Capítulo 16 – Mudança de ventos.
Sir Simon Skeat estava contrariado. Estava preparado para subir pelas escadas se os arqueiros de Farz conquistassem os muros, o que ele duvidava, mas se as defesas fossem capturadas, ele pretendia ser o primeiro a entrar na cidade. Ele previa matar alguns defensores em pânico e depois encontrar uma grande casa para saquear.
Mas nada aconteceu como ele imaginara. A cidade estava acordada, o muro controlado, e as escadas nunca avançaram, mas ainda assim os homens de Farz tinham chegado lá dentro, simplesmente vadeando pela lama à margem de Sula. Depois, uma ovação no lado sul da cidade indicava que a porta estava aberta, o que significava que todo o maldito exército estava entrando em La Roche-Ogre antes de Sir Simon. Ele soltou palavrões. Não iria sobrar nada.
- Senhor?
Um dos soldados alertou Sir Simon, querendo uma decisão sobre como iriam chegar às mulheres e aos bens valiosos do outro lado dos muros, que estavam se esvaziando de defensores à medida que os homens corriam para proteger seus lares e suas famílias. Teria sido mais rápido, muito mais rápido, ter vadeado pela lama, mas Sir Simon não quis sujar suas botas novas, e por isso mandara que as escadas avançassem.
As escadas eram feitas de madeira verde e os degraus curvaram-se num grau alarmante enquanto Sir Simon subia, mas não havia defensores para enfrentá-lo e a escada agüentou. Com dificuldade, ele entrou numa seteira e sacou a espada. Meia dúzia de defensores jaziam espetados por flechas sobre a defesa. Dois ainda estavam vivos, e Sir Simon trespassou o que estava mais perto dele. O homem tinha sido tirado da cama e não usava cota de malha, nem mesmo um casaco de couro, e no entanto a velha espada teve dificuldade com o golpe mortal. Não fora projetada para perfurar, mas para cortar. As espadas novas, feitas com o melhor aço das florestas elficas, eram famosas pela capacidade de perfurar malha e couro, ou até rachar armaduras, mas aquela lâmina antiga exigiu toda a força bruta de Sir Simon para penetrar uma caixa torácica. E que chance, imaginou ele com amargor, haveria de encontrar uma arma melhor naquela triste pretensão de cidade?
Havia uma escadaria de pedra que dava para uma rua repleta de arqueiros e soldados thaisenses sujos de lama até as coxas. Eles estavam entrando à força nas casas. Um homem levava uma galinha morta, outro levava uma peça de tecido. O saque começara e Sir Simon ainda estava nas defesas. Ele gritou com seus homens para que se apressassem, e quando um número suficiente deles se reuniu no topo do muro, liderou-os para a rua embaixo. Um arqueiro rolava um tonel, saído de uma porta de porão, outro arrastava uma moça pelo braço. Para onde ir? Esse era o problema de Sir Simon. Todas as casas mais próximas estavam sendo saqueadas, e os gritos de regozijo vindos do sul indicavam que o exército principal de Havoc Bohun caía sobre aquela parte da cidade. Alguns cidadãos, percebendo que tudo estava perdido, corriam diante dos arqueiros para atravessar a ponte e fugir para o interior.
Sir Simon decidiu atacar o leste. Os homens do mago estavam ao sul, os de Farz estavam se mantendo perto do muro oeste, de modo que o setor leste oferecia a melhor esperança de saque. Ele forçou a passagem pelos arqueiros de Vince Farz, sujos de lama, e liderou seus homens em direção à ponte. Pessoas amedrontadas passavam por ele correndo, ignorando-o e esperando que ele os ignorasse. Ele atravessou a rua principal, que levava para a ponte, e viu uma estrada que corria ao longo das grandes casas que davam para o mar de Sula. Mercadores, pensou Sir Simon, mercadores gordos com gordos lucros, e então, à luz que aumentava, viu um arco que tinha ao alto um brasão. Uma casa de nobre.
- Quem tem um machado? – perguntou ele a seus homens.
Um dos soldados adiantou-se e Sir Simon indicou a pesada porta. A casa tinha janelas no andar térreo, mas elas estavam cobertas com pesadas barras de ferro, o que parecia um bom sinal. Sir Simon recuou para deixar seu comandado começar a trabalhar na porta.
