Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Tópico: A Voz do Vento

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  1. #1
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    Iridium,

    Li muito viu? Li coisa pra caramba mas consegui colocar a sua fic em dia. Eu só tinha lido até o ponto que o Ireas deixa Rook, ai pulei o miolo e só fiquei lendo os capítulos finais, da reta final das tretas no meio dos lagartos.

    Mas agora to com tudo lido (gente eu não tinha percebido mas o Ireas é gay por isso que geral pede nos comentários pra ele namorar uma paladina coxuda)


    Mas como o coitado sofre, Iridium. Que destino horrível, ser obrigado a matar a própria mãe.


    Eu achava que a Esquecimento ia perder a luta final mas ia conseguir escapar sei lá e depois tentar mudar de mentalidade. Que tragédia.


    Mas pelo visto a aventura continua né, o Ireas agora vai tentar acabar com a irmandade. E isso me leva a pensar em um lugar: Drrrrrrrrrrefia

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  2. #2
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Segundo Pergaminho, Capítulo 60

    Saudações!

    Com o capítulo de hoje, o Segundo Pergaminho terá acabado oficialmente; antes de iniciar o Terceiro (e último) Pergaminho para fechar a história com chave de ouro, farei dois posts de retrospectiva do Primeiro e Segundo Pergaminho respectivamente, para tirar dúvidas de quaisquer leitores e contar algumas coisas que eu pretendia (ou não) com cada saga do Ireas.

    A II Justas Tibianas ainda está no ar! Leia os tópicos dos escritores e VOTEM!!!

    Vamos aos comentários:


    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!

    ----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 60 — Enterrem Meu Coração… Onde Ele Possa Sobreviver

    O fim de uma Era… É o início de outra?

    (Narrado por Ireas Keras)



    Foi a primeira vez que pisei em Yalahar.

    Mesmo sem estar em débito comigo, mesmo sem a necessidade alguma de fazer tal gentileza, Kinahked nos abarcou no Caçador de Almas, que ficara intacto na costa de Zao por algum milagre. A tripulação nos recebeu bem, mediante os padrões deles. Enquanto todos foram realocados para suas cabines embaixo do convés, eu quis ficar um tempo sozinho.

    Sentei-me perto da proa e deixei no chão de madeira recém-esfregado. Olhando para cima, o céu parecia mais brilhante que o usual. Fiquei olhando as estrelas com o único olho que eu tinha agora, sentindo um vazio imenso tomar conta de meu coração e mente. Eu via o brilho nas estrelas, mas não enxergava beleza… Tudo que eu conseguia ver era as almas dos que já tinham partido daquela vida para outra… E o quão sozinho eu estava me sentindo.

    — Keras?

    A voz grave soava distante; demorei um tempo para olhar em sua direção e perceber que se tratava de Yami; com o céu bem escuro e pouca iluminação no convés, apenas conseguia ver parte de sua silhueta e o distinto brilho de seus olhos dourados. Ele me olhava, pela primeira vez, com uma expressão que eu nunca havia visto nele.
    Preocupação.

    — Você ainda não foi dormir? — Indaguei, melancólico e estranhamente indiferente.

    — Não. — Replicou o Efreet estranhamente sem jeito. — Você… Ficou com a minha Lâmpada.

    — Oh! — Eu me sentei e abri minha mochila, procurando pelo objeto. — Aqui está. — Entreguei a ele a Lâmpada, voltando a me deitar.

    Olhei para o lado e ele continuava lá a me fitar; soltei um suspiro ressabiado, piscando devagar.

    — Eu lamento por…

    — Eu sei. — Repliquei, ríspido, não querendo ter aquela conversa. Não naquele momento.

    — Eu lamento por tudo, Keras. — Completou o Efreet, a despeito da minha cortada anterior. — Wind era uma boa pessoa. Para você e todo mundo ao redor dele. Não há como negar isso.

    Eu assenti levemente com a cabeça; o Efreet parecia querer falar algo mas apenas retribuiu o cumprimento e saiu de cena com a lâmpada na mão. Fiquei, novamente, sozinho, olhando as estrelas.

    Eu me sentia… Sem vontade alguma; não queria fazer nada. Estava com sono e não queria dormir, estava com fome e não queria comer… Sentia dores em meu corpo e em meu olho mas não tinha a menor vontade de resolver a situação. Estava triste… Mas não conseguiu chorar. Não naquele momento. Me sentia oco, seco e vazio.

    — Não se culpe, criança…

    A voz de Nornur era plenamente audível pelo vento frio que soprava ao meu redor.

    — Vento do Norte… Meu filho mais tempestuoso… — Falava o Deus, sereno. —Você fez o que podia… E curar as feridas de Esquecimento Eterno… Permitir que o Outono e Inverno a levassem em uma forma menos decrépita… Foi nobre e honroso da sua parte.

    — Mas… Perdi Liive… e Wind… Nesse meio tempo. — Sussurrei de volta, magoado. — Não estou certo… De que fiz as escolhas certas. Eu não deixo de pensar e sentir… Que sou indigno de tudo. Mesmo.

    — Você só será indigno, Vento do Norte… Se você se mostrar assim. Se você permitir que te vejam e te julguem dessa forma. — Ele parecia mais forte, assim como o sermão que estava me passando. — Só você pode mudar esse sentimento. Lembre-se de que o Vento do Sul… Seu irmão, ainda vive. Ele pode… Ajudar você. Assim como seus amigos...

    Dito isso, sua voz desapareceu no ar e eu fechei o meu olho são, sentindo-me muito melancólico e vazio.

    — Espero que esteja certo, Nornur… Espero mesmo.


    *****


    (Narrado por Rei Jack Spider)


    Ao final de três semanas de navegações, dada a habilidade especial do navio de Kinahked, chegamos em Nibelor; passamos apenas para recolher o corpo de Wind e continuar viagem a Yalahar. Ireas estava ainda monossilábico, mas parecia ficar mais feliz ao ver a pequena Skadi balbuciar perto dele. A visão da menina parecia dar-lhe um pouco mais de propósito.

    Entretanto, quando saímos de Nibelor, seu humor estava pior; ele parecia ter se desentendido com a cunhada, mas não quis falar a respeito. A bem da verdade, seguimos viagem sem que ele dissesse uma palavra sequer.

