Galera, vou lançar mão, já, do segundo capítulo da série, uma vez que já está pronto. Agilizei-o de forma a postá-lo antes que as aulas retornem na universidade, assim consigo dar mais atenção pra vocês até o dia 27, quando as mesmas voltam.
Agradeço pelos comentários e espero, de fato, ter despertado o interesse de vocês. Conto com todos pra levar a história até o fim.
Aì vai:
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CAPÍTULO 2 - MIDFALLOW
Embora a cidade de Jarrah estivesse apinhada de gente, já àquela hora da manhã, a preocupação que atingia os pobres cidadãos não era nem um pouco comparável àquela que chegava aos altos esquadrões do governo. A rainha parecia cada vez mais ansiosa, visto que seu irmão, Rafael II, governante da cidade de Metalon, ao sul, não movia uma palha para nos auxiliar nem para ajudar qualquer outra localidade do continernte senão seus próprios domínios. Eu tinha uma tese para isso, e estava indo apresentá-la à rainha.
Naquele momento, os comerciantes montavam suas barracas ao longo da avenida principal, enquanto outros tantos homens deixavam suas casas com beijos rápidos de despedidas em suas esposas e se dirigiam ao exército ou ao cais, para iniciarem suas jornadas de trabalho. Quase a pino, o sol atingia o conjunto de nove belas torres do castelo, sombreando uma área valorosamente vasta do lado de fora dos muros da cidade.
- Jason - gritou uma voz jovem e cordial da multidão. - Jason, aqui!
Um garoto de cabelos ruivos e vestes de segunda mão aproximava-se, acotovelando-se com os trausentes e tentando chegar a mim. Era realmente um garoto; Josh não tinha mais do que dezesseis anos e tinha, por admiração ou qualquer outra razão que fosse, o desejo de entrar para Midfallow, embora, no meu íntimo, eu acreditasse que seu destino não seria outro senão o comércio.
- Bom dia, senhor - disse ele, fazendo uma reverência desajeitada. - Belo dia, belo dia!
- Realmente belo - respondi, com apenas metade da atenção.
- Como estão as coisas na Academia? - perguntou, com vivo interesse.
- Boas, como sempre, rapaz - respondi, tentando não aparentar o blefe barato. - Escute, Josh, realmente preciso ir. A rainha aguarda por mim; preciso difundir um relatório. Cuide da cidade por nós, está bem? Hoje vou sair de viagem.
Não aguardando pela resposta, dei as costas e peguei a primeira via expressa à direita, na direção da imponente fachada do castelo, ladeada por dois homens gigantescos, com armaduras titânicas completas e cada um com um escudo e uma falange, o que poderia intimidar a qualquer um, menos aos Midfallows.
- Com licença - fiz uma reverência. - A rainha aguarda por mim.
- Qual é o seu nome? - perguntou, mecanicamente, o guarda da direita. As portas duplas de carvalho da fachada continuaram fechadas.
Respirei fundo, tentando canalizar minhas emoções para longe dali.
- Jason Wayne.
- De fato - disse o guarda da esquerda - a rainha aguarda por ele.
As portas se abriram e fiz uma nova reverência sarcástica para eles, mas pareceram muito ocupados com seu orgulho próprio para notar.
A estradinha de pedras e seixos irregulares estendia-se desde os portões até a entrada do castelo, ladeada por jardins bem cuidados e cheios de árvores frutíferas. Aqui e ali, garotas com uniformes padronizados, bonitas, com coques elegantes e cabelos louro-prateados, regavam flores e arbustos, enquanto rapazes de igual descrição, exceção feita, é claro, aos coques, aparavam arestas onde havia necessidade, contribuindo para a beleza dos jardins.
Ao fim do sinuoso caminho, havia mais uma dupla de soldados igual à anterior em frente às portas de pedra. Desta vez, não fiz reverência alguma, apenas passei por eles e empurrei as portas, entrando no saguão do castelo.
Imponente, o saguão era composto por um piso de mármore muito branco e colunas greco-romanas antigas, porém muito bem cuidadas. A sala era absolutamente circular, quase como se tivesse sido desenhada por uma mão gigantesca. No extremo oposto, em cada um dos cantos, escadarias desciam em infindáveis degraus; à direita, para o quartel general do exército, à esquerda, para as cozinhas. No centro do extremo oposto havia, também, uma escadaria de mármore branco que subia até os níveis superiores do castelo. De cada uma das margens laterais da nave, havia pesadas portas de carvalho, cujo destino eu não conhecia e achava, por procedimento, que não conheceria em vida.
