Spoiler: Outras Justas da Rodada
Saudações!
A II Justas Tibianas começa oficialmente! Nesse tópico, estarão dois textos à disposição de vocês, escritos do ponto de vista dos Personagens dos dois Participantes que se enfretam aqui, a fim de que leiam e escolham o melhor por meio de voto. O vencedor passará para a próxima rodada e poderá usar os votos como pontos para a Ficha de Personagem.
O esquema é de anonimato, ou seja, cada texto aqui disposto não terá o nome do Autor em sua respectiva janela, a fim de tornar mais justa e interessante a competição. Por favor, peço que deem um feedback honesto e construtivo sempre na medida do possível. Respeito é palavra de ordem e de lei. Quaisquer dúvidas quanto às regras, favor consultar o Tópico de Inscrições.
As demais disputas estarão disponíveis no Tópico Central e aqui também (e nos demais tópicos), em uma outra janela separada, caso necessário.
BOA SORTE, JUSTADORES! A Votação começa hoje e tem prazo de 01 (uma) semana para ser encerrada. A Votação acabará às 23:59 do dia 21/12, quarta-feira.
Spoiler: Introdução: Rato de Rook e Knox Lyrom
Os Justadores chegaram à Ankrahmun, a Cidade Eterna, contando apenas com a triste história de Melchior para poder dar-lhes uma luz sobre a intrigante região desértica. Aqui serão mostrados os relatos de dois deles.
Rato de Rook/ Acricius Lemistorivis
Acricius Lemistorivis, vulgo Rato de Rook, nasceu na mítica ilha de Rookgaard. Filho de Gentris e Alicia Lemistorivis. Seus pais eram agricultores, também naturais de Rookgaard. Gentris e Alicia tiveram um destino trágico. Foram tentar lavrar algumas terras na parte leste de Rook e foram estraçalhados pelas feras, e Acricius fora poupado pelos lobos e criado por sua avó, Zirella. Sofreu também, com seu coração adolescente, por um amor não correspondido. Hoje, passados cinco anos do término de seus estudos e treinamentos em Rookgaard, Acricius Lemistorivis, vulgo Rato de Rook, apelido trazido de Rookgaard e com o qual seus camaradas de guilda também o “honram”, vive aventuras e desventuras como um conceituado e habilidoso arqueiro da Adaga.
Gosta de sentar-se em uma mesa bem localizada, em qualquer uma das tabernas que conhece, nas cidades e localidades do Reino, e como um bardo, contar ou cantar, como talentoso harpista que é, suas aventuras e feitos, como também os de seus camaradas de guilda.
Seu coração se divide entre indagações sobre o destino de Estella, sobre quem não consegue notícias ou informações, desde que a faceira druideza retornou a Edron, após o curso na Academia, e planos para, na primeira oportunidade que tiver, retornar a Rook, para rever seus familiares e tutores, e os demais habitantes da mítica ilha de Rookgaard.
Knox Lyrom
Knox Lyrom e um jovem humano de 16 anos. Nasceu e viveu a maior parte de sua vida em Thais, mas foi em Venore (lar de seu avo) que despertou sua paixão pela musica. Ele testemunhou, com apenas 10 anos, a fabricação dos instrumentos musicais que a sua promissora família comercializa pela mundo. Desde então, sonha em se tornar o maior bardo de todos os tempos, mesmo não tendo muito talento para escrever.
Spoiler: Texto 1
Compondo Como um Oriental
Ai, Ankrahmun! A Cidade Eterna, onde os mortos estranhamente reinam sobre os vivos. Um lugar localizado no oriente do mundo, sendo um lugar oriental! Na verdade, eu não tenho mais nada para falar da cidade, mas de uma coisa eu tenho certeza: aquele lugar era quente demais! Há um bom tempo meu pai viajou para aquela cidade para resolver algum assunto importante, e eu fui com ele pensando que poderia ter uma boa experiência na cidade, e quem sabe arrumar uma boa inspiração para as minhas musicas. Eu estava certo, para variar.
Era meu terceiro dia lá, eu e meu pai estávamos hospedados em uma pequena pirâmide. Eu acordei e sai como se fosse desfrutar de um sol matinal comum, mas não. Na verdade, aquele era o sol mais quente que eu já experimentei em toda a minha vida.
— Aqui. — meu pai disse enquanto entregava um papel com um numero escrito nele. Era a senha do banco.
— Valeu... — eu não costumava falar muito com o meu pai, ele era um comerciante muito ocupado.
Fui direto para o banco sacar dez moedas de platina, que era uma quantia suficiente para eu comprar comida e lembranças. Foi ai então que, saindo do banco, senti alguém me batendo com o cajado. Naquele momento, tive certeza que aquela cidade era realmente esquisita.
— Ei! Você quer arrumar uma briga aqui no meio da rua? — eu gritei, nervoso, sem saber quem era o “agressor”.
Quando me virei, percebi que foi um grande erro gritar daquele jeito, pois a pessoa que me bateu com o cajado era apenas um velho cego.
— Briga? Onde? — o velho estava meio assustado, acho que ele tinha medo de ser pego no meio de uma confusão.
