Demorou, mas saiu! Agradeço a todos pelos comentários até agora. Este capítulo eu considero o meu melhor já escrito até agora, pela escrita e não pelos fatos porque acabou sendo mais um capítulo neutro, pra que vocês conheçam os personagens. Espero que gostem.
Capítulo 4
Mark Phillman tinha coisas a fazer. Coisas realmente importantes. Sua casa se localizava a sete quilômetros da Casa Branca, em Washington, D.C., em um dos enormes edifícios que estão espalhados pela cidade estadunidense. Phillman tinha trinta e sete anos muito bem vividos. Terminou o ensino médio aos quinze anos, tendo sido o aluno mais novo a concluir o colégio no Distrito de Colúmbia, em Washington. Já com dezesseis anos, ingressou na universidade de direito de Oxford, na Inglaterra. Concluiu o curso em cinco anos, e em seguida se especializou em promotoria. Formado, aos vinte e sete anos, e com um escritório aberto em Washington, Mark decidiu que não se casaria. Sabia que, estando solteiro, poderia fazer o que quisesse, gastar seu dinheiro como bem entendesse e conseguir todos os patrimônios materiais que sempre desejara. A ambição e a capacidade de trabalhar e pensar rápido o levaram para o FBI, onde trabalhou durante alguns anos como promotor e advogado. Não demorou muito para conquistar a confiança de Benjamin Trevor, o ex-presidente do FBI, assassinado brutalmente. Mas isso é outra história. Mark conquistou a vice-diretoria do FBI. A diretoria fora passada para Jackeline Thurman.
Uma longa descida, agora. Mark morava no vigésimo sétimo andar de seu edifício. Todos os dias, o tempo estimado para a descida do elevador até a garagem era de cinco minutos.
Mark desceu do elevador quando este tocou o solo de seu poço, já na garagem do prédio. Eram mais quatro andares de estacionamento, e a sua vaga particular ficava no quarto andar dentro do subsolo. Já na garagem, com as chaves na mão, observou durante alguns segundos seu automóvel. Mal podia acreditar na sorte que havia o acertado em sua vida. O carro que dispunha era uma
Lamborghini Reinvention Supercar, que sequer fora lançado ao mundo, até então. Vinte modelos apenas seriam produzidos do automóvel e, por um acaso do destino, um deles tinha caído nas mãos de Mark Phillman. Parecia mais um carro futurista, daqueles que todos imaginam quando passam por uma virada de ano. As falas são sempre as mesmas: “Daqui a trinta anos, não existirão mais pneus, os carros sequer tocarão o asfalto, flutuarão sobre a Terra!”.
Mark deu partida no carro e sentiu o doce roncar dos motores. Deixou o prédio, em direção à zona sul de Washington. A Lamborghini cruzou as ruas de Washington a uma velocidade alucinante. Ele não poderia ser multado, obviamente, porque o carro ainda não dispunha de placas nem dianteira, nem traseira. Mas não era nem este o motivo. Ele era um oficial do governo.
Sete minutos depois, Mark havia percorrido catorze quilômetros, a uma velocidade de 200 quilômetros por hora. Estava em frente a uma bela casa, colonial, esperando alguém. Chegara com três minutos de antecedência. Exatamente na hora marcada, uma garota deixou a casa.
Era a garota mais linda que Mark já vira. Estatura média, robusta, e sobretudo austera. Usava uma calça de linho marrom, sapatos comuns pretos e uma camisa levemente decotada roxa clara, não muito chamativa. Cabelos pretos e claros caindo na altura dos ombros, olhos cor de mel tão penetrantes que Mark sequer pôde pensar em qualquer coisa quando os fitou. Aquela garota aguçava os sentidos de Mark. Fazia-o pensar se ele deveria mesmo permanecer solteiro.
Por um acaso do destino, passou-lhe pela cabeça que ela jamais daria a ele a moral suficiente para que ele sequer pensasse num relacionamento com ela. Decidiu então que seus hormônios deveriam controlar-se.
A porta abriu-se bilateralmente, na vertical. A garota olhou para Mark, e, sem dizer uma palavra, entrou no carro.
- A senhorita está muito bonita hoje.
