Capitulo VIII – O tempo e o caso perfeito
A noite no escuro do meu quarto pensava se de manhã acordaria pensando no sorriso dela e no jeito como ela ajeitava os cabelos para detrás da orelha, entretanto as manhãs de sol vinham com o pesar da sentença de que ela não estava nem perto do fim proposto, nem o meu travesseiro estava com seu perfume. E o sol sacrificante me enojando com sua presença pacifica e brilhante, aquilo sem duvidas não era o meu habitat natural. O verão não era para mim.
Os dias e as noites foram passando ultrajantes e em passadelas, provocando novas amizades, conhecendo novas pessoas, abrindo novos caminhos, encontrando novos vícios e pensando em apenas um quase-velho amor que ficou esperando carona de uma menina que nunca para no lugar certo. Caiu de numa destas noites ultrajantes eu arrumar algo em passadelas para fazer, seria ótimo ir à casa de Carlyle, não acham? E seria se não encontrasse com Camilo na casa. O jeito era ser condescendente e fazer tudo o que se faz numa situação como está, sorrir o mais normalmente possível.
Compramos algumas coisas para comer e sentamos na fachada da casa, uma linda fachada de azulejos amarelados e antigos com lírios desenhados nas bordas. Seria então momento de começar os jogos.
- Está tarde... – disse olhando para o relógio que ficava na sala à frente – acho que vou indo Carlyle.
- Fique aí mais um tempo “man”- disse Carlyle já pensando o que aquele encontro proporcionaria. Ele queria ver no que daria o encontro em eu e Camilo, e sabia que não demoraria muito para que algo interessante acontecesse. Pelo entusiasmo do que aconteceria não se agüentou e resolver começar a brincadeira.
- E Camilo, como vai a Bianca? – disse sorrindo de lado.
- Tá lá Carlyle. – falou observando o meu olhar baixo para tentar não atentar para o que seria dito ali, mas como devem saber, seria impossível. Camilo não era tolo, nem mal, apenas um cara que se achava um pouco mais que o normal. Tanto que pensou no impensável– Isaac?
- Que foi Camilo? – disse já esperando pelo pior, mas não tão pior.
- Você gosta mesmo da Bianca? – disse seriamente.
Fui pego desprevenido. De todas as coisas que já me passaram na cabeça essa sem duvida era a que eu menos esperava e a mais surpreendente, porque ele estava perguntando aquilo afinal? Mais que maldito plano era aquele? Fato é que me retive a afirmar com a cabeça, porém olhei nos olhos de Camilo, algo quase heróico. Esqueci-me de tudo, ela valia o preço mesmo que comprasse um inimigo.
- Si... Sim Camilo. – disse meio arredio, porém seguro de minha decisão.
Com certeza ele também não esperava por isso. Senti-me um kamikaze, um louco por saber que era jogo perdido, mas que acima de tudo nunca iria desistir até meu próprio fim. E enfim senti que Camilo não era exatamente o muro impenetrável, na verdade consegui enxergar nele eu mesmo e assim pensar que no final as coisas podem dar certo.
- Isaac. Eu te acho bem bacana, mas quero que saiba que não vou desistir da Bianca por sua causa. - disse Camilo com mais respeito.
- Digo o mesmo – disse engolindo seco e voltando ao meu mundo de olhos no chão e de azulejos antigos. - Só... só não a machuque Camilo, ou... – parei naquele instante, o que seria melhor a dizer? Intimidá-lo? Não, pessoas como Camilo se sentiriam atiçadas a fazer o que outros proíbem. Certo é que emudeci. Fiquei em meus pensamentos. Nos pensamentos loucos que perguntavam: como seria matar os dois com uma trinta e oito enquanto estavam na cama? Riem, porque como eu sempre digo, esta historia é de um menino tolo, e que graça teria se tudo fosse romanticamente perfeito?
Ficamos mudos por mais algum tempo até mudarmos de assunto. Sorrisos, piadas e desinformações, tudo junto e no mesmo lugar como se nada tivesse acontecido. O tempo passou e tive penosamente que ir embora pensando que sem duvida eu estaria em mesa quando saísse, e Camilo sem duvida escolheria seu caminho naquela noite. Porém por algum motivo eu não me senti pressionado, fora a primeira vez que havia mostrado realmente o valor do meu amor a alguém que valesse a pena. O tempo e o caso perfeito.