Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
Bom, lá vamos nós comentar os próximos capítulos.

Ler sua história por si só é uma grande inspiração. Mas não uma "inspiração" geral, mas uma deveras "melancólica". Desespero, medo, melancolia, tristeza... Sério, o tanto de depressão que você consegue colocar nas personagens, mesmo em "partes filler", pra desenvolver a personalidade de algumas personagens, como Nuito, quando descreveu a história de Agal. É legal que não só com o Borges e o Richard, que presenciaram incesto/estupro/abusos, mas esse tema voltou, mesmo que sucintamente. E pelo visto isso é o suficiente pra causar muita, mas muita m*rda ;x

No mais, que capítulo. O poder do Akanancore, p*ta merda HUEHUEUE. Criou um bioma digno de Roshamul, e o que mais me surpreende... O FUCKIN NUITO FICOU TODO ESSE TEMPO LÁ. Sério, o cara viu o que parecia ser um vampiro, e mesmo assim prosseguiu. Se Redchain chamou o Nightcrawler de Nuito, com toda certeza é porquê o Nightcrawler no mínimo tem toda essa determinação do Nuito, embora seja mais poderoso e tenha o demonho do lado.

De resto, que desenvolvimento. Estou curioso para saber da forma que o Akanancore criou... E o que está para ocorrer. Ainda acho que Ember se envolverá de um jeito, e te conhecendo, todos terão uma morte terrível...


E por fim, encerro dizendo o seguinte: não desista! Por mais desanimador que seja ter poucos comentários, o número de visitantes no tópico não mente, e se há uma brava alma que conseguirá ler e acompanhar tudo até o final, como eu, com toda certeza esta alma sentir-se-há lisonjeada por ler algo tão delicioso, e por conhecer um pouco desse íntimo mal humorado, mas com uma vontade ferrenha, desse Carlos... Lendário.

Deveras Lendário.

Ok, desativei o meu modo gay.
Fala Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios e PARA DE CHAMAR O DARTAUL DE RICHARD PORRA


Cara, já ouviu falar que, as vezes, o clima de uma história depende do ponto de vista que um autor tem sobre a vida? É mais ou menos assim que lido com Bloodtrip. O Mundo Perdido é bem diferente, é um clima mais épico e heroico, não há tantas reproduções de dificuldades que as pessoas tenham que lidar, mas essa história foi ótima pra eu me arriscar a fazer isso. De certa forma, Bloodtrip foi uma saída da minha zona de conforto, e acabou dando certo (Pois essa virou minha nova zona de conforto ). É legal que você veja tudo isso e capte como uma inspiração, só não vá ter a mesma visão da vida que a minha. Ser pessimista não é saudável.

Devo dizer, o poder do Akonancore não tá 100% demonstrado ainda, mas isso porque não estamos no tempo atual da história ainda. Logo você entenderá. E Nuito é bem corajoso mesmo, mas se levar em conta que ele ficou matutando Tiquanda por 10-11 anos sem cansar, e levando em conta o quão chato é andar por lá mesmo no Tibia (Caralho, eu tenho um ódio COLOSSAL pelas Carniphilas, bicho chato da porra), ficar perto desse bioma nem é algo tão grande. E isso que ele tá crescendo ainda hein, não tá 100% também não. Btw, nem só de mortes terríveis eu vivo, então fica tranquilo.


Obrigado pelas suas palavras encorajadoras cara, eu passei a ver que nem todo mundo tem paciência pra ler todos os dias (Eu tinha começado a ler de novo O Hobbit já tem mais de um ano e não terminei até hoje, pra você ter uma noção) e isso é compreensível levando em conta o que precisam lidar diariamente. As pessoas que leem minha história são adultas e tem responsabilidades. Mas Bloodtrip é uma responsabilidade minha. Então, não posso mais esperar alguém comentar pra postar um capítulo. Eu preciso terminar essa história, sério. Eu já planejei tanta coisa pra esse universo novo tibiano que criei, mas ainda não tive a chance de botar tudo no papel. E pra tal, eu preciso terminar Bloodtrip.

