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Tópico: Anões, Elfos e a Inconstitucionalidade.

  1. #41
    Avatar de Curiox Morozesk
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    :787: Here I go! :dry:

    Se essa foi apenas uma parte, imagino ele inteiro!

    Muito estranho, lutaram com o cardeal num declive/aclive agudo ou não? Numa colina alta? Ficou um tanto confuso.

    Mas gostei em si.


    Curiox Morozesk

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  2. #42
    Avatar de Jotinha
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    Padrão Hmmm...

    Lol...

    Hmmm... Curiox-kun foi mais rápido que eu! Tudo bem...

    Eu realmente me apeguei a está história, como já disse anteriormente achei os personagens bem trabalhados. Provavelmente nas mãos de outro escritor Satiren nunca teria se separado do grupo e a história se tornaria uma igual, por sorte não foi o que aconteceu!

    No entanto, como nem tudo é perfeito, tenho que destacar algumas coisinhas. Sua narrativa por vezes é confusa, o fluxo de consciência da personagem se mistura muito rápido com a onisciencia do narrador, resultando na confusão que tanto odeio. Não chega a ser um erro grande, principalmente para mim que gosto de ler várias vezes os capítulos até mesmo em livros, mais um leitor em potencial pode não ter tanta paciência. Por sorte a única maneira de corrigir este defeito ao meu ver é a prática. E basta olhar para este tópico para saber que você está se empenhando nesta história. Como já disse antes, parabéns!

    Abraços,

    Jotinha
    :rolleyes: :rolleyes: :rolleyes:

    19:31 GM Ryrik Danubia [2]: Good bye everyone, thanks for all of the great memories :-)

  3. #43
    Avatar de Drasty
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    Capítulo V – O anão e o elfo (Parte 3).


    A chuva despencava sem compromisso sobre a tropa dos anões. Estavam próximos a Ab’dendriel, mas não pretendia atacar ainda. Os animais que ali habitavam se escondiam em suas tocas. Os lobos não uivavam, estavam com medo. Os dentes dos tampos rangiam, baforavam o ar quente no tempo frio. Encharcados e com frio, haviam parado de forma estratégica, na espreita de uma brecha élfica. Cerca de mil soldados, entre paladinos (divididos entre martelos e machados) e soldados de frente, armados apenas com pequenas machadinhas. Não tinham condições de passar muito tempo ali. Muitas foram às vezes em que os Alirces entravam em debate com o General para retirar a tropa dali:

    – General! Temos que retirá-los daqui.
    – Acalme-se... Que o tempo resolve tudo.

    O General era um homem calmo e tranqüilo, não parecia à figura que lustrava. Seus soldados o respeitavam muito, mas até que o próprio monarca. O que trazia inveja ao mesmo, que não se intrometia nos assuntos de guerra, deixava tudo nas mãos do bom e severo, Mazu Hiestalau. Assombroso em combate, calmo e tranqüilo nas reuniões. Parecia a junção perfeita, tudo o que um general precisava. Sangue-frio. Afinal seu apelido era esse:

    O SANGUE-FRIO DAS BATALHAS.

    Seu escudo reluzia esses escritos. Todos os soldados que se inscreviam no exército já haviam provado de sua fama, e sempre que o viam tentavam olhar para seu escudo. A massa daquele anão era descomunal. Travava batalhas colossais contra inimigos maiores, e aparentemente mais fortes. Lutar dava sentido a sua vida, matar era a ideologia. “Satiren, você teve o que necessitou” profetizou em sua tenda. Encontrava-se numa tenda que o cobria da chuva e da friagem. Sentado numa cama improvisada, fitava seu rosto num pequeno e quebrado espelho, jogado no solo. O mais estranho era que os pensamentos que o assombravam eram relacionados à imagem de Satiren. “Desculpe-me” pensava “Tive que fazer isso. Não me deste escolha”. Entretido em suas lembranças mal notou o trovejar que estourava lá fora. O céu começara a jogar pedras, pequenas em forma de gelo. Sua face parecia mais clara, o olhar que fitava si mesmo era alegre. “Ah, Mazu. O tempo e a guerra não acabaram contigo”. A tenda era empurrada pelos fortes ventos. A ponta da porta de plástico dobrou-se, alguém ia entrar.

    – Senhor. – Entrou um Alirce batendo continência.
    – Fale Ameterion...

    O Alirce caminhou pela cúbica tenda (se é que se podia caminhar naquele pequeno espaço), e se aproximou do general que o fitava com olhar tranqüilo de sempre. “Nada de incomum, com o General Mazu” pensou.

    – Senhor, o mensageiro acaba de chegar. Ele traz informações sobre os elfos amigos do Paladino Satiren.

    Hiestalau franziu o cenho. Ameterion prosseguiu:
    – Satiren deixou uma mensagem a eles... – O cenho de Mazu se franzia com toda a força, seus olhos arregalaram-se, ele parecia muito assustado com tudo aquilo -... escrita na terra – acrescentou o Alirce. - Mesmo após da morte ele volta a nos atormentar.

    – Sabem do que se trata a mensagem?
    – Não senhor.

    O cenho do General relaxou e seus olhos não fitavam mais os de Ameterion. Agora eles olhavam para o léu (Havia um léu naquele cubículo?), fitavam algo distante, mais longe que o horizonte. A mensagem - aquela que dizia ter sido escrita por Satiren, passava em sua mente. “Quando um cai. O outro se levanta. SD...”. O que todos não imaginavam era que fora o próprio Mazu que escrevera a mensagem. De repente o cenho do tranqüilo General franziu-se de novo.

    – Mataram algum elfo?
    – Não senhor. Permaneceram os três vivos...

    Mazu voltava a relaxar.
    – Ameterion – disse. O Alirce parecia apenas retribuir em tom fraco “Senhor?”. Hiestalau prosseguiu. – Mova as tropas em direção ao Sudeste. – “Posso ajudá-lo, mas não darei a guerra de mão beijada!” pensou. – Quero trezentos anões dirigindo-se ao Sul. Informe-os para que esperem até ouvirem dois barulhos. – Levantou um dedo, mostrando-o de relance. – Um de corneta, o outro de dor.


    Os dois outros elfos fitaram o rosto de Fex com certa desconfiança. O que ele estava pensando? Satiren era um anão muito inteligente, de fato. Porém o que levaria ele a escreve “sudoeste” no solo. Efhel e Arion ainda se pegavam à idéia de que Satiren teria assinado na terra, por outro lado Fex mostrara desprezo por essa teoria. O loiro elfo sempre foi o mais apegado a Satiren... E notara que seu amigo sempre assinava como Satiren. O que levaria ele aquela noite a escrever seu nome completo? Fex olhava fixamente para a terra riscada no chão. O sol - que ali fazia - bronzeava seu rosto branco, seu corpo machucado e ainda muito dolorido. Seus pensamentos ainda vagavam pela imensidão, ele caminhava numa escuridão iluminada por estrelas. Seus olhos fixos ao chão, seus músculos contraídos. De repente, estende seu braço e o coloca no fundo do bolso esquerdo, sentindo a malha da calça rosar na mão machucada. Tocou algo gelado, estava no fim do bolso (perto a uma costura mal feita). Era um objeto pequeno. Metálico e estava bem gelado. Tinha seis lados pontiagudos, e dois riscos no meio. Estendeu sua mão para fora do bolso e mostrou o que tinha aos outros.

