Capítulo 41 - Entardecer pt. II
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Postado originalmente por
Iridium
Saudações!
Eeeeeita caralea... Que tenso! Um capítulo com mais pancada... Já fazia tempo que eu não via um capítulo desse naipe na sua história. Gostei bastante! :y:
Só notei um problema na última frase: ficou faltando uma chave após o nome Watson. E, quando o Lenhador se apresentou como Lokan, eu recomendaria você não ter mudado a identificação até a fala seguinte dele.
No mais, tudo certo e aguardando o próximo! :palmas:
Abraço,
Iridium.
Opa Iri, fico feliz que tenha gostado do capítulo. Realmente faz algum tempo que não consigo medir bem momento de conversa e momento de luta como fiz nesse capítulo. Ainda assim, ele foi um pouco tranquilo, eu diria.
Já corrigi o problema da chave, e creio que a identificação não seja de grande efeito, afinal, sempre fiz assim. Mas se o momento pedir, talvez eu reserve pra próxima fala.
Fique com o novo capítulo!
Citação:
Postado originalmente por
Kaya Mithsay
Oooh, fiquei morrendo de inveja que você consegue trabalhar tempo e hora na sua história, eu queria fazer isso no Diário de bordo, mas me dói os nervos ficar raciocinando cada tempo que se passa kkkk, prefiro ficar arredondando na história, a exatidão me traz dor de cabeça.
Estou curtindo sua história, me chama atenção a maneira como descreve as falas e alguns detalhes de movimento dos personagens, gostaria de escrever "aguardo o próximo capítulo" mas ainda estou no começo da história (apesar de ter bisbilhotado sua evolução ao longo dos capítulos)
Bem vindo, novo leitor. Obrigado pelos elogios.
Trabalhar com o tempo não é tão difícil assim. Eu ainda estou fazendo tudo exatamente do início de quando comecei a escrever a história, em 12 de Maio de 2012. Se é dia 20 lá, não passou muito tempo ainda. Planejo continuar assim, e, além disso, creio que seja a melhor forma de trabalhar com o tempo na história.
Fico curioso em saber em qual capítulo você parou, afinal, tem tantos. E olha que estamos próximos da metade ainda atualmente.
Espero vê-lo de novo aqui :)
Bem pessoal, neste novo capítulo, o trio agora procura pelo local correto para entrar na caverna do mito e se encontrar com a criatura, mas não será fácil.
Espero que gostem!
No capítulo anterior:
O trio começa a busca pelo lenhador e acaba descobrindo que existe alguém em Polerion que comanda os guardas de lá e não vai com a cara deles. Eles encontram o lenhador no fim da tarde, e após um pequeno conflito, ele revela o que sabia. Na saída do local, eles são parados por quatro guardas da nobreza de elite, mas Watson os mata sem muito esforço, obrigando-os a fugirem de lá.
Capítulo 41 – Entardecer pt. II
Já havia passado algum tempo desde que o trio deixou Polerion. Eles ainda se encontravam correndo para o norte, enquanto o pôr do sol tirava algumas de suas esperanças e iluminava seus rostos e semblantes temerosos. Eles temiam que não fosse mais possível voltar para a cidade depois do que fizeram – Ou melhor, do que Watson fez.
Eles pararam perto de um rio para respirar um pouco. Watson continuou andando.
[Watson] — Precisamos continuar. Temo que não poderemos mais entrar nessa caverna se a noite chegar.
[Polos] — Dá um tempo! Não temos todo o poder que você tem.
[Watson] — E nunca terão, espero.
Lokan estava ficando incomodado com Watson. Ele pegou o rosário de Agneir de uma pequena bolsa de sua mochila e colocou em um bolso. Enquanto isso, Polos lavava um pouco o rosto no rio, refletindo sobre os ocorridos. Após algumas levas de água no rosto, ele abre os olhos e vê um piso de pedra mal lapidado. Quando ele levantou o olhar, viu dezenas de criaturas esquisitas perambulando pra lá e pra cá em uma caverna que não possuía teto, e sim nuvens. Quando ele piscou os olhos rapidamente para saber se estava vendo algo real, ele voltou aos campos verdes de Polerion, em frente ao rio.