Já não sou mais lendário, então me chame de Cavaleiro Carlos.
seu viadinho

Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
Bom lá venho eu para um comentário gigantesco: Tá ótima a história. Pensou que era só isso???????























kkkkkkkkk
Lá vai um trolar a história, poxa a história é muito interessante, no geral assim, especificar um ponto ou outro fica complicado que seria mais fácil comentar capítulo a capítulo como nosso amigos botas ali, mas cada capítulo vale como se fosse uma história roleplaying das competições de tão grande e tão complexa, Vamos ao princípio; guerras e mortes, tem coisa mais misteriosa que um assassino desconhecido? Claro que tem, a forma com que encontram ele, a morte de uma rainha, como pode, será verdade?

Vou indo devagar até atualizar na história, mas só uma questão, joguei a muitos séculos atrás um jogo chamado Brigantine de PS1, nele uma das evoluções do ghoul é vampire e depois lord vampire pelo que me recordo, bom jogo pra quem gosta de rpg por turno e pode encaixar na citação dele em seu capítulo. Sucesso e acompanho na medida do possível.
Caralho, olha só quem veio ler minha história, bicho.

Grande Sombra de Izan, muito grato pela sua presença aqui. Não imaginei que Bloodtrip estivesse sendo tão complicado pra você, eu mesmo imagino que não seja lá tão fácil ler cada capítulo, visto que eles cresceram muito desde a época em que você estava na seção. Tornar as coisas mais complexas, mais misteriosas e estranhas é uma tendência que tenho tido, e essa história tem muito disso, como pode ver.

Btw, é boa sua referência a esse jogo, mas a questão de ghouls e vampiros vai mais de área e cultura dentro de Tibia, como não é comum encontrar clãs de vampiros no deserto, também não é fácil achar famílias de ghouls em Edron, por exemplo. Basicamente, nenhum é evolução do outro.

Espero que a história continue sendo do seu agrado, Izan. Grande consideração por ti, mano.










Teve um dia que eu falei "O capitulo 20 de Bloodtrip foi feito para ser o maior capítulo da história".

Jokes on you, Carlinhos do passado. Sabe de nada.



O capítulo 31 acabou ultrapassando minhas expectativas, e a história das origens de Senzo acabou sendo a maior da história. Encerro esse capítulo com sete partes e parto para outro. Com isso, acredito que o fim será alcançado no capítulo 35.

Enfim, vamos continuando!





No capítulo anterior:
Nuito se aposenta da vida de biólogo e explorador e viaja para Edron para testar o que o Akonancore pode fazer na terra. No fim, ele gerou um bioma extremamente perigoso e desconhecido do qual ele tenta desbravar. Mas uma de suas tentativas dá errado e ele é salvo por Ember.




Capítulo 31 – Resmonogatari
Parte 7





— Ember!

Nuito está feliz em vê-la. Ela está usando uma armadura, calças e capa élficas e esverdeadas, além de um cachecol púrpuro no pescoço, que antes protegia sua boca e seu nariz, mas ela o abaixou para ser reconhecida. Embora faça um tempo que eles não se veem, ela não sorri. Sua seriedade dá um banho de água fria em Nuito.

— Há muito que preciso te perguntar, mas é melhor sairmos daqui primeiro.
— Concordo plenamente. Mas antes...

Nuito pega seu arco, a flecha e a corda e dispara em pouquíssimo tempo contra a água. Ele puxa a flecha de volta e revela o peixe de antes, debatendo-se, mas parando de se mover seis segundos após ser retirado da água. Mais ou menos o tempo que levou para ele conseguir pegá-lo em suas mãos. Ember impressiona-se com o quanto ele melhorou com o arco, mas não comenta nada.