    Efhel mal podia crer no que via. O hexágono desenhado no chão estava agora na mão de Fex. O elfo estava entretido com seus pensamentos, tudo passava em sua cabeça neste momento. “Aquela noite, Satiren sentando na sua mesa escrevendo com a luminária. Ele estava com um colar. Nele estava esse símbolo. Quando eu questionei, ele...” parou de súbito em seus pensamentos, agora eles iam mais longe. Um ano atrás, no dia de hiot. Um dia em que todos saiam de suas tocas e passavam por rituais interessantes, nos quais Arion havia participado.

    Naquela tarde ou noite (estavam debaixo da terra há muito tempo, então haviam perdido por completo a noção de dia e noite.), Fex e Satiren haviam ficado em casa. Fex ficara lendo um livro que o próprio Satiren havia escrito. Enquanto ao anão, passara a noite corrigindo os erros em seus poemas. Fex vestia farrapos verdes, que custava chamar de roupa, lia compenetrado os escritos do amigo. O cuco predileto de Satiren, cantava à hora. Enfim, o elfo deu termino a sua leitura, puxou a manga da camiseta e checou o horário. “Satiren é realmente um gênio” pensou. Levantou-se do divã e ergueu sua mão, colocando-a sobre o ombro de Satiren.

    – Genial – comentou. Satiren riscou uma última linha e virou-se sorrindo. O anão parecia incomum aquela madrugada. Não havia saído de casa uma única vez sequer, nem para beber, muito menos para flautear. Olhou para Fex, céptico.

    “O que há?” pensou o elfo.
    – Fex... – sussurrou Satiren. –... sinto que a vida me escapa. – O elfo olhou o amigo da mesma forma que o mesmo o olhou, céptico. Fex incrédulo, fitou Satiren por inteiro, certo de ter ouvido errado. “Será que ouvi bem? Ele não fala sério...”. Fex começara a decifrar as palavras do amigo em seu livro. Palavras ante morte? Ouviram o cantar de botas na porta, pessoas correndo. Por cinco minutos ficaram calados, envolvidos cada si em seu pensamento. Fex aproximou-se do móvel feito de madeira e pegou o livro novamente. Sentou-se no divã arcaico, e recomeçou a leitura. “Ele pirou só pode!” exclamava consigo mesmo.

    O elfo já havia terminado o livro há minutos. Como pretexto para ficar ali sentado, usou o fato de estar observando as telas da coleção de Satiren. O anão tinha influência entre os grandes da corte. Portanto havia montando uma coleção significativa de obras de arte. Sendo elas Moniers ou Savarts, do clássico a óleo a aquarela. Entre eles grandes quadros como a “Bela Nuna” de Moniers. Um quadro a óleo, onde é retratada a virgem Natashia, uma bela sereia (literalmente falando era uma humana, traduzida pelo artista como sereia, por ter sido entregue a seu amor) que havia roubado o amor do artista. Essa obra foi à última da morte prematura do grande pintor, deixando em cuidados do anão, que havia o pendurado próximo a uma tapeçaria de gran-lã.

    O extenso imóvel de Satiren dava um aconchego a quem ali entrava. Um incrível aroma de clorofila com amônia tomava o ar. O chão feito de rocha lisa, gelado nos dias frios, pois absorvia a temperatura ambiente. Iluminado por tochas e luminárias a óleo. As paredes eram repletas de quadros e tapeçarias. Um ambiente limpo, e aconchegante, aspecto que entra em contraste com a habitação de uma lareira. Além disso, contava com a mesa de madeira e o divã arcaico feito em Ab’dendriel.

    – Fex – chamou Satiren. – Venha aqui... “O que ele quer agora” pensou o elfo levanta com esforço do confortável divã. O sorriso estancado no rosto de Satiren motivara Fex a levantar-se. O manto cor de fuligem acidentada arrastava sobre o chão de pedra nua. Tocando seus pés frios sobre o tapete que fortificava a mesa do amigo, Fex supriu-se de esperanças sobre a lucidez do amigo. Satiren prosseguiu:

    – Está vendo este colar? Ele pertenceu a Hiot, o grande. – O cenho de Fex franzia-se. O dia do homem era honrado pelos tampos há séculos e, Satiren tinha em mãos o colar que pertenceu a um dos mais famosos generais de Kazordoon. Hiot tinha ficado famoso por ter vencido uma guerra com duzentos homens contra mil soldados inimigos. O semblante de Fex agora se se enrijeceu. Hiot morreu sobre um leito a mais de cem anos, a dinastia dele havia deixado o colar como símbolo de guerra e sangue. Aquilo estava na seqüência de Satiren desde quando? Satiren fitou o amigo e o chamou para a realidade, limpou a garganta e prosseguiu – Estais vendo Fex. Não enlouqueci. Sabes que Hiot está na minha seqüência? – Os anões nasciam em seqüências, saiu da terra como um grotesco parto feito sobre rígido solo. A terra abria valas e, dessa valas saiu o tampo nus e sujos, sujeitos a passarem a vida assim. Satiren interroupeu os pensamentos de Fex e continuo em tom simplório. – Hiot nasceu da seqüência quatorze, logos após a lua de Mórmon. Eu nasci na seqüência vinte e oito da mesma lua. – Fex assimilava as informações como pancadas que recebia no lombo. O elfo franzia a testa e escutava seu interlocutor com calma e entusiasmo. O anão prolongou – Portanto, Hiot é o múltiplo da minha seqüência, então ele é considerado meu familiar. Sempre fui tratado como um dos grandes e, foi por isso que me tornei paladino de um dia para o outro. Pela influência de meu tio... – O elfo arregalou os olhos. O título de Satiren, o parentesco entre ele e Hiot. Aguçado pela curiosidade, Fex segurava-se para não saltitar pela acomodação. Satiren começara a soluçar. – Hiot... Ele me fez paladino, e me deu este colar. – O anão segurou a corrente pela dobra da silhueta. Rodou os dedos em ângulos comuns, e fixou o olhar no objeto. Fex parecia entretido com a situação...


    – Vem vindo alguém – disse Efhel puxando Fex para um canto escuro da rocha.

    __
    Élfica: Relativo aos elfos.

    Alirces: Cargo inferior ao General, porém superior ao paladino. Este cargo dava direito ao anão colocar-se ao comando de um exército, e ter contatos diretos com o Monarca e com o General. Um Alirce é escolhido a partir do mérito que ele tem com o povo e com o rei, é raro um ser chegar a tal alto cargo sem passar por terríveis experiências. Eles partilham - junto ao general -, as decisões da tropa.

    Gran-lã: Lã reforçada com fios de ouro, algo muito fino e usado em roupas e tapetes.

    __

    Mais uma parte para vocês...

    Drasty
    :rolleyes::rolleyes::rolleyes:

  4. #44
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    Voltei a escrever essa bagaça! Então de presente dois capítulos duma vez.

