
Postado originalmente por
Arctic Wolf
Não estou dizendo que devem ser proibidos de votar. Mas é óbvio que um governo excessivamente assistencialista criará um ciclo em que atrai os votos dos beneficiados e, para manter esses mesmos votos, terá de continuar sempre com o assistencialismo excessivo. Esse é o problema.
É só ver o tanto de "benefícios" que o governo Lula começou a liberar neste ano de eleição. Está pagando de herói até com a taxa das brusinha.
Eu não acho que ameaçar desfazer o pacto do sufrágio universal, chamar pobre de imbecil e propor retorno do voto censitário ajude de alguma forma. Muita gente se beneficia do Estado e esse ciclo vai muito além do assistencialismo. Acabar com bolsa família é fichinha perto de propor acabar com o Plano Safra ou os milhares de incentivos fiscais dados à empresas e bancos próximos aos governos municipais, estaduais e federal, nas três esferas do poder.
Ou essas benesses estatais não criam também um ciclo de dependência, fazendo com que toda essa galera coloque dinheiro em campanha, doem para filmes, deem carona em jatinho e paguem ingresso pra show para políticos eleitos e juízes indicados? Pra mim, é um problema muito maior do que o Bolsa Família, Bolsa Gás, bolsa consolo, bolsa absorvente ou qualquer outra bolsa cujo demográfico seja baixa renda. O único direito e poder que essas pessoas que recebem assistência social tem é votar. Do lado dos banqueiros, empresários, especuladores e fazendeiros que recebem as benesses fiscais e de crédito do governo, eles além de votarem e comprarem votos, ainda conseguem passar leis, afrouxar fiscalização e influenciar em decisões judiciais. A diferença é que votar em benefício próprio não é crime, muito pelo contrário.
Particularmente, sou totalmente a favor de políticas de renda mínima. Por mim, é fácil resolver essa questão: um PEC que garanta que ninguém pode acabar com o benefício. Até porque nenhum dos candidatos e eleitos dos últimos anos propôs acabar com a assistência social, muito pelo contrário, o próprio Bolsonaro se gaba até hoje de ter aumentado o auxílio. Se tá todo mundo lá em Brasília de acordo, basta institucionalizar e tirar essa pauta das eleições. Eles não fazem isso porque questões divisivas movimentam e polarizam.