Passei rapidamente para deixar mais umas coisinhas escritas
O Nascer da Aberração
O exército principal do Reino de Thais havia cruzado a Ponte dos Anões e se organizava na passagem estreita que cortava a montanha.
Era o único caminho possível para o que a horda de mortos-vivos pudesse continuar rumando a Thais. Então encurralá-los ali era a melhor estratégia.
Grofo era um dos mais experientes coronéis do exército, mas estava temporariamente no comando dos Cães de Guerra, até que os novos recrutas estivessem aptos para a guerra. Ele iria criar um destacamento de soldados, magos e arqueiros que usariam cavalos como meio de locomoção. Uma ideia inovadora, elaborada por ele mesmo, que agradou o muito ao Rei.
Mas antes de criar o destacamento ele teria de cumprir uma última missão a frente dos Cães de Guerra. Destruir a ameaça que havia despertado das tumbas.
O mensageiro que avisou da marcha dos inimigos havia falado em dezenas de milhares deles. Mas poderia estar delirando, vítima dos venenos em seu corpo. Para sanar esta dúvida, batedores foram enviados a frente do exército para rastrear a posição do inimigo e seu tamanho real. Era questão de tempo até que eles retornassem com as informações.
Enquanto o Coronel Grofo, discutia com os comandantes sobre estratégias a serem usadas naquele espaço confinado, viu-se vindo ao encontro deles dois vultos em alta velocidade. Ao aproximarem-se, percebeu-se que estavam montados em cavalos negros. Eram os batedores retornando.
— Coronel, eu fico feliz em voltar com vida. Senhor, nós avistamos os inimigos, eles estão perto, já estão entrando pela parte oposta da passagem — começou Datrum, o batedor líder, enquanto desmontava de seu alazão.
— Eles parecem liderados por cinco Lordes dos Ossos, foi a primeira vez que vi aquelas criaturas de cinco olhos, que horror — continuou ele com cara de nojo — O exército deles é basicamente composto de fantasmas, esqueletos, múmias, carniçais e andarilhos das criptas, mas não chegam nem perto de dez mil senhor.
O outro batedor também se manifestou.
— No máximo uns três mil, senhor. — comentou com um sorriso na face — Datrum, acha que são menos ainda, avise seus homens que se não se apressarem muitos nem verão aqueles vermes de pé.
— Aquele mensageiro devia estar delirando, o General não deveria ter dado tantos ouvidos a ele. — Datrum voltou dirigir a palavra a Grofo — Não precisaríamos nem de um terço dos soldados que vieram para cá.
Depois de ouvir os dois, Grofo pronunciou suas primeiras palavras.
— Obrigado pelas informações, mas ainda sou eu quem dá as ordens aqui — Começou em tom de repreensão — Vocês deveriam saber que aqueles que estão vindo em nossa direção são traiçoeiros. Temos que ser cautelosos.
— Irei me retirar, tenho uma batalha a vencer — finalizou dando as costas aos dois e indo em direção dos soldados.
Em poucos minutos as ordens foram repassadas a todos, o alvo principal seria os Lordes dos Ossos. Eliminar os líderes e assim desestruturar o inimigo.
Todos foram alertados quanto aos poderes mágicos deles, que eram capazes de lançar bolas de energia e maldições a distâncias razoáveis.
Os arqueiros deveriam se concentrar em eliminar rapidamente os fantasmas com suas flechas elementares, usariam flechas de gelo e fogo naquele dia.
Antídotos estavam sendo distribuídos a todos para caso de infecções ou envenenamentos.
Com todos devidamente instruídos, restava apenas esperar que os mortos-vivos chegassem no local perfeito para serem encurralados.
— Nenhum homem morrerá hoje. Nós mandaremos aqueles vermes de volta para suas covas fétidas. Eles já morreram uma vez, mas parecem que esqueceram o quanto são insignificantes. Façam com que novamente se lembrem de como é amargo o gosto da morte — gritou o Coronel Grofo. Suas palavras ecoaram nos rochedos. Se os inimigos fossem capaz de compreendê-las teriam tremido naquela hora.
Então os primeiros esqueletos foram avistados marchando na direção dos homens, pareciam frágeis, mas alguns traziam clavas em suas mãos.
Os arqueiros começaram a disparar, mas Grofo gritou ao ouvir o zumbido causado pelas primeiras flechas disparadas.
— Cessar fogo, seus idiotas. Guardem suas flechas para os fantasmas.
A unidade dos Cães de Guerra não tinha muitos magos então os paladinos teriam que acabar com eles, pois espadas não fariam nenhum efeito naquelas almas penadas.