Os dois saem da área e correm para a cabana de madeira. Nuito fecha a porta e coloca vários reforços de madeira nela. Ele entra na sala com a moça, e põe o arco e a aljava ao lado do único sofá do recinto, levando o peixe agora com as duas mãos. Ele aproxima-se do pequeno quarto onde guarda várias coisas que recolheu na área do Akonancore para guardá-lo, enquanto Ember observa um pouco a casa.

Não há realmente nada demais ali. Nuito a construiu sozinho, e ela é pequena, acomodando um pequeno quarto onde há apenas uma cama de solteiro e uma cômoda pequena para algumas roupas. No quarto ao lado, ele mantém um pouco de comida em potes no lado direito e tudo relacionado a área infectada fica bem trancada e selada com magia no lado esquerdo. Provavelmente ele cozinha tudo no lado de trás e traz para a casa para comer no sofá. Os móveis obviamente foram conseguidos em Stonehome e trazidos para lá com a ajuda de alguém.

Ember normalmente ficaria tímida sozinha numa casa com Nuito, mas dadas as circunstancias, não sente mais nada. Somente mantém-se preocupada com o estado que aquela terra encontrava-se. Elfos são muito conectados a terra, então ver algo daquele nível acontecendo com parte do corpo de Tibiasula toma-lhe mais a preocupação do que um amor a confessar.

— Comece a me explicar. Do começo. — Cobra Ember, de braços cruzados.

Ao invés de Nuito abrir o jogo, ele simplesmente chama-a para o local onde guarda amostras da área infectada. Ele põe a mão sobre um dos armários por algum tempo, até que ele trema levemente. Em seguida, abre-o, recolhe um dos potes de vidro e mostra para ela um dos vermes que recolheu. Ele ainda está vivo, mesmo sem comer, sem beber, sem ver a luz do dia. Ele parece uma lagarta na parte inferior, mas a superior lembra mais um olho enorme. Ele tem uma coloração de tons de amarelo para o laranja, parecendo um dos destaques daquela área. Além disso, ele tem inúmeros olhos pequenos na região inferior.

— Isso é uma das coisas que surgiram ali?
— Exatamente. Batizei ele de Oliphila. Encontrei um monte de outras coisas esquisitas lá, mas isso tudo é parte do motivo do qual vim aqui.

Ele encosta a porta do armário e abre o do lado, recolhendo um outro pote com água normal. Seria a água purificada do lago quando ele não foi alterado.

— Vim aqui há quatro anos pois recebi uma carta de um pesquisador que a área estava sendo alterada por algo artificial. Quando cheguei aqui, só notei a diferença escavando a terra, e ainda conseguia recolher água do lago onde estava há pouco. A terra estava viscosa, demorava pra sair das mãos, diferente do barro. Com o tempo, as alterações foram surgindo, e comecei a minha pesquisa. Mas logo percebi que esse lugar estava ficando hostil e precisei me armar. Foi estranhamente rápido. Um dia, eu estava começando a pegar grama vermelha no meio da verde, no outro eu já via aqueles humanoides andando sobre a terra.
— Isso é horrível.
— Recolhi essa água antes de tudo acontecer. Ela não foi alterada, porém. Parece que foi algo realmente plantado lá.
— Uma planta?
— Não faço ideia. Talvez uma poção que deu errado.

Nuito não queria dizer a verdade. Seria problemático demais se o fizesse. Como Ember o olharia depois de saber que foi ele quem destruiu aquela área ao redor do lago? Se ela realmente gostasse dele tanto quanto ele pensava, esse amor todo desapareceria e seus instintos élficos agiriam em alta velocidade. Ela começaria xingando-o, e logo estaria enterrando uma adaga em seu peito. Por isso, não quer arriscar.

