
Postado originalmente por
Iridium
Saudações, Carlos!
Fiquei um tempo ausente, então não pude comentar.
Bom, o Danboy já deu um puxãozinho na sua orelha, então eu também vou continuar -- no Capítulo 38, há alguns pequeninos problemas em termos de semântica na construção das suas frases, a saber:
1."Era uma manhã." -> Esse "uma" é um complemento desnecessário e que não tem muito cabimento aí, visto que não há outro complemento nominal de tempo (ex.: "de outono", "de Abril", "de segunda-feira") que sustente esse artigo.
2. "(...)... Era coberta por névoa, fraca, (...)." -> Nesse caso, o uso de ponto-e-vírgula seria mais adequado, pois há uma pequena elipse aí. Sem essa pequena quebra na narrativa, fica difícil de entender como essa névoa é, por mais simples que seja a descrição.
Outro problema que eu vi -- na realidade, não chega a ser de todo um problema, e sim uma questão de detalhes -- foi a utilização de Eaglecry e a sua tradução. Grito de Águia. Sendo um pouquinho dura, decida-se: ou você adota os nomes anglicanos, ou parte para a tradução; para o leitor desatento, Eaglecry e Grito de Águia poderiam muito bem ser dois personagens diferentes e quiçá muito distintos entre si.
Uma coisa que eu acho que seria legal você explorar seriam outros signos de ortografia além do ponto e da vírgula; muitas das sentenças que você escreveu poderiam muito bem ser separadas umas das outras por pontos-e-vírgulas, travessões ou dois-pontos: acredite, utilizar uma dessas outras opções dá maior fluidez ao texto lido, fazendo com que a história não pareça tão "rígida" e tornando-a, assim, mais agradável de se ler e ver-se imerso nela.
Agora, quanto ao Capítulo 39 -- o feedback foi considerado e utilizado em muitos casos; eu ainda noto uma certa dificuldade ortográfica em seus textos, Carlos. Eu não sou isenta de falhas (cometo MUITOS erros crassos, dos quais apenas me dou conta depois que, com o perdão da expressão, "a merda já foi publicada"), mas tenho uma maior facilidade de explorar os sinais de pontuação, fazendo com que eu consiga exprimir quase que com perfeição aquilo que quero dizer.
Uma proposta que tenho para você, meu caro amigo, é a seguinte: experimente escrever uma sequência de períodos compostos; um parágrafo inteiro de seu novo capítulo, por exemplo. Quando o terminar, faça até três cópias e experimente brincar com os sinais de pontuação; veja até onde você consegue ir em termos de variações e peça para algumas pessoas lerem cada um deles e dizerem a você quais as interpretações que elas tiveram. Depois disso, reescreva o parágrafo conforme a sua real intenção. Repita isso com outros parágrafos ou frases menores até se sentir mais confiante. No entanto, não precisa fazer isso com o capítulo inteiro a não ser que julgue necessário.
Peço desculpas pela wall of text, mas não se engane -- eu espero, de coração, que eu esteja te ajudando, e não te atrapalhando. Escrevo isso tudo com a certeza que você faria uma avaliação próxima dessa, senão igual comigo.
No mais, gostei dos capítulos. Estou no aguardo da continuação, esperando sempre Capítulos melhores do que aqueles que o antecederam. Tenha um excelente finzinho de semana e até o próximo Capítulo!
Abraço,
Iridium.
Hey, Iri. Obrigado pelo wall of text.
quem agradece por um wall of text?
Levei em conta seus pontos e estou tentando usar eles para melhorar meu trabalho. Fato é que acabei fazendo esses dois últimos capítulos sem tomar o devido cuidado com a escrita, fui levado pelo que eu estava ouvindo e acabou saindo meio mecânico e estranho. Deveria ter feito uma revisão mais séria, mas eu nunca tenho muita paciência pra fazer isso, sinceramente.(O capítulo 38 nem eu mesmo gostei muito, vou evitar cometer esse erro de novo)
Agradeço todos os pontos que você vê e fala sobre e como melhorar. Você tem me ajudado muito, e também tem feito essa história andar. Essa seção precisa de mais pessoas como você.
*
Primeiro capítulo de 2016!!!
Bem, estou de volta. Fiquei algum tempo afastado para treinos psicológicos e melhoria de escrita.