Decidi não falar mais nada, tentei simplesmente seguir minha vida normalmente, mas era tarde. O velho percebeu minha presença e começou a contar uma historia completamente doida, sobre uma raça de seres mágicos e como ele conseguiu comercializar com eles e acabou se dando mal. Se eu já achava as pessoas daquela cidade loucas, agora aquilo era um fato universal (ao menos era o que eu achava naquele momento). Bom, decidi simplesmente dar uns trocados para o velho.
— Toma. — eu coloquei duas moedas de platina na mão do velho.
Ele começou a tatear a moeda.
— Quem você pensa que eu sou, meu filho? — ele protestou.
— Você precisa de dinheiro para voltar para Darashia, e foi por isso que você contou toda essa historia, ou acha que eu não sei como as coisas funcionam?
— Eu não estou falando disso, acontece que meu conto vale muito mais que uma moeda de platina! Uma moeda de cristal seria o mínimo.
— Agora eu que pergunto: quem você acha que eu sou? Um riquinho?
Ele começou a tatear minha camisa dessa vez.
— Tecido de primeira classe. — ele disse.
— Como você sabe? — eu perguntei.
— Ora, meu jovem, eu trabalhei como comerciante por anos, e sei muito bem como os ocidentais se vestem.
Por que eu sempre arrumo problemas com comerciantes?
—Olha, eu posso ser rico e tal, mas você fala como se seu conto fosse real. Acha mesmo que vou pagar mais por isso? De qualquer forma, parabéns pela criatividade e boa sorte com a sua viagem.
— Se eu tivesse sorte, não estaria nessa situação...
Eu tentei ignorar o que ele disse e fui em direção a minha casa, ate que uma palavra veio a minha cabeça: “criatividade”. Então, voltei para o velho.
— Velho ancião, você poderia me fazer um favor? — eu perguntei, agora tentando ser educado.
Eu basicamente expliquei para ele que eu precisava de ajuda com as letras das minhas canções, e mais uma vez perguntei se ele podia me dar algumas dicas (na verdade, seria bom se ele simplesmente escrevesse uma letra para mim, mas eu preferi parecer educado).
— Para começo de conversa, evite pleonasmos como “velho ancião”.
— Boa palavra! — eu peguei a pena que estava presa no meu chapéu e comecei a anotar a palavra em um papel que sempre guardo no bolso. — Vou usar essa palavra na minha próxima canção!
— Olha, você não entendeu o que eu quis dizer!
Conversei muito com ele, mas as dicas não estavam me ajudando muito, por isso decidi ser bem direto com ele.
— O que você acha de escrever uma letra para a minha canção? Se quiser, ela pode ser baseada nesses “acontecimentos”, e a melodia ficar por minha conta. E claro, vou te dar metade dos lucros.
— Claro que não! Mas... se você recuperar o meu dinheiro dos Efreets eu poderia abrir uma exceção...
— O que? Como eu posso recuperar algo de criaturas que não existem? Se você precisa de dinheiro para ir a Darashia, eu posso pagar a viagem para você, e ainda conversamos sobre os nossos negócios no caminho.
— Em primeiro lugar: eles existem sim! São criaturas aterrorizantes e interesseiras, e estou me referindo aos Efreets. E em segundo lugar: eu não quero receber dinheiro de qualquer um, tenho meu próprio orgulho! Eu só irei aceitar o dinheiro que eles roubaram de mim.
— Por que aceitou meu dinheiro então?
— Ei, foi você que achou que eu era um mendigo, não tenho culpa.
Naquele momento, sem saber explicar o motivo, eu cai na conversa dele e decidi me aventurar ate a torre dos Efreets. Eu pedi para ele mais informações sobre o palácio deles, e então comecei a montar o meu plano. Depois disso, voltei para minha casa para pegar o meu alaúde, e meu pai não estava lá. Ele tinha deixado um bilhete dizendo que iria viajar para Darashia por alguns dias, e que contava com a minha “responsabilidade”.
Aluguei um camelo e comprei algumas outras coisas. Levei o meu alaúde para tentar compor uma canção e parti para o deserto. O calor era imenso, e tive que abrir os botões da minha camisa e usar meu chapéu para me abanar. Cheguei no ponto marcado, e ai eu realmente me assustei: eu vi o palácio mais assustador da minha vida. Não só isso, aquele cara estava falando a verdade, e enquanto eu ficava surpreso, outro problema veio: os Efreets. Tudo aconteceu muito rápido, e eles tentaram me atacar. Naquele momento, fiquei desesperado e tentei me lembrar da palavra que o velho (sim, não conheço o nome dele) me havia dito.
— Djanni'hah! — eu gritei, logo quando os Efreets estavam perto.
Eles parara de atacar imediatamente, e pareciam confusos comigo.
— Então você conhece nossa saudação? De qualquer forma, o que quer?
Eu expliquei para ele que queria negociar com o líder deles, que se chamava Malor. Eles concordaram e me guiaram pela torre com certo desprezo. De qualquer forma, tudo corria como o meu plano. Eu mantinha o olhar firme para tentar intimidar os djinns que me viam, mas eles não pareciam ter medo de mim. Durante o caminho para o topo da torre consegui observar que haviam seres humanos trabalhando para os Efreets, como o velho havia dito. Essas pessoas são conhecidas pelo nome de “Perseguidores”. Os djinns me deixaram no quarto andar e me pediram para esperar. Naquele andar, havia uma biblioteca e um djinn lerdo que estava distraindo lendo os livros, bem como vários Perseguidores naquele andar, bem como eu planejava.