— Eu aproveitei e tomei a liberdade de dar um nome para o bioma: Muzonsentouki. Retirado do hanrajiinês.
— O idioma dos lagartos de Chor?
— Exatamente. Mas nas últimas semanas, simplifiquei a palavra para Musenki. A tradução literal é Carmesim Lutador. Não sei se preciso explicar melhor isso, mas...
— Tudo bem, entendi sua intenção. O nome não ficou ruim. — Disse Ember, descruzando os braços — Então... Musenki é algo artificial. Bom, é o que eu esperava, após ouvir os rumores.
— Rumores?
— Nuito, você está começando a se tornar suspeito em Edron. O povo já notou essa coisa vermelha crescendo, a terra mudando. Você deve estar afastando todos e contando o que tem visto, mas é mais que natural que o que você conte acabe se espalhando, não acha?
— Bem... Isso é inevitável. É melhor um rumor bobo do que uma pessoa morta.
— Ainda assim Nuito, as pessoas suspeitam que você tenha algo a ver com o que está acontecendo naquela região. As mais inteligentes sabem que você é um biólogo e está pesquisando e tentando descobrir o que tem causado aquela mutação, mas sabe que inteligência não é um primor de todo humano comum, não é?
— Até concordo, mas não vou me intimidar com isso.
— Pois deveria. O povo é uma arma poderosa. De greve a guerra, o governo perceberá em breve que a hora de intervir nessa região chegou, graças a população. Quando isso acontecer, você terá de ir embora. Ou melhor, seria melhor se você já fosse, pois não demorará mais que um ano para aventureiros e exploradores chegarem aqui para ver com os próprios olhos o que está acontecendo com esta terra. E esse é o pior cenário possível.
— Sim. Se houver doenças lá...
— Se espalharão para outras partes de Tibia e ninguém saberá como curá-las. Fora as pessoas que morrerão para aqueles monstros.

Nuito sente-se horrível. Apesar de ter conseguido o que queria, sua atitude não fora louvável. Ele destruiu aquela região e aquilo pode muito bem se espalhar para o resto de Edron em algumas décadas. Tudo por causa dele. Mas se o peixe que ele conseguiu lhe der o que precisa, a cura para aquele lugar virá em breve.

— Bem, de qualquer maneira, aquela região me deu algo que eu realmente estava precisando. E isso ajudará a parar Senzo.
— Como?
— Olhe. — Nuito coloca o peixe negro que pegou sobre um balcão. Ele pega uma das lamparinas do quarto e a coloca perto do peixe, mostrando a camada dura que possui sobre o corpo, bem como as placas visivelmente duras próximas da cabeça — Não dei um nome para isso ainda, mas o fenômeno se chama Alterorganis. Trata-se da teoria que todo bioma possui um organismo vivo totalmente diferente do clima onde ele se encontra. Em Tiquanda, no passado, encontramos a Pantera da Meia-Noite, mas mesmo que rapidamente, notamos que ela possuía uma pelagem muito semelhante a de animais que vivem em locais frios, contrariando o clima tropical daquele lugar. Ela é um Alterorganis. E esse peixe é o Alterorganis daquele lugar.
— A Teoria do Organismo Alternativo que você criou, não é?
— É, mas eu simplifiquei o nome.
— Ficou uma bosta.
— Enfim... — Nuito pigarreia e volta a falar — Essa Alterorganis pode, de alguma maneira, parar o Akonancore que Senzo desenvolveu. Recolhi outro material semelhante à natureza do Alterorganis a partir de uma lula que cresceu naquele lago, então acredito que posso desenvolver o que chamo de Aço Negro.
— Aço? Bem, esse peixe parece bem duro olhando de perto... — Disse Ember, enquanto toca o peixe. Mas ao sentir sua textura, acaba tirando o dedo rapidamente — Credo! L-Lembra mais a textura do cérebro de algum animal!
— As aparências confundem — Ri Nuito, mais uma vez achando graça de certas bobagens pouco inteligentes que Ember faz, irritando-a no processo. Ember fica um tanto envergonhada, não só por isso lembrar as aventuras dos dois em Tiquanda como por também lembrar o tempo que tiveram na academia.