    Capítulo VI – Fex Câmara Quadrada.

    A figura que caminhava “alopradamente” encostou-se no rochedo e tirou de seu amarradinho uma banana madura. Descascou-a analisando o local em qual estava. Sentia a brisa soprar seus cabelos castanho avermelhado, finos e curtos. Seu olhar tranqüilo e brisa iam amenizando a situação dos outros, que de longe espreitavam a estranha figura. O homem que ali jazia era magrelo e cumprido, um narigão descomunal. Sempre com um sorriso largado. Vestia uma roupa fina, um paletó de tweed, uma calça de tom azulado, quase anil feita de gran-lã. Um cordão de platina luminoso e nos pés sapatos de couro amarelado. Ele mordeu a banana.
    Seus dentes articulavam-se de cima para baixo mastigando massivamente a banana. “Delicioso” pensou. Tirou, então, do paletó de tweed, um maço de fumo e, colocou-se a fumar. Mordeu de novo a banana e deu uma tragada no maço. Virou-se e procuro um gramado, fitou o local e achou um aconchego próximo a um canto escuro da rocha. Caminhou cambaleando até o local e, deitou-se.

    Os três elfos notaram o silêncio momentâneo e volveram-se para a parte frontal da rocha, rabeirando o olhar do estranho. Efhel comentou algo em élfico para Arion, Fex não notou nada de estranho na conversa e foi rabeirando até onde pode. Por fim deu de cara com o cabelo do magricela. Fex observou que a couraça do magricela dobrou-se com desdenho, ele, por sua vez, sentindo-se incomodado com a dobra virou-se para a esquerda...

    Fex saltou retrucando para traz. “Ele me viu?” questionou a si mesmo. Suando frio e com pouca agilidade, Fex contornou o rochedo tremelicando. O homem do paletó de tweed ergueu a banana e deu outra mordida, sem desdenho. O maxilar do homem se contraia, no mesmo momento que uma gota de suor escorria nariz abaixo. A gota finalmente caiu e foi pingar no pé de Fex, que sentindo a gota explodir no solo, virou-se para Arion e soltou um berro seco. “Arion, tem água no seu cantil?” perguntou sedento por água. Estava muito calor, aquela noite fria fora apenas uma de poucas.

    O elfo sentiu-se encurralado, pensando se os outros dois sentiam o mesmo. Arion ergueu-se pela pedra e entregou-lhe o cantil. Fex deu a última golada e fitou o estranho novamente. O homem despido de um paletó notou, de relance, dois homens olhando para sua “majestade”. Virou-se para a direita, pousando os olhos cintilantes na face do homem de loiros cabelos.

    – Cê tava me espiando? – Indagou, lançando longe a casca de banana. O que viria a pensar um grupo de três elfos ao espiar uma estranha figura comendo e fumando sobre o sol matinal. E, o mais confuso, vestido num paletó de tweed.

    Fex respondeu um “Não senhor” bem fraco, mostrando o medo que produzira sobre o estranho. O olhar caiu sobre a pedra, à bainha da lâmina soltou-se e a estranha figura continuava a fitá-lo com cara de mau.

    O estranho virou-se para Efhel e deu grunhido, como se tivesse despertado agora.
    – Moçinha, não tem ai um “coçador” de costa, não? – disse o estranho lustrando o semblante ao fitar a elfinha. Ele estava fazendo referencia a suas unhas, algo na grama havia incomodado-o e, agora coçava sem parar. O homem do paletó prosseguiu limpando a garganta, em tom monarca. – Sabino Drummond de Andrade, poeta e escritor, prazer.

    Estendeu a mão para o primeiro elfo que avistou. Fex espantou-se.

    – Fex – apresentou-se com vergonha.
    – Só Fex, não tem sobrenome?

    Arion largou uma gargalhada e, os outros o acompanharam. Tudo que fosse no mínimo comediante naqueles dias seria de tamanha ajuda para aqueles três. Já haviam passado maus bocados e, gargalhar agora era o melhor remédio.

    Sabino consultou seu relógio de bolso e, em seguida, começou a pular num só lugar. “Estou em cima da hora” pensou, calçando os sapatos de palhaço. Sorriu para os elfos e seguiu seu rumo até a dobra do pedregulho. Os três fitaram aquilo de forma estranha, pensaram que o homem no paletó havia passado da conta. “Fumo demais” informou Arion. Fex entortou o pescoço confuso, pensou na estranha figura novamente e depois volveu-se para as bagagens. Informou aos dois que arrumassem tudo. Sentou-se no pedregulho e voltou para suas lembranças.

    “Satiren sentando na cadeira rodando-o colar.”
    – Fex, o importante é que ele me deu isso para que... – fez pausa e pousou sua enorme mão sobre o ombro do elfo, depois prosseguiu. – Para que algum dia eu desse isso a você. Não acha? – “Para mim. Pra que pra mim? O que eu represento para um homem que eu nunca vi?”
    – Satiren. Estou cheio de perguntas...
    – É compreensível.

    Satiren levantou-se e foi até sua estante. Passou o dedo por vários livros, até parar no que queria. Fez cara de felicidade, e balbuciou com lábio algo sem sentido. Abriu um livro pequeno, de capa azul claro, o título ilegível. Passou as páginas amareladas, de um papel fino. Parou num com poucas frases.

    – Está aqui...

    Fex aproximou-se e dobrou-se para ler as primeiras linhas.

    FILABONTE MARCHETEON

    Filabonte era a união de duas palavras élficas arcaicas. Fila com três sílabas “Fi-l-a”, pronunciava-se Fãle e, Bonte com uma sílaba, sendo a palavra toda tônica. Bonte se pronunciava Boíte. Juntas as palavras tinham significados simples, porém separadas eram a complexidade em pessoas, como yin-yang.

    Fex franziu o cenho.
    – Filabonte é uma palavra antiga que significa Câmara. Ela é representada pelo símbolo de um peixe. Como delta. Pode ser elevada a três tipos de palavra. Adjetivo, Substantivo e Locução Adverbial. Sendo-as todas usadas antes yuk, preposição. Yuk damekz fãle.

    Satiren confirmou.
    – Sim, além disso, as palavras separadas significam Câmara Quadrada. Que em élfico atual se diz damekz, como você disse.
    – Enquanto a Marcheteon, nunca ouvi essa palavra antes.
    – Já ouviu sim, você a escuta muito. Troque a ordem.

    Fex trocou mentalmente a ordem das palavras.
    – Teonmarchê! – exclamou saltando do banco. – Que na língua contemporânea significa...

    Satiren interrompeu.
    – Fex! Isso, parabéns conseguiu decifrar o que significa Filabonte Marcheteon. Fex Câmara Quadrada. – Satiren sorriu. Fex também.

    ♠♠♠♠

    Capitulo VII – O poeta que riu.