[Lokan] — Algum problema, Polos? — Indagou, notando Polos olhando para os lados, nitidamente assustado.
[Polos] — Eu... Eu acho que vi alguma coisa. Algo bem estranho. — Disse, enquanto levantava-se.
[Lokan] — O quê?
[Polos] — Acho que vi a caverna da criatura do mito.
Lokan arregalou os olhos. Ao longe, Watson parou e aguardou os dois.
[Lokan] — Impossível! Como?
[Polos] — Eu só estava lavando meu rosto e de repente me vi dentro da caverna... Tinha umas coisas andando lá.
[Lokan] — E o que eram?
[Polos] — Não faço ideia. Estavam escondidas na escuridão, só conseguia ver suas silhuetas.
Lokan ficou pensativo. Era muito estranho Polos ver algo assim, e de uma forma tão inesperada. Pensou que havia algo na água do rio, e avançou até ele. Frente a ele, se ajoelhou e lavou o rosto também, e mesmo após inúmeras tentativas, nada aconteceu.
[Lokan] — Não acontece nada! Tem certeza disso?
[Polos] — Absoluta!
Lokan se levantou e continuou se questionando. Seguiu andando com Polos até alcançar Watson e seguir viagem.
O sol estava próximo de se esconder abaixo do horizonte. Podia-se ver apenas as longas e quase intermináveis planícies verdes de Polerion, e bem ao fundo, uma colina imponente coberta por árvores se destacava em meio a região. Vendo aquilo, perceberam que poderia ser o destino final deles, e onde quem sabe encontrariam a tal caverna. Mas Lokan não se sentia bem quanto a isso; Ele sentia que algo estava errado ali, além de sentir uma sensação muito estranha no peito. Ela se fortalecia vendo a dupla andando ao seu lado. Ele apenas ignorava e seguia andando.
O caminho estava se tornando tedioso. Nada os perturbava mais que o sol se pondo ao longe. Enquanto Lokan fitava o sol e sua luz fraca se estendendo pelas planícies polerianas, ele tropeçou em uma pedra. Não chegou a cair, mas o que viu após piscar os olhos num reflexo foi um tanto pior.
Ele esbarrou em uma criatura gigante, dentro de uma caverna com paredes e chão de pedra e teto coberto por nuvens. Ela era muito musculosa e tinha a aparência de um gigante, mas com quatro pernas, um pescoço muito longo como o de um dragão, e dezenas de chifres em seus ombros e nas costas do pescoço. A criatura, que na sua frente apresentava-se só como uma sombra, rugiu para o alto e disparou um soco. Quando a musculosa mão ia atingir o rosto de Lokan, ele voltou a ver as planícies e o por do sol.
Ele ficou parado enquanto isso acontecia. Polos e Watson o fitavam, preocupados.
[Polos] — Tudo bem?
[Lokan] — Acho que vi aquela caverna...
A face de Polos foi coberta pela surpresa.
[Polos] — Tem certeza disso?
[Lokan] — Absoluta. E havia uma criatura estranha lá, não faço ideia do que seja...
[Polos] — Ela tinha um pescoço enorme e vários chifres pelo corpo?
[Lokan] — Sim... Além de quatro pernas.
Os dois estavam sendo tomados pelo medo, mas Watson continuou calmo. Parecia já saber do que se tratava.
[Watson] — O que vocês viram era um Juggernaut.
[Polos] — O que diabos é isso?
[Watson] — Só quem já esteve próximo do inferno ou dentro dele já viu um desses. É um demônio que funciona como um exército de um só, uma verdadeira máquina de matar. Avança por exércitos de humanos matando dezenas em um minuto. Se isso está lá, significa que não vai ser fácil chegar até a criatura.
Agora sim eles estavam com medo. Nunca enfrentaram um Juggernaut antes, mas o que acalmava-os um pouco era Watson e seus poderes. Ou então eles jamais passariam por ali. Disfarçando o medo, continuaram seguindo o caminho até a colina.
Metade do sol já estava abaixo do horizonte. Eles apertaram o passo, crendo que a noite seria mais difícil chegar lá ou a caverna não se abriria. Eles foram ficando mais receosos e nervosos.