Avancei, cauteloso, até a escadaria de mármore central, e subi os degraus vagarosa e coordenadamente. Ao fim, no topo, corredores estendiam-se para ambos os lados e havia uma porta simples e preta à frente, sem indicações ou maçaneta. Aproximei-me e estendi o punho, como fiz em Midfallow, atravessando a porta para o outro lado, como se fosse apenas uma cortina de fumaça.
A sala do trono era majestosa. Um tapete azul-céu estendia-se desde a porta até o fim da nave, onde havia um conjunto de cinco tronos no alto de cinco degraus. Janelas de vitrais catedráticos refletiam formas poligonais no chão da nave, atingidas pelo sol da meia-manhã. Eu sabia que deveríamos estar na torre central do castelo, a mais alta, acessível apenas à família real, ao exército e à Academia.
- Capitão Wayne - disse a rainha Larissa III, no trono central, fazendo um sinal para que eu me aproximasse.
Caminhei, segurando a reverência no semblante durante todo o trajeto.
- Minha doce rainha - curvei-me à sua frente. Suas irmãs mais novas, nos tronos ao lado do seu, deram risadinhas abafadas de prazer.
- Seu relatório, Capitão - disse a rainha, sem delongas.
- É o que afirmei anteriormente, senhora - respondi, sentindo o suor gotejar em minha testa. - A praga está se espalhando e tenho péssimas notícias com relação às atividades nas ilhas geladas a noroeste, minha rainha. Estou certo de que os metalônicos estão criando alguma coisa que não deveriam criar naquelas ilhas. Tenho um forte pressentimento de que se trata de algo que alimenta a praga.
A rainha refletiu por um instante.
- Rafael está fazendo isso?
- Seu irmão - confirmei. - Os Midfallows acreditam muito na tese, minha senhora. Há uma... um... - pigarreei, pouco a vontade. - Uma espécie de demônio, ou besta, por assim dizer, que pode ser acordada a qualquer momento.
- Sua sugestão?
Simples e direta como sempre, pensei. A rainha sorriu. Era como se fosse capaz de ler mentes.
- Precisamos realizar uma excursão às ilhas geladas, minha rainha. Se Metalon joga contra nós, invariavelmente teremos de jogar contra eles.
- Uma guerra contra Metalon? - disse uma voz infantil e soprana, à esquerda da rainha: Margareth, sua irmã. A mais nova delas. - Você é louco? O exército deles é invencível.
- Exatamente - concordou Larissa.
- Minha senhora, temos Midfallow - respondi, chamando-as à voz da razão. - A senhora já viu o que somos capazes de fazer. Não há armas físicas que possam nos combater.
Larissa dirigiu um olhar penetrante aos vitrais à esquerda da nave, refletindo.
- Uma excursão às ilhas geladas - deliberou. - Quantos homens da armada seriam necessários?
- Da armada? - perguntei, sem entender.
Margareth soltou uma risada aguda.
- Não espera que deixemos uma missão dessa para Midfallow, não é?
- Midfallow com três homens bate um exército de seiscentos - respondi, a voz mordaz rasgando o ambiente. Margareth se encolheu. - Não é uma missão para a armada, minha senhora.
Larissa concordou com a cabeça, deliberando mais uma vez. Devia ser torturante. O símbolo de força de uma cidade, à época, era o exército. Retirar o exército de uma missão seria declarar fraqueza aos inimigos, como Larissa bem deveria pensar. Entretanto, Larissa conhecia muito dos poderes dos bruxos da cidade. Não havia exército que fosse capaz de realizar uma missão como nós.
- Quantos de vocês? - perguntou, e Margareth soltou um silvo de impaciência.
- Joshua, Edward e eu somos o suficiente - respondi.
- E a garota? - perguntou Margareth, a voz cheia de significado.
Respirei fundo, a raiva perfurando-me cruelmente.
- Mellanie fica e protege a cidade - respondi, tentando, de forma falha, incutir inflexibilidade na voz.
- Mas que absurdo, uma garota, ficar, sozinha...
- Fechado - disse a rainha, para o espanto da irmã. Sua voz foi tão profunda, tão carregada de obstinada determinação, que Margareth silenciou no mesmo momento, sem dizer palavra. - Pegue o que precisar.
- Sem nada a devolver - respondi, dando um meio sorriso.
Quando a rainha me dispensou, tive a certeza de enxergar nos olhos de sua irmã a discordância com a ação. Óbvio, não era nada que uma criança de quinze anos pudesse entender.
Marchando obstinado, deixei o castelo para trás, novamente na direção de Midfallow.
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