O homem que usava o machado sabia o que fazer. Abriu um buraco onde supunha estar a barra usada como tranca, e depois de completar a abertura, enfiou a mão e suspendeu a barra, tirando-a do suportes, para que Sir Simon e seus soldados pudessem empurrar as lâminas da porta e abri-las. Sir Simon deixou dois homens para vigiar a porta, ordenando-lhes que impedissem a entrada de qualquer outro saqueador na propriedade, e liderou os demais até o pátio. As primeiras coisas que viu foram dois barcos amarrados no molhe do rio. Não eram embarcações grandes, mas todos os cascos eram valiosos e ele mandou que quatro de seus arqueiros subissem a bordo.
- Digam a quem aparecer que eles são meus, entenderam? Meus!
Ele agora tinha uma opção: despensas, ou a casa? E um estábulo? Mandou que dois soldados procurassem o estábulo e montassem guarda junto aos raríssimos cavalos que poderiam existir em uma pequena cidadela como aquela, e depois abriu a porta da casa a pontapés e liderou seus seis homens que restavam para a cozinha. Duas mulheres gritaram. Ele as ignorou; elas eram criadas velhas, feias, e ele estava atrás de bens mais preciosos. Uma porta ficava ao fundo da cozinha e ele a apontou para um dos arqueiros e, então, mantendo a espada à frente, passou por um pequeno saguão escuro e entrou num cômodo da frente. Uma tapeçaria mostrando o belo Deus Suon, um dos sóis de Tibia, fruto de Fardos e Fogo, estava pendurada em uma das paredes e Sir Simon lembrou-se de que às vezes objetos de valor eram escondidos atrás de forros de parede como aquele, de modo que golpeou-a com a espada e depois retirou-a dos ganchos, mas só havia uma parede de reboco por trás. Chutou as cadeiras e viu um baú que tinha um enorme cadeado escuro.
- Abram – ordenou ele a dois de seus arqueiros – e o que houver dentro dele é meu.
Depois, ignorando dois livros que de nada serviam a homem ou animal, ele voltou para o saguão e subiu correndo um lance de escada de madeira escura.
Sir Simon achou uma porta que dava para um quarto na frente da casa. Estava trancada e uma mulher gritou do outro lado quando ele tentou abrir a porta à força. Ele recuou e usou o salto da bota, esmagando a tranca do outro lado e fazendo com que a porta girasse sobre os gonzos. Então entrou no aposento, a velha espada brilhando à luz fraca do amanhecer, e viu uma mulher de cabelos pretos.
Sir Simon se achava um homem prático. O pai, muito sensatamente, não quisera que o filho perdesse tempo com educação, embora Sir Simon tivesse aprendido a ler e pudesse, em caso de emergência, escrever uma carta. Ele gostava de coisas úteis – espadas, cavalos e armaduras – e desprezava o culto das boas maneiras, que estava em moda. Sua mãe gostava muito dos cavaleiros bardos, e estava sempre ouvindo canções sobre cavaleiros tão delicados que Sir Simon achava que eles não teriam durado dois minutos num corpo-a-corpo de um torneio. As canções e os poemas celebravam o amor como se tratasse de uma coisa rara que dava encanto a uma vida, mas Sir Simon não precisava de poetas para definir o amor, que para ele era derrubar uma jovem camponesa num restolhal ou atacar uma prostituta cheirando a cerveja numa taberna, mas quando viu a mulher de cabelos pretos ele compreendeu, de repente, o que os trovadores andavam celebrando.
Não importava que a mulher estivesse tremendo de medo, que os cabelos estivessem loucamente despenteados ou que o rosto estivesse marcado pelas lágrimas que escorriam. Sir Simon reconheceu a beleza e ela o atingiu como uma flecha. Tirou-lhe o fôlego. Com que então aquilo era amor! Era a percepção de que ele nunca poderia ser feliz enquanto aquela mulher não fosse dele – e isso era conveniente, porque ela era inimiga, a cidade estava sendo saqueada e Sir Simon, vestindo cota de malha e casaco de pele, achara-a primeiro.
- Fora daqui! – vociferou ele para as criadas que estavam no quarto – Fora daqui!
As criadas fugiram em lágrimas e Sir Simon fechou a porta quebrada com um golpe da bota, e depois avançou para a mulher, que se agachara ao lado da cama do filho, com o menino nos braços.