Isso ajuda Ember a se lembrar de algo importante. E, abruptamente, as peças se encaixam.

— Disse que servirá para parar o Akonancore de Senzo, não é? Mas como isso funcionará?
— Irei desenvolver algum corpo resistente que leve o Aço Negro de forma que me permita despejar sobre a criação dele, ou lutar contra. Pode ser uma espada mesmo. Embora eu acredite que esse aço não será melhor que o que já conhecemos, será extremamente eficiente contra o Akonancore.
— E como você tem certeza disso?
— Pois o Aço Negro é o Alterorganis do Ak-

Nuito para de falar, e no exato momento em que ele se interrompe, Ember muda sua expressão. Não era necessário falar mais nada.

Com isso, Ember sai andando rapidamente do quarto, levando Nuito a perceber que deixou seu segredo escapar graças a lábia quase invisível da elfa, algo natural de um elfo tibiano. Ele mal percebeu que estava contando, pouco a pouco, que ele foi o responsável por destruir aquela terra.

Ele vai atrás da elfa apenas para perceber que ela parou a sete passos da porta. Adiante, uma figura encapuzada está no caminho para a porta.

— É, concordo contigo, Ember. Como alguém como Nuito, tão apaixonado pela natureza, teria coragem de destruí-la?

É a voz de Senzo.

Em instantes, as lamparinas posicionadas em alguns locais da casa acendem sozinhas. Algumas nem mesmo tinham óleo, mas ainda assim estão acesas naquele momento, e com óleo. Nuito deixou sua lança e seu arco e flechas próximo da porta. Só Ember tem armas em mãos. Sente-se azarado por isso, afinal, Senzo aparecer na sua casa daquele jeito é a última coisa da qual ele esperava.

— Como você veio parar aqui, Senzo?
— Sou o papai noel. Estava de férias e voltando para Vega.
— Esses tipos de piada não caem bem em você.
— Mas estou falando a verdade. Quem disse que vocês terão natal esse ano?

Senzo está realmente de vermelho. Ele está usando um gibão um pouco grosso de mangas longas de cor vermelha, calças vermelhas e botas vermelho-escuras. Está com uma ombreira de aço no ombro esquerdo. Ember recua para perto da porta do quarto, com arco em mãos.

— Brincadeira. Vim apenas parabenizá-lo, Nuito. Você fez algo genial, como sempre. Nem eu havia pensado nisso ainda.
— Do que está falando?
— Lançar Akonancore sobre a terra sem nenhum desejo. Cara, sério? Nem eu sei direito do que o Akonancore é feito, afinal, sempre uso muitos materiais diferentes para alcançar a forma original do primeiro Nancore, então nem sempre sei no que aquilo pode terminar, mas você... Você simplesmente ignorou tudo isso e jogou sobre a terra para ver o que aquilo ia fazer por conta própria. E veja só, você criou algo novo. Um lugar novo, um bioma novo! E então, como é a sensação de ser um deus?

Nuito engole em seco e não responde. Sabia que, um dia ou outro, Senzo acabaria referindo-se ao uso do Akonancore como algo divino.

— No mais, eu tenho focado demais em quaisquer outras coisas além do Akonancore. Vamos lá, eu já atingi a perfeição. Quero que as outras coisas que possuo tenham a mesma perfeição. Por exemplo...

A manga direita de seu gibão, mesmo sendo grossa, desaparece em instantes, virando pó. No lugar, surge um braço mecânico, com uma textura lembrando prata. Há uma corrente ao redor dele, e no seu pulso, logo abaixo da palma de sua mão, está uma ponta de lança, igual as que ele usava na Célula de Ferro.