Não, na verdade eu fiquei afastado por vagabundagem e abuso de jogatina(Novembro inteiro foi só jogando AoE2, Mount & Blade: Warband, AoM, dentre outros). Acho que eu estava precisando, minha escrita tava começando a ficar zoada. Por isso, a partir de agora, não posso dizer com exatidão quando que virá um capítulo, nem darei previsões. Quando eu sentir que a inspiração veio e tá legal o clima pra escrever, dai faço o capítulo. É simplesmente para evitar quaisquer erros bobos nos capítulos e para que eles fluam melhor.
Acredito que consegui fazer isso com esse capítulo. Espero que gostem.
No capítulo anterior:
Watson enfrenta Wadzar no salão principal do castelo do governador de Polerion, em um duelo épico para ver quem era o melhor mago. A luta se encerra abruptamente quando o governador acorda e faz tudo tremer com o seu machado. Nessa brecha, Wadzar foge e Watson fica tão revoltado que acaba partindo pra cima do governador, que o derrota com apenas um golpe, o deixando desolado.
Capítulo 40 – Majestosa Polerion
Cá estava Watson, fraco e completamente desmotivado, afundado numa cadeira da sala de reuniões do castelo do governador. Ao seu lado, encontrava-se Lokan, preocupado com o estado de seu amigo e no progresso da missão. Na cadeira da ponta estava o governador, que conversava com um servo através de sussurros. A sala era enorme, com vários metros de altura e janelas muito altas, com ornamentos negros, espadas e machados cruzados, representando o poder de Polerion. As paredes e o chão eram brancas, bem polidas e limpas, mostrando que eram limpas sempre que possível. No teto havia um lustre de quatro adornos, com velas de ouro em cada. No chão estava estendido um belíssimo tapete branco e roxo, com muitos desenhos de paladinos, clérigos e guerras.
O governador tinha cabelos negros, mas já debilitados por muitos fios brancos. Tinha uma barba um pouco grisalha e rala. Era branco, alto, um pouco musculoso e com olhos de cor violeta. Seu nariz era um pouco largo e os lábios grossos. Sua roupa era de um típico governador, mas sem as mangas. Era um homem bem peculiar.
Quando o servo foi embora, Pierret voltou sua atenção à dupla.
[Gov. Pierret] — Muito bem! Sou o Governador Pierret Arheaxon e estou disposto a ouvir vocês e se explicarem quanto aquele arcano maldito e a luta no meu palácio, e principalmente porque meus soldados não vieram ajudar durante este combate.
[Lokan] — Você já disse seu nome.
[Gov. Pierret] — E se você não ouviu? Ou não entendeu? Tenho que me adiantar frente a essas perguntas inúteis.
Lokan ficou em silêncio.
[Gov. Pierret] — Ainda quero entender o poder do seu amigo. Mas, certamente, ele não é tão alto como parece, já que caiu frente ao meu machado.
[Lokan] — Ele estava cansado e cego de fúria. Nesse estado, é fácil ser derrotado.
[Gov. Pierret] — Subestima meu poder, sacerdote?
[Lokan] — O poder do seu machado? Lógico que não. Você também é habilidoso para usá-lo. Mas essa não é a questão.
[Gov. Pierret] — É. Quero que respondam sobre o arcano.
[Lokan] — Não há muito o que dizer. Ele era um inimigo que te nocauteou e simplesmente o combatemos.
[Gov. Pierret] — Por vontade própria? Mesmo que tenha parecido que vocês já se conheciam?
[Lokan] — Olha, você não disse que estava do nosso lado? Por que nos questiona?
[Gov. Pierret] — Hmm... Disse?
[Lokan] — Claro que disse! Em alto e bom som!
[Gov. Pierret] — Não me lembro bem disso... — Disse, coçando a cabeça. Lokan o fitava indignado.
[Lokan] — Como um homem que mal se lembra do que fala governa uma cidade como essa?
Pierret levantou-se rapidamente, socando a mesa.
[Gov. Pieret] — Tome cuidado com o que fala, sacerdote! — Vociferou, apontando o grosso indicador para Lokan — Não está falando com qualquer um!
Lokan também se levantou, irritado.
[Lokan] — O meu nome é Lokan! LOKAN! Estou tentando agir de forma séria e você apenas distorce tudo!
Um homem entra na sala, alarmado pelos gritos. Era Polos.
[Polos] — Ei, ei! Vamos acalmar os ânimos. Como ele próprio disse, ele não está contra nós. Precisaremos de contribuição e consentimento para seguir nossa missão, Lokan.
[Lokan] — Pois fale para ele, então. — Sentou-se novamente, enquanto o governador permaneceu levantado e perplexo.
[Polos] — Sr. Ahreaxon, nós...
[Gov. Pierret] — Não me chame assim! Me chame pelo meu nome! Odeio ser chamado de senhor!