    A felicidade de Fex de tão grande, quase explodiu. Seu olhar ponderado de sempre agora estava mudado, seus olhos se enchiam de alegria que, nem mesmo ele sabia explicar de onde vinha. Não sabia o que significava “Câmara Quadrada”, mas mesmo assim aquilo lhe trazia felicidade. As chamas que iluminavam o papel, não o iluminavam mais. Fex sentiu o ar quente das tochas se ligarem de novo. O ar o aquecia enquanto mantinha fixo seu olhar sobre as letras em élfico. “C-â-m-a-r-a Q-u-a-d-r-a-d-a” soletrou mentalmente. O anão voltou a seu aposento depois de ter religado as tochas. Fitou o elfo que ainda olhava para o livro de capa azul.

    – Pequeno elfo – chamou. – Senti-se bem?
    – Sinto-me mais leve. Mais não compreendo o porquê.
    – Como já te disse antes, é compreensível.

    Satiren sorriu. Fex não sorriu, pois já estava sorrindo. Alias, todo o tempo que passava Fex mantinha seu sorriso de ponta de boca. Satiren tornou a pegar o colar e rodá-lo mostrando-o ao amigo.

    – Ah – bufou o elfo desistindo. – Cansei-me, queira fazer o favor de me explicar?

    Satiren passou a mão na barba e pousou seu olhar nos olhos de Fex. Eles brilhavam. Tensos para ouvir o que vinha a seguir. Nem fez questão de limpar a garganta, apenas prosseguiu em tom calmo e explicativo. O cuco ainda fazia barulho e, ouviam-se passadas á metros dali. O ar quente, fora aos poucos esfriando. Fex tomou o horário tirando o olhar um instante de Satiren e, em seguida voltou-os novamente ao mentor.

    – Vamos deixar a calmaria de lado, vou contar-lhe tudo – disse Satiren, finalmente em voz compenetrada. – Sei que acredita em Deus e, acima de tudo em um Deus bom, mas o que vou contar-lhe não convém à obra deste Deus. – Fex sorriu.
    – Vai me contar sobre um demônio?
    – Exato.

    Os dois riram, como numa piada de Arion. Fex olhou para cima, não acreditando no que ouviria. Suspirou e disse:

    – Muito bem, então vá em frente.
    – O nome dele era Hiot.

    Fex arregalou os olhos. O elfo não consegui falar, tentava e acaba gaguejando letras. Quando recobrou as forças, ordenou em tom ameaçador:

    – Satiren veja lá o que vai me contar! Tenho que dormir está noite.

    Ele fez uma pausa e fitou o olhar disperso de Satiren, que agora mal podia falar. Fex, então prosseguiu:

    – Não entendo, estava falando muito bem dele antes...
    – Fex – interrompeu o anão. – Hiot não era santo, nem demônio, não era mortal nem imortal.“Então ele era o que? Um vazio?” refletiu o elfo.
    – Deve estar pensando em alguma resposta para tudo.

    Satiren adivinhou. Fex pesquisou no seu banco de dados interior, qualquer explicação lógica ou metafórica sobre o que o amigo havia dito. Qualquer barulhinho tirá-lo-ia dos seus pensamentos. O barulho de passadas lá fora tirou sua concentração, e invés de voltar a pesquisar parou e voltou a olhar para Satiren, talvez buscando resposta.

    – Posso continuar? – indagou Satiren. Fex fez que sim com a cabeça.


    – Fex vamos. Está tudo pronto!

    Efhel e Arion já se encontravam á metros dele. Fex estava parado pensando quando fora chamado por Efhel. Notando a distância ele correu ao encontro dos outros dois. Os pensamentos e lembranças de Satiren se deceparam novamente.

    Andaram até a encruzilhada de rochas a trezentos metros. Quando estavam para cruzá-la perceberam alguém correndo. Sentindo o sangue gelar os três recuaram até um canto da rocha e ficaram observado cautelosos. A figura pulava nos calcanhares, era Sabino. “É o Sabino” comentou Arion virando-se para Fex que se escondia atrás de uma rocha cacaria. Drummond parou de repente e vasculhou o local com os olhos, “já estive aqui” pensou. Fex já estava saindo para mostrar-se, mas fora impedido pela mão de Efhel que apertava os olhos para ver algo. “O que foi” perguntou.

    – Espionagem – disse Arion.
    – Hã?
    – Olhe a tiara pendurada na mochila.

    Fex não havia reparado na primeira vez que vira o homem magrelo. Porém agora, olhando com outros olhos havia notado. Na ponta da tiara estava escrito:

    ANÃO HONORÁRIO

    – Anão honorário? – perguntou Fex.
    – Sim, é comum isso – respondeu Efhel.

    Fex hesitou, e retrincou com medo. “Comum” pensou. Olhando novamente para a figura, disse assustado:

    – É comum os anões contratarem espiões?
    – Não. Você entendeu errado. – Ela começou a dar risadinhas. – É comum os anões darem prêmios as pessoas que fazem boas ou más ações.
    – Más ações?
    – Missões do exército.
    – É melhor emboscá-lo – sugeriu Arion.

    Os outro concordaram. “Pelo bem, pelo mau” pensou Efhel. Fex desembainhou sua espada e correu na direção de Sabino. Arion e Efhel correm atrás dele gritando. O instante congelou. Fex inerte a espada parada na garganta do magrelo, Efhel e Arion agarrados nos membros do mesmo.

    – Não o solte – pediu Fex.
    – Ora, o que está acontecendo?
    – Não se faça de desentendido! – reclamou, com cara séria.

    Os quatro ficaram ali se atracando, por cerca de minutos. Volta e meio um gritava algo. Sem notar que o espião real não era o pobre poeta e sim um anão grotesco que se escondia sobre o relevo. Os olhos grandes e cintilantes, fuzilavam á pequena batalha. A barba ruiva contornava seu rosto, deixando a boca toda coberta. Na cabeça um elmo, estilo viking. Usava á capa para camuflar-se nas pedras. Notando o cansaço momentâneo dos outros, aproveitou e passou para o outro lado se arrastando, aumentou seu campo de visão.

    Sabino estava perplexo com á falta de educação dos elfinhos. O ser alto, totalmente preso, deixava á cena ainda mais pitoresca. Um gigante entre nanicos. Após mais alguns instantes de batalha, o poeta começa á compreender a situação. Mostrando-se educado, parou de se mover e respondeu em tom nobre:

    – Há um mal entendido aqui.
    – O único mal aqui é senhor – respondeu Arion, inerte.

    O poeta riu.

    – Acham que sou um espião, correto?
    – E não é? – questionou Fex, mostrando-se confuso assim como Efhel e Arion.

    O poeta novamente riu.

    – Não. Sou escrivão da corte.
    – Não creio.

    Os três estavam de queixo caído. Um sentimento surgia no rosto deles, um sentimento chamado remorso. Haviam lutado com o escrivão da corte e pior perdido tempo à toa. Deixaram uma lágrima cair, de cansaço. “Ora, nós somos um incompetentes. Está ai o motivo para Satiren nunca falar de assuntos de guerra comigo” refletiu Fex.

    – Desculpe-me senhor. Não foi a intenção machucá-lo.

    – Exato, exato... – disse o poeta limpando a poeira da calça.

    Uma pausa momentânea para todos recobrarem o sentido. A pausa foi suficiente para torturá-los. Sabino notando á tristeza dos elfos, disse com calma:

    – Não sou tão importante assim. Não precisam ficar com remorso. Sei que tenho cara de ladrão.