    Chegamos a Yalahar uma semana depois, quando o Inverno estava já em seu ápice: era o aniversário de Ireas. Chegamos à cidade-ilha de Yalahar e atracamos assim que obtivemos autorização. O porto era mais detonado do que achei que fosse. Ireas desceu junto com Morzan, Sírio, Maximus, Kinahked, Yami e Emulov, cada um deles segurando uma extremidade da maca que levava o corpo de Wind.

    Um homem de cerca de quarenta anos, com cabelos castanhos em roupas e penteado similares aos de Wind, veio até nós; eu e Brand logo fomos à frente falar com ele, a fim de evitar que Ireas tivesse um surto e irrompesse em lágrimas ali mesmo. Seu nome era Palimuth, e ele dizia responder pela vasta maioria dos que habitavam a Cidade Interna* de Yalahar.

    Explicamos rapidamente nossa situação e ele logo nos permitiu fazer o funeral. Entretanto, havia um pequeno empecilho.

    — Rapazes… Nós não fazemos mais enterros em Yalahar. — Falou Palimuth, triste. — Desde nossos incidentes com… Um ser… Terrível, nós não ousamos mais enterrar nossos mortos, os quais tem retornado para noss aterrorizar no Quartel do Cemitério. Por isso, para fazer o funeral desse rapaz, o corpo dele terá que ser cremado. Eu lamento. Ele é um Yalahari e, se não fizermos assim, sua alma não descansará.

    Engoli em seco. Eu e Brand olhamos para Ireas, cujo olhar melancólico me encheu de tristeza. Ele respirou fundo e falou:

    — Que assim seja. Sei que fala de Variphor, Palimuth. Sei em primeira mão o que ele pode fazer… Se assim Wind obterá o descanso que tanto merece… Faça isso. Creme seu corpo. Mas… Gostaria que suas cinzas fossem colocadas em uma urna funerária. Ele merece isso.

    O homem concordou com nossos termos e pediu para que levássemos o corpo a Roxanne, a mulher responsável pelo Templo local. Lá, começaram a preparar o corpo para se despedir do mundo terreno.


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)

    Foi a última vez que eu pisei em Yalahar.

    A pira fúnebre fora colocada dentro da Catedral de Yalahar, no Quartel do Cemitério. Alguns magos Yalahari se responsabilizaram por fechar os acessos que poderiam ser invadidos por criaturas indesejadas. A pira era uma estrutura de bétula de dois pisos, distantes dois metros cada um. O primeiro era um forro para o chão, a fim de poder colocar palha, óleo e o que mais fosse inflamável. No segundo piso ficava o corpo de Wind, devidamente limpo, embalsamado e coberto de óleo para queimar mais rapidamente. Apesar do trabalho milagroso feito por Yami e retocado por Roxanne, ainda era muito doloroso olhar para Wind. Ele estava totalmente diferente do homem que era… Do amigo que conheci, do confidente que tive e daquele que amei um dia.

    Na medida em que se aproximavam alguns Sacerdotes para fazer as preces finais, não conseguia parar de pensar em quão estúpida sua morte havia sido; ele havia ido para a expedição responsável por matar Morgaroth! Por aniquilar um dos membros do poderoso e infame Triângulo do Terror! Era um Cavaleiro forte, destemido, explorador, gentil e notável em quase tudo que havia feito em sua vida. Aquela morte… Era indigna dele. Não havia sido gloriosa o suficiente.

    Morrer para me proteger… Estava abaixo dele. E eu sabia disso. Eu sempre soube disso.

    Em um dado ponto, Palimuth me chamou para acender a pira. Eu relutantemente aceitei, sabendo que aquele ato seria, talvez, meu adeus final ao homem que, por um ano e alguns meses, virara meu mundo de ponta-cabeça. Meu vigésimo aniversário passaria desapercebido em meio àquele funeral… E eu parecia estar em outro mundo. Eu soltei a tocha em meio aos materiais inflamáveis na esperança de que aquela dor passasse… Mas não passaria.

    Não passaria a não ser que eu gritasse; eu via o corpo do ruivo Yalahari queimar… Via a fumaça subir… E tudo que eu queria era ter poder de voltar no tempo e nunca ter ido atrás de minha mãe… De ter ouvido o conselho de todos ao meu redor e ter largado essa missão fútil por respostas a perguntas que não tinham nexo ou razão. No entanto, era tarde: Hjaern, meu irmão, estava morto; Liive também, assim como Wind. Não havia mais nada a se fazer.

    Levou cerca de três horas para o corpo de Wind ser reduzido a cinzas; Palimuth as colocou em uma urna funerária, como eu havia pedido, e entregou-a a mim. Depois disso, me lembro de quase nada do que ocorrera naquele dia.


    ****

    (Narrado por Yami, o Primeiro)


    Mas eu, leitor, lembro. Oh se lembro.

    Depois que saímos de Yalahar, Keras rumou para Svargrond, e os demais nos seguiram, com medo de que ele fizesse besteira. Achei que o druida quereria ao menos se esconder do mundo e chorar as mágoas por suas perdas e tudo aquilo que humanos fazem diante da morte.

    Bem, ele fez isso… Com outra abordagem.

    — Ireas, que você está fazendo?! — Brand gritou sem entender.

    — Ireas, pára! Isso não vai trazer o Wind de volta! — Jack tentou protestar e levou uma bola de gelo no rosto e caiu para trás, boquiaberto.

    Assim que chegamos em Svargrond, ele correu para a Arena de Combate com fúria; ele fez um machado de seu Cajado da Tempestade de Granizo e começou a acertar tudo em seu caminho; bonecos de treino, grades e gradis, paredes, tudo. Ele arrancou tabardas e bandeiras dos mastros em seu caminho de destruição, gritando palavras em sua língua natal que eu não consegui entender.

    — Ireas, me escuta, por favor! — Jack protestava, desesperado.

    — NÃO! — Ireas rugiu tal qual um animal ferido — NÃO QUERO CONVERSAR! NÃO TENHO O QUE CONVERSAR!

    — Puta merda Ireas! — Maximus falou, irritado. — Para de fazer cena e tenta raciocinar ou eu te forço a fazer isso!

    Por fim, quando ele chegou em uma sala que era um beco sem saída, ele congelou os próprios punhos e começou a socar a parede de pedra em uma tentativa, talvez, de quebrá-la e de se soterrar. Ao ver isso, diante da situação toda, tomei uma decisão drástica.

