GELO E ESCURIDÃO
Eu era apenas mais um naquela exploração extremamente importante financiada pelo rei de Thais. Era só mais uma caverna escura, com musgo e alguns morcegos enrugados pelo clima úmido. Mas, aquele dia era para ter algo impactante, para assustar. Era um dia marcado para isso. A poeira já havia baixado à respeito dos assassinatos em Port Hope, do serial killer Arvan e até mesmo das dezenas de embarcações perdidas ao longo de dois anos. Tibia já estava calma e sem emoção, nada acontecia além do ciclo natural. Merian encontrou uma pedra azul brilhante, em uma das paredes cheias de musgos.
- Ei, eu já vi isto aqui antes! Falou ela, com seus olhos brilhando.
Alistar, um elfo ancião de Ab'Dendriel, conhecido por ser um dos descendentes mais próximos dos Teshial, bradou assustado:
- Escamas... Escamas de um Dragão do Mar. Isto não está ficando nada legal.
- O que houve, professor? - Perguntei.
- Estamos entrando no que parece ser uma toca de algum animal marinho. A pergunta é: se formos reto, cairemos na água ou encontraremos uma parede negra nos levando a entender que este animal sofreu uma mutação?
- Olha, já estamos aqui. Levamos dias para organizar estes equipamentos, fazer a manutenção, esperando que encontrássemos algo de impacto. Não pretendo voltar. - Disse.
- Não, Alistar. Quando eu encontrei isso, outra vez, não pertencia a um Dragão do Mar. - Disse Merian.
- O que era, então?
- Trapos, escamas e até restos da pele de um dos monstros mais temidos de Tibia: o mesmo que destruiu a antiga civilização sozinho e que arrastou milhares de seres vivos para viver anos sem sair de sua toca alimentando-se deles.
- Você só pode estar brincando, não é? Está querendo dizer que aqui mora Ghazbaran?
Merian calou-se, e fez sinal para que fossemos adiante. Alistar sentiu-se meio chocado com o raciocínio de Merian, e também incomodado quando ela tomou esta postura de líder do grupo. Eu já estava tremendo, pois a cada passo que dávamos era possível sentir ainda mais o frio que emanava provavelmente daquele monstro congelado. A escuridão nunca pareceu-me esconder tamanho perigo.
A voz de Akali quebrou um silêncio de quase cinco minutos.
- Pessoal, achei uma coisa aqui no chão! - Akali começou a se agachar para tocar no objeto.
- Não toque nisso! - Mas era tarde demais. Mal teve tempo de Alistar explicar, a caverna começou a se quebrar.
As pedras caíam e bloqueavam o caminho, e algo muito grande começava a se arrastar do fundo da caverna. Seu choque com as paredes faziam a caverna tremer ainda mais. Mas aquilo não era o pior.
Conforme corriam na direção da luz, a caverna parecia se levantar: na verdade, não era uma caverna, e sim a parte superior de um monstro escondido nas geleiras. Os pesquisadores tropeçavam, caíam, Akali e Merian foram deixados para trás. Somente eu e Alistar conseguíamos correr, ele ainda mais pois era um elfo másculo e bem treinado, que não deixava transparecer sua idade.
Estávamos chegando na saída, e conseguíamos ouvir os gemidos do restante do grupo, que ficara para trás. Em meio a tanto barulho e movimento, era possível sentir a agonia daqueles corpos sendo trespassados por qualquer que fosse o objeto. A caverna estava alta e seria uma queda muito grande naquele gelo espesso que estava abaixo de nós. Mas não havia outro jeito. Alistar não esperou-me, ao chegar na saída atirou-se, chocando-se violentamente com o gelo. Pude ouvir o som de algo se aproximando em grande velocidade, e decidi correr o risco. Durante a queda, pude ver um ser extremamente robusto, com uma boca que se estendia até seus olhos e três chifres na cabeça. Seu corpo era magro e fino mas sua cabeça era desproporcional. Com o impacto, apaguei.
Acordei em uma casa de madeira, aparentemente perto daquela caverna escura. Estava um frio tremendo, embora eu pudesse sentir o calor que emanava de uma fogueira perto dali. Estava deitado, tranquilo, mais aliviado. Aparentemente havia sobrevivido sem arranhões nem algo do tipo. Era a casa de Alistar, em Svargrond.
Não quero nem ouvir falar mais naquela fera, pois, só de interpretar e imaginar as coisas horrendas que contam sobre seus atos, sinto aquele frio penetrante denovo.