    Os três ainda olhavam dispersos. Na cabeça de Fex ainda passavam á vergonha que passara. Os demais haviam sentido o mesmo, porém ficaram calados retratando o que sentiam. Arion sorriu enquanto obcervava os pássaros voando. Ás árvores ainda balançavam seus longos galhos – que derramavam suas folhas verdes sobre o campo de cor igual – quando á magrela figura convidou os elfos para caminharem ao seu lado. Ele vinha contando suas histórias sobre como se tornou escrivão. Á noite já havia derramado seu manto negro sobre o sol e, exatamente no momento em que á lua surgiu no céu, os viajantes que caminhavam pela estrada de terra, chegaram aos portões da cidade verde.

    ♠♠♠♠

    Até.

  5. #45
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    Agora que estou de férias (finalmente!) vou escrever isso com compromisso. Ah! Podem encontrar vários erros de português, escrevi no computador da minha avó e ele tão sem auto-correção, então já sabem! Boa leitura.

    ---


    Capitulo VIII – Listados para morrer em Ab’Dendriel


    Ninguém se intimidou a entrar, ficaram todos fitando o enorme portão. Verde, todo envolvido por plantas, e coberto por flores que cresciam no caule das árvores que ali nasciam. Devia ter mais de cinco metros de altura e surtia um efeito alucinógeno ao olhar para ele. Eram muitas cores, todos alinhadas. Á muralha se estendia até os extremos, parecia não ter fim. Não havia ninguém de guarda, e os pombos já tinham se acomodado nas lajes quando quatros figuras surgiram á frente do muro.

    O maior deles andou alguns passos e chegou à pequena portaria, ao lado do arco que formava o portão. Meteu a cabeça pela janela e colocou-se a chamar por alguém. Logo um outro homem veio caminhando. “O que há?” resmungou, enquanto endireitava o cabelo – havia acabado de acordar e tinha se arrumado para receber os viajantes. O homem de altura caricatural – que a pouco havia se metido na janela – recuou para receber o outro. Esticou á mão para cumprimentar, mas o gesto não foi retribuído.

    — Olhe – balbuciou o homem despenteado, sonolento. – Acordei com um tremendo mau humor. E sabe por quê? Porque tive de receber visitas em horário inadequado. Caso não saiba ainda são seis e meia da manhã – o homem parecia bem irritado por ter sido acordado àquela hora, porém o outro se mantinha disposto á entrar em acordo e fazer com que abrissem o portão.

    — Edgard – disse o homem endireitando o bigode.

    Edgard hesitou por instantes. Olhou novamente pela portinhola, andou até uma porta atrás da pequena janela e tomou um objeto que ali jazia. Era um óculos dourado, todo trabalhado á mão. Com as inicias EA. O senhor – agora de óculos – debruçou-se pela bancada e esticou á vista para averiguar quem havia chamado-o.

    — Quem é você – perguntou desconfiado. O outro homem riu, aproximou-se das barras de ferro que os dividiam e fez um gesto para que Edgard se aproximasse. “Á vista ainda acaba contigo, meu amigo” disse a figura rindo baixinho. – ORA ESSA! SABINO! Espere um pouco, vou mandar abrir o portão.

    Sabino girou nos calcanhares e voltou ao encontro dos outros homens. Confirmou-lhes á possibilidade de entrarem àquela hora. Discutiram algo baixo e foram andando até o portão – que começara á fazer ruídos. Nem passados dois minutos as trincas começaram á destrancar-se e á grande muralha começou á se abrir. As portas começaram á se dividir e logo foi possível ver a verde cidade de Ab’dendriel. Uma luz forte cegou Fex que estava na frente e olhava novamente para sua casa.

    O homem que á pouco havia cumprimentado Sabino, voltou vestido com uma capa de gran-lã vermelha. Agora todos podiam notar que o velho senhor era gordo e possuiu um bigode tão pitoresco quanto o do magrelo. Apesar de ter já ter certa idade, Edgard veio caminhando rapidamente ao encontro dos viajantes.

    — Sabino meu bom amigo – disse Edgard, abraçando o atrofiado corpo do magrelo. – O que o traz até aqui?

    Sabino confirmou ao amigo que sua visita não convinha á assuntos de sua honraria, mas dos pequenos elfos que o acompanhavam. Edgard chamou-os á sua cabana logo após o portão para fazer o desjejum. Logo que os viajantes penetraram na entrada o enorme portão começou á se envergar e fechar atrás deles. Os pombos bateram vôo depois da barulhada. Efhel – apesar de ser uma elfa – nunca havia visitado á gigantesca cidade dos frutos. Ela reparou que as casinhas ao léu eram todos organizadas em fileiras e, logo em cima de suas cabeças haviam várias pontes que interligavam as casas de árvore.

    A cabana de Edgard logo surgiu em meio às moitas. Parecia ser bem arejado e era cercada por palmeiras de tamanho médio. Um lugar interessante que exalava odor de amônia, cujo transmitia uma serenidade momentânea. O estabelecimento era humilde. Feito de vários rolos de toldo bege. Apesar da humildade na estrutura o local era bem grande. Uma estradinha de terra – de mais ou menos vinte metros – os levava para o simpático quintal, cheio de mudas de margaridas.

    Edgard os convidou á entrar e em seguida sumiu em um dos cômodos. Os quatros percorreram um curto corredor e começaram á sentir a pouca umidade e o extremo calor que a cabana os proporcionava. Seguiram o corredor até surgir uma sala cheia de estatuetas e esculturas, e num outro canto avistaram um divã e uma poltrona. Edgard surgiu com uma bandeja cheia de guloseimas e a colocou sobre uma mesinha, apontou á eles o divã e pediu para que eles se sentassem.

    Mandou que os elfos se servissem da bandeja e voltou-se para Sabino, que sentia-se bem ao revistar á incrível coleção de esculturas que o amigo possuía. Fitava admirado ás imitações de obras famosas que o amigo fazia com extrema facilidade.

    — Você viu que eu aumentei minha coleção – indagou Edgard, enquanto servia o café á Arion.

    — Sim! Notável, você conseguiu ter mais peças que Satiren – respondeu Sabino, admirado.

    Fex arregalou os olhos e franziu a testa, e por pouco não cuspiu todo o café que estava na boca. Sabino olhou para ele assustado, achou – por um instante – que ele havia engasgado com o bolinho. O elfo respirou fundo e perguntou eufórico:

    — Como disse?

    — Ele disse que eu consegui juntar mais peças que o anão Satiren. Sabe, ele é um grande colecionador, e tem peças formidáveis – respondeu Edgard fitando-o rosto assustado de Fex, que se contraia do divã, apertando á mão de Efhel. – O que há de errado? Fex não é?

    Sabino confirmou com á cabeça. Fex restaurou-se no divã todo amassado, e disse calmamente.

    — Se é em Satiren que você se compara, o senhor pode ficar tranqüilo. O senhor já tem muito mais coisas inúteis que Satiren, que no momento não tem nada.

    — Coisas inúteis? Isso são peças estimáveis como pode dizer isso, só podia vir de um ignorante.