    — Eu resolvo isso. — Falei, conjurando uma barreira de mana sólida, impedindo a entrada dos demais.

    — Qual é, Yami?! — Protestou Jack — Abre isso! Abre já!

    Fiz-me surdo aos apelos de Jack e fui até Keras, que continuava a espancar a parede sem muito sucesso. Tive uma ideia que talvez fosse acalmá-lo.

    — Me ataque. — Falei calmamente, apesar da minha experiência de quase-morte nas mãos do rapaz.

    — Quê?! — Keras falou, alterado. — Ficou louco?! Eu vou acabar...

    Me matando? — Indaguei, colocando as mãos para trás de meu corpo. — Vá em frente. Você parece estar precisando.

    — Por que?! — Rugiu o rapaz, ainda ferido por dentro, com os punhos cerrados pronto para atacar. — Por que fica em meu caminho?! Você não me deve nada! Não precisa fingir que se importa!

    — Eu não estou fingindo. — Falei, levemente ofendido, começando a, vagarosamente, caminhar em sua direção. — Depois de tudo que passei com você e seu grupo… Depois de aprender o Caminho dos Sonhos e ser salvo mais de uma vez por você, apesar de ter quase me matado… — Eu já estava a dois pés de distância dele. — Eu genuinamente me importo. Você me fez escolher entre a vida e a morte…

    Antes que ele pudesse reagir, eu o abracei; senti as forças do druida falharem e ele cair de joelhos. Simplesmente acompanhei o movimento.

    — Agora, é sua vez de escolher entre a vida e a morte, Keras.

    Ele berrou e chorou como um animal ferido, eventualmente retribuindo meu abraço. Ele chorou todas as lágrimas que podia. Eu genuinamente me importava; eu mudei naquela jornada. Optei por fazer algo melhor de minha vida do que ser apenas um estorvo e um servo. Fiquei incontáveis minutos com o druida chorando suas dores e perdas em meu abraço, na esperança de que todos nós, e não somente ele, saíssemos mais fortes dessa grande fossa em que Esquecimento Eterno nos metera.

    Por Wind, Liive, Hjaern e incontáveis outros… Nós devíamos isso a todos eles. Era o mínimo que podíamos fazer.


    Fim do Segundo Pergaminho.

    -----

    Glossário:

    (*): Tradução livre de Inner City, a parte interna e segura de Yalahar.

    ----

    E é isso aí, galera! Acabou o Segundo Pergaminho! A retrospectiva do Primeiro e Segundo vem aí pro Terceiro chegar com tudo! A história do Ireas tá acabando, geeeeente!

    Até o próximo!



    Abraço,
    Iridium.

  3. #3
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    Quando eu penso em comentar, um novo capítulo é postado; não só um, mas DOIS capítulos. Enfim, acho que devo comentar brevemente um dos (vários) capítulos que perdi, e então partir para os dois últimos.

    Que ótimo capítulo da luta do Ireas e do Yami contra Esquecimento. Mas o que mais marcou o capítulo 58 foi a visão que Ireas teve do outro mundo; foi tudo muito bem descrito. Todas as pessoas que morreram para que Ireas pudesse chegar onde chegou... E essa parte:


    Em meio à luz e às cores, um vulto permeado por sombras apareceu e tomou forma; meus olhos se encheram de água ao ver que se tratava de Wind Walker, o Andarilho do Vento.
    Não vou comentar mais nada deste capítulo. Apenas venho deixar meus parabéns pelo capítulo escrito, pela batalha... E enfim, vamos ao próximo capítulo.


    Antes de mais nada, QUE MÚSICA BEM ESCOLHIDA. Sério, encaixou certinho com o clima do capítulo, com o capítulo... TUDO! Se foi o @Gabriellk~ que escolheu a música, vá agradece-lo novamente, pois engrandeceu muito! Não tenho o costume de ler e ouvir ao mesmo tempo, as vezes eu me foco muito na música( devo ser o único doente que tenta adivinhar a progressão das músicas, lol), mas neste capítulo em específico eu li e ouvi a música... E não me arrependi. TUDO COMBINOU, a música, a escrita, a letra da música, TUDO!

    Eu CHOREI na conversa entre Ireas e sua mãe. Ler o seguinte trecho:

    — Por que, Seline? — Por algum motivo, minha voz soava distante e eu era incapaz de chamar de “mãe” a mulher à minha frente. — Por que fez tudo isso?

    — Liberdade...
    Ouvindo um "I Will travel through the gate, to be the finder of my fate"... Eu me arrepiei aqui nesse trecho. Não sei o que comentar deste capítulo, mas acho que você superou o capítulo da morte do Norsir; a carga emocional, a escrita, A MÚSICA, tudo! Mesmo tendo sido um capítulo curto, cada palavra teve um peso diferente... Não sei mais o que comentar; acredito que consegui passer e escrever tudo o que eu queria.

    Finalizo o post com o seguinte trecho da música:

    Deep abysses I sink into
    And behind the light I go
    My long journey never ends,
    But I will receive what I send
    De começo, relacionei este trecho com Esquecimento Eterno... Mas, curiosamente, acabei relacionando este trecho mais com o próprio Ireas, o que leva para o gran finale do Segundo Pergaminho.


    Foi um bom capítulo final, colocando as coisas "em seu lugar"; conseguiu retratar muito bem a psique do Ireas, e achei um final adequado para o Segundo Pergaminho, porém...
















































































































    NÃO TENTE RETRATAR O YAMI COMO UM SER BONDOSO. NINGUÉM NA HISTÓRIA GOSTA DO YAMI, ENTÃO NÃO TENTE FORÇAR ISSO MAIS. SE NÃO DEU CERTO NO FINAL DO SEGUNDO PERGAMINHO, NÃO VAI FUNCIONAR NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS...

    Mentira, vai sim. Você sabe que eu amo o Yami <3





    Spoiler: O que vai acontecer no Terceiro Pergaminho


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  4. #4
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Excelente trabalho, Iridium. Fechou um pergaminho e eu ainda com O Mundo Perdido parado. Foda.


