Boa noite, senhores.
Enfim, depois de um longo inverno, um período de longa estiagem (hehe), retorno, eu, aqui ao setor de roleplaying. Que satisfação, aspiras [/fábio].
Para os que tiveram o desprazer de acompanhar minha outra e única obra neste setor, bem vindos novamente. Para os demais, podem acompanhar O Incubo clicando aqui.
Começarei, agora, uma nova, chamada A Academia de Midfallow. É uma história verossímil? Apenas no discorrer. Contém fantasia? Sim. Nela toda.
Vamos lá! Boa leitura e peço encarecidamente, para que vocês comentem na medida do possível.
Postado originalmente por ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO
Postado originalmente por ÍNDICE
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PRÓLOGO
Das formas de se morrer, talvez aquela fosse a mais terrível.
Observei, através da atenuada luz do ambiente, meus agressores ávidos por tomar minha alma, assim que o processo tivesse fim. Mas é o que havia sido dito naquela maldita predição: dois combatentes, um sobrevivente, o outro, morto. Os pormenores, entretanto, eram detalhes sórdidos que meu atacante havia, por ventura, ignorado. Durante anos, Joshua nos ensinou tudo que pôde em nossa saudosa academia em Jarrah.
E eu acreditava que aquilo podia ser mais do que suficiente. Sorri com o infeliz engano.
Seus olhos cor-de-mel injetados fitavam-me com altivez. Seria aquele o fim?
A distância, uma melodia suave e triste soou no ambiente. Era chegada a hora.
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CAPÍTULO 1 - SAUDOSA JARRAH
A luz do sol atingiu cedo demais o velho continente naquela manhã de inverno.
Começamos nossa história no vilarejo de Jarrah, minúsculo, no extremo sul de lugar nenhum. Costeira e mercantil, a cidade de Jarrah sobrevivia, naquela época, da pesca e da negociação das especiarias, como cravo, canela e vasos de argila. Como se já não fosse suficiente, Jarrah mantinha, também, uma vasta rede de estudo, o que garantia que os cidadãos do vilarejo tivessem sempre grande e boa instrução.
Meu nome é Jason Wayne, e faço parte de uma das mais antigas e tradicionais famílias que nasceram em Jarrah. Estima-se que Charles Wayne tenha fundado o vilarejo, mas acho que tudo não passa de um saudosismo por parte da minha família, amante e adoradora do sangue puro, como costumam chamar.
Na época, o maior orgulho de qualquer família de Jarrah era quando um dos filhos homens, nascidos em Jarrah e filhos de pais nascidos na cidade, alcançava sua maioridade, aos dezessete anos, e já tinha condições de ingressar no exército e na armada da cidade. Eram anos e anos de preparação a fio, e, lamentavelmente, não entrar para o exército significava, por gerações, uma vergonha na família. Como se já não bastasse, havia, ainda, um segundo segmento em Jarrah que já não gerava tanto fascínio assim, o qual descreverei a seguir.
A cidade, como passaremos a chamá-la agora, uma vez que cresceu tanto que deixou a condição de vilarejo para trás, era toda bem trabalhada, com ruas largas e construídas à base de blocos de argila maciços e de iguais volumes, e tinha uma particularidade: todo o governo da cidade era gerido por mulheres. Isso mesmo, mulheres. Sob o jugo da rainha Larissa III, nossa atual governanta, a cidade alcançara as características de grande no continente.
Sob vários aspectos, somos comparados com os vikings antigos - sim, antigos, pois estamos situados num momento da história posterior aos vikings ou anglo-saxões. Acredito que estejamos mais ao sul, na Inglaterra, onde, daqui a alguns séculos, deve erguer-se a cidade de Portsmouth -, entretanto, com muito mais instrução e inteligência. Éramos bem organizados e guerreiros por natureza.
Jarrah já crescera ao máximo horizontalmente, e, agora, começavam a surgir as primeiras características verticais: com esforço de nossa rainha e a força braçal dos nossos homens, vários hotéis e pousadas foram edificados ao longo da cidade, conferindo-nos um aspecto estranhamente futurista. De longe, a construção mais imponente era o Castelo de Jarrah: um conjunto de nove torres altíssimas, que podiam ser vistas a muitos quilômetros de distância, e que abrigava uma fachada imponente de blocos de argila e pedra banhada a ouro e prata.
Naquela manhã, porém, a magnificência da cidade me passava despercebida.
Eu caminhei rápida e resolutamente pelas ruas da mesma, pouco sentindo da minha idade avançada - 30 anos, algo muito longínquo para os padrões da época. O continente vinha sendo assolado por uma praga desconhecida, cuja cura ainda não havia sido encontrada por nossos sábios.
Graças aos deuses, tínhamos, em Jarrah, o segundo segmento.
A Academia de Midfallow dividia-se em três repartições simples: iniciantes, intermediários e avançados. Era pouco complexo: os iniciantes entravam aos doze anos, os intermediários, aos dezessete, e os avançados eram poucos, porque não alcançavam a idade mínima de quarenta e cinco anos.
Basicamente, Midfallow ensinava magia.
Como tudo mais no antigo continente, a magia, por ser desconhecida, era, por vezes, mal vista. Os guerreiros traziam mais orgulho à antiga e nem tão nobre assim sociedade, enquanto nós, feiticeiros, bruxos e magos, éramos deixados de lado. Entretanto, assim como não conhecem nosso poder, também desconhecem que quando Jarrah sofreu ataques clandestinos, com simples movimentos de varinhas e cajados conseguimos criar proteção máxima em torno da mesma e expulsar os agressores, sem sofrer uma única baixa.
Agora, nosso papel vinha sendo isolar a cidade da praga alastrante.
Às portas simples de carvalho de Midfallow, cerrei o braço direito em punho e o estendi. Em um milésimo de segundo, atravessei a porta maciça, surgindo do outro lado. A medida era estritamente necessária, uma vez que, ao contrário do exército, no seio da magia só os aptos a ela eram aceitos.
Na primeira antecâmara, o comitê principal já aguardava. O velho Joshua, cabelos e barbas longos e muito castanhos, olhos perspicazes verdes e uma expressão de severa avaliação; o jovem Edward, recém egresso no nível intermediário, alto, forte, de ombros largos e barba por fazer; e a garota Mellanie, de cabelos ruivos, rosto e corpo espetaculares e verstes de segunda mão.
- Atrasado - informou Joshua, com sua voz retumbante e grave, sem, contudo, ser grosseiro ou aparecer demais.
- Como sempre - contestou Edward, a voz um pouco acima de um sussurro.
- Já sabe o que fazer - disse Joshua, quando fiz menção de me sentar. - Não aceitaremos outra opção, Sr. Wayne.
- Não houve condições - argumentei, tentando, contudo, não parecer suplicante. Joshua era infinitamente mais bruxo que eu, mas ocupávamos o mesmo nível na academia. - Sr. Joshua, chegamos no auge de nossas defesas mágicas. A cidade vai ceder. Não há o que fazer.
Joshua me avaliou com seus olhos esverdeados. Em sua cadeira de mogno, inclinou-se para frente, parecendo amedrontado.
- Não aceitamos outra opção - repetiu, os olhos suplicantes. - Jason, não podemos perecer. A cada instante, nossas defesas são rompidas ainda mais.
- Farei o possível, senhor - respondi, tentando alavancar flexão firme na voz falha. - Com licença.
Com um giro de capa, retornei à porta de carvalho e a atravessei novamente, sentindo a culpa e a decepção pesando-me na boca do estômago.
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Aguardo comentários, senhores. Atualizo na medida do possível.
Paz a todos!
[]'s
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