Eu não sou um grande convencedor, mas eu sabia que aquelas pessoas não gostavam de estar ali, e que queriam sair da fortaleza a qualquer custo. Por isso, comecei a planejar com eles algo que beneficiaria a todos. Logo depois, um Efreet desceu.
— Malor quer te ver.
Eu subi mais dois andares ate chegar na sala do trono, e me assustei, haviam vários Efreets na sala, bem como baús cheios de moedas espalhados pelo chão, e Malor estava em sentado em seu trono.
— Seja direto, humano, o que você quer aqui? — ele perguntou, meio impaciente.
—Eu serei. — eu disse, confiante. — Vocês devem imaginar que eu pretendo comercializar com vocês, e sim resolver uma questão de honra.
— Honra? Vocês humanos possuem isso? Muito bem, mas o que você quer dizer com isso?
— Eu sei que vocês conhecem muito sobre o mundo e que são uma raça de seres sábios, mas eu pretendo ser mais ainda para poder transportar isso para as minhas canções, por isso proponho um jogo de perguntas. Se eu ganhar, vocês deverão me alimentar com toda a sabedoria que vocês possuem. E se eu perder, serei o bardo particular de Malor.
O líder deles concordou com um sorriso malicioso, confiante de que iria ganhar.
— Muito bem, eu começo: qual a criatura que possui quatro patas no começo, duas no meio e três no fim?
Eu pensei muito na pergunta, mas não consegui achar a resposta, ate que por algum motivo me lembrei do velho. Por algum motivo mais estranho ainda, eu percebi que ele tinha um cajado, e então fiz um raciocínio que parecia meio infantil:
— O homem!
Ele me olhou com uma cara de desprezo.
— Foi um golpe de sorte. Sua vez.
— Ela tem pele verde, possui olhos vermelhos e todos os seus membros são idiotas. De qual raça estou falando?
Ele ficou mais nervoso ainda, o que fez o meu plano dar certo. Durante algum tempo, ele achava que já tinha a resposta, mas tinha medo de responder. E então, ele decidiu dizer bem alto:
— Os Efreets!
Todos ficaram espantados com a resposta de seu próprio líder, como eu planejava.
— Errado! Eu estava falando dos orcs! — eu ri dele para deixa-lo mais nervoso, pois sabia que ele era orgulhoso.
— Maldito! Você me fez errar a resposta, e ainda insultou a minha raça?
— Ora, foi você mesmo que disse isso.
— Senhor! — um Efreet gritou. — Nosso tesouro sumiu!
— O que?
Então coloquei meu anel de invisibilidade e sai correndo como se minha vida dependesse disso (e realmente, dependia). Enquanto eu distraia Malor com esse jogo idiota (junto com os servos dele) os Perseguidores concordaram em roubar todo o ouro, enquanto fugiam. Quando cheguei na cidade, levei a minha parte do dinheiro para o velho, e assim ele concordou em escrever a letra da minha musica.
Eu não vi o velho partir para Darashia, mas de uma coisa tenho certeza: não teria conseguido criar a minha musica sem sua ajuda, e pretendo enviar a parte dele em breve por correio. A minha viagem a Ankrahmun não me inspirou, mas de qualquer forma foi a origem de minha melhor canção.
Spoiler: Texto 2
As tabernas abaixo do Depósito de Venore estavam cheias, como sempre. Risos, discussões acaloradas, combates e disputas acontecendo nas arenas, sussurros proferidos por casais apaixonados em mesas mais isoladas, protegidas pela penumbra, enfim, a atmosfera que sempre me envolveu e que nunca deixou de me chamar de volta, quando dos retornos das missões e tarefas, a mim confiadas, pelo Conselho de Mestres da guilda.
Mas eu permanecia apenas dedilhando minha pequena harpa, tentando extrair acordes e sons que refletissem meu estado de alma naquele momento. Eu muito dificilmente conseguiria, um dia, esquecer o que vi, ouvi e senti naqueles dias de sol intenso, tempestades de areia e noites magnificamente estreladas no continente ancestral, onde o próprio Banor e seus filhos pisaram, durante as batalhas das primeiras eras da aventura humana neste mundo.
Maria trouxe a caneca generosamente cheia e transbordante até a minha mesa. Ela sempre exibindo um sorriso simpático e disposta a oferecer algumas palavras de ânimo aos espíritos abatidos e desesperançosos, que por vezes costumavam afogar suas mágoas nas canecas de cerveja e nos copo de vinho. __Nossa, mas você está parecendo muito melancólico esta noite. Onde estão seus amigos? __indagou-me Maria.
__Ah, eles devem estar chegando por aí __respondi, sorvendo um grande gole de cerveja. __Se bem que eu gostaria, ao menos esta noite, de ficar apenas envolto em meus pensamentos.