[Polos] — Sem problemas. — Tartamudeou, impactado pela resposta rápida — Pierret, nós estamos em busca de um grande mito de Polerion, e precisamos de ajuda. Acreditamos que esse arcano que lhe nocauteou planeja usar o poder desse mito para colocar a cidade abaixo.
O governador virou-se para Polos. Seu semblante ainda era de ódio, mas Polos não se sentia intimidado.
[Gov. Pierret] — Ninguém, eu digo, NINGUÉM colocará a majestosa Polerion abaixo! Digam o que vocês precisam e eu os ajudarei!
Polos deu uma piscadela para Lokan, que sorriu. De fato, Polos foi mais eficiente.
Algum tempo depois, o trio estava num templo ao norte da cidade, próximo da nascente de um rio que corta parte da ilha. O governador, com seu poderoso machado nas suas costas e acompanhado de alguns poderosos paladinos, conversava relativamente baixo com o dono do templo, que ainda não sabia muito bem do que precisavam. Mas logo ele passou a entender.
O sacerdote veio até Polos e Lokan. Watson estava encostado na entrada do templo, do lado de fora.
[Agneir] — Bem vindos. Meu nome é Agneir, dono do templo e líder dos sacerdotes desta ilha. Ouvi falar que buscam o mito da criatura sábia que mora em Polerion desde o começo dos tempos, estou certo?
[Lokan] — Isso mesmo. Queremos saber mais sobre ela e onde encontrá-la.
[Agneir] — É ai que está a questão. Um mito não tem um local especifico, descrição ou até mesmo magnitude do seu poder. Pode ser uma criatura pequena ou até mesmo um humano cuja imagem foi distorcida por tanto passar de boca em boca. Entretanto, esse mito anda esquecido há muito, muito tempo. Como o descobriram?
[Polos] — Um amigo nosso precisa de ajuda e acreditamos que essa criatura saiba do que precisamos.
[Agneir] — Olha, por mais que eu seja o líder dos sacerdotes, nunca vi eles relatando sobre a existência dessa criatura. Logo, temo que não possa lhes ajudar.
O governador não gostou muito do dito, visto pela sua expressão nada satisfeita.
[Gov. Pierret] — Droga, Agneir! Você pelo menos não se lembra de alguém falando sobre esse mito? Alguma localização relacionada? Pense, homem!
Agneir pensou em insistir na ideia de que não havia nada sobre a criatura, mas reconsiderou, lembrando-se de todos os relatos de aventureiros que já foram parar no seu templo. Lembrou-se de um aventureiro, agora um lenhador, que vivia no sul de Polerion, fora da cidade.
[Agneir] — Vocês deveriam ir até um homem que vive no sul, na parte produtiva da cidade. Ele já citou ter visto o mito quando estava se aventurando pela ilha, e isso o levou a sua vida pacata de hoje. Não tenho total certeza sobre isso, por sinal.
[Polos] — Já é alguma coisa! Vamos? — Indagou para Lokan, que concordou.
[Agneir] — Antes, gostaria que levassem algo com vocês. É um objeto importante para comunicação com criaturas de forma pacífica.
Agneir se retirou por alguns momentos do local e subiu para o primeiro andar. A dupla o seguiu, enquanto o governador e seus paladinos ficaram por ali. O local era uma biblioteca, onde diversos sacerdotes andavam aqui e ali com livros nas mãos ou organizando os papeis sobre algumas mesas nos cantos da sala. Os homens seguiram para o fundo da sala, onde havia dois armários marrons, um pouco velhos, que se encontravam trancados. Agneir sacou uma chave do bolso de seu robe azul e abriu um deles.
O armário tinha mais livros, mas que tinham ornamentos e letras bem cuidadas e brilhantes, como se fossem raros. Mas também havia ali alguns pequenos baús, e Agneir usou sua chave novamente para abrir um deles. Ele pegou o baú e mostrou para a dupla. Dentro dele havia uma máscara partida em duas, vermelha e com a feição de uma raposa, assim como seu focinho e formato dos olhos.
[Agneir] — Acredito que você seja um sacerdote. Qual é seu nome, jovem? — Indagou à Lokan, calmamente e já esperando a resposta.
[Lokan] — Lokan, senhor.
[Agneir] — Bem Lokan, como você é um sacerdote, confio este item para você. É uma máscara que quando colocada, permite que você se comunique com qualquer criatura. Essa máscara foi criada há muitos séculos atrás, por um sacerdote como nós. A diferença é que ele vivia na floresta com os animais e as plantas. Caso a criatura não fale como um humano, use-a. Leve consigo se quiser.