    O final não foi mais do que triste. Imaginei que algo assim ocorreria, dado a situação em que Ireas se encontra, e com tudo que passou. A jornada dele certamente não seria fácil e eu imaginei isso desde o começo, láá em 2012. Meus parabéns por ter terminado mais uma parte da sua história e por ter criado algo tão bom assim, que nenhuma das minhas obras chega perto.

    Eu já chuto que Ireas vai virar um vilão no próximo pergaminho e será derrotado por seus amigos. Seria épico, além de triste.

    Aguardo a continuação da história e, mais uma vez, excelente trabalho.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  5. #5
    Avatar de Edge Fencer
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    Pesadíssimo esse capítulo...

    Primeiramente, parabéns por conseguir terminar mais um pergaminho; pensando agora em tudo que aconteceu desde seu início, foi nada menos do que espetacular. E o final, como esperado, foi com chave de ouro.

    Em termos de escrita, quase impecável, como de costume. Aquele pequeno diálogo com o leitor no começo da narração do Yami (like a Dom Casmurro) me fez dar um sorriso enquanto lia, muito bom.

    A história tá daquele jeito, sensação de melancolia e desesperança em todas as ações do Ireas. O preço pra derrotar a vilã da história foi alto demais, e deu um clima bem peculiar pra esse capítulo. Se eu gostei? Muito! Consegui sentir uma empatia imensa pelo Ireas, vou demorar pra pegar no sono hoje lembrando de todas as merdas que aconteceram pra ele chegar até aqui e a coisa só piorar. Como sofre o rapaz, foi judiado a história inteira

    Vejo, a príncipio, poucas maneiras do menino Keras não pirar de vez e chutar o pau da barraca. Primeiro, a sobrinha; ele ainda tem a promessa de ajudar na criação do bebê. Segundo, Jack e Nornur; quem sabe eles, que conhecem a alma do garoto tão bem, consigam recolocá-lo nos trilhos. Terceiro, e mais importante, Yami; eu já achava que o djinn seria importantíssimo pro Ireas há algum tempo, depois desse capítulo então... Quase certeza. Só sei que sou do team #IreasficacomYami, desprezo a ideia da paladina coxuda fortemente

    Enfim, é isso. Tem muita água pra rolar na história ainda, então estou bastante ansioso pelo pergaminho derradeiro. Até aqui, a Voz do Vento já foi inesquecível em todos os aspectos; tenho certeza que você a imortalizará com os últimos capítulos xD

    Abraço!




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    Última edição por Edge Fencer; 12-01-2017 às 04:24.
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  6. #6
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    Saudações!

    Como prometido, antes de começar a postar os capítulos do Terceiro Pergaminho, trarei a vocês a Retrospectiva dos dois Pergaminhos, começando pela retrospectiva do Primeiro Pergaminho. Esse post contém SPOILERS, portanto, se você, novo leitor, não chegou até aqui e deseja ler tudo na íntegra, ignore esse post e se oriente pelo índice do post inicial. Do contrário, continue por sua conta e risco.

    Esse post serve para refrescar a memória de leitores antigos e tirar as dúvidas dos leitores mais presentes, bem como, talvez, suscitar debates sobre algumas questões que levantei na história. Vamos aos comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Primeiro Pergaminho - Quem Sou, De Onde Venho, e Tu, Quem És?

    A Retrospectiva

    Spoiler: Aviso: Pode Conter SPOILERS


    Spoiler: Considerações Finais



    -----

    E é isso aí, galera! Até a próxima retrospectiva!

    Não esqueçam, por favor, de deixar seu feedback aí embaixo!

    Feedback é importante: Feedback Quae Seras Tamem!!!

  7. #7
    Avatar de Edge Fencer
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    Bom, comecei a acompanhar a história já no fim do Segundo Pergaminho, mas acho que dá pra eu deixar algumas considerações sobre o primeiro aqui.

    O Primeiro Pergaminho, pricipalmente o início, quando o Ireas nem conhecia o nome Esquecimento Eterno, é minha parte favorita da história até aqui. Não sei se já disse isso, mas eu li os 10 primeiros capítulos de uma vez, e me encantei. Nunca tinha visitado a seção de Roleplaying até ali, apesar de olhar a seção Tibia Geral de vez em quando, muito menos havia pensado em escrever algo. Foi depois de ler o início de A Voz do Vento que eu me animei a criar uma conta e escrever alguma coisa aqui; se não fosse o Primeiro Pergaminho, não estaria por aqui hoje, por isso sou muito grato a você!

    Deixando de sentimentalismo agora, vamos ao que achei da história nessa primeira parte. O comecinho do Pergaminho foi, de certa forma, um pouco morno. Aquele começo de aventura em Rookgaard, com o Cipfried como guru e o protagonista com um passado misterioso... Como não gostar?

    A partir da expedição ao Mino Hell, onde perdeu seus amigos, Ireas começou a se tornar bem único. Depois de encontrar Jack, Brand e, principalmente, Wind, ele já era bem diferente. No começo não gostei muito de nenhum dos três, admito Mas isso não durou muito, pois quando o Ireas descobriu seus sentimentos pelo Wind eu já estava torcendo muito por eles.

    Durante a luta contra o Morgaroth, foi bem angustiante ver a indecisão do Ireas quanto ao Wind, e aquelas cartas falsas... Custei a gostar do Liive depois disso kkkk.

    Ainda aconteceu tanta coisa... As primeiras peripécias de Esquecimento, a morte de Hjaern, a reconstrução de Ankrahmun... Logo na primeira parte da história o Ireas já havia sido testado de várias maneiras.

    É claro que a qualidade da história e da escrita melhoraram bastante com o passar do tempo, mas esse comecinho ainda não foi superado na minha preferência

    É isso aí, Iridium. Boa ideia trazer essa retrospectiva; imagino que pra quem acompanhou o início da história deve ser muito nostálgico (já foi um pouco pra mim, que li há poucos meses haha).

    Aguardo pela próxima, e mais ainda pelo Terceiro Pergaminho, que promete!

    Grande abraço!
    Son of a submariner!

  8. #8
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Segundo Pergaminho, A Retrospectiva Completa!

    Saudações!

    Venho agora com a retrospectiva do Segundo Pergaminho, finalizado semana passada. Depois desse post, aguardem o início do fim, que está próximo

    Vamos, antes de mais nada, aos Comentários do post anterior

    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Agora, sem mais delongas: a Retrospectiva!