— Incrível, não é? E nem precisei perder o braço para cobri-lo com isso!
— Senzo... — Murmura Ember, um pouco irritada.
— Cala a boca, Ember.
— Cale você a sua boca! — Disse Ember, colocando uma flecha em seu arco em menos de um segundo. Ela dispara rapidamente, mas ao invés dele desviar, ele simplesmente estala os dedos. A flecha para em alguma coisa criada na sua frente.

Era a cabeça de um Ordinário. Ela cai no chão logo atrás de Senzo.

— Há mais um motivo para eu querer parabenizá-lo, Nuito. Você criou o ambiente perfeito pra mim! Ora, para eu conseguir criar coisas simples, tive que literalmente engolir minha criação. Mas agora você jogou minha criação sobre a terra, justamente quando eu lhe dei buscando ajudá-lo. E no fim, você foi quem acabou me ajudando! Sempre pensando nos outros no fim, não é mesmo, Nuito?
— O que, por todos os deuses, você está falando? Eu não consigo mais te entender, Senzo. Você nem parece mais... Você. O que aconteceu?
— Eu finalmente encontrei o caminho. Agora, eu tenho uma razão para viver. E eu quero que você me ajude, Nuito. Você também pode, Ember. Como nos velhos tempos! Talvez eu até consiga trazer Norbron de volta, e faremos tudo como antigamente. Experimentos são divertidos, não é?
— Inferno! Senzo, cala a boca! Você é inacreditavelmente irritante agora, céus! Não consigo sentir nada senão ódio de você! Por mim, você poderia morrer! — Vocifera Ember, apertando bastante seu arco.
— Ah, nesse caso, vamos exclui-la. Ela não é tão importante assim, não é? Qual é, Nuito. Vamos! Me ajude, como sempre me ajudou. Você sempre me apoiou! E eu fui muito, muito longe, graças a você. Se eu não tivesse um amigo como você, eu estaria em apuros.

Nuito entende bem agora o que Ember quis dizer, no passado. Mas não entende porque Senzo o admirava tanto, considerando que ambos são inteligentes ao mesmo nível. Ao menos no seu ponto de vista.

— Eu não te entendo... O que você quer?
— Quero mudar o mundo com o Akonancore. Posso criar coisas melhores que aquilo que você fez, mudar Tibia. Desafiar os deuses e mostrar que os humanos também são capazes de milagres. Que tal? Preciso de seu altíssimo conhecimento sobre geografia e biologia. Você é um gênio sobre a natureza tibiana. Você me seria útil de tal maneira que-
— Senzo, pelo amor dos deuses, cala a boca.

O alquimista está chocado.

Nunca antes Nuito mandou ele se calar de forma séria. E ele parecia bem sério, além de perplexo.

— Eu disse antes, você não parece com você mesmo. O que está dizendo? Desafiar os deuses? Está doente? Darashia queimou seus miolos?
— Como eu disse... Eu encontrei meu caminho. E tudo bem se não quiser me ajudar. Você já me foi de grande ajuda.

Senzo bate palmas duas vezes e no instante seguinte, vários Ordinários preenchem a sala. As mesmas criaturas que lembram cogumelos, mas dessa vez, eles pareciam ter vários olhos na parte inferior, além de tentáculos curtos nos braços. Evoluíram mais uma vez.

— Eu sou o deus dessa terra, e dela tomo posse. Desapareçam.
— Corre, Nuito! — Grita Ember, enquanto coloca duas flechas explosivas sobre seu arco e as dispara contra os seres fantasmagóricos, criando uma forte área de efeito sobre eles e dando tempo para escapar.

Nuito pega o peixe negro e arromba uma porta do armário a direita. Ele pega dois potes com um liquido laranja-claro e coloca sobre os braços. Em seguida, ele pula e soca o teto, fazendo uma portinhola se abrir e uma escada cair. Ele começa a subi-la, enquanto Ember lhe dá cobertura. Ela o leva até o teto, e lá em cima, no telhado, ele acha uma bolsa laranja no chão e coloca os frascos e o peixe lá dentro. Acha outro arco, outra aljava com flechas explosivas, pega-as e corre para a ponte. Ember aparece logo depois ali, disparando uma flecha explosiva contra a escada, fazendo-a cair. Ambos correm até o monte.

