
Postado originalmente por
Bob Joe
Bom, vou explicar o que eu acho:
Só um aparte antes: as pesquisas que o Lula tem melhor desempenho hoje foram as que MAIS erraram na última eleição. Datafolha e Quaest deram boca de urna
com até 9 p.p. de diferença para o resultado final no primeiro turno. E muita gente esqueceu isso. E ao esquecer disso, esqueceram o quanto a metodologia de questionários estruturados desses dois institutos falhou em capturar alguns tendências em relação ao posicionamento dos indecisos.
Em pesquisas de metodologias mais diretas, como a BTG/Nexus que saiu esses dias, você já tem uma aproximação maior entre Lula e Flávio. E isso acaba coincidindo com o óbvio: essa eleição não é sobre o Flávio ou os Bolsonaros, é sobre o Lula. Quanto maior a rejeição do Lula, mais fortalecidos vão estar os oponentes. E, mesmo a rejeição do Flávio sendo grande, os alinhamentos dentro do campo político anti-PT vão colocar todos no colo do bolsonarismo de novo, inclusive o centrão que está jogando na retranca.
Nisso, aí já acho que vai entrar a força externa para conduzir a narrativa. A diferença hoje é pequena, no mínimo tão pequena quanto em 2022 (basta comparar as pesquisas da mesma época). Mas agora existe um peso nessa balança preparado pra fazer diferença. Como eles vão fazer isso, ainda não sei. Mas eles sempre foram bem competentes em fazê-lo.
E tem mais uma coisa: a campanha ainda não começou. Temos um cenário apertado entre um candidato com a máquina pública nas mãos e outro que, até ontem, nem os aliados apoiavam. Quando o cenário se fechar e os apoios se consolidarem, essa diferença vai cair mais. E você vê isso no desempenho do bolsonarismo nas pesquisas estaduais. O povo quer votar nessa galera.
Você tá se apegando em pesquisa por telefone pra tentar ignorar os dados. A Quaest aponta 57% de rejeição pro Flávio. Ele perdeu espaço inclusive na direita não-bolsonarista, caiu de 90% pra 74% de intenção de voto. Enquanto isso a melhora na avaliação do Lula vem do alívio financeiro pelo Desenrola, queda na inflação dos alimentos e retomada de programas sociais e de vacinação. Isso não é falha de questionário.
E tem outra coisa, o Flávio já tá no teto dele com essa rejeição toda passando de 50%. Ainda não chegaram os debates e é aí que o Lula puxa voto, vai confrontar cara a cara todos os crimes que as bolhas bolsonaristas não deixam o eleitorado ver e aí é debandada. O Lula nem chegou no teto ainda, quem tem a máquina na mão cresce no período eleitoral com pouco esforço.
Achar que o Centrão vai se colocar no colo do Flávio é ilusão política. O escritório de advocacia dele emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais com cancelamentos suspeitos pra empresas de fachada em São Caetano ligadas ao esquema do Daniel Vorcaro e do Banco Master. O Centrão é pragmático, ninguém vai fechar aliança com candidato atolado em investigação de lavagem de dinheiro, até porque eles já ganham muito com o Lula nesse modo paz e amor e conciliação.
A articulação da família Bolsonaro com o governo Trump pra jogar tarifas de 25% contra produtos brasileiros gerou efeito rebote. A Quaest mostra que 51% da população responsabiliza diretamente a família Bolsonaro pelo prejuízo à economia do país. Pedir sanção contra a própria produção nacional em ano eleitoral não é trunfo é traição, e qualquer imbecil bolsonarista percebe isso só não vai anunciar.
Se a campanha precisa encenar vídeos fake com IA em supermercado pra simular inflação e depende de gabinetes no STF aparelhados com delegados pra fazer pescaria probatória contra adversários a poucos dias da eleição o diagnóstico é de desespero e fim de jogo.
Não preciso nem comentar sobre coisas que passam mais despercebidas tipo a confusão de paternidade entre eles que os moralistas vão usar pra migrar pra outros candidatos, André Mendonça conduzindo investigações ilegais recebendo críticas de outros ministros do STF e PGR, delegado sendo investigado de forma ilegal, apoio de Pequim. Várias bombas saindo pela Juliana Dal Piva, Dani Lima e Reinaldo Azevedo assim como vazamentos do Intercept e ICL. As instituições no Brasil são muito fortes assim como o soft power então não vai ser tão fácil pros EUA como foi nos mendigos que nos cercam.