    -----



    Segundo Pergaminho - Sagrada Mãe Natureza
    A Retrospectiva

    Spoiler: AVISO: pode conter SPOILERS!


    Spoiler: Considerações Finais



    ----

    E é isso, galera! Acabaram as Retrospectivas! O Terceiro e último Pergaminho começa em breve! Até mais!

    O Terceiro Pergaminho, eu adianto, terá apenas 15 (quinze) Capítulos. Haja coração!




    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 18-01-2017 às 19:40.

  9. #9
    Avatar de Edge Fencer
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    Padrão

    Nossa, vendo a retrospectiva a gente se dá conta de quanta coisa aconteceu nesse Pergaminho! Nem sei por onde eu começo a comentar kkkk

    Apesar de gostar mais do Primeiro Pergaminho, esse aqui traz alguns capítulos que, individualmente, são um espetáculo. Acho que até já citei em outros comentários, mas os capítulos da apresentação do Nornur pro Ireas e Jack, morte do Liive e nascimento da sobrinha, e, mais pro final, a morte do Wind e toda a luta contra Esquecimento... Sem dúvidas valeria ler toda a história simplesmente por eles. Porém, felizmente, o Pergaminho ainda teve muito o que oferecer.

    Não estava lembrando bem da revolução em Vandura, muito menos do Mortalheiro. Acho que acabei lendo essa parte da história rápido demais :s
    Entretanto, lembro bem da luta do Brand contra o Jack (só falta eu ter confundido os personagens, pra acabar de vez comigo kkkk), foi uma das partes mais pesadas emocionalmente da história até aqui.

    Não poderia deixar de citar também a aparição de Yami, que foi meu personagem mais odiado no início, e agora é meu preferido. Talvez isso tenha acontecido pq agora ele apoia o Ireas, então, na verdade, eu preferiria mesmo o Keras, e todos que o apoiam atrairiam meu gosto por tabela...

    Ok, não acho que é isso. Gostei mesmo foi do desenvolvimento do personagem, como ele passa de um vilão, um mero instrumento da Esquecimento, para um ser cheio de dúvidas, angústia e, no fundo, um bom coração. Como a lâmpada mágica já foi durante um tempo, acho que agora os sentimentos do djinn pelo Ireas são as amarras que o prendem ao druida. Tô bastante curioso pra ver onde vai dar essa história.

    Outro ponto que achei legal do Pergaminho foi ter trazido a Yumi pra história. Realmente senti um pouco a falta de uma personagem feminina mais marcante no lado do "bem", visto que a grande vilã da história já fazia esse papel do outro lado da força. Brand que se deu bem, e acabou com um djinn coxuda no fim das contas (quem precisa de paladina coxuda aqui? ).

    A partir de quando eles foram para Zao eu já estava acompanhando a história, então acho que não tenho muito a acrescentar sobre eles além dos meus outros comentários. Só reitero que achei excelente.

    Bom, agora é aguardar pelo novo Pergaminho. Vamos ver se ainda surgirá um novo vilão/vilã nesses 15 capítulos restantes, ou se a Irmandade como um todo será a inimiga final do Keras. Isso se ele realmente enfrentá-la, tenho minhas dúvidas ainda.

    Sendo repetitivo, gostei muito até aqui da história, e a retrospectiva foi ótima pra relembrar algumas coisas. Continue firme aí nessa reta final xD

    Abraço!
    Son of a submariner!

  10. #10
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Prólogo + Capítulo 1

    Saudações!

    Começaremos, hoje, o Terceiro e último Pergaminho de A Voz do Vento! Gostaria de agradecer a todos que curtiram, agradeceram, comentaram e me deram apoio nesses últimos quatro, quase cinco anos.

    Agora, o inevitável chegou: a história do Ireas, ao menos no que concerne meus escritos, está no começo de seu fim. Andei olhando a seção e tenho alguns planos em mente (antes, é claro, entregarei os escritos que devo a @Thomazml), e é bem possível que eu faça um livro d'A Voz do Vento, mesmo que seja de graça (já que mudar TODA A PARTE TIBIANA me daria um trabalho desgraçado de demorado só pra evitar processo da Cip) para dar um pouco mais de cor a essa história.

    Quem me conhece sabe a dificuldade que tenho em terminar projetos, sejam eles quais forem. Sempre tive um problema com minhas histórias, talvez por ter um processo tendenciosamente destrutivo quando encontro a frustração. Quando fiquei aquele ano todo sem vir aqui no Fórum, sem jogar e sem escrever, eu estranhamente não senti isso. Senti apenas a frustração de um dever não cumprido... E voltei não só por isso, mas também pelo carinho que tenho por esse cantinho de escritores e o carinho que todos temos uns pelos outros.

    Chega de sentimentalismo. Vamos aos comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, a abertura do Terceiro Pergaminho!


    -----

    Spoiler: Bônus Musical



    Prólogo

    SETE ANOS DEPOIS

    Uma vida por outra; mil vidas por outras, e as dívidas todas seriam pagas. Ireas jurou guerra à Ordem que destruíra toda sua vida antes mesmo que ele chegasse a essa conclusão. A guerra contra a Irmandade começou no dia em que Ireas Keras optou por reconstruir a ordem caída do deus que dera vida a ele e Jack.

    No entanto, a vida pessoal do Vento do Norte está ainda mais conturbada: mas um Sonho pode ser a saída para todos esses problemas…

    Capítulo 1 — As Teias da União

    Todos os Caminhos levam ao Sonho.


    (Narrado por Ireas Keras)


    Era noite plena, e nenhuma estrela brilhava nos céus. Não havia brilho senão do etéreo contorno esverdeado das nuvens que dançavam próximas ao mar; o som de trovões ao longe entrecortava o silêncio quase eterno da escuridão ao meu redor.

    — Vento do Norte… — A voz de Nornur fez-se presente no ambiente em meio à tempestade. — Acorde, criança…

    Vinte e sete anos; vinte e sete anos de existência. Mais um ciclo fechado.

    — Estou acordado… — Murmurrei, abrindo o olho.

    Sim… O olho. Apenas um; o olho esquerdo foi o que me restou da batalha contra Esquecimento Eterno, minha mãe; a cicatriz feia que fendia a parte inferior de minha sobrancelha e se estendia até a parte mais alta da maçã de meu rosto no lado direito era um amargo memento que teria que carregar até o fim da vida. Um resquício de uma batalha que custara a vida de Liive, Wind, Hjaern, Sinbeard e vários civis de Svargrond, Edron, Ankrahmun. Além de ter quase custado a minha própria vida.