- Quem é você? – perguntou Sir Simon em carliniano.
A mulher tentou parecer valente.
- Sou a condessa de Batalha e filha do mercador que aqui morava – disse ela. – E o senhor?
Sir Simon ficou tentado a si mesmo um título para impressionar Jeanette, mas ele tinha um raciocínio muito lento e por isso ouviu si mesmo dizer seu nome verdadeiro. Aos poucos, ele ficava cônscio de que o quarto revelava riqueza. Os reposteiros da cama eram grossos de tanto brocado, os castiçais eram de prata pesada, e as paredes de ambos os lados da lareira de pedra eram forradas de dispendiosos painéis de madeira belamente entalhada. Ele empurrou a cama menor contra a porta, imaginando que aquilo assegurasse uma certa privacidade, e depois foi aquecer-se junto ao fogo. Despejou mais carvão nas pequenas chamas e manteve suas geladas luvas junto ao calor.
- Esta casa é sua, madame?
- É.
- Não é do seu marido?
- Eu sou viúva – disse Jeanette.
Uma viúva rica! Sir Simon quase se benzeu de tanta gratidão. As viúvas que ele conhecera em Thais eram bruxas cobertas de ruge, mas essa...! Essa era diferente. Essa era uma mulher digna de um campeão de torneios e parecia rica o bastante para salvá-lo da desgraça de perder sua propriedade e sua condição de cavaleiro. Ela poderia, até, ter dinheiro suficiente para comprar um baronato. Talvez um condado?
Ele se afastou do fogo e sorriu para ela.
- São seus aqueles barcos no molhe?
- São, senhor.
- Pelas regras de guerra, madame, eles agora são meus. Tudo aqui é meu.
Jeanette franziu o cenho ao ouvir aquilo.
- Que regras?
- A lei da espada, madame, mas eu acho que a senhora tem sorte. Eu lhe oferecerei minha proteção.
Jeanette sentou-se na beira da cama acortinada, agarrando Charles.
- As regras de cavalaria, meu senhor – disse ela -, garantem a minha proteção.
Ela se sobressaltou quando uma mulher gritou numa casa perto dali.
- Cavalaria? – perguntou Sir Simon. – Cavalaria? Eu a ouvi sendo mencionada em canções, madame, mas isso aqui é uma guerra. Nossa tarefa é punir os seguidores de Charles de Batalha por se rebelarem contra o seu senhor legítimo. Castigo e cavalaria não combinam. – Ele a olhou de cenho franzido. – A senhora é Blackarch! – disse ele, reconhecendo de repente à luz do fogo revivido.
- Blackarch? – Jeanette não entendeu.
- A senhora lutou contra nós de cima dos muros! A senhora arranhou meu braço!
Pelo tom de voz, Sir Simon não parecia zangado, mas perplexo. Acreditava que ficaria furioso quando encontrasse Blackarch, mas a realidade dela era predominantemente demais para provocar raiva.
- A senhora fechou os olhos quando disparou a besta, e foi por isso que erro.
- Eu não errei! – disse Jeanette, indignada.
- Um arranhão – disse Sir Simon, mostrando-lhe o rasgo na manga de sua cota de malha. – Mas por que, madame, a senhora luta pelo falso duque?
- Meu marido – disse ela, inflexível – era sobrinho do duque Charles.
Meu bom Deus, pensou Sir Simon, meu bom Deus. Um prêmio sem dúvida. Ele se curvou para ela.
- Então seu filho – disse ele, fazendo um gesto com a cabeça em direção a Charles, que olhava, aflito, dos braços da mãe – é o conde atual.
- É – confirmou Jeanette.
- Um belo menino.
Sir Simon esforçou-se para fazer o elogio. Na verdade, achava que Charles era um chato com cara de lua cheia cuja presença o impedia de dar vazão a uma ânsia natural de fazer Blackarch deitar-se de costas e, assim, mostrar a ela as realidades da guerra, mas ele estava intensamente cônscio de que aquela viúva era uma aristocrata, uma beldade, e parente de Charles de Batalha, que era sobrinho da Rainha Eloise de Carlin. Aquela mulher significava riqueza, e a necessidade de Sir Simon naquele momento era fazer com que ela entendesse que o que melhor atendia aos interesses dela era compartilhar das ambições dele.
- Um belo menino – continuou ele – que precisa de um pai.
