
Postado originalmente por
Xinshon
O Bolsonaro não é e nunca foi uma divindade para a maioria da direita. A direita vota contra a esquerda e não no Bolsonaro, é isso que vocês não entenderam ainda e é isto que a eleição desse final de semana demonstrou.
A próxima eleição tende a ser muito parecida com a eleição de SP e neste caso o Ratinho tem mais popularidade nas regiões com mais votos que todos os outros, por isto, o Kassab está escolhendo ele. Será PT X PSD/UNIAO X PL e a não ser que venha o Jair com muita força, qualquer candidato que o PL botar vai acabar sendo desidratado durante a campanha de 2026 para o centrão. Entre Michelle e qualquer um dos quatro governadores, a preferência não será dela. Os filhos então, não tem a menor chance para presidente.
Se você pesquisar vai ver que Ratinho, Caiado, Zema e o Eduardo Leite estão se encontraram várias vezes este ano e já estão fechados em um grupinho desde a pandemia, na hora do vamos ver não vai ter essa de candidaturas individuais, isso é só papo, pois é óbvio que nenhum dos dois ganharia a vaga do segundo turno do PL. E por que se aliar ao PL para ser minoria se o centrão já domina o legislativo e até o judiciário, por que não pegar o poder para si e revezá-lo por 30 anos.
O perfil do Caiado é mais igual o Kassab, é um dos que realmente manda no país, mas por baixo dos panos e não no holofote, já contrapós o Bolsonaro na pandemia e agora na eleição de Goias. O Tarcísio é aliado do Fabio Faria que é marido da Patricia Abravanell, em outras palavras, tem o SBT e uma caralhada de rádios no interior a disposição, não acredite que são só as 77 anunciadas. A única surpresa realmente é ser já em 2026, esperava que essa candidatura viesse em 2030.
O que você não está considerando nessa conta é:
1) o Bolsonarismo é um movimento forte, numeroso e popular na direita. Assim como o Lulismo na esquerda. Quem não tiver apoio do Bolsonaro vai apenas dividir os votos da direita. É a situação do Ciro na esquerda, o Lulismo preferiu votar do boneco do Haddad a ir com o Ciro. O bolsonarismo vai preferir até votar em uma mulher (que eles não apreciam muito) a ir com um candidato de centro-direita. O Marçal aprendeu essa lição. Perdeu para o sem expressão do Nunes pelo simples apoio tímido do Bolsonaro (e com a ajuda do Tarcísio).
2) o Kassab não se importa em eleger um presidente. Ele vai lançar ou ameaçar lançar candidaturas pensando apenas em costurar acordos de segundo turno, para compor o governo. Ele faz isso desde quando ainda era do PFL. Estar diretamente no poder é ser vidraça e estar exposto. O PSD ganha muito mais apoiando, dando governabilidade a um presidente e sugando emenda parlamentar.
3) Zema já disse que não sai como candidato. Eduardo Leite não é considerado um candidato de direita, não teria a mínima chance. Ainda mais depois das tragédias do RS. Vai ter a mesma relevância que o Alckmin em 18.
Eu acho que o meio político entende que o Bolsonaro não é capítulo superado. Como eu disse, a simples presença do Bolsonaro elegeu diversos vereadores e prefeitos pelo país e nas capitais. Ou superam o bolsonarismo ou aceitam que vão depender de beijar a mão da família.
E tem que lembrar o seguinte: o Lula não é o Boulos, o PSOL não é o PT. Mesmo esse Lula velho aí tem toda a máquina pública nas costas e sabe usar muito bem o capital político. Se dividirem o voto do bolsonarismo em 26, a depender de como essa cisão acontecer, o Lula ganha de novo.
Se eu fosse apostar, acho que o PL lança a Michelle já no ano que vem. O tanto de inserção e destaque que ele ganhou desde ano passado meio que indica que o partido está testando a figura dela.