    Sentei-me no assoalho úmido de madeira em que estava; o convés escuro, a despeito da pouca luz, me era muito familiar. Eu estava à bordo do Caçador de Almas. Metros à minha frente, quase como uma silhueta discreta, estava Kinahked, olhando para o horizonte.

    — Voltou, Ireas? — Indagou o pirata em tom alto, para que pudesse ser ouvido além da tempestade. — Está certo de sua decisão?

    Eu me levantei vagarosamente; aquele local, que não era nem parte do mundo dos vivos, tampouco dos mortos, me assustava. Eu sentia minha alma ainda mais inquieta, assim como a dos demais membros da tripulação, os quais ora podia ver, ora não estavam mais ali. Aproximei-me de Kinahked em meio à tempestade, que parecia ter cessado, sendo substituída apenas pelo ruído do vento ao nosso redor.

    — Estou… — Falei, após soltar um breve suspiro. — Tem certeza de que não há outra opção?

    — Creio que não… — Replicou Kinahked, sem deixar de olhar o horizonte incerto, nebuloso e tomado pelas nuvens e pelos raios de cor esverdeada. — Ao menos não no caso dela. Contente-se com o que tem, Ireas…

    — Certo… — Suspirei, frustrado, mas conformado. — Bem… Estamos chegando?

    — Quase. — Replicou Kinahked, com um sorriso. — Unna, meu amor! Venha até mim!

    Quando Kinahked falou, uma pequena parte do oceano adentrou no barco, e as águas assumiram a forma de uma bela mulher de quadris largos, pele morena, com discretas sardas douradas, olhos castanhos claros e cabelos cacheados e escuros, vestida com uma camisa frouxa de cor branca, um corsete de couro, calças de couro pretas e botas carmim. Ela sorriu para mim e entrelaçou seu braço com o de Kinahked. Aquela era Unna.

    — É ele? — Indagou a moça com uma voz suave como a marola.

    — Sim, meu amor. — Replicou Kinahked, apontando para mim. — Faça sua mágica… Ele tem compromissos e já passou tempo demais no Reino Etéreo*.

    — Mas, Ked… — Indaguei, antes que continuassem. — E quanto a…

    — Você verá. — Replicou o pirata, sorrindo e bebendo um gole de sua garrafa de rum. — Agora… Deixe Unna fazer sua magia.

    Concordei, meneando a cabeça. Realmente, eu já havia passado tempo demais longe de meus afazeres. Unna se aproximou de mim e soprou perto de meu rosto; fechei os olhos e seu sopro logo se tornou mais úmido, e senti meu corpo atravessando rapidamente as distâncias como se eu estivesse no oceano, amparado por uma forte corrente nas águas.

    Quando abri meu olho novamente, estava em outro local; um local primitivo, onde a energia corria solta e os sonhos moldavam a realidade. Yami estava do meu lado, vestindo um terno branco e sandálias de ouro, além de usar seus típicos adereços de ouro. Estávamos dentro de uma salinha de pedra, cuja saída era um arco, no qual Yami estava à frente.

    — Bem vindo de volta, Vento do Norte, à Sociedade das Teias Infindas. — Falou o Efreet cordialmente, estendendo-me a mão. — Vamos logo, que o casamento está prestes a acontecer?

    — Estou muito atrasado? — Indaguei, espanando a areia de minhas roupas.

    — Não exatamente… — Replicou Yami. — Mas você vai se atrasar se não se vestir!

    O Efreet estalou os dedos e minhas roupas mudaram; minha tradicional vestimenta feita de pelo de urso fora trocada por um conjunto que me cobrisse mais, incluindo luvas e um capuz que eu podia remover assim que sentisse vontade, e tudo em cor cinza, em pele de lobo do inverno**. O cheiro forte de água salobra diminuiu de meu corpo e meus cabelos, na altura do pescoço e com mechas um pouco mais irregulares, estavam ao menos apresentáveis.

    Saímos da salinha para darmos de cara com o coração daquela parte da Sociedade das Teias Infindas: uma fonte de pedra com vapor e água ao centro e algumas pessoas trajando túnicas brancas e cinzas, com sandálias douradas, passando pelos arredores; havia, também, algumas iurtas de pedra, similares às de Svargrond, e um vórtice em um santuário com pedra e areia, de onde entravam e saíam outros adeptos.

    — A Sociedade cresceu muito em pouco tempo, Ireas. — Yami comentou enquanto andávamos rapidamente. — Seu pai e Nornur estariam orgulhosos do que você conseguiu aqui.

    — Espero que esteja certo… — Repliquei, ansioso, mas sério. — E Jack?

    Um pequeno espírito luminoso passou por nós, farfalhando docemente; parei para deixá-lo brincar com meus cabelos e mãos; ele em seguida foi para Yami, fazendo o mesmo. O Efreet, levemente desconfortável, tentou brincar um pouco, mas logo deixou o ser luminoso passar adiante.

    — Tudo está indo bem na porção Sul da Sociedade. — Replicou o Djinn. — Jack está tendo muito sucesso em estabelecer as Pontes de Sonho em Vandura. Com a ajuda de Sírio e Morzan, não foi difícil encontrar entre os piratas e os nativos adeptos leais.

    — Fico feliz em saber, Yami. — Repliquei com um sorriso de canto, ainda inquieto. —

    Ao passarmos da fonte e das iurtas, um santuário novo, feito de pedra e energia, estava à frente, o qual tinha dois andares e três alas: uma nave central e dois átrios, um ao leste e outro, a oeste. À frente da porta etérea, estava Brand.

    — Até que enfim, atrasildo! — Falou Brand, abrindo os braços de forma debochada. — Ficou lombrando na droga e esqueceu do compromisso de hoje?!

    — Uma porra. — Repliquei, cumprimentando-o vigorosamente ao bater minha mão contra a dele, e segurá-la em um aperto rápido. — Eu só precisava ver uns detalhes antes…

    — E a pessoa misteriosa, cadê? — Indagou o Thaiano enquanto cumprimentava Yami de forma similar. — Vem ou não vem?