    Fex andava descontrolado – por causa dos acontecimentos recentes – levantou-se agilmente e desembainhou sua espada. Apontou-a para a barriga de Edgard, que no susto havia caído sentado no chão. Sabino encontrava-se igualmente assustado. O elfo mantinha o olhar cravado no colecionador, torturando-o com a íris.

    — Vamos conversar civilizadamente? – Perguntou Fex, retorquindo á espada para baixo. Edgard confirmou com a cabeça. Efhel e Arion estavam presos ao divã e entediam perfeitamente os motivos de Fex – que já havia se recomposto e sentado novamente. Arion pensou também no que Fex havia dito. Satiren agora não tinha nada. Já estava morto. E o que um morto tem? Nada além de terra acima da cabeça. Os três elfos sentiram o pesar da morte do anão recair sobre suas cabeças.

    Edgard recuperou as forças e levantou-se limpando á roupa de gran-lã vermelha. “Tenho que parar de trazer qualquer pessoa para minha casa” pensou coçando á nuca. Sabino não havia se quer imaginado nada sobre a personalidade do exclusivo elfo que mal conhecia. Arion tomava o café pelas beiradas da xícara de casca de ovo com belos detalhes em azul que deviam ter sido esculpidos a mão, enquanto observava a cena sem menor surpresa.

    — O fato é que um exército está a caminho de Ab’Dendriel – informou Fex.

    Sabino tomou um susto e por pouco não soltou sua bengala e decolou da poltrona. Ajeitou-se nela e serviu a si próprio um pouco mais de café, fez com quem só esperava a reação de Edgard para que Arion ou Fex respondessem ao assombro do anfitrião. Este tinha suas mãos engolidas pela seda da poltrona, pois havia apertado tão forte os braços da mesma que a seda tinha cedido.

    Edgard fazia uma cara de “porque não disse antes, imbecil”, afinal era isso que queria dizer, mas simplesmente levantou-se de sua poltrona e saiu pela porta da saleta. O que, obviamente, deixou os outros quatro que se encontravam ali pasmos do que havia acontecido. Fex fez cara de poucos amigos e parou em seus pensamentos, enquanto os outros se entreolhavam. De relance, o elfo franziu a testa e arregalou os olhos com assombro. Novamente o elfo desembainhou sua espada e correu rapidamente vencendo os obstáculos da saleta. Arion notou a imparcialidade do amigo e sacou seu punhal e foi atrás dele. Sobrou apenas Sabino e Efhel. Quando a elfa jazia em pé e estava pronta para ir atrás deles, notou que fora detida por Sabino:

    — Você fica mocinha.
    — Como? – fez com quem não entendia, movendo o queixo em direção ao pé.

    Quando o poeta parecia tranqüilo em demasia, a jovem elfa o golpeou bem na nuca, fazendo o desmaiar sobre o chão de terra. “Que sorte, ele é mais ingênuo que o Arion” disse ao leu. Porém quando ela deu um passo à frente para driblar o carpete, sentiu que uma mão algemava seu tornozelo. Apesar do inesperado a elfa não se surpreendeu com o acontecido. Apenas volveu seus olhos pela sala e deu um encontro com Sabino em pé. “Já imaginava” pensou. O homem estava em farrapos e mal tivera tempo para armar contra a jovem, pensara naquilo agilmente e conseguira sucesso ao menos para detê-la. Efhel começou a sentir um cheiro doce no ar e quando se deu por entendida, já se encontrava inerte no solo de terra seca.

    — Chama Hafic, essência de samambaia com extrato de uvas passas – Sabino se agachou e ficou muito próximo ao rosto de Efhel que não podia falar nem mover seus músculos. – Você devia saber disso melhor do que eu já que é uma elfa e se especializou em poções – logo que o poeta terminou a frase, várias imagens se materializaram na mente da elfa, das noites em que passava estudando poções. “Espera um pouco” pensou enquanto começava a sentir o efeito da essência passar. Ela já havia ouvido vagamente dessa essência de Hafic, não era nada muito forte e ela poderia facilmente eliminar o efeito e atacar Sabino e enfim ir atrás dos seus amigos. Era isso que iria fazer – talvez você... – fora cortada das suas idéias pelas palavras daquele homem – você e seus companheiros são uns hipócritas que não vão muito longe...

    Quando o poeta havia terminado seus dizeres, suas palavras foram devoradas. Era como se ele estivesse engolindo o próprio vomito. Enjôo muito forte lhe invadiu e ele percebeu que não combatia um simples elfa e sim uma verdadeira e completa guerreira. Sabino tentou engatinhar e escapar, mas foi interceptado pelo pé de Efhel que esmagava seus membros. Imaginou que iria morrer e tentou debater-se para fugir, mas estava fraco como jamais havia ficado, sentiu-se como Hércules que perdera sua força. Tinha uma sensação de que estava desmaiando em períodos de segundos. Ouviu a voz de Efhel soar estranhamente e sem dicção, não conseguiu entender nada que ela pronunciava.

    Algo paralisava o sangue que corria nas veias e o coração desacelerava, enquanto os ductos de suor eram travados por uma espécie de areia. Ou seja, estava completamente parado. Uma sensação horrível de impotência. Por fim, ele desmaiou. Efhel zuniu pela porta e jurou a si mesma nunca mais usar coisas desse tipo de novo.

    ♠♠♠♠


    Fex e Arion estavam correndo em direção ao Sul, praticamente fora de Ab’Dendriel. Estavam correndo contra o vento e o perseguido não se importava com isso, corria velozmente sem olhar para trás. “Fex, tive uma idéia” disse Arion ainda correndo “espere aqui” e se fez desaparecer pela neblina que tomava toda aquela área. Por alguns minutos Fex se encontrou completamente confuso e perdido. Estava muito nervoso, pois não via nada e sentia que podia ser atacado a qualquer momento. O que se passava era que Edgard era o espião qualificado, até porque ele tinha seu carisma e não tinha cara de canalha. Os anões haviam entrado em contato com ele e em poucas horas Edgard havia se instalado em Ab’Dendriel onde havia deixado de morar a alguns meses.

    O local onde o elfo se encontra exala a enxofre, portanto esta em uma área próxima a algum vulcão. “Agora dei para ser a isca do Arion” pensou lembrando do incidente que havia destruído sua costela e visto o corpo triste de Satiren adormecido na terra fúnebre. Quase deixou uma lágrima escapar, mas prendeu-a em respeito ao amigo que não gostava que chorassem lágrimas passadas. Satiren era tão honrado e justo que Fex mal podia se colocar numa balança e medir suas qualidades. Arion estava demorando, o que deixou o elfo agitado. Ele escutou passadas aceleradas ao seu redor, porém logo as mesmas se foram e ele resolveu sentar no chão e descansar um pouco.

    Por hora ele averiguou que já tinham se passado vários minutos.

    — Então você é o astuto Fex? — questionou uma voz diferente da de Edgard.

    Fex hesitou em realizar quaisquer barulhos.

    — Quem é você?