Então alguns lobos se aproximaram do trio, planejando matá-los. Lokan tomou a frente apontando suas mãos claras, e Watson preparava suas chamas em suas mãos. Assim, quando o primeiro veio, Lokan simplesmente o acalmou usando uma magia própria, convencendo-o a lutar ao seu lado. O segundo pulou na direção de Watson, e o mesmo preparava-se para reagir. O problema veio quando o cenário ao seu redor começou a escurecer, paredes de pedra aparecerem ao seu lado e o céu ser coberto por nuvens e o lobo se transformar num cão infernal, completamente negro, com olhos negros e grandes conjuntos de dentes afiados.
Watson reagiu rápido e socou o cão, e rapidamente o puniu com suas chamas. Quando levantou o olhar, estava naquela caverna, com vários Juggernauts correndo em sua direção. Ele piscou algumas vezes e reapareceu nas planícies, com os lobos fugindo e deixando o companheiro morto pra trás.
[Lokan] — Watson, você estava um pouco diferente na luta... Aconteceu algo?
[Watson] — Essa foi a minha vez de ver a caverna.
O trio olhou um para o outro, buscando respostas ou entendimento.
[Polos] — E o que viu?
[Watson] — O lobo que pulou em mim se transformou num cão infernal e havia mais ou menos quinze Juggernauts correndo na minha direção antes de eu acordar da ilusão.
O queixo dos dois caiu e os músculos ao redor dos seus olhos doeram com o tanto que se abriram.
[Polos] — Isso é completamente insano! Como passaremos por tantos demônios?
[Lokan] — Isso não é mais importante. Como estamos vendo essas ilusões? E quem está fazendo isso?
O trio seguiu andando rapidamente. Lokan permaneceu pensando, já que os outros dois não sabiam o responder.
[Lokan] — Talvez essa criatura esteja nos pregando peças. Além disso, essas ilusões parecem ficar mais agressivas conforme nos aproximamos da colina...
[Polos] — Então estamos chegando! O entardecer está acabando, precisamos chegar logo na colina.
[Lokan] — Sim, de fato. Estou sentindo algo estranho conforme nos aproximamos...
O sol estava a apenas um fio. Todos estavam tensos, imaginando o que fariam ao chegar à caverna. Mas não era só isso; Eles também estavam começando a enxergar erros nos seus companheiros. Como se eles fossem culpados de tudo aquilo estar acontecendo.
[Polos] — Creio que não vamos conseguir chegar lá hoje...
[Lokan] — Estamos perto demais, não seja maricas!
[Polos] — Não chame um guerreiro nobre de maricas, padreco.
[Lokan] — Logo vista roupas decentes. Todos que olham pra você enxergam nada mais além de um bárbaro.
[Polos] — Assim como nós olhamos para sacerdotes e vemos cordeiros guiados por um deus inexistente.
Lokan tomou a frente de Polos, fitando-o com puro ódio nos olhos.
[Lokan] — Eu duvido você repetir isso mais uma vez, selvagem.
[Polos] — Estou com medo, cordeirinho, pare! — Gritou, com as mãos levantadas em escárnio e o rosto com um enorme sorriso zombeteiro.
[Lokan] — Você realmente não passa de um selvagem do norte. Admira-me que Fusia tenha aceitado homem tão imbecil e tão pouco provido de bons modos.
[Polos] — Existe algo chamado de dinheiro, que te coloca numa boa posição em um piscar de olhos. Nada que um sacerdote meia-boca que nem você consiga.
[Lokan] — Meia-boca? Eu garanto que você jamais conseguiria me vencer numa luta.
[Polos] — Cala a boca! Você não aguenta dez minutos de porrada comigo!
[Lokan] — Não mesmo, pois eu não ficaria dez minutos tocando num monte de merda empilhada falante e caminhante que nem você!
Watson sentia algo estranho vindo ao longe, da direção do monte, ao oeste. Sentia que aquela briga poderia culminar na falha da missão deles se continuassem naquilo.
[Watson] — Parem com isso! — Berrou, incendiando-se em suas chamas roxas, sem perder tempo — Essa briguinha estúpida entre vocês dois vai acabar nos prejudicando!
Lokan olhou com raiva para Watson. Seu ódio acabou o levando a puxar o rosário do bolso e apontar para Watson.
