Antes de tudo. Vai ser um post duplo, eu sei. Então, desculpem-me.
Eu só vou falar que esse capítulo me deu realmente trabalho. Não posso dizer que foi um dos meus melhores, mas não foi meu pior:wscared:
Enfim, ele saiu, colocando em um termo, mediano.
Mas... Enfim, acho que esse possa ser meu último capítulo nessa história.
Estou em dúvida. Realmente, talvez possa ser meu presente de despedida do fórum.
Talvez, não. Realmente, tudo pode acontecer. Eu tenho três enredos em mente.
Um é sobre Tibia, os outros não são. O que mais venho pensando no momento, é um dos dois que são sobre samurais. Mas bem, os dois requerem muito tempo para se fazer, e os dois realmente são extensos para se fazer. E...Requerem pesquisa, coisa que ultimamente, nem para isso meu computador está servindo para fazer, essa internet infeliz.
Tsc, tsc. Estou fugindo do assunto. Bem, o capítulo não saiu muito grande, não sei o porquê, talvez porque eu ache que estragará o mistério que se formará, talvez não. Eu espero que se houver um próximo, ele seja maior.
Espero que eu consiga me alegrar com os comentários, mas que estes venham com a mais pura e simplória sinceridade.
Tenham uma boa leitura!
IV
Raios da manhã
A lua não ostentava o mesmo brilho de horas atrás. A penumbra dançava pela madrugada afora. Os raios de Suon e sua irmã Fafnar começavam a se mostrar pelo horizonte, mas eles ainda estavam lá, atacando vilarejo, mergulhado em chamas.
Murius observava as ruas desertas do vilarejo. As mesas e cadeiras, quebradas e jogadas. As sobras de uma refeição incompleta no chão. Os tonéis de vinho, sendo esvaziados pelo tempo. Os corpos esparramados pelo chão. O cheiro fétido de sangue no ar e as moscas sobrevoando as pequenas poças de sangue. A maioria das casas já haviam sido arrombadas. Todos os minotauros procuravam por mais artigos humanos: facas, espadas, escudos, machados, elmos, armaduras e moedas de ouro e prata.
Mas uma coisa ainda lhe preocupava. O ancião de Rookgaard. O general tinha certeza que acertara a flecha nele, mas não o avistara. Ele procurara por toda parte, mas não achara o corpo. Sua permanência naquele vilarejo humano prolongava-se devido ao sábio. Se ele sobrevivesse, era certeza que haveria resistência quanto à tomada da ilha.
Algum humano deveria ter levado seu corpo. Mas como eles conseguiram escapar sem serem vistos? O comandante minotauriano não sabia.
Saltou do telhado. Sua capa balançou lentamente com o vento, enquanto seus pés batiam no chão com um baque surdo. Olhou às voltas, mas não viu seus comandados. Para falar a verdade, ele não sabia deles desde que mergulhou em pensamentos.
Com alguns passos lentos, dirigiu-se até uma encruzadilha entre ruas. Os minotauros davam altas gargalhadas. A última casa dera um tesouro. Um cavalo. Aquele animal era raro naquele lugar. Ele parecia estar um pouco velho, magro e sua pelagem marrom fina demais. Não era uma boa linhagem, mas seria uma vantagem na guerra.
O general minotauriano xingou alguma coisa e falou em um dialeto estranho. Ao que pareceu, foram instruções para arrumar as coisas sobre o cavalo, pois eles começaram a se organizarem para deixar o lugar.
Ele deu uma última olhada pela cidade. A destruição era visível. Mas ele ainda tinha uma preocupação: o ancião da ilha. Sua última esperança é que ele morresse agonizando, diante do veneno presente na flecha.
Os minotauros cobriram seus rostos com os capuzes e em passos rápidos, sumiram pela curva da estrada.
***
Um estalo foi ouvido pelas criaturas enquanto caminhavam nos primeiros raios de Fafnar. Um coelho, pensaram eles, sem dar a menor importância para o ruído.
Quando o barulho dos cascos desapareceu, um vulto saiu. Ele parecia aliviado, diante das circunstâncias que se passaram. Enquanto ele se escondia atrás de um arbusto, um galho quebrara.