    Diante do assunto, Yami ficou calado, e eu pude ver através de seu semblante aparentemente debochado, a sua estranha frustração.

    — Vem sim. — Repliquei, com um sorriso nervoso. — Só espero que ela não seja o centro das atenções, afinal…

    — O casamento não é seu, oras! — Replicou Brand, guiando nós dois para dentro. — Agora, vamos! Vamos que o noivo está surtando!

    Com um riso discreto, eu, Yami e Brand adentramos no santuário e nos dirigimos à ala oeste; Brand abriu a porta e demos de cara com Sírio, Morzan, Icel e o noivo.

    Emulov.

    O Zaoano estava trajando uma armadura especial, de metal escuro, denso e escovado, muito similar à de um Zaogun, mas ricamente adornada com desenhos geométricos em ouro e ferrolhos de prata. O rapaz de olhos bicolores estava andando de um lado a outro, sibilando uma reza em uma língua incompreensível para nós, visivelmente agitado e nervoso.

    — Qual é, Lagartinho! — Falou Morzan, debochado. — Não vai me dizer que vai dar para trás agora!

    — Não…! — Replicou Emulov, nervoso. — Não é isso, mas não posso negar… Eu estou com medo!

    — Medo de quê, pobre diabo?! — Replicou o Vandurano — Ela só está grávida de você, não de Zoralurk!

    — Eu não sei se serei um bom chefe de família! — Replicou Emulov, ainda nervoso e andando de um lado a outro. — Eu sobrevivi à guerra, mas meus irmãos não! A morte deles me assombra… E… Sei lá, nunca tive grandes posses, o que um antigo guerreiro pode oferecer a uma mulher aventureira com mais posses?!

    — Segurança. — Repliquei, aproximando-me lentamente de Emulov. — Estabilidade. A certeza de um lugar para voltar e, o mais importante de tudo: apoio e amor.

    Segurei os ombros de Emulov, que parou de andar de um lado a outro; estava ligeiramente mais alto, então conseguia olhar para o rosto do Feiticeiro de quase dois metros de altura sem fazer tanto esforço como outrora.

    — Já faz quatro anos que vocês estão nessa história de “noivos, não noivos”. — Falei, calmamente. — E mesmo antes disso, quando todo o rolo em Zao acabou e vocês estavam vendo outras pessoas, logo viram que o destino de vocês já estava ligado. A criança que ela carrega, Emulov, é mais um sinal certeiro disso, pode confiar.

    O Feiticeiro de Zao inspirou profundamente e expirou mais calmo.

    — Você tem razão, Ireas. — Sibilou Emulov. — Eu devo honrar meu compromisso com ela e com o filho que está para nascer. Obrigado pela ajuda.

    Concordei com a cabeça. Nesse meio tempo, apareceu um xamã à porta: o oficial da cerimônia. Yami olhou para nós, sério.

    — A noiva está pronta. Hora de irmos.

    Emulov concordou e se posicionou atrás de nós. Um a um, fomos saindo: primeiro Sírio, depois Morzan, Icel, Brand, Yami, eu e Emulov por último. No lado oposto a nós, vinham as madrinhas: Yumi, Obsídia e outras três amigas da noiva. A noiva sairía por última, de fato.

    E nada da pessoa que eu queria que estivesse lá aparecer…

    Nos posicionamos ao final da nave, alinhados ao lado do altar, onde o xamã, um conhecido meu de Svargrond, aguardava pela noiva; logo começou uma sinfonia harmônica para a entrada da noiva.

    Solstícia Solária.

    Ela estava radiante; vestido claro, longo e arrastado, com algumas tiras pintadas em cores diferentes, imitando algumas mechas de seu cabelo preto, que tinham as cores rosa e azul para complementar. Carregava um buquê simples, e sorria que nem uma garotinha diante dos convidados e do templo. Sua gravidez era visível e estava bem avançada.

    — Ufa! — Suspirou Solstícia, afobada. — Subir essas escadinhas foi um tormento!

    Rimos levemente da declaração bem-humorada dela. Fiquei observando o casal com certa dose de inveja; na medida em que o xamã oficializava o rito de himeneu, ficava pensando em minha vida como um todo: quisera eu simplesmente… Me assentar, como meus amigos pareciam estar fazendo. Estavámos já todos na casa dos trinta ou passando dela e eu não cansava de me perguntar: quando seria a minha vez de ter algum tipo de sossego, alguma forma de paz?

    Quando dei por mim, os noivos já haviam recitado seus votos e estava na hora do xamã dizer as partes finais da cerimônia.

    — Emulov Suv, aceita essa mulher, Solstícia Solária como sua consorte, para amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, cuidar e ser cuidado, defender e ser defendido até que a morte encerre sua união?

    — Aceito.

    O xamã sorriu e acenou com a cabeça, voltando seus olhares para Solstícia.

    — Solstícia Solária, aceita esse homem, Emulov Suv como seu consorte, para amar e ser amada, respeitar e ser respeitada, cuidar e ser cuidada, defender e ser defendida até que a morte encerre sua união?

    — Aceito!

    — Pelos poderes a mim concedidos aos olhos de Nornur, que tece as teias infinitas da união, eu os declaro consortes até o fim de seus dias!

    Meio desajeitados, os dois se abraçaram, selando a união com um beijo tímido; aplaudimos, todos, pois enfim o Feiticeiro de Zao havia tomado coragem para firmar compromisso com sua paixão de longa data. Era bom ver que, apesar de todos os pesares, estávamos ainda vivos para ver momentos felizes em nossas vidas, e não apenas tragédias. Entretanto, eu não conseguia deixar de pensar em uma outra pessoa, cuja ausência estava me fazendo falta.

    A comitiva toda começou a se dirigir para fora da igreja, quando uma última pessoa, que não estava dentre nós antes, apareceu na porta.

    Meu coração quis saltar pela minha boca e eu abri um sorriso; era ela!

    — Me perdoem pelo atraso, senhores! — Acenou para todos, e depois fixou seus olhares em mim. — Olá, bonitão.

    Seus olhos castanhos escuros pareciam destacados em sua pele bronzeada com pequenas sardas douradas adornando suas bochechas e seu nariz; seus lábios estavam pintados de roxo, e seus cabelos castanho-avermelhados estavam presos em uma bela trança grossa e comprida, que chegava até metade de suas costas. Trajava uma blusa frouxa que deixava seus ombros à mostra, com um corpete cinzento deixando seus seios volumosos mais bem ajeitados, uma calça de tecido grosso e de cor azulada e botas de couro preto com um pequeno salto. Eu sorria em êxtase ao vê-la ali, magnífica como sempre.