    — Chamo-me Mazu Hiestalau. Mas costumam me chamar de Sangue Frio das Batalhas — o elfo ficou estatelado, imóvel, ainda sentando. A voz daquele ser era áspera e presente, tanto que mal ouvia o vento quando o mesmo estava falando. Logo que a neblina começou a cair, viu sua sombra. Era extremamente baixo, segurava uma arma de pouca mais de um metro e meio. Devia ter muito alcance, portanto o narigudo elfo achou melhor ficar inerte sem fazer nenhum movimento brusco. Fex então pensou que aquele anão era o líder da tropa e que se ele olha-se ao fundo veria um batalhão enorme prestes a atacá-lo. Ele sentiu-se com a corda no pescoço e imaginou que Satiren devia ter sentido o mesmo quando atacou a tropa no dia anterior.

    Mazu deu várias passadas e logo estava de pé ao lado de Fex, que transpirava de medo e pavor. O anão em pé era do tamanho do elfo sentado, por isso nem foi preciso se agachar para pegar Fex pelo queixo deixando-o a altura de seus olhos cinzentos. Ele rosou o nariz do elfo em sua barba e depois cuspiu na testa dele uma baba grossa em sinal de nojo aquela raça. A seguir ele voltou para traz e ciscou o chão com a bota de couro e trouxe a mão uma terra magenta. Depois a despejou no chão aos poucos.

    — Sua raça me dá nojo — disse enfim.

    ♠♠♠♠

    Arion recuou dois metros de onde estava. A neblima cinza o seguiu até um beco de árvores, que se curvavam como se estivessem adorando alguém que passasse pelo seu corredor. O cardeal ouviu passadas pesadas ao seu redor, mas diferente de alguns minutos átras, eram várias delas. Ele entrou em paranóia, sentiu-se perseguido e fraco. Caminhou de costas com passos de lesma, parecia um gato acoado de medo. As sombras o engoliram e derepente uma mão tampou sua boca. “Arion, quieto!” disse.

    — Efh... el — cuspiu as palavras espantando o medo. — O que era aquilo?

    — A tropa inteira — ela buscou respirar fundo, embora encontra-se com o mesmo medo de seu amigo. Ainda sofria os efeitos de Hafic, que se alojava nos pulmões e fazia com que o ar entrasse lentamente por ele, provocando tacardia acelerado. Efhel estava sem muitas opções. Não podia correr, lutar e nem se defender, mas era genial e sem dúvida ela poderia ajudar em algo.

    A elfa ficou olhando de rabo de olha por um feixe de luz que ousava adentrar aquela toca. Arion estava desconsertado e não escondeu sua atenção nos seios de Efhel que escapavam pelo decote do vestido fino de seda. Fingiu nada ter visto quando ela devolveu-os para dentro do decote. Finalmente quebrando o silêncio ela disse:

    — Você, ao invés de ficar olhando para meus seios deveria verificar se o perigo já se foi — o elfo se entregou a vergonha e fitou rapidamente as mãos de Efhel que escurregavam por seus braços. — Arion, quero que saiba que... — ele a beijou sem compromisso, era a forma de se esvaziar do medo. Ali ele a amou, e esqueceu das atrocidades cometidas aos seus... Aquela guerra havia por um instante dado um fruto diferente de sangue expelido, sangue novo, sangue de elfo nascido para morrer.




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  6. #46
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    Atraiu minha atenção. Prefiro ler um pouco mais antes de tirar qualquer conclusão.

    Abraços a todos!

  7. #47
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    Capítulo IX – O plano de vôo das andorinhas


    Arion devia estar ficando cansado de tanto fugir – lembrando inicialmente nos incidentes ocorridos em Kazzordon e na rota até Ab`dendriel. Depois de perder cerca de duas horas descansando sobre a copa de um pessegueiro, os dois elfos haviam arranjado um belo cavalo e há esta hora cavalgavam pela amarelada paisagem do sul da cidade élfica. Enquanto dava pequenos saltos no dorso do animal, Efhel observava seu companheiro, pareciam sempre franzidas dando aparência de um individuo irritado e calculista. Afinal era isso que ele havia se tornado. Guerra muda às pessoas, muda suas vidas e seus destinos.

    Efhel se lembrava vagamente de seu passado. Lembrava bem de um livro que tinha sobra às migrações das andorinhas. Quando fazia frio – perto do começo de Janeiro e fim de Março – elas voavam para o sul do continente. Do sul, quando o calor dominava migravam para o Norte. Ficavam nesse vai e vem até encontrar a morte no meio do caminho. Viver para estes seres era como ficar preso em uma sala que a cada momento tem suas paredes se aproximando do centro a fim de esmagá-lo.

    Os dois se encontravam perto de uma fazenda de criação de gado. Pelas aquelas alturas Arion comentou com Efhel que precisava urinar. Depois de alguns minutos a mais cavalgando a passo rápido, o corcel parou próximo a um riacho esverdeado.

    O cardeal saltou da montaria em um pulo e debandou para o meio do mato. “Efhel não devia se meter em encrencas” pensou enquanto se aliviava em um pinheiro “ela não pode acabar morrendo numa guerra bastarda como essa”.

    ***

    Tomando a pura água do riacho a elfa lavava a garganta dos últimos restos da essência que antes fora usada contra ela. Notou que uma erva vermelha crescia próxima a uma pedra. Arrancou uma pequena folha da planta e levou-a até seus delicados lábios, sentiu o sabor doce e percebeu que se tratava de uma Lecèbef. Algo que misturado com sangue se tornava um excelente antitoxina. Efhel podia identificar qualquer tipo de erva apenas por seu aroma e sabor, certamente que se ela observasse algo que indicasse veneno, não levaria a sua boca. Era tocante uma criatura tão cheia de conteúdo e inteligente perdesse tempo ali, quando podia estar estudado, desenvolvendo curas e vivendo sua vida. Inevitável era estar sempre em seguro, à violência estava por toda parte. Que mundo para se viver. O medo de vez em vez surgia em sua face, assustava e partia novamente.

    Sentiu uma dor na barriga o que indicava que seu organismo já havia feito digestão de todo o veneno do Hafic. De repente veio-lhe a lembrança de Fex. Ela também notou que Arion já havia sumido a cerca de vinte minutos. Ficando preocupada, ela se enfurnou no meio da folhagem, chamando por seu amigo. Olhou curiosamente para a copa de uma árvore. Ela parecia se desfazer em pequenas partículas, nisso ela sentiu suas pálpebras se fechando e seu corpo ficando pesado. Suas narinas estavam entupidas. A única coisa que ouviu antes de cair em sono profundo fora palavras em élfico arcaico dizendo:

    — Descanse.

    ***

    Fex se encontrava apático. Ele parecia estar sozinho. Lembrava-se apenas de ouvir o general Hiestalau pestanejar algo, mas isso parecia ter ocorrido há uma hora atrás, sua memória estava ruim, branca. Não se lembrava o porquê, porém sentia uma terrível dor de cabeça, provável efeito de uma pancada. Enquanto aliviava-se da dor esfregando a nuca com suas mãos ele notou que uma grossa algema de aço prendia seus pulsos de tal forma que o sangue parecia não correr. Visivelmente paralisado, Fex deu uma rápida olhada no recinto em que se encontrava. Uma espécie de circulo cercado por alguns lençóis azuis escuros colocados de uma forma que ele não via nada ao redor.