- Eu sei.
Mark sentiu-se diminuir, o que normalmente acontecia nos encontros com aquela garota. Mas, ele não estava ali para flertar. Deveria levá-la à Casa Branca.
Assim, a Lamborghini cantou pneus novamente. Sentido Casa Branca.
* * *
Jackeline e Jordan conversavam disfarçadamente. Bruce ainda mexia com a parafernália dos equipamentos, agora necessitando das pessoas que o ajudaram a trazê-los até ali. Springfield estava sentado em sua mesa de trabalho, como sempre, com as mãos cerradas na testa, pensando sobre o que fazer.
O dia já chegava às suas doze horas matinais.
Meio dia... como o tempo voa! Springfield estava acostumado a dias corridos, mas aquele, apesar de estar passando rápido, parecia o mais longo de sua vida.
Springfield era alto, austero, um líder em sua essência. Serviu o Pentágono durante anos, sendo combatente militar. Tinha seus quarenta e cinco anos, e estava no mandato da presidência pela segunda vez consecutiva. Pela primeira vez, Springfield sentiu os fantasmas do passado o atormentarem.
Três anos atrás, quando estava em uma viagem de paz pela ONU, acompanhado de sua esposa, num avião, retornando de Budapeste, algo estranho aconteceu. O avião passou por uma turbulência muito grande. Karyne, sua esposa, segurou sua mão com força. Ela o olhava e dizia “Não quero morrer, James. Preciso de você, me proteja!” Uma hora depois, uma das turbinas do avião se desprendeu da aeronave e mergulhou no céu de nuvens abaixo deles. Instantaneamente, todos os passageiros daquele avião executivo foram atrás de pára-quedas dentro do complexo. Springfield conseguira o seu, mas não houve tempo para pegar o de Karyne. O lado esquerdo da fuselagem do avião se desprendeu e se soltou da aeronave também. Karyne não conseguiu se segurar e foi jogada para fora do avião.
Infelizmente, o lado esquerdo era o que ainda tinha uma turbina inteira. Karyne fora sugada pela turbina.
Olhando para fora, Springfield tentava afastar os maus pensamentos.
Se eu tivesse sido mais rápido para pegar os pára-quedas... Estava numa situação difícil, desde então. Decidiu mergulhar de cabeça em sua campanha, e venceu a segunda eleição presidencial consecutiva. A morte de Karyne ocorrera um ano antes da disputa presidencial dos Estados Unidos. Springfield vencera. Mas o vazio que Karyne deixara jamais seria preenchido por qualquer conquista política.
* * *
A Lamborghini cantou pneus e estacionou. Um agente do serviço secreto veio recepcioná-los. Sua expressão não era de muita aprovação, diante da forma de Mark de estacionar o veículo, mas naquela manhã, tantos cidadãos ilustres se apresentaram na Casa Branca, que Greggy sequer pôde dar atenção àquilo.
Mark desceu do carro, e se dirigiu para a porta do passageiro para abrir. De dentro dela, a jovem garota saiu. Greggy ficou assustado.
O negócio ta ficando bom hoje, pensou, com um sorriso maroto.
- Greggy, preciso levar a garota até a reunião do salão oval.
- Sim senhor, Mark Phillman. Acompanhem-me, por favor.
Os dois seguiram o agente até a entrada da Casa Branca. O coração da garota palpitava invariavelmente.
Estou entrando na Casa Branca!
A porta se abriu. Ela quase desmaiou. O maior sonho de sua vida, trabalhar dentro da mansão presidencial estadunidense, estava prestes a se realizar.
* * *
As quatro pessoas perdiam-se em suas conversas, no salão oval. Bruce e Springfield ouviam a conversa novamente, enquanto Jackeline e Jordan conversavam sobre trabalho. Jordan abria toda a árvore ramificada de ações da CIA, enquanto Jackeline contava todos os métodos de captura de fugitivos do FBI. Springfield ainda estava transtornado pelas ligações. Só queria poder acabar logo com aquilo.
A porta emitiu um som de batidas, fazendo com que a conversa na sala cessasse. O silêncio assustador da sala fez com que o mecanismo de auto-voz da sala fosse ouvido do lado de dentro.