Após descerem o monte, ambos passaram horas correndo pelo bosque até chegarem na montanha dos wyverns, e só param de noite no outro lado, em Stonehome. Cansados e frustrados, eles caminham vila adentro, buscando abrigo.

Mal perceberam que ela está sem um resquício de luz sequer.

Nuito acaba parando antes de Ember, e ela sem querer tropeça em alguma coisa e cai no chão. Seria motivo para ele dar risada se não fosse a situação em que se encontram.

— Merda! O que foi isso?
— Não sei, não vejo nada, esse lugar está um breu. Consegue iluminar o lugar?
— Sim... Utevo Gran Lux.

Com a iluminação, Ember assusta-se com o que tropeçou, principalmente com os arredores. Pois, na sua frente, está um corpo de um habitante do vilarejo. E há vários outros corpos ao redor. Feridos por lanças e facas, todas de cor carmesim, geradas do Akonancore.

Nuito ajoelha-se e soca o chão. Criou uma conexão com os habitantes dali, pois eles sempre o ajudaram. Na visão deles, ele estava evitando que uma praga se espalhasse. No fim, acabou dando a eles sua ruína. Por isso, ele está quase chorando, enquanto continua socando o chão. Ember senta-se e olha para o horizonte, evitando olhar para os cadáveres. E especialmente para Nuito.

— Nuito, não importa o que você diga. Não é culpa sua. É daquele miserável do Senzo. Ele nos traiu. E acabaremos com ele.
— Você não entende... Fui eu quem começou essa ideia. Se essas pessoas estão aqui, mortas, a culpa é minha. Você sabe disso. Além disso, eu maculei um lago e a região ao redor dele... Eu sou horrível.
— Chega, Nuito... — Ember pede, mas não consegue nem mesmo manter sua firmeza e seriedade frente a um Nuito tão desabado. — Por favor, pare. Eu entendo o que você fez agora. Você queria evitar que Senzo destruísse Tibia do jeito do que aconteceu no lago. Seu plano foi muito bem pensado, e agora temos uma chance de pará-lo. Por que está assim?
— Isso não os trará de volta, Ember. Eu trai o povo de Stonehome. Os edronianos estavam certos. Eu traria ruína para eles.

Ember respira fundo. Ela levanta-se e vai até Nuito, ajoelha-se na sua frente e levanta seu rosto. Ao encará-lo tão de perto pela primeira vez, sente uma enorme vontade de recuar, mas ao invés disso, ela lhe dá o mais honesto dos beijos. Um que durou pouco mais de dez segundos.

Ao deixá-lo, Nuito parece melhor, mas bem surpreso.

— Mesmo que eles tenham morrido por causa daquele lugar infectado e da obsessão de Senzo, você pode vingá-los e fazer com que a morte deles não tenha sido em vão! Você tem o necessário para anular os poderes do Akonancore, não é? Então pare de choramingar e comece a trabalhar! — Disse Ember, puxando-o para mais perto ainda de seu rosto. Ela pousa sua testa sobre a dele, enquanto uma solitária lágrima cai do olho de um Nuito incrédulo. — Salve Tibia, Nuito. Lute. Por mim. Por Tibiasula. Por todos os deuses. Pelos mortais que caminham por esse mundo.

O homem respira fundo e tenta se acalmar.

— Tudo bem. Irei lutar.

Ember sorri e o abraça. Mesmo cercada pela morte e pelo horror, ela ainda conseguiu a chance que tanto esperou de poder mostrar ao menos um pouco do que sentia pelo rapaz. Depois de vinte e dois anos.

Ainda assim, a espera valeu a pena.








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