Não li nenhum comentário, então corro o risco de estar sendo repetitivo.
Minha mente em página visível
Vestida de branco
Acudo-a, para quebrar o seu silêncio
Observo as linhas, esperando mancha-lás
Essa primeira estrofe me lembrou exatamente uma folha em branco (ou o bloco de notas, vá saber); justamente porque o eu-lírico metaforiza a própria mente no espaço vazio, como se ambos fossem exatamente iguais naquele instante.
É a ideia de você ficar encarando o espaço e pensando no que vai escrever, como se, de alguma forma, encarar o vazio ajudasse no estímulo criativo.
Diversas maneiras e formas possíveis
São milhares para ser dito
O que dizer? - Eu não queria dizer isto -
Observo minha mente, esperando...
Realmente, há várias maneiras e formas para se escrever um poema; e você pode encarar isso como sendo: a) estrutura física do poema (métrica, rima, e por aí vai); b) a ideia mais subjetiva ao escrever um poema, como as ideias brotando na mente genuinamente — a famosa inspiração. E ainda erra: "o que dizer, porra? — erm, bem, eu não queria dizer isto — ...", como se não quisesse ser tão direto.
E o eu-lírico espera a inspiração nascer em sua mente, como algo natural.
Não gostaria de falar de meus versos
Livre? Sim, mas tendendo a quatro
Tendendo ao velho
Sem o exagero, exagerado
Aqui ocorre uma curiosa mênção à disposição dos versos num poema, embora o eu-lírico "relute" em falar desse assunto. É engraçado, porque ele prefere versos livres, mas parece não conseguir se livrar da estrofe quaternária que já é tradição na poesia.
E ainda considera isso um exagero: "sem o exagero, exagerado"; o eu-lírico parece simplesmente gostar de um, mas praticar o outro por conveniência. A ele, parece mais harmonioso (e menos exagerado) usar quatro inversos ao invés de mais, por exemplo.
Ah! É a necessidade de belos dias
Há tristeza, há terrorismo demais
Tanto às idéias, quanto ao homem
É... Querer dividir o carinho da brisa
A partir dessa estrofe, começa o lirismo do poema; tudo parece ficar nebuloso, difícil, subentendido, meio largado.
O eu-lírico se mostra sociável, apegado à humanidade. Fala das ideias e homens tristes e aterrorizados, como se fosse tudo um ciclo de causa e consequência.
"Querer dividir o carinho da brisa" é enigmático, me parece só a necessidade de uma companhia humana e sensível.
Enfim, não ter o controle, dentro de um
Desejando o infinito
Revelar minha mente e minha alma
Meu pensamento e minha vontade
Por fim, o eu-lírico simplifica tudo: não temos o controle sobre nossas ideias, e estas se revelam justamente nos poemas, na literatura, nas infinitas possibilidades que se abrem. Acabamos revelando muito de nós mesmos nessas obras de arte.
Edit:
Li o seu spoil e não consegui encaixar mais nada. Só me reforça a ideia de que deixei algo passar na minha interpretação, que provavelmente não foi das melhores.
Mas, agora, "Singelos Versos" é oficialmente meu.
Abraços.