-
Identifique-se, por favor.
- Mark Phillman, acompanhado da agente requisitada.
Jordan torceu o nariz.
- Uma bela hora para sairmos distribuindo celulares por aí.
Jackeline sorriu.
Springfield caminhou até a porta e abriu-a ele mesmo. Mark e a garota entraram na sala.
Jordan e Bruce ficaram assombrados. Era a garota mais linda que eles já tinham visto, em seus tantos anos de vida. Jordan tentou assimilar tudo de uma só vez. Uma garota de estatura média, cabelos claros caindo pelos ombros, olhos cor de mel muito penetrantes. Um corpo perfeito, bem definido, lindas curvas, seios fartos. Perfeita.
Os sentidos de Springfield estavam a toda. Aquela garota lembrava Karyne quando mais jovem.
- Senhores... – Mark resolveu falar, percebendo o incômodo silêncio na sala, por causa da nova aparição – apresento-lhes Fernanda Schaedler.
Jackeline estava se divertindo com a situação. Ela conhecia Fernanda muito bem. Sabia que por onde passava, causava aquele tipo de impacto. Mark caminhou com a garota pela sala, passando por cada um dos membros e apresentando-os um por um.
- Frank Jordan, Presidente da CIA. Bruce Fletcher, diretor do NSA. James Springfield, o digníssimo presidente dos Estados Unidos – Mark fez uma pausa -, e Jackeline Thurman, nossa educadíssima diretora.
Jackeline deu-lhe um falso sorriso. Fernanda estava atônita. Quantas celebridades numa só sala!
- Sabe, Fernanda... – Bruce achegou-se – fui eu quem rastreou a chamada de Gerena. Minha precisão foi inacreditável. Eu fico perplexo com as minhas próprias habilidades.
Jackeline olhou para Bruce, achando graça. Ela sabia como Fernanda responderia àquele gracejo.
- Senhor Fletcher – Fernanda falava -, estou certa de suas habilidades de escuta, porque, certamente, o senhor deve ser realmente muito competente para estar na liderança da NSA.
Bruce sorriu de orelha a orelha.
- Sim, claro. Sou um excelente profissional.
- Sei também – Fernanda prosseguiu -, que a sua função é nada além de fazer escutas e desencriptar códigos com um computador gigante. Francamente, senhor Fletcher, estou pasma que um homem com tanta sabedoria, inteligência e poder dentro da hierarquia dos Estados Unidos, beirando já os seus quarenta e cinco anos, esteja dirigindo gracejos a uma jovem de apenas vinte e três.
Bruce corou, instantaneamente. Não era o tipo de resposta pelo qual estava acostumado.
- Senhores – Mark interveio, percebendo a quebra do clima –, prosseguindo, esta é Fernanda Schaedler. Ela tem vinte e três anos, e trabalha no FBI. Normalmente, é o vice-diretor quem é o braço-direito da diretora, mas eu posso afirmar com toda a certeza que, se Jackeline Thurman possui um braço-direito dentro da hierarquia do FBI, este braço é Fernanda.
Todos se entreolharam.
Fernanda ainda estava transtornada. Ela piscava incessantemente, tentando se controlar. Felizmente, sua investida contra o gracejo de Bruce saíra com total perfeição.
- Ela está aqui para somar – Mark continuou – e, francamente, é uma soma e tanto. Enfim, Nanda, meu trabalho aqui está concluído – ele deu-lhe uma piscada. – Boa sorte com todos esses magnatas. Ah, a propósito, acabou a moleza aqui, pessoal. Vocês entenderão em breve.
- Eu também estou saindo – o comentário de Jackeline pegou todos de surpresa. – Preciso resolver algumas coisas no FBI. Bruce, mais tarde, precisamos conversar em particular, sobre alguns assuntos relacionados com a NSA. Presidente, se importaria se eu deixasse o salão agora, e Bruce um pouco mais tarde?
- Sem problemas, senhorita Thurman.
- Ótimo. Eu ligo, Bruce.
Bruce acenou que sim com a cabeça. Jackeline e Mark saíram da sala.
- Então, pessoas – Fernanda disse – mostrem-me o que vocês já tem de concreto.