[Lokan] — Não me diga nada, demônio. O que fazer, o que não fazer, o que irá acontecer conosco, nada! Eu nem faço ideia do porque estou ao seu lado!
[Watson] — O que você pensa que está fazendo?
[Lokan] — É culpa sua eu estar aqui! Apareceu naquela torre convencendo a mim e aos meus amigos a seguir naquela missão suicida e acabei perdendo todos eles por causa daquela decisão estúpida! Perdi Walter, Magyer e Skinner, e nem tive chance de dizer adeus! Pior, nem tive como salvá-los! — Gritava, enquanto o rosário começava a irradiar numa luz clara — Maldito seja você e aquele outro demônio que te acompanha! Vocês três são demônios disfarçados que acreditam na utopia de que estão combatendo o mal, mas só criam mais e mais mal a cada coisa que fazem!
Lokan abaixou a cabeça, e suas chamas também diminuíram. De certa forma, Lokan estava certo. Pessoas morreram e coisas ruins aconteceram graças a eles. Tudo graças aos seus atos precipitados.
[Lokan] — Nessa madrugada, os espíritos deles gritaram nos meus sonhos, me odiando por não tê-los salvado. Eu estive me controlando para não ter que jogar tudo isso encima de você, mas não dá mais! Vou me livrar de vocês três por conta própria! EXECUTOR SAGRADO! — Berrou, invocando uma luz gigantesca sobre Watson. Naquele momento, o sol se pôs no horizonte e deixou apenas sua pouca claridade para trás.
No mesmo momento, parecia que luz e trevas se chocavam próximo da colina; As chamas de Watson tentavam suprimir o poder sagrado de Lokan. Polos naquele momento já tinha se afastado dos dois, com o machado em mãos. Ele se encontrava tão revoltado que o primeiro que ele conseguisse ver no meio daquela luz, ele lançaria seu machado duplo.
Dentro das luzes, os dois mantinham seus braços levantados, um na direção do outro, tentando um superar a força do outro. Quando finalmente houve um altíssimo choque entre as magias os lançando para longe, o cenário mudou.
Eles se viram no meio da mesma caverna novamente. Dessa vez, eles estavam cercados por um único Juggernaut. O trio se preparou para enfrentá-lo, olhando em seus olhos amarelos furiosos e sedentos por sangue. Até que a caverna começou a piscar, ora estando nas planícies de Polerion, ora estando na caverna. E o demônio continuava no mesmo lugar durante esse processo. E então, quando voltaram pra realidade, nas planícies, viram-se olhando para o Juggernaut, que era real. O trio se viu em desvantagem.
Eles correram na direção da colina, sem olhar para trás. A poderosa criatura correu a passos ágeis e furiosos até eles, berrando. O tempo já se fechava em noite e tudo parecia estar chegando ao fim. Mas se a caverna ainda dava seus sinais, talvez não fosse tão tarde. Com isso, continuaram correndo, aproximando-se cada vez mais da colina.
Quando finalmente chegaram, o Juggernaut os alcançou. Ele começou socando Polos pra longe e se dirigindo a Lokan. Watson jogou uma chama poderosa em sua cabeça, o irritando. Lokan disparou uma esfera de luz contra a cabeça dele, o tornando mais revoltado. Ele então continuou indo até o sacerdote, que passou a correr, e o mago, temendo o pior, explodiu em chamas roxas, pulando até a criatura e chegando nas suas costas. Ali ele começou a puxar a cabeça dela e a desequilibrá-la, enquanto queimava seu pescoço. Conseguiu fazer um estrago tão grande ao ponto da criatura berrar e agonizar, ajoelhando-se. Lokan finalizou lançando uma esfera de luz maior, colocando a criatura no chão.
Quando suspiraram aliviados após o termino da luta, eles viram que não podiam parar ainda. Abriram os olhos e se viram dentro da caverna, cercados por Juggernauts. Dessa vez, aquilo parecia mais real do que nunca.
Próximo: Capítulo 42 - Inferno Escuro.