[Lokan] — Farei bom uso. — Disse, coletando a máscara e guardando em sua sacola branca.
[Polos] — Tem algo para mim, Agneir? Quem sabe um anel que me dá força ilimitada, ou um que tire o cansaço, hm? Que tal?
O sacerdote-mestre o fitou por alguns instantes, e então pegou algo de seu bolso esquerdo. Era um rosário dourado, com uma pequena ankh na ponta abaixo. Polos pegou-o com um pouco de hesitação.
[Polos] — Bom... Pra que isso serve?
[Agneir] — Para você orar e tirar essa ganância de poder do seu coração.
Polos olhou com cara de poucos amigos para Agneir. Lokan não pôde deixar de soltar um sorriso. O bárbaro já planejava devolver para o sacerdote-mestre quando seu amigo interviu.
[Lokan] — Garanto que tem uma utilidade melhor do que orar, mas Agneir não quer falar.
[Polos] — De repente você o conhece melhor do que eu?
[Lokan] — Não, mas sou um sacerdote, sei o que digo.
Polos assentiu e o dono do templo levou o baú fechado de volta ao armário, fechou as portas e o trancou novamente. Enquanto o bárbaro seguia de volta para o térreo, Agneir parou Lokan, como que havia algo mais para se falar.
[Agneir] — Meu jovem... Sei quem lhe acompanha. Sei de seu poder. Inclusive como ele obteve. O amuleto que dei para o ingênuo bárbaro limitará um pouco seus poderes, para que ele não venha a se descontrolar. Entretanto, sugiro que você tome distância dele logo, e não confie nele. Não se sabe o que um semidemônio tão poderoso como ele pode fazer quando descontrolado.
[Lokan] — Semi... Demônio? — Disse, incrédulo e um pouco assustado.
[Agneir] — Na hora certa, a dúvida será respondida. Agora vá, estão te esperando. Boa sorte.
O sacerdote-mestre apertou sua mão, deu alguns tapas em seu ombro e foi à sua direita, conversar com outros sacerdotes. Lokan seguiu seu caminho a passos lentos, sem entender muito bem o que ouviu. Provavelmente continuaria sem entender.
Do lado de fora, Lokan e Polos conversavam com o governador, para que ele entenda melhor a missão.
[Gov. Pierret] — Tenho certeza que esse rosário dado à você por Agneir irá ajudá-lo a achar essa criatura! Ele sempre tem seus motivos.
[Polos] — Confia tanto nele?
[Gov. Pierret] — Claro! Ele já nos ajudou inúmeras vezes. Mas falar isso agora será perda de tempo. Vão atrás desse lenhador, e tomem isso para ajudar.
O paladino a sua direita deu dois passos a frente e estendeu um saco, aparentemente cheio de moedas. Lokan pegou-o.
[Gov. Pierret] — Tem 300 mil em moedas de cristal e prata ai. Espero que seja o suficiente.
[Polos] — Se ele não aceitar, duvido que ele seja mesmo um lenhador.
Lokan guardou o saco e eles se despediram do governador, que continuou no templo. Chamaram Watson, que estava ali fora o tempo todo, e seguiram para o sul. Durante o trajeto, o mago ficou calado e com uma cara fechada. O bárbaro ficou preocupado.
[Polos] — Algum problema, Watson?
[Watson] — Nada. Estou apenas pensando em como matarei aquele arcano filho de uma puta. Polos, tem alguma ideia bem brutal?
Os outros dois do trio ficaram perplexos com a resposta. Polos balançou a cabeça como um não, mas Watson não ligou. Algo estava mudado no homem de cabelos cinzentos. Agora ele queria matar Wadzar, não importava como, mesmo se ele tivesse que soltar aquele demônio dentro de si. Era possível notar sua raiva pelos seus olhos, cuja cor estava roxa. Lokan já sabia que teria que confrontá-lo em breve. Mas o medo... Nada superava o medo.
A hora de grandes conflitos estava para recomeçar.
Próximo: Capítulo 41 — Entardecer
Para quem se perguntou como é realmente a roupa do governador, eu me inspirei nisso aqui:
Tire a capa de pele, as mangas, esse chapéu e troque a cor bege por branco e a cor das bordas por roxo e preto, e essa é a roupa do governador.
Espero que tenham gostado desse meu "retorno". Provavelmente a busca demorará mais alguns capítulos, mas já posso adiantar que passamos da metade da história. Mas o fim ainda está distante.