Jeanette limitou-se a olhar fixo para ele. Sir Simon tinha um rosto inexpressivo. O rosto tinha um nariz bulboso, queixo firme, e não mostrava o menor sinal de inteligência ou espírito. Mas Sir Simon tinha confiança, o suficiente para ter-se persuadido de que ela iria casar-se com ele. Será que ele falava sério? Ela ficou boquiaberta, e então deu um grito assustado quando uma gritaria irritada estourou embaixo de sua janela. Alguns arqueiros tentavam passar pelos homens que vigiavam a porta. Sir Simon empurrou o postigo, abrindo a porta.
- Esta propriedade é minha – vociferou ele em thaisense. – Vão procurar garotas para vocês.
Ele se voltou para Jeanette.
- Está vendo, madame, como eu a protejo?
- Então existe cavalheirismo na guerra?
- Existe oportunidade na guerra, madame. A senhora é rica, a senhora está viúva, a senhora precisa de um homem.
Ela o fitou com olhos perturbadoramente grandes, mal ousando acreditar na temeridade dele.
- Por quê?
- Por quê? – Sir Simon ficou perplexo com a pergunta. Fez gesto para a janela. – Ouça os gritos, mulher! O que é que a senhora pensa que acontece com as mulheres quando uma cidade cai?
- Mas o senhor disse que iria me proteger – assinalou ela.
- E vou.
Ele estava ficando perdido naquela conversa. A mulher, pensou ele, apesar de bonita, era de uma estupidez impressionante.
- Eu a protegerei – disse ele – e a senhora tomará conta de mim.
- Como?
Sir Simon suspirou.
- A senhora tem dinheiro?
Jeanette deu de ombros.
- Há um pouco lá embaixo, senhor, escondido na cozinha.
Sir Simon franziu o cenho, irritado. Será que ela achava que ele era tolo? Que ele morderia a isca e iria para o andar térreo, deixando-a para pular a janela?
- Eu sei de uma coisa a respeito do dinheiro, madame – disse ele – e é que nunca se deve escondê-lo num lugar em que os criados possam achá-lo. A gente o esconde nos aposentos privados. Num quarto de dormir.
Ele abriu um armário e despejou no chão as peças de linho, mas nada havia escondido ali, e depois, seguindo uma inspiração, começou a bater nos painéis de madeira. Ele ouvira dizer que era freqüente painéis daquele tipo disfarçarem um esconderijo, e foi recompensado quase instantaneamente por um som satisfatoriamente oco.
- Não, senhor! – disse Jeanette.
Sir Simon ignorou-a, sacando a espada e atacando os painéis que se despedaçaram e foram arrancados da haste. Ele embainhou a espada e puxou com força, com as mão enluvadas, a madeira estraçalhada.
- Não! – Jeanette soltou um grito de dor.
Sir Simon olhou fixamente. Havia dinheiro escondido atrás do gorro, um barril cheio de moedas, mas a grande recompensa não era aquilo. A grande recompensa era uma armadura e um conjunto de armas com as quais Sir Simon apenas sonhara na vida. Uma armadura que brilhava ouro, cada peça entalhada com sutis figuras e com incrustações também em ouro, como aquelas usadas pelos nobres paladinos de Edron. Devia ter vindo de Edron. E a espada! Quando Sir Simon a tirou da bainha, foi como empunhar a própria Excalibug. A lâmina tinha um brilho azulado, que não era nem mesmo tão pesada quanto a dele, mas dava a sensação de um milagroso equilíbrio. Uma lâmina dos famosos fabricantes de espadas de Darama, talvez, ou, ainda melhor, Edron?
- Elas pertenciam ao meu marido – apelou Jeanette a ele – e isso é tudo que eu tenho dele. Elas têm de passar para Charles.
Sir Simon ignorou-a. Correu o dedo enluvado pela incrustação de ouro no peito da armadura. Só aquela peça valia uma propriedade!
- Isso é tudo que ele tem do pai – suplicou Jeanette.
Sir Simon desafivelou o cinto de sua espada e deixou a velha arma cair ao chão, e depois prendeu a espada do conde de Batalha na cintura. Voltou-se e olhou fixo para Jeanette, maravilhando-se com o rosto liso, sem cicatrizes. Aqueles eram os espólios de guerra com que ele sonhara e começara a temer que nunca fosse encontrar: um barril de dinheiro, uma armadura digna de um rei, uma lâmina feita para um campeão e uma mulher que seria invejada por toda Thais.