Capítulo 42 - Inferno Escuro
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Isso, galera, vai pra PoI mesmo, vai... Sem orientação, low lvl... Tá certinho shaushausha
Brincadeiras à parte, gostei do capítulo! Você se focou mais na interação dos personagens (destaque pra discussão Polos x Lokan, me diverti pacas com isso), e ficou legal um capítulo com mais diálogos. A descrição do Juggernaut ficou ótima também... Quero é saber o que vai acontecer com o trio, já que, né... Estão cercados por uma renca dos capetas verdes e chifrudos...
No mais, aguardo o próximo.
Abraço,
Iridium.
Desde que você fez essa quest tu não para de falar nela, chega mulher
Agradeço os elogios, você já tinha falado que tinha gostado do capítulo. Não sei se esse aqui chegará no mesmo nível, mas espero que esteja do agrado.
Also, nenhum deles é low level, eu diria que o que tem o level menor ali é o Watson, mas como ele tem os poderes de semi-demônio filho de Pumin, ele não tem muitos problemas... Na verdade, ele não tem nenhum. nem é op
Espero que goste deste.
Sem demora, trago o novo capítulo. Nosso trio dinâmico se aventurará pelas cavernas da criatura do mito, que por hora não será revelada ainda.
Espero que gostem.
No capítulo anterior:
Watson, Lokan e Polos seguem pelas extensas planícies polerianas rumo ao norte, onde Lakad, O Lenhador, disse que estaria o lar da criatura. Conforme se aproximavam, mais aparições estranhas vinham as suas mentes, os enganando e os tragando para a caverna misteriosa. E conforme iam ficando mais próximos, mais possuídos pelo ódio dentro de si eles ficavam. Chegaram num ponto crítico, onde começaram a discutir e a brigar, e esse ato os distanciou da realidade e não permitiu ver um demônio, um Juggernaut, se aproximar deles. Tentaram fugir dele, mas acabaram sendo pegos por ele, e no processo Polos sumiu. Após vencerem a criatura, eles aparecem na caverna da criatura do mito, cercados por mais criaturas verdes.
Capítulo 42 – Inferno Escuro
Watson e Lokan tomaram uma distancia segura um do outro. Não sabiam onde Polos foi parar, apenas que tinham que continuar vivos. Em sua contagem, Watson distinguia 26 Juggernauts ali, todos sedentos por sangue e ansiando o momento de se deliciar com os corpos dos magos. Entretanto, eles não sabiam que não seria fácil conseguir isso.
Os demônios avançaram. Watson começou elevando seu nível as chamas púrpuras, ignorando o fato de ele poder deixar seu lado demoníaco tomar conta. Lokan não queria perder tempo, uma vez que não sabia o poder dos seus inimigos.
[Lokan] — Sannorien! — Disse, transformando seu corpo em algo próximo de um semideus, com a máscara dourada e o grande casaco branco e dourado que ia até os seus pés, lembrando um Yalahari original.
Algumas runas negras começaram a se formar dentro das chamas púrpuras de Watson, simbolizando algumas runas tibianas, como a Grande Bola de Fogo e a Morte Súbita. Watson trouxe a runa da Morte para a sua mão e apontou pro primeiro Juggernaut que chegou perto, estourando sua armadura e tocando seu coração, já o derrubando e matando. Uma enorme Ankh saiu da mão de Lokan, atingindo o peito de outro demônio, o derrubando. Watson seguiu disparando runas de morte uma atrás da outra, assim como Lokan.
Uma das criaturas ia atingir Watson com um soco, mas ele conseguiu ser mais rápido, saltando e pousando na sua mão. Dali ele pulou até a cabeça dela, explodindo-a com outra runa negra, uma Bola de Fogo. O corpo da criatura foi jogada para a parede por dois Juggernauts, e rapidamente um deles foi alvejado por Lokan. O outro tentou socar Watson, mas ele parou o soco com um escudo de fogo e explodiu sua armadura e seu peito com uma Morte Súbita negra e voltou ao chão.
Outro Juggernaut veio com um soco lateral ao mago, mas ele defendeu com uma cortina de fogo com o braço direito e lançou uma nova runa com a esquerda, mas outra criatura defendeu-o com a própria mão, desfazendo-a. Lokan alvejou-o e Watson defendeu outro golpe com uma nova cortina de fogo. Dali ele saltou e explodiu sua armadura, em seguida destruindo rapidamente seu peito e seu coração, matando-o. Lokan pegou seu cajado de sacerdote, girou-o rapidamente e lançou uma bola de luz, que explodiu na cabeça de outro demônio verde que estava próximo.