    Lisette! — Falei, indo ao seu encontro em um amoroso abraço. — Já estava começando a achar que tinha desistido!

    Como eu sentia falta daquele contato! Quisera eu tê-la encontrado antes… Era bom tê-la em meus braços de novo depois de toda aquela ausência. Ficando exatamente de minha altura com aquele leve salto, ela me roubou um beijo em frente a todos, e eu não me fiz de rogado: deixei, claro, e retribuí, enfim sentindo a ansiedade indo embora de mim.

    — Não perderia isso por nada, meu doce xamã! — Replicou Lisette, sorridente, com sua mão entrelaçada à minha. — Mas vamos parar de roubar a atenção de todos: hoje é o dia de Solstícia e Emulov, então… Vamos celebrar!

    Concordei com a cabeça, segurando sua mão e acompanhando os demais ao local do baile. Agora sim eu estava em paz. Entretanto, ainda havia uma sensação estranha tomando conta de mim… Como se o Vento estivesse tentando me dizer alguma coisa.

    Boa ou ruim… Não tinha como ter certeza.


    *****

    Ao final do dia, já havia regressado a Nibelor pela Ponte dos Sonhos; Yami já dormira em sua Lâmpada e Lisette estava adormecida em meus braços. Entretanto, eu custava a pegar no sono. Suon brilhava mais forte que de costume nos céus em noite plena, o que poderia indicar algum tipo de mudança. Fechei meus olhos, tentando me convencer de que não seria nada.

    Tudo escureceu; consegui, finalmente, me concentrar. Aos poucos, comecei a sonhar; de início, era uma paisagem similar ao templo principal da Sociedade em Svargrond; a neve caía em flocos dourados e Nornur me esperava à frente da porta. Jack estava a alguns metros de distância, mas alinhado a mim. O deus, entretanto, nada falava.

    Vimos, então, um grupo se aproximar. Um grupo de homens e mulheres com auras esplêndidas, mais altos e delicados que humanos e assustadoramente divinos, ainda que parecessem tão ordinários quanto o mais simples dos homens.

    — O Sonho é o Caminho, Vozes do Vento… — Sussurrava o Deus. — Sejam os guias das crianças do Sonho, meninos...

    Quando eu e Jack começamos a nos aproximar de sua figura, o ambiente começou a mudar; o cheiro familiar e horrendo de corrupção começou a se alastrar. Em um piscar de olhos, aqueles seres divinos começaram a gritar enquanto o ambiente se aqueceu. Não demorou muito a um grande incêndio tomar conta do ambiente, com demônios tentando invadir a proteção do Caminho dos Sonhos.

    E, para piorar, o chão começou a tremer, abrindo uma grande fenda entre Jack e eu. Eu ouvia gritos, mas não conseguia me mover; olhei para o lado e não vi nada. Quando olhei novamente para onde Jack estava, o Paladino estava a alguns metros abaixo de mim, com o corpo preso por vinhas e inconsciente. Eu, no entanto, comecei a sentir o ambiente mais e mais gelado, como se a solidão estivesse se apossando do ar.

    O inverno ficou cada vez mais rigoroso e frio, e minha visão começou a embaçar.

    — As Crianças do Sonho estão voltando… — A voz de Nornur ainda era audível a despeito do ambiente cada vez mais hostil. — Sejam seus guias… Minhas Vozes…

    Quando eu e Jack começamos a nos aproximar de sua figura, o ambiente começou a mudar; o cheiro familiar e horrendo de corrupção começou a se alastrar. Em um piscar de olhos, aqueles seres divinos começaram a gritar enquanto o ambiente se aqueceu. Não demorou muito a um grande incêndio tomar conta do ambiente, com demônios tentando invadir a proteção do Caminho dos Sonhos.

    E, para piorar, o chão começou a tremer, abrindo uma grande fenda entre Jack e eu. Eu ouvia gritos, mas não conseguia me mover; olhei para o lado e não vi nada. Quando olhei novamente para onde Jack estava, o Paladino estava a alguns metros abaixo de mim, com o corpo preso por vinhas e inconsciente. Eu, no entanto, comecei a sentir o ambiente mais e mais gelado, como se a solidão estivesse se apossando do ar.

    O inverno ficou cada vez mais rigoroso e frio, e minha visão começou a embaçar.

    — As Crianças do Sonho estão voltando… — A voz de Nornur ainda era audível a despeito do ambiente cada vez mais hostil. — Sejam seus guias… Minhas Vozes…

    Acordei com um grito; acordei Lisette no susto, com o corpo gelado. Ela segurou meus ombros, mas eu só conseguia ofegar e balbuciar frases sem sentido. Ela me abraçou e, por mais reconfortante que fosse, eu não conseguia afastar aquele sonho da minha mente.

    O que diabos seria aquilo? Quem eram as Crianças do Sonho?


    Continua...


    -----

    Glossário:

    (*): Um Reino intermediário entre o Reino Físico, o Reino dos Sonhos e o Reino dos Espíritos; seria uma área coberta pelo vazio e matéria escura e disforme.

    (**):Tradução livre de “Winter Wolf”.


    ----

    Eeeee o Terceiro Pergaminho já começou! Para quem está se perguntando, Lisette é baseada no personagem tibiano de uma amiga minha da Suécia, cujo nome real é Lisette (e que me deu permissão para usar o personagem em minha história):

    Name: Pirate Mistress
    Sex: female
    Vocation: Elite Knight
    Level: 126
    Achievement Points: 153
    World: Secura
    Former World: Unitera
    Residence: Thais
    Married To: Akivashi
    House: Alai Flats, Flat 17 (Thais) is paid until Feb 20 2017
    Guild Membership: Infernal Doom Knight of the Devil Clan
    Last Login: Jan 18 2017, 19:01:32 CET
    Comment: Condorhapje ~ best friends since i dont know when <3

    Akivashi ~ friends since i dont know when <3
    Account Status: Premium Account


    Sete anos se passaram... E muito mudou. Espero que tenham gostado! Até o próximo!



    Abraço,
    Iridium.

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