao nosso. Cabe a nós, os únicos conhecedores de suas reais intenções, impedí-lo. O Tibia que conhecemos, está prestes a deixar de existir. De um segundo para o outro. Pode nos ajudar?
Era isso. Eu não tinha mais nenhuma dúvida. E outro dia mesmo eu ouvi ele resmungando antes de acordar, algo como: "Guerra... réplica... destruir...". Eu não tinha perguntado nada sobre isso, pois eu também tinha falado mais ou menos isso numa noite, segundo minha mãe. Então era isso que eu tinha que fazer, impedí-lo. De algum jeito, não importa qual, devo salvar Tibia.
— Sim! — Ainda me lembro de que tudo isso começou com Jonathan, o guia da cidade de Edron, me dando um simples pergaminho.
Capítulo um tanto grande, acho que é o maior que já produzi. Bom, como tem gente gostando mais dessa estória do que da outra, acho que é melhor me acostumar. Jox, eu ainda te alcanço. Daqui uns anos, mas até vai
Thx for enjoy!
Última edição por Secret Facts; 18-10-2012 às 01:07.