Seu pensamento se prendera naquele olhar penetrante. Ele havia o fitado, parecendo saber de sua existência. Não era um simples orc. Eles não tinham olhos tão penetrantes e seus ataques nunca conseguiram fazer um grande estrago, quem dera, um incêndio. Seriam eles piratas?
A curta distância por qual ele passou para chegar ao vilarejo pareceu durar uma eternidade. Cada casa que ele vira pegando fogo, fora um aperto no coração. O fruto do suor de todos os moradores, em vão. Todo aquele esforço...
Uma lágrima correu por seu rosto, parando apenas no chão, misturando-se a uma poça de sangue. Onde estaria Banor, o patrono de Rookgaard?
Com olhos pesarosos ele se dirigiu até onde as pessoas começavam a se reunir. Ele observava a cada rosto por qual passava. Eles observavam com grande respeito para aquele homem de armadura prateada e espada repousada nas costas passando. Seguiu até um prédio em chamas que estava sendo apagado por pessoas com baldes cheios de água pega em um poço.
– TODOS QUE TEM CONDIÇÕES PARA TRABALHAR – disse alto, uma voz – , JUNTEM-SE E DIVIDAM-SE EM DOIS GRUPOS. UM GRUPO PARA PEGAR ALGUM RECIPIENTE ONDE POSSAM COLOCAR ÁGUA PARA APAGAR O FOGO. O OUTRO, PERCORRERÁ OS CORPOS E VEJAM SE NÃO HÁ ALGUÉM VIVO.
O homem de armadura prateada aproximou-se do outro que gritava:
– Seymour... – sussurou ele. – Precisamos conversar.
– DALHEIM... – surpreendeu-se ao voltar o rosto. – Vamos até a biblioteca. – disse ele, virando-se para um homem vestido com uma batina marrom que cuidava de feridos, provavelmente, um monge. – Cipfried... Cuide das coisas aqui.
O monge concordou com a cabeça.
***
Dalheim seguiu Seymour por um corredor até chegar a um salão amplo, a biblioteca. A claridade da manhã entrava pelas grandes janelas do lugar. Haviam muitas estantes abarrotadas de livros e também uma escrivaninha em um canto. Os dois seguiram até lá, rangendo as velhas tábuas do piso de madeira, sentando-se em velhas cadeiras.
– Seymour.. Creio que você sabe que não podia deixar meu posto para festejar, mesmo que a orgia seja importante para mim. – disse o guarda.
– Com toda certeza. – afirmou Seymour. – E creio que você me procurou para saber os detalhes, não? – ele fitou o homem, que concordou com a cabeça. – Sem mais demora, vou tentar explicar rapidamente.
"Nós festejávamos alegremente, quando surgiram minotauros. Pareciam ser de Mintwalin – Dalheim absorveu aquela informação com relutância – Eles acertaram Hyacinth com uma flecha. O caos pesou sobre nossas cabeças. Muitas pessoas morreram. Eles incendiaram a cidade e arrombaram nossas casas. Enfim... O prejuízo será imenso. E obviamente, este foi o começo da guerra."
Dalheim pareceu pertubado.
– Então.. Um exército. – disse ele nervoso. – Precisamos de um exército.
– Quem dera se fosse assim tão fácil organizar um exército. – disse Seymour com irritação. – Nossos homens. A maioria foi morta. Posso lhe falar que não restam mais de cento e cinqüenta homens.
Dalheim se entristeceu. Os deuses pareciam ter desabado um grande peso para ele carregar pela eternidade.
–
Banor... Onde estarás? Abandonarás quando te suplicamos por ajuda? – rezou baixinho Dalheim.
As velhas tábuas rangeram. Um homem ofegava diante deles. Seus olhos mostravam preocupação.
– Seymour... – disse ele, fazendo uma pausa para respirar. – Hyacinth... Foi achado...
O barulho das cadeiras se afastando, perdeu-se com os passos rápidos que ecoaram pelo lugar até novamente o silêncio voltar a reinar.