
Postado originalmente por
carlosssj3
O problema é que a sua resposta não responde totalmente à minha pergunta.
Você meio que apelou à autoridade ou à população para justificar, apesar de dizer no final que isso não conta.
Me permito discordar de você. A liberdade de fazer o que se quer com o próprio corpo me parece muito mais importante do que evitar suicídios.
Essa lógica e esses apelos que você usou podem ser utilizados para defender restrição de outras liberdades individuais, não acha?
Edit: Como definir OBJETIVAMENTE que alguém está em plena capacidade de suas faculdades mentais para cometer suicídio?
Quando colocar um argumento científico é apelo à autoridade? À autoridade do conhecimento formal? Eu não disse que essa é a opinião do médico fodão "Dr. Áuzio Varela", disse que é a opinião cânone de uma área da ciência e do estudo da mente.
Acho que você está trocando as casinhas e confundindo liberdade com livre-arbítrio. Liberdade exige princípios e o primeiro deles é a capacidade plena de exercê-la. Enquanto mais plena a capacidade, mais liberdade há. Não estamos falando aqui de uma lógica binária, é óbvio que o conceito é sujeito a subjetivismos, todos os conceitos envolvidos são (eu até acredito que alguns não são, mas isso é apenas crença). Só que a parte médica, biológica, neurológica a etc, é a menos subjetiva aqui.
Esqueça das leis, pensa apenas no questão que você colocou: você acha que impedir um adulto de se relacionar sexualmente com uma criança de 10 anos, mesmo a criança "querendo" e "escolhendo", agride a liberdade dela? Se sua resposta for não (espero que seja), me diz aí qual o critério que você utilizou para chegar a essa resposta.
Além disso, não estamos falando aqui de um espectro de Estado vs. Indivíduo. Apesar de eu entender na individualidade um caminho para um desenvolvimento social pleno, isso não quer dizer que eu entenda o ser-humano como uma ilha, isolado em egoísmos. Se algum indivíduo tem problemas no espectro da privacidade/individualidade dele, faz parte da minha filosofia de vida tentar compreender e ajudar. Ninguém PROÍBE alguém de se matar, no sentido de livre-arbítrio. Quem quer se matar, vai fazer de qualquer forma, existem diversos métodos. O que está em pauta aqui é simplesmente ajudar uma pessoa, um ser humano, a compreender que a idealização do suicídio pode ser apenas um sintoma de uma doença, totalmente tratável e curável.
E aí eu faço uma pergunta: alguém aqui acha que depressão não é uma doença?
P.S.: não faço a mínima ideia de como definir objetivamente que alguém está em capacidade de se matar, essa não é minha área. Acredito que pacientes terminais que expressem esse desejo talvez façam parte desse grupo de forma mais objetiva, longe dos tons de cinza. Agora, tenho certeza que existem bons critérios para definir alguém que NÃO está na capacidade de decidir isso. E mesmo que não seja uma ciência exata, sempre que uma vida está em jogo, a aposta fica na vida.