__Mas afinal, o que aconteceu para você ficar mergulhado neste estado de espírito? __Maria insistiu.
Antes que eu pudesse articular uma resposta, Krebbs, Draux e Regina... ah, Regina... mesmo neste misto de melancolia em que estou imerso por esses dias, a simples visão de seu caminhar e de seus cabelos negros esvoaçantes quase conseguem me tirar deste estado de torpor... Krebbs, Daraux e Regina sobem ao nível do mezanino onde se encontra a minha mesa, contornam a balaustrada e vão, sem cerimônia, sentando nas cadeiras ao redor.
__Bem __diz Maria. __Seus amigos chegaram, vou deixar a cargo deles a tarefa de animá-lo um pouco. __após dizer isso, Maria foi servir as outras mesas, não sem antes ouvir e anotar os pedidos de meus camaradas de guilda.
__E então, camundongo? __Regina começou, do jeito, um misto de irreverência e desafio, com que quase sempre costumava me interpelar. __Ainda nessa melancolia? Conte logo o que aconteceu na viagem a Darama. Você tem me deixado duplamente curiosa, tanto em relação às suas impressões sobre Ankrahmun e os djinns, como em relação ao que você pessoalmente passou por lá.
__Você tem se esquivado de nos contar a respeito da missão.__disse Krebbs.__Mestre Abran nos falou vagamente de uma experiência traumática pela qual você teria passado em Darama. Mas ele disse que se quiséssemos saber de detalhes, você, e somente você, poderia nos contar.
__Esta noite você não escapa, roedor. __disse Draux, enquanto pegava uma caneca da bandeja que Maria acabara de trazer à nossa mesa. __Vai contando, desembucha. Temos toooda a noite para te ouvir... Ahhhhh __Draux entorna alguns goles goela abaixo ao mesmo tempo em que coloca os dois pés sobre a mesa, reclinando-se na cadeira.
Vi-me sem saída. Não conseguiria me esquivar de narrar a aventura. E afinal de contas, já era mesmo hora de partilhar aquelas sensações e imagens com meus diletos camaradas. Quem sabe não seria uma maneira de expurgar a estranha melancolia que me acometia, desde que retornei a Venore? Dei mais um gole na cerveja, molhando bem a garganta. Posicionei meus dedos nas cordas da harpa, dedilhando acordes bem suaves e relaxantes e comecei a trazer à tona as lembranças e cenas impressas na minha memória, no intento de que, na mente de meus companheiros ao redor da mesa, a narrativa passasse como uma série de quadros e imagens vivas, construindo neles, ao menos aproximadamente, os mesmos sentimentos que iam na minha alma. E fui narrando...
O pequeno mas elegante veleiro avançava pelo mar encapelado. Ao norte, a bombordo, podíamos ver a costa sul do continente de Darama. As florestas de Trapwood ficavam para trás e ao longe já avistávamos os contornos das legendárias pirâmides de Ankrahmun. Cirilo, o capitão e único tripulante, conduzia-me, seu único passageiro, com a maestria e a habilidade típicas de um navegante experiente. Já tinham transcorrido cerca de cinco dias desde que zarpamos de Port Hope, contornando o continente pelo sul. __Há quanto tempo você presta serviços à guilda, Cirilo? __indaguei, curioso.
__Ah... se não me falha a memória, já se vão cerca de dez anos. O disfarce de cidadão calinês e de súdito de Eloise tem me permitido aportar e entrar em Ankrahmun. Os ankrahmuni mantêm relações amistosas com o Reino de Carlin já há alguns anos. Eloise não dorme no ponto, ahahah. Mas o governo e os habitantes de Ankrahmun devotam um ódio mortal aos thaianos e a nosso “adorável” monarca, o velho Tibianus. Julgam que Port Hope é um posto avançado de Thais no continente, e atribuem a Thais a culpa por Drefia ter se tornado o que é, uma vez que a cidade originariamente também era uma colônia thaiana. Para falar a verdade, eles até que não estão tão errados assim, hehe. __Cirilo piscou um olho, matreiro. E continuou. __Quando aportarmos, aja como um carlinês, se possível. Para todos os efeitos, você é marinheiro e meu ajudante.
__Não se preocupe, Cirilo. __procurei tranquilizá-lo. __Na verdade já desempenhei este papel, há alguns meses, na própria Carlin. Provavelmente por isso mesmo o Conselho de Mestres me designou para esta missão.
Alguns minutos mais tarde, o veleiro deslizou suavemente ao largo do ancoradouro até que Cirilo se aproximou do cais e jogou as cordas para os trabalhadores do porto procederem à amarração. Os guardas de Ankrahmun fizeram algumas perguntas a meu respeito, em seu idioma e Cirilo respondeu que eu não falava o ankrahmuni, o que era verdade. Após sermos liberados, Cirilo me conduziu pelas ruas da cidade até a moradia de meu próximo contato.