    Será que estava a sós? Parecia que sim, até ouvir o som de bota batendo.

    — Não adianta resistir. Fim da linha, Fex — a voz não era de Mazu. Desta vez era uma voz mais sutil e frágil. Atrás de um dos lençóis, por um manto de sombra surgia uma figura branca dos pés a cabeça, de cabelos loiros manchados. Um homem de porte mediano, vestido num sobretudo preto, separado por duas malhas, uma mais escura, com os detalhes trabalhados em fios de algodão dourado, algo muito chamativo surgia de trás da veste, uma armadura cor de fogo, com incrível intenção ameaçadora e assassina o que combinava cinicamente com as feições daquela figura.

    Seu semblante vislumbrava um ser indiferente. Possuía um sorriso debochado de ponta a ponta. Fex notou que trazia junto a sua mão esquerda uma luva de aço. Ele não conseguia reagir a nada, apenas notou que este ser colocava a luva repleta de ferrões de ferro enferrujados em sua mão. Uma dor aguda o atingiu de repente. Ele gemeu de dor e seu grito ecoou pelo salão entregue as sombras. Aquele homem fez um sinal com os dedos e logo após isto Fex estava novamente só.

    ---

    É isso, espero que gostem. Capítulo X deve sair perto do dia 16.

  8. #48
    Avatar de Amell
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    Você vive?
    Essa história é da época que havia o Kakaroto enchendo o saco.

  9. #49
    Avatar de Dark Psycho
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    OMG!!!
    OMG!!!

    Drasty is back!!!

    Hail to the old times!
    HAIL!

    Citação Postado originalmente por Darkness Sorcerer Ver Post
    Você vive?
    Essa história é da época que havia o Kakaroto enchendo o saco.
    Realmente cara...
    Mto antiga, porém mto boa.
    Nossa... Kuriox tbm pairava por essas areas... e Jotinha...

    Hehe... eu gosto mto dessa galerinha...
    Pena que eles tão longe...


    Bom, Caro amigo Drasty, voltando à realidade, Estou feliz em te ver por aqui cara... vc tava sumido mesmo. Eu não vou ler agora, mas assim que eu tiver um tempinho vou dar uma passada aqui.

    Boa sorte,
    Euronymous.

  10. #50
    Avatar de Drasty
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    Demorou mais chegou...

    ---

    Capitulo X – Fex e Gabriel, Simples Organismos.


    Um frio desigual lhe subia pela espinha. Devia estar febril, devido a alguma infecção. Estava há muito tempo sem poder dormir tranquilamente. Sentiu falta de Satiren e das vezes em que passavam horas lendo histórias e reclamando da vida, bebendo de um bom vinho ao som do crepitar da lareira. Com uma de suas mãos ele tateou o colar que o amigo havia lhe dado. Deixou uma lágrima correr pelo rosto imundo, a mesma que foi limpando o seu cenho negro. Vitima de torturas, de imundice e de fome. Seu estomago não fazia divergência entre bom e ruim. Ele experimentava a sensação de ter um buraco em seu ventre. Seus olhos estavam vermelhos e o lagrimejo era eterno. Fex estava acabado, era um invalido.

    As dores voltaram a atormentá-lo. Devia ter uma costela quebrada, pois não parava de sentir contrações embaixo de suas axilas. Ainda havia uma dor forte em sua cabeça, efeito de tantos tombos e pancadas. Embaixo de seu olho esquerdo havia um corte de ponta a ponta de ao menos oito centímetros. O sangue negro havia o coberto. Em suas costas diversos cortes e marcas de chicotes, facões e outras armas utilizadas para torturá-lo por simples vontade.

    Fex tinha medo. Medo de um homem sem escrúpulos, sem ética, sem pena. Um homem que vendeu sua alma a o demônio. Fex o temia, temia sua respiração. Seu sorriso debochado. Sua maneira de caminhar pela sala, batendo os pés, fitando-o com desprezo, com nojo.

    Aquele elfo era uma simples ser. Não tinha muitos gosto, nem muitos desgostos. Amava olhar para o céu. Ver as luzes das estrelas ao luar. Admirava arte e poesia. Detestava tâmara e maracujá. Odiava inveja. Ele não acreditava em deuses, nem em seres espirituais. Relatava ter tido poucas lembranças do nascimento, de sua mãe, de seu pai. Apesar de sempre ter bom humor, Fex era chato para demagogias. Não sustentava seu próprio ego, tinha curiosidade em descobrir sobre si mesmo. Queria visitar Edron, conhecer seus palácios, jogar xadrez com seus anciões. Fex queria viver.

    ♠♠♠♠


    Gabriel era um homem senil. Um louco. Gostava de ver os outros sofrerem, de ver o sangue escorrer pelas entranhas de um ser. Era simples, porém nunca deixa de tornar suas torturas complexas e dolorosas. Não tinha medo da morte. Via morte com algo tão puro e simples que não a merecia. Achava que encontrar a eternidade era a única forma de viver. Viver com o propósito de viver. Era um demagogo. Amava ver sangue, seu e dos outros. Semelhava a uma criatura masoquista. Visava o mesmo. Buscava sempre passar a seus inimigos uma imagem de homem cruel e sem alma, quando a verdade se oprimia em seu peito.

    Este ser podia ser um dos mais perfeitos políticos. Um dos teóricos mais exímios. Ele tinha o dom da palavra. Possua a persuasão. Argumento que passasse por seus lábios tinha som de verdade e de coerência. Ele havia organizado tudo. Havia mobilizado os anões. E com que propósito? Vingança? Prazer? Por nada. Gabriel era um homem sem destino, mas este não se importava com isso. Ele vivia para ver outros morrem. Para ver famílias terminarem. Para invocar o ódio.

    Em sua figura cheia de mistérios, Gabriel era homem. Talvez um homem diferente, simples demais. Não desgostava de nada, não contestava nada. Gabriel era mais simples que Fex. Ele era o organismo mais simples desse complexo. Ele era a própria figura de ódio enquanto caminhava pela saleta. Andava em direção ao elfo. Ele passara a noite toda ensaiando o desfecho de seu prisioneiro. Pensara em diversos modos. Acabara decidindo por soltá-lo. Sofreria mais com o que veria do que simplesmente morrendo.

    A perversidade de Gabriel ultrapassava o sobre humano. Ele não temia uma vingança de Fex. Ao contrário. Ele a desejava profundamente. Gabriel sabia que Fex o faria assim que tivesse a chance. Sabia também que o exercito élfico não tinha homens suficientes para sustentar os anões. Seria um massacre. E novamente ele queria ver o elfo arriscar a vida, ir contra seus princípios.

    Enquanto passava pelo covil ele imaginou Tullar ficando uma faca em seu ventre. Chorando sobre o próprio sangue. Era a arte vibrando. Ficou ali por cerca de dois minutos imaginando aquela cena. Ficou até o guarda-chaves aparece para abrir a porta.

    Ele respirou fundo. Seus pés se moveram. Ele seguiu seu caminho.

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