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GrYllO
Você pode elencar exemplos desses tais projetos em governos anteriores? Pra gente ter algo a comparar...
Sim, claro. Vou dar alguns exemplos mais próximos a mim e que posso discorrer um pouco mais sem ter que pesquisar longamente. Só deixar claro que "projeto" é uma qualificação que não visa julgar mérito, qualidade e resultados. Eu mesmo acho que o projeto de expansão das Federais não foi uma grande maravilha. Apenas que foram diversas ações coordenadas e realizadas visando um objetivo, que tinha como base na visão de mundo de quem comandava o Estado à época e tiveram participação da sociedade civil em sua elaboração:
1) O governo Lula tinha como projeto de educação fortalecer o ensino superior gratuito, em direção a uma expansão do número de vagas nas universidades federais. Estabeleceu isso com diversas ações dentro de um mesmo pacote: o REUNI (expansão de infraestrutura), a criação de sistemas de gestão unificados para todas as Instituições Federais de Ensino, a reestruturação da carreira de docência do magistério, criação da rede federal de ensino e reestruturação da carreira docente EBTT, o sistema de cotas sociais e raciais e outros projetos e ações menores.
2) O próprio Fundeb, que hoje é prioridade para o atual governo, parte de um outro projeto do governo FHC, o Fundef. É um conjunto de ações em educação básica visando o financiamento da educação em todo o território e tendo o governo federal (em especial, o MEC) como a base de políticas.
3) O Plano Nacional de Educação (PNE), um conjunto de ações que estabelece diretrizes para análise da qualidade de ensino do país.
Veja, todos esses planos estão ativos, funcionais e estabelecem compromissos para o governo atual. Envolveu planejamento, muito debate entre os atores envolvidos, dissidências e, por fim, a modulação. É impossível um ministro da educação hoje simplesmente dispensar o PNE sem apresentar, pelo menos, um plano melhor. O Fundeb vai ser descurtido para ontem, a comissão de educação da Câmara já pressiona o governo desde o ano passado. E o sistema dos IFES é tão sólido que é uma das maiores barreiras para qualquer mudança na educação do país.
Agora, analise os números e "conquistas" que você postou: existe algo parecido com os projetos acima? Não estou discutindo se eles são bons ou não, apenas a questão de eles serem um conjunto de ações definidas em torno de um planejamento político único.
Construir hospitais Ebserh é uma tarefa do MEC, mas perceba que o próprio convênio com a Ebserh foi um dos desdobramentos do REUNI. Mesma coisa para novas universidades federais, bolsas de ensino, pesquisa e pós-graduação. Livro didático é meta do PNE. ENEM, Fies, Sisu e Prouni são projetos que compunham um segundo passo do governo passado para o ensino superior, nem a própria direita acredita neles. De projeto, projeto mesmo, só o Futura-se, que sequer saiu no papel em forma mais consistente (nas imagens que você postou, veja que não tem um dado sequer) ou as escolas cívico-militares, que engatinham e tem metas de prefeitura (50 por ano em um país com mais de 50000 escolas).
Falta um projeto de educação da direita brasileira, acho que até o mais fanático bolsonarista admite que ele ganhou no susto e não deveria pensar em projeto de educação até meses antes da campanha. Não adianta o cara assistir uma aula do Olavo sobre guerra cultural e achar que isso irá se materializar em mudanças de legislação, planos estratégicos, fóruns de discussão democráticos e ações práticas e coordenadas. Tem que sair da internet, parar de bater boca com jornalista e professor, e trabalhar. Trabalhar mesmo, meter a mão na massa, entender como os sistemas funcionam (o Weintraub tinha dificuldades com os sistemas do MEC, de acordo com alguns servidores), conversar com quem está fazendo a décadas. E no governo Bolsonaro, tirando a equipe econômica, muita gente trabalha muito pouco, incluindo o próprio presidente. Não acho que essa deveria ser uma questão ideológica, deveria ser uma exigência de todo o cidadão, é necessário mínimo de seriedade.

Postado originalmente por
GrYllO
Deixa eu ver se entendi então: não pode dizer que o que estava aí até o momento não prestava, isso? E o que fazemos com resultados objetivos, como o nosso desempenho no PISA?

Como eu disse ali em cima, não estou discutindo se os projetos dos governo anteriores foram ou não foram bons. Os governos passados negligenciaram o ensino básico, isso se refletiu no PISA, obviamente, e claro que foi uma falha. Mas bons ou ruins, foram projetos, o que conseguimos fazer com a mão de obra que temos. Você pode achar que foram ruins mas o gestor público deve, além de criticar o que não foi feito, propor algo melhor. A discussão é: qual foi o grande projeto do atual governo para melhorar o ensino do país?

Postado originalmente por
GrYllO
Boa tentativa de desqualificar o argumento, Bob. Chamar o MEC de "vespeiro" nada tem a ver com "desrespeito com os profissionais da Educação e com princípios democráticos da administração pública", mas com a constatação de um fato observado desde o início deste governo: qualquer política pública apresentada na área sofrerá resistência, por mais claramente benéfica que seja. Não se trata do mérito das políticas, mas de quem as está propondo - e você sabe disso. Até mesmo reconhece que não é fácil lidar com docentes e educadores públicos...
Não quis desqualificar, o tom e a forma com que apoiadores do governo tratam educadores e professores é sempre o do desrespeito, muita gente trabalhando para ganhar selinho de safado, vagabundo e comunista em canal de MAV bolsonarista, só por não seguir a ideologia oficial do governo. Isso não deve chegar em você mas acontece. As vezes cansa.
Se não foi o caso, então desculpe.
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Ahh não, agora o roteirista perdeu a mão! Sítio em Atibaia, apartamento no Guarujá:
Queiroz também ficou escondido em apartamento de Wassef no litoral de SP
Só falta ser triplex. O tal Wassef, advogado dos bolsonaros, já tá na terceira versão do porque estava escondendo o Queiroz. O cara tá em surto psicótico, só pode. Não é possível um advogado criminalista se incriminar a cada entrevista que dá e continuar dando entrevista mesmo sem ser obrigado. Parece um comportamento de quem quer passar recado.
Ao que tudo indica, o tal ministro Decotelli não é doutor, não defendeu a tese (em alguns lugares, diz que tese a tese reprovada). O bizarro é que foi para um pós-doutorado na Alemanha que, teoricamente, necessita de um doutorado. Ou seja, ainda tem a possibilidade de cair em uma falsidade ideológica.
Esse governo deveria ser uma esquete dos Trapalhões, não é possível. Só falta agora rodar o ministro da Educação por mentir no Lattes, fundo do poço total.