Que cidade exótica é Ankrahmun, para um mainlander como eu. Suas construções, em forma de pirâmides, me causaram uma impressão difícil de explicar. Suas ruas, sempre um pouco cobertas pelas areias trazidas pelos ventos quentes do deserto, são tomadas de comerciantes e carregadores, muitos sem camisa ou vestindo apenas uma espécie de colete de linho fino cobrindo seus troncos bronzeados. As mesas, barracas e cestos empilhados ao longo de suas vielas exalam fortes odores de frutas e especiarias expostas para a comercialização. As patrulhas de soldados em suas rondas pela cidade, são formadas por seis indivíduos. Usam turbantes, calças largas e sandálias. Como no caso da maioria dos cidadãos, apenas um colete lhes cobre o tronco. Portam, como armamentos, escudos redondos, lanças e cimitarras embainhadas no largo cinto.
Chegamos a uma rua de nome Murkhol, um pouco ao norte da região portuária. Cirilo parou em frente a uma pirâmide e, enquanto ele batia em uma bela, bem trabalhada e robusta porta de madeira, eu ficava perplexo observando os enormes blocos de pedra que compunham a construção. Me indagava o quanto de técnicas sofisticadas de engenharia foram empregadas para cortar e encaixar aqueles gigantescos blocos com tamanha precisão. A porta se abriu e uma pessoa, na penumbra do recinto interior, convidou Cirilo a entrar, com um gesto da mão esquerda. Cirilo, por seu turno, instou-me a segui-lo.
Após entrar, fiquei fascinado com a decoração e o bom gosto do apartamento. O pavimento coberto por um belo tapete, ornamentado com figuras geométricas e zoomórficas. Nichos escavados nas paredes rochosas abrigavam imagens de animais do deserto. Nosso anfitrião era um homem alto, de porte atlético, cabelos castanhos bem claros, com várias tranças trabalhadas que se juntavam atrás em um volumoso rabo de cavalo. Suas vestes se constituam em uma túnica de linho branco, muito apropriada para o clima quente de Ankrahmun. __Bom revê-lo, Cirilo. __disse o homem, que em seguida direcionou uma de suas mãos para mim e complementou: __Quero crer que este jovem é o guerreiro enviado por Mestre Abran.
__Sim, Hovgar. Este é Acricius, paladino da guilda. __disse Cirilo.
Hovgar estendeu-me a mão ao mesmo tempo em que me mostrava um sorriso acolhedor. __Certamente trouxe uma dádiva para nosso futuro amigo e aliado.
__Sim. __respondi, enquanto abria minha mochila e dela retirava uma pequena e graciosa caixa de madeira, entregando-a a Hovgar, que a abriu em seguida.
__Ah, magníficas! __o rosto de Hovgar iluminou-se em um sorriso de satisfação. __ O bom Gabel ficará feliz com o presente. Sabem, me foi difícil e custoso angariar a confiança e a amizade de Gabel e de seus djinns. Tive que realizar várias tarefas, algumas muito exigentes, para que pudesse obter a permissão não só de comercializar mas também de frequentar sua extraordinária fortaleza, e sua biblioteca, onde conhecimentos que se perderam no tempo estão registrados. E você, Acricius, considere-se um privilegiado, pois Gabel deu-me permissão para levá-lo até ele, mesmo sem o cumprimento das tarefas, para que você possa oferecer-lhe as dádivas vindas de Mestre Abran. Será um momento único, onde nossa guilda estabelecerá relações formais com os Marid. Impossível avaliar agora o que isso nos trará em termos de prestígio, riqueza e mesmo poder.
Por alguns momentos fiquei olhando para Hovgar, sem nada dizer. A ideia de estar pessoalmente presenciando e participando daquele momento inebriou-me a mente.
Após Cirilo despedir-se, Hovgar convidou-me a sentar com ele em uma mesa, onde me explicou os detalhes da viagem que empreenderíamos no dia seguinte, até Ashta'daramai, a fortaleza dos Marid.
Na manhã seguinte, bem cedo, já estávamos em uma pequena praça. Eu aguardava Hovgar comprar alguns itens em lojas próximas, quando ouvi uma espécie de súplica ao meu lado. Um ancião, em andrajos, e cego, suplicava aos passantes alguma esmola. Apiedei-me dele, retirei algumas moedas de ouro de meu pequeno alforje e as depositei na palma de sua mão. O ancião exibiu um sorriso de gratidão e pronunciou algumas palavras em Ankrahmuni, o que me impediu de responder-lhe. Mas em seguida ele falou, no idioma thaiano. __Meu benfeitor seria por um acaso, de Mainland? Os cheiros que sinto são de tecidos e flagrâncias típicas daquele continente verde, frio e úmido. As imagens de Mainland ainda permanecem em minha memória. Houve uma época em que eu podia viajar por muitos lugares deste nosso mundo.
Surpreso, lhe disse: __O amigo então já deve ter vivido, ao menos no passado, uma vida de abundância e riqueza. O que lhe aconteceu para que caísse em tal infortúnio?
Antes que o ancião pudesse articular algo, Hovgar retornou à praça e, vendo-me ao lado do pedinte disse: __Ah, vejo que acaba de conhecer Melchior, a quem considero já um velho amigo. Foi graças às informações valiosas que me forneceu que pude entrar em contato com os marid e realizar algumas das tarefas que eles me confiaram. Infelizmente Melchior mantinha relações com os efreet, os djinns verdes, inimigos mortais dos marid. Quando os efreet descobriram que Melchior também comercializava com os marid, castigaram-no severamente e o deixaram à beira da morte no deserto.
