• Capítulo 3 – Vingança


Nos casamos.
Eu e Roseli acabamos nos conhecendo melhor após aquele maravilhoso dia, saímos, passeamos, fizemos tudo do que dizem que “namorados” fazem.
E então, nos casamos.
Não deu pra terem sido feitos muitos arranjos no casamento, afinal, tudo ainda estava se reerguendo.. Roseli queria se casar numa espécie de Templo a Deus, mas fiquei receoso que meus poderes vampiricos ainda podessem me trazer algum mal em frente aquela imagem do que eles diziam ser sagrada.
Mas com a expulsão de meus poderes, não me sentia mais mal em frente a cruzes e santos, me sentia até melhor, para se dizer à verdade. E então, nos casamos no Templo. Todos os quais me ajudaram quando sai do lado de Vlad estavam lá, e isso incluía os Armstrong também.
Roseli estava linda no dia, mais esplendorosa que em qualquer um dos dias em que passamos juntos. Seus cabelos loiros amarrados a uma linda fita prateada. Um vestido branco como a neve se arrastando pelo chão (o qual fizemos ficar extremamente limpo para o dia). E um véu cobrindo seu rosto.
Após isso, houve uma festa no Clã Armstrong. E como eu já havia dito, os Armstrong sabem muito bem o que fazer em festas. Eu e Roseli dançamos a noite inteira. Queria que este dia nunca acabasse, mas infelizmente, ele acabou, e eu não tinha a mínima idéia do que iria nos ocorrer com o passar dos dias.
Acabamos morando na antiga casa de Roseli, a qual ela herdou da família dela. Não era muito luxuosa, mas era muito aconchegante. Era feita de pedra, com argila nas paredes, as quais eu pintei com uma antiga técnica passada por arquitetos vampiros.
Todos os dias, enquanto eu ajudava na reconstrução da cidade de Garrius, Roseli tomava conta do “bar”, o local onde a encontrei pela primeira vez. E no final da tarde, ela vinha até onde eu estava trabalhando me dar um pouco de comida e bebida, e irmos juntos para casa.
Em um dos dias em que eu estava trabalhando, vi Hector Armstrong falando com um dos guardas da cidade, mas não prestei muita atenção, não imaginei sobre que assunto era...
Ao fim do dia, como em todos os outros, Roseli veio me buscar, e juntos, fomos indo a caminho de casa.
Estávamos conversando, distraídos, quando ouço uma voz:
- Já faz muito tempo que não te vejo, Arahul.
Reconheci no mesmo instante aquela voz, Lars Bloodmouth, meu meio-irmão, mas não poderia ser, ele devia estar morto.
Quando me virei, só percebi que levei um chute, e voei para longe, de encontro com uma parede.
Retirei a areia dos meus olhos, e eu o vi carregando Roseli, enquanto flutuava, e ela gritando:
- Me solte seu cafajeste, me largue agora.
- Cale a boca, vadia.
Foi então que aconteceu, ele quebrou o pescoço dela, e a largou no ar, fazendo a cair a uns 5 metros de altura. E eu, eu não consegui nem me mover, vendo aquela cena. Estava atordoado pelo choque, mas sai correndo da parede, e fui ao encontro dela.
Não consegui nem me despedir dela, fiquei parado em frente aquele corpo, em sua poça de sangue. Foi tudo tão rápido, não consegui pensar no que ele iria fazer, não consegui a defender...
-Arahul – disse Lars – Se quiser me encontrar, vá até Vladia. Estarei lhe esperando – E então, ele sumiu no ar.
Varias pessoas começaram a se agrupar em volta, me vendo ajoelhado em frente a ela. Senti-me horrível na hora, uma mistura de raiva, ódio, pena, humilhação... Mas o que não me saia da mente, é que eu nem tentei defende-la, fiquei apenas assistindo tudo acontecer... por mais rápido que tenha sido, eu devia ter feito algo. Foi então, que comecei a chorar...
-Arahul, o que aconteceu aq... Meu Deus – chegou Hector, espantado após aquela visão – Quem foi? Quem fez isso Arahul? RESPONDA-ME!
-Lars... Lars Bloodmouth... – disse, rouco.
-Então aquele maldito chegou até aqui...
-Como? – disse, enquanto me levantava, espantado. – Você sabia que ele estava vindo?
-Alguns guardas me avisaram que houve alguns ataques em umas vilas pelas redondezas. Diziam ser de um vampiro... Então mandei reforçar a segurança.
-E por que não me avisou? – comecei a dizer, irritado.
-Pensei que não haveria problemas... mas vejo que pensei errado... – disse, olhando o corpo de Roseli.
-ESSE SEU ERRO CUSTOU A VIDA DE MINHA ESPOSA! – gritei.
-Não permitirei que nada mais de ruim acontecera com as pessoas dessa cidade – me interrompeu – Mandarei soldados irem atr...
-Não, – interrompi, desta vez – eu irei. Se ele veio até aqui, e matou minha esposa, é porque queria arranjar problemas. E ele encontrou.
-Deixe que nós o ajudemos – disse Hector.
-Vocês já me ajudaram demais – eu disse em tom sarcástico – Irei sozinho a Vladia e trarei a cabeça dele em minhas mãos.
-Vladia? Você diz o reino dos vampiros?
-Sim.
-Vladia realmente existe? – Hector disse em tom de espanto.
-Sim, mas não me faça mais perguntas. Sairei pela manhã, e vingarei a morte de Roseli.