A noite costumava cair cedo naquela época do ano, mas mesmo assim Muriel nunca vira o céu escurecer tão rapidamente e isso estava começando a preocupá-lo. O mago que vivia em uma pequena choupana no extremo norte de Svargrond era uma pessoa extremamente solitária, ia à cidade apenas quando as estações mudavam e ele tinha ido à cidade há apenas um mês, quando o outono havia chegado.
A lembrança de sua ultima ida o fez rir, enquanto puxava um peixe com sua vara de pescar e colocava uma minhoca em seu lugar.
“Senhor, o que você faz acompanhado deste demônio esqueleto? Eles não são perigosos?”. Muriel apenas disse ao menino que ele era Tim, uma criatura inofensiva e que ele mesmo havia evocado, pois era um mago muito poderoso. (Na verdade ele não tinha nada de poderoso, ele aprendeu apenas essa magia para ter um servo para lhe ajudar a carregar o peixe e quem sabe o defender de algum monstro). Mas o menino sem saber de nada admirou o mago e seguiu para junto da mãe.
-Poderoso mago. –Riu novamente - Não passo de um pescador. – a noite caiu e ele se via nadando para a costa onde encontrou com Tim, e ambos foram andando até sua casa.
Sua pescaria lhe rendeu 12 peixes, e isso seria o bastante para se alimentar e ganhar cerca de 70 moedas de ouro, quem sabe com elas ele compraria algumas runas de campos de fogo para se aquecer e preparar comida, e talvez até um livro para passar o tempo.
Muriel se alimentou e sentou para ler seu único livro, A História de um Yeti, ele leu cerca de trinta paginas, quando seus verdes olhos já imploravam para serem cobertos, ele dormiu.
Então ele sonhou, imaginou que podia fazer qualquer coisa, que poderia sentar-se no trono do Rei Tibianus, que poderia controlar as estações do ano, para que fosse sempre verão, que nunca mais precisa-se pescar. Seu sono foi obstruído por um barulho de passos. Ele levantou-se encarou os vermelhos olhos de Tim e disse:
-Vamos, esse barulho veio la de fora. -Ascendeu uma tocha, pegou seu poderoso cajado de energia cósmica e andou ate a porta. -O que você está fazendo aqui? -Perguntou o velho ao garoto que havia encontrado na cidade ha alguns dias atras. -Você veio até aqui sozinho?
-Senhor, minha mãe senhor... –O garoto não parava de soluçar. –Ela, eu, nós estávamos vindo visitar o senhor, quando um bando de mamutes acompanhados de quatro yetis e um mago muito estranho senhor.
Enquanto o menino tentava contar para Muriel o ocorrido , o verdadeiro motivo para a perturbação do sono de Muriel havia chegado. Um mago, com sua barba branca que atingia seu peitoral, olhos azuis brilhantes e frios como o gelo andava lentamente em direção a Muriel. O homem usava vestes azuis claras , e carregava um cajado, um cajado que Muriel nunca viu igual, além disso o velho esbanjava poder, e isso devido a sua aura e ao exercito de monstros que o seguiam.
Estupefato Muriel só tinha uma coisa a dizer:
-Garoto, pegue esse anel do tempo, ele irá permitir que você corra rapidamente, quando chegar à Svargrond, avise a todos que fujam que se escondam e que chamem os melhores guerreiros do mundo.- O homem fez uma pausa. -Diga a eles, que Ferumbras retornou. - O menino não demonstrou expressão alguma, mas pensou que se aquele era mesmo o Ferumbras não haveria esperança, se ele conseguiu voltar novamente, ninguém poderia pará-lo. O pensamento do menino foi interrompido por um berro de Muriel. –Ande garoto, fuja de uma vez, não acredito que ele vai matar você agora, o que está esperando?
O menino correu muito rápido e o homem de capuz azul, Ferumbras, esboçou apenas um sorriso, estalou seus dedos então uma tempestade de gelo caiu na direção de Muriel, ele teve tempo apenas de pensar que era esse o tipo de feitiço que ele costumava fazer em seus sonhos.
Então a morte chegou, e ela, era gélida como o inverno.