Melchior completou: __Este foi um terrível erro que cometi. Jamais deveria ter estabelecido relações com os perversos seguidores de Malor. Um erro que recomendo a todos que nunca cometam.
Hovgar interrompeu o velho pedinte. __Eu já disse a Melchior para vir morar comigo e sair das ruas. Mas ele é teimoso, parece que gosta de viver nas praças e vielas pedindo esmolas.
__Ah, Hovgar, meu bom amigo. __completou Melchior. __Eu apenas lhe daria trabalho. Deixe este velho ancião perambular pelas ruas de Ankrahmun. Já estou acostumado com os ruídos e aromas da cidade e assim, como um pedinte, quero acabar meus dias, talvez para purgar os erros e pecados que cometi no passado.
Despedimos-nos de Melchior e seguimos para a parte norte da cidade, para alugarmos dromedários e atravessarmos o “mar de areia”, o grande deserto de Kha'labal, através do qual chegaríamos às montanhas de kha'zeel.
Uma coisa inusitada acontecera logo após nos afastarmos de Melchior. Vi com clareza que um indivíduo nos observava, postado a cerca de uns 10 metros de onde estávamos. Vestia uma belíssima túnica tão branca que os raios de sol refletiam nela e chegavam a incomodar a vista de quem lhe dirigia o olhar. Um bonito cinto dourado cingia-lhe a cintura e um capuz cobria-lhe os olhos, deixando-lhe apenas a boca a descoberto. Mas tive a nítida impressão de ver seus lábios exibirem um sorriso tão afável e acolhedor que por alguns segundos, não conseguia deixar de fitá-lo. Subitamente alguns carregadores passaram entre o indivíduo e eu, levando grandes e pesados cestos nas costas. Após a passagem dos trabalhadores, o homem simplesmente havia desaparecido, sem deixar rastro. Perguntei a Hovgar se ele também tinha visto o indivíduo, mas ele relatou nada ter percebido. Fiquei com aquelas imagens na mente.
Logo eu e Hovgar “navegávamos”, montados em nossos dromedários, pelas dunas do grande deserto. Que espetáculo contemplar aquela imensidão de areia sob o forte sol de Kha'labal. Brisas e ventos suaves amenizavam gostosamente o calor. Ao fim do primeiro dia da jornada, armamos a pequena tenda junto a um oásis. Não há palavras para descrever a visão das estrelas e galáxias se descortinando nitidamente diante de nossos olhos, na fria noite do deserto. No dia seguinte, já ao cair da tarde, contemplávamos no horizonte, ao longe, as magníficas montanhas de kha'zeel. A partir da base começamos a subir por desfiladeiros e plataformas rochosas que serpenteavam pela encosta da montanha. Depois de intermináveis horas subindo, nos deparamos com uma espécie de corredor rochoso, com dois altíssimos paredões nos escoltando, lado a lado.
Um fenômeno extraordinário começou a se manifestar naquele ponto da subida. Uma forte ventania principiou a soprar através do desfiladeiro por onde transitávamos. Em seguida, rajadas de energia e vapor de cor azulada passaram a voar rente a minha montaria e a de Hovgar. Então, colunas de vapor e fluido surgiram logo à frente de nossa posição e se transformaram, diante de nossos olhos, em seres altos e fortes, de pele azulada e forma humanoide. Alguns usavam turbantes e outros ostentavam espessos bigodes. Olhavam-nos com severidade, mas alguma curiosidade, até que Hovgar, juntando as palmas das mãos e abaixando um pouco a cabeça em sinal de respeito disse: __Djanni’hah. __os semblantes dos seres se desarmaram, dois deles se aproximaram e seguraram as rédeas de nossos dromedários, puxando-nos devagar e nos conduzindo ainda mais para dentro do desfiladeiro. Os demais reassumiram suas formas etéreas e também, a seu modo, nos seguiam voando ao redor e acima de nós. Nossos guias nos conduziram a um pórtico lindamente trabalhado, encimado e ladeado por um frontispício adornado com figuras geométricas esculpidas em alto relevo. Desmontamos e cruzamos o pórtico, a convite de nossos anfitriões. Tudo no interior me causava um grande deslumbramento. Pisos e paredes cobertos com mármores nobres e reluzentes. Colunas torcidas enfeitadas com ranhuras preenchidas com pedras preciosas. Não podia deixar de notar e mesmo apreciar, ainda que evitasse deixar isso evidente para não ferir suscetibilidades dos nossos senhorios, as fêmeas da espécie. Mulheres com cabelos negros escorridos que desciam pelas costas até chegarem à cintura e lenços brancos que lhes cobriam a face abaixo dos olhos amendoados e penetrantes. E os corpos esculturais evidenciados pelos ventres desnudos logo acima das calças quase transparentes. A pele azulada acrescentava um toque de exotismo àquelas curvas inebriantes.