Os magos se posicionaram um ao lado do outro. Os demônios estavam preparando-se para uma nova investida.
[Lokan] — Não tem jeito! Essas criaturas são difíceis de matar e são numerosas demais!
[Watson] — Não é hora de reclamar. Ainda tem muito pela frente.
[Lokan] — E como planeja vencer tudo?
[Watson] — Do modo clássico.
Um Juggernaut veio a todo vapor. Watson fez várias estacas surgirem do chão e direcionou todas para a cabeça dele, o ferindo tão profundamente que ele veio a cair no chão, morto. Criou o mesmo campo de força de antes por fora do olho de outra criatura e o expandiu, desintegrando a cabeça dele. Mas o mago não quis parar e expandiu mais e mais, mas aquilo serviu apenas para empurrar os outros demônios e irritá-los. Assim, todos os Juggernauts vieram de uma vez só até a dupla, que se esforçava para derrubar cada demônio que chegava perto. Aos poucos eles foram sendo cercados e levaram socos e arranhões das criaturas, e assim iam caindo.
Watson não aceitava cair para essas criaturas e levou suas chamas muito além de seu corpo, expandindo elas pelo corredor e queimando vários demônios rapidamente. Ele as comprimiu e abaixou com força, explodindo toda a área coberta de criaturas verdes da região. Só alguns demônios sobreviveram, estes rapidamente alvejados por Lokan, agora em seu estado normal, com alguns arranhões na roupa e no rosto.
[Lokan] — Você deveria ter feito isso desde o começo...
[Watson] — Como se fosse tão fácil fazer. — Disse, ofegando um pouco.
Apesar do dito, Watson continuava mantendo suas chamas púrpuras num estado normal, com nada de incomum.
[Lokan] — Você me parece bem pra depois de um golpe desses.
Watson se zangou levemente, mas não respondeu. Em sua mente, as palavras de Lokan ainda ressoavam como tambores, e ele se perguntava porque o sacerdote não estava tão revoltado quanto antes.
Antes que tivessem tempo para recuperar-se, mais alguns Juggernauts apareceram. Watson não quis enrolar e tirou de suas chamas centenas de lanças. Quando eles estavam perto o suficiente, ele enviou todas em uníssono, perfurando e matando a maioria deles. Lokan tratou de matar o resto, com certa dificuldade. Passaram-se alguns minutos e nada mais vinha pelo corredor. A dupla então decidiu seguir adiante, devagar e com cuidado.
Após três minutos andando, eles ainda não encontraram nada ali. Como tinham visto antes, o céu era completamente nublado e fechado, e nenhum raio de luz passava por eles. Isso não tornava a caverna escura, mas a deixava sombria. O chão de pedra já estava banhado de sangue na entrada, além dos inúmeros corpos verdes. Demoraram um pouco para chegarem numa área onde não havia nenhuma gota, senão as de seus sapatos. Infelizmente, não demorou muito para eles verem mais sangue pelo chão. E não era de demônio.
Eles continuaram virando conforme o corredor, seguindo os rastros do liquido vermelho. Encontraram um Juggernaut socando alguém segurado por outros dois dele, e aquele ser era bem menor do que eles. Era um humano, um bárbaro – Polos.
[Watson] — VOCÊS! — Vociferou o mago, chamando a atenção dos demônios. O Juggernaut que estava socando Polos deu espaço para que ele pudesse ser visto, e ele se encontrava em um estado lastimável, com o corpo cheio de cortes profundos e muito, muito sangue. Ainda assim, ele estava acordado e resistindo. Era admirável. — Eu irei dar dez segundos para largarem o humano e irem embora daqui, ou eu garanto que duvidar de mim e do meu poder será o maior e o último erro da vida miserável de vocês.
Apesar da seriedade e força das ameaças de Watson, os Juggernauts não se sentiram tão intimidados e um deles, o que segurava Polos do lado esquerdo, começou a rir, e os outros dois abriam sorrisos malignos. Outras criaturas foram aparecendo pouco a pouco, e logo o local estava novamente tomado por aqueles demônios verdes. Lokan se posicionou ao lado do mago, que ainda permanecia calmo esperando, apesar de saber o que vem por ai.