- A armadura é minha – disse ele –, como a espada, também.
- Não, senhor, por favor.
- O que é que a senhora vai fazer? Comprá-las de mim?
- Se for preciso – disse Jeanette, fazendo um gesto com a cabeça ao barril.
- Aquilo também é meu, madame – disse Sir Simon e, para provar caminhou até a porta, desobstruiu-a e gritou para que dois de seus arqueiros subissem até aquele andar. Fez um gesto para o barril e para a armadura. – Levem-nos para baixo – disse ele – e mantenham-nos em segurança. E não pensem que eu não contei o dinheiro, porque contei. Andem!
Jeanette ficou olhando o roubo. Queria pedir clemência chorando, mas esforçou-se para ficar calma.
- Se o senhor roubar tudo o que eu tenho – disse ela para Sir Simon – como irei recomprar a armadura?
Sir Simon tornou a empurrar a cama do menino para junto da porta e depois brindou-a com um sorriso.
- Há uma coisa que você pode usar para comprar a armadura, minha cara – disse ele, sedutor. – Você tem o que todas as mulheres têm. Pode usá-lo.
Jeanette fechou os olhos durante algumas batidas do coração.
- Todos os cavalheiros de Thais são como o senhor? – perguntou ela.
- Poucos são tão hábeis com as armas – disse Sir Simon, com orgulho.
Ele estava para contar a ela seus triunfos em torneios, certo de que ela ficaria impressionada, mas ela o interrompeu.
- O que eu queria saber – disse ela, com frieza – era se os cavaleiros de Thais são todos ladrões, poltrões e brigões.
Sir Simon ficou realmente intrigado com aquele insulto. A mulher simplesmente não parecia dar valor à boa sorte, uma falha que ele só podia atribuir a uma estupidez inata.
- A senhora se esquece, madame – explicou ele –, de que os vencedores da guerra ficam com os prêmios.
- Eu sou o seu prêmio?
Ela era pior do que estúpida, refletiu Sir Simon, mas quem queria inteligência numa mulher?
- Madame – disse ele –, eu sou seu protetor. Se eu a deixar, se eu retirar a minha proteção, vai haver uma fila de homem na escadaria esperando para possuí-la. Entendeu agora?
- Eu acho – disse ela, com frieza – que o mago de Edron vai me oferecer uma proteção melhor.
Santo Banor, pensou Sir Simon, como a safada era obtusa! Não adiantava tentar argumentar com ela, porque ela era tapada demais para compreender, e por isso ele tinha de forçar o ataque. Atravessou o quarto depressa, arrancou Charles dos braços dela e jogou o menino na cama menor. Jeanette deu um grito e tentou agredi-lo, mas Sir Simon agarrou-lhe o braço e esbofeteou-a com a mão enluvada e, quando ela ficou imóvel de dor e perplexidade, rasgou as cordas da capa d Jeanette e depois, com suas mãos grandes, rasgou a frente do vestido. Ela gritou e tentou cobrir a nudez com as mãos, mas Sir Simon abriu-lhe os braços à força e olhou, impressionado. Perfeita!
- Não! – Jeanette chorou.
Sir Simon empurrou-a com força de volta para a cama.
- Quer que seu filho herde a armadura de seu marido traiçoeiro? – perguntou ele. – Ou a espada dele? Então, madame, é melhor ser boa para com o novo dono delas.
Ele desafivelou a espada, deixou-a cair ao chão, e depois ergueu a cota de malha e mexeu, desajeitado, nos cadarços de seu calção.
- Não! – gritou Jeanette e tentou levantar-se da cama, mas Sir Simon agarrou-lhe o vestido e arrancou o linho, fazendo-o baixar até a cintura dela. O menino gritava e Sir Simon atrapalhava-se com as manoplas enferrujadas e Jeanette achou que Zathroth havia entrado em sua casa. Tentou cobrir a sua nudez, mas o thaisense tornou a esbofeteá-la, e depois ergueu uma vez mais a cota de malha. Do lado de fora da janela, o sino rachado da igreja finalmente se calou, porque Thais tinha chegado, Jeanette ganhara um pretendente, e a cidade chorava.
Sem mais;
Asha Thrazi!![]()
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