Dois marid nos instaram a segui-los através de um grande salão, sobre um tapete vermelho que levava a uma escada. Ao começarmos a subir, Hovgar disse-me, sorrindo: __Gabel nos espera. __quando, no fim da escada, cruzamos uma grande porta que levava a outro salão, pude divisar ao fundo a figura imponente de um djinn sentado sobre grandes e confortáveis almofadas. Hovgar o saudou de modo muito respeitoso, fazendo com que abrisse um reluzente sorriso e trocasse com meu camarada palavras em um idioma inteiramente desconhecido para mim, diferente mesmo do Ankrahmuni. Hovgar pediu-me que entregasse a Gabel a caixa trazida de Venore, com a dádiva enviada por Mestre Abran. O djinn a acolheu com um sorriso amistoso dirigido a mim e mostrou-se feliz ao ver o conteúdo. Percebi que aquele gesto selava um acordo tácito entre a guilda e os poderosos marid.
A partir daquele instante vivi momentos de encanto e deleite. Gabel mesmo levou Hovgar e a mim através dos salões de Ashta’daramai. Mostrou-nos a gigantesca e esplendorosa biblioteca, que excitou minha imaginação quando especulei a respeito do tanto de conhecimento e sabedoria armazenados naqueles milhares ou milhões de livros e pergaminhos. Por fim, o lauto banquete, servido pelas belas fêmeas marid, com pratos de sabores exóticos e deliciosas frutas e especiarias daramianas.
Infelizmente tive que despertar de todo aquele sonho. Despedimo-nos de Gabel e em seguida fomos conduzidos até nossas montarias, diante do pórtico de Ashta’daramai. Dali um grupo de djinns nos escoltaram até o ponto em que vimos os seres pela primeira vez. A partir de então começamos a descer a montanha, para através do deserto retornarmos a Ankrahmun.
Mal sabíamos que, após viver um sonho, logo passaríamos por um verdadeiro pesadelo.
Tão logo alcançamos as areias do deserto, notamos que uma intensa tempestade de areia vinha em nossa direção, a partir do sul. Eu podia notar que na base da tempestade algumas nuvens de areia apresentavam uma coloração esverdeada. Hovgar assumiu uma expressão de extrema preocupação: __Isso não é bom, não é nada bom. __e completou__ Prepare-se para lutar, arqueiro.__ ao ouvir aquilo, peguei minha crossbow of remedy na mochila pendurada no dorso de minha montaria e coloquei-me em estado de prontidão. Hovgar desmontou e pude sentir que se concentrava para usar o mana que impregnava seu corpo.
A tempestade de areia caiu sobre nós com uma fúria inaudita. Mal conseguíamos nos manter em pé e mesmo enxergar. Rajadas de energia e plasma de cor verde passavam ao nosso lado de maneira ameaçadora até que começaram a investir contra Hovgar e eu. Eu disparava a esmo meus bolts mas a munição passava direto pelos seres etéreos que voavam ao redor em meio à tempestade. Hovgar exclamou, com uma voz que ecoou fortemente ao redor: __ Exevo gran mas frigo !!! __uma gélida energia passou a atingir e a envolver aqueles seres etéreos, que sentiram os golpes, uma vez que emitiram alguns murmúrios de desconforto. Eu, por meu turno, tomei fôlego e gritei no meio do turbilhão da tempestade e dos seres, as palavras deixadas pelos valar e que me foram ensinadas por um de meus mestres na guilda: __ Exevo mas san!!! __eu sempre gostei de presenciar o efeito visual dos ankhs caindo sobre meus oponentes e os destroçando ou curvando-os contra o solo. Mas aqueles seres se manifestavam em uma forma não material, o que não impediu, no entanto, que novamente os murmúrios de dor e desconforto ecoassem ao redor. As técnicas manais empregadas por Hovgar e eu certamente tinham o condão de infringir alguns danos aos efreet. Mas nossos adversários eram muitos e rápidos. Investiam voando contra nossos corpos, infringindo-nos dor e sugando nossas forças e mana. Em um dado momento, senti que meus sentidos me fugiam. Já não conseguia ver e ouvir Hovgar plenamente. Mais alguns minutos e tudo escureceu...
Despertei em meio a fortes dores. Meus braços esticados para cima, presos a correntes que pendiam do teto de um recinto alto, escuro e cavernoso. Percebi alguns filetes de magma que corriam devagar no solo. Eu estava sem camisa. __Lamento tê-lo trazido a esta situação, Acricius. __ ao ouvir a voz de Hovgar olhei para o meu lado esquerdo. Meu camarada estava na mesma situação que eu. Atado a correntes, sem camisa. __Eles poderiam ter nos matado. Mas preferiram fazer-nos sofrer, antes. __disse Hovgar. Dizem que a dor e o prazer podem estar interligados, às vezes. Foi o que pensei quando vi aquela fêmea efreet se aproximar de mim e de Hovgar. Voluptuosa, lábios carnudos, de uma beleza hipnotizante. Começou a deslizar seus dedos verdes pelo peito de Hovgar. Alguns segundos depois e Hovgar gritava desesperado, como se sentisse dores lancinantes. As unhas da efreet pareciam lâminas verdes incandescente cortando a carne do desafortunado druida. Ela fez o mesmo comigo. No início pensei poder aguentar a dor, mas depois senti como se punhais que acabavam de sair da forja penetrassem minha pele e músculos. Não consegui conter o grito de dor. Em seguida, ela segurou o queixo de Hovga com a mão direita e apontou os dedos indicador e médio da mão esquerda para os olhos do guerreiro. Compreendi sua intenção e gritei, suplicando que não fizesse aquilo. Mas ela parecia sentir prazer com nosso desespero e dor. Um pouco atrás dela, distantes uns sete metros, dois altos e musculosos machos efreet pareciam também se deleitar com a tortura que eu e Hovgar sofríamos. Precisávamos de um milagre.