Os guerreiros partiram para cima dos esqueletos, ao ver as primeiras pilhas de ossos quase desintegrados ao chão o exército foi tomando mais coragem e avançando.
As múmias e os carniçais também não eram páreo para os Cães de Guerra, os batedores pareciam estar certos, mas então algumas entidades começaram a se materializar por entre os homens e machucá-los com seus ataques quase que invisíveis. Aqueles seres praticamente transparentes apareciam, atacavam e sumiam quase que instantaneamente.
As espadas dos guerreiros thaianos só cortavam o ar, os arqueiros estavam receosos em atirar suas flechas, com medo de acertar os companheiros. Apenas uns poucos cavaleiros, que possuíam espadas encantadas com fogo, conseguiam matar um ou outro fantasma. As coisas começaram a não sair conforme planejado.
Até que então a primeira flecha de gelo fora disparada, e acertou em cheio um fantasma que estava prestes a encurralar um dos homens contra as rochas.
— Que Crunor guie nossas flechas — bradou Lingoltrisan, o mais habilidoso dos arqueiros tentando incentivar os demais a darem flechadas certeiras — Deem a eles o que merecem. Fogo e gelo homens, disparar.
E uma sequência de fachos azuis e vermelhos cruzaram aqueles paredões. Os fantasmas começaram a se desmaterializar, só que desta vez não voltariam a aparecer. Restos de uma espécie de plasma branco cobriu o chão da passagem. Eram as evidências de que as entidades haviam sido derrotadas.
Os homens se reagruparam e partiram em direção aos andarilhos das criptas. O cheiro era insuportável, lembrava carne apodrecida, vermes saiam das feridas abertas pelas espadas dos thaianos, seus corpos estavam quase decompostos.
Eram resistentes as investidas dos guerreiros, mas espadas de ossos que eles empunhavam se esfarelavam ao serem confrontadas com o Aço Real. Foi questão de tempo até serem retalhados e caírem.
O estreito corredor se tornou um amontoado de ossos de esqueletos, ectoplasma de fantasma, carne putrefata dos carniçais e andarilhos das criptas e ataduras de múmias.
Eis que avistaram os cinco Lordes dos Ossos juntos do restante dos mortos-vivos, seus quatro olhos menores nas pontas dos tentáculos fitavam os homens à distância. Sua coloração amarela tendendo pra o esverdeado se destacava ao fundo da passagem. Levitavam sem tocar o solo, envoltos numa aura de magia invisível.
Quatro guerreiros brandiram suas espadas e correram em direção aos cinco Lordes gritando frases sobre a força dos homens.
Imprudentes, em busca de glória ao tentar executar os líderes da horda. Eles foram mortos pelos ataques de energia que os Lordes dos Ossos lançaram ao mesmo tempo, em sincronismo perfeito.
Então com o intuito de se protegerem, os monstros sumonaram esqueletos para que servissem de escudo enquanto conjuravam suas magias negras.
Grofo liderou a ofensiva contra os esqueletos, afim de acabar com aquelas aberrações, mas cada vez mais e mais esqueletos surgiam impedindo que os homens chegassem.
— Vamos homens, acabem com essa barreira de ossos podres — bradava o Coronel enquanto atacava — avancem pelo flanco esquerdo, matem os cinco antes que eles terminem seu feitiço.
Quando estavam prestes a conseguir acesso aos cinco, aconteceu o fato mais assustador que aquelas montanhas jamais haviam presenciado.
O chão tornou-se negro, parecia um abismo escuro e infinito sob os pés dos guerreiros.
Todo aquele amontoado de restos dos mortos-vivos abatidos foi envolto em uma fumaça cinza claro. Os ossos, carne e plasma começaram a reagir com a fumaça enfeitiçada pelos Lordes dos Ossos.
— Eles estão querendo reviver os derrotados. — anunciou Grofo — Não fiquem aí parados, matem todos.
Ao final da frase do Coronel ouviu-se o barulho causado por toda aquela matéria começando a se movimentar indicando que eles ressuscitariam como o Coronel havia dito. Mas Grofo estava enganado.
Toda a fumaça cinza, plasma ossos e demais restos se agruparam em uma única pilha que tinha o tamanho de três homens. Aqueles pedaços de monstros se movimentavam como que tivessem tentando tomar forma de uma única entidade.
E assim se fez. Uma besta gigante, que mal cabia naquele lugar apertado havia sido criada pela feitiçaria dos vinte cinco olhos dos Lordes dos Ossos. E estava dividindo o exército em dois, metade em cada lado da passagem.
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