[Watson] — Certo... Vocês pediram.
Watson traz algumas das runas de Grande Bola de Fogo para as suas mãos para matar todos ali. Lokan viu aquilo, e percebeu o perigo de usar daquele poder.
[Lokan] — Espera! E Polos?
[Watson] — No momento certo, vou lançar duas lanças contra os dois Juggernauts que estão segurando ele. Nesse momento, toque minhas chamas e puxe uma corrente, lançarei até Polos e você vai puxar. O resto é comigo. Entendeu?
[Lokan] — Sim. Espero que funcione...
Watson prepara todas as runas necessárias para uma grande explosão que tragaria os demônios ao redor deles. Os demônios preparam-se para o ataque, mas estavam deixando Polos vulnerável, exatamente como o feiticeiro queria. Após alguns instantes, eles investem.
[Watson] — Agora!
Watson lança suas runas o mais alto que pode, e ao mesmo tempo, duas lanças longas e flamejantes saem de suas chamas púrpuras e vão em alta velocidade até as duas criaturas que seguravam o bárbaro. As duas perfuraram profundamente as cabeças dos alvos, soltando Polos.
Rapidamente Lokan coloca a mão nas chamas e consegue puxar uma corrente flamejante, e ele vai puxando ela rapidamente. Ao ver isso, o homem de cabelos cinzentos joga a corrente até Polos e consegue amarrá-la ao corpo do bárbaro, o puxando com tudo. Quando ele chegou ao alcance deles, os demônios já estavam muito próximos e as runas também. Lokan criou uma bola dourada e brilhante ao redor do trio, enquanto o poder de Watson era desviado pelo mesmo para o chão, causando uma imensa explosão de fogo que corria pelos dois lados do corredor.
Quando a fumaça da explosão passou, todos os Juggernauts estavam no chão, com um vapor fraco saindo de seus corpos carbonizados.
[Lokan] — Incrível! Bom trabalho, Watson!
Watson abriu um sorriso, mas estranhava o elogio. Realmente não era culpa de Lokan tudo que ele falou, era da proximidade com aquele lugar infernal. Os dois se ajoelharam para ajudar Polos e ver sua condição.
[Lokan] — Com certeza ele não está bem. Levou muitos danos no corpo, vou demorar bastante pra curá-los... — Disse enquanto analisava os rasgos e feridas pelo corpo de Polos.
[Watson] — Bom, não podemos deixá-lo aqui. Mas pra tudo tem um jeito... Utevo Res “Bandit! — Pronunciou, originando um homem alto e um pouco magro na sua frente. Ele tem cabelos castanho-claros e veste uma armadura de bronze enferrujada, com um machado de mão na cintura.
[Lokan] — Não me parece uma boa escolha...
[Watson] — Não é porque ele é um bandido que não pode ser útil. Mas que preconceito, hein. — Disse, ordenando o bandido a levar Polos em seu ombro, mas Lokan o parou.
[Lokan] — Antes precisamos arrumar essas feridas, ele está sangrando muito pro meu gosto.
Watson ordenou o bandido a esperar do lado dele, enquanto Lokan convoca luzes douradas puras e vivas para curar as feridas do corpo de Polos. Ele conseguiu consertar os danos nos ombros, nas pernas, um pouco na barriga, na testa, dois no antebraço esquerdo e um no cotovelo, que estava a mostra em osso puro. Nesse, o sacerdote conseguiu recuperar os músculos, mas não a pele. Polos se contorcia a cada ferida fechada.
[Lokan] — Eu realmente não imaginava que os danos a ele tinham sido tão sérios...
[Watson] — Melhor irmos andando. E rápido. — Disse, apontando para três Juggernauts correndo a todo vapor atrás deles, vindo pela frente. De repente, três objetos estranhos cortam o ar e acertam as cabeças dos demônios ao mesmo tempo, os derrubando.
A dupla fica impressionada e vira rapidamente para trás para ver o responsável pela proeza, mas tudo que viram foi um pedaço de vidro com forte tonalidade de fogo caindo do ar.
[Lokan] — Mas o que por Lezario foi isso?
[Watson] — Quem sabe algum anjo da guarda. Vamos indo.
O bandido pegou Polos e o colocou em seu ombro. Antes de ele fazer isso, Lokan pegou ataduras de sua bolsa e tapou as feridas mais graves. Naquela altura, Polos já estava desacordado, e até então não tinha conseguido dizer uma palavra. O resto do trajeto foi quieto e tenso, com Lokan sempre preocupado e olhando para trás com frequência. O que mais o assustava era o fato de só um ou dois Juggernauts aparecerem durante o trajeto, e a facilidade que tinham para matá-los. Agora que sabiam seus pontos fracos, não tinham mais o que temer. Pelo menos por hora.
Já tinha passado um bom tempo desde que entraram na caverna. Longa, tensa e complicada a definiam bem, apesar de possuir apenas um caminho, e era sempre estranho andar lá, como se algo sombrio corresse acima e abaixo deles. Conforme avançavam, eles notavam que a maioria dos Juggernauts tinham alguns dardos em suas armaduras e cabeça, e o mesmo rastro de vidro de tom de fogo estava sempre presente. Não faziam ideia de quem pertencia aquilo e quem estava tentando matar os demônios, mas parecia com pressa. E possivelmente, tinha a mesma intenção do trio.
[Watson] — Pena que o bandido não consegue correr. Estamos ficando pra trás.
[Lokan] — Não nos falaram nada sobre a criatura ter um limite de pedidos por dia, então torça que seja isso mesmo.
[Watson] — Duvido muito...
Continuaram seguindo caverna adentro, matando todo e qualquer demônio que avistavam. Até que a caverna começou a subir de forma discreta, mas pouco a pouco ia se tornando mais notável que o caminho estava indo para cima. A caverna também estava ficando mais sombria, e alguns sons de bater de asas e gritos de ave podiam ser ouvidos ao longe. Só aquilo já conseguia despertar medo em seus corações. Além disso, a sensação de estarem sendo seguidos não passava, e piorava continuamente.
Então, durante um momento subindo a caverna, os sons estranhos nela subitamente pararam. Watson chegou a parar de andar, alertando Lokan.
[Lokan] — Algum problema?
[Watson] — Tá tudo quieto demais para um inferno escuro como esse.
O chão abaixo deles começava a dar uma sensação muito estranha. Pouco a pouco, ele tremia e esses tremores ficavam piores continuamente. De repente, o chão atrás deles cai, e dá lugar a centenas de Juggernauts, um subindo acima do outro, aparecendo sem parar. Watson e Lokan não conseguiram ocultar a surpresa e o desespero de ver aquilo acontecendo na frente deles. Agora, precisavam pensar rápido.
Lokan planejava enfrentá-los, mas de repente Watson mata o bandido que ele invocou e pega Polos, colocando seu corpo sobre seu ombro direito. Sem rodeios, começou a correr. Lokan também.
Era uma corrida pela vida. Dezenas de demônios verdes corriam com incrível fúria atrás deles, surgindo um atrás do outro, fechando completamente a via do corredor atrás deles. Alguns deles jogavam rochas contra o trio, outros jogavam espinhos e estalagmites, e a dupla se apressava para escapar das criaturas. A situação ainda tinha um certo controle, até chegarem no fim do caminho. Watson ficou tão surpreso e abismado ao ver aquela parede e aquela elevação estranha no fim que acabou soltando Polos no chão. Enquanto tentava ampará-lo, Lokan fez o melhor escudo na entrada do corredor que pôde para resistir ao ataque das criaturas.
Seguiu-se assim por alguns momentos, até os Juggernauts estranhamente pararem de se chocar com o escudo. Algo parecia ter despertado medo neles, os deixando quietos. Uma luz estranha surge atrás deles, brilhante, encantadora, sagrada, mas ao mesmo tempo sombria, cruel e enganadora. Ao virarem para trás, viram o que esperavam ver desde que saíram de Polerion. Ao invés de serem tomados pelo medo, foram tomados pela raiva, principalmente Watson, que deixou as chamas púrpuras tomarem seu corpo com mais força ainda.
Quem estava ali na elevação semelhante a um altar era Wadzar.
Próximo: Capítulo 43 - Invocação.