E o milagre aconteceu...
Antes que a efreet consumasse a crueldade contra Hovgar, todo o recinto começou a tremer. Alguns filetes de magma transbordaram para fora de seu curso e fragmentos de rocha espalhados pelo chão flutuaram no ar como se alguma força contrária à gravidade os elevasse do solo. Um ponto de luz surgiu no meio daquele misto de caverna e calabouço tétrico. Emanava uma luz intensa, quase cegando quem ousasse fitá-lo diretamente. O ponto luminoso expandiu-se e assumiu a forma de um homem. O mesmo homem que eu vira em Ankrahmun, após despedir-me de Melchior, e que segundos depois desaparecera. A mesma túnica branca e brilhante, o mesmo capuz. Nossa torturadora, assustada, gritou e se afastou para um canto, encolhendo-se e pronunciando palavras como de súplicas, como se pedisse ao ser luminoso que não lhe fizesse mal. Os dois efreet que observavam mais afastados, em um ato ousado, investiram contra o ser de luz que, por sua vez, apenas fez alguns gestos suaves com a mão direta, e os djinns, como se uma poderosa força invisível os atingisse, foram projetados violentamente contra uma parede ao fundo do recinto e caíram desacordados. __Não temam, filhos de Banor. Eu estou aqui para ajudá-los __disse-nos o homem, possuidor de uma voz firme e ao mesmo tempo suave. Tocou nas correntes que nos prendiam e nossas mãos se soltaram. O homem estendeu-nos suas mãos, como se pedisse que as tocássemos. Assim que o fiz, todo o ambiente ao redor foi tomado por uma forte claridade e uma sensação parecida com a que senti, quando o Oráculo me transportou de Rookgaard para a Ilha do Destino, tomou conta de minha mente; como se eu viajasse pelo cosmos, cruzando estrelas e galáxias. Senti uma espécie de tontura e parecia desfalecer.
Mas logo depois senti como se pisasse em cima de areia macia. Abri os olhos e vi-me, juntamente com Hovgar, em um oásis no meio do deserto. Estávamos novamente com nossas vestes completas. Nossas montarias amarradas a uma palmeira próxima. E o homem, com as mãos juntas em posição de prece, diante de nós, exibindo um sorriso acolhedor. Ele retirou o capuz e um rosto jovem, de feições suaves e expressão terna, cabelos negros amarrados elegantemente atrás, fitou-nos por alguns instantes. __Quem é o nosso salvador? Perguntou-lhe, admirado, Hovgar.
__Sou aquele que foi purificado pela dor e agora habito os salões eternos, juntamente com os valar benevolentes e com nosso pai, Banor. Eu sou Daraman... vim ajudá-los por demonstrarem compaixão pelo pobre Melchior, que passou por sofrimentos semelhantes aos meus.
__D-daraman... o profeta... __balbuciou, perplexo, Hovgar.
__Agora vão, meus queridos, voltem a Ankrahmun e tomem sempre cuidado, caso retornem aos domínios dos bons marid, pois os perversos efreet espreitam com a intenção de fazer sofrer os que se aproximam dos djinns que seguem as minhas palavras de paz e de benevolência... vão nessa paz... retornem aos seus. __e desapareceu diante de nosso olhos.
Voltamos a Ankrahmun extasiados com o que nos acontecera. Melchior ouviu nossa história com uma expressão de encantamento, mas como se achasse natural que Daramam se manifestasse a mim e a meu camarada. Cirilo, na viagem de volta a Port Hope, pediu-me que repetisse umas cinco vezes o relato. Julgava extraordinário o que nos acontecera.
__E isso é tudo, pessoal. Satisfeitos? __Indaguei a meus camaradas de mesa, já de volta à taverna.
__Céus, que aventura, Acricius... __disse Regina, enquanto passava suavemente os dedos em meu peito, por dentro da camisa, tentando sentir os sulcos causados em minha pele, pelas unhas da efreet.
E continuei dedilhando minha harpa, tal qual um bardo, na penumbra da taverna, respondendo às perguntas curiosas de Regina, Draux e Krebbs, que queriam mais detalhes a respeito de Ankrahmun, a ancestral cidade cujas origens remontam ao início da existência humana em Tibia, e dos fascinantes e perigosos djinns...
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
https://taleon.online







Curtir: 




as coisas ficaram divertidas. Tudo bem que ficou um pouco irreal em termos do jogo um bardo ir sozinho na fortaleza dos efreets e aprontar aquilo tudo, mas o texto é em forma de comédia mesmo. Ficou parecendo mesmo a ideía do Bilbo com o Smeagul. Talvez se fosse umas adivinhações mais